Destinos Entrelaçados
23 Capítulo 23 - Flashback
– Ehh? Tennousu-san está doente?!
– Bem, eu não diria exatamente doente, mas.... etto... ela está meio que em um estado inconsciente, está dormindo há dois dias, então... enfim, ela não pode vê-los agora — Utau respondeu à pergunta de Tadase, que nesse momento se encontrava parado à porta de seu apartamento, atônito com a novidade, ao lado de Nagihiko, que por sua vez divagava se o estado atual da garota se devia aos acontecimentos do pockygame
– Nee Utau... o que realmente aconteceu com ela? — Nagi indagou — Quero dizer, se ela está dormindo por dias... isso se parece com...
– Sim, é como a vez em que ela nos prendeu naquele mundo ilusório — a cantora confirmou — Só que dessa vez é ela quem está lá, e por vontade própria. Parece que ela pode remodelar os cenários daquele mundo ao seu bel-prazer, e agora criou o ambiente perfeito para viver o sonho dela através de uma ilusão. Pelo menos foi isso que a Maboroshi nos contou
– E... como ele reagiu quando soube disso? — Tadase perguntou timidamente, indicando Ikuto com a cabeça, que estava sentado no sofá com uma cara de concentração nunca vista antes, completamente alheio à conversa deles
– Ele tem pensado muito no que fazer quando a Shiori-chan acordar... acho que o Ikuto está usando mais o cerébro agora do que já usou em toda a vida — Utau deu uma risadinha sem graça — Bem, qualquer novidade eu aviso vocês, não se preocupem.
Os dois se despediram da garota brevemente, e deixaram o prédio. Caminharam pelo parque por alguns minutos em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos, até que se sentaram em banco próximo.
– Nee Fujisaki-kun... por que as pessoas têm tanta facilidade de perceber os sentimentos dos outros, mas não conseguem perceber os seus próprios sentimentos? — Tadase perguntou depois de algum tempo em silêncio, ainda cabisbaixo — Tennousu-san percebeu tão facilmente o que nós sentíamos um pelo outro... ela notou isso antes mesmo que eu me desse conta de meus verdadeiros sentimentos por você. E mesmo eu sendo... essa pessoa desligada, e ingênua... até mesmo eu posso perceber que ela parece gostar do Ikuto-niisan... e acho que ele também parece gostar dela, mas... mas então por que ela mesma, que sempre pareceu ser tão esperta e experiente nesse tipo de assunto, tem tanta dificuldade em lidar com isso? Porque ela não se dá conta de suas próprias emoções... e nega veementemente quando insinuamos que é isso que está acontecendo?
– Essa é uma pergunta complicada... mas acho que é muito mais fácil lidar com esse tipo de assunto quando você é apenas um expectador, e observa tudo de fora, sem se envolver diretamente, do que quando você é o protagonista da história — Nagi respondeu, um tanto surpreso com a pergunta do loiro — Não apenas a Shiori, mas também a Utau, a Rima-chan, e até a Yaya-chan se intrometeram nas nossas vidas, tentando interferir e criar situações inusitadas para nos aproximarmos um do outro, mas elas só fizeram isso porque eram expectadoras. É muito mais complicado quando você... está vivendo aquilo... e agora a Shiori está descobrindo isso da pior maneira possível. Ela é esperta, e mais velha do que a gente, então já deve ao menos ter se dado conta do que sente pelo Ikuto. Mas, como você sabe, ela... bem, quando à conhecemos, ela era nossa inimiga. Depois, ela acabou se tornando uma amiga, principalmente dele e da Utau... embora eu não á considere exatamente como uma amiga, pra mim ela ainda é uma intrometida cara-de-pau... mas, pelo fato do pai dela ser padrasto do Ikuto e da Utau, ela passou a tratar aqueles dois como irmãos, e agora isso acontece... claro que eles não são irmãos de sangue, nem sequer foram criados juntos, mas ainda assim deve ser complicado pra ela. Você sabe, garotas são mais sentimentais quanto à essas coisas... eu sei disso melhor do que ninguém, já que passei boa parte da minha infância me fingindo