Destinos Entrelaçados

7 Gentilezas e confissões


Naruto.

Cara, o que foi isso? Esse desejo súbito que eu senti por ela? O que eu faria agora? Me sentir atraído por Hinata não estava nos meus planos de forma alguma. Na real, eu sentia era mágoa dela por sequer lembrar de mim. De tantas coisas que passamos juntos quando éramos crianças e ela nem me reconheceu!

Isso porque Hinata sempre falava dos meus olhos, que me reconheceria por eles aonde quer que eu estivesse. Não importava como fosse. Piada. Conversamos, nos olhamos profundamente por todo esse tempo e nada. Hinata nem me notou, nem um pequeno vislumbre do passado cruzou seus olhos.

Eu tinha um plano, que se resumia a encontrar o maldito que matou meus pais, e Hinata me levaria a ele de uma forma ou de outra. Toneri estava vindo atrás dela pela fortuna de sua família, estava claro como água. Quando isso acontecesse, Sasuke e eu o pegaríamos. Sem ser hipócrita, eu me preocupava sim com a segurança da Hinata, pelo menos agora que interagimos um pouco. Antes, porém, tudo o que eu queria era que ela me levasse ao cara que eu procurei feito louco em todo esse tempo. Uma isca.

Só que não bastou nem cinco minutos olhando em seus olhos de lua naquela entrevista, para que eu me sentisse compelido a protegê-la a todo custo. E há pouco, quando reparei a fundo em como estava mudada, adulta e dona de si, foi como se a atração que eu senti se materializasse em um soco forte na boca do meu estômago. Sempre soube que a amiga da Sakura era a minha Hinata, já a vi várias vezes na faculdade com a Sakura e aqueles olhos raros são inesquecíveis. Porque foi graças a esses olhos que nos conhecemos. Além disso, jamais esqueci o nome e o sobrenome dela. Hinata Hyuuga estava gravado em meu coração, pelo menos até eu perceber que ela seguiu sua vida e eu não mais fazia parte dela.

Devido a essa constatação eu a deletei, já não a queria como antes, a saudade não mais apertava e doía tanto. Tudo o que me motivava era a vingança... Encontrar Toneri e fazê-lo sofrer, assim como ele me fez sofrer quando tirou meus pais de mim.

Vocês devem estar confusos, deixa eu explicar. Sasuke e eu somos investigadores da polícia do Japão e estamos juntos na busca por Toneri desde que a Interpol nos nomeou para ajudar a pegá-lo aqui de dentro do país. Toneri cometera muitos crimes, mas ninguém conseguia prendê-lo. Para ser mais objetivo, meu curso na faculdade hoje e meu suposto emprego em um escritório de contabilidade é apenas um álibi, ou, como podemos dizer, um disfarce. Tudo para um plano maior. Eu precisava passar por um cidadão normal japonês, para que Toneri não chegasse a mim, não antes de chegarmos a ele. E, dado o histórico do meu pai, seria provável Toneri me achar e talvez decidir me apagar de uma vez por ser filho do Minato. Não seria fácil, lógico, só que aquele bandido conseguiu matar meu pai que foi um dos maiores investigadores do Japão. Não posso subestimá-lo. Por este motivo, Sasuke achou sensato que eu me misturasse, além de outros cuidados como o meu nome, por exemplo. Nem sempre eu me chamei Naruto.

Sasuke e eu nos conhecemos no treinamento policial — eu quis seguir os passos do meu pai e precisava estar dentro da lei para poder deter Toneri por meios corretos — e Sasuke prometeu me ajudar no meu objetivo. Com isso e com o auxílio de seu primo, descobrimos informações importantes sobre Toneri. O grande chefão do crime, escorregadio como manteiga. Meu pai tentou detê-lo há anos e acabou morto junto com a minha mãe. Agora era minha hora de agir e vingar a morte deles.

Há algumas semanas, no meio da investigação sobre a morte dos meus pais. Sasuke descobriu que Hinata, a amiga da Sakura sua "namorada" (não achei sensato que eles ficassem juntos, mas sabem como é a paixão, ele foi me buscar na faculdade um dia e a viu, foi amor à primeira vista) estava em perigo. Foi nesse ponto que nossos caminhos, o meu e o de Hinata, voltaram a se cruzar.

