Destinos Ligados

1 3.01 - O que Vem Depois da Celebração


Notas iniciais
Rachel, Finn e Kurt sofrem com as ironias do destino. Blaine e Sam têm uma relação cada vez mais solidificada. Um velho amigo volta a cena.

Rachel estava dormindo quando ouviu o barulho de alguns pássaros. Ela abriu os olhos e respirou. O cheiro era encantador, era cheiro de natureza. Ela levantou. Estava em uma casa um pouco simples. No quarto, só havia a cama onde ela havia passado a noite com Finn, duas mesas de canto, uma de cada lado, um guarda-roupas e um tapete no chão. A mulher estava só de camisola, então colocou uma espécie de roupão por cima da roupa de dormir e foi até a janela. O ar tinha um cheiro verde e puro. Lá a frente tinha uma vastidão de montanhas verdes. Mais perto da casa, bem ao lado e de frente para a janela do quarto, um lindo jardim cheio de flores das diversas cores cintilava com a luz do sol. Rachel sorriu ao ver aquilo. Ela atou o roupão à cintura e saiu, foi até o quintal. Chegou, colheu algumas flores enquanto cantarolava. De repente, ela se lembrou de algo. Estava faltando alguém ali. Finn. A garota olhou para os lados, mas não o viu. Saiu então e foi até a parte de trás da casa. Lá estava ele, debaixo de uma amoreira comendo algumas das pequenas frutas. Rachel correu, ele a viu e levantou-se, abrindo os braços à espera da esposa.

Os dois sentaram juntos, ela nos braços dele, embaixo da árvore. Ele ficou dando algumas frutas em sua boca. A garota pegou uma flor que carregava e levou até o cabelo do marido, depois eles riram. Finn a beijou, seus lábios eram frios, mas seus beijos eram apaixonados. Rachel o olhou no rosto, tinha algo estranho, ele não parecia bem, parecia estar sofrendo.

- Há algo de errado, meu amor? – Perguntou a garota e ele fez que não com a cabeça.

O grandalhão a apertou forte, Rachel sentiu uma aperto no peito. Depois a beijou na cabeça. Em sua cabeça, onde estava a flor, pousou uma borboleta de cor azul. Rachel sorriu ao vê-la e levou a mão até perto dela, a borboleta voou e pousou em seu ombro. Os olhos de Finn se encheram de lágrimas que pareciam ser de dor, mas também de alegria.

- Meu amor, você está chorando? – Perguntou ela. Não sabia por que, mas havia achado aquilo muito lindo. Rach sorriu e levou um dedo até o canto de um dos olhos de Finn, aparando uma lágrima. – Você fica tão bonito em meio a toda essa natureza. – Disse a garota, que olhou para ele – Parece até brilhar. – Realmente, Finn exibia certo brilho, talvez fosse apenas sua pele clara refletindo a luz.

- Rachel, sabia que para algumas culturas as borboletas azuis tem um certo significado? – Questionou o marido.

- Não. – Respondeu ela, a curiosidade começava a aguçar sua mente – Fale-me mais, agora eu quero saber. – Disse e sentou-se de frente para o marido.

- Para muitos, ela é sinônimo de renascimento, superação e de uma nova vida. Rachel... Quero que me prometa algo. – Falou o rapaz. Ele a fitou, Rachel sentiu um aperto no peito. Então Finn olhou para a borboleta e sorriu, ela voou. – Prometa-me que, caso me aconteça algo um dia, você vai continuar, não vai desistir e vai cuidar bem de nosso filho. – Pediu ele.

Rachel o olhou, um sentimento ruim tomou conta dela. Por que, exatamente agora, momento que eles estavam numa fase tão boa e cheia de alegrias, Finn pedia aquilo? Ela não conseguia entender. Rach respirou fundo, então pensou um pouco. Era melhor prometer, se ele pedia e aquilo o dava algum conforto, era melhor assim.

- Prometo. – Falou sorrindo e depois o beijou – Sei que caso aconteça algo a você, onde estiver sempre cuidará de mim.

