Destinos Improváveis

124 Futuro - O Final


Notas iniciais
Me perdoem, esse capítulo demorou mais do que eu gostaria, mas não foi negligência... acontece que a vida é feita de imprevisibilidade, não é mesmo? No dia 12/06 (sim no dia dos namorados) sofri um acidente de trânsito e o veículo onde estava acabou capotando, fiquei presa entre as ferragens, uma loucura enfim e mediante aos infortúnios, sai desse acidente e desse dia, diferente... primeiro agradecida pela vida e segundo objetivando priorizar aquilo que de fato importa e tem maior valor aqui... o tempo! Estou bem, e sem filosofar muito... mas esse capítulo sofreu alguns ajustes após o ocorrido, não em sua essência... afinal ele já estava forjado em meu coração a muito tempo atrás, mas pequenas mudanças nas falas dos personagens... são pinceladas sutis, que retratam essa estação que vivo, afinal já dizia... (enfim não sei quem disse isso) mas todo artista deixa um pouco de si na sua obra! Obrigada aos que esperaram... eu desejo uma incrível leitura, pois com muito prazer eu lhes entrego o Último Capítulo de Destinos Improváveis Ao som de: Feels like Home - Canção de Chantal Kreviazuk É uma música romântica, mas que não necessariamente deve ser lida assim, a letra é forte o bastante e representa não apenas um, mas todos os personagens, protagonistas dessa bela e longa história, a música fala basicamente sobre se sentir em casa ao lado de alguém, sobre solidão e sobre reencontros. Seja sensível! Sim... essa canção é sobre Poseidon e Medusa, Sobre Antony, sua mortalidade e Catarina, é sobre as irmãs camponesas e principalmente sobre Snape e Shara! Boa leitura

—Eu escolho... — sua voz tremeu, mas ela encontrou forças dentro de si... de onde achava que não poderia mais ter, e então Shara apontou para a borboleta que parecia brilhar mais intensamente, e todos os olhos se voltaram para ela e consecutivamente para a mesma direção... Sim lá estava a borboleta branca, a borboleta que representava Medusa em toda a sua essência, e como se pudesse sentir o peso dos olhares sobre si, a borboleta voou graciosamente até a sua mão... e naquele instante, cheio de dúvidas, de dor e de incertezas a borboleta saltou e girou no ar, fazendo com que uma onda de energia percorresse todo o seu corpo e Shara experimentou algo que não lhe cabia, ou que não era apenas seu, era como se todas as guardiãs do passado estivessem emergindo através de uma só, histórias, memorias, marcas, e de alguma forma, aquilo parecia validar e até mesmo intensificar ainda mais a sua tão custosa e difícil decisão... era loucura, mas o tempo parecia parar enquanto a borboleta principal se conectava com ela e com todas as outras ali... e frações de vidas, flashbacks de tantos momentos... que não lhe pertenciam, mas que faziam parte de um elo... e pareciam se fechar... encontrando o exato momento no tempo... para encerrar o ciclo que havia sido imposto por aquela terrível maldição.

De repente, um vento forte varreu todo o espaço, despertando sua atenção para algo novo, preocupada Shara procurou a expressão dos demais, mas ninguém ali parecia se importar de fato com a mudança que estava ocorrendo, talvez Poseidon... pois ele sorria em tempo também chorava, já seu pai estava absorto em meio ao sobrenatural... Antony e as irmãs camponesas, contemplavam toda aquela mudança sem se abalar... e foi naquele caos magico que uma figura emergiu de dentro do vento, com olhos que cintilavam como estrelas... e ela parecia confusa, como se não acreditasse que aquilo pudesse ser mesmo real... talvez, ela nunca tenha acreditado naquilo de verdade... talvez ela achasse que aquele dia jamais chegaria... afinal fazia tanto tempo agora.

—Medusa... — Shara sussurrou, para ela...

—Shara... Como? — a voz de Medusa ecoou, ela havia dito o seu nome, o peso das palavras parecia estar carregado de dor e tristeza. — Por que fez isso?... por que me escolher? Você não vê?... esta era a sua chance, a única oportunidade de estar com sua mãe novamente, de ser feliz, em família... o que você fez? — ela disse ao lhe lançar um olhar de incredulidade, e aquilo doeu... não por que Medusa havia dito, mas sim por que ela tinha razão sobre aquela ser a única oportunidade... Shara respirou fundo, suas lágrimas ainda escorrendo pelo rosto... ela olhou diretamente nos olhos de Medusa, sentindo a profundidade da dor dela... ela não se sentia merecedora daquela escolha, ou talvez ela apenas não queria ter que lidar com tanto novamente... era difícil dizer... mas Shara notou que ela sequer havia procurado o olhar do seu pai, Poseidon, e também não havia manifestado nenhum interesse em ver Antony e as suas irmãs... sim ela carregava magoas profundas, de algo que lhe foi imposto... das inúmeras injustiças em sua história e Shara não podia julgá-la por isso.

—Porque... — Shara começou, sua voz embargada também, mas tentando de alguma maneira alcança-la e demonstrar que ela entendia tudo aquilo... — Porque eu não poderia seguir... e viver em paz sabendo que eu abandonei o meu dever para com todas as guardiãs, além de todos os envolvidos.... e saber que escolhi algo que queria muito em detrimento do que era o certo... — ela olhou para o seu pai — e mesmo que meu coração desejasse desesperadamente minha mãe de volta, minha família... sei que essa não é a escolha que honrará a todos nós e isso importa muito... sim todos nós — ela repetiu ao ver a expressão de dúvida manifestado por Medusa — é por isso que eu escolhi você, para que você também possa ter uma nova oportunidade e encontrar a paz que merece, para que de alguma forma possamos corrigir os erros do passado... das injustiças... e quebrar de uma vez por todas a maldição que nos foi imposta e que carregamos em nosso sangue — Shara disse aquilo com convicção, Medusa se aproximou dela, seus olhos agora suaves e cheios de algo que poderia ser lido como ternura.

—Você é mesmo diferente — ela a analisou — Tem tanta coragem... e tem tanta compaixão, onde deveria ter... ódio, vingança e sofrimento... eu vejo agora, sim eu vejo que sua escolha vem de algo que carrega em seu coração... mas não só isso, vem também de algo que está em seus genes, algo que move a sua razão, algo suficientemente racional e que lhe faz optar por escolhas difíceis mesmo quando se há tanto em jogo, sim... você sacrificou seu desejo pessoal por um bem maior... você é... — Medusa parecia pensar sobre... — de fato a guardiã predestinada... e isso prova... que é possível... é real... — ela sussurrou a ultima parte, quase que em conflito.

