Destinos Ligados
16 3.16 – Em Família
Notas iniciais
Algum tempo se passou desde o concurso de Musa. O casamento de Blaine e Sam se aproximava cada vez mais. Marley e Ryder logo viriam a NY, eles seriam padrinhos. B. e o bocudo também haviam convidado o pessoal de Ohio, exceto Puck. Até Mercedes e Mike foram chamados, embora não tivessem dado nenhuma resposta. O casal Anderson & Evans se encontrava em uma felicidade sem igual, exceto por um fato que incomodava, e muito ainda, Sam. Tina.
Desde que ela cantou e encenou para Blaine no concurso, o loiro andava um pouco irritado e preocupado. O solista, que conhecia muito bem seu noivo, percebia, mas esperava a hora certa para conversar com Sam. Temia deixar ele ainda mais chateado.
Era sábado e dia de folga do loiro. Contudo, ele era dedicado, e precisava daquele emprego, por isso sempre tratava com clientes da loja por e-mail, mesmo quando não estava trabalhando. Naquela manhã, Sam estava no computador e Blaine na cozinha, o solista alimentava Jon quando ouviu um barulho. Ele foi à sala, o noivo havia atirado o computador na parede. O notebook jazia em pedaços. B. correu até ele e pôs a mão sobre seu ombro.
– Você está bem? – Perguntou. O loiro estava suando e tremia.
– Sim, sim. Eu só me irritei com um cliente idiota – O rapaz estava sentado no sofá, levantou-se bruscamente e deixou Blaine lá. Foi até a cozinha e pegou um copo de água. Bebeu. O líquido ondulava no copo enquanto entrava em sua boca, suas mãos ainda tremiam.
Blaine suspirou, levantou-se e foi até o noivo. O puxou e abraçou forte. Olhou para Sam e balançou a cabeça, ele sabia que não era o cliente o problema.
– Quando você vai aprender que eu te conheço bem? É a Tina, eu sei que não gostou do showzinho dela, e eu gostei menos ainda, Sam. – Falou meio desapontado com a atitude do noivo — Desde aquele dia, você não tem sido o mesmo.
Sam levou a mão à cabeça, olhou para cima, fechou os olhos e respirou. Depois expirou o ar com força, olhou para o chão, para os lados. Blaine esperava por resposta. Ele voltou à sala, Blaine foi atrás. Sentaram-se no sofá.
– Eu só quero te proteger, B. Eu tenho medo que seja mais um plano, sabe? Um golpe. Que ela tente... – Ele não conseguiu continuar.
– Fazer mal a mim? – Blaine balançou a cabeça – Ela pode ser louca, mas me ama. – Blaine levantou e olhou para chão, buscava palavras – Sabe, Sam... Eu até... – Respirou fundo, temia a forma como o loiro pudesse receber aquilo – Eu acho que ela foi sincera.
Sam socou uma mesa que havia a frente do sofá, um vaso caiu e quebrou.
– Você não pode estar falando sério. – Disse com raiva.
– Eu também estou confuso, assim como você, Sammy. – B. falou de forma doce. Aproximou-se e ajoelhou a frente do noivo. O solista pegou as mãos do loiro e as segurou, olhava nos olhos dele – Vamos resolver o problema Tina juntos, sim? Ele não é só seu, nem só meu. É nosso. – Disse – Ambos tivemos culpa nisso. Você por toda aquela tramoia com ela e eu por ter dado tanto abertura. – Os olhos de ambos marejavam – Somos um casal, precisamos dividir tudo. Até culpas, quando necessário. – Abraçou o bocudo – Eu te amo. – Falou enquanto enterrava o resto no pescoço do loiro.
Sam não pode deixar de se comover. Ele sorriu e chorou. Blaine era sempre tão prestativo e amoroso, ele temia perder seu solista um dia. Era bobo, mas ele sentia ciúmes dele com Tina.
– Promete que não deixa aquela vadia se aproximar da gente? – Perguntou o loiro em um tom bem mais descontraído.
– Sim, se você prometer conversar mais comigo sobre seus problemas. – Blaine piscou.
Sam riu daquilo e abraçou o solista, o beijou por um tempo. Tocar os lábios de Blaine com os seus era sempre a melhor sensação do mundo. Sua boca tinha o melhor gosto, sua língua o melhor sabor e aquele contato levava ambos às nuvens.
– Isso me deu uma ideia, vamos cantar? Faz tempo que não cantamos juntos. – Disse B.
– Só se for agora. – Sam foi ao quarto e pegou o violão – Alguma ideia?
– Sim, a melhor de todas. – Blaine pegou uma folha e entregou ao loiro – Acompanhe-me.