- Pode contar que sim. – Ele pegou a mão dela, depois entrelaçou os dedos das mãos de ambos – Nós fomos unidos pelo destino, Rachel. Nada nos separará nunca. – O rapaz apertou forte as mãos – Isso eu prometo.

Eles encostaram o nariz e fecharam os olhos, depois esfregaram dando um beijo de urso. Rachel fez preces silenciosas, pedindo que nunca nada de ruim acontecesse. Ele levantou, precisava arrumar algumas coisas. Rachel fez o mesmo e foi colher algumas frutas para o jantar. Foi até o jardim, lá onde havia as flores. Ali era repleto de árvores, foi como conseguiu as frutas. Pegou mais algumas flores para fazer um arranjo e por na mesa de jantar. As cheirou, o aroma era viciante e assustadoramente bom.

Rachel voltou para a pequena casa, Finn estava na cozinha e fazia um cozido de alguma carne com vegetais. Ela colocou as frutas sobre a mesa e o beijou. Em seguida, foi tomar banho. Tudo ali era meio primitivo, até o banheiro. Ao invés de uma banheira convencional, lá havia um tina de madeira. Ela entrou e se banhou. O ambiento bucólico era extremamente agradável, fazia ela se sentir em paz.

Ela voltou, limpa e cheirosa. Pegou uma flor e colocou no cabelo, achava aquilo lindo, sentia-se como em um filme daqueles antigos onde alguém se perdia na selva e vivia em um mundo selvagem e isolado. Sentou-se a mesa junto do marido e comeu tudo que ele fez. Era extremamente delicioso, aquilo tudo até parecia um sonho.

Durante todo o jantar, e também por todo aquele dia, Finn a olhava de modo estranho. Rachel não sabia explicar, ele parecia angustiado. Ela queria perguntar novamente se estava tudo bem, mas, por algum motivo, tinha medo. Eles acabaram de comer e a garota pegou os pratos e levou-os a pia. Em seguida, foram comer as frutas juntos.

Rach pegou uma cesta cheia de algumas que ela colheu e outras que havia comprado. Havia maçãs, peras, uvas e amoras. Eles foram até um sofá e ela se aninhou nos braços do rapaz. Pegou uma pera e mordeu, o sumo escorreu pelo canto da boca. Ele sorriu e levou um dedo até lá, limpando o liquido que escorria. Ela riu e depois o beijou.

- Eu te amo. – Disse.

- Eu sei. Só por isso estou aqui. – Falou Finn.

Eles terminaram a sobremesa e foram até a cama. Rachel apagou tudo e se despiu, o marido já estava deitado. Ela deitou-se sobre seu peito e o beijou na boca. Depois levou uma mão até sua barriga e seguiu descendo, até que Finn a impediu. Ele pegou, com delicadeza, a mão da garota e a beijou. Depois a pousou sobre seu peito. Ela apenas sorriu. Os dois dormiram.

Rachel acordou. Ela estava diferente. Teve dificuldade para abrir os olhos, seu corpo doía todo. Não conseguiu nem levantar a mão. Olhou ao redor, as paredes eram de um tom branco azulado. Haviam máquinas e algo injetado em seu braço. Ela estava tomando medicamentos. Seus olhos se esbugalharam, ela se desesperou. Mas, de repente, o cheiro das flores veio ao seu nariz, isso a acalmou. Logo uma porta se abriu, era Kurt. Ele tinha um rosto que exprimia uma mistura de alívio e angustia. Só então Rachel percebeu... Ela estava em um quarto de hospital.

- Calma. – Pediu Kurt, calmamente também. Rachel estava prestes a gritar quando se tocou da verdade, ele percebeu isso.

Ela olhou melhor para o amigo, ele tinha os olhos vermelhos e cheios de olheiras ao redor. Parecia ter chorado muito. Ela respirava com dificuldades, ofegante.

- O que... O que aconteceu? – Perguntou Rachel, um pouco sem forças.

- No momento, o melhor a se fazer é dormir, Rach. Depois conversamos sobre isso... – Disse ele.

