Destinos Entrelaçados
9 Capítulo 9 - Eventualidades
Notas iniciais
Atenção leitoras: esse capítulo pode causar sérios sangramentos nasais, então por favor, preparem seus lencinhos de papel! Depois não digam que não avisei u__ú
Boa leitura^^
Depois de pouco tempo e muitas discussões, eles conseguiram de alguma forma terminar de preparar a comida, e aqueles que não ajudaram a cozinhar começaram a colocar a mesa. Logo depois, todos se reuníram ao redor da mesma para almoçar. Nagihiko insistiu que não queria comer nem beber nada do que Shiori tinha feito, sendo imitado no começo por Kairi e Kukai, sendo que esse último acabou desistindo e cedendo à tentação de provar um pouco de cada comida disposta à mesa. Tadase não tinha realmente nada contra a comida da garota mas, como sempre, preferia mil vezes a comida de Nagihiko. No entanto, acabou comendo um pouco do que ela preparou também, apenas para não ser mal-educado. Ikuto já estava mais do que acostumado com a comida de Shiori, e comeu sem fazer cerimônia. E as meninas Guardiãs acabaram simpatizando tanto com ela quanto com a culinária da garota, assim como Utau, é claro.
Quando chegaram à sobremesa (uma espécie de bolo de sorvete e pudim de limão com cauda de chocolate), todos já estavam devidamente alimentados e finalmente tomaram coragem para iniciar uma conversa. Shiori foi a primeira a falar, e já começou reclamando:
– No final das contas, o Valete não quis comer nada do que eu fiz mesmo, que chato... bem, pelo menos o Chibi King comeu alguma coisa. Isso vai causar muita diversão mais tarde...
– Ei, o que você está resmungando aí?? — Nagihiko indagou desconfiado
– Estou reclamando que você é um chato preconceituoso que não quis comer minha comida só porque eu te transformei em menina uma vez! — ela bufou, como se isso não fosse nada de mais
– É... "só por isso" — Nagi repetiu sarcástico
– Bem, não importa, ao menos o Chibi King comeu, isso já garante a diversão...
– Ei Shiori-chan, o que você colocou nessa comida?? — Utau cochichou para a garota
– Uma coisa muito, muito especial... mas não se preocupe, só coloquei na comida deles — a mais nova respondeu
– É sério, o que vocês duas estão tramando?? — Nagihiko tornou a perguntar, cada vez mais desconfiado
– Eu estava dizendo à Utau-chan que devia ter deixado ela preparar a limonada, pra ver se assim você bebia! — Shiori desconversou, vendo que nem Nagihiko e nem Tadase tinham bebido a limonada que ela fez
– Ahh é verdade! Você devia ter me falado isso antes, eu faria a limonada com muito prazer, Shiori-chan! — Utau exclamou, rapidamente captando a idéia da garota
– Ah, desculpe... mas eu prefiro suco de maçã mesmo — Tadase falou, sem entender o porquê de elas quererem que os dois bebessem limonada
– Hotori-kun, não é isso que elas estão falan... ah, esquece, deixa pra lá — Nagihiko deu de ombros, sem saber se ficava aliviado ou preocupado por Tadase ainda não compreender essas coisas
– Hai, hai... mas é uma pena, e pensar que eu fiz essa limonada pensando em vocês — Shiori lamentou — Aliás, fiquem com vontade de beber mais limonada, aonde está a jarra, hein??
– Aposto que a Rima acabou com tudo — Utau falou, dando uma risadinha
– Não, ainda tinha mais quando a Yaya pegou a jarra — a Rainha falou
– É, mas a Amu-chi também queria um pouco — a Às informou, apontando para a Coringa
– É, eu peguei um pouco, e depois entreguei para o Iinchou — Amu "passou a vez" para Kairi
– E eu deixei a jarra na mesa logo depois — Kairi informou, aparentemente sem entender o duplo-sentido da limonada — Mas acho que o Ikuto pegou a jarra também, não foi?
