Destinos Entrelaçados
6 Capítulo 6 - Prorrogação
Mais tarde, naquele mesmo dia, depois do conturbado jogo na casa dos Tsukiyomi, os Guardiões voltaram para suas casas, separando-se no meio do caminho por seguirem direções diferentes. E agora, Nagihiko acompanhava Tadase até a casa dele também.
– Nossa, você não precisava ter vindo até aqui comigo, Fujisaki-kun... sua casa nem é pra esse lado!
– Não se preocupe, não tem problema. Eu disse que queria te acompanhar, não foi? — o Valate respondeu simplesmente
– Bem, sim, mas... já está escuro, pode ficar perigoso pra você voltar pra casa sozinho depois... além do mais, nós poderíamos muito bem ter vindo andando, não precisávamos pegar trem, a casa da Utau-chan nem é tão longe assim! — o loiro insistiu, sentindo-se um tanto culpado
– É verdade, poderíamos, mas de trem é mais rápido — Nagihiko rebateu — Além do mais, acha mesmo que eu te deixaria ir pra casa sozinho de noite depois do que aquela otaku louca fez com você?!
– Céus, você ainda está pensando nisso? — Tadase murmurou, corando levemente com a recordação — Ela nem está aqui agora, esqueça isso Fujisaki-kun!
– Não esqueço não — ele teimou — Eu sei que ela só fez isso por causa do jogo, mas aquela garota parecia que estava era se divertindo com isso... além do mais, vai saber se não tem algum outro lunático que nem ela nesse trem?!
– Não acho que existam tantas pessoas assim lunáticas como ela no mundo — Tadase ponderou
– É, eu espero mesmo que não — Nagi resmungou para si mesmo. Em seguida o trem fez uma parada em uma estação, e os três outros ocupantes do vagão além deles desceram para a plataforma. O tem voltou a andar alguns segundos depois, e Nagihiko perguntou-se se deveria aproveitar a oportunidade, enquanto encarava Tadase com o canto dos olhos, que agora olhava tão distraidamente pela janela que nem parecia ter percebido que estavam sozinhos — Nee Hotori-kun... você viu que os últimos passageiros acabaram de saltar do trem?
– Humm? Ah, é verdade — Tadase desviou os olhos da janela e olhou ao redor, percebendo que de fato não havia mais ninguém naquele vagão — Nós estamos... ahh... e-estamos sozinhos agora — ele tornou a corar ao perceber esse fato
– Isso mesmo. Você não quer aproveitar que não tem mais ninguém aqui... pra continuarmos com aquela "comemoração" de antes? — Nagihiko sussurrou no ouvido do loiro, fazendo o menor se arrepiar por completo
– A-A-Aqui?! N-Não tem... problema? — Tadase indagou, desviando o rosto, envergonhado
– Não tem mais ninguém aqui pra servir de platéia, então não vejo problema algum — Nagi aproximou-se mais e assoprou o pescoço dele dele, causando outro forte arrepio no Rei — Ou você... não quer?
– N-Não é isso! — Tadase apressou-se a dizer — Só... etto... s-só não vá muito longe dessa vez, está bem?! E-Estamos em um local público afinal!
– Ehh... mas, se eu pegar leve, não vai parecer uma comemoração — Nagihiko reclamou, como uma criança fazendo manha. Ele deslizou o dedo indicador pelas costas de Tadase, que sentiu outro arrepio, e deixou escapar um gemido baixo — Hahahahaha você tem mesmo um corpo muito sensível, Hotori-kun! Eu mal encostei em você, e você já ficou assim?! — o Valete riu, levando uma das mãos à boca numa tentativa de controlar suas risadas, sem muito sucesso.
Tadase o observou calado por um momento, os olhos fixos no rosto do mais alto. Nagihiko tinha um sorriso tão doce, tão lindo... vê-lo rindo desse jeito, com uma das mãos cobrindo os lábios como um sinal de repreensão lhe lembrava muito Nadeshiko, era verdade, mas isso não importava no momento. Era como se tanto Nagihiko quanto Nadeshiko estivessem diante dele agora... uma mistura perfeita dos dois amores de sua vida. E de certa forma era verdade mesmo. Tadase levou uma das mãos até o rosto do Valete, tocando os lábios macios e rosados dele de leve com a ponta dos dedos. Nagihiko ofegou, surpreso com o toque, e parou de rir, encarando o menor um tanto espantado com suas ações.