Blaine:
Remember when I dove into the crowd
And I got a bloody knee under my skin
A mark from wiping out
It brings back the memories
Every bone’s been broken
And my heart is still wide open
Sam:
I can’t stop don’t care if I lose
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
I’m going down in flames for you
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
One more thing I’m addicted too
With each scar there’s a map that tells a story
What a souvenir of
Young love’s like jumping out na airplane
Riding a tidal wave on
Na ceano f emotion
My heart rips me wide open
I can’t stop don’t care if I lose
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
I’m going down in flames for you
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
One more thing I’m addicted too
Blaine e Sam:
And I cover up these scars
(We'll make it we'll make it but we break it)
And I can't stop seeing stars
(Lets hope not die)
Whenever you're around
Around
Blaine:
I can't stop don't care if I lose
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
I'm going down in flames for you
Baby you are the weapon I choose
These wounds are self inflicted
One more thing I'm addicted too
I can't stop
Oh I can't stop
No I can't stop
And I'm going down in flames for you
Oh I'm going down in flames for you
Baby you are the weapon I choose
Baby you are the weapon I choose
Ao fim, eles se olharam e sorriam. Depois Blaine beijou o noivo.
– Problema resolvido? – Perguntou o solista.
O loiro sorriu e o puxou, pegou-o com força e começou um beijo forte. O celular de Sam tocou, os dois se largaram e riram.
– Salvo pelo gongo. – Disse o loiro e atendeu – Sim? – Era Carole – Sério?! – Perguntou arregalando os olhos. Blaine o olhou assustando, gesticulando e querendo saber do que se tratava. O bocudo só ouvia o que era dito do outro lado da linha – Claro, claro! Estamos indo para aí agora! – Falou e desligou.
– O que houve?! – B. estava preocupado.
– A Rachel! Ela está tendo seu filho! Vamos, B. Precisamos ir ao hospital. – Falava enquanto corria pela casa a procura de sua mochila.
Blaine e Sam foram ao hospital.
Chegaram e ligaram para Carole, ela os instruiu como encontra-la. Eles foram. Chegaram correndo até o local.
A mãe de Finn estava sentada em um sofá, em um ambiente perto de uma recepção. O quarto de Rachel ficava próximo dali. Blaine foi correndo até ela.
– Então? É menino ou menina?! – Perguntou ansioso. Sam chegou logo em seguida.
– É menina. – Disse Carole – Uma linda e grande garota. – Ela riu – Deu trabalho para nascer. – Uma lágrima descia por um de seus olhos, ela se lembrava de Finn – Parece o pai, sabe? Grande e trabalhosa. –Todos riram.
– Finn, com certeza, deve estar chorando de alegria também. Esteja onde estiver. – Disse Blaine colocando uma mão sobre o ombro dela, como forma de apoio.
– Rachel já pode ser visitada? – Perguntou o loiro.
– Daqui a alguns minutos. As enfermeiras estão cuidando do bebê, levaram-na para fazer alguns exames de rotina e depois a trarão para que Rachel amamente. – Explicou a mulher.
– Vamos esperar então. – Disse Sam – Não trabalho hoje mesmo. – Ele sentou em um sofá – Venha, B. – Bateu no lugar ao seu lado – Tem um cantinho para sentar também. – E piscou, Blaine balançou a cabeça e riu.
Blaine estava em pé, olhando fixamente para o quarto em que a amiga estava. Parecia pensar em algo, até que o noivo quebrou o clima com aquela brincadeira.
– Idiota! – Falou e riu. Depois sentou ao lado do bocudo, puxou-o pelo cabelo e beijou seu rosto.
Algum tempo se passou, eles foram chamados.
Carole foi a primeira a entrar. Rachel estava deitada com a filha nos braços, aninhava-a enquanto cantava algo. A mulher não conteve as lágrimas. Quando Rach viu que a ex-sogra e os amigos estavam ali também não conteve a emoção. A mãe de Finn fez um gesto com os braços, Rachel entendeu e ofereceu o bebê para que ela pegasse. A avó chorou novamente com a neta nos braços.
Blaine e Sam se aproximaram também.
– Linda igual a mãe e o pai. – Comentou Blaine. O bebê era realmente enorme, havia herdado aquilo de Finn, com certeza. O solista se perguntou como aquela criança coube na barriga da amiga – Mais uma boa herança que Finn nos deixou.
– Sim. – Rach disse olhando para a filha – A melhor de todas. – Carole a aninhava agora.
– Já tem nome? – Perguntou Sam.
– Victoria. – Disse a moça – A minha Victória! A filha que tanto significou para mim. A garotinha que nasceu do meu amor com Finn. – Lágrimas desciam por seus olhos agora. Carole devolveu o bebê à mãe.
– A nossa Victória. – Disse de forma doce.
