Destinos Entrelaçados.
15 Decepção
Notas iniciais
Eu não sabia para onde, mas estava correndo, precisava encontrar a ala das crianças, e não foi surpresa quando encontrei a ala das crianças lotada de Selirions, eram todos pequenos demais para encarar a vida daquele jeito, mas eu não tinha tempo de sentir compaixão, eu não podia salvar todos, precisava encontrar Vicky.
– com licença – falei com a mulher que olhava todos – estou procurando a Selirion de Dominic Romanoff?
– A loira? – ela pegou uma ficha – ela não se sentia bem, foi levada ao quarto.
Não estava bem?
Agradeci e fui correndo ao quarto, era constrangedor ficar correndo com aquele vestido, passei por várias pessoas no corredor sem me importar com o que pensariam de mim, quanto mais rápido encontrasse Vicky mais rápido sairíamos dali.
Fiquei preocupada do por que ela não estar bem e desconfiei que tinha haver com a quantidade de crianças que havia no lugar.
– Vicky – chamei assim que entrei no quarto.
Ela surgiu do banheiro com o rosto banhado em lagrimas, eu a abracei e ela começou a soluçar.
– o que foi? – perguntei docemente.
– tantas crianças – Vicky parecia em desespero – iguais a mim, que sofrem o que eu sofri e não podem fazer nada.
– ...- um bolo se formou na minha garganta.
– elas vão morrer Anny, eu odeio todos eles, todos os donos – ela falou entrecortada.
A porta se abriu com um estrondo.
–Anna? – Dom chamou – pequena o que foi?
Não achei que alguma coisa pudesse me surpreender, mas o fato de que Vicky me soltou e correu para os braços de Dom era algo novo.
Ele também ficou surpreso com ela abraçando sua cintura, eu fiz um gesto para que ele a abraçasse também para que surgisse alguma reação da parte dele. Dom se agachou na frente dela e passou os braços em volta do seu corpo, foi o gesto mais carinhoso que eu já o vira fazer, ele ficou falando alguma coisa no ouvido dela, não deu pra escutar, mas aos poucos ela foi se acalmando, e quando o fez ele a levantou e a levou em direção ao quarto dela.
Eu fiquei a onde estava, sentindo um bolo dentro de mim.
Senti uma mão segurar meu ombro e me levantar, Dom me colocou sentada no sofá e ficou de frente para mim.
– você está bem?
Concordei de leve.
– preste atenção no que eu vou te dizer Anna — seus olhos de gelo estavam grudados nos meus – pare com isso, pare de tentar fugir.
– o que...? — ele levantou a mão me fazendo ficar quieta.
– você acha mesmo que eu não saberia que você ia tentar aproveitar o fato de estarmos fora da cidade? – Dom colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – Acha que eu a traria para cá se não pudesse me certificar que você estava bem guardada?
– sinto muito – murmurei – Mas não posso viver como uma escrava.
– Eu não a trato como uma escrava – ele disse sincero.
– Não? – meus olhos se encheram de lagrimas – não me trata assim por que eu não sou ninguém não é mesmo?
– Anna...
–Não – me levantei – vá ficar com a ruiva, ela parece que está louca por você e é claro que vai querer ficar com ela.
– Eu decido o que eu quero ou não fazer – ele veio atrás de mim – Alexandra é uma amiga do passado, e não costumo correr atrás de mulheres do passado.
– então por mulheres do passado eu não sou nada?
– Anna...eu...
– eu vou ver Vicky – murmurei.
Mas Dominic segurou meu braço.
– fique.
– não – falei de modo firme, não que eu não o quisesse.
– pelo menos me prometa uma coisa.
– o que?
– não tente fugir – Dom estava tão perto que meu coração deu um salto – porque Anna não importa onde se esconda, de quanto em quanto tempo se mude, ou o quanto corra, eu vou sempre encontrar você, você é minha.
Um calafrio me subiu a espinha.
– prometa Anna – ele sussurrou.
– sim – me rendi – prometo.
Ele tinha razão, sempre ia me encontrar.
– Deixe-me cuidar de você Anna.
Dom se inclinou e me beijou, como eu gostava daqueles lábios, macios...perigosos.
Me afastei por instinto.
– não vai ser assim tão fácil– murmurei.
– claro – ele se afastou – Cumpra sua promessa Anna, meu pai me disse que se você não se comportasse, ele não permitiria que eu a punisse, ele faria isso, e com punir ele quer dizer enfiar uma bala na sua cabeça.
– e por que ele iria querer se meter com uma propriedade sua?
– Aslam acha que você constantemente passa dos limites e eu permito – ele abriu a porta da frente – então não saia da linha novamente.
Acho que me rendi pelo fato de saber que ele tinha razão, eu não podia me arriscar, não era só minha vida que dependia dele, Aslam também mataria vicky e isso já era motivação o suficiente para que eu permanecesse onde estava.
Era terrível de se admitir mas eu precisava de Dominic.
Acordei de madrugada, bocejei não comera nada na festa e fiquei com fome.
Pedi para o Androide preparar alguma coisa pra mim e fui até o quarto de Dom, empurrando a porta com cuidado, ele não estava aqui.
Suspirei e fui me sentar.
Não a motivos para ficar assim, ele dissera que era somente uma amiga, provavelmente estava com o pai, afinal a festa era dele, Disse a mim mesma.
Ouvi a porta se abrir silenciosamente.
– Dominic – chamei.
Me levantei indo em direção a entrada, sorrindo.
A última coisa que me lembro, foi minha cabeça batendo no chão, não conseguia mover meu corpo.
Então tudo ficou preto.
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