de menina, e até fui realmente uma por alguns dias, mesmo que por meio de uma ilusão criada por ela. Eu... quando era a Nadeshiko, e percebi que tinha me apaixonado por você... eu realmente entrei em desespero. Acreditei que você jamais me amaria de volta, e mesmo quando você disse que gostava de mim, eu pensei que esse sentimento iria se perder quando voltasse ao normal... conheço muito bem o tamanho da dor de sentir um amor proibido não-correspondido... e como a Shiori parece estar em uma posição em que sente como se estivesse cometendo incesto, eu... faço uma idéia do que ela está passando agora
– Isso é tão injusto... mesmo quando era nossa inimiga, ela de certa forma nos ajudou a ficarmos juntos, então eu queria poder fazer alguma coisa por ela... queria poder retribuir o favor, mas... simplesmente não vejo como poderia fazer isso — Tadase torceu as mãos uma na outra nervosamente, um tanto aflito — Queria tanto poder ajudar... a pessoa que nos ajudou
– Eu entendo. Mesmo não indo com a cara dela, às vezes tenho vontade de interferir também, nem que seja só pra ela sentir o gostinho de ter outras pessoas se metendo em sua própria vida... — Nagihiko deixou escapar, quase se esquecendo sobre o assunto principal — Mas não tem nada que possamos fazer agora que ela está dormindo no mundo de ilusões. O jeito é esperamos ela acordar... então, vamos pensar em alguma coisa pra fazer enquanto isso, ok? — ele sorriu para Tadase, estendendo a mão para ele, que a segurou e retribuiu o sorriso timidamente, e um pouquinho mais animado. Os dois se levantaram e continuaram o passeio, sem soltar as mãos.
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No mundo de ilusões criado por Shiori, os cenários, personagens e cenas começavam a se confundir e a se misturar uns com os outros. Em um momento, ela via a ilusão de seu sonho realizado, ela era uma criança completamente feliz, com um pai, uma mãe, e irmãos ao lado dela, era uma menina com uma família grande, unida e feliz, como sempre desejara. No entanto, vez ou outra essa imagem se dissolvia, dando lugar à uma outra: Neste cenário alternativo, ela voltava a ser a garota de quinze anos que realmente era. Não tinha irmãos ou pais carinhosos ao lado dela, no entanto, possuia um homem atencioso que, à primeira vista, pareceria apenas um pervertido dissimulado qualquer, mas, para quem o conhecia bem, como ela, sabia que ele podia ser prestativo e surpreendentemente carinhoso à sua maneira, e o melhor, que tinha gostos parecidos com os dela, que adorava confusões e se intrometer na vida alheia, era um excelente parceiro para aprontar travessuras, sempre ao seu lado. Esse homem à amava incondicionalmente e era seu namorado. E se chamava Tsukiyomi Ikuto.
"- Eu devia ter percebido... devia ter notado que isso não daria certo desde o início... no momento em que ele foi me procurar."
*** Início do Flashback ***
Quatro meses atrás, em um bairro pequeno no interior de Kyoto, uma garota estava jogada em um sofá da sala há quase dois dias, sem levantar pra nada, e totalmente solitária naquela casa que, apesar de ser pequena, agora parecia enorme por estar vazia, e completamente sozinha, com exceção da presença de sua Shugo Chara, que rodeava a dona aflita.
– Nee Shiori... levante daí, vamos, você precisa reagir! Você tem faltado direto a escola, e não come nada há dois dias... você não pode ficar assim deprimida pra sempre!
– Não quero ir à escola... que diferença faz se eu falto ou não às aulas? Minha mãe não está mais aqui pra me dar bronca mesmo... ela se foi... até a mamãe me deixou sozinha — a garota murmurou num sopro de voz, tanto pela depressão quanto pela falta de alimento em seu corpo. Estava com um dos braços cobrindo os olhos, numa tentativa de esconder as lágrimas que cismavam em cair
– A questão não é essa, Shiori! — sua Chara Maboroshi exasperou-se — Você precisa ao menos comer alguma coisa, ou vai morrer de fome!
