Destinos Cruzados
11 Capítulo 11 - Confusão de sentimentos
Notas iniciais
P.O.V Caspian
Depois daquele dia, Susana tem dominado os meus pensamentos com bastante frequência, tenho que contar a verdade para ela, mas por onde começar? Não é certo o que estou fazendo, tenho noção do tamanho do meu erro, o que Pedro pensaria de mim se soubesse disso? Com certeza não me chamaria de santo. Depois de tomar um banho e me arrumar para o trabalho, desço as escadas, me dirigindo a cozinha para comer algo rápido, vejo Lúcia merendando, sorriu e cumprimento-a.
— Bom dia minha linda – Beijo o topo da sua cabeça.
— Bom dia Cas – Fala tranquilamente.
— Então como estão as coisas?
— Na mesma, irmão e com você?
— Melhor impossível – Falei sorrindo.
— Huuuuummm é uma garota, não é? – Disse empolgada. Sorri sem jeito e ela percebeu. – EU SABIA, POR ISSO ESTÁ TÃO FELIZ, PRECISO CONHECER ELA CASPIAN.
— Shiiiiii, fala baixo – Falei sorrindo – Na hora certa conhecerá ela.
— Aí que tudo – Disse feliz – Espero que ela seja diferente Cas.
— Ela é Lúh. Pode ter certeza. — “Você já conhece ela”, pensei. – Quais seus planos para hoje? – Mudei de assunto.
— Nada demais, depois da escola sairei com o Ed – Respondeu.
— E aonde irão? – Perguntei seriamente.
— Vamos no cinema – Disse normalmente.
— Ah sim – “Menos mal”, pensei. – Falou com o Pedro?
— Ainda não, mas confesso que não aguento mais essa situação, sinto saudades dele – Disse tristemente.
— Lúh, eu sei que ficou chateada e que o que ele fez não foi legal, mas se coloca no lugar dele, você é praticamente irmã dele – Lúcia revirou os olhos – Tá eu sei que isso não ameniza o que ele fez, mas acredite não foi por mal, conhecemos o Pedro.
— É eu sei Caspian – Falou pensativa.
— Porque não fala com ele? Coloque um fim nessa frescura toda. Fale o que tiver de falar, escute ele também e pronto.
— Tudo bem, irei passar na casa dele depois do cinema. – Disse, sorri, abracei ela antes de sair, tomei um suco, peguei uma maça e sair para trabalhar.
Passei em uma Lan house rapidamente para imprimir o currículo do pai da Susana, decidi que ajudaria ele. Assim que entrei na empresa fui direto falar com a minha secretária.
— Josy, sabe me informar se ainda tem vaga para vigilante ou líder de segurança do trabalho.
— Só um momento senhor Clarke – Falou enquanto digitava no computador – Olha líder de segurança do trabalho ainda não tem, mas vigilante tem sim, abriu vagas ontem, tem 8 vagas.
— Ótimo, quero que fale com o responsável da entrevista, contrate esse homem, mas ele passará pela entrevista sim, mas logo após ligue contratando ele. – Falei entregando o currículo para ela. – E por favor, que isso fique somente entre nós tudo bem?
— Sim senhor. – Sorri agradecido e entrei na minha sala.
—---- Lilliandil on -----
Estava passando no corredor da empresa, vi Caspian conversando com a secretária, me escondi e tentei ouvir o que ele falava.
— Ótimo, quero que fale com o responsável da entrevista, contrate esse homem, mas ele passará pela entrevista sim, mas logo após ligue contratando ele. – Falou entregando um papel para a Josy, julguei ser algum currículo – E por favor, que isso fique somente entre nós tudo bem? – Completou.
— Sim senhor – Respondeu a secretária, logo Caspian entrou na sala dele, Josy guardou o papel em uma gaveta.
“O que será que ele está aprontando? ”, pensei. Eu vou descobri. Fui até Josy e falei docemente:
— Bom dia Josy, acho que ouvi o senhor James mandando alguém vim lhe chamar, e como essa pessoa ainda não veio, é melhor ir logo. – Sorri simpática.
