Destinos Entrelaçados

16 Capítulo 16 - Festival



No dia seguinte tinha sido decidido que Yaya cobraria seu prêmio por ter vencido o teste de coragem, e todos tinham concordado previamente com isso. No entanto, a aparição de um repentino Festival na cidade arruinou por completo os brilhantes planos da pobre Às.


– Yaya quer receber seu prêmio agora!! Já passou muito tempo desde o teste de coragem, e a Yaya venceu! Yaya merece uma recompensa! — Yaya gritava, jogando-se no chão e se debatendo no meio do saguão do hotel, fazendo um enorme escândalo e atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam por ali
– Mas Yaya, já te falamos que hoje tem Festival na cidade, e todos queremos ir dar uma olhada — argumentou Amu — Além do mais, você não venceu esse teste sozinha, o Kukai venceu junto com você, e ele nem está reclamando!
– Bem, não tem nada que eu realmente queira, então não me importo... além do mais, eu realmente gostaria de dar uma olhada no Festival primeiro — Kukai coçou a cabeça rindo sem graça
– Estão vendo, ele não se importa! Então deixem a Yaya decidir o prêmio!! — a ruiva exclamou, como se não tivesse ouvido a parte sobre o garoto também querer ir ao Festival
– Mas isso não é motivo pra você privar todos nós de irmos ao Festival! — Kairi rebateu, cansado dessa discussão inútil
– Ele tem razão, não seja tão egoísta, Yaya — apoiou Rima
– Mas a Yaya quer o prêmio dela agoraaaaaaaaa!!!
– Aaaarghh alguém coloque uma rolha na boca dessa menina pelo amor de Kami!! — Ikuto gritou, sobrepondo-se aos berros da Às, tampando as orelhas com as mãos
– Nee Ya... Yey... etto, como era mesmo?? — Shiori perguntou
– Yaya — Utau repetiu o nome da Às para a garota desmemoriada — Ela sempre se refere à si mesma na terceira pessoa, como você pode não conseguir lembrar nem do nome dela?!
– Ahh fazer o que, eu sou péssima pra guardar nomes hahahahaha — ela riu sem graça — Bem, Yaya, que tal fazermos assim: Hoje nós iremos ao Festival juntos, vamos vestir yukatas, pegar peixes dourados, comprar maçã-do-amor e algodão-doce, jogar tiro ao alvo, comer um monte de besteiras e brincar bastante! Daí amanhã, no último dia de viagem, você recebe o seu prêmio por ter vencido o teste, e faremos o que você quiser o dia inteeeiro! Que tal?
– Verdade? Nós vamos mesmo fazer o que a Yaya quiser no último dia de viagem? — a Às perguntou chorosa
– Claro que vamos! Certo, pirralhos? — Shiori perguntou aos demais
– Não que eu seja uma pirralha, inclusive a Yaya é mais nova do que eu... mas, sim, já que ela venceu o teste, a Yaya merece ter o prêmio dela — Amu respondeu
– Concordo, também acho justo a Yuiki-san receber o prêmio dela por vencer o teste — apoiou Tadase
– Não que isso me agrade, mas, eu perdi o desafio afinal, então devo aceitar essa punição — Kairi conformou-se
– Então está bem! Vamos todos ao Festival hoje! — Yaya levantou-se de um salto, com motivação reanimada — Mas amanhã eu terei minha recompensa sem falta, ouviram?!
– Hai, hai, de amanhã não passa — Kukai concordou — Mas isso foi incrível, hein... como você conseguiu acalmá-la, hein Shiori?! Não é fácil fazer a Yaya parar de chorar não, viu?!
– Talvez seja porque lá no fundo, essa lunática ainda seja tão infantil quanto a Yaya-chan... duas crianças se entendem bem afinal — Nagihiko sugeriu sarcasticamente
– Ahahahahaha... talvez a Ex-Rainha tenha razão afinal — Shiori riu, coçando a cabeça sem graça
– Já falei mil vezes que é Valete!! — Nagi corrigiu
– Então, já que decidimos ir ao Festival primeiro, o que estamos fazendo parados aqui? — Shiori prossegiu, sem dar atenção ao garoto — Andem, chega de perder tempo, e vamos nos arrumar!




