Destinos Cruzados
5 Capítulo 5
Notas iniciais
POV. Caspian
Como o de costume abracei Lúcia com todo o amor e carinho como sempre faço antes de ir para a sala de embarque/desembarque no aeroporto, mas uma vez minhas viagens a trabalho me tiram um pouco da minha irmã. Só Deus sabe o quanto ela é importante para mim, se não fosse por ela, já teria saído daquela casa, não suporto a ideia de deixa-la sozinha com eles. Passei por tanta coisa, que hoje em dia sou como protetor dela.
— Ah Caspian, queria tanto que chegasse antes da minha festa de aniversário – Disse-me tristemente – Você sabe o quanto é importante para mim essa comemoração.
— Eu sei Lúh, farei o possível para resolver as coisas o mais rápido possível – Falei sorrindo e beijando o topo da sua cabeça.
— Lúcia deixe seu irmão ir, caso contrário ele perderá o voo, e só assim ele não virá para sua festa de aniversário! – Falou nosso pai.
— Está bem – Falou Lúcia envergonhada, encarei-o em repreensão – Até logo Cas...
— Até logo Luh, dê um abraço na mãe por mim.
— Tá bom.
Virei-me para ir embora até escutar aquela voz irritante chamar meu nome quase que aos berros.
— Caspian? — Olhei para trás novamente já sabendo de quem se tratava, ela sorriu para mim assim que minha atenção foi em direcionada a ela.
— Oi Lilly! – Cumprimentei-a sem um pingo de emoção, achava que teria um momento de paz, sozinho, pelo menos no avião. Ela como sempre, se jogou em meus braços, dando um abraço não muito sutil.
— Iria sem mim senhor Clarke? – Brincou.
— Claro que não Lilly, iria agora mesmo ligar para saber de você, afinal tínhamos marcado de nos encontrarmos aqui as 08:00 e bem, já são 08:20 – Menti na cara dura, tinha dado graças a Deus que ela não tinha chegado no horário, jurando que iria viajar sozinho.
— Desculpe meu bem, me atrasei um pouquinho.
— Tudo bem, então, vamos?
— Vamos sim querido. Tchau Lúh, tchau senhor James.
— Tchau Lilly – Disseram em uníssono – Lilliandil sorriu para mim, travessa, com certeza ela iria aprontar alguma.
Ah Caspian, se prepara, nosso futuro juntos começará daqui em diante – Pensou Lilliandil sorrindo para ele.
POV. Susana
Novamente acariciei o meu pulso, onde de costume ficava a pulseira que ganhei da minha avó, aquele objeto tão simples, tinha tanta importância para mim, minha avó quando era viva, usava bastante ela, como se fosse uma segunda pele e eu simplesmente me apeguei a ela.
— Desculpe vó, eu não queria perder ela, não vi a hora em que a deixei cair, eu sou uma tonta, eu sei, mas não me julgue muito daí de cima, não tive culpa se aquele rapaz tomou toda a minha atenção, na verdade a senhora deve estar rindo da minha cara, viu o mico que eu passei? Gente que vergonha, queria ser menos desastrada. Pensou
— Susana? Está tudo bem? – Acordei de meus pensamentos com Pedro me chamando.
— O que disse Pedro?
— Perguntei se está tudo bem?
— Ah sim, esta sim, só perdi a pulseira que ganhei da nossa avó – Falei desanimada
— Já procurou no seu quarto? No meio das suas coisas? Pode estar no meio das roupas que trouxe na viagem.
— Não, não perdi em casa – Falei – Perdi no dia em que fui na faculdade, quando... – Calei-me, quando percebi que iria falar demais.
— Quando...? – Me olhou curioso
— Quando.... Quando.... Quando estava voltando para casa, ela deve ter caído e eu nem senti.
— Ah sim, que pena Suh, sinto muito, mas quem sabe não a encontra por aí?
— Er.... Quem sabe! –
Ouvimos a campainha tocar,
— Eu vou ver quem é – falei
— Tudo bem.
Fui em direção da porta, abri e vi que era a Natalie.
— Naty! – Exclamei já a abraçando
— Oi Suh, vim ver o que estava fazendo
— Não estou fazendo nada, mas podemos assistir algum filme, já que esse vai ser meu último fim de semana sem fazer nada.