– Vick. – Continuou Blaine. – Com os dotes artísticos herdados dos pais, será uma grande e incrível mulher, eu tenho certeza.
Os amigos continuaram ali por um tempo, conversando e lembrando-se de bons momentos ao lado de Finn, e como Victoria seria feliz e cresceria cheia de amor.
Blaine e Sam voltaram à recepção.
– Eu vou à casa da Rachel pegar uma roupa que ela pediu. Aí passarei em casa para pegar uma para nós também, ok? – Disse e beijou o loiro. Ficou abraçando e olhando para Sam. Ele estava pensativo. – No que pensa?
– Em quando nós tivermos um bebê para gente. – Disse – Em quanto eu serei o homem mais feliz do mundo. – Sorriu.
– E eu vou te acompanhar nessa felicidade. – Disse B. e o beijou de novo.
– Traz o seu computador, por favor. Acho que vai me entreter um pouco enquanto a gente não voltar para casa. – Pediu Sam.
B. assentiu com a cabeça e foi.
Santana e Dani voltavam para a mansão da garota de cabelos tingidos. Santie havia a convidado para almoçar fora, pois sua avó não estaria em casa até a noite. As duas estavam no portão do casarão, Dani vinha olhando para o céu com um enorme sorriso, a latina observou isso.
– Feliz? – Perguntou.
– Muito. – Dani respondeu e piscou – Você tem me feito viver, Santana. – Ela suspirou – Fazia tempo que eu não provava dessa sensação.
Santana riu.
– Pois aprenda a nunca mais deixar de provar dela. Viver é algo que todos deveriam fazer. – A morena também estava pensativa.
– Pode deixar, você me ensinou direitinho. – Ela disse. As duas andavam enquanto conversavam. Chegaram à porta. — Estou entregue. – Falou Dani – Não quer entrar, tomar um refrigerante e jogar conversa fora comigo? – Piscou.
Santana piscou de volta para a garota e assentiu, elas entraram. Aos risos, as duas chegaram à sala e se deparam com algo assustador para Dani.
– Que coisa mais bela. – A avó da garota estava sentando em uma poltrona, de pernas cruzadas. Falou com uma voz gélida. Seu rosto era duro como pedra, seu olhar era cheio de raiva, sua boca tremia – Minha neta saindo de casa as escondidas para se encontrar com... – Sua boca tremeu mais – Com essa daí. – Falou depois de procurar as palavras um pouco.
Dani engoliu em seco, estava perdida.
– Vó, eu posso explicar... – Disse Dani, nervosa.
– Não, você não pode. – A mulher levantou-se — O que eu te disse? Proibi você de sair com esse tipo aí. – Olhou para Santana dos pés a cabeça com nojo – Ela não é companhia para você. Já falei várias vezes. – Esbravejou. – Eu sei que têm saído juntas há um tempo, Dani. Sei que ela sempre acompanha você para casa quando eu não estou. Sei que ela vem aqui em casa. Acha realmente que deixaria você trabalhar em um local sem saber cada passo que dá? – Ela riu de forma torta – E acha que os empregados da casa não me falariam sobre as visitas dessa mulher?
Dani não sabia o que fazer, o que responder. Tremia um pouco, estava muito assustada com a situação. Santie ouvia tudo calmamente até o momento.
– Você vai amanhã mesmo deixar o emprego, está mais do que na hora de ir trabalhar comigo, na minha empresa. Empresa que um dia será sua e dos filhos que terá com seu marido. Cuidar do que é seu. – Olhou para Santana novamente – E mais...
– E mais nada! Chega – Santana gritou – Você não percebe o que faz? Olhe para a Dani – Disse apontando para ela, a moça chorava. – Você não é a dona do mundo, senhora! – Continuou gritando – Nem da vida da sua neta! Não passa de uma velha solitária com espírito autoritário e cheia de dinheiro. Se enxerga, sua ridícula!
– Cale sua boca, garota insolente. Da minha neta e vida cuido eu, você não é nada dela. E estou em minha casa, não tente me desafiar. Você é a intrusa aqui. Eu conheço bem seu tipo, suma logo da minha frente!
Santie revirou os olhos e bufou de raiva.
– Calar-me? – Santana riu debochando – A minha boca não, mas a sua eu posso calar. O que acha de levar uns bons tapas para ver se aprende a abrir a boca para falar menos besteira? – Disse. A mulher a olhou assustada. – Você é velha, mas ao seu tipo eu não me importo em mostrar como se faz com as putas lá em Lima, de onde em vim. – Ela sorriu desafiando a mulher.
– Sua...