—Sim — Poseidon interrompeu se aproximando também — Shara é a guardiã predestinada... ela é a última guardiã de sua linhagem, e seu último grande feito, hoje... aqui — ele também olhou para ela — a prova final de que ela cumpre todos os pré requisitos impostos... é a escolha que ela acaba de fazer... isso mediante ao seu passado e aos desejos mais profundos do seu coração... ela fez a escolha mais difícil, contudo a escolha certa — Shara fechou os olhos, não que ela estivesse pensando em tudo aquilo como uma espécie de teste final, mas se o seu pai não estivesse ali com ela, naquele momento, intervindo e a direcionando, talvez... o desfecho teria sido um pouco diferente, se Shara o tivesse perdido como tudo indica que teria sido o futuro sem as intervenções de Alvo Dumbledore... a escolha certamente seria outra, sim o seu pai era a razão que lhe faltava, ou talvez a única razão que ela carregava, era em decorrência aos genes dele que alguma razão de fato existia, ele era o seu lado racional, ele era aquele que fazia sacrifícios e agora ela era como ele, Medusa estava certa, mais uma vez.

—Eu achei que não pudesse... eu não esperava que fosse acontecer... — Medusa disse abismada...

—Shara é diferente — aquela era a voz de Antony — de todas as outras guardiãs que passaram por aqui... sim ela é diferente — ele olhou para as borboletas bastante emocionado, Antony conhecia cada uma delas — por mais impressionante que seja, ela me perdoou também, e é por essa razão que estou aqui... lutando por algo que achei que não seria mais possível para mim, depois de todos esses milhares de anos presos no corpo de uma ave, vagando e lastimando pela minha infeliz existência, e então ela veio e mudou algo dentro de mim... e é por isso que eu me constranjo em sua presença... já que eu falhei muito e lhe devo infinitas desculpas... você não merecia nada disso Medusa, não... não depois de tudo.... eu sinto muito por ter falhado com você... — Medusa se virou para ele, ela parecia impactada com aquelas palavras, Antony estava sendo sincero e ela sabia que sim... — sabe, eu encontrei alguém... e eu me propus a fazer diferente dessa vez, eu quero que saiba que se eu pudesse voltar no tempo eu faria o mesmo por você e pela nossa filha, eu lutaria com todas as minhas forças, eu não me acovardaria... eu realmente sinto muito... — Shara olhou para Antony, ele parecia ter lutado com aquilo por tanto tempo.

—Medusa, nós... — uma das camponesas disse — lhe devemos desculpas também — a irmã mais velha tomou partido... — estávamos tão imersas pela dor que nos afligia naquele tempo, que não buscamos entender a causa... nos movemos pela motivação errada, e contra a pessoa que menos merecia sofrer ali...

—Havia tanta sede de vingança — a outra completou — que mal podíamos perceber que havíamos atribuído todos os nossos esforços em destruir a pessoa mais injustiçada aqui, estávamos tão cegas... — ela ponderou com alguma dificuldade — sei que nada do que dissermos hoje, sei que nada... nunca será o bastante, mas se puder... por favor apenas repensar e aceitar o nosso mais sincero pedido de perdão, seria muito importante — ela disse com honestidade... — me sinto igualmente constrangida por todo mal que lhe causei... você não merecia Medusa... — ela finalizou.

—Eu lhe fiz uma promessa... — Poseidon tomou a palavra também — eu prometi que concertaria toda essa bagunça, que esse momento chegaria, eu fiz nossa magia viver por todo esse tempo, o colar... fiz a conexão entre diferentes dimensões... apenas para fortalecer o meu juramento... para que se lembrasse... que eu nunca a abandonei filha... e que eu pensei em você todos os malditos e intermináveis dias...

—Nunca abandonou? — ela devolveu o interrompendo, enquanto pela primeira vez olhava diretamente para ele, Poseidon... como se ele fosse um mero qualquer... e Shara podia sentir a dor naquela pergunta devolvida com uma flecha afiada que ela guardava em sua aljava por tempo demais.

—Nunca — ele reforçou, enquanto juntava as duas mãos diante do rosto em forma de concha e soprava algo ali, e uma nova borboleta surgiu e voou, se juntando a todas as outras no ar.... Aquela borboleta era sem sombra de dúvidas a maior de todas elas e suas asas pareciam ser feitas de água, um líquido puro e cristalino, tão sutil como uma brisa de verão na praia mais agradável... aquilo parecia significar algo para Medusa, assim como a borboleta de sua mãe significava para ela... foi então que Medusa recuou... algo parecia ter mudado.

—Esse tempo todo... — ela disse olhando para a borboleta no ar... — você tinha uma corde também... essa era a sua borboleta? — ela perguntou perplexa... — eu achei que as cordes... que elas... — ela estava sem palavras...

—Sim... eu as fiz para você, contudo eu fui a primeira delas, eu sou a corde principal, é a minha magia que sustenta a magia de todas as demais, e eu as criei justamente para suprir algo, um único objetivo, alcança-la quando nada mais podia, mesmo quando imersa em sua maior escuridão... mesmo em meio a sua solidão, ao vazio da sua alma... — ele revelou — a corde como sabe, atravessa o tempo e o espaço, as dimensões e até mesmo... a mais sombria das emoções... e eu estive lá... todo esse tempo sim... — e de forma muito curiosa Shara se lembrou da borboleta que Medusa perseguia na visão que ela havia tido dela e de Antony quando eles eram apenas crianças e corriam pelo bosque... sim ele estava lá, o mistério das borboletas era na verdade sobre isso, uma linda e fascinante história de amor entre um pai arrependido e uma filha machucada... e agora fazia parte de outras tantas gerações também... assim como fazia parte da sua própria história e da sua mãe... era magnífico — todos nós erramos com você Medusa — Poseidon continuou — mas eu... cometi a maior e a pior de todas as falhas, quando num anseio de protege-la e proteger a sua mãe, o bem mais precioso que havia em minhas mãos, eu falhei as entregando ao pior destino possível... Atena — Poseidon disse — sei que nada aqui, nada disso vai fazer com que o tempo volte, e não existe castigo o bastante para aquilo que fiz... ainda assim... eu esperei, todos esses milhares de anos... para lhe dizer... uma única oportunidade para...

