Destinos Cruzados
1 Destino
Notas iniciais
Espero que gostem, os capítulos serão postados conforme os comentários, então, caprichem hahahaha ♥
Boa leitura!
Nos vemos nos comentários.
Ele voltou.
Mamãe está sentada no sofá olhando pra porta, ela sabe que ele está bravo.
Ele sempre está bravo.
Eu corro e me escondo enroscando debaixo da cama. Eu posso escutar quando ele abre a porta e a bate com força.
Mamãe ficou na sala e eu já posso escutar seus gritos com ela. Ela chora. Ele joga tudo no chão. Sei que daqui a pouco ela vai começar a gritar e pedir pra ele parar, mas ele só vai gritar mais e ainda bater mais na mamãe.
Tapo os ouvidos e fecho os olhos bem apertadinhos, mas sei que não consigo parar de ouvir. Ele bate. Ela grita. E tudo quebra.
Acordo assustado.
O mesmo sonho. Todas as noites. Há 24 anos.
Eu tinha quatro anos quando tudo isso aconteceu. Com quatro anos eu já via minha mãe apanhar todos os dias. Com quatro anos eu a vi pagar com a própria vida pelos vícios dele. Do meu pai. Ou daquele que era para ser.
Com quatro anos eu o vi morrer. Pelos erros e vícios dele. Com quatro anos eu fui deixado sozinho, em um orfanato.
Mas foi com quatro anos que eu conheci meu anjo.
Ela era a pessoa mais linda que ia nos visitar. Não gritava. Cheirava bem. Cheirava flores.
Com quatro anos eu ganhei minha mãe. A mãe que eu pedi todos os dias desde que fora deixado ali. Eu não sei o que ela viu em mim. Ela diz que foi amor. Eu só sei que ela me tirou de lá, me deu amor. Um pai. Dois irmãos.
Hoje eu tenho 27 anos e tudo que sei, aprendi com ela. Inclusive meu amor pela medicina. Sou médico. Pena que algumas marcas, nem ela foi capaz de tirar.
Senti uma mão pequena e quente em meu ombro.
— Outro sonho ruim? – Ela me perguntou
— Eles nunca me deixam. – Respondi
— Quer me contar sobre ele? – Ela perguntou
— Não. Estou bem. – Me virei em sua direção.
Samantha era linda e uma boa pessoa. Nos conhecíamos a uns bons anos e saiamos algumas vezes, sem compromisso. Era uma boa amiga, além de uma boa companhia na cama, mas de um tempo pra cá, ela queria mais.
— Não vamos falar mais sobre isso. Eu tenho só mais um dia antes de viajar e quero aproveita-lo com você garanhão. – Falou sorrindo
Ela embarcaria para Holanda, uma proposta de trabalho de 2 anos.
— Um dia. O que quer fazer hoje?
— Não sei, podemos só sair por aí aproveitando a companhia um do outro e no fim da tarde eu realmente preciso terminar minhas malas. Você pode ir pro meu apartamento.
— Você toma um banho enquanto faço o café. – Respondi depositando um beijo em sua testa
Vesti um short do pijama e sai em direção a cozinha.
Fiz torradas e tínhamos suco de laranja.
Marta devia está pra fazer compras por esses dias.
Tomamos café e fomos caminhar no Central Park.
No final da tarde Samantha fez suas compras de última hora e então fomos para o apartamento dela, terminar suas malas.
Observava ela fechar a última mala. Eu precisava conversar com ela. Estávamos indo por caminhos diferentes. Eu queria direita, ela queria esquerda.
— Aconteceu alguma coisa, pode fala, anda. – Me assustei com sua voz tão perto.
— Ok.. Eu não posso mais te prender a mim, é egoísmo e errado da minha parte. Eu me sinto sujo sabendo que você quer mais, quando eu não penso nisso pra minha vida.
— Mas eu não me importo Oliver.
— Mas eu sim! Caramba Samantha, você merece alguém que te ame, que compartilhe dos seus planos de família.