– Sua pior inimiga, é isso que eu posso ser. – Interrompeu-a – Eu não tenho medo de você, minha senhora. Não percebe? Nem da sua falta de educação e do seu preconceito. Você é uma porca, gente do seu tipo passa direto por mim. E eu sempre soube lidar com tais pessoas. – Continuou — Eu sou apenas amiga da Dani, é verdade. E sabe o que é pior? Você é avó dela, é a família dela. A única que a Dani tem. – A latina balançou a cabeça – Não percebe que só a faz sofrer? Você que deveria dar-lhe amor, carinho, segurança.
Dani olhava tensa, as feições de Santana mostravam que ela realmente estava a ponto de voar no pescoço da velha.
– Eu só quero a felicidade dela. – A mulher olhou para o lado, meio sem jeito. – Não se meta em algo que não sabe.
– Não seja hipócrita, eu sei de toda história. Você só quer alguém que toque esse seu maldito patrimônio, não lhe interessa a felicidade dela, nem de ninguém. Você só ama seu dinheiro, sua velha louca. – A cada palavra Santie se aproximava mais da mulher, que dava passos para trás, assustada.
Dani se aproximou da amiga, precisava agir logo. Tocou seu ombro.
– Por favor, vá. – Pediu enxugando as lágrimas – É melhor. Essa conversa não vai nos levar a lugar algum.
A latina olhou para o lado, para a amiga, suspirou.
– Sim, eu vou. Mas não se esqueça de uma coisa: Você fica. E você é dona de si mesma, não é propriedade de ninguém – Beijou a amiga no rosto – Espero que tudo fique bem. – Olhou para a velha, ela olhava-a com ódio, sua boca tremia mais, ela queria falar, mas tinha medo. Snixx agiu aqui, pensou e riu por dentro. – Espero que aprenda um pouco com o que eu disse. – Disse à mulher. – E deixe sua neta ser feliz. – Ela caminhou até a avó de Dani calmamente – Sabe... Minha avó, minha querida abuela – A morena sorriu ao lembrar-se dela – Ela não me aceitou bem no começo. Mas no fim, percebeu que só uma coisa importava: Ver-me bem e feliz sendo o que sou. Foi difícil, mas conseguimos superar juntas. Afinal, ela é minha avó, mãe da mulher que me gerou. Duas vezes minha mãe e é a pessoa mais importante da minha vida. – Uma lágrima escorreu por um dos olhos da morena – Com a Danielle e você acontece algo parecido, sendo que eu ainda tenho meus pais, ela não. Pare de ser idiota antes que seja tarde. Ou isso vai fazer perder uma das coisas mais importantes de nossas vidas, algo que seu dinheiro não pode comprar. – Olhou para a amiga e sorriu. Depois olhou para a mulher, ela a olhava também, não exprimia sentimento algum. – Adeus. – Santana saiu.
Avó e neta ficaram na sala, a mulher mais velha voltou a sentar-se em sua poltrona.
– Que garota mais mal educada. – Reclamou com uma enorme carranca – Tentar me atacar e em minha própria casa... – Resmungou – E você, Danielle. Faça o que peço. Nada de trabalhar mais naquele lugar, nem de ver aquela lá! – Exclamou.
Dani, que ainda estava em pé e pensando em tudo que houve, a olhou e balançou a cabeça, incrédula. Depois riu um riso cheio de mágoa e desespero.
– Do que ri? Por acaso falei algo engraçado? – A mulher ficou de pé, estava pronta para outra discussão – Acho que a convivência com aquela puta pobre de interior a deixou sem miolos.
– Muito pelo contrário, vovó. – Dani sorriu – A Santana me fez ver o mundo de outra forma, uma bem mais bonita do que a que eu vejo aqui. – Dani tinha um semblante triste – Eu decidi que vou viver a minha vida. – A mulher a dirigiu um olhar que indicava que ela não deveria falar mais, porém Dani prosseguiu – Você é tudo para mim. Desde que meus pais morreram, cuidou de mim e deu-me tudo de melhor. Não tenho o que reclamar com relação a isso, você é a melhor vó do mundo. E eu nunca te contrariei, pois me sentia no dever de te dar o melhor de mim, assim como me deu o melhor que podia de si – Falou de forma meiga e foi se aproximando. Ficou cara a cara com a mulher e sorriu. Olhou para ela e viu a mãe – Mas eu não posso fazer o que me pede, não pode me distanciar do que acho que é melhor para mim. Você tem seus sonhos, eu os meus. Eles não coincidem. – Danielle respirou fundo – Eu tenho um dinheiro que minha mãe deixou, ele está em uma conta no banco. Vou pegá-lo e sair por aí com meu violão. Vou cantar e chamar a Santana para ir comigo. Eu estava perdida, assim como ela, mas me encontrei. Eu espero que entenda e me perdoe. – Disse a garota, a mulher caiu sentada em sua poltrona, parecia passar mal – Eu te amo, vó. Você é tudo para mim, minha família. Eu te darei um dia os netos que tanto quer, quanto a isso não se preocupe. Mas não posso prometer o mesmo com relação ao seu tão estimado patrimônio. A única coisa que posso prometer no momento é ser feliz – Dani falou e foi caminhando até a porta.