– Que diferença faz se eu vou morrer ou não... não tem mais nenhum membro da minha família aqui comigo. Minha mãe está morta, eu não tenho irmãos ou irmãs, e meu pai... não faço a menor idéia do que aconteceu com ele... ninguém sentiria minha falta se eu morresse agora mesmo... os pivetes da escola ficariam até felizes com isso — ela respondeu fracamente — Só sinto por você, Mabo-chan... se eu morrer, você perderá sua vida também, não é? Realmente me dói saber disso... acho que você é a única coisa que ainda me prende nesse mundo
– Não haveria motivo pra eu continuar vivendo se a minha dona se for afinal — a Chara respondeu cabisbaixa — Por isso que eu estou dizendo que você precisa reagir! Não por mim, mas por você mesma!
– Não quero... não vejo o menor significado em continuar lutando... eu já tenho quinze anos, logo logo me tornarei uma adulta e você vai desaparecer, e quando isso acontecer... eu perderei até a minha preciosa Shugo Chara... se eu te perder, aí sim não terei mais ninguém ao meu lado... e minha vida já não terá mais nenhum sentido — Shiori sussurrou tão baixo que Maboroshi teve que se aproximar mais para ouvir — Nee Mabo-chan... eu quero ir pra lá de novo... vamos fazer o Chara Nari agora
– O que?! M-Mas Shiori, você está muito fraca! Se você fizer o Chara Nari agora, seu corpo não vai aguentar!
– Não importa! Não importa o que aconteça ao meu corpo... o mundo de ilusões é o único lugar onde posso ver minha mãe de novo... se eu puder vê-la mais uma vez, nem que seja através de uma mera ilusão, então eu...
Nesse momento, as palavras da garota foram abafadas pelo som da campainha.
– Shiori, tem alguém na porta... é melhor atender — a Chara falou, tentando mudar o rumo da conversa
– Não quero...
– Deixe de fazer manha, Shiori! — Maboroshi repreendeu — Se você diz que está bem, e que não precisa comer, então prove e atenda a porta!
– Tá bem... — a garota se levantou à contragosto — Céus, você é tão severa comigo, Mabo-chan... parece até... a mamãe — Shiori abriu a porta e deu de cara com um homem de meia idade, vestindo um terno preto e de aparência falsamente cortês
– Boa tarde. Por acaso essa é a casa de Tennousu Karin? — o homem perguntou com um sorriso claramente falso
– É sim... mas ela não está, nem vai voltar pra cá. Se tem algum recado, pode dá-lo à mim. Se é algum cobrador, vá embora, eu sou menor de idade e não posso assinar nada
– Por acaso você seria... a filha dela? — o homem perguntou
– Exato... sou Tennousu Shiori — a garota respondeu sem emoção — Como eu disse, se o assunto é só com ela, desista, minha mãe se foi e não vai mais voltar. Ela está morta. Morreu há duas semanas. Por favor, vá embora e me deixe em paz
– Espere! — o homem exclamou antes que ela fechasse a porta — Lamento pela sua mãe... não fazia idéia de que ela tinha falecido. Bem, no entanto... o assunto que eu vim tratar é com você mesma... Shiori. Bem, não sei se a Karin falou de mim, mas... eu sou Hoshina Kazuomi... esse nome lhe diz alguma coisa?
– Kazuomi...? M-Mas esse é o nome do meu...!
– Exato. Você pode até não acreditar, mas... eu sou seu pai biológico.
Shiori sentiu como se o tempo tivesse parado. A última frase que o homem dissera ecoava em seus ouvidos repetidas vezes, mas seu cérebro parecia ter dificuldade em processar aquela informação. Sentiu como se seu coração tivesse falhado algumas batidas, mas rapidamente voltasse a pulsar num ritmo dolorosamente descompassado. A vontade de chorar havia voltado, mas ela se forçou a segurar as lágrimas dessa vez, únicamente por causa de um costume infantil que tinha de não chorar na frente de outras pessoas.
– Entre... — a voz dela saiu soprada, e um tanto falhada. Kazuomi adentrou a casa, sentando-se na cadeira mais próxima, e depois de fechar a porta, Shiori retornou ao sofá onde estava antes, sentando-se dessa vez — Que história é essa agora? Quer dizer que você ficou fora por quinze anos, sem dar o menor sinal de vida, e agora que minha mãe está morta, você resolve lembrar que tem uma filha e voltar? Se é que você está dizendo a verdade né, como posso saber se você é mesmo meu pai?? Esse pode muito bem ser um nome falso!