– Sim, eu peguei o restinho que tinha, mas... vocês queriam que esses pirralhos bebessem...? — Ikuto falou, forçando sua mente preguiçosamente, até que entendeu o que elas queriam dizer com a limonada — Ahhh era isso... droga, não acredito que bebi isso, agora nem quero mais! — ele empurrou o próprio copo para longe, enojado
– É, você não só bebeu a limonada, como tomou ela toda, né?! — Shiori exclamou, sem saber se ria por Ikuto ter bebido aquilo, ou se ficava zangada pelo rapaz ter acabado com tudo
– Foi sem querer, tá legal?! Vocês garotas vêem um significado distorcido em cada coisa também, hein?! — o neko bufou irritado — Toma, eu já disse que não quero mais essa coisa, pode ficar com a minha se quiser — ele entregou o copo quase cheio de limonada à Shiori
– Hontou? Kyaaa arigatou, Ikuto-kun! — Shiori bebeu a limonada que o garoto lhe entregou, feliz da vida, esvaziando o copo até a metade
– Nee Ikuto... você já tinha bebido a limonada daquele copo, não tinha? — Yaya perguntou, sua mente criativa começando a trabalhar depressa
– É, eu tomei um pouco sim... mas nem ouse me zuar por isso, ou vai se arrepender de ter nascido, ouviu bem bem, pirralha?! — o neko exclamou, virando o rosto irritado
– Não, eu não vou te zuar não — Yaya garantiu — Demo nee... se você já tinha bebido daquele copo... e agora Shiori-tan também bebeu do mesmo copo que você... significa que foi um beijo indireto, não é?
A reação foi instantânea: Shiori afastou o copo da boca rapidamente ao ouvir isso, olhando para Yaya incrédula, enquanto que Ikuto fez o mesmo, porém, sorrindo pervertidamente logo depois. Yaya começou a gritar escandaloamente e a gargalhar diante da possibilidade, sendo seguida pelas outras meninas. Os garotos olharam incrédulos de Ikuto para Shiori, e de volta para o neko, alguns com pena da garota, e outros envergonhados e corados demais para fazer qualquer comentário.
– Foi... mesmo um beijo indireto? Tem certeza, Às? — Shiori perguntou depois que o choque passou, encarando o copo, agora quase vazio, em suas mãos, como se este fosse uma arma nuclear perigosíssima
– É claro que foi!! Yaya tem certeza absoluta, foi um beijo indireto sim!! — Yaya chegou a se levantar da cadeira de tanta empolgação
– Eu concordo com ela!! Também acho que foi um beijo indireto!! — Amu concordou veementemente
– Tem certeza...?
– Bom, pelo menos é assim que funciona nos mangás — Rima respondeu, tomando um gole de suco de maçã
– Kyaaaaaa não acredito que isso está acontecendo! Shiori-chan, acho que você acabou de ser corrompida pelo Ikuto hahahahahaha! — Utau caiu na gargalhada
– Pensei que ela já fosse corrompida mesmo antes disso — Naghiko comentou — Mas eu também acho que isso conta como beijo
– Então, parece que a "Shiori-chan" aqui acabou de ter seu primeiro beijo roubado por euzinho aqui — Ikuto alargou seu sorriso, encarando a garota pervertidamente, e inclinando o corpo para a frente de modo a se aproximar mais dela — E então? Feliz? Envergonhada? Abalada?
– Ah, deixa disso, Ikuto-kun! Foi só um beijo indireto afinal, não conta como beijo de verdade! — Shiori riu, dando de ombros, como se não se importasse — Até porque, você é meu irmão mais velho, então eu não poderia fazer isso com meu irmão... portanto não valeu! — ela tomou o resto da limonada, esvaziando o copo de uma só vez
– E ela ainda por cima fez isso de novo — observou Rima
– Bem, eu já tinha feito isso antes mesmo, que diferença faz repetir isso uma ou duas vezes?! — Shiori rebateu, deixando os outros sem argumentos.
Poucos minutos depois, todos terminaram de comer, e levaram seus pratos de volta para a cozinha, bem como ajudaram a lavar a louça, enquanto Tadase foi até o quintal para alimentar o cachorro, que afinal de contas também precisava comer. Quando o Rei voltou, ajudou os amigos a terminarem de lavar a louça, mas teve que ouvir as reclamações de Shiori ao se lembrar de que tinha um cachorro naquela casa.
– Eu não sei como um garoto fofo como você pode ter um animal tão mau quando um cachorro, viu... com tantos animais que existem no mundo, tinha que ser logo esse bicho?! Fala sério, você podia muito bem ter um gato, ou um hamster, ou um coelho, ou um porquinho-da-índia, ou uma gaiola com passarinhos... até uma iguana servia!