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Depois disso, cada um foi para seu quarto se arrumar para o Festival. No quarto de Tadase e Nagihiko...


– Você já terminou, Fujisaki-kun? — Tadase perguntou pela terceira vez, de costas para o maior, que parecia demorar tanto para se arrumar quanto uma menina demoraria
– Quase, já estou acabando — Nagi repetiu a mesma frase que respondera das três últimas vezes em que essa pergunta foi feita
– Céus, às vezes você parece mesmo uma garota, demorando tanto desse jeito só pra trocar de roupa — o loiro deixou escapar
– Gomen nee... é um hábito que herdei da Nadeshiko — o Valete respondeu, rindo sem graça — Nee, não consigo decidir se prendo o cabelo numa trança ou se deixo assim mesmo, o que você acha?
– Deixe assim, ele fica mais bonito solto
– Mesmo? Mas eu já ando assim normalmente, queria fazer alguma coisa diferente hoje... — Nagihiko remexeu as pontas do próprio cabelo incerto, quando sentiu uma pequenina mão tomar-lhe as mechas de cabelo que ele segurava por trás, puxando-as para si, e arfou de surpresa. Sentiu a respiração cálida de Tadase batendo em seu pescoço, agora parcialmente descoberto pelos cabelos, fazendo-o corar
– Deixe seu cabelo assim, por favor — Tadase pediu, levando as mechas de cabelo do Valete até o rosto e aspirando seu cheiro — Eu gosto... de poder acariciar seus cabelos assim, quando não tem ninguém olhando... se eles estiverem presos... eu não vou poder fazer isso
– E-Está bem, já entendi, seu maníaco por cabelos! — o Valete puxou as mechas de cabelo de volta, envergonhado — Vou deixar ele solto, está bem??
– Hai! Arigatou, Fujisaki-kun! — o Rei agradeceu, e Nagihiko virou-se de frente para ele à tempo de ver o lindo sorriso que o loiro exibia. Logo depois, reparou também que Tadase ainda segurava firmemente a parte inferior da yukata, ainda desamarrada, com uma das mãos — Hotori-kun, você falou tanto de mim, mas ainda não se vestiu??
– Ahh... i-isso é... — Tadase desviou os olhos para o lado, corando — Bem... n-na verdade, eu não consigo amarrar sozinho... e estava esperando que você pudesse me ajudar
– A-Ajudar?! — Nagihiko gaguejou, corando também. Seus olhos fixaram-se na cintura do Rei, onde faltava ele amarrar a faixa da yukata, e forçou-se a não permitir que seu olhar se desviasse mais para baixo — Ano... t-tem certeza de que é uma boa idéia pedir isso pra mim? Quero dizer, eu... bem... e-eu posso acabar tendo pensamentos estranhos fazendo isso, e... ahh droga, você está querendo me provocar, não está, Hotori-kun??
– O quê?! Não é verdade, eu quero ajuda mesmo! — Tadase garantiu — Além do mais, não seria a primeira vez que você... c-coloca suas mãos aqui afinal... o q-que tem de mais fazer isso agora, hein??
– Bem, isso é verdade, mas... d-das outras vezes que coloquei minhas mãos aí, eu... e-estava fazendo outra coisa...
– Eu sei, não precisa me lembrar disso! — o Rei exclamou, vermelho até as orelhas — Você... p-prefere que eu peça isso pra outra pessoa então?
– Não! — Nagihiko gritou, antes que pudesse parar pra pensar — Eu... q-quero dizer... não me agrada a idéia de ter... outra pessoa te t-tocando... etto... ahh, está bem, eu faço isso!


Nagihiko ajoelhou-se de frente para o Rei, circundando a cintura dele com a faixa, e fazendo de tudo para concentrar-se apenas em sua tarefa de ajudar Tadase e não pensar em outra coisa. Ainda com o rosto em chamas, tentou acabar com aquilo o mais rápido possível, mas suas mãos tremiam tanto que ele se atrapalhava mais e mais. Quando finalmente conseguiu amarrar a faixa direito e estava terminando de dar o laço, a porta do quarto foi aberta violentamente, e Yaya, Utau, Rima e Shiori entraram por ela, deparando-se com a cena. As quatro já estavam de yukata, o que provavelmente sugeria que vieram chamá-los para irem logo para o Festival, mas esqueceram-se completamente disso ao ver o que os dois estavam fazendo: Agora, Nagihiko ainda estava ajoelhado diante de Tadase, com o rosto exatamente na mesma altura que o quadril dele, o que tornava a cena bastante sugestiva.