— Sim senhora, com licença.
— Toda fofa. – Sorri amarelo. Vi ela sair e se dirigir ao elevador, assim que ela adentrou, olhei para os lados e não vi ninguém por perto, abri a gaveta e peguei o papel, que realmente era um currículo.
— O que temos aqui de tão importante que o Cas não quer que ninguém saiba? – Li as informações – Anthony Pevensie? Huumm.... De onde eu conheço esse sobrenome? Vigilante a 20 anos, blá blá blá, porque Caspian iria querer colocar esse homem na frente dos outros concorrentes? Irei investigar isso de perto. – Peguei meu celular e bati uma foto dos dados, guardei o currículo na gaveta novamente e fui para a minha sala. “Caspian você não me engana, descobrirei o que pretende! Ah se descubro”, pensei determinada.
—---- Lilliandil off -----
P.O.V Pedro
Natalie tem evitado de falar comigo, o que para mim é uma bobagem, qual o mal de um beijo? Tenho certeza que não beijo mal, afinal sou PEDRO PEVENSIE, acho totalmente desnecessárias as atitudes dela, somos amigos não somos? Ora, agora fica de birra, fico é puto com essas coisas. Como se não bastasse a onda com a Lúcia, tenho pensado bastante nela, sinto saudades dela, mas não vou mais correr atrás, fui expulso da última vez, e foi humilhante.
Estava DE NOVO na fila da coordenação para entregar aquele maldito trabalho, tinha tanta gente, esse povo com certeza não tem o que fazer ao invés de atrapalhar a vida dos outros. Finalmente chegou minha vez.
— Bom dia coisa linda, lembra de mim? – Falei.
— Sim o cara problemático com trabalhos. – Brincou, gargalhamos.
— Pois é, aqui está o meu trabalho. – Entreguei a ela. Ela pegou e guardou em um envelope junto a outros trabalhos.
— Somente isso? – Perguntou.
— Não, quer sair comigo qualquer dia desse? – Perguntei descarado sorrindo.
— Pode ser, a proposito meu nome é Mônica. – Ela arrancou de uma agenda um pedaço de uma folha e anotou alguma coisa – E esse é o meu número – Me entregou.
— Beleza, sou o Pedro, pode deixar que eu ligo – Pisquei, sorri e sair de lá.
Estava caminhando no corredor da faculdade, até que de manhã era bem tranquilo.
— PEDRO! – Escuto alguém me chamar, olhei para trás e vi a menina maluca que eu tinha pegado. “Puta que pariu mano”, pensei, sorri amarelo.
— Oi Dhafiny, tudo bem? – Falei todo errado, ela se jogou nos meus braços.
— Melhor agora – Falou maliciosa – Você sumiu Pevensie depois daquela noite, já tem um tempinho que te ligo e te mando mensagem, mas não consigo falar com você – Disse passando na minha barriga, desvio.
— Pois é, meu chip está com problema e tal. – Menti, eu tinha era bloqueado essa doida. E como se o mundo conspirasse contra mim, o meu celular começou a tocar no meu bolso.
— Acho que vem de você – Falou sínica.
— Só um momento – Peguei o celular e olhei na tela quem era, Laura. Cancelei a chamada. Voltei meu olhar para Dhafiny, — Esse celular nem é meu, é de um primo, o doido esqueceu lá em casa, e a namorada dele está ligando, falando nisso meu bem, estou indo agora devolver para ele. – Me aproximei dela, abracei normalmente, ela se atracou em mim, não querendo soltar, revirei os olhos enquanto ainda estava preso nos braços dela, olhei para a praça de alimentação e vim a Susana com um cara, PERAI eu conheço aquele safado. Rabadash Wood.
— MAS O QUE? – Surtei e me soltei do abraço sufocante dela.
— O que foi?