– Hotori-kun sempre gostou de cachorros, desde pequeno que ele adora cães, é natural que tenha um em casa — Nagihiko informou — Qual o seu problema com cachorros afinal, hein garota?!
– Eu já falei, eles são maus, e dão medo!
– É verdade que tem alguns mais ariscos, mas a maioria são bem mansinhos, como o Lu-chan, por exemplo — Tadase falou, sentando-se no quintal, e sendo acompanhado pelos outros
– "Lu-chan"?! — Shiori repetiu
– É "Lu" de Luís, o nome do cachorro, em homenagem ao Rei Luís XIV da França — informou Kiseki — Mas o Tadase cisma em chamá-lo por esse apelido ignóbil... — ele resmungou entre os dentes
– Que desperdício de apelido fofo com um bicho tão medonho como esse — Shiori bufou, ainda irritada com a presença do cão
– Como eu disse antes, nem todos os cães são selvagens como você diz... você não devia tratar todos os cachorros do mundo assim — Tadase falou, começando a ficar magoado com a discriminação contra Lu-chan
– Não. Cachorros... são maus, eles são muito maus — Shiori abaixou a cabeça, de modo que a franja lhe cobrisse os olhos, ficando séria de repente. E então ela ergueu o braço esquerdo, parcialmente encoberto por uma luva preta, e as pessoas que tinham ajudado a preparar o almoço repararam que ela não tinha tirado as luvas nem para cozinhar, mas estava fazendo isso agora. Na palma da mão havia uma espécie de cicatriz com o formato de uma arcada dentária. O lugar onde os dentes caninos lhe perfurou era visivelmente mais profundo — Quando eu era pequena... estava voltando pra casa da escola, com a Mabo-chan ao meu lado, e carregando uma boneca nos braços. Alguns meninos da vizinhança estavam jogando bola na rua por onde eu passava, e um deles calculou mal o chute, e acertou a bola em mim. Por causa dessa bolada, a boneca "voou" dos meus braços e foi parar do outro lado do muro da casa da calçada por onde eu passava. Pedi ajuda para eles, pra pegar minha boneca de volta, mas os moleques apenas saíram correndo e rindo, dizendo que seu perdi a boneca, era problema meu. Então eu toquei a campainha da casa pra pedir a boneca de volta, mas não tinha ninguém em casa. Então eu pulei o muro da casa. Era minha boneca preferida, então eu realmente queria ela de volta. Quando cheguei no quintal, logo encontrei a boneca, mas tinha um cachorro enorme no quintal mordendo ela... eu tentei pegar a boneca de volta, mas o cachorro ficou zangado, é claro, devia ter pensado que eu estava tentando roubar o novo brinquedo dele ou coisa assim... então ele mordeu minha mão com força... tanto que começou a sair muito sangue, e eu comecei a chorar... n-não conseguia puxar minha mão de volta, pensei que ia ficar sem braço ou coisa assim... q-quando finalmente consegui puxar a mão de volta, pulei o muro outra vez o mais rápido que pude, mas minha mão continuava sangrando muito. Minha mãe estava no trabalho e não podia cuidar de mim, e eu era muito pequena, então não sabia o telefone do hospital, ou como chegar lá... então a Mabo-chan me ajudou como pôde, enfaixando minha mão pra que pelo menos parasse de sangrar. Quando anoiteceu e minha mãe chegou, ela me levou pro hospital correndo... eu levei alguns pontos, e o médico falou que eu ficaria bem, mas que, como demoraram muito pra cuidar do ferimento, ele nunca cicatrizaria por completo. E desde então eu... odeio cachorros.