– Yahoo Nagi, Tadase! Vocês não vão des... mas o que vocês estão fazendooooo???!! — Yaya gritou no momento em que sua mente formou uma concepção errônea da cena diante de seus olhos
– Eu acho que é mais do que óbvio o que eles estão fazendo, Yaya — Rima comentou com uma naturalidade espantosa, no entanto, apontando disfarçadamente um celular para os dois e filmando a cena
– Seus danadinhos, vocês não perdem mesmo nehnuma oportunidade hein?! Imagine as coisas que devem ter feito enquanto estiveram todo esse tempo trancados no quarto sozinhos... kyaaaaaa vou morrer por falta de sangue desse jeito!! — Utau gritou histericamente, tentando inutilmente controlar uma séria hemorragia nasal
– N-Não! Não é nada disso que estão pensando, suas pervertidas! — Nagihiko adiantou-se, pondo-se de pé — Eu só... e-estava apenas ajudando o Hotori-kun a amarrar a yukata direito, era só isso!!
– Sei, sei... cuidado pra não fazer o contrário e ajudar o Chibi King a "tirar" a yukata ao invés de "colocar", viu Valete?! — Shiori insinuou, dando uma risadinha maldosa — Andem, agora se apressem e vamos descer de uma vez, os outros estão esperando!




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Depois de muito esperar, os demais finalmente desceram, juntando-se ao resto do grupo. Todos vestiam yukata agora, tanto os garotos quanto as garotas: Tadase vestia uma yukata azul-marinho simples, com algumas listras em azul-claro na parte superior da yukata; A de Nagihiko era toda lilás, sendo que a parte inferior era de um roxo mais escuro; Kairi travaja uma yukata cinza-claro, com alguns kanjis bordados na parte superior, e uma faixa preta amarrada à cintura; Kukai vestia uma yukata toda verde-musgo sem estampas, um tanto aberta demais no peito, revelando uma parte sugestiva da sua musculatura bem definida. com uma faixa negra em sua cintura; E Ikuto trajava uma yukata toda preta, também sem estampas, com uma faixa cinza amarrada á cintura, e bem mais aberta do que o necessário, provavelmente de propósito, deixando praticamente toda a região do peito bem desenvolvido e parte do abdômen expostos, atraindo os olhares de algumas curiosas.

Já as meninas usavam roupas com cores bem mais alegres: Amu vestia uma yukata vermelha, com estampa de flores brancas, laranjas e amarelas, tornando a roupa meio chamativa, e tinha os cabelos presos no alto, com alguns fiapos escapando do elástico; Yaya trajava uma yukata rosa-choque com estampa de peixinhos dourados e algumas ondas em azul, o que provavelmente devia representar o fundo do mar, e tinha o cabelo preso em dois coques, um de cada lado da cabeça; Rima vestia uma yukata toda branca, com estampa de flores rosas e laranjas, uma faixa também laranja amarrada á cintura, e com os cabelos presos em um rabo-de cavalo baixo, com algumas mechas jogadas para a frente por cima do ombro; Utau travaja uma yukata verde-clara, com estampa de rosas vermelhas, e uma faixa escarlate amarrada à cintura, e tinha o cabelo preso em duas trancinhas; E Shiori vestia uma yukata amarela, com estampa de pequenas estrelas coloridas, e uma faixa rosa na cintura. Ela tinha prendido o cabelo em duas maria-chiquinhas no alto, com uma fita de cetim da mesma cor que a yukata.