— Aquela é a Susana com aquele filho da mãe? – Perguntei para mim mesmo.
— Quem? – Dhafiny não estava entendendo nada. Olhou na direção dela e parece que reconheceu ela. – Ah sim, a amiga de uma amiga minha, conheço ela, falei com ela algumas vezes. – E como músicas para os meus ouvidos, tive uma ideia.
— Dhanify minha linda, preciso de um favorzinho seu meu amor, aquela moça é minha irmã, quero que fique de olho nela para mim, e por favor, se aproxima dela e faça o possível para ela se afastar daquele cara. Tudo bem? – Acariciei o seu rosto levemente.
— E o que eu ganho com isso? – Perguntou interesseira.
— Quem sabe outras noites? – Sugeri sorrindo malicioso. – Darei um jeito de falar com você. – Ela sorriu satisfeita.
— Tudo bem. — Disse por fim.
— Droga eu preciso me aproximar para saber o que eles estão conversando, tem algo aí que possa me ajudar?
— Aqui comigo só tenho essa jaqueta e essa pasta preta vazia.
— Serve, me dá aí – Pedi. Ela me deu, amarrei a jaqueta na cabeça e peguei a pasta preta para cobrir o meu rosto. Ela gargalhou.
— Tá doida, doida? Para de rir, quer que eles nos vejam? – Repreendi.
— Você está ridículo Pedro — Zoou. Revirei os olhos.
— Tudo bem, faça o seu trabalho que depois nos acertamos – Falei saindo de lá, fui em direção de uma mesa próximo a eles. Sentei e fiquei tentando ouvir o que eles conversavam.
— Podemos ir a um cinema nesse fim de semana – Ouvi aquele bode falar.
— Tenho alguns assuntos para estudar, infelizmente não vai dar, quem sabe outro dia – Susana falou, “Se ferrou seu otário! ”, pensei.
— Su eu sei que está cedo para falar isso, mas eu realmente estou gostando de você, você é linda, educada, estudiosa, uma ótima companhia, fico admirado com você. – Que filho da p... mano, eu conheço esse jogo, eu sempre uso esse. Roubando minhas estratégias de cantadas.
— Ah Dash, para – Susana disse sem graça. “Dash? ” Que intimidade é essa?
— Ah Su se soubesse o bem que me faz – Olhei disfarçadamente para eles e vim que ele segurou a mão dela. Agora fiquei puto. Eu que não quero essa praga como cunhado. Levantei da cadeira.
— PODE IR PARANDO AÍ SEU SAFADO – Falei.
— PEDRO! – Susana arregalou os olhos.
— Pevensie! – Ele trincou os dentes. – Conhece esse doente Susana?
— Ele é meu irmão – Disse envergonhada.
— Sim sou irmão dela, e como irmão eu devo orienta-la da sua má fama.
— Má fama? – Ele se fez de desentendido, SÍNICO – Do que está falando?
— Ora, quer que eu liste seus podres em ordem alfabética ou posso relatar aleatoriamente? – Recrutei.
— Pedro para, o que você está fazendo aqui? – Susana me perguntei.
— Vim socorre-la das mãos desse canalha.
— Pevensie se você não quer que eu te arrebente aqui, pode ir parando com essas blasfêmias.
— BLASFEMIAS? OOOOOOOOH QUE SÍNICO, BOTA PARA CIMA SEU OTÁRIO – Desafiei, ele me olhou com raiva, eu odeio esse cara. – Ele já falou sobre a Elizabeth para você Susana? – Ele me olhou temeroso.
— Que Elizabeth? Para de inventar as coisas – Disse com a cara mais lavada.
— Aaaaaah quer se fazer de vítima agora? Peraí que eu tenho o número dela aqui, vamos ver quem é o doido dessa história toda. – Peguei meu celular.
— Pedro não precisa, eu e ele não temos nada, somos apenas amigos, nada mais do que isso. – Susana falou tentando me acalmar, ele olhou para ela deprimido. O que eu fiz? Gargalhei.