Ninguém sabia o que falar depois de ouvir essa história. Todos se entreolharam tensos, como se perguntassem sem usar palavras como acabar com aquele clima ruim, até que Yaya falou:
– Shiori-tan, Shiori-tan! O que aconteceu com a sua boneca depois disso?! — a Às perguntou, erguendo a mão como se estivesse fazendo uma pergunta ao professor em sala de aula. Os demais a encararam com uma enorme gota em suas cabeças, como se não acreditassem no que a garota estava dizendo
– Ahn... e-eu peguei a boneca de volta, mas o cachorro à destroçou por completo, então eu tive que jogar no lixo — Shiori respondeu depois de sair do estado de choque
– Que injusto! Perder sua boneca preferida assim, é muita crueldade! Aquele cachorro era mesmo muito mau! — a Às bufou, como se tivesse algo pessoal contra o tal cachorro
– Não acredito que você realmente pulou o muro da casa só por causa de uma simples boneca... você é mesmo uma sem noção, viu?! — Ikuto exclamou, envolvendo Shiori pelo pescoço com um dos braços
– Hahahahahaha... talvez seja por isso que eu sou sua irmã — ela riu sem graça
– É verdade. Mas sabe... isso não é apenas uma simples cicatriz de mordida de cachorro. É também a prova do quanto você é corajosa, e que é capaz de lutar com todas as suas forças, e até com as forças que não tem, pelas coisas realmente importantes pra você — o neko falou, segurando a mão esquerda dela, onde continha a cicatriz, com sua mão livre — Então você não devia escondê-la, devia ter orgulho dela!
– É uma bela teoria, Ikuto-kun... mas você tem que admitir que uma garota com uma marca permanente de mordida de cachorro na mão não é muito atraente — ela sorriu sem graça, se desvencilhando de Ikuto em seguida — Mas já chega dessa conversinha nostálgica! Quem está fim de um joguinho?
– JÁ CHEGA DOS SEUS JOGOS SEM NOÇÃO, SHIORI!!!
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Algumas horas depois, tanto os demais Guardiões quanto Ikuto, Utau e Shiori foram embora, restando apenas Nagihiko, que acabou aceitando passar a noite na casa de Tadase. Embora o Valete tenha ficado anormalmente nervoso e até um tanto amedrontado em ter que lidar com os pais do Rei quando estes chegaram em casa, acabou se saindo razoavelmente bem. Pelo menos ninguém percebeu nada sobre o novo relacionamento que ele e Tadase tinham. E quando anoiteceu, ficou decidido que Nagihiko passaria a noite no quarto de Tadase, que estava seriamente perturbado com isso.
– B-Bem, então você vai ficar aqui hoje, Fujisaki-kun... ah, mas você já esteve aqui de manhã né... me esqueci hahahahaha... — o loiro riu nervoso ao adentrar o próprio quarto na companhia de Nagihiko. Por algum motivo Tadase achou melhor trancar a porta do quarto essa noite, e o fez logo que Nagihiko caminhou até a escrivaninha, depositando ali seus Shugo Tamas, ao lado do ovo e Kiseki. Temari e Rhythm já repousavam em seus ovos, assim como Kiseki, que ressonava profundamente em seu Shugo Tama
– Me sinto meio estranho... em dormir aqui hoje — Nagihiko comentou, tão nervoso quanto o Rei — Quero dizer, eu sei que já dormi na sua casa antes, mas... dessa vez é diferente. Essa é a primeira vez que durmo aqui desde... d-de-desde que nós... n-nos tornamos...
– ...namorados? — Tadase completou a frase com um fio de voz
– É... — Nagi confirmou, sentindo o rosto esquentar — N-Não sente o mesmo, Hotori-kun?
– Sim... eu entendo o que quer dizer — o loiro confirmou, mirando o chão — Não é apenas nervosismo, eu sinto... uma agitação crescendo dentro de mim, me abalando por completo. Me sinto... ansioso, e temeroso ao mesmo tempo... ah, mas não é no sentido ruim! Eu disse temeroso, mas... a-acho que é mais nervosismo mesmo... e uma certa ansiedade... p-pelo que pode acontecer
– Humm... e o que você acha que vai acontecer essa noite, hein Hotori-kun? — Nagi indagou, dando um sorriso de canto e caminhando lentamente na direção do Rei
– Ahh... e-eu não sei...
– Não sabe mesmo? Realmente não faz a menor idéia do que pode acontecer? — o maior indagou, se aproximando do loiro
– N-Não... eu... q-quero dizer... — Tadase inspirou profundamente, tentando se acalmar e, reunindo toda sua coragem, encarou o Valete nos olhos e falou — P-Por que você não me mostra... o que vai acontecer, Fujisaki-kun?
– Com todo o prazer... Hotori-kun.