– Danielle – A mulher chamou, ela parou – Pense bem antes de tudo. Você tem uma vida boa comigo. Se quiser ficar com aquela lá, não me importo, embora não goste muito da ideia. Faça o que quiser de sua vida amorosa. Mas meus bens, minha empresa, eu. Você não pode simplesmente largar tudo isso e sair por aí a mercê do destino.
Dani sorriu e dirigiu o olhar para ela.
– Pode deixar, eu darei um jeito nisso. Enquanto você viver, eu estarei sempre que puder ao seu lado. Você tocará os negócios e, quando for necessário, eu entro em ação. – Ela foi até a avó, ajoelhou-se perto da poltrona e a abraçou – Só que agora vou ser feliz. Preciso recuperar o tempo perdido. – E saiu, precisava encontrar alguém.
Correu até a frente de sua casa, para o seu alívio, Santana estava ali à espera do um táxi. Ela chegou de mansinho.
– Esperando algo? – Perguntou de supetão, a morena pulou assustada, Dani riu.
Santie a olhou curiosa, franziu o cenho.
– O que faz aqui? – Perguntou.
– Vim te ver e fazer isso. – Ela puxou a morena, segurou em seu ombro e a beijou.
Seus lábios se tocaram de forma doce e o beijo foi lento e cheio de ternura. Ao término, Santana a olhou incrédula, Dani sorriu.
– Não beijava há tanto tempo que nem lembrava mais da sensação. – Disse a moça de cabelos tingidos.
– Você está louca! – Santana riu – O que deu em você?
– Só estou seguindo seus ensinamentos, estou vivendo! E mais, tenho uma proposta. Topa sair por aí cantando comigo? Tenho um violão e um pouco de dinheiro, poderíamos fazer uma bela dupla- Piscou.
Santana suspirou, não sabia o que responder e temia magoar a amiga.
– Não sei, Dani. Na verdade, eu não estou a fim de me relacionar com alguém agora. Tive duas namoradas já e foram relacionamentos meio conturbados...
– Hey! – Dani levou um dedo aos lábios dela e os selou – Quem falou em relacionamento? – Ela riu – Eu disse cantar juntas.
– Mas é que... O beijo...
– Relaxa, eu não quero nada sério também. Mas é claro... Alguém para esquentar nossa cama vez ou outra não é nada mal. – Piscou.
– Boba. – Ela riu e pensou mais um pouco. – Tudo bem, eu topo. Depois do casamento do Blaine e do Sam a gente sai por aí cantando juntas. – Piscou.
Dani demorou um pouco para assimilar aquilo, ficou olhando a amiga com cara de boba. Depois pulou em seus braços alegre e a beijou de novo.
– Obrigada, de verdade. Você é a melhor! – Exclamou e beijou-a novamente.
– Todos me dizem isso. – Falou Santie e riu.
As duas ficaram esperando um táxi ali. Mas esperavam mais do que isso. Santana esperava se descobrir mais, talvez aquela aventura fosse necessária. Enquanto Dani esperava um magnífico futuro junto de Santie. Eram grandes amigas, isso era inegável. Contudo, a latina sabia que Dani queria mais que isso, sempre soube. Só não sabia seus sentimentos com relação à moça. Teria que descobrir ao longo do tempo e esperava que tivessem que passar muito tempo juntas. Seus destinos acabavam de se ligar.
Saindo de seu apartamento, Blaine vinha de frente ao prédio com as coisas que havia vindo pegar. Trazia roupas e o computador. Havia alimentado Jon, brincado um pouco com ele e saído.
Ele caminhou um pouco, então viu a figura de uma mulher loira se aproximando. Ele olhou melhor, franziu o cenho e olhou de novo. Ele a conhecia e não esperava vê-la encontra-la mais.
– Sra. Evans? – Perguntou surpreso – Pensei que nunca mais a veria na vida.
– Podemos conversar? – Questionou ela. Parecia aflita.
– Claro, mas tenho que voltar logo ao hospital. O Sam me espera lá.
– Hospital? – Ela pareceu assustada – O que ele tem?!
– Ele nada, nossa amiga que acaba de dar a luz. Seu filho está bem, não se preocupe. – Blaine foi bem ríspido, ele não gostava daquela mulher – Vamos, entre. – Disse apontando o caminho – Afinal, temos muito o que conversar, não? – Ele sorriu de forma sarcástica.
A mulher assentiu e entrou junto do solista, eles foram até a sala do apartamento.