O grupo mal chegou ao Festival, e já se separam, cada um indo para um lado: Yaya correu imediatamente até a primeira barraca de takoyaki que encontrou, arrastando Kukai junto com ela; Kairi decidiu desafiar um homem que se dizia ser um descendente de samurais e a pessoa mais forte de todo o Festival, e que daria um prêmio em dinheiro para quem o derrotasse; Amu foi tentar o jogo de argolas, e resolveu arrastar Rima com ela, que acabou acompanhando a Coringa sem reclamar quando percebeu que tinha uma barraca de chás exóticos ao lado da barraca do jogo de argolas; Ikuto foi até a barraca de peixinhos dourados à pedido de Yoru, que com certeza não queria os peixes apenas pra criar como mascotes, e Shiori o acompanhou, soltando indiretas e piadinhas de mal-gosto por todo o caminho, que provavelmente incomodariam uma pessoa que não tivesse a cota exagerada de perversidade que Ikuto possuía; E por incrível que pareça, Utau estava agora conversando às escondidas com Nagihiko e Tadase:


– O que?! Sério que vocês vão ajudar??
– Sim, eu falei que ajudaria, não foi? — Nagihiko respondeu — Olhe, ela já está sozinha com o Ikuto por conta própria, vai ser bem fácil. Você pode fingir que também quer pegar peixes dourados, e soltar uma indireta pra eles, dizendo que agindo desse jeito eles parecem estar num encontro, e sugerir outras coisas embaraçosas para eles fazerem, como... eu não sei... dividir um algodão-doce, ou dizer pro Ikuto ajudá-la com o jogo das argolas, algo assim... se toparmos com eles por aí, faremos o mesmo
– Nossa, mas você teve mesmo ótimas idéias, hein valete — Utau admirou-se — Mas vocês não vão ficar pra ver o desenrolar da história não??
– Não, eu e o Hotori-kun temos coisa melhor pra fazer — Nagi respondeu, fazendo o garoto ao seu lado corar violentamente, e a garota á sua frente ter uma crise histérica com as imagens que se formavam em sua mente
– Ahhh que injusto, eu queria filmar vocês também... mas também quero interferir no passeio do Ikuto e da Shiori-chan... aahhh que dúvida crueeeel!!!
– Esquece a gente e vai logo filmar aqueles dois antes que que os perca de vista — Nagi falou, com uma gota na cabeça — E se eles fizerem alguma coisa embaraçosa me mostra o vídeo depois, ouviu?! Estou louco pra ver aquela garota passar vergonha
– Ano... e-eu concordei em ajudar com essa história, mas não quero que ninguém passe vergonha... isso não é muita maldade, Fujisaki-kun? — Tadase perguntou hesitante
– Maldade é o que ela fez comigo naquele mundo de ilusões, isso sim! E você também foi vítima dela, não se esqueça disso, Hotori-kun! — o Valete bufou irritado
– Hai, hai... podem deixar que vou mostrar toda a gravação pra vocês depois — Utau garantiu — Então, se me dão licença, eu tenho trabalho à fazer! — Utau despediu-se, enquanto digitava uma mensagem no celular para Amu e Rima, pedindo para que elas filmassem o Rei e o Valete no lugar dela, já que a cantora não podia stalkear dois casais ao mesmo tempo
– Bom, vamos andando também... o que quer fazer primeiro, Hotori-kun? — Nagi perguntou, dando meia-volta e andando ao lado do loiro
– Etto... comer algodão-doce, eu acho
– Já está com fome? Mas a gente jantou antes de sair do hotel...
– Sim, mas... depois daquilo que você falou, eu... f-fiquei com vontade de dividir o algodão-doce com você — Tadase murmurou timidamente, abaixando a cabeça numa tola tentativa de esconder o quanto seu rosto estava vermelho, e agarrando a manga do Valete com a mão trêmula
– Ahn... c-certo, tudo bem então — Nagihiko ofegou de surpresa, corando um pouco também, mas forçando-se à voltar logo para a normalidade — Como quiser... seu desejo é uma ordem, meu Rei — ele sorriu, fingindo uma reverência, e se dirigiu com Tadase até a barraca de algodão-doce mais próxima.


Enquanto isso, na barraca de peixinhos dourados...