– Não pare de rir. Sorria pra mim de novo, Fujisaki-kun — Tadase pediu, mas isso só fez com que o maior corasse mais intensamente — Sabe... quando você ri desse jeito, me lembra muito a Fujisaki-san. Mas eu até que gosto quando isso acontece... porque assim parece que estão os dois aqui comigo. Tanto a Fujisaki Nadeshiko-san, que é a pessoa por quem me apaixonei primeiro, quanto o Fujisaki Nagihiko-kun, que é a real forma da pessoa que eu amo, e o verdadeiro amor da minha vida. Eu amo muito seus dois lados, então... nunca deixe de sorrir pra mim, está bem? — o loiro falou, sorrindo timidamente, e sentindo seu rosto corar cada vez mais ao admitir isso. Ele pressionou os lábios do Valete usando os dedos com um pouco mais de força, sem machucá-lo é claro, e aproximou seu rosto mais alguns centímetros do dele, parando subitamente antes que pudesse tocá-lo — Nee... por que você não pára com essas gracinhas, e essa idéia de querer me provocar, e... me b-beija de uma vez?
– Ahh... t-tem certeza de que não tem problema? N-Nós... estamos em um trem afinal — Nagihiko arregalou os olhos, surpreso com o pedido do Rei, e desviou o olhar dele, envergonhado
– Ora, não era você quem estava querendo "comemorar"?! S-Se quer fazer isso, então ao menos faça direito! — Tadase também desviou os olhos dele, corando ainda mais intensamente do que o Valete — Além do mais... s-se for bem rapidinho, não tem problema, não é? Ninguém vai ver
– Hai, hai... como quiser, Majestade — Nagihiko inclinou a cabeça, fingindo uma reverência — Então, com sua licença, meu Rei — Tadase voltou a encará-lo, pronto para dizer que Nagi não precisava chamá-lo assim quando ele não estava no Chara Change, mas foi surpreendido ao sentir as mãos firmes do Valete segurando seu rosto, uma de cada lado, e tomando seus lábios para si. O loiro sentiu seu coração dar uma série de cambalhotas, enquanto seu rosto enrubescia drasticamente ao sentir aqueles lábios tão doces e afáveis tocando os seus, com a mesma delicadeza e ternura com as quais já estava acostumado. Mesmo que Nagihiko fosse mais do que genti dom ele nessas horas, sempre era mais do que suficiente para provocar as sensações mais variadas no pequeno corpo do Rei. Tadase sentiu as mãos de Nagi se movimentando lentamente, a direita deslizando de seu rosto até seus cabelos loiros, afagando-os carinhosamente, enquanto que a esquerda descia da bochecha para o ombro, passando pelas costas, e de lá para a cintura, abraçando-o com um pouco mais de força, e aproximando mais seus corpos. Nagihiko tocou os lábios dele de leve com a ponta da língua, pedindo permissão para aprofundar o beijo, e Tadase os entreabriu mais um pouco, abrindo caminho para a língua do Valete, que adentrou sua boca mais que rapidamente, explorando cada pedacinho de sua cavidade bucal. Sentiu as mãos do loiro se movendo também, uma delas apoiando-se em seu ombro, tremendo levemente de nervosismo, enquanto que a outra o abraçava pelas costas, acariciando seus cabelos afetuosamente. Tadase entreabriu um pouco mais os lábios, pois sabia que, sempre que fazia isso, Nagihiko dava um jeito de aprofundar ainda mais o contato entre eles, mas, ao invés disso, sentiu apenas o Valete empurrá-lo para longe, encerrando o beijo repentinamente, e virando o rosto para o outro lado, parecendo nervoso e extremamente embaraçado. Tadase o encarou por alguns segundos, entre confuso e magoado, perguntando-se se tinha feito alguma coisa de errado. Quando abriu a boca para reclamar e perguntar porque Nagihiko tinha interrompido o beijo, ouviu uma voz perto dele resmungando:
– Céus, essas crianças de hoje em dia não têm mais um pingo de vergonha na cara! Fazendo uma coisa dessas em um local público... essa menina devia ao menos arranjar um namorado da idade dela ao invés de sair agarrando garotinhos por aí! Oh céus, é mesmo o final dos tempos! — uma velha senhora, que adentrou o trem sem que eles percebessem, sentou-se de frente para os dois, de mãos dadas com uma garotinha de uns cinco anos de idade
– Sério, vovó? Mas eu podia jurar que aquela pessoa mais alta era um garoto — a menininha falou em dúvida, encarando Nagihiko fixamente
– Ora, não diga besteiras! Pelos céus, dois garotos fazendo isso, é o cúmulo do absurdo!! — a mulher ralhou — Já te falei que garotos não fazem essas coisas entre si, minha neta, então pare com essas asneiras! Olhe bem para o rosto delicado e os cabelos longos daquela pessoa, é claro que é uma menina! Uma menina indecente e pedófila, mas uma menina!