—Espera — Medusa disse levantando as mãos e o interrompendo outra vez, Poseidon se recolheu, como se pudesse receber ordens de alguém, nesse caso dela... e então Medusa surpreendentemente se voltou para a sua direção... e Shara segurou a respiração, acuada com o foco que estava recebendo num perdão que não lhe cabia participar — Shara — ela chamou visivelmente emocionada — o colar, minhas memórias, todas as lembranças... — ela disse — tenho certeza de que as viu... todas elas — Medusa enxugou uma lágrima e Shara assentiu, as visões haviam sido parte importante ali — e você é apenas uma criança ainda... tão jovem e com tudo que já passou e teve que lidar no seu passado, eu sinto tanto... ainda mais... — ela parecia buscar as palavras para continuar — ainda mais... por que tudo isso, por que é evidente que tudo isso, que existe uma conexão, uma semelhança, algo... em você me lembra a algo em mim e algo em mim... é sobre você... — ela disse tentando fazer a conexão, sim ela estava certa... — então se existe tanta semelhança, por que... — ela fechou os olhos deixando as lágrimas descerem com mais fluidez — por que é tão difícil para mim perdoar? Como você consegue? Como conseguiu chegar até aqui... cumprir todos os requisitos em condições tão desfavoráveis de vida?... eu não entendo — ela disse, mas Shara entendeu o seu papel ali, e não que ela tivesse uma resposta profunda e elaborada sobre aquilo, talvez fosse simples demais até... mas ela tinha algo a oferecer nesse sentido.

—Também é difícil para mim — Shara devolveu — na maioria das vezes quer dizer... e eu sei... como se sente diante das injustiças que sofreu, eu sei... — ela sussurrou, ao encarar Medusa, ela estava sendo honesta ali — mas acho que perdoar é na verdade uma escolha que fizemos, assim como qualquer outra eu diria... — dito assim Shara sabia que não soava com o impacto que deveria ser, parecia banal até... mas acontece que não era, afinal as coisas mais valiosas da vida eram proveniente das ações mais pequenas e simples, como uma guerra de farinha, ou ser embalada numa dança usando o seu vestido mais bonito... podia não ter valor monetário, mas tinha valor sentimental... Medusa parecia confusa e talvez exemplificar traria um pouco mais de sentido ali — sim uma escolha — ela reforçou com convicção — assim como o amor... que te impulsiona a escolher lutar contra tudo e contra todos, a esperar o tempo que for necessário, muito mais que uma vida... por um único encontro, um único momento com alguém precioso... não, definitivamente não é fácil, e nunca será — Shara olhou para Poseidon — mas é uma escolha... assim como dar uma nova chance a vida, mesmo depois de ter desejado e desistido de viver — ela olhou para Antony — assim como abandonar velhas convicções, ao escolher uma nova forma de ver as coisas — ela olhou para as irmãs camponesas — e assim como mudar de lado numa guerra — ela olhou para o seu pai — sim... costuma ser difícil, o tempo todo para todos... especialmente quando isso nos custa algo, algo que o dinheiro não pode comprar — e então era isso... apenas isso, mas era grande... e Medusa parecia ter entendido aquilo.

—Escolher... — Medusa se abaixou diante dela, segurando a sua mão — eu... acho que posso fazer isso — ela sorriu... em meio as lágrimas — obrigada Shara — ela disse... — por me fazer ver algo que a tempo eu não via — Shara retribuiu o sorriso, havia uma beleza singular em Medusa que a fazia se sentir em casa, era difícil de descrever... mas estava lá, especialmente quando ela sorria... — assim será feito — ela disse ao se levantar e se virar para Antony... — Antony eu o perdoo... sim... siga o seu destino, reescreva a sua história... viva tudo aquilo que perdeu... eu sei o quanto esses milhares de anos foram custosos para você, mas não se cobre tanto, você acha que não fez o bastante, quando na verdade você fez muito mais do que pode ver e compreender, sabe um bom amigo para se abrir e dividir a vida é dádiva para poucos, tenho certeza que as guardiãs foram privilegiadas em tê-lo como guia, cada uma delas... — Antony estava chorando naquele ponto — ame, ame intensamente, como um dia eu mesma o amei, construa uma família ao lado da mulher que ganhou o seu coração, ela tem tanta sorte... tenham filhos, corra atrás deles... brinque, abrace, faça tudo aquilo que te foi tomado e que você não pode fazer no passado com sua filha Crisa... — e assim que ela terminou de falar, as borboletas voaram em torno dele, como se pudessem abraça-lo, mas a borboleta amarela não... ela pousou sobre Medusa, mãe e filha unidas ali em concordância, ambas torcendo por ele — bem acredito que fará isso muito bem — Medusa sorriu e então se virou para suas irmãs camponesas — eu sei como é ter o coração endurecido, ao ver sua família, seu maior alicerce sendo destruído com a chegada de uma intrusa... eu sei como é carregar as mágoas e se fechar para todo o resto, desejar vingança acima de tudo... e isso faz de nós muito mais parecidas do que poderíamos imaginar que seríamos... eu não teria feito diferente, então.... está perdoado — e era evidente ali o quanto as duas irmãs se sentiram aliviadas, as lágrimas derramadas por elas era uma comoção genuína... — Já você.... — ela olhou diretamente para Poseidon... — é difícil...

—Eu entendo — ele disse baixando a cabeça... — eu posso entender...

—É difícil... imaginar como mesmo um Deus com toda a sua glória e o seu poder, conseguiu perseverar por alguém como eu, por tanto tempo — ela completou — sabe... o seu erro, não foi maior ou mais perverso do que o erro de qualquer um aqui, ainda mais quando as motivações foram... tão verdadeiras, você não sabia... afinal como poderia? — Medusa limpou as lágrimas — obrigada por não desistir de mim pai — ela soluçou — obrigada por concertar tudo isso para mim... o colar que nos protegeu, as borboletas, especialmente as borboletas... eu amo as borboletas — ela sorriu para ele e então ela correu... Shara o viu abrir os braços e ela se jogou neles, como uma criança de 6 anos de idade faria, como a criança que ela havia sido um dia... e ele a recebeu a girando no ar... Shara fechou os olhos com força, o perdão era mesmo uma escolha forte...

—Sua mãe estaria tão orgulhosa de você — ela ouviu seu pai dizer próximo ao seu ouvido, Shara nem havia notado ele se aproximar... assim como não havia notado a figura que havia surgido e agora batia palmas, mas não em comemoração...

—Que comovente — ela disse com desdém — vejo que conseguiu aquilo que queria Poseidon — ele colocou Medusa no chão e a encarou... Shara sentiu seu pai se mover sutilmente e se posicionar diante dela, não era a primeira vez que ele agia daquela forma para a sua proteção.