— Ah é começa semana que vem a faculdade né?
— Sim, vem entra – dei passagem a ela
— Cadê seus pais?
— Saíram, está somente eu e o Pedro – respondi
— Ah sim
— Susana quem estar aí com... – Pedro chegou na sala e viu que era a Naty – Naty! – Exclamou animado – Que surpresa – Sorriu – Tudo bem? – Dirigiu-se na direção dela e a abraçou
— Estou bem sim Pedro, e você? – Respondeu animada
— Estou ótimo, bem o que vamos fazer agora?
— Então, eu disse para a Naty que poderíamos assistir algum filme – Propus novamente.
— Ótima ideia Susana, vamos ver algo legal
Fomos para o sofá, colocamos um filme qualquer, fizemos pipoca, percebi que Naty de vez em quando olhava para o Pedro, mas ele não percebia, o mesmo estava mexendo no seu celular, teclava com alguém, pela expressão que ela fazia, provavelmente ele conversava com alguma moça. Minutos depois o celular dele tocou.
— Com licença meninas, já volto – Falou
— Tudo bem – Falei
— Oi minha linda, tudo bem? – Pedro falou assim que atendeu, e se retirou da sala, ficou um silencio muito chato na sala.
— Er... filme bem interessante né mana? – Puxei assunto
— Aham – Respondeu Naty
Meia hora depois Pedro volta arrumado lá do quarto dele. Bastante cheiroso.
— Suh, vou ter que sair agora, coisa rápida, vou resolver uns assuntos, desculpa não poder ficar aqui, no próximo fim de semana levo vocês para fazer algo mais interessante do que assistir um filme, pode ser?
— Não tem problema Pêh, pode ir – Falei
— Tá bom, até mais tarde, tchau meninas. – Pegou o celular, mandou uma mensagem, sorriu e saiu.
— Ainda quer assistir esse filme?
— Para mim estar sem graça, vou desligar a tv, o bom é que temos a casa só para a gente – Falei
— Er... – Naty falou meio triste
— Mana? Posso te fazer uma pergunta?
— Claro Suh
— Você está gostando dele né?
— Dele quem Susana?
— Ora dele quem, do meu irmão! – Exclamei
— Claro que não, nada a ver, mal nos conhecemos.
— Aer...? E você viu com quem ele estava conversando?
— Era uma tal de Verônica se não me engano! – Falou e depois corou quando se deu conta do que tinha falado. Sorrir para ela.
— Sabe que pode me contar tudo!
— Eu sei Susana, mas olha para mim, acha que ele iria se interessar por uma simples garota que de bom só possui a amizade da irmã dele?
— Naty não fala isso.... Você é linda e...
— Beleza não é tudo, pelo menos para mim.
— Talvez ele esteja começando a gostar de você, viu como ele te olhou assim que você chegou lá no aeroporto?
— Me diz com quem ele preferiu passar o início da tarde? Tá mais do que na cara que ele foi se encontrar com essa moça! – Falou tristemente, e o pior é que eu não tinha nada a dizer, realmente ela estava certa.
— Olha, vamos mudar de assunto, pode ser? – Perguntei
— Tudo bem.
POV. Lúcia
Depois de deixar o Caspian no aeroporto, vim para a escola, ajudar a terminar os últimos detalhes para a feira de literatura que seria na segunda-feira, estava uma zorra, estava colando em um tecido, alguns papeis com frases escritas neles, até que escuto alguém me chamar.
— Lúcia? – Olhei e vir que era o Edmundo
— Ed? – Corri e abracei ele – Nossa quanto tempo – sorri – O que está fazendo aqui?
— Vim ajudar um amigo desastrado a organizar suas coisas para a feira de literatura e aproveitei para ver você. – Falou, eu corei, sorri, Edmundo havia mudado bastante, tinha crescido, ficado um pouco mais forte, mas mesmo assim continuava sendo meu melhor amigo, depois que terminou o ensino médio, viajou para cursar letras em uma faculdade fora daqui.
— Está de férias? – Perguntei
— Bingo – Brincou – Eu realmente estava precisando de umas férias, nunca pensei que cursar letras me faria tanta raiva. – Falou emburrado, eu rir da cara dele.
— Porque não me disse que vinha hoje?