Um médico chegou em seguida e injetou algo em Rachel. Ela dormiu.

Kurt aproximou-se, acariciou a mão da amiga e saiu. Lá fora estavam Santana, Puck, Blaine e Sam. Quando o rapaz chegou, eles fizeram uma cara de apreensão. Pareciam temerosos por algo.

- Então, ela está bem? – Perguntou Blaine. – Alguma melhora?

Kurt andou um pouco, os amigos estavam sentando em uns sofás na recepção. Blaine, Sam e Santana em um sofá de três lugares. Puck em uma poltrona. Ao lado da poltrona do Puckerman, havia outra. Foi lá que Kurt sentou.

- Não há melhores significativas. – Explicou o rapaz- Ela passou esses dias sedada, mas os médicos acharam melhor, pois assim poderão analisar com mais precisão seu quadro e o da criança. – Ele suspirou – Ela está viva ao menos. – Disse com a voz trêmula. Ele estava muito mal, poderia desabar a qualquer momento.

- Sabe, eu nunca pensei que viveria isso de novo... – Disse Santie. Ela levou as mãos à cabeça e apoiou os cotovelos nas coxas – Não podemos perder mais um... – Disse entre lágrimas- Já perdemos a Quinn, agora ele... A Rachel não! Não podemos...

- Calma, meu amor. – Disse Puck – Ela vai ficar bem. Eu sei que vai.

Blaine e Sam, depois de algum tempo confortando os amigos, saem e se dirigem ao seu apartamento. Santana estava muito abalada emocionalmente, o ambiente hospitalar não a deixava bem. Trazia todas as antigas lembranças à tona, tudo de ruim que aconteceu no passado.

- Você acha que ela vai se salvar? – Perguntou Sam em casa, já deitado na cama ao lado do solista.

- Espero que sim. – Blaine suspirou e ficou pensativo. Sam ficou angustiado com a forma como ele olhava para o nada.

- O que há? – Perguntou.

– Amor, agora estou com tanto medo... – Ele deitou-se no peito do loiro, uma lágrima descia de seu olho esquerdo – Sabe... Às vezes, as coisas acontecem tão de repente. Uma hora estamos aqui e na outra... – B. balançou a cabeça, não queria pensar naquilo. Doía.

- Você sentia muito apreço por ele, não era? – Sam parecia um pouco triste, mas não pelo ocorrido.

Blaine o olhou com reprovação.

- Eu não acredito que está com ciúmes. Sinceramente, Sam. Você não podia fazer isso, não em um momento como esse. – Disse Blaine, carrancudo. Ele virou-se de lado, de costas para o loiro.

Sam ficou com um imenso sentimento de remorso no peito. Levou a mão até o ombro de B.

- Desculpe-me, amor. Realmente eu fui egoísta. Sei que ele era seu amigo, talvez seu melhor amigo. Deve ser uma dor muito ruim. – Falou com um imenso pesar – Sabe o que é... É que eu já vou embora amanhã. Todos do coral já foram. Eu só fiquei porque queria aproveitar um pouco mais de tempo ao seu lado, mas aí aconteceu isso... – O loiro suspirou – Tudo que eu queria mesmo era dormir essa noite em seus braços, sem pensar em mais problemas ou desastres. Só me perder no seu calor e esquecer-se de tudo. – Blaine não respondia, então ele balançou-o pelo ombro com a mão que mantinha lá – B.? O que há?

O solista chorava. Segurando contra o seu peito, ele tinha uma foto de Finn. Sam olhou-a, eram ele, o grandalhão e Tina. Ele pegou B. e abraçou forte. O solista pousou a cabeça sobre o ombro do noivo.

- É de quando chegamos aqui... – Disse entre soluços – Sabe, Sammy, éramos uma “família” feliz. – Disse lembrando-se dos momentos passados ao lado do amigo – E agora... Acabou. Fico me pondo no lugar da Rachel. Deve ser terrível. Acho que eu não aguentaria. – Disse e chorou mais no ombro do loiro.