– Ikuto! Pegue aquele ali de trás ~nya! Tente pegar os mais gordos ~nya! — Yoru exclamava, passando a língua nos lábios e voando de um lado para o outro, os olhos vidrados nos peixes
– Hai, hai... esse aqui, certo? — o garoto falou, pegando um dos maiores peixes do tanque de água, e fazendo seu Chara dar vivas de alegria
– Ehh... quem diria, Ikuto-kun é mesmo bom nisso! — Shiori exclamou admirada
– Quer um pra você também? — Ikuto ofereceu, enquanto o vendedor da barraca colocava os peixes pegos por ele em um saco plástico e os entregavava ao rapaz
– Mesmo se eu pegasse um, não sobreviveria até chegarmos em casa... Yoru-chan devoraria o coitado antes disso, com certeza — Shiori riu, imaginando a cena
– Ué... você decorou o nome do Yoru — Ikuto reparou — Você não aprendeu nem o nome daquela Às tampinha, mas decorou o nome do meu Chara. Como conseguiu fazer isso?
– Ora, não é só do seu! Eu aprendi os nomes das Charas da Utau-chan também! — ela exclamou — Eram... etto... "Aru" e "Uru", certo?
– Quase isso — ele respondeu com uma gota na cabeça, tentando não rir
– É Eru e Iru! — Utau surgiu atrás deles, intrometendo-se na conversa — E é mesmo muito estranho você ter decorado só o nome do Shugo Chara do Ikuto, viu?!
– Shiori só aprende as coisas que são realmente importantes pra ela — Maboroshi contou — Ela não costuma se dar ao trabalho de decorar coisas com as quais não se importa, e mesmo que aprenda só por obrigação, esquece de novo pouco tempo depois
– Ora, verdade? Que interessante... talvez isso signifique alguma coisa huhuhuhu... — Utau deu uma risadinha maldosa
– Talvez signifique que eu gosto muito do Yoru-chan, já que ele é um gatinho tão fofo afinal! — Shiori exclamou, afagando a cabeça do pequeno Chara com a ponta dos dedos
– Tsc, não se faça de tonta! Tá na cara que isso significa outra coisa, e você sabe muito bem o que é hihihihihi!! — Iru soltou uma risadinha maldosa
– Mesmo que ela não saiba, eu posso sentir muito bem um fortíssimo cheiro de amor no ar! — Eru cantarolou sonhadora
– O que? Cheiro? — Shiori fungou, como se estivesse literalmente tentando sentir cheiro de alguma coisa — Eu não sinto cheiro de nada. Vocês duas deviam parar de falar bobagens, é óbvio que eu aprendi o nome do Yoru-chan porque ele é um gatinho muito fofo! Significa que eu gosto dele!
– Ou talvez signifique que você gosta é de uma outra pessoa — a loira cantarolou de modo sugestivo
– O que está querendo dizer?
– Quer parar com isso, Utau? Não tem nada melhor pra fazer não, é?? — Ikuto perguntou aborrecido
– Não, nadinha! — a cantora respondeu, pegando o celular para filmá-los
– Mas será que você não... ahh!! Olha lá, o moleque travesti está molestando o Reizinho na frente de todo mundo! E os dois já estão só com a roupa de baixo!! — Ikuto fez cara de espanto e apontou dramaticamente para atrás da irmã, que se virou desesperadamente para ver a cena que não estava acontecendo, com o nariz já sangrando só por causa do que Ikuto falara. Shiori também olhou para onde Ikuto apontava, procurando pelos dois garotos que não estavam lá, mas o neko agarrou sua mão e a arrastou para longe antes que Utau percebesse que ele havia mentido.