A essa altura, Nagihiko estava a apenas alguns centímetros do Rei, e assim que terminou a frase, selou seus lábios nos de Tadase, beijando-o. Atirou seus braços ao redor do loiro, percorrendo todo o seu corpo diminuto com as mãos velozes. Inclinou-se um pouco mais para a frente, afim de ficar ainda mais perto de Tadase, fazendo com que os dois caíssem deitados na cama, com Nagihiko por cima do Rei. Tadase logo retribuiu o abraço, atirando um dos braços ao redor do pescoço do Valete e envolvendo suas costas com o outro, acariciando seus cabelos gentilmente. Antes mesmo que Nagihiko pedisse, Tadase abriu um pouco mais a boca, como se pedisse em silêncio para o maior aprofundar o beijo. Nagi ficou surpeso, mas logo o fez, começando uma excursão por toda a cavidade bucal do Rei com a língua. O Valete surpreendeu-se ainda mais ao notar que Tadase tentava despí-lo, abrindo os botões de sua camisa com uma das mãos desajeitadamente, enquanto que a outra mão se cansava de esperar e agora adentrava o decote da camisa, tocando diretamente em seu tórax. Pensou brevemente se deveria ajudar Tadase a desabotoar a camisa, e também fazer o mesmo com a dele, quando entrou em choque ao perceber que o Rei parecia tentar enfiar a própria língua em sua garganta. Com certo esforço, Nagihiko se afastou alguns centímetros dele, interrompendo o beijo.
– Mas o que foi que deu em você hoje, Hotori-kun?! — ele exclamou arfando, sentindo as batidas descompassadas de seu coração — Você está... t-tão mais atrevido do que o normal... p-por acaso está querendo trazer a Nadeshiko de volta, é??
– O que...? — Tadase indagou, ofegante e confuso — N-Não, não estava... e-eu quero fazer isso com você hoje, Fujisaki-kun. Por que você parou?
– B-Bem, porque você me surpreendeu... — Nagihiko levantou-se, um tanto embaraçado, sentando-se na beira da cama, e Tadase o imitou, sentando ao lado dele — Geralmente você não tenta me despir assim. Pelo menos não tão rápido... o que foi que deu em você afinal, hein??
– Eu não sei, mas... j-já tem um tempo que estou me sentindo assim estranho... c-com calor, e... c-com vontade de fazer essas c-coisas com você — Tadase confessou, abaixando a cabeça envergonhado — Não falei nada antes porque os outros estavam aqui, mas... desde cedo que estou me sentindo assim, com um calor absurdo, suando, e meu rosto queimando como se estivesse em chamas. E... t-também... e-está tão... tão quente aqui embaixo – ele disse, confuso, sem olhar para Nagihiko, que ofegou e corou furiosamente com a informação inesperada
– H-Hotori-kun... etto... d-desde quando exatamente você está sentindo essas c-coisas? — Nagihiko indagou, tão embaraçado quanto o Rei
– Desde a hora do almoço, eu acho... não, espera... desde que acabamos de almoçar — o loiro respondeu, sem entender aonde o maior queria chegar
– Ahh droga, eu sabia!! Aquela mulherzinha dissimulada deve ter colocado alguma coisa estranha na comida, eu aposto! Foi por isso que ela insistiu tanto para comermos a comida dela... é claro, é tudo culpa da Shiori!! — Nagihiko praguejou, rapidamente compreendendo a situação
– O que? O que a Tennousu-san tem a ver com isso?
– Não chame ela de "san", não vale a pena gastar sua boa educação com aquelazinha! — Nagihiko exclamou enraivecido — Você se lembra do que comeu?
– Tirando a sua comida, tinha... ovos de codorna, um tipo de pimenta que eu não conheço, e... alguma coisa que parecia com frutos do mar...
– Deviam ser ostras, aposto — Nagi resmungou
– É, acho que era isso. E depois da sobremesa, ela me deu um bombom... tinha um gosto estranho, mas estava tão gostoso... — Tadase divagou, lembrando-se do bombom que com certeza continha ingredientes suspeitos — Fujisaki-kun... eu não aguento mais... e-está tão quente que... sinto como se meu corpo inteiro estivesse em chamas. Ao mesmo tempo, eu sinto uma vontade tão grande de ficar perto de você... uma vontade tão grande de... t-te tocar, te abraçar, e de nunca mais sair do seu lado... o que eu faço?