Sam não falou nada. Apenas o aninhou sem seus braços e fez carinho enquanto Blaine chorava. Ele sabia que Finn era realmente especial. Eles haviam até transado. O loiro não se dava bem com ele, mas se viu diante de lembranças ao lado do grandalhão. De repente, lágrimas silenciosas começaram a descer por seu rosto. Ele abraçou forte o noivo.

- Nós temos um ao outro. E temos nossos amigos também. – Disse o bocudo – Vamos superar isso juntos e ao lado deles. Vamos ajudar Rachel e nos ajudar. – Falou, por fim.

O casal continuou por mais um tempo chorando, até que a Blaine caiu no sono, devido ao cansaço, e Sam o acompanhou. Eles dormiram, um nos braços do outro, trocando carícias e apoio.

No outro dia, eles acordaram. Sam arrumou-se, precisava viajar. Em Lima, teria que dar inúmeras explicações, mas não sabia como. Foram até a estação de trem, era a hora da despedida.

Blaine deu uns ajustes finais na roupa do noivo, que estava um pouco amarrotada e torta. Ele arrumou. Depois o abraçou forte.

- Fica bem, tá? – Disse Sam – Se eu não tivesse que ir treinar para as Nacionais, realmente não iria embora em um momento tão crítico quanto esse. – Disse o bocudo.

- Eu sei, meu amor. – B. sorriu. Desde o acontecido, ele não fazia aquilo. Sam iria embora bem mais aliviado depois disso – Eu prometo que tentarei ir até lá. O Mr. Shue me pediu para ajuda-los de novo. – Disse o solista.

- Eu estarei lá, esperando por você e contando os dias para que, finalmente, fiquemos juntos para sempre! – O loiro o beijou – Te amo. Até breve, meu amor. – O abraçou forte e depois partiu.

Blaine ficou feliz, Sam estava tão maduro. Ele se orgulhava disso. Vê-lo apoiá-lo e pôr os ciúmes de lado no dia anterior fez com que a relação deles se fortalecesse ainda mais.

Ele seguiu para o hospital onde Rachel estava. O solista sabia que seria difícil, mas, se Rachel acordasse mais forte hoje, seria um dia decisivo. Eles teriam as respostas.

Kurt estava no quarto, Rachel acabava de acordar, de novo.

A garota estava ainda dolorida, mas sentia-se melhor que no dia anterior. Ao abrir os olhos, viu novamente que estava no mesmo quarto de hospital. O desespero a tomou de conta.

- Então não era um sonho... – Disse, já chorando – O que aconteceu, conte-me, Kurt. – Pediu.

- Você e Finn... – Disse ele, também com lágrimas nos olhos – Vocês saíram para a lua de mel nas montanhas. Ele estava meio bêbado... Provavelmente, cometeu alguma imprudência. – Ele olhou para o lado, como se temesse encarar a amiga – O carro virou.

Rachel sentiu como se o ar faltasse, ela respirou fundo, puxando o máximo que podia. Então... Tudo aquilo que aconteceu na casinha perto das montanhas cheia de flores e árvores foi um sonho? Ela não tinha certeza de nada. Tudo pareceu tão real. As ideias iam e vinham em sua cabeça, ela se sentia tonta. Quis chorar, mas as lágrimas não chegaram.

- Quando tempo passei aqui? – Perguntou.

- Está há seis dias. Passou cinco totalmente dopada. Os médicos cessaram os remédios que a faziam dormir para poderem avaliar melhor seu quadro. – Explicou ele.

- E o bebê? – Ela tinha medo da resposta.

- Está bem. Conseguiram salvar vocês dois. – Disse o amigo aliviado.

Ela ia perguntar por Finn. Então parou e pensou. A tontura estava passando. Rachel lembrou-se de tudo que aconteceu, lembrou-se do acidente. Era mais terrível do que imaginava. Caiu em prantos.

- Sei que é difícil. – Kurt chegou mais perto e levou a mão até o ombro da amiga, tentando confortá-la. – Eu mesmo chorei dias e dias... Ele era meu irmão. Mas chega um tempo que não dá mais. Precisamos aceitar. Não há o que possamos fazer. É o destino.