Eu não queria mais saber dela, havia superado. Mas era coincidência demais que a minha melhor amiga e paixão da época que vivi no orfanato. Ao qual fui mandado quando meus pais morreram, fosse também a melhor amiga da minha, podemos assim dizer, colega de faculdade. E, pior, agora corria perigo.

De início, eu propus me aproximar apenas para chegar até Toneri. Sakura sempre quis me apresentá-la, por julgar sermos parecidos — o que, de certa forma era verdade — mas, eu nunca senti vontade. Queria distância de Hinata, ela me lembrava de um tempo que eu queria esquecer. Paradoxalmente, eu queria revivê-lo por causa dela, única e exclusivamente por causa dela.

Recentemente, graças ao plano do Toneri de sequestrar Hinata para pedir resgate à família endinheirada dela. (Pois é, Hinata tinha uma família que a procurava, era mais do que eu podia esperar da vida). Chegou o momento que eu precisei me aproximar e já cogitava finalmente propor para Sakura que me apresentasse sua amiga. Estava disposto a insistir se fosse preciso. Quando fiquei sabendo do anúncio, Sakura me falou por alto que a amiga estava fazendo uma loucura e contou toda a história. Era minha chance, eu informei que queria a vaga se fosse possível, inventei que precisava me mudar. Quando na verdade eu morava confortavelmente com o Sasuke. Só que, óbvio, Hinata era arredia e não queria dividir o apartamento com um homem. Minhas chances foram reduzidas e eu deixei em aberto com Sakura, acaso Hinata mudasse de ideia.

Em seguida Shion me contou que iria se mudar, que não queria mais morar na república. Os pais da minha ex moram no interior e ela precisava se virar sozinha em Tóquio. Shion insinuava que queria morar comigo, só que nosso lance não era sério e eu tinha diversos segredos que ela não podia descobrir. Portanto, jamais cedi às suas indiretas. Até surgir o anúncio no jornal e ela decidir se candidatar, só que eu queria a vaga. Assim ficaria perto de Hinata e seria bem mais fácil prever quando Toneri agiria. Sasuke concordou, eu bolei uma desculpa e um punhado de mentiras para convencê-la a me aceitar. Eu precisava soar convincente e necessitado. O foco era ser escolhido mesmo sendo homem, já que Shion com certeza devia ter se sobressaído na entrevista. Fiquei espreitando a aparência das entrevistadas de longe e ela com certeza seria meu único obstáculo. Shion era articulada, inteligente e sem dúvidas Hinata a escolheria dentre as outras. Só que eu precisava ser o escolhido, para ficar de olho nela, nossa passagem gratuita até Toneri.

Não foi difícil mantipulá-la, fiz uma cara de desolado, falei sobre meus problemas fictícios e ponto. Hinata mordeu a isca, pensei que seria mais complicado, confesso. Foi uma grata surpresa ela me aceitar tão rápido, dispensando Shion no processo. Vejam bem, eu não sou ruim, não iria prejudicá-la. Eu gostava dela, não a amava, mas me preocupava com ela. Assim descolei uma vaga bacana com uma colega da faculdade que precisava dividir as despesas do apartamento. Consegui que fizesse uma proposta irrecusável, então mesmo que Hinata mudasse de ideia sobre mim. Shion não ficaria com a vaga, por considerar a outra mais vantajosa. Com essa manobra, de qualquer jeito a única opção segura de Hinata seria eu. Sabem como é, o cara sensato, trabalhador e tal, amigo da Sakura, sua melhor amiga. Queria um antecedente melhor que esse? Por isso eu corri para contar à ela, garantindo que Hinata não desse para trás. Sakura ficaria do meu lado e daria uma forcinha se a amiga desistisse de mim. Estava certo disso. Tudo planejado nos mínimos detalhes para chegar ao Toneri. Pela segurança de Hinata também, devo frisar. Eu me preocupava com ela e a queria segura, pelos velhos tempos, apesar de tudo. Não deixaria aquele louco chegar perto ou fazer algum mal a ela. Ficando próximo eu teria uma vantagem sobre Toneri, verificaria cada passo de Hinata e garantiria que ela continuasse segura. Sasuke e seu primo me ajudariam com isso.