– Ahh cara... — Nagihiko passou a mão pelos cabelos nervosamente, corando ao ouvir as palavras do Rei — Acho que não tem outro jeito. Eu... t-terei que dar um jeito nesse seu "calor".
Nagihiko puxou o menino para perto de si e voltou a beijá-lo. Assim que Tadase correspondeu ao beijo, o que não demorou muito por sinal, Nagihiko começou a despir Tadase, que não fez objeção alguma dessa vez, como geralmente acontecia. Depois de tirar a camisa do loiro, o Valete terminou de desabotoar a própria blusa, livrando-se dela rapidamente. Nagihiko foi se inclinando para a frente aos poucos, de modo que Tadase voltou a se deitar na cama, com o Valete por cima dele. Nagi sentiu o menor abraçá-lo com mais força, colando ainda mais seus corpos suados. Quando Nagihiko começou a sentir falta de ar, ele interrompeu o beijo, parando pra respirar um pouco, e em seguida abocanhou o pescoço de Tadase, começando a distribuir beijos por toda a extensão de seu corpo diminuto, descendo pelos ombros, tórax, até ir parar no abdômen.
– E-Ei, Fujisaki-kun! — Tadase exclamou, ao ver o que o garoto estava fazendo — Até aonde você... p-pretende ir com isso?! Não acha que está... d-descendo demais não??
– Sim, eu acho. Mas essa é a minha vingança... pelo que você fez com a Nadeshiko no outro dia, então você vai ter que aguentar — Nagihiko deu um sorriso incrivelmente pervertido, que fez Tadase corar mais ainda, e se aproximou do rosto do loiro, mordiscando o lóbulo de sua orelha, o que fez Tadase ofegar e deixar escapar um fraco gemido.
Tadase tentou se conformar com a situação e deixou que o maior continuasse com aquela deliciosa tortura, tanto por sentir uma certa culpa por ter pego pesado com Nadeshiko, quanto pela influência da comida duvidosa de Shiori que ele ingeriu mais cedo. O Valete tornou a distribuir-lhe beijos pelo tórax, enquanto acariciava suas costas e cintura com as mãos velozes e curiosamente experientes, causando as sensasões mais variadas em Tadase. O temor antes existente em seu peito havia sumido por completo, sendo substituído pela ansiedade, que só fazia crescer, e misturando-se à ela, estava o afobamento, o nervosismo, e até uma certa excitação. Tadase abraçou o namorado com ainda mais força, tanto para aproximar ainda mais seus corpos, quanto para apisrar melhor o cheiro delicioso que o Valete exalava. Nagihiko desceu mais um pouco, beijando Tadase agora no abdômen, pensando vagamente aonde isso iria acabar. Aos poucos, Nagi foi trocando os beijos por lambidas, e pequenas mordidas, brincando com seu umbigo, o que provocou gemidos cada vez mais altos no loiro, e quando o Valete percebeu isso, parou abrupdamente, tampando a boca dele com as mãos.
– Psssiiiiu! Você não pode gemer assim agora, Hotori-kun! Seus estão em casa, não estão?? Se eles ouvirem você fazendo esse barulho e vierem aqui ver o que é isso... n-não será nada bom pra nós — o maior explicou, destampando a boca de Tadase
– M-Mas... não dá pra evitar! As c-coisas que você faz comigo... s-sempre provocam vontade de fazer esses barulhos, eu não consigo evitar! — o loiro tentou defender-se — A-Além do mais, eu tranquei a porta do quarto, então não tem problema, eles não vão poder entrar!
– Você trancou a porta?! Você está ficando bem esperto, hein... — Nagi admirou-se — M-Mas mesmo assim, não podemos fazer isso, é perigoso demais! Além do mais, se alguém vier aqui e ver que a porta está trancada, pode achar suspeito e desconfiar da gente! É melhor você destrancar a porta
– M-Mas...
– Estou falando sério, é melhor assim. E se quiser continuar com isso, ótimo, mas você vai ter que parar de fazer esses barulhos
– Mas.. a-assim não tem graça... — Tadase desviou o rosto, fazendo um adorável biquinho
– Gomen nee... mas nós precisamos tomar cuidado, você sabe — Nagihiko sorriu sem graça, acariciando a bochecha corada do Rei com uma das mãos — Nee... j-já que você não consegue continuar sem fazer esses barulhos, não acha melhor paramos por aqui? Ou você ainda está exci... err... q-quero dizer, você ainda está se sentindo estranho?