- Destino?! – Questionou a garota – Que merda de destino é esse que nos une a pessoa que tanto amamos e em seguida nos tira como se confisca um brinquedo de uma criança levada? – Ela estava inconformada – Eu nunca vou aceitar! Nunca! – Berrou. Então o cheiro de flores, o mesmo de seus sonhos, veio até seu nariz. Ela se acalmou. Inspirou-o e ficou feliz. Lembrou-se de Finn, da borboleta e da promessa.

- Ele não ia querer te ver assim. – Disse Kurt.

- Eu sei. – Respondeu ela, ainda sob efeito das lembranças – Eu vou ficar melhor, eu prometo. – Disse lembrando-se do que havia prometido ao próprio marido em sonho.

Alguns dias se passaram. Rachel recebeu alta. Foi recebida com euforia em casa. Santana e Puck haviam preparado uma pequena festinha. Alguns doces, um bolo e alguns petiscos. Blaine e Tina também estavam. Rachel entrou em casa e foi recebida pelos amigos que tanto amava, aquilo a deu forças.

Eles comeram e beberam, mas nada daquilo era capaz de apagar o que aconteceu. Finn ainda estava fresco na memória de todos. Sentaram-se no sofá da sala e em cadeiras. Era hora da verdade.

- Imagino que vocês querem saber o que ocorreu, não é? Pois bem. – Disse ela, que buscava todas as lembranças com exatidão.

Finn dirigia pela estrada a caminho das montanhas. Rachel ia ao seu lado, eles riam de tudo, faziam piadas de alguns acontecimentos que ocorreram ao longo desses anos de convivência. Lembravam-se dos momentos bom no Glee. E falavam do bebê e dos possíveis nomes para ele.

- Se for homem, quero que se chame Percy! Sabe como eu amo a série de livros do Rick Riordan! – Falou o grandalhão alegre. Rachel riu.

- E se for mulher? Annabeth? – Brincou ela

- Não, não. – Respondeu ele aos risos – Pode ser Daenerys Targaryen, o que acha? – Devolveu a brincadeira. Rachel o olhou, visivelmente com medo de que aquilo fosse verdade – Eu acharia extremamente arriscado! – Emendou – Não quero uma filha louca ensandecidam, libertadora de escravos e mãe de dragões. – Brincou de novo. Eles riram.

- Bobo! – Exclamou a mulher – Bobo e o melhor marido do mundo! – Disse ela com um sorriso meigo no rosto – Mas, se for mulher eu sei bem qual nome dar... Pode deixar. – Falou cheia de mistérios e Finn assentiu.

Eles seguiram pela estrada. Finn estava um pouco bêbado, mas visivelmente bem para dirigir, ou não. A verdade é que uma pessoa bêbada fica com os movimentos mais lentos, isso reflete em seus reflexos. Foi justamente o que ocorreu.

- Finn, não está com sono, amor? Podemos parar em alguma pousada ou hotel mais a frente e descansar se quiser. – Sugeriu a esposa.

- Não, amor. – Disse ele. Mas sim, ele estava cansado. Seus olhos pesavam, Finn estava bêbado e com sono – Não precisa. Eu estou bem, eu juro! – Disse e virou de lado, foi dar um beijo em sua mulher.

Finn beijou Rachel, então, quando voltou a por os olhos na estrada, algo apareceu. Era um animal. Eles passavam por perto de uma reserva e um urso enorme estava à frente. O grandalhão estava bem próximo, a menos de um metro. O animal estava parado, Finn girou o volante na tentativa de salvar o urso e livrar o carro de estragos. Contudo, ele não conseguiu livrar a si próprio. A pista estava meio molhada. Provavelmente, havia chovido há pouco ali. O carro capotou com Finn, Rachel e a criança em seu ventre dentro.