– Eu não voltei porque sua mãe faleceu, nem sequer sabia disso... foi apenas uma infeliz coincidência eu ter voltado na mesma época em que isso aconteceu — ele respondeu — Se não acredita em mim, veja minha identidade — ele tirou a carteira do bolso da calça e mostrou um documento, provando que realmente se chamava Hoshina Kazuomi — Se ainda assim não acredita em mim, podemos muito bem fazer um exame de DNA sem problemas...
– Por que você voltou agora? — ela o interrompeu — Por que ficou fora esses quinze anos... por que abandonou minha mãe??
– Shiori, eu não sei o quanto sua mãe te contou sobre mim, mas, quando conheci a Karin, éramos muito jovens, eu era irresponsável e imaturo... eu estava começando a trabalhar em uma Companhia importante, mas não tinha um cargo estabilizado na época, e quando soube que ela estava grávida, me apavorei... entende, nós não éramos nem casados na época, ter um filho não estava nos meus planos ainda, eu queria me estabilizar no trabalho primeiro, pra depois pensar em construir uma família. Eu fiquei apavorado, e fugi, unicamente por ser imaturo e não compreender a proporção do que esse ato causaria na vida da Karin. Eu cometi um erro grave, eu sei... mas agora que estou estabilizado no meu emprego e tenho uma boa posição na empresa em que trabalho, eu decidi vir procurar vocês
– Shiori, cuidado com esse homem... ele tem uma aura estranha, como se desprendesse alguma coisa ruim — Maboroshi avisou, num cochicho, embora isso não fosse preciso já que Kazuomi não era capaz de ouví-la — Não gosto dele... esse homem pode muito bem estar mentindo, não caia na lábia dele, Shiori!
– Espere, Mabo-chan... quero ver até onde ele vai com essa história — a garota cochichou de volta
– Com quem está falando? — o homem indagou
– Hein?! Ahn... era com... etto...
– Por acaso essa "Mabo-chan" que você falou... é sua Shugo Chara? — Kazuomi perguntou — É isso, você tem uma Shugo Chara?
– C-Como... como sabe da existência dos Shugo Charas?! — Shiori exclamou aparvalhada — Você é um adulto... adultos não deveriam vê-los... isso é impossível, ninguém nunca viu a Mabo-chan até hoje... então, como...?!
– Eu sabia, então você tem uma Shugo Chara afinal! — Kazuomi exclamou, pela primeira vez sorrindo — E por acaso você é capaz... de realizar as duas transformações?
– Se você fala do Chara Change e do Chara Nari, é claro que eu posso, mas... como você sabe de tudo isso afinal??
– Eu de fato não posso ver Shugo Charas mas, a empresa para a qual trabalho lidá com esses seres misterioros — o homem respondeu — Eu sou o Diretor da Easter. E, como você possui uma Shugo Chara, deve saber sobre a existência do Embrião, certo?
– Embrião...?
– Eu já te contei Shiori, é aquela história sobre um Ovo Mágico capaz de realizar qualquer desejo, lembra? — Maboroshi falou
– Ah, sei... mas isso não é só uma lenda?
– Não, não é. O Embrião existe em algum lugar, e o objetivo da Easter é obtê-lo. Shiori, eu vou ser franco com você, esse é o verdadeiro motivo de eu ter vindo te procurar depois de tantos anos — Kazuomi confessou — A Easter possuía agentes que trabalhavam na captura do Embrião mas, recentemente, eles se bandearam para o lado do inimigo. Existe um grupo de jovens crianças denominado Guardiões de Seiyo que também almeja obter o Embrião e, mesmo sendo apenas crianças, estão em maior número e possuem Shugo Charas... eles são o nosso maior inimigo. Eu estou buscando por novas crianças que possuam as habilidades especiais concedidas pelos Shugo Charas, por isso vim ver você. Quero que você trabalhe na Easter ao meu lado, e me ajude a obter o Embrião antes dos meus inimigos
– Não acredito nisso... esse homem só quer te usar, Shiori! — Maboroshi exclamou indignada — Ele não veio aqui porque estava preocupado com você ou porque te ama, ele só que usar suas habilidades do Chara Nari! Shiori, recuse essa proposta absurda agora mesm...