– O que é pedófila, vovó? — a garotinha indagou curiosa
– N-Não é algo que crianças devam saber, agora fique quietinha, ouviu?! — a velha senhora desconversou — E escute bem, minha neta, não ouse seguir os maus-exemplos dessas mocinhas indecentes que vemos por aí àfora, ouviu bem?! Ou melhor, nem olhe pra esse casalzinho precoce, entendeu??
– Sim, eu entendi, mas... o que é precoce, vovó? — a menina tornou a perguntar
– Já falei pra ficar quieta! Agora seja uma boa menina e vá ler suas historinhas em silêncio! — a velha senhora exclamou nervosa, enterrando o rosto em um jornal, ainda resmungando sobre como as crianças de hoje em dia eram precoces. A garotinha abriu a mochila cor-de-rosa que carregava e tirou dela uma edição do mangá Princess Princess (que a avó provavelmente pensava ser sobre alguma Princesa e Contos de Fada, sem nem ao menos suspeitar do conteúdo yaoi que ele possuía) e começou a ler, se calando também
– E-Então foi por isso... que você parou — Tadase murmurou, encarando a velha senhora e a garotinha, abismado. Não tinha nem percebido quando o trem parou em outra estação, muito menos visto a as duas embarcarem no mesmo vagão que eles
– S-Sim... desculpe — Nagihiko respondeu baixinho, ainda envergonahdo por ter sido flagrado — M-Mas parece que existem algumas vantagens em eu parecer uma menina, não é? Aquela mulher não percebeu que somos... dois garotos — ele encarou Tadase com o canto dos olhos, sorrindo sem graça — Embora a menina pareça estar desconfiada — ele tornou a desviar os olhos do Rei, sussurrando para si mesmo ao perceber que a garotinha ainda desviava os olhos do mangá de vez em quando para observá-los, com curiosidade evidente
– Bem, sim... apesar da senhora ter pensado que eu sou só um garotinho mais novo do que você. Droga, e pensar que eu sou o mais velho... — Tadase reclamou, fazendo um adorável biquinho — Mas... é uma pena que essa senhora e a garotinha tenham embarcado agora. Nós... t-tivemos que parar... justo quando estava... f-ficando bom — ele sussurrou tão baixo que Nagi teve que se aproximar mais um pouco para ouvir
– Não se preocupe, Hotori-kun, continuaremos com isso outro dia — Nagihiko respondeu, depois de se recompor de seu breve estado de embaraço — Além do mais, nós temos que descer agora
– Descer?! Pra onde?? — Tadase olhou em volta confuso, como se procurasse uma escada ou coisa parecida
– Descer do trem, é claro! É a nossa estação, Hotori-kun! — Nagihiko levantou-se de um salto, e puxou Tadase pela mão, guiando-o para fora do trem.
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E mais tarde, naquela noite, de volta ao apartamento de Utau...
– Você tem mesmo certeza de que vai fazer isso??