Lembrar-se daquilo fez Rachel chorar. Ela levantou-se e foi até a janela. Ninguém a questionou mais. Olhou para fora e viu algo que fez seu coração acelerar. Uma borboleta e, novamente, azul — Para muitos, ela é sinônimo de renascimento, superação e de uma nova vida. Rachel... – Aquilo ecoou em sua cabeça.

Rachel limpou os olhos e voltou até onde os amigos estavam.

- Não há mais nada o que fazer. Meu amor, o meu único e grande amor se foi. Agora, resta-me honrá-lo e fazer com que as promessas que o fiz se cumpram. – Disse a moça – Blaine, você trouxe o violão? – Perguntou ela.

- Sim. – Respondeu, sem entender o que Rach pretendia – Eu trouxe por pensei que podíamos cantar algo para te alegrar. – Explicou o rapaz.

- Não precisa. – Disse Rachel – Eu que vou cantar. – Falou e se aproximou. Sussurrou algo ao ouvido de B., depois se sentou ao seu lado — Eu te amo, Finn Hudson. Foi vontade do destino, mas nós sempre seremos um do outro. Eternamente! Eu prometo. – Rachel então cantou.

There's a whole 'nother conversation going on

In a parallel universe.

Where nothing breaks and nothing hurts.

There's a waltz playing frozen in time

Blades of grass on tiny bare feet

I look at you and you're looking at me.

Could you beam me up,

Give me a minute, I don't know what I'd say in it

I'd probably just stare, happy just to be there, holding your face

Beam me up,

Let me be lighter, I'm tired of being a fighter,

I think, a minute's enough,

Just beam me up.

Some black birds soaring in the sky,

Barely a breath I caught one last sight

Tell me that was you, saying goodbye,

There are times I feel the shiver and cold,

It only happens when I'm on my own,

That's how you tell me, I'm not alone

Could you beam me up,

Give me a minute, I don't know what I'd say in it

I'd probably just stare, happy just to be there, holding your face

Beam me up,

Let me be lighter, I'm tired of being a fighter,

I think, a minute's enough,

Just beam me up.

In my head, I see your baby blues

I hear your voice and I, I break in two and now there's

One of me, with you

So when I need you can I send you a sign

I'll burn a candle and turn off the lights

I'll pick a star and watch you shine

Just beam me up,

Give me a minute, I don't know what I'd say in it

I'd probably just stare, happy just to be there, holding your face

Beam me up,

Let me be lighter, I'm tired of being a fighter,

I think, a minute's enough,

Beam me up

Beam me up

Beam me up

Could you beam me up

Durante a canção, Rachel derramou algumas lágrimas. Os outros também, eles estavam profundamente tocados. A voz teatral da moça e seu toque sentimental fazia a música doer no coração, mas também fazia sentir-se bem. Ao fim, ela cumprimentou a todos que a ouviu com um gesto com a cabeça e sorriu.

- E assim que levarei minha vida agora. Sorrindo. Sei que é dessa forma que ele quer. E o que ele me faria se estivesse aqui entre nós. Feliz e sorridente.

Kurt abraçou Rachel e chorou nos braços dela. Santana a olhava orgulhosa. Algumas lágrimas também desceram dos olhos do Puckerman. Blaine viu que estava feito. Sua presença ali não era mais necessária. Seu violão foi bem útil, sua música havia ajudado Rach. Ele e Tina saíram. Aquela noite, a primeira em casa sem ele, seria difícil para todos.

- Você não se dava muito bem com ele, não era? – Perguntou Blaine a amiga asiática.

- Não, B. – Respondeu ela – Mas eu estou sentindo também. Os tempos que vivemos juntos aqui foram os melhores. – Disse com um olhar nostálgico fitando o horizonte.

- Isso é. – Falou Blaine, sorrindo.

Então, mais alguém chegou. Talvez para visitar Rachel.

- Artie? – Tina esfregou os olhos para ter certeza de que o que via era real. – Você aqui? Ora, ora... Quem é vivo sempre aparece.

Notas finais
É isso, pessoal. Não sei se vão gostar, mas foi preciso para o que tenho preparada para a Rachel. Desculpem.

Músicas:
Beam me Up - P!nk