Desde que a reencontrei, teve alguns momentos que eu pensei que talvez não fosse ela. Qual é, era uma coisa muito doida eu tê-la encontrado depois de tanto tempo longe daquele orfanato. Cheguei a ponderar se era Hinata de verdade, contudo aqueles olhos não me deixavam dúvidas. Acabei perguntando de seus pais há pouco apenas para garantir. Afinal, eu já sabia, desde que meus olhos encontraram os dela na faculdade há uns dois anos. Quando Sakura e Hinata tomavam café na cafeteria do campus e eu titubeei, desistindo de falar com a minha amiga por causa dela. Estava abalado e sentido.

Minha cabeça dava voltas e voltas, mas era ela mesma. Parada, ali, na minha frente. Seus incríveis olhos perolados cruzaram com os meus por um efêmero instante e eu estremeci. Fui embora correndo e reprimi o impulso de chorar, sondei Sakura no outro dia e ela contou que a garota que eu vi no campus na noite anterior se chamava Hinata Hyuuga. A partir daí meu mundo parou, eu quis revê-la outra vez, reencontrá-la, abraçá—la. Perguntei à Sakura, como quem não queria nada, se Hinata não conhecia um cara chamado Menma. Menti que ela parecia a irmã do meu amigo. Sakura retornou no outro dia e garantiu que Hinata não conhecia ninguém com esse nome, que possivelmente era engano. Assenti devagar e varri da minha memória qualquer lembrança dela. Se Hinata não lembrava de mim, para que eu sofreria por ela? Nesse tempo conheci Shion e começamos a namorar, mas Sakura imaginou que eu tinha algum interesse em Hinata e começou a me azucrinar para que nos conhecêssemos pessoalmente. Só que eu nunca quis, não até agora.

E daí que eu mudei meu nome para que Toneri não chegasse a mim facilmente? Se eu jamais esqueci o nome Hinata Hyuuga, ela também não deveria ter esquecido o meu. O antigo. O que eu abandonei assim que fiz dezoito anos e sumi daquele orfanato. Ao qual Hinata saiu muito antes, diga-se de passagem. Foi adotada aos sete anos por uma senhora muito bondosa. Eu queria que a Chio me levasse também, queria ficar perto da Hinata. Só que não aconteceu e eu apodreci naquele orfanato. Permanecendo todos os anos restantes sem receber sequer uma visita dela ou um cartão de natal. Isso porque Hinata prometeu que me visitaria, o que nunca aconteceu, como podem ver. Mas, com muito custo eu consegui superar.

Não era, portanto, para eu me sentir atraído por ela agora, depois de tudo, do abandono. Hinata não lembrava de mim, eu não devia lembrar dela. A equação era simples, na teoria pelo menos, na prática a coisa mudava de figura.

Meu foco principal era chegar ao Toneri e pegá-lo, proteger Hinata de seu plano maléfico era um brinde que Sasuke insistia em manter. Era o que eu dizia a mim mesmo, nada mais, nada menos do que isso. Ela não mexia comigo. Eu precisava garantir a mim mesmo, até que, quem sabe, começasse a acreditar na minha própria mentira. Eu precisava estar no controle e para isso eu tinha que manter distância de Hinata. Quer dizer, se eu conseguisse realizar essa proeza.

Shion acabou sendo deixada de lado porque minha vida agora assumiria uma nova rota. Com a perspectiva de um possível sequestro, deter Toneri virou minha prioridade, eu não admitiria distrações. Esse foi o motivo que escolhi para romper com ela. O motivo que meu cérebro insistia em acreditar. O coração, bom, ele gritava que era porque eu estava perto de Hinata novamente. Sempre fui apaixonado por ela, desde criança. Desde que nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. E, mais hora ou menos hora o que eu sentia por Hinata voltaria à tona. Era só esperar, questão de tempo. Viria como um Tsunami de grandes proporções e me engoliria por inteiro. Eu não gostaria de estar preso à outra pessoa quando isso acontecesse. Mas claro, essa verdade ficava bem guardada no fundo do meu coração. Trancada a sete chaves. Aos olhos de todos e, acima de tudo, até de mim mesmo. Eu fiz aquilo unicamente para degustar minha vingança.

Não sai mais do quarto, ouvi quando Hinata bateu a porta do dela e o apartamento mergulhou em um silêncio tranquilizador.

(...)

Hinata.

Alguns dias se passaram e tudo fluia tranquilamente.

