Destinos Entrelaçados
11 Segredos revelados
Sasuke chegou e eu encarei Naruto, que agora estava acordado. Mesmo fazendo um grunhido estranho quando respirava.
— Naruto precisa de cuidados médicos. — constatei o óbvio, dividida entre descobrir a verdade e focar em ajudá-lo.
Ele não queria me fazer mal e sim me proteger, certo? Essa informação deveria reprimir minha raiva crescente por Naruto não ter me contado a verdade.
— Vamos para um lugar de confiança e lá Naruto será cuidado. — Sasuke informou, austero.
Sakura começou a chorar, ela era extremamente sensível. — O que está acontecendo? — percebi que Sasuke não sabia o que fazer, já que estava dirigindo e não podia ampará-la.
De modo que me adiantei e comecei a acariciar seus ombros de onde eu estava.
— Calma, Saky. Vai ficar tudo bem. —garanti, mesmo que meus próprios nervos estivessem em frangalhos.
— Sakura, me desculpe, eu deveria te deixar fora disso. E agora você está aqui... — Sasuke socou o volante com força.
— A culpa é minha. — Naruto balbuciou. — Toda minha...
— Quieto Naruto, armaram uma emboscada pra você. Não se sinta culpado, não sabíamos que Toneri colocou escutas no apartamento. — Sasuke rebateu, guiando o carro pelas ruas. — Você estava de baixa guarda, o plano dele era te pegar. Por sorte eu cheguei a tempo.
Espera, escutas? Eu não estava conseguindo assimilar nada daquilo. Me sentia a beira de um colapso mental.
— Não precisa passar pano pra mim, Sasuke. Eu deveria proteger Hinata e me deixei ser baleado, isso é vergonhoso. — contestou e eu sentia meu peito se contrair sempre que ele falava, tinha a impressão que devia doer horrores.
Eu permanecia acompanhando o diálogo, enquanto acalmava Sakura.
— Quem é Toneri, afinal? O que ele quer e por que o Naruto foi morar no apartamento da Hina e não contou que já a conhecia? Aliás, o que vocês dois são para início de conversa? Por que estamos indo sabe-se lá pra onde só com a roupa do corpo, droga! — Sakura gritou, furiosa.
Respirei fundo, queria parar o carro e abraçá-la, mas Sasuke andava enlouquecido pelas ruas.
— É uma longa história... — Sasuke olhou pelo retrovisor, buscando a aprovação de Naruto com o olhar.
— Conta tudo, eu mesmo faria isso, se falar não fosse tão difícil para mim no momento. — e grunhiu mais uma vez.
— Isso mesmo, já passou da hora de vocês explicarem que merda está acontecendo. Eu não posso ir embora assim, eu preciso trabalhar, tenho um apartamento para quitar, o que vocês esperam que eu faça? — retruquei, irada — Sakura não tem nada a ver com isso, por que a trouxeram?
— Quando souber de quem é filha, não se importará com sua vida de antes. — Sasuke informou — E agora Sakura estará mais segura conosco, alguém pode querer machucá-la para obter informações suas.
— Foi por isso que se aproximou de mim? — Sakura o encarou de lado e eu preferi não falar nada, apesar de estar louca para entender o que ele quis dizer com "quando você descobrir de quem é filha", por exemplo.
Eu estava até que calma demais diante daquela situação nada ortodoxa, o que era estupidamente estranho. Na certa, quando minha ficha realmente caísse, eu me embolaria em posição fetal e choraria até acabar todas as minhas lágrimas.
— Não, não foi... — negou e ela virou o rosto, podia sentir que estava quase chorando. — Eu me encantei por você quando a vi com o Naruto, a loucura toda sobre proteger Hinata veio depois — explicou e ela assentiu.
— Quem é você? — Sakura indagou e senti-me desconfortável por ouvir aquela conversa que deveria ser íntima.
Só que, ei, eu era um alvo? Quem era o louco que estava atrás de mim?
— Eu me apaixonei por você verdadeiramente, mas não podíamos contar a verdade. Toneri é um chefão do crime do Japão, a Interpol está atrás dele faz anos. Agora ele tem o plano de sequestrar Hinata para pedir um resgate altíssimo à família rica dela. Como vocês são amigas, é provável que Toneri tente te machucar para obter informações. Por isso eu me mantive perto, para te proteger — ponderou cautelosamente.
— Que família rica? — minha voz subiu uma oitava pela surpresa. — Vocês são policiais à paisana? — tentei ligar os pontos.
— Deixa que eu conto, Sasuke — Naruto propôs e foi falando: — Sim, somos investigadores da polícia do Japão e estamos na força tarefa da Interpol de prender Toneri de uma vez por todas. Você é filha de um grande magnata do Japão, infelizmente ele faleceu de um problema no coração dias antes de você nascer. Sua mãe te registrou com o sobrenome do seu pai porque seu avô não aceitava a gravidez da filha. Ficando muito debilitada no parto, tanto que acabou falecendo também. Sinto muito. — exalou — Você foi dada para a adoção pelo seu avô por parte de mãe ainda bebê, quando seu tio soube que o irmão teve um filho. Tentou te localizar, mas seu rastro esfriou. Ele não sabia se você era menino ou menina, não sabia o nome, não fazia a mínima ideia de onde começar a procurar... — Naruto explicou, em meio a chiados, como uma interferência no sinal. Ele parecia buscar forças para explicar-me a situação — Sobre Toneri, ele é o cara mais barra pesada do Japão. Acho que plantou escutas na sua casa e sabia cada passo seu — e meu consequentemente. Até sobre sua decisão de dividir o apartamento. Ele precisava ter certeza de que você era a tal filha do ricasso. Toneri é completamente louco, ele matou meus pais e pretende fazer o mesmo comigo agora que descobriu o meu paradeiro. Principalmente por eu ser da polícia também — puxou o ar com força e eu tremia levemente, encarando-o em silêncio, enquanto a pouca luz advinda da lua bruxuleava dentro do carro, tornando o momento ainda mais obscuro. — Toneri quer pedir um resgate para o seu tio, assim que te sequestrar. Me aproximei de você para chegar até ele primeiramente. Mas o foco do Sasuke sempre foi te proteger. Me desculpe não ter falado nada sobre nosso passado, eu queria que você lembrasse sozinha. Aliás, eu quis pelo menos te contar sobre sua família e sobre o sequestro. Só que Sasuke achava que você surtaria e pioraria as coisas... Sinto muito — Naruto gemeu.