– Ahh... agora que você falou, é verdade. Aquele calor estranho passou... nem tinha percebido — Tadase falou, examinando o próprio corpo, como se pudesse ver o tal "calor" que dominava seu corpo até pouco tempo atrás — Sugoi, você acabou completamente com aquela sensação estranha! Você é incrível, Fujisaki-kun!
– Ahn... o-obrigado, eu acho — Nagi coçou a cabeça sem graça — Bom... j-já que você está se sentindo bem de novo, acho melhor irmos dormir de uma vez.
Tadase assentiu, e quando Nagihiko saiu de cima dele, o Rei também se levantou, ainda que à contragosto. Ainda tentando se conformar, Tadase vasculhou o armário, à procura de pijamas. Emprestou um para Nagihiko, o maior que tinha, mas que ainda ficava meio curto no Valete. Os dois terminaram de retirar as peças de roupa que ainda restavam, envergonhados demais com o que aconteceu à pouco para olharem um para o outro, de modo que se trocaram de costas. Avisaram quando estavam prontos, e se viraram de frente um para o outro de novo. Tadase vestia um pijama branco com uma estampa de cachorros na parte superior do pijama, enquanto que o de Nagihiko era azul-claro, bem simples e sem estampa. Tadase destrancou a porta do quarto, apagou a luz e deitou-se no futón ao lado de Nagihiko. E perguntou:
– Você acha... que seria perigoso se eu te abraçasse agora?
– Quer dizer... d-dormir abraçados?! — Nagi arquejou surpreso e viu o Rei assentir com a cabeça, envergonhado — Ahn... eu não sei... m-mas acho que não é uma boa idéia. Quero dizer, não é que eu não queira, mas... s-se seus pais virem isso, eles... podem não achar bom
– Eu entendo — Tadase respondeu num muxoxo triste. E ainda sem encará-lo, moveu sua mão por debaixo da coberta, e agarrou a mão de Nagihiko ao lado dele, que ofegou de surpresa — Mas... assim não tem problema, não é? Quero dizer, a coberta está escondendo nossas mãos, então...
– Não... não vejo problemas em dormir de mãos dadas com você — Nagihiko sorriu encarando-o, e entrelaçou seus dedos nos do Rei — Boa noite, Hotori-kun... durma bem
– Uhum... você também — Tadase respirou fundo e, tomando coragem, encarou o maior com o rosto corado e falou — Nee Fujisaki-kun... te amo
– Eu também... te amo mais do que tudo no mundo — Nagihiko respondeu, ainda sorrindo. Logo o cheiro de morangos que o Rei exalava invadiu suas narinas, embalando-o por completo. Os dois estavam tão felizes por estarem junto a pessoa que amavam que nem perceberam quando adormeceram.
*** Próximo Capítulo: Encontro ***
Notas finais
Eu espero que ninguém tenha sofrido de hemorragias nasais desse capítulo, pelamor de Kami hein, não quero mandar ninguém pro hospital =P
E como a maioria pediu, eu dei um nome pro cachorro do Tadase (assim parece que eu estou xingando o Tadase de cachorro '-' /apanha) Gostaram do nome? Eu não ia dar nome pra ele não, primeiro que não tenho muita criatividade pra inventar nomes pra bichos, e segundo que eu tbm detesto cachorros -.- Mas já que a maioria pediu... espero que tenham gostado do Lu-chan XD Eu pensei primeiro em colocar Arthur, em homenagem ao Rei Arthur, que eu acho que é mais conhecido do que o Rei Luís, mas Arthur seria um péssimo nome pra cachorro -.-" De qualquer forma seria o nome de algum Rei famoso mesmo XD
E o próximo capítulo terá muitas surpresas, e estará realmente maravilhosamente emocionante, modestia à parte... aguardem ansiosos! õ/
Leiam minhas outras fics também onegai!!!
Fic Tadashiko:
http://fanfiction.com.br/historia/223745/Kizuna/
Fic de Shugo Chara na Idade Média:
http://fanfiction.com.br/historia/266701/Monochrome_Love/
Fic Tadahiko que estou escrevendo junto com a Shiroyuki-chan:
http://fanfiction.com.br/historia/198965/Yakusoku/
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Kissus e até semana que vem ^__^
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