– Quieta, Mabo-chan! Deixa eu pensar por mim mesma! — a garota interrompeu, e a Chara se calou à contragosto
– O que sua Shugo Chara está dizendo? — o homem perguntou
– Que você só quer me usar... e que veio me procurar por causa das minhas habilidades e porque possuo uma Shugo Chara, e não porque você gosta de mim — Shiori respondeu, tentando parecer indiferente — E pensando bem, talvez ela até tenha mesmo razão, mas... se eu aceitasse essa sua proposta, o que eu ganharia com isso? Se eu encontrasse esse tal Embrião, eu teria que entregá-lo à você, não é? Eu não ganharia nada fazendo isso
– Você ganha... o amor e o carinho de pai que eu não pude te dar durante todos esses anos. Se você perdeu sua mãe, não deve ter mais família... o que pretendia fazer daqui pra frente? Viver sozinha nessa casa no meio do nada? Morrer sozinha? Isso é muito triste, você não merece isso. Se você me ajudar, te levarei comigo pra cidade, e você passará a viver comigo, em minha casa, como minha filha. Você perdeu sua mãe, mas pode recuperar o pai que nunca teve... pode ter uma família de novo — ele falou, sorrindo, e tentando parecer o mais carinhoso e sincero possível, ainda que não sentisse nada disso — E, eu não sei o que você pensaria disso, mas... há alguns anos, eu me casei de novo. Claro que minha esposa não pode substituir sua mãe, mas você teria uma madrasta, e dois irmãos também. Você teria uma família de nov...
– Eu tenho irmãos?? — ela o interrompeu, atônita com a enxurrada de informações jogadas em cima dela, principalmente esta última
– Sim, dois. Uma menina e um menino — Kazuomi alargou o sorriso ao ver que ela começava a se interessar — Eles são mais velhos do que você, eu acho... e são filhos do primeiro casamento da minha esposa, então vocês não teriam o mesmo sangue, mas ainda assim seriam criados como irmãos se você aceitar vir comigo. Eles dois... meus enteados trabalhavam para a Easter também, mas, recentemente.... bem, algumas coisas aconteceram... tivemos alguns desentendimentos, e eles passaram para o lado do inimigo. Parte da sua missão seria lutar também contra eles e trazê-los de volta se você aceitar vir comi...
– Eu aceito!! — Shiori levantou-se do sofá abrupdamente, ficando um pouco tonta, tanto por ter se levantado rápido demais, quanto por causa da falta de alimento em seu corpo, mas manteve-se de pé — Se eu puder ter uma família de novo... se puder sair desse lugar, então eu luto contra quem for necessário, eu derrotarei quem for preciso! Eu aceito o acordo!!
– Shiori, pense bem!! — Maboroshi exclamou — Ele homem só quer te usar pra derrotar os inimigos dele... não interessa se ele é mesmo seu pai ou não, ele não se importa com você de verdade!!