Ela começou a chorar
— Por favor, não faça eu me sentir um canalha agora. Eu queria sim te amar, queria “querer” me casar e ter 5 filhos com você, mas...
— Vou sentir sua falta.
— Eu também vou. – Respondi a abraçando.
Ficamos uns minutos assim, até eu inventar uma desculpa e ir embora.
Me senti um filha da puta, quando do corredor eu ainda podia ouvia seus soluços.
Liguei para o meu irmão mais velho, era um crianção, mas servia pra alguma coisa de vez em quando.
— Fala Ollie.
— Tommy, está fazendo o que?
— Vendo jogo... Giants!
— Queria dar uma volta, mas queria que fosse comigo.
— Sabe que a Laurel te odeia por isso não é? Nossas saídas.
— Sei. Assim como você sabe que eu também odeio sua esposa.
Eu e Laurel tínhamos um problema, na verdade nunca gostei dela.
— Está pensando em ir aonde mano?
— Não sei, qualquer lugar. Acabou com a Samantha e preciso esfriar a cabeça.
— Vem pra cá, até você chegar termino meu jogo e podemos esperar pelo Roy, vou chamar ele também.
Em 20 minutos estava na porta de Thomas, e fui recebido por uma Laurel com cara de poucos amigos.
— Oi Oliver.
— Oi Laurel
Laurel não gosta de mim por achar que levo seu marido pro mal caminho. Coitada, mal sabe ela que é ele quem me carrega.
Thomaz conhece cada puteiro da cidade, e arrisco a dizer que conhece também cada moça que trabalha neles.
— Ollie!
— E ai Tommy! Ei Roy. – Roy era meu cunhado, casado com minha irmã caçula, Thea.
— E ai Oliver, aonde vamos? – Perguntou olhando de mim para Thomas
— Vamos nos divertir, levar Ollie pra um lugar especial.
— Não posso demorar, Thea disse que vai me esperar acordada. – Minha irmã quem veste as calças no casamento.
— Não vamos demorar – Thomas falou – Laurel, estamos indo amor.
Ela apareceu na sala e foi em direção ao meu irmão.
— Juizo! – Nem preciso dizer que olhou pra mim.
— Aonde vamos? – Perguntei assim que o carro ficou em movimento.
— Ao Bronx.
— Thomas não, não gosto daquele lugar, sabe disso.
— Sei sim, mas lá tem o melhor sexo da cidade, o que eu posso fazer. Sexo é vida. Terapia cara!
— Não preciso transar, fiz isso hoje de manhã se quer saber e além do que o terapeuta aqui é o Roy e não você.
— Lá tem sexo de verdade irmão, não aquilo que a Samantha te dá.
Odiava concordar com Thomas, mas ta ai algo que é verdade.
— Além do que, se não gostar, viemos embora.
— Thea vai me matar se souber onde estou indo com vocês.
— Relaxa cunhadão, o que Thea não vê, ela não sente. – Thomas falava com uma naturalidade absurda. Era da nossa irmã que estávamos falando.
Atravessamos a cidade e logo Thomas estava estacionando o carro. Era um lugar discreto, quem não conhecia, jamais diria o que acontece lá dentro.
Era um lugar escuro, iluminado apenas pelas milhares de luzes coloridas.
A música era absurdamente alta. Era um enorme salão com diversas mesas e um palco no centro.
Nos sentamos em uma mesa redonda e logo uma garçonete veio nos atender.
Era bonita tinha curvas incríveis, se fosse transar com alguém, com certeza seria com ela.
— Posso anotar os pedidos? – Sua voz era doce e suave.
Ela usava um shortinho com lacinhos que não cobria nem a sua bunda. Um top branco e gravata borboleta.
Eu queria muito arrancar aqueles lacinhos.
— Uma vodka. – Thomas pediu
— Um whisky – Fiz meu pedido.
— Uma água com gás, por favor. – Foi a vez de Roy e Thomas revirou os olhos – O que? Sua irmã me castra se eu chegar fedendo vodka em casa.