— Queria te fazer uma surpresa, eu ainda iria na sua casa, mas acabamos nos vendo por aqui mesmo.
— Vai ficar quanto tempo aqui? – Perguntei
— Talvez o mês todo, ficarei na casa dos meus tios, não poderia deixar de vim ao seu aniversário não é mesmo? – Sorriu
— Claro que não, você é meu amigo, é importante que esteja lá – Falei empolgada.
— Sim, eu sei – Falou um pouco estranho, ouvimos alguém chamar ele, na verdade gritar o nome dele.
— ED?
— Aí que saco – Falou baixinho – JÁ VOU JHON, OLHA EU NÃO VOU FAZER TUDO SOZINHO – Falou irado para o amigo dele, eu rir muito dele, Ed não muda. — Eu tenho que ir agora Lúh, vai está ocupada mais tarde?
— Depois daqui irei na casa de um amigo meu, conhecer a irmã dele que chegou de viagem a alguns dias, se quiser me acompanhar, por mim tudo bem.
— Não, deixa para lá, amanhã darei um jeito de ir na sua casa, qualquer coisa te mando uma mensagem avisando. – Falou
— Tá ok – Nos abraçamos e ele foi embora.
Horas depois, terminei tudo o que tinha para fazer e peguei meu celular, procurei o contato do Pedro, e liguei, demorou uns segundos e logo ele atendeu.
— Oi Lúh – Falou
— Oi Pêh, você está aonde? Está ocupado? – Perguntei
— Estou quase chegando em casa! O que foi?
— É que eu estou na escola, e como terminei de organizar as coisas aqui, pensei em ir na sua casa conhecer a sua irmã, e queria saber se vocês irão sair ou algo do tipo!
— Susana está em casa com uma amiga dela. Mas você pode ir lá sim – Falou
— Tudo bem, eu vou esperar um taxi, já estou indo.
— Quer que eu busque você? Estou no táxi, chegando perto da sua escola, assim vamos juntos – Perguntou
— Tudo bem, vou ficar lá na frente te esperando.
— Tá bom! Daqui a 5 minutos, chego aí!
— Ok, até depois, beijos.
— Até depois, beijos, tchau – Desligamos
Estava nervosa, espero que ela goste de mim, fui lá para a frente da escola, esperar o Pedro. Já tinha dado 10 minutos e nada dele chegar.
— Lúcia? – Olhei e vi que era o Henrique
— Oi Rick – Falei simpática
— Tá indo para casa?
— Na verdade não, vou visitar uma amiga que mora aqui perto
— Posso te levar, vim de moto hoje – Se ofereceu.
— Não precisa, estou esperando uma carona, que aliás está vindo agora mesmo, mas obrigada! – Olhamos um táxi parando do nosso lado
Pedro desceu o vidro do carro
— Está 5 minutos atrasado senhor Pevensie — Brinquei
— Desculpa a demora, estava um pequeno transito ali na principal, então, vamos?
— Vamos, tchau Rick, nos vemos segunda-feira, bom final de semana.
— Igualmente Lúh – Respondeu, entrei no táxi.
— Quem era esse? – Perguntou suspeito
— É um amigo da minha sala
— Sei, “amigo” – Zoou
— Você não tem jeito não é mesmo?
— Pevensie sendo Pevensie
— Concordo – Falei sorrindo
POV. Caspian
Estava cochilando quando sinto alguém se escorar no meu braço direito, abro meus olhos, e vi que era a Lilliandil.
— O que foi? Porque trocou de lugar?
— Bem eu... eu... tenho medo de altura – falou envergonhada – Pedi a aeromoça para trocar de lugar, porque queria estar perto de você, assim não sentiria tanto medo, desculpa se te acordei.
— Está tudo bem Lilly, não estava dormindo mesmo, não costumo dormir no avião, só estou um pouco cansado.
— Eu entendo
Olhei para a paisagem lá fora, a melhor parte de viajar de avião, com certeza é quando tenho a oportunidade de ver tudo aqui de cima, as nuvens, o mar, etc.
— É admirável – Falei
— O que Cas? – Perguntou
— A paisagem – Respondi admirado com a vista.
— Ah sim... Com certeza, a natureza e suas belezas – Falou
Sorrir, encarei Lilly, ela nem olhava lá para fora
— Falou sério ou está tentando me impressionar?