– Por que... você... fez aquilo... hein, Ikuto-kun?! — Shiori indagou depois que eles já estavam suficientemente longe, um tanto ofegante de tanto correr
– Porque a Utau estava sendo inconveniente — ele respondeu simplesmente — Ou por acaso você queria platéia? Eu não me importo realmente, sabe...
– Falando em platéia... Mabo-chan e Yoru-chan também ficaram pra trás — ela observou
– Ah, é verdade. Bem, não importa, eles sabem o caminho de volta pra casa — o neko deu de ombros — Agora vamos continuar com o passeio que é melhor!
– Certo, mas... nee Ikuto-kun... você ainda está segurando minha mão — Shiori observou ao se ver arrastada pela mão do garoto
– É, estou, o que tem demais? Isso te incomoda?
– Não... n-não é que me incomode, mas...
– Se não te incomoda, então não tem problema, certo? — ele perguntou
– Humm... certo! — Shiori deu-se por vencida, entrelaçando seus dedos nos dele — Então, vamos até a barraca de tiro ao alvo agora! — ela o arrastou até a barraca mais próxima, comprou uma ficha e começou a jogar, mas errou quase metade dos tiros — Ahh droga... eu não levo mesmo jeito pra nisso. Mamãe era muito melhor no tiro ao alvo do que eu ahahahaha... — ela riu sem graça, e um pouco forçado
– Você costumava vir aos festivais com a sua mãe? — ele perguntou
– Sim... mamãe sempre trabalhou muito, mas sempre dava um jeito de passar os Festivais, Natais e aniversários comigo — ela contou, nostálgica — Essa yukata que estou usando... foi ela que comprou pra mim. Foi... o último presente que minha mãe me deu. E esse é... o meu primeiro Festival sem ela
– Você até que teve sorte... nem eu nem a Utau podíamos comemorar essas datas com nossos pais. Muitas vezes eu mesmo passei os Festivais e aniversários trabalhando pra Easter, nem lembrava de comemorar, às vezes até esquecia que era meu aniversário ou que era Natal
– Isso é diferente, Ikuto-kun... você é um homem, não é? Homens são fortes e pensam mais com a cabeça do que com o coração... garotas costumam ser mais sentimentais, não sabia?
– Então você me considera um homem afinal — ele comentou como quem não quer nada — Pensei que pra você eu era apenas seu irmão mais velho
– Mas é claro que considero, é impossível não te ver como um homem. Além disso eu sei muito bem que você não é meu irmão de verdade, e que não temos o mesmo sangue. Sei muito bem... que não somos uma família de verdade. Que eu não tenho mais... uma família
– Eu também perdi minha família há muito tempo... meu pai sumiu há tantos anos que nem lembro mais do rosto dele, e eu mal falo com a minha mãe, meu parente mais próximo mesmo é a Utau — Ikuto contou — Posso entender o que você sente melhor do que ninguém. Estou tão perto de ter uma família quanto você
– Mas seus pais ainda estão vivos, não estão? — ela perguntou, forçando um sorriso — E mesmo que você e a Utau-chan não pudessem comemorar datas especiais com sua mãe e seu pai, vocês ao menos tinham um ao outro... é melhor do que nada, certo?
– É... está bem, você venceu — Ikuto ergueu as mãos, como se estivesse se rendendo — E você só não ganhou aquele prêmio porque não estava mirando direito. Você precisa segurar a arma com mais força! Vem aqui, eu vou te mostrar.


Ele comprou outra ficha e, antes que Shiori percebesse, Ikuto a abraçou por trás, aproximando tanto seus corpos que ela podia sentir claramente o peitoral viril do garoto roçando em suas costas. Segurou a mão trêmula dela, firmando a arma em suas mãos, à apontou para o alvo, e sussurrou em seu ouvido:


– Mire em um único alvo, não atire pra acertar qualquer um. Firme bem as mãos, feche um dos olhos, concentre-se e atire — ele explicou, puxando o gatilho em seguida, e acertando o alvo mais próximo — Agora tente você — ele mandou, e Shiori fez como ele instruiu, mas estava tão nervosa em ter Ikuto abraçando-a desse jeito que errou o alvo por pouco. Ikuto deixou escapar um suspiro e, tendo uma súbita idéia, aproximou-se do pescoço da garota, agora exposto, visto que seus cabelos estavam presos em duas maria-chiquinhas, e assoprou sua nuca de um jeito surpreendentemente sedutor. Shiori não apenas arfou de surpresa e sentiu um arrepio percorrer sua espinha, como também deixou escapar um ruído rouco com a garganta, levando a mão à boca logo em seguida, como se isso pudesse impedí-la de produzir o som já feito
– M-M-Mas o que você p-pensa que está fazendo Ikuto-kun?! — ela indagou, vermelha tanto de raiva quanto de vergonha
– É a sua punição por errar o alvo mesmo depois de ter recebido tantas intruções de um maravilhoso professor como eu — Ikuto respondeu num tom autoritário que não combinava nadinha com ele — E que fique avisado: Eu vou fazer isso de novo, cada vez que você errar o alvo, ouviu bem?! Agora tente de novo.