— Eu já trago a bebida de vocês, e a sua água Dr. Harper. – Respondeu a garçonete com um sorrisinho.
— Obrigado Felicity e a propósito, como você está? – Perguntou olhando pra ela.
— Bem, obrigada. – Falou antes de sair
— Royzinho, Royzinho, e eu achando que você era fiel a minha irmãnzinha. – Thomas falou dando um soco no ombro do meu cunhado.
— E eu sou.
— Tá bom, e conhece uma puta por que? – Thomas perguntou rindo
— Não fale dela assim Thomas, além do mais, já fiz ações comunitárias lembra? Digamos que a tenha visto em uma dessas ações.
Roy era psicólogo, e como tal, adorava uma causa nobre. Serviço pra quem não tinha condições.
— Felicity. Eu quero ela.
— E depois não precisava de sexo, ta bom, mal viu a garota e já quer entrar na calcinha dela. – Thomas riu da minha cara. – Você sabia que ela era puta Roy?
— Não fique a chamando assim Thomas. Digamos que sim.
Olhei em volta a procurando. A avistei debruçada sobre o balcão enquanto esperava por nossas bebidas.
— Sua vodka. – Colocou o copo na frente de Thomas – Seu whisky – Entregou meu copo – e sua água Dr.. Posso ser útil em algo mais?
— Pode se sentar aqui? – Perguntei a encarando.
— Agora não dá bonitão, quem sabe mais tarde. – Sorriu guardando o bloquinho de pedidos.
— Vou te esperar.
Nossa mesa era relativamente próxima do palco, de forma que conseguiria ver o espetáculo das dançarinas bem de perto. Será que ela dançava também?
30 minutos já tinham se passado e nada dela voltar ou subir no palco, olhei em volta a sua procura e pra minha surpresa a encontrei.
Ela estava na saída e discutia com um homem alto. E estava séria a coisa, porque as vezes ele pegava forte o braço dela.
Resolvi dá uma volta, ir pra mais perto vai que ele resolvesse ser um machão ali. Não suportava homens que batiam em mulheres. Nada, nada justifica esse ato.
Caminhei até o biombo próximo, ficando oculto dele.
— Sebastian, eu não quero, sabe que não posso fazer programa hoje, nem com você, em com ninguém.
— Se vira! Você me deve e eu te digo sim, você irá trabalhar hoje.
— Sebastian por favor, eu.. eu faço qualquer coisa que você quiser, mas... você sabe o que eu tive que fazer e por sua culpa eu perdi sangue e...
— Não me interessa! Puta boa é puta que dá dinheiro! Volte para aquele salão e vá trabalhar!
Eu fiquei curioso, o que será que ele a fez fazer?
Ela havia sangrado? Seria uma surra?
Fiquei aguardando a resposta dela, mas o silencio estava começando a me incomodar.
Olho por cima do biombo e ou.. ou.. ou.. ele não iria fazer aquilo com ela, não na min há frente.
Ele a pegou pelos cabelos e apertava sua cabeça contra a parede.
— Você trabalha, nem que eu tenha que te levar pelos cabelos até aquele salão e te jogar em cima de alguém.
O homem acho que Sebastian, a jogou no chão sem remorso algum.
Só ali, naquele momento que reparei em seu rosto e meu Deus, ela era linda.
E santo Deus, ela devia ter uns 20 anos, no máximo.
— Eu estava passando e ouvi a conversa de vocês e...
— Eu sou o dono disso aqui cara, estava apenas acertando umas coisas com minha funcionária, não é Felicity?
Ela assentiu encolhida contra a parede.
— Sebastian, certo? – Estendi minha mão quando na verdade queria lhe socar.
— Isso, Sebastian Blood. – Apertou minha mão.
— Oliver Queen. – Me apresentei de volta. – Eu já conheci a moça e fiquei interessado nela.
— Desculpa Sr. Queen, mas Felicity é só para clientes mais antigos e pacote fechado, sabe como é, a noite toda, mas faço questão de eu mesmo escolher outra de nossas meninas pro Sr.