– Mas é claro que tenho, Utau-chan! Foi a consequência que eu recebi afinal, e sou uma pessoa de palavra, não fujo de desafios ou obrigações impostas á minha pessoa! Se o Ikuto-kun quer que eu durma essa noite no quarto dele, então eu farei isso e pronto! — Shiori respondeu, sem dar à devida importância ao assunto. Ela já tinha se trocado para dormir, agora vestia uma uma camisola rosa-claro, com mangas curtas, e que ia até os joelhos, com muitas rendas na cor preta, e estava se preparando pra ir "cumprir sua consequência"
– Ano nee... você sabe o quão pervertido o Ikuto pode ser, não sabe? — Utau lhe lembrou pela décima vez — Não vá reclamar depois se você for molestada no meio da noite ou coisa parecida, ouviu?!
– Daijobu, daujobu... vai ficar tudo bem, Utau-chan! — ela deu de ombros, sorridente demais para a situação que lhe aguardava — Já disse que sei me virar, não foi? E você também, não vá me culpar se eu voltar à aprisionar seu irmão no mundo de ilusões caso ele me ataque de noite, ouviu?!
– Desde que você liberte ele na manhã seguinte...
– Combinado! Demo nee... é meio estranho ver você me dando todos esses avisos sobre o Ikuto-kun. Até faz parecer que você está preocupada comigo — Shiori desviou o rosto, tentando esconder a repenina onda de alegria que invadia seu peito — Isso me deixa um pouco... talvez muito... feliz
– Você é uma garota bem solitária mesmo, hein... mas esqueça isso! Você é minha nova irmãzinha agora, então é natural se preocupar! — Utau exclamou — Agora, se você vai pro quarto do Ikuto, vá logo, antes que eu acabe interferindo nessa história!
– Hai, hai! E você vai ter que dormir sozinha hoje, gomen nee... — Shiori falou, voltando a encará-la sorridente — Então, boa noite, Utau-chan!
Shiori encaminhou-se para o quarto de Ikuto, e entrou sem fazer cerimônia alguma.
– Meus cumprimentos, meu irmão de mentira! Vim cumprir minha consequência, como me foi ordenado! — ela falou, levando a mão à cabeça, imitando um soldado
– Ehh então você veio mesmo... já estava pensando em ir te buscar — Ikuto respondeu, já sentado na cama, folheando uma revista com conteúdo um tanto suspeito. A luz da lua entrava pela janela aberta, refletindo-se em seus cabelos azulados, bem como em seu peito nu, já que o rapaz estava sem camisa
– Espera aí, por que você não está vestindo nada pra esconder esse seu peitoral bombado, hein?! Pode vestindo alguma coisa!
– Eu não. Sempre durmo assim, por que teria que ser diferente hoje? — ele indagou, virando uma página da revista
– Porque eu também vou dormir aqui hoje. Se quiser que eu durma nesse quarto, é melhor vestir alguma coisa, nem que seja uma camiseta, porque eu não vou dormir ao lado de um garoto semi-nu! — ela agarrou a primeira camisa que viu (já que haviam muitas roupas espalhadas pelo quarto) e atirou na cara do garoto, que reclamou, mas acabou vestindo, deixando a revista de lado — Então... por acaso dormir na mesma cama que você fazia parte da consequência?
– Claro que sim — ele respondeu, encarando-a com aquele sorriso pervertido de sempre — Envergonhada?
– Não... já imaginava que seria assim, só quera ter certeza — ela respondeu, fingindo não se importar — E você já sabe né? Encoste um dedo em mim e eu volto a te prender no mundo de ilusões! Certo, Mabo-chan?