– Isso não importa, Mabo-chan!! — a garota rebateu — Se eu continuar vivendo aqui sozinha, vou acabar enlouquecendo, ou morrendo de tristeza, o que acontecer primeiro... você poderia até se transformar num Batsu Tama na pior das hipóteses... eu não aguento mais viver sozinha! Não me importa se ele não gosta de mim... se ele precisa da minha ajuda... se ele é mesmo meu pai, e está me oferecendo a chance de ter uma família novamente, então eu vou ajudá-lo no que for preciso, e vou recuperar minha família! Eu vou... vou derrotar todos os seus inimigos, pra que você tenha orgulho de mim, e passe a me amar de verdade... p-pai
– Muito bem, eu fico muito feliz de ouvir isso... boa menina, Shiori — Kazuomi também levantou-se, e repentinamente à abraçou. Shiori paralizou por alguns segundos e, ainda em choque, levantou os braços trêmulos e o abraçou de volta, caindo no choro em seguida. Ambos estavam muito felizes agora, no entanto por motivos diferentes: Shiori acreditava ter recebido um presente dos céus. Ela teve uma mãe ausente, e sua única companhia era apenas Maboroshi durante a maior parte da vida. E ainda que soubesse que sua mãe estava sempre fora porque trabalhava muito para o seu bem, ela ainda sentia falta do carinho e do afeto de uma família, e agora, até mesmo sua mãe havia partido. E na mesma época em que sua mãe à deixou, seu pai desaparecido veio vê-la, oferecendo um novo lar, com irmãos e tudo, como ela sempre desejou, em troca de ajuda pra derrotar seus inimigos. Para Shiori, isso era um preço pequeno a se pagar, se em troca ela tinha a chance de ter uma família de verdade. E felizmente ou não, depende do ponto de vista, ela não podia ver agora o sorriso terrivelmente frio e cruel que o homem exibia em seu rosto. Ele estava muito feliz também, no entanto, apenas por ter encontrado uma nova marionete para usar na Easter, e nada mais do que isso.
*** Fim do Flashback ***
"- Eu devia ter percebido que era tudo uma armação no momento em que ele foi me procurar... que ele nunca se importou de verdade com o fato de eu ser filha dele e que apenas usou esse detalhe para me convencer à ajudá-lo. Eu deveria ter ouvido os avisos da Mabo-chan... ela estava certa afinal... como sempre. Por que eu nunca escuto o que ela diz? Eu também nunca escutava... o que a minha mãe dizia. Sou um caso perdido mesmo... se eu não tivesse aceitado esse acordo absurdo, não teria conhecido o Ikuto-kun, a Utau-chan, e os pirralhos Guardiões... continuaria vivendo sozinha naquela casa, não conheceria meus irmãos postiços, e nem me intrometeria na vida daqueles pirralhos... e não me apaixonaria... pelo homem que deveria ser meu irmão."
– Mas isso não te faria feliz, não é, Shiori? Se você não tivesse conhecido o Ikuto e continuasse vivendo sozinha naquele lugar, teria mesmo morrido de tristeza — Maboroshi falou, sorrindo gentilmente, quando sua dona finalmente despertou do mundo de ilusões e abriu os olhos. Imediatamente, o Chara Nari se desfez, e a garota se sentiu tão exausta como se não dormisse há semanas, ainda que tivesse dormido por dois dias seguidos
– Mabo... chan — Shiori sussurrou fracamente, completamente exausta — Por que você... sempre tem razão?
– Já que você é uma cabeça-oca irresponsável, eu preciso pensar por nós duas, eu acho. Eu sempre estarei com você, Shiori... não importa que você faça coisas erradas, ou que tome decisões absurdas e precipitadas, eu sempre estarei ao seu lado. Mas agora, eu... preciso dormir um pouco... você insistiu em passar dias trancada no mundo de ilusões usando o Chara Nari de novo... isso me deixou um pouco cansada — a Chara mal terminou a frase e seu Shugo Tama materializou-se ao seu redor, e Maboroshi se refugou dentro dele, caindo em sono profundo
– Satisfeita agora? Encontrou a resposta que procurava? — Shiori ouviu a voz de Utau vinda da porta e, antes que pudesse responder, viu a cantora saindo e falando com alguém que devia estar perto da entrada do quarto, mas que Shiori não podia ver — Ela finalmente acordou. Pode ir vê-la agora, Ikuto.
*** Próximo Capítulo: Declaração ***
Notas finais
Awwnnn tão triste esse flashback né... mesmos endo tão trágico, eu achei que seria itneressante mostrar como foi que a Shiori acabou indo parar na Easter, mesmo que ela já nem esteja mais lá agora.... e se pensarem bem, é tudo culpa do pai dela mesmo, que arrastou a garota pra Easter u__ú
Ah, e o próximo capítulo... nem preciso falar nada né, o título já denuncia tudo XD Não deixem de acompanhar a história semana que vem, vocês realmente não vão querer perder isso!! õ/
Deixem reviews onegai e façam de mim uma autora feliz!!! *o*
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