— Se ferrou seu otário, acha que vai conseguir a minha irmã assim? Vai procurar outra para enganar. Susana vamos para casa – Segurei no braço dela delicadamente, ela se soltou.
— Nada de ir para casa Pedro, tenho que estudar, vai para casa, quando eu chegar conversamos – Falou seriamente.
— Tudo bem, eu vou, mas quero que saiba OOOOOH tentativa fracassada de homem, que estou de olho em você – Ameacei ele. Abracei Susana antes de sair.
P.O.V Susana
— E o que ele disse amiga? – Naty me perguntou sorrindo, contei a ela o incidente de mais cedo que Pedro causou.
— Me pediu desculpas e disse que era tudo mentira do Pedro – Falei.
— Tadinho, e o que você acha mana?
— Eu sei lá, nem me importo, ele é só um amigo mesmo, se for mentira ou não, não quero me meter em nada – Falei — E como estão as aulas de dança Naty? – Mudei de assunto.
— Ah, estão ótimas mana, estou gostando cada vez mais, fora que o professor é muito lindo. – Disse suspirando, sorri dela – Pena que ele é casado.
— Uma pena mesmo.
— E o Thomas?
— Ah mana, ele trabalha muito, quase não nos falamos, mas até que estou gostando dele, é uma ótima pessoa, um cara incrível.
— Hum toda apaixonada – Brincou, sorrimos.
— E o Pedro? – Questionei.
— De novo Susana? Já conversamos sobre isso, nos beijamos e pronto.
— Como assim e pronto? Claro que não Natalie.
— Tá Susana! Você quer que eu faça o que hein? Que eu vá lá pedir ele em namoro? Para com isso, não aconteceu nada demais.
— Se você não tivesse saído correndo né – Falei emburrada.
— Aí Su, não quero falar sobre isso, Pedro tem a vida dele, como você mesma disse, ele não saiu para curtir? Então pronto, deixa essa merda para lá, não foi nada demais. – Disse se levantando da cama.
— Já vai?
— Sim, tenho aula de dança daqui a pouco.
— Tudo bem então, até depois – Falei.
— Até mana – Falou indo em direção da porta. Depois que Naty saiu fiquei lá deitada, fazendo umas pesquisas da faculdade.
Depois de algumas horas escutei vozes, era o Pedro e mais alguém, sei que era feio ouvir as conversas dos outros, assim que ouvi a porta do quarto de Pedro ser fechada, sair do meu devagar, queria saber quem era.
— Senta Lúh – Meus olhos se arregalaram, era a Lúcia. Ficava ou não ouvindo? Eis a questão.
P.O.V Lúcia
Estava assistindo Liga da Justiça com o Edmundo, sem um pingo de emoção, mal me concentrava no filme, na minha mente se passava flashes da noite do meu aniversário, da minha dor, da minha magoa, mas também pensei em tudo que Caspian me disse, assim como a Susana e a Naty, não posso culpar o Pedro, ele não sabe do que eu sinto por ele. Tenho que falar com ele, na verdade eu quero muito voltar a falar com ele. Estou morrendo de saudades, não fui exatamente justa quando mandei ele ir embora.
— Ta gostando Lúh? – Escutei Ed me perguntar, virei para encarar ele.
— Ah, sim, claro, é muito interessante. – Sorri amarelo. Ed apenas sorriu e voltou sua atenção para a telona.
Assim que o filme acabou, eu me sentia como se estivesse no estado “automático”, estava pensativa, Pedro não saia dos meus pensamentos.
— Lúcia? Está me ouvindo? — Ouvi Ed falar.
— Ham? Disse algo? – Perguntei confusa.
— Perguntei o que achou do filme. – Falou.
— Ah o filme.... Achei interessante – Comentei. Edmundo sorriu meio sínico.
— Você nem assistiu ao filme não é mesmo? Você está tão distante Lúcia, o que está te afligindo? – Congelei, pisquei algumas vezes, senti um nó se formar na minha garganta.