—Você sempre soube que esse dia chegaria, mesmo com todas as suas tentativas e investidas desleais — ele disse... — agora, é chegado o tempo e essa é a sua vez de agir... aqui onde você começou...

—Não me diga o que fazer Poseidon... eu sei... e eu farei, afinal sou a Deusa da justiça, não é mesmo? — ela riu, uma risada fria e cruel... e então se virou em sua direção — Saia da frente professor... — ela disse para o seu pai... mas ele não se moveu, quer dizer apenas para lhe apontar a varinha e ela bufou — sério isso... — ela disse entediada — Poseidon diga a ele... — ela pediu a contragosto.

—Snape — Poseidon se direcionou ao seu pai — Atena não pode machuca-la, não mais... Shara cumpriu todos os pré requisitos impostos por ela... incluindo e finalizando com o perdão de Medusa a mim — ele segurava a mão da filha — e isso a obriga a desfazer a maldição, sim ela só pode ser desfeita por aquele que a lançou... — e Shara entendeu por que Atena estava ali, certamente era humilhante o bastante para ela ter que fazê-lo, mas essa era a condição... seu pai se moveu, mas se posicionou ao seu lado... e numa tentativa de acabar logo com isso, Atena juntou as mãos... e soprou em sua direção, nada sequer foi dito... nenhuma palavra sequer e nenhuma manobra mágica, luzes e ventos misteriosos... não dessa vez

—É isso — Atena disse sem emoção.

—É isso? — seu pai perguntou... incrédulo.

—É isso... — Shara assentiu, ela podia sentir que algo estava diferente, mais leve talvez... e num impulso, até involuntário ela levou a mão sobre o ombro, onde estava a sua cicatriz, seu pai se aproximou percebendo a movimentação dela e baixou sutilmente parte do tecido de sua camisa... e pela reação dele, havia mesmo dado certo... ela o abraçou, igualmente aliviada — conseguimos — ela disse contra o seu peito.

—Você conseguiu — ele sussurrou de volta para ela.

—Muito bom revê-los... todos — Atena disse com sarcasmo — mas como devem saber, Hades está me esperando... aliás eu recebi o seu recado Antony... foi reconfortante saber que fui enganada esse tempo todo — Shara notou o olhar de ódio lançado por ela para Poseidon... — uma filha, uma maldita filha... podia ter dito, podíamos ter evitado tanto...

—Você a teria destruído e a entregado a Zeus de qualquer maneira... — ele devolveu — eu a protegi da sua ira... da forma como me cabia...

—É talvez... — Atena deu de ombros... — Vejo que Zeus o perdoou também... ridículo — ela cuspiu... — Zeus é fraco! — ela disse — o Olimpo não é mais o mesmo... — ela se virou

—Atena — Antony chamou — eu tenho algo para você — ele disse... — algo que te pertence... — Atena se virou para ele, nada satisfeita em ter que postergar sua saída — foi quando ele tirou a esfera de dentro do bolso de suas vestes, pegando Shara e principalmente Atena de surpresa ali... Antony havia trazido a esfera... e a estava devolvendo a ela.

—O dom — ela disse agora incrédula, Antony se aproximou dela sem qualquer receio em fazê-lo...

—É seu, não é mesmo? — ele depositou nas mãos dela...

—Tem certeza... — ela o provocou — isso é uma dádiva... quem sabe apenas uma olhada? — ela disse de forma tentadora.

—Não, definitivamente isso não é uma dádiva — ele devolveu ríspido — pelo menos não nas mãos de um... um ser mortal... e sendo eu um mortal outra vez, eu quero poder fazer isso da forma certa agora e usar o meu tempo com o que de fato importa — ele olhou para Medusa, como que validando aquilo que ela havia dito a pouco para ele ali — pela minha filha Crisa e por você — ele ofereceu e ela sorriu em aprovação — sabe a vida tem disso, e não saber o futuro faz parte do jogo e é um privilégio poder viver cada dia como se fosse o último, algo único como de fato é, e sendo grato por cada novo nascer do sol, por que na verdade isso é o que vale a pena aqui... A vida é imprevisível demais para deixar de ser vivida e apreciar a imprevisibilidade, isso sim é uma dádiva — Shara se soltou do seu pai e sentindo que devia, ela correu até Antony e o abraçou, aquele momento era precioso demais para ser perdido, ele havia entendido também e estava disposto a correr o risco — obrigada — ele sussurrou para ela, mas era Shara que queria agradece-lo... afinal Antony era sua família também e ela o admirava por tudo e por tanto.

—Tenho certeza que você honrará isso Antony — Poseidon interveio se aproximando deles também — sem spoilers é claro — ele sorriu e depois encarou Atena, que revirou os olhos de forma infantil — Antony você foi o responsável por alterar a poção no colar, e sendo assim suas implicações, mudando o seu destino hoje aqui, sim você está certo sobre a mortalidade, você ganhou uma nova oportunidade e isso é de fato grandioso, um presente eu diria e esse mesmo presente eu estendo a vocês... — ele se virou para as camponesas — claro, se assim desejarem, uma vida nova, para ser vivida uma única vez... — as irmãs se olharam — mas antes que decidam, a algo... algo do passado que gostaria de trazer, algo em tudo que ouvi aqui hoje e que considero importante mencionar... — Antony se moveu desconfortável... — não isso não é sobre você — Poseidon disse de forma divertida — não dessa vez... — e então ele se virou para as camponesas — Esteno e Euriale — e as duas irmãs se olharam confusas com a menção inesperada — eu gostariam que soubessem que Agatha a sua mãe, que ela teve o bebê, aquele que ela carregava em seu ventre... isso poucas semanas depois de partir, uma linda menina, contudo e infelizmente Agatha teve complicações no parto e não resistiu — Shara notou que a irmã mais velha, segurou a mão da irmã mais nova, um apoio silencioso, elas haviam aprendido a se proteger também e era isso que estavam fazendo ali — Agatha teria voltado se tivesse tido a oportunidade — ele afirmou, e era inevitável segurar as lágrimas diante de algo assim... afinal elas não haviam sido abandonadas pela mãe como acharam ter sido e isso era uma informação importante para elas e que mudava muitas das convicções que elas possuim sobre si mesmas — antes de morrer, Agatha mudou o nome da bebe... sim, ela viu o rostinho dela e decidiu que ela se chamaria Cora... ao invés de Catarina, um pressagio talvez... de que Catarina era na verdade parte do futuro... e que Catarina seria única assim como Cora também foi um dia — Antony limpou as lágrimas, era loucura pensar em como cada pequeno detalhe da história fazia a diferença e podia se encaixar — Talvez gostariam de saber ainda que Cora cresceu saudável, e que possuía uma conexão muito forte com a natureza, ela era muito doce e gentil... ela foi criada por família humilde contudo nutrida por amor, Cora casou jovem e ele foi o amor da sua vida, ela teve filhos e filhas, uma família grande o bastante, e morreu em sua cama, cercada por muitos, de velhice — as irmãs se abraçaram bastante emocionadas com o relato, aquele era um desfecho, certamente não recompensaria tudo que havia sido perdido por elas, mas ainda assim era um bom desfecho.