— Eu a quero, e estou disposto a pagar o valor que quiser Sr. Blood, basta me dizer o preço. – Falei já pegando a carteira.
— Bom, o Sr. É novo aqui, estarei deixando clientes antigos na mão se fizer isso, então sabe como é, terá uma taxa a mais. O programa, por toda a noite fora.. 1.500 doláres. – Ergueu a sobrancelha me desafiando.
Coitado. 1.500 doláres não é nada pra mim.
Abri minha carteira e tirei de lá 2 mil dólares, quantia a mais que ele me pediu.
— Acredito que assim ficamos acertados que só a devolvo amanhã a tarde. – Entreguei o dinheiro a ele.
Ele deu um sorrisinho de canto enquanto contava as notas.
— Vai se vestir Felicity, não quero deixar o Sr. Queen esperando. – olhou pra ela que ainda estava encolhida no canto. – Vai logo! A pegou pelo braço a colocando de pé de qualquer jeito.
Eu voltei para a mesa dos rapazes e expliquei tudo a eles.
Fui para a porta aguarda ela, e depois de 20 minutos ela chegou.
Usava uma camiseta e uma calça jeans.
Sem casaco. Lá fora estava um gelo.
— Er.. já estou pronta Sr. Queen. – Disse quando se aproximou de mim.
— Oliver, ok?
Ela assentiu e me acompanhou quando sai do club.
Estávamos quase chegando no meu carro quando a escuto arfar baixo atrás de mim, me viro pra encara-la, ela está curvada para frente, pálida feito papel.
Levou suas mãos até suas coxas e as mesmas encharcaram de sangue.
— Droga.
Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de cambalear e começar a ir ao chão, não sei como, mas no minuto seguinte eu segurava seu corpo completamente mole em meus braços.
Eu tinha mina suspeita do que poderia ser aquilo, mas só no hospital pra saber, não estava de plantão, mas minha mãe sim.
— Colabore comigo Fel, por favor!
Coloquei seu corpo desacordado no banco da frente, enquanto dava a volta e entrava no mesmo dando partida.
Coloquei meu celular no viva voz e liguei para o hospital, procurando pelo Dr. Liam, ele era o médico de plantão essa noite, e pro meu desespero ele estava em cirurgia, mesmo assim pedi que me aguardassem na entrada do hospital já com a maca pronta.
— Droga, droga! – Soquei o volante com força. Se fosse o que suspeitava, ela não tinha muito tempo.
Dirigi como um louco e quando dei por mim já estacionava na entrada do hospital.
Os enfermeiros vieram em minha direção, já a postos.
— O que temos aqui doutor?
— Choque, provavelmente causado por um aborto. – Falei a colocando na maca.
— Aborto espontâneo? – O enfermeiro perguntou enquanto empurrávamos a maca.
— Não. – Foi tudo que me limitei a responder. Não precisei ser gênio, só liguei os pontos da conversa com aquele tal de Blood.
Fui a recepção, Liam ainda estava na cirurgia, complicada e sem hora para acabar.
Felicity precisava de curetagem ou não iria aguentar, e eu não estava de plantão.
Foda-se.
Eu não iria deixar ela morrer.
Não a tirei daquele lugar naquela noite com intenção de protege-la pra depois deixa-la morrer em uma maca.
Virei para a recepcionista.
— Manda preparar o centro cirúrgico. Emergência.
— Dr. Queen, o senhor não pode operá-la, não está de plantão, vai contra as normas do hospital e...
— Foda-se! Porra, eu não vou deixar uma paciente morrer por causa disso, assumo total responsabilidade de tudo, mas quero o bloco cirúrgico pronto em meia hora. – Gritei com a moça que me olhava assustada.
— Sim.. sim senhor. Vou pedir agora mesmo. – Vi quando ela saiu apressada pelo corredor.
Corredor esse por onde Felicity tinha ido a poucos.
Esperava mesmo que eu pudesse salva-la.
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