– Hai, hai... ainda não acho uma boa idéia você dormir aqui, Shiori, não quer desistir dessa idéia?! Ainda dá tempo! — a Chara da garota exclamou
– Pois eu digo o mesmo ~nya! Ikuto, essa garota era sua inimiga até pouco tempo atrás... ela aprisionou você, e me sequestrou ~nya! Desista dessa idéia enquanto é tempo ~nya! — Yoru exclamou ao lado do dono
– Mas não mesmo! — o garoto teimou — Não esquenta a sua cabecinha com isso não, Yoru, já disse que vai ficar tudo bem
– Droga, é você que perde a cabeça quando se trata de garotas ~nya — o Chara resmungou — Ahh não quero nem saber! Vou dormir que é melhor ~nya! — ele se refugiou em seu Shugo Tama, ainda irritado com o assunto
– Boa noite pra você também, seu mal-educado! — Ikuto gritou
– Então vou dormir também, Shiori... me chame se esse cara começar a abusar de você ou coisa parecida — Maboroshi também se abrigou em seu Shugo Tama, bastante sonolenta depois desse dia agitado
– Hai, hai! Pode deixar que eu chamo sim! Boa noite, Mabo-chan! — Shiori exclamou, novamente sem dar a devida importância ao assunto
– Boa noite! — a Chara gritou lá do ovo
– Então, vamos dormir também! Boa noite, Ikuto-kun! — Shiori apagou a luz, e também deitou-se na cama, ficando na ponta, de modo que não encostasse nem um dedo no rapaz
– Nee... você não está mesmo com nem um pouco de medo, ou nervosa por estar aqui? — Ikuto perguntou, virando o rosto para encará-la — Quero dizer, você sabe muito bem a reputação que eu tenho... e mesmo depois de todos esses avisos da sua Shugo Chara... aposto que até a Utau deve ter te alertado sobre mim
– É verdade, ela alertou — Shiori confirmou — Mas eu não sou uma covardezinha qualquer, não tenho medo de você
– Mentirosa!
– Convencido!
– Prepotente!
– Aff... por que eu deveria ter medo de você afinal? — Shiori perguntou, suspirando cansada — Somos irmãos, não somos?
– Sim, mas... não temos o mesmo sangue, você sabe
– Não me lembre disso — ela pediu, desviando o rosto — Sabe... quando vocês me convidaram pra vir pra cá... não tenho nem palavras pra descrever o quanto fiquei feliz com o convite
– Ahá! Sabia que tinha ficado feliz em dormir comigo! — Ikuto exclamou, abrindo um sorriso tão grande quanto o do Gato de Cheshire
– Não foi isso que eu quis dizer, seu tonto! Não estou falando de vir para o seu quarto! — ela gritou aborrecida — Estou falando... de ter vindo passar o verão com vocês. Porque, você sabe... minha família está toda despedaçada agora. Minha mãe me criou sozinha, mas ela passava tanto tempo fora trabalhando pra me suspentar que ela quase nunca tinha tempo pra mim... ela saía de casa cedo, e chegava tarde, quando eu já estava dormindo, então eu praticamente fui criada pela Mabo-chan, que era a única que estava sempre comigo... e então, mamãe adoeceu e faleceu subtamente, me deixando sozinha. E meu pai... você sabe. Ele não gosta de mim... não liga a mínima pra minha existência... não é nem que ele me odeie, ele... ele não se importa nem um pouco, é como se eu não existisse pra ele. Mesmo ele tendo aparecido depois da morte da mamãe, ele... no fim das contas, só queria me usar pra derrotar vocês e os pirralhos Guardiões... ele nunca se importou realmente comigo. É como o Chibi King falou durante o jogo... sou tão imprestável que nem o meu próprio pai, que é chefe de uma Companhia com objetivos obscuros como a Easter, quis saber de mim. Mesmo eu estando morando com meus tios agora... não é a mesma coisa. Eu mal os conheço, só os via durante o Natal, e essas datas comemorativas, quando todos se reunían, então estamos longe de ser uma família feliz. Mas então, você e Utau-chan passaram a falar comigo mesmo depois de tudo que aprontei... vocês não apenas me perdoaram, como também me convidaram pra vir pra cá. Eu sei que meu pai é apenas padrasto de vocês, mas... assim faz parecer que somos irmãos, então... é como se eu tivesse... uma família outra vez. Até os pirralhos Guardiões eu reencontrei, mesmo que a maioria deles não tenha ido com a minha cara... mas quando nos reunimos todos hoje, e jogamos e rimos juntos, foi... como se eu tivesse... amigos — ela cobriu os olhos com as mãos, impedindo que lágrimas iminentes escapassem de seus olhos, completamente incapaz de forçar um sorriso