Sem outra opção, e diante dessa ameaça explícita, Shiori apenas resmungou alguma coisa em voz baixa e voltou a se concentrar no alvo, milagrosamente acertando todos dessa vez. O vendedor da barraca lhe deixou escolher entre os três maiores prêmios, e ela optou por um gatinho siamês de pelúcia em tamanho real.


– Meus parabéns, mocinha. Seu namorado é um instrutor e tanto, viu? — o homem falou sorrindo, entregando o prêmio para a garota
– Ah... e-ele não é...
– Obrigado senhor, eu sei que sou demais! — Ikuto exclamou à altos brandos, de um jeito bem convencido — Vamos lá, vamos jogar mais uma rodada, querida!
– Ei Ikuto-kun, o que está fazendo?! — ela sibilou entre os dentes
– Apenas interprete, ok? — ele sussurrou de volta, apontando disfarçadamente para uma placa pendurada na barraca que dizia "Promoção Especial para Casais: Desconto até a Metade do Preço"
– Ah... você é esperto, hein — ela comentou, pensando se deveria jogar de novo também, enquanto Ikuto finalmente a soltava para poder se concentrar melhor no alvo. Logo em seguida, Shiori reparou em algumas garotas na barraca de argolas ao lado, que pareciam estar amontoadas ali apenas para admirar Ikuto, olhando descaradamente para o peitoral desnudo do rapaz — Nee Ikuto-kun... você não acha melhor fechar um pouco mais essa yukata não?
– Ahh não, está muito calor hoje! — ele reclamou — Por que está dizendo isso?
– Bem, é que... aquelas garotas na barraca ao lado parece que querem te devorar com os olhos ou coisa parecida — ela murmurou em voz baixa, apontando disfarçadamente para as mais novas fãs de Ikuto
– Ah... nem tinha percebido — o neko falou, sem se deixar abalar — Ah, espera aí! Não me diga que está com ciúmes?! É isso, não é? Aposto que você queria ter esse corpinho escultural aqui só pra você! Pode admirar o quanto quiser também, sabe, eu não me importo nem um pouco — ele falou, sorrindo pervertidamente, e sacudindo o decote da yukata para os lados, como se estivesse espantando o calor, e deixando o tórax ainda mais exposto
– Não diga besteiras! Não é como se fosse a primeira vez que eu o vejo assim, eu já te vi praticamente sem roupa na praia, esqueceu? — Shiori rebateu, virando o rosto para o lado — Bem, se você não se imcomoda com isso, então tudo bem... o corpo é seu afinal, então o problema também é seu — ela resmungou, tendo a impressão de que, embora isso fizesse sentido em sua cabeça, ainda assim não parecia que o "problema" estava resolvido — E então, vamos apostar quem ganha mais prêmios?
– Que coragem a sua querer apostar comigo... eu acabei de te ensinar como jogar, não seja pretenciosa!
– Sabe o que dizem, um dia o aluno sempre supera o mestre — ela respondeu com um sorrisinho convencido — Além do mais não vamos apostar apenas tiro ao alvo! Vamos apostar uma rodada em cada barraca desse Festival, que tal?
– Agora eu gostei! — Ikuto se animou — E o que o vencedor da aposta ganha?
– Aquele que perder terá que fazer qualquer coisa que o vencedor quiser
– Garota, eu não sei se você é muito corajosa ou muito burra... mas eu gostei! Muito bem então, está apostado! — Ikuto exclamou, e os dois apertaram as mãos, selando a aposta, e dando início ao que prometia ser um longo Festival.



*** Próximo Capítulo: Karaoke ***

Notas finais
Yoo minna!
Demorou, mas finalmente a Utau colocou o plano dela em ação... na verdade a Utau nem fez muita coisa né, mas deu certo assim mesmo, então é isso que importa =D
E aí, quem vocês acham que vai vencer essa disputa, Ikuto ou Shiori? Façam suas apostas!! õ/
Deixem reviews onegai e façam de mim uma autora feliz *o*