Naruto já havia assinado o contrato, que passou pelo advogado indicado por Sakura. Estava tudo certo e agora morávamos sob o mesmo teto oficialmente. Aliás, após Naruto dizer em voz alta que me achava linda, ele não deu mais nenhuma brecha até aquele momento. Conversava comigo normalmente, como um amigo. Ou menos que isso, pois agia bem mais frio do que quando comemos bolo juntos. Eu quase conseguia ouvi-lo voltando a me chamar de senhorita Hinata, pior Hyuuga. Isso era tão retrô.

Na real, Sakura realmente queria dar uma de cupido pra cima de nós dois. Ela veio aqui para ver como Naruto estava se saindo e confessou ficar feliz por estarmos morando juntos. O que nos pegou de surpresa e nenhum de nós soube como reagir aos seus brilhantes olhos verdes animados pela possibilidade de nos apaixonarmos perdidamente. Estava escrito na testa dela.

E, segundo suas palavras quando Naruto saiu deixando-nos sozinhas, ele merecia uma garota como eu e eu merecia um cara como Naruto. Pelo que pude perceber, a antipatia aparentemente um pouco 0800 dela pela Shion era maior do que eu imaginava. Eles acabaram de terminar e Sakura já queria jogá-lo para cima de mim!

Eu era tão encalhada a esse ponto? Poxa, eu estava feliz e confortável solteira, não queria namorar com ninguém. Morar com Naruto foi uma evento isolado, não iríamos nos apaixonar perdidamente como nos filmes clichês. Eu hein!

Mas era inútil discutir com a Saky, de modo que preferi não contestar. Ela que continuasse viajando na maionese, enquanto isso, eu precisava levantar dinheiro. Foi por este motivo que marquei àquele ensaio, que não era meu forte. Fotografar homem nunca foi minha praia. Eu, na maior parte do tempo, fotografafa casamentos, ensaios femininos ou pré wedding. Só quando estava muito apertada financeiramente apelava para festas infantis, ensaios de crianças, homens, essas coisas. Contudo, dada as circunstâncias, aceitei fotografar um modelo alemão, que iria estampar a capa de uma revista super conceituada no país todo. Após me arrumar, fui pegar meu equipamento, chequei as baterias da full frame, tripé, rebatedores... Estava tudo certo, foi quando Naruto surgiu na sala, com o cabelo baixo todo arrepiado, olhos inchados e bocejando.

Coisa mais linda do mundo.

Quero dizer, um cara normal acordando, todo descabelado, olhos cheios de remela, bafo de onça essas coisas. Voltei a ajeitar meu equipamento e ouvi um bom dia, Hinata extremamente rouco.

— Bom dia. — respondi, sucinta.

— Acordada tão cedo? Vai trabalhar? — quis saber e eu fiz que sim com a cabeça.

— Acho que está tudo certo — divaguei — Tenho um ensaio masculino daqui a uma hora e preciso ir agora mesmo. — anunciei, levantando-me — Tem café na cafeteira e pão de queijo no microondas, se quiser. — fui indo até a porta, mas, quando passei perto de Naruto, seus dedos rodearam meu pulso com uma delicadeza que beirava a reverência.

— Obrigado, Hinata... — eu o encarei por um instante, notando seus olhos gordinhos de sono e quase soltei um suspiro.

Naruto não podia ficar me tocando desse jeito, isso me causava um arrepio que perspassava todo o meu corpo. Não era sensato.

— Por nada, preciso ir. — escapei e por fim cruzei a porta, sem sequer olhar para trás.

Meu coração batia acelerado e eu não entendia o que aquilo significava, por que fiquei tão nervosa com seu toque rarefeito em mim? Eu precisava procurar minha sanidade, devia ter perdido em algum ponto entre a noite e a manhã. Venci a pequena distância até meu twingo, entrei, liguei o motor e nada.

— Droga! — soquei o volante com raiva, meu carro sempre dava problema quando eu mais precisava dele. — Caramba, eu preciso de você. — sussurrei, ciente de que estava sendo idiota, ao implorar que meu carro velho funcionasse à base do lamento.

— Está com problemas? — Naruto surgiu na janela e eu quase dei um pulo de susto, metendo a cabeça no teto do carro.

— Você me assustou!

— Não era minha intenção. — respondeu com um sorriso curvando o canto de seus lábios carnudos.

— O que faz aqui? — perguntei, confusa.

Naruto já estava vestido, parecia pronto para ganhar a vida.

— Lembrei do que você me falou há alguns dias, sobre seu carro necessitar de uns reparos. — explicou, abrindo minha porta. — Decidi ver se você precisava de ajuda, como já está em cima da hora.