—Obrigada — a irmã mais velha sussurrou — isso significou muito — ela disse com a voz embargada, e ele assentiu.

—Agora preciso que façam sua escolha — ele pediu e Shara torceu por elas, elas mereciam tanto tentar também...

—Quero viver... essa nova vida — a irmã mais nova disse sem qualquer ressalva e a irmã mais velha concordou... Shara sorriu para elas, Catarina, a sua Catarina iria apreciar a escolha, afinal elas eram sim família para ela.

—Sábia escolha — Poseidon disse e depois soprou na direção delas... Deuses e seus sopros magicos, isso era mesmo impressionante... quer dizer pelo menos quando não se tratava de uma maldição milenar ou algo do tipo — outro presente que eu os concedo, depois de milhares de anos convivendo com... é a magia antiga, ela é sua... uma marca para nunca se esquecerem de quem vocês foram no passado, essa magia seguirá sua linhagem, e todas as novas gerações que vierem através de vocês... em troca, quero apenas que contem tudo isso que viveram a seus filhos, tudo aquilo que viram e ouviram aqui... e reescrevam a lenda, falem de como injustiças podem ser reparadas, de como dificuldades podem ser superadas, acendam a esperança... — todos assentiram o que deixou Poseidon bastante satisfeito — Shara... — Poseidon se virou para ela — você cumpriu o seu destino, majestosamente e mediante as circunstâncias mais difíceis você nos ensinou a força do perdão... você foi, você é, e você continuará sendo a protagonista dessa grande história... que eu chamarei de Destinos Improváveis — ele piscou para ela — Snape — ele se voltou para o seu pai — sei que pode parecer fácil agora, dito depois de tudo isso... por mim... mas se eu pudesse lhe dar um conselho, apenas um conselho antes de partir... eu diria para não se sacrificar tanto pelos erros do passado e viva o hoje com mais intensidade — seu pai ficou rígido ali — sabemos que nada, nem nenhuma magia antiga é capaz de mudar o que aconteceu... mas dá pra escrever um novo futuro sobre uma nova perspectiva com aquilo que recebemos hoje — ele piscou encarando a sua filha... — e bom... temos tudo aquilo que precisamos bem aqui na nossa frente — Shara sentiu os olhos de seu pai sobre si... — e essa é a nossa deixa... a hora de partir... definitivamente... Shara se não for lhe pedir muito, peço que termine o livro por mim, você sabe... aquele livro, somente você será digna de colocar o último ponto final — Shara ficou surpresa e ao mesmo tempo lisonjeada pelo pedido — assim encerraremos essa história com exito — ele suspirou... — sim acabou! — ele exclamou.

—Eu... farei — ela disse, afinal o que mais poderia ser dito a um pedido como esses, tão especial, vindo de um Deus do Olimpo, Poseidon, e ele assentiu.

—Obrigada — Medusa sussurrou para ela... e antes que Shara pudesse responder ou dizer qualquer outra coisa a figura de Poseidon, assim como a de Medusa e Atena se dissipou no ar, bem na sua frente como vapor sobre as águas... já as borboletas... elas também não estavam mais ali e tudo parecia ter sido apenas um sonho... se não fosse pela voz suave e poderosa de Medusa que ainda ecoava em sua mente... aquilo tudo poderia ser facilmente confundido com uma alucinação, um surto coletivo, Shara encarou seu pai, em busca de direção... afinal o que acontecia quando tudo acabava? Ela não sabia e não estava preparada para isso... mas ainda assim Shara sentiu-se envolvida por um calor reconfortante... com a sensação de que havia cumprido seus desígnios e honrado sua história e a de todas as suas ancestrais... ela sabia também que sua mãe estaria sempre lá para ela, e que mesmo não estando fisicamente juntas, eles sempre seriam uma família, conectadas por um elo que ia além daqui, além dessa vida... Antony se aproximou dela, como quem pudesse sentir tudo aquilo e então colocou a mão carinhosamente em seu ombro...

—Shara, saiba que o seu sacrifício não será esquecido, e sua escolha será lembrada por todas as futuras gerações... — Shara olhou para o seu pai, para Antony e para as camponesas, todos estavam imersos na esperança do novo que viria, um recomeço... a partir daquele momento de transição, diante de um futuro repleto de dúvidas e incertezas, mas também de possibilidades mil... sim, estava feito.

—Acho que tudo isso merece uma boa comemoração — uma das camponesas sugeriu.

—Gosto da ideia — Shara concordou aliviada.

—Whisky — Antony gritou, levantando uma das mãos ao fingir estar brindando... fazendo Shara sorrir... certo, páginas novas e hábitos antigos.... Não dava pra se ter tudo.

—Visto que agora já poderá morrer ave... — seu pai disse com a voz arrastada — talvez seja importante alertá-lo sobre algumas verdades e consequências sobre essa realidade da qual está sendo inserido e que não precisava se preocupar até ontem- seu pai empregou ironia — Cirrose — ele disse o nome da doença... vendo Antony revirar os olhos.

—Teoricamente eu tenho apenas 24 anos de idade, então morra de inveja morcego, mas estou na flor da minha idade e não... definitivamente nós não estaremos discutindo a saúde do meu fígado hoje — ele provocou, e seu pai se aproximou dele e o estapeou na cabeça — Aí... precisa parar com isso — Antony reclamou, ao massagear o topo dela.

—Não se iluda e nem se acostume — seu pai disse ao se mover — mas apenas hoje... abrirei uma exceção, e oferecerei minha casa e uma bebida de boa qualidade aos amigos da minha filha... — ele propôs, ao liderar o caminho de volta... Shara o seguiu... bem como os demais...