— Até onde me julga Caspian?
— Não estou te julgando Lilly, só conheço você.
— Não, não conhece – Falou ofendida — Nunca me deixa te mostrar quem sou de verdade, sempre se esquiva, sempre nega, sempre foge, qual o meu problema Cas? – Me encarou tristemente.
— Não fale essas coisas Lilly, não fujo de você, muito menos me esquivo, olha onde estamos agora, só sou um cara cheio de ocupações. – Respondi sincero – Você não tem nenhum problema, alguns defeitos sim, mas... – Falei – Lilly? – Olhei-a profundamente – Um dia você vai encontrar alguém que vai ama-la muito, que vai te fazer feliz.
— Eu já encontrei esse alguém, mas ele é incapaz de enxergar isso! – Virou o rosto, suspirei fechando meus olhos, não acredito que ela quer falar disso aqui no avião.
— Conversamos isso em outra ocasião, pode ser? – Pedi
— Como quiser – Respondeu chateada – Aeromoça? – Chamou
— Sim querida?
— Quero trocar de lugar novamente, por favor.
— Tudo bem! – Respondeu – Venha comigo
— Com licença Caspian – Falou
Ótimo minha “parceira” de trabalho está com raiva, com certeza não foi uma boa ideia traze-la.
POV. Susana
Ouvi um barulho de carro, olhei na janela e vi Pedro saindo do táxi, logo em seguida, vi uma moça saindo também, estranhei, ele não disse que traria uma moça junto com ele, ainda bem que a Naty já foi para a casa dela, deve ser a Verônica. Fui para a sala, sentei no sofá. Logo em seguida pude ouvir as risadas deles, e ele destrancando a porta.
— Vem entra, fica à vontade
— Com licença
Estava distraída mexendo no meu celular até ouvir ele me chamar
— Susana?
— Aqui na sala – Respondi, segundo depois eles estavam lá na sala
— Quero que conheça alguém, lembra da irmã do meu amigo que eu tinha ti falado? A que convidou você para ir para o aniversário dela? – Mencionou
— Sim, claro – Sorrir
— Pois bem, Suh essa é a Lúcia, Lúh essa é a Susana – Nos apresentou
— Prazer te conhecer – Falou ela sorrindo sincera e me estendeu a mão, cumprimentei ela também
— Igualmente Lúh – Sorri – Ah, obrigada pelo convite
— De nada, Pedro falou muito bem de você, fiquei muito empolgada, e vim pessoalmente te conhecer, gosto de novas amizades – Falou contente
Primeira impressão que tive de Lúcia foi que com certeza ela é verdadeira com todos, trouxe sinceridade com ela, simpatia
— Eu também gosto, estou feliz que tenha vindo aqui.
— Pedro disse que você estava com sua amiga aqui
— Sim eu estava, mas ela já foi, mora aqui na frente de casa.
— Ah sim, poxa que bom
— Ah por favor, sente-se, fique à vontade.
As horas foram se passando rapidamente, Lúcia, Pedro e eu, passamos a tarde toda conversando, dando altas risadas. Lúh contou algumas experiências engraçadas de Pedro, Caspian e ela. Me falou muito sobre si, ainda faz o ensino médio, 3° ano, falei de mim, minha vida nos Estados Unidos, tudo, ao final do dia, descobri que ganhei uma grande amiga, é uma ótima pessoa. Chamamos um táxi para deixa-la em casa, passamos os minutos conversando, ela me mostrou alguns pontos principais do bairro, até chegarmos na casa dela, nossa, uma mansão tão linda, e Lúcia era dona de uma simplicidade tão maravilhosa, um amor de pessoa.
— Bom, cheguei – disse desanimada – Obrigada por hoje, estava precisando sorrir um pouco
— Vá mais vezes lá em casa Lúh – Falei abraçando ela
— Vou sim Suh – Sorriu – Me manda mensagem assim que chegar
— Mandarei sim – entrei no carro novamente
— E eu hein? Fico aqui sem abraço, sem despedida, Ok então! – Falou Pedro fingindo que estava emburrado, Lúcia e eu gargalhamos, e ela também abraçou ele.
— Tchau Pevensie
— Tchau senhorita Clarke
Assim que Lúcia entrou em casa, fomos para casa, hoje o dia foi bem animado.
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