— Não se preocupe comigo. — falei, tornando a fechar a porta.

— Eu te dou uma carona, vamos. — insistiu.

Bufei.

— Não precisa, sério.

— Deixa de ser orgulhosa, vamos, eu te levo.

Olhei meu relógio de pulso, conferi a hora e suspirei resignada. Eu realmente precisava de ajuda, do contrário chegaria mega atrasada. Fora que ainda precisava montar o equipamento e fazer a fotometria da luz ambiente.

— Tudo bem. — aceitei a contragosto.

Saí do carro e fui em direção ao de Naruto, que era melhor do que o meu — não tanto — mas pelo menos funcionava. Em silêncio, entrei, eu precisei pedir uma vaga extra para Naruto e quase não consegui sem desembolçar uma quantia a mais. Entretanto, como o síndico tinha uma queda por mim, acabou cedendo sem mais problemas. É, às vezes eu usava meu poder de sedução, digamos, quando eu tinha coragem para tal.

— Qual o endereço que você vai? — sua voz rouca reverberou pelo interior do carro.

Coloquei no GPS e entreguei meu celular para ele, sem nada dizer.

Naruto manobrou o Vectra cinza e saiu do estacionamento, quando ganhou a rua, me vi na obrigação de agradecer a ajuda. Eu estaria encrencada se precisasse pedir um Uber, pois demoraria mais para chegar, além de gastar um dinheiro que eu não tinha à minha disposição.

— Obrigada. — me ouvi dizer e Naruto apenas sorriu de lado.

— Quando precisar é só me gritar que eu venho. — brincou e eu rolei os olhos.

— Não força.

No meio do caminho, o nosso diálogo não avançou, eu permanecia encostada ao banco, pensando na vida. Enquanto Naruto seguia de olho nas ruas e, após alguns segundos de silêncio, ligou o rádio do carro.

— Estamos chegando — anunciou um tempo depois, ao passo que apenas assenti — Que tipo de trabalho você vai fazer? — indagou curiosamente e eu o encarei pela primeira vez desde que entrei no carro.

— Vou fotografar um modelo. — respondi, observando ao redor.

Eu iria fotografar em um estúdio renomado e estava ansiosa. Desde que parei de fotografar para os Nara, ainda não havia pego um trabalho grande. Esse seria o primeiro mais profissional, minhas fotos precisavam ser perfeitas.

Naruto manobrou o carro e eu fiz que iria descer, não antes de ele questionar:

— Quer que eu desça com você? Precisa de um assistente?

— Assistente? — retruquei, confusa — Não vai trabalhar?

— Eu sou estagiário, entro mais tarde. Não se preocupe. — explicou displiscentemente.

Era cedo ainda, de modo que eu aceitei, como queria economizar, estava sem assistente e isso diicultava meu trabalho. Apesar de Naruto não entender nada de fotografia, pelo menos obedecer às minhas ordens ele seria capaz, eu acho.

— Aceito, considere pagamento por eu ter feito seu café. — brinquei e Naruto riu. Um riso curto e rouco que me arrepiou.

— Que eu nem tomei, por sinal. — ratificou.

— Que seja, mais eu fiz — dei de ombros, fingindo tranquilidade — Você não tomou porque não quis.

— Ah, pensei que fosse por estar preocupado com você.

Porque quis. — tornei a revidar.

— Você é dura na queda em. — respondeu e eu dei risada.

— Vamos, assistente. — ordenei, saindo do carro. — Ou iremos nos atrasar.

Naruto achou graça e me seguiu, não antes de pegar meu equipamento fotográfico.

Fomos entrando e ele pareceu travar ao se deparar com tanta gente no estúdio: maquiadores, assistentes, eram tantas pessoas, que até eu fiquei meio arredia.

— Tem muita gente aqui, estou me arrependendo de ter me oferecido para ajudar. — constatou, trincando o queixo quadrado.

— Sorria e acene, consegue fazer isso, Naruto? Sorria e acene. — provoquei e ele riu da minha referência a Pinguins de Madagascar.

— Eu acho que estando ao seu lado eu consigo fazer qualquer coisa, Hinata.

Essa resposta me desestabilizou totalmente, mas consegui me recompor. Focando imediatamente no que eu precisava fazer, que era trabalhar e juntar dinheiro para quitar meu apartamento.