—Meus amigos é claro — Shara disse de forma divertida, ao piscar para Antony e para as camponesas — apenas por que eu pedi... imagino? — ela brincou

—Obviamente — ele disse... mas a verdade é que até mesmo um homem como ele, o seu pai, marcado pela vida e que passava tempo demais atuando embaixo das vestes de um personagem tão cruel... podia reconhecer que aquele havia sido um grande feito, ainda mais por que Shara conhecia de perto seus medos e anseios ao estar ali hoje com ela, mas eles haviam conseguido, e eles fizeram isso juntos... e aquilo sim era digno de comemoração, e talvez ele tenha entendido que viver mais intensamente, como Poseidon o havia aconselhado, incluía abrir algumas pequenas excessões as vezes... sim aquele era de fato um novo começo, Shara sorriu ao segurar a mão dele... e assim eles se despediram daquele lugar mágico que havia marcado suas vidas para sempre... deixando para trás o passado e sendo presenteados com um novo futuro.

FIM

—___

CENA PÓS CRÉDITO — Algumas semanas depois...

Shara desceu as escadas devagar, ela havia passado o dia debruçada sobre aquele livro, e após inumeras e infinitas revisões ela o finalizou satisfeita... colocando assim o último ponto final, como Poseidon havia orientado que fizesse, estava feito... ela sorriu, mas tanta concentração em uma única atividade havia lhe roubado o sono e então pensando na possibilidade de conseguir alguma poção de sono sem sonhos, ela desceu em busca.. não podendo deixar de rir de si mesma... afinal em outros tempos ela estaria fugindo daquela poção, tal qual um gato foge da água num banho, sim as coisas podiam mesmo mudar... e estavam de fato mudando para eles ali... ao chegar na metade do trajeto, Shara parou, ela teve a impressão de ter ouvido vozes... sim seu pai estava mesmo conversando com alguém e não parecia feliz ao fazê-lo... ele estava alterado, ela percebeu... sua curiosidade falou mais alto e então ela desceu os últimos degraus ainda mais silenciosamente e se escorou contra a parede, na tentativa de captar algo, afinal seja quem fosse era ruim...

—Achei que o castelo fosse seguro o bastante — ele havia dito com o habitual sarcasmo de sempre, Hogwarts... ele se referia a escola, ela arqueou a sobrancelha, em um pouco mais de uma semana as aulas estariam retomando, aquele seria o seu segundo ano lá, não dava para acreditar que as férias haviam passado tão rapidamente... e que eles haviam sobrevivido de forma digna, e não ela não se referia apenas ao ritual cheio de misticismo, mas sim sobre o fato deles terem convivido tão bem — Alvo... não sei o quanto disso foi discutido com Minerva, mas essa é uma preocupação do ministério... deveria... — então ele estava falando com o diretor, algo havia acontecido e não soava bem — claro malditos grifinorios e seu senso de depredação — ele resmungou — nos vemos amanhã — ele estava finalizando aquilo... Shara olhou para a escada, certo a poção podia esperar... dormir também... voltar sem ser pega era sua única prioridade no momento.

—Talves eu não tenha sido claro o bastante... mas entre as regras dessa casa, bisbilhotar continua não sendo permitido — ela o ouviu dizer, como por Merlin ele fazia isso? Ela recuou... levantando as duas mãos em sinal de rendição voluntária e se virou, revelando sua presença ao entrar na sala, ele estava de costas para ela e contemplava o fogo da lareira.

—Desculpe — ela disse numa tentativa de auto defesa — embora sei que a situação toda depoem contra mim, mas não foi intencional, quer dizer... eu apenas... estava sem sono... — ela olhou para ele que parecia perdido em pensamentos ali e pouco se importava com as desculpas — aconteceu alguma coisa, não é? — ela perguntou, baixando as mãos... e então ele se virou e olhou para ela...

—Sente-se — ele ordenou — vou aproveitar sua presença e a ausência repentina de sono, nesse momento bastante oportuno... — ele usou ironia — para lhe fazer um breve comunicado — Shara não pensou duas vezes e se sentou, um comunicado naquele horário, é... havia mesmo algo errado acontecendo, especialmente pela postura rígida dele e a forma como ele havia colocado as duas mãos na cintura, ela engoliu em seco, esperando o pior — preciso que faça suas malas — ele informou a pegando de surpresa — estaremos voltando para Hogwarts amanhã de manhã... e antes que diga, sim alunos não são permitidos no castelo essa época do ano, contudo, Alvo nos concedeu uma exceção, dado as circunstâncias — ele não estava confortável com aquele arranjo, aquilo podia ser facilmente lido ali... mas o que havia acontecido para antecipar a presença dele dessa forma? enquanto ela pensava nas inúmeras possibilidades que fariam desse novo ano letivo uma nova aventura, ele se moveu pelo espaço e se serviu de uma bebida... ele tinha uma estante tão bem servida ali quanto a que tinha em seus aposentos privativos em Hogwarts... e ela se deu conta de não tê-lo visto beber algo alcoólico nas férias, desde o dia em que eles voltaram do ritual, mas agora... ele estava preocupado... — uma exceção — ele bufou.

—E o senhor... — ela pensou antes de concluir — não gosta de excessões — ela finalizou, aquilo o estava incomodando tanto ou até mais que o próprio problema em si.

—Obviamente — ele foi seco, bebendo o líquido todo de uma única vez e encarando a lareira novamente.

—Bom... — Shara achou que aquele era um bom momento para abordar algo que ela gostaria de ter discutido com ele, mas não sabia muito bem ou exatamente como pedir, acontece que agora simplesmente cabia... — talvez exista uma forma de resolvermos esse dilema... digo sobre a excessão é claro — ela tentou e isso chamou a atenção dele que se virou para ela... a estudando com bastante cautela — sabe... já que crianças não são permitidas no castelo... e bem falta apenas um pouco mais que uma semana para as férias acabarem... entao eu pensei... na possibilidade...

—Não — ele exclamou ao interrompê-la — absolutamente não achou que eu acataria algo assim tão estupido e a deixaria aqui... sozinha, com todo o potencial destrutivo que possui... — ela ficou séria, e cruzou os braços em sinal de aborrecimento, não que ele não tivesse razão sobre essa coisa dela ser um ímã de problemas, mas era ofensivo quando dito daquela maneira, ela não era nenhuma retardada ao ponto de colocar fogo na casa ou morrer de fome... ela suspirou.