Ela entrou e olhou o lugar e todos os seus cantos.
– Então é aqui que você e meu filho moram? – Questionou surpresa – Parece tão arrumado, tem certeza de que o Sam vive aqui mesmo? -Ela riu.
Blaine a olhou sem entender.
– O que quer? Por que toma seu tempo? Acho que seu marido já disse tudo que vocês tinham a dizer.
Ela assumiu um semblante sério, tossiu e respirou fundo.
– Antes de tudo, preciso saber de algo... Você contou ao Sam sobre...?
– Você ser uma vadia que trai o pai dele com qualquer um? Não. – Falou com frieza. – E não por você, por mim eu te jogava na lama de uma vez. Mas pelo seu filho, que é uma pessoa boa e não merece sofrer pelo trepo de mãe que tem.
A mulher sorriu de forma torta.
– Qual a graça? – B. perguntou.
– A graça? É que você é tão sujo quanto eu nessa história, rapaz. Eu sei que você sabe disso. – Piscou de forma provocativa – E mais, ele disse o que ele queria dizer. Eu, como sempre, não me posicionei. Não ainda. – Sorriu.
Blaine sentiu-se culpado ao ouvir aquilo, ele havia chantageado a mulher, Sam ficaria muito mal se soubesse.
– Sim, você tem razão. – Ele admitiu – Não tive coragem de contar também por mim. Não queria decepcioná-lo duplamente.
A mulher caminhou um pouco, ainda analisando o lugar. Depois sentou-se.
– Sabe... – Começou, ela olhava para cima e pensava na vida- Para você é fácil me julgar. Não passou por tudo que passei. Acho que se lembra de quando o Sammy levou os irmãos para morar em um motel, não? Sim, nós ficamos sem casa. – Ela ainda sorria de forma provocativa – Muitas vezes, eu e o pai do Sam ficamos sem comer para que nossos filhos pudessem fazer isso. Foram tempos horríveis e difíceis.
– Eu ouvi falar. Não era do Glee ainda, mas sei de tudo. – B. sentou-se também.
– Eles nos ajudaram muito. Roupas, comidas e tudo mais. Eram bons garotos. E meu marido também era grato a aquele grupo, pelo menos até culpa-lo pelo fato do filho ser gay.
A mulher falava tudo como se estivesse farta daqui, a ponto de explodir. Ela pensava em todas as palavras antes de falar, havia uma mistura triste e nostálgica no que dizia, com um fundo de felicidade ao lembrar-se dos filhos.
– Você, apesar de tudo, parece ser, ou pelo menos ter sido, feliz com seu marido. – Observou B.
– Deixa eu te contar uma história, meu rapaz. Quando eu casei com o pai do Sam, eu o fiz obrigada. Estava grávida dele, não tinha como sustentar a mim e a meu filho. Depois, fui aprendendo a admirar aquele homem, e a amá-lo. Fui muito feliz ao seu lado, ele me deu três lindos filhos. Quando passamos por necessidades, apesar de ter sido muito ruim, foi onde eu mais me uni a minha família e vi o quanto os amava. Nenhuma mãe ama mais meus filhos do que eu, meu caro.
– Então por que abandou o Sam? – A mulher realmente parecia falar a verdade, tudo era muito confuso na cabeça do solista.
– Eu não o abandonei, só queria que as coisas esfriassem para eu falar com meu marido. Contudo, sua chantagem, fez tudo piorar. Ele achou uma afronta esse convite e ainda pior por eu tê-lo feito. Quase se separou de mim e ainda ameaçou tirar-me os outros filhos menores. Por isso, não me posicionei. Por meus filhos.
Blaine suspirou, não imaginava que pudesse ter causado tamanho mal.
– Mais uma vez pergunto, por que ainda está com ele? Você o ama?
– Não. – Ela sorriu de novo – Já o amei, mas no passado. Quando ele conseguiu se reerguer, nós melhoramos de vida. Contudo, ele mudou muito. Tornou-se um carrasco, um verdadeiro ditador. Dizia tudo que eu e meus filhos devíamos fazer, afinal, erámos sustentados por ele. Antes eu o amei com todas as forças, o admirei e construí uma família com ele. Hoje tenho nojo e pena do que se tornou. – Ela levantou-se – Traí-lo virou minha válvula de escape, uma espécie de vingança. Depois do que ele fez ao Sam, só o odeio ainda mais.
– Eu realmente sinto muito. – Disse B., ela riu.
Blaine levantou-se, saturado e assustado com tantas confissões, e olhou para o relógio.
– É tarte, não quer ir comigo ao hospital e ver seu filho? Já que não vem ao casamento, acho que deveria vê-lo ao menos.
– Claro que irei.