— Não é nada disso Ed, só estou um pouco cansada, essa semana foi puxada na escola – Inventei.
— Tem certeza? Sabe que pode contar tudo para mim, somos amigos, irei te ajudar no que eu puder. – Disse.
— Não se preocupe, está tudo bem – Sorri carinhosamente para ele.
— Quer comer algo?
— Estou sem fome, mas obrigada – Agradeci.
— Quer dar uma volta? Tem uma pracinha aqui perto.
— Pode ser.
Caminhávamos conversando, Ed falava na verdade, agradecia por isso, não estava muito afim de conversar, apenas respondia sim ou não, algumas vezes sorria para descontrair, sentamos no gramado em frente a um riacho, e um silencio assustador pairou sobre nós, olhei para ele e só assim percebi que ele me encarava. Encarei-o sem entender.
— O que foi? – Perguntei.
— Você é muito linda Lúh – Elogiou-me encantado.
— Ah Ed... Para – Sorri meio sem graça – Não sou tudo isso.
— Muito mais na verdade – Falou confiante – Não entendo porque ainda está sozinha. – Apenas sorri corada.
— E você hein? É um ótimo partido e ainda está aí, na mesma situação que eu – Falei.
— A menina que eu sou completamente apaixonado não liga muito para mim – Disse meio sem jeito.
— Ora ela deve ser uma burra, você é tão legal e muito bonito. Ela já sabe que você gosta dela?
— Não, tenho medo de levar um fora. Por enquanto me contento em ser somente amigo dela. Acho que ela deve gostar de outro cara – Falou emburrado.
— Porque não fala para ela? Vai que tenha sorte, e se ela não estiver gostando de ninguém? Nunca se sabe, de onde ela é?
— Daqui mesmo.
— Jura? Nossa que legal, eu quero conhecer ela, vai que eu te ajude – Falei feliz. Ed ficou calado uns minutos, encarava um ponto qualquer, pensativo, abria de vez em quando a boca, mas não emitia nenhum som, me preocupei com ele, quando pensei em falar algo, Edmundo se anunciou.
— Você conhece ela muito bem Lúcia – Deixou de encarar o nada e passou a me encarar.
— Conheço? – Perguntei confusa.
— Sim... – Sorriu – É você Lúcia, é por você que eu sou completamente apaixonado, desde sempre. Não é fácil para mim ficar tanto tempo longe de você.
Eu claramente fiquei sem ação, meu mundo caiu, meus olhos se arregalaram em descrença, como assim por mim? Fiquei calada, o que eu falaria? Meu Deus, não sei o que fazer. Nunca pensei que algo assim fosse acontecer comigo.
— Não vai falar nada? – Perguntou receoso.
— Ed... Eu realmente não sei o que dizer, nunca pensei que você gostasse dessa forma de mim.... Somos amigos e...
— Você gosta daquele cara, não é? – Falou tristemente. Suspirei, meu Deus o que eu falaria?
— Ele também é meu amigo Ed – Disse calmamente tentando conter o nervosismo.
— Lúcia eu sei, eu vi a maneira como olha para ele, como realmente ficou chateada com tudo o que ele fez, tenho certeza que estava pensando nele hoje – Sorriu debochado. Fiquei em silencio, ele bufou – Porque não conta para ele? – Suspirei, tentando encontrar palavras para responder.
— Pedro não saberia lidar com isso, ele me considera uma irmã – Falei com pesar na voz.
— Lúcia se ouça – Disse intrigado – Acha que ele merece seus sentimentos? Não conheço ele direito, mas o pouco que notei, percebi que ele é muito idiota, está na cara que ele tem todas que quiser, porque se prenderia a uma só? Ele não gosta de você da mesma maneira que eu gosto. Lúcia eu posso te fazer feliz, como jamais imaginou. Ele é um inútil.