—Bom... sua confiança em minha pessoa me deixa bastante emocionada — e ali estava ela sendo exatamente como ele, sim sua voz estava carregada de sarcasmo e ele arqueou as sobrancelhas — de qualquer forma, eu havia pensado em outra coisa... — ela o encarou como quem dissesse não seja ridículo eu não seria tão estúpida assim a ponto de propor algo assim — bem... eu gostaria de passar alguns dias na casa de Gina — ela disse — Gina fez o convite e tem insistido — Shara comentou, aquela era uma verdade, Gina mencionava e reforçava o convite em absolutamente todas as últimas correspondências que elas haviam trocado — tenho certeza que ela ficaria feliz, e também que eu serei muito bem recebida... e cuidada lá, mesmo com o meu potencial destrutivo... haverá adultos por perto e o senhor poderá voltar a Hogwarts e fazer bem... seja lá o que for que precise fazer lá... — ela finalizou.

—Tenho certeza que o Sr. e a Sra. Weasley já tem cabeças ocas demais para administrar em seu verão — ele devolveu... — além do mais até onde sei eles passaram parte do recesso escolar no Egito e certamente não possuem uma reserva financeira apropriada para ter que sustentar outra criança embaixo de seu teto por tantos dias — sim o profeta diário havia trazido alguns registros da viagem em família, realizado por eles, já que o pai de Gina havia ganhado uma premiação no trabalho... mas aquele comentário havia sido bastante hostil e preconceituoso segundo o seu ponto de vista.

—Nem tudo é sobre dinheiro — ela se levantou ofendida...

—Isso, não foi o que eu disse — ele sinalizou para que ela voltasse a se sentar, mas ela não podia, e então decidiu travar uma certa resistência com ele através daquela troca de olhar, mas foi facilmente vencida e compelida a se sentar, isso apenas pelo fato dele ter mais aptidão e lançado assim um feitiço silencioso e colado sua bunda atrevida na poltrona — você certamente não vai querer ouvir um discurso emocionado de como foi a minha própria infância miserável — ele rosnou ao se aproximar dela... — garota estúpida, você ouve apenas o quer... e da forma como quer... — ele estava irritado e parecia querer começar um sermão ali...

—Não muito diferente... do senhor, é claro — ela disse ousadamente tentando se ajeitar ali mas ficava difícil estando colada daquela forma, ela o viu massagear as têmporas numa tentativa de auto controle — de qualquer forma... Gina não insistiria se houvessem restriçoes nesse sentido — ela tentou retomar, afinal aquela era uma guerra que não valia a pena lutar, seria desgastante para ambos, por serem justamente tão parecidos um com o outro... seus genes, ela pensou... era óbvio até e ele parecia concordar.

—Precisará de mais do que isso para me convencer — ele disse cansado, mas ele estava recuando e isso era algum sinal.

—Certo... vamos lá, o senhor tem o anel, e eu tenho o colar... poderá acompanhar a distância todos os meus movimentos, e bem são apenas alguns dias... — ele parecia mesmo pensar sobre isso — Alem de que... Gina sabe que a professora McGonagall é minha tutora legal, não haveria motivos para a diretora da casa da qual ela pertence, não permitir minha ida até a Toca, eu teria que inventar alguma boa desculpa e a professora Minerva teria que sustentar isso de alguma forma... mas se o senhor não se opor, resolveriamos a questão de forma simples — ela disse bastante satisfeita com a argumentação... seu pai suspirou.

—Tem um ponto — e então Shara sorriu, ela estava ficando boa em conseguir as coisas, ou talvez fosse apenas as circunstâncias que se mostravam favoráveis ali, enfim tanto faz... — avise a Srta. Weasley e combine um horário, farei com que chegue lá amanhã cedo... — Shara assentiu... se sentindo feliz, não que passar as férias com seu pai tivesse sido ruim, pelo contrário, aquelas haviam sido as melhores férias de toda a sua vida, mas ela sentia falta das amigas... e um tempo com elas seria muito bom.

—Obrigada — ela agradeceu — eu vou me comportar eu prometo — ela disse e ele a liberou do feitiço, Shara saltou da poltrona estando prestes a sair do recinto.

—Shara — ele a chamou, ela se virou para ele — uma poção? — ele ofereceu... embora ela não tivesse pedido, sim ela havia se esquecido... mas ele não, ele nunca deixava passar...

—Ah sim... por favor — ela disse constrangida... vendo ele se mover e sair do ambiente, o que ele estava fazendo?... Ele havia ido buscar a poção no laboratório ao invés de convoca-la como de costume? é havia algo ali que o estava preocupando, e ainda com esse pensamento em mente que uma publicação do profeta diário chamou sua atenção, ele o havia amassado e descartado no chão... Shara se aproximou um pouco mais, apenas para encarar de frente aquela imagem bastante perturbadora que preenchia grande parte da página principal, era a foto de um prisioneiro, em Askaban, era de dar arrepios, a expressão maníaca no rosto dele, daquele bruxo... "Alerta, Sirius Black fugitivo de Azkaban" dizia a manchete... ela mal havia terminado de ler quando viu a cópia pegar fogo e sumir do seu campo de visão... — aí caramba — ela soltou — que susto... — ela colocou a mão no coração, mas ele estava sério.

—Deveria ter mais cuidado — ele disse de forma arrastada — já que essa é a segunda vez em apenas alguns minutos que a pego bisbilhotando — ele alertou em tom de ameaça.

—Quem é Sirius Black? — ela perguntou, o ignorando, espera... ela já havia ouvido esse nome antes... sim, sua mãe havia feito uma menção sobre ele para a professora McGonagall naquele cartão postal que elas haviam trocado e que Shara havia recebido dela de presente no natal... e um frio percorreu sua espinha, aquele bruxo havia sido um pretendente no passado... se sua mãe tivesse optado em se relacionar com ele ao invés do professor Snape... aquele homem assustador da imagem poderia ter sido o seu pai... era um pensamento perturbador esse — O que ele fez? — ela perguntou sabendo que suas feições entregavam o seu estado de pânico... — o que Sirius Black fez?

—Black é um assassino — ele respondeu de forma curta — e isso é tudo que precisa saber... — um assassino, um assassino a solta... e para o profeta diário noticiar com tanta ênfase assim, e para o diretor convocar os professores antes do período letivo, espera era por isso qu seu pai estava sendo convocado, sim aquilo não deveria ter sido um crime qualquer... havia algo a mais e era alarmante.