– Ano nee... primeiro, você não deveria dar ouvidos ao que o Tadase fala quando se transforma, ele só diz asneiras quando está no Chara Change, não sei como aquele travesti aguenta. E segundo... você realmente ainda não percebeu, Shiori? Não é como se você tivesse família ou amigos... você realmente os têm agora — Ikuto falou, estranhamente sério — Bem, não posso garantir quanto à pirralhada, mas... ao menos aquelas fedelhas Guardiãs parece que foram com a sua cara. E, é claro, que eu e a Utau também. E outra coisa: Aquele pirralho travesti já te disse isso uma vez, não disse? Se você quiser chorar, então chore de uma vez, não é bom ficar segurando as lágrimas
– Não... e-eu não vou chorar. Estou tão feliz por estar aqui com vocês... n-não tenho motivos pra chorar — ela teimou, pressionando os olhos com mais força, e forçando um sorriso
– Nunca ouviu falar que as pessoas também choram de alegria? — ele perguntou
– Não... eu nunca chorei de alegria, então não sabia disso — a garota respondeu, finalmente reassumindo o controle de seu corpo e tirando a mão dos olhos
– Ahh cara, você é mesmo uma pirralha muito estranha, sabia?
– Hahahahaha... é o que todos me dizem — ela riu sem graça
– Finalmente voltou a rir, hein? Você fica com uma cara muito esquisita quando está séria ou triste. Não combina com você — Ikuto virou-se na cama, jogando um dos braços por cima do abdômen dela e abraçando-a
– Ei, o que pensa que está fazendo, seu pervertido? Eu disse pra não encostar nem um dedo em mim, não foi? — ela exclamou, erguendo uma sombrancelha
– Eu não estou encostando um dedo, estou encostando a mão inteira. E tecnicamente estou tocando a sua roupa, e não em você — Ikuto respondeu, com a maior cara lavada do mundo, de olhos fechados e fingindo sonolência — Além do mais, eu estou acostumado a dormir abraçado com meu ursinho de pelúcia, mas ele está na lavanderia agora. Então você será uma substituta essa noite
– Você não tem cara de alguém que tem ursinho de pelúcia... — ela comentou desconfiada, com uma gota na cabeça
– E não tenho mesmo. Eu menti. Mas senti uma vontade enorme de dormir abraçado à alguma coisa hoje. Não vai negar o desejo do seu irmão mais velho, vai?
– Isso também faz parte da consequência? — Shiori perguntou
– Pode considerar que sim
– Então não tem outro jeito... mas é só hoje, ouviu?! Não vá ficar mal-acostumado, seu gato preguiçoso! — ela exclamou, virando-se de frente para ele conformada, e se acomodando entre os braços do rapaz, que apertou um pouco mais o abraço, tornando-se surpreendentemente carinhoso — Boa noite, Ikuto-kun... durma bem — Shiori murmurou sonolenta, adormecendo quase que imediatamente, sem conseguir ouvir a última frase que o rapaz disse naquela noite.
"- Acho que também fiquei feliz... por você também ter vindo pra cá afinal."
*** Próximo Capítulo: Tarefa ***
Notas finais
Aí estão a comemoração e a consequência que vcs tanto queriam ver... e aí, o que acharam? Eu devo dizer que morri de rir enquanto escrevia aquela parte da velhinha e da garotinha discutindo no trem, me diverti mais com isso do que com a comemoração em si kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
E a consequência da Shiori, o que vcs acharam? Estou muuuito ansiosa pra saber a opinião de vocês, então por favor, sejam sinceros!
Leiam minhas outras fics também onegai!!!
Fic Tadahiko:
http://fanfiction.com.br/historia/223745/Kizuna/
Fic de Shugo Chara na Idade Média:
http://fanfiction.com.br/historia/266701/Monochrome_Love/
Fic Tadahiko que estou escrevendo junto com a Shiroyuki-chan:
http://fanfiction.com.br/historia/198965/Yakusoku/
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Kissus e até semana que vem ^__^
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