Eu não sabia o que estava sentindo, um misto de alegria com desespero.
Eu tinha uma família! Mas meus pais já morreram... O cara que eu abriguei é meu amigo de infância, que veio morar comigo para pegar o bandido que matou seus pais e quer me sequestrar. Ele claramente está magoado por eu não me lembrar dele. Agora está baleado no meu colo... Foi quando eu finalmente desabei, deixei as lágrimas grossas e gordas que estavam presas em meus olhos finalmente escorrerem. Firmes. Como torrentes.
— Você mentiu pra mim, tudo o que disse até agora foram mentiras. Você veio com aquele papo de ajudar sua amiga e essa tal amiga era eu. Por que não jogou a real logo? Ficou de joguinhos pra cima de mim. Sabe o quanto eu me senti culpada por não me lembrar de você? — funguei — Você me beijou e se aproveitou da situação enquanto eu corria perigo. Você devia ter me contado se sente tanta consideração por mim assim. Não importa que seu amigo não deixou! — me alterei e fiz menção de socá-lo, só mudei de ideia por vê-lo já ferido.
— Eu não mereço perdão, eu sei — Naruto atestou, grunhindo novamente. — Isso não é tudo, foi premeditado, eu menti sobre não ter onde morar. Acabei te manipulando. — informou — Eu precisava que você confiasse em mim e me escolhesse ao invés da Shion. Porque eu sabia que assim chegaria até Toneri, através de você. E como você não queria um homem para dividir o apartamento, até afirmou diversas vezes. Eu precisei me sobressair, mesmo com tudo o que ia contra mim... — eu mordi o lábio assimilando as informações. — Existem outros pormenores, mas por hora acho que o essencial você sabe. Precisamos te manter segura até determos o Toneri. Então finalmente você poderá conhecer sua família. Seu tio e seus primos... — nesse momento eu o cortei.
— Chega! — gritei, como um animal ferido. — Você me usou, mentiu pra mim, mentiu pra Sakura, ganhou nossa confiança e sequer se preocupou em contar a verdade antes de... — deixei a frase morrer.
Só que Naruto não se calou, ele continuou a falar e falar, cravando uma adaga afiada no meu coração a cada nova declaração que saia de sua boca.
— Você precisa saber de tudo antes e se me odiar pelo resto da vida, eu aceitarei. — e, apesar de dificultoso esse ato, sua voz soou mais firme do que antes dessa vez. — Eu troquei meu nome para Toneri não me achar com facilidade, pensei que se soubesse de mim viria atrás. Sabendo que mais hora ou menos hora eu iria querer me vingar dele... — exalou, gemendo. — Pode me odiar se quiser, mas você deve confiar que te manteremos segura. O que não será fácil, pois ele comprou quase toda a polícia do Japão. Nossa missão agora é entregá-la em segurança para sua família e prender Toneri, do contrário ele vai atrás da sua família até conseguir o que quer, dinheiro.
— Para esse carro... — inicialmente minha voz soou como um sussurro sofrido. — Para essa droga de carro, não quero ficar no mesmo lugar que um mentiroso. Dois, na verdade. — eu ri irônica. — Não há desculpas para terem mentido, não importa o que digam! — dessa vez, minha voz soou como um trovão. — Não vou ficar ao lado de dois mentirosos, eu nem conheço vocês, como saberei que não estão mentindo de novo agora? Seus bando de arrombados, mentirosos de uma figa! — e me dirigi ao Naruto. — Achei nossa foto juntos, eu e você no orfanato. Você ficou chateado por que eu esqueci o que vivemos naquele maldito orfanato? Eu era uma criança, droga. Só uma criança que sonhava em ser adotada! Nunca mais quero ficar perto de você. Não preciso dessa proteção mentirosa. Eu vou sair daqui... — e estava quase abrindo a porta do carro em movimento, quando Naruto me segurou.
— Por favor, para... — pediu, quase chorando. — Eu só quero te proteger, acredite em mim... Por favor, me perdoa!
Senti meu coração trincar.
— Você não é mais o Menma, aquele garotinho adorável que sempre me protegia — funguei, sem forças. — Você é um mentiroso... Você, você... — e minhas forças se esvaíram, ao passo que eu me jogava no banco do carro, querendo morrer.
— Tem razão, não sou mais o Menma, ele morreu quando eu fiz dezoito anos e decidi investigar a morte dos meus pais. A partir desse momento nasceu o Naruto que não merece nada de bom da vida, muito menos o seu perdão. — com isso ele se virou, encolhendo-se no banco, ainda pressionando a barriga.
Ao passo que Sakura deslizava no assento da frente, exausta.
Parecíamos ter saído do hospício. Aquela noite infernal não queria ter fim e eu só queria chorar. Até esquecer completamente a verdade que estavam me fazendo engolir, como um veneno que me matava lenta e vagarosamente.
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