—É por isso que o senhor está voltando para Hogwarts amanhã não é? — ela perguntou embora fosse mais do que evidente que sim... — o diretor, ele também está preocupado... — ela disse ligando alguns pontos — mas por que ele estaria... ou melhor por que o Black iria tentar acessar o castelo? É isso que o diretor teme não é? — ela tinha perguntas e algo lhe dizia que as respostas não seriam nada reconfortantes... — Black está atrás de alguém?

—Chega de fantasiar — ele disse aquilo com ironia, mas ela não estava fantasiando, Shara sabia — isso não é da sua conta, guarde suas especulaçoes e suas perguntas, até por que está tarde e você não vai querer me obrigar a arrastá-la e cola-la na cama também, não é mesmo? — ele perguntou e ela gesticulou de forma negativa — imaginei que não... agora vá — ele apontou para a escada, sim e isso era tudo que ela teria, ele lhe estendeu a poção e Shara a bebeu, sem ressalvas até por que agora mais do que antes, ela precisaria mesmo de ajuda para dormir... e então ela se moveu, não querendo testar ainda mais a paciência dele ali... mas ante de se ausentar completamente, ela o envolveu pela cintura.

—Tome cuidado pai — ela disse o apertando contra si, ele estava tenso mas pareceu relaxar um pouco com o seu abraço.

—Não há com o que se preocupar — ele disse passando um dos braços em volta dela, e acariciando o seu cabelo, ele estava mentindo ela podia sentir.

—Eu te amo pai — ela o soltou... embora se pudesse passaria a vida toda ali em seus braços.

—Amo você sua garotinha estúpida — ele tentou soar descontraído, mas falhando miseravelmente ali, ainda assim Shara sorriu... ela subiu os degraus apressadamente, e fechou a porta atrás de si... Em poucos dias o seu segundo ano estava prestes a começar e tinha tudo para ser um ano bastante agitado outra vez... afinal aquela era Hogwarts e aquela era a sua e a vida dele, não dava simplesmente para esperar algo diferente dali e com esse pensamento em mente Shara rabiscou uma resposta apressada para Gina, dispensou a coruja e se jogou na cama, as malas poderiam esperar até o dia de amanhã...

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Severo observou enquanto Shara subia os últimos degraus da escada e entrava em seu quarto... as notícias daquele dia haviam simplesmente roubado a sua paz e trazido a tona memórias duras e difíceis do seu passado, que ele desejava com todas as suas forças apagar... e tudo podia ser ainda pior e ainda mais aterrorizante quando se tinha uma criança sobre a sua responsabilidade agora... sim era sua obrigação protegê-la e mantê-la segura, e Hogwarts havia se tornado um alvo... e para piorar sua frustração, diante das circunstâncias ele estaria perdendo uma pequena fração de suas férias ao lado de sua filha, ao acatar o chamado de Dumbledore e sendo assim tendo que delegar os cuidados dela a uma família que ele costumava em sua essência de comensal desprezar... sim talvez Shara não fosse a única a precisar de uma poção de sono sem sonhos essa noite...

Severo suspirou, se lembrando do conselho dado por Poseidon a ele naquele dia, a apenas algumas semanas atrás, na verdade ele se lembrava disso com bastante frequência até, muito mais do que gostaria, ele teve que admitir para si mesmo... viver cada dia de forma intensa... mas acontece que Poseidon estava certo sobre ele e as coisas de Hogwarts podiam simplesmente esperar, afinal ele tinha tudo que precisava bem ali a sua frente... e numa ação involuntária, ele convocou um livro empoeirado e velho de sua estante, um presente dado pela sua mãe na sua infância e subiu em direção ao quarto de sua filha... ele bateu na porta apenas para se anunciar e a abriu devagar, Shara havia acabado de se acomodar embaixo das cobertas e o olhou com surpresa...

—Pensei que talvez... pudesse apreciar uma história antes de dormir — ele sugeriu com certa cautela, o que por Merlin ele estava fazendo afinal? E desde quando ele dava ouvidos para conselhos estúpidos como aquele e se propunha a ler história para crianças antes de dormir? Ele estava constrangido e quase arrependido pensou em recuar... mas Shara se moveu rapidamente, liberando espaço para que ele se sentasse na cama ao seu lado... na verdade ele havia pensado na poltrona, mas aquilo não era de todo ruim.

—Excelente — ela exclamou animada, e ele se aproximou se sentando ao lado dela... ela automaticamente se reclinou contra o seu peito, e por um instante todas as preocupações esvaeceram, como se o mundo parasse para eles ali... Severo a puxou um pouco mais contra si, saindo completamente do script... mas sendo verdadeiramente intencional.

—O pequeno príncipe — ele leu o título devagar, ele tinha certeza de que ela já conhecia essa, afinal era um clássico literário bastante conhecido entre os trouxas, mas Shara não disse nada a respeito, talvez com receio de que ele pudesse declinar... mas ele não faria, não quando... ele havia entendido que ser intenso nada mais era do que aproveitar as oportunidades da vida para ser feliz... e a sua felicidade estava ali e batia fora do seu peito, tinha nome e era desafiadora mente estúpida... mas era sua... e então Severo se viu agradecendo mentalmente ao destino... improvável que fosse, por lhe proporcionar aquele que havia sido o melhor ano de toda a sua vida... — Era uma vez... — ele disse com sua voz de professor, estando prestes a começar uma nova história ali, mas isso definitivamente não era sobre o Pequeno Príncipe.

FIM!

Notas finais
É com muita satisfação que entrego o meu ponto FINAL... se chorei? Bem, digamos que apenas por uma semana inteira! Essa história faz parte de mim e da minha vida há pelo menos dois anos, sim... Eu construí ela nos detalhes, os arranjos, cada pensamento e cada ação dos personagens, enfim.. está entregue, e agora o que a gente faz quando acaba? (Boa pergunta Shara) Mas é assim que me vejo aqui... Dá um vazio existencial né? Quero aproveitar para agradecer a todos aqueles que leram tudo isso até aqui, eu sei que é exaustivo quando uma história se torna assim tão grande... Então de todo o meu coração o meu muito obrigado! Vocês foram essenciais, e me ajudaram a perseverar, tornando essa história ainda mais rica. Quero responder todos os comentários que não fiz, com bastante atenção e carinho, prometo que essa é minha prioridade. Me perdoem pelas falhas (essa é minha primeira fic) e espero ter atendido de alguma forma as expectativas... gente que loucura foi fechar isso aqui! Tenho alguns epílogos em mente no futuro dos personagens (mas serão postados sem programação de tempo) continuem seguindo para novidades! Essa foi a história de Shara e Snape e eu devo muito a esses personagens Comentem!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!