– Sobre suas traições, não se preocupe, não tenho nada a ver com isso. Não falarei nada. – Falou triste por tudo que fez.
Ela piscou e sorriu.
– Vamos? – Chamou-o.
– Sim, vamos. – Blaine saiu junto dela.
Eles chegaram ao hospital juntos, só que B. precisou ir comprar algo para comer. Antes, o solista falou com Carole, que disse onde Sam estava.
– É só ir ao quarto da Rachel e chama-lo, ele está com ela. – Disse o rapaz – E, por favor, não o faça sofrer mais...
– Eu amo meu filho, entenda de uma vez por todas. – A mulher disse rispidamente.
Blaine assentiu e saiu. Temeroso, mas feliz. Seria bom para Sam falar com a mãe depois de tanto tempo.
A mãe de Sam caminhou, foi até o quarto de Rachel. A cada passo que dava mais seu coração palpitava. Seria difícil explicar ao filho tudo que aconteceu. Sua ausência não tinha explicação, sua imparcialidade, sua falta de decisões. Ela sentiu-se mal, mas esperava que no fim o amor incondicional e o destino que ligava os dois falassem mais alto.
Ela bateu na porta, alguém autorizou sua entrada.
Rachel estava ali, deitada na cama amamentando sua filhinha. O sorriso da moça ao admirar seu bebê era lindo e enchia todo o ambiente de alegria. A forma como pegava e segurava a filha demonstrava o quanto Rach a amava.
– É linda sua filha — Disse a mulher ao se aproximar. – Posso? – Estendeu os braços, esperando que Rachel a deixasse segurar o bebê.
– Claro... Mas, quem é você? – Perguntou, embora a achasse familiar.
– A mãe do Sam. – Disse meio com vergonha. Temia que Rachel soubesse da história.
A moça entregou a criança com todo cuidado, a mulher a aninhou em seus braços. Ela brincava com o bebê e o olhava como se lembrasse de algo. Talvez de quando os filhos eram bebês também. Ela, de repente, começou a chorar.
– É difícil, não é? Ser mãe não deve ser fácil. Espero aprender logo. Para nunca ter que errar com minha filha – Disse Rachel, tentando consolar a mulher.
– O que você faria se ela fosse... – Começou a mulher.
– Lésbica? – A mãe de Sam pareceu assustada ao ouvir aquilo, Rachel sorriu – É essa a palavra, lésbica.
– Você fala com tanta normalidade...
– É porque é normal. As pessoas são o que são, ninguém pode mudar nem tem o direito de julgá-las. No Glee, junta do Sam, aprendi a respeitar e cultuar as diferenças. – Explicou – Espero que o mundo em que a minha filha cresça seja assim, cheio de respeito e amor para com os outros. Eu estou ajudando nessa construção. E o que eu faria ser a Vick fosse lésbica? Eu a amaria. – Falou.
A mulher engoliu em seco.
– Você fala como se eu não amasse o Sammy... Só que não entende o quão difícil é.
– Eu entendo sim, lutei contra isso dentro da escola, no ensino médio, para ajudar um amigo por um bom tempo. Por fazer parte dessa luta que não tolero esse tipo de preconceito. O Sam é seu filho, nasceu de você. É sua família. Seu amor por ele não mudaria de uma hora para outras pelo fato dele ter assumido sua condição. Sabemos disso, ambas. Para você está sendo difícil, só que para ele também.
– Eu não queria abandoná-lo. Só que meu marido não suporta isso, e as pessoas falam e a maioria vira as costas para pessoas como o Sam. Não quero que meu filho sofra, não suportaria vendo sendo atacado. – Ela chorava, lamentando-se.
– Sabe... É nos momentos difíceis que descobrimos quem está aqui por nós de verdade. Os amigos? Eles nos apoiam e nos ajudam. Os falsos nos julgam e nos dão as costas. Eles falam e criticam, até que passem pelas mesmas dificuldades, pelo menos. – Rachel sorriu, a mulher entregou-a de novo o bebê- Vê ela? Assim com eu a concebi e gerei, você concebeu e gerou o Sam por nove meses em seu útero. O viu crescer e o educou. O viu chorar, sorrir, viu seu primeiro dente cair e deu do leite que seu próprio corpo produziu para ele se alimentar. Levou-o ao médico quando doente, ao dentista, à escola. Durante todo esse tempo o amou e o ajudou, apoiando-o quando necessário e corrigindo-o quando estava errado. Durante todo esse tempo, seu filho, o Sam Evas, era o que ele é agora, gay. E você viveu tudo isso ao lado dele, amando-o. Agora, por causa do seu marido ou das outras pessoas você vai deixar de fazer isso? A pergunta é, por quê? Que amor é esse?
A porta bateu, elas cessaram o diálogo. Era Sam, ele pareceu assustado ao ver a mãe ali.
– Mãe?
Ela olhou para Rachel, a moça assentiu. A mulher caiu no choro e se jogou de joelhos na frente do filho, abraçando suas pernas. Ela soluçava.
– O que está havendo?! – Sam arregalou os olhos – É o papai? Ele está doente?
– Sim, meu filho. – Ela levantou e olhou para o seu rosto, vendo o quanto ele estava bonito e feliz – E ele queria me adoecer junto, mas não conseguirá. – Abraçou-o forte – Perdoe-me, por favor. Eu fui negligente, fui uma burra. Fui tudo, menos mãe. Mas eu te amo, Sam. Perdoe-me. – Disse entre soluços.
O loiro a abraçou forte também, começou a chorar junto.
– Eu também te amo muito, tudo que quero é ficar bem com você e com o papai. E ver meus irmãos de novo.
A mãe respirou fundo.
– Ver seus irmãos é possível, já seu pai não sei. – Sam a olhou assustado, ia perguntar algo, mas antes ela começou a falar – Estou me separando dele, Sammy. Vou lutar na justiça por seus irmãos. E mais... Virei ao seu casamento, pode apostar. Se ele não quer, paciência. Eu não perderei a chance de ver mais uma etapa da vida do meu filho nunca! – Disse e o abraçou – Eu te amo tanto, não faz ideia do quanto. – Ela riu – Na verdade, nem eu fazia. – Sam riu junto. – Vi sua cara, seu noivo, como sua vida está. Eu apoio tudo, meu filho. – Abraçou-o – Eu te amo. – Disse o apertando.
Sam, Blaine e a Sra. Evans saíram dali felizes, foram jantar em um lugar, para comemorar. Depois foram para o apartamento, a mulher precisava voltar.
– Cuidem-se e não deixem que ninguém interfira na vida de vocês, pois ninguém pode julgá-los. – Abraçou os dois.
– Obrigado, de verdade, mãe. – Falou o loiro, orgulhoso e meio choroso — Queria cantar algo, antes que fosse. Pode ser?
– Claro. – Ela sorriu.
– B., pega o seu computador, por favor. – Blaine foi e o trouxe, o bocudo preparou algo – Espero que gostem. – Falou e sorriu.
It's a really old city
Stuck between the dead and the living
So I thought to myself, sitting on a graveyard shelf
As the echo of heartbeats, from the ground below my feet
Filled a cemetery in the center of Queens
I started running the maze of
The names and the dates, some older than others
The skyscrapers, little tombstone brothers
With Manhattan behind her, three million stunning reminders
Built a cemetery in the center of Queens
You said, remember that life is
Not meant to be wasted
We can always be chasing the sun!
So fill up your lungs and just run
But always be chasing the sun!
So how do you do it
With just words and just music, capture the feeling
That my earth is somebodys ceiling, can I deliver in sound
The weight of the ground
Of a cemetery in the center of Queens
Theres a history through her
Sent to us as a gift from the future, to show us the proof
More than that, its to dare us to move
To open our eyes and to learn from the sky
From a cemetery in the center of Queens
You said, remember that life is
Not meant to be wasted
We can always be chasing the sun!
So fill up your lungs and just run
But always be chasing the sun!
All we can do is try
And live like were still alive
Its a really old city
Stuck between the dead and the living
So I thought to myself, sitting on a graveyard shelf
And the gift of my heartbeat sounds like a symphony
Played by a cemetery in the center of Queens
You said, remember that life is
Not meant to be wasted
We can always be chasing the sun!
So fill up your lungs and just run
But always be chasing the sun!
All we can do is try
And live like were still alive
All we can do is try
And live like were still alive
Os três choraram juntos com a música, todos de felicidade. Sam deu mais um abraço apertado na mãe antes dela ir. Blaine a acompanhou até a porta.
– Obrigada. – Disse ela, sorrindo.
– Eu que agradeço. – B. falou retribuindo o sorriso – Agora somos uma família, não?
– Sim. – Ela, meio sem jeito, se aproximou do solista e o abraçou – Conte comigo, eu lutarei pela felicidade de vocês. – Suspirou.
– Nós lutaremos juntos. – B. a soltou – Agora vá, é hora de mais uma fase da batalha. – Ela assentiu.
Depois a Sra. Evans se foi. Em casa, ela lutaria com seu marido. Contudo, a batalha maior eram Blaine e Sam que teriam que enfrentar, e por grande parte de sua vida. Uma guerra contra a ignorância e o preconceito. Contra uma sociedade que não vivia em seu tempo, contra pessoas que não tinham a cabeça no século XXI, pelo menos não ainda. Eles lutariam para abrir seus olhos, lutariam por seus direitos, por sua felicidade. Lutariam por seu amor.
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