— Não fale assim dele Edmundo, você não o conhece, ele pode não gostar de mim da mesma maneira como eu gosto, mas tenha certeza que Pedro é merecedor de qualquer coração – Disse entre lágrimas, ele não tinha o direito de tocar na minha ferida, me levantei do chão, pronta para ir embora, caminhei apressadamente.
— Lúcia espera – Edmundo segurou em minha mão – Me desculpe, eu não queria te deixar mal, eu sinto muito, eu sou um imbecil, não deveria falar essas coisas para você – Limpei as lágrimas dos meus olhos e falei:
— Tudo bem Ed, deixa para lá, eu tenho que ir agora, me desculpe, mais tarde nos falamos.
— Olha, posso te deixar em casa?
— Não Ed, quero ficar sozinha agora, obrigada. – Sai o mais depressa possível, avistei um táxi e fiz parada.
— Está tudo bem senhorita? – Perguntou-me o taxista.
— Está sim – Limpei os vestígios das lágrimas, disse o local para ele me levar, no caminho não conseguia parar de pensar em tudo o que Edmundo me disse, a vontade de chorar estava me consumindo. Queria o Pedro nesse momento, me afundar em seus braços e carinhos. Precisava dele, não aguentava mais.
— Por favor me leve nesse endereço – Disse o outro local para ele me levar, necessitava do Pedro, não queria mais brigar, só queria sentir o calor do seu corpo junto ao meu em um abraço aconchegante.
P.O.V Pedro
Estava sentado no sofá assistindo um jogo, quando escuto a campainha sendo tocada apressadamente.
— Calma aí, já estou indo – “Quem será? Não lembro de pedir nada”, pensei caminhando em direção da porta. Assim que abri, fiquei um pouco surpreso ao ver Lúcia ali parada, mas logo minha expressão de surpresa deu lugar a uma expressão de preocupação, vi o rosto dela um pouco inchado, logo percebi que tinha chorado e ao me encarar Lúcia lagrimou, ela ia chorar.
— Pedro! – Se jogou nos meus braços, desesperada, abracei ela preocupado.
— O que houve Lúh? – Perguntei enquanto acariciava os cabelos dela.
— Só me abraça Pedro, por favor me desculpa pelo o que eu fiz, fui injusta com você, não deveria ter te mandado embora – Entre soluços ela falava — Não quero mais brigar.
— Calma minha linda, está tudo bem – Abracei ela mais forte – Entra, me conta o que aconteceu – Segurei na mão dela, direcionando-nos a cozinha, peguei um copo com água e dei a ela.
— Ed... mundo... – Soluçou, na mesma hora a raiva me subiu.
— O QUE ELE TE FEZ LÚCIA?
— Na... da... Demais. – Disse.
— Como assim nada demais Lúh? Olha o seu estado. Me fala a verdade. – Exigi.
— Ele falou sobre... – Lúcia suspirou – sobre...
— Sobre? – Cobrei.
— Você... – Disse por fim, encarei-a com a expressão fechada, o que ele falaria de mim? Por acaso quer apanhar? Aaah mano, quem procura acha.
— Vem comigo – Pedi, segurei na mão dela, e por incrível que pareça ela deixou-se ser guiada, subi as escadas, queria saber dessa história direitinho, mas alguém poderia chegar a qualquer momento.
— Você vai me contar essa história direito, como assim ele falou de mim? – Falava com ela no corredor do quarto.
— Deixa para lá Pedro, está tudo bem. – Disse. Abri a porta, entrei com ela no quarto, fechei a porta.
— Senta Lúh – Falei, ela fez o que eu pedi. – Está mais calma?
— Sim, estou – Disse cabisbaixa.
— Ei? Olha para mim – Ela me olhou, notei seu olhar triste, me agachei a sua frente, segurei suas mãos, beijei-as – Vai, me conta. – Lúcia me lançou um olhar preocupado.
— Pedro é complicado, Ed não fez nada de ruim contra mim, só falou da nossa amizade, só isso, e não quero falar sobre isso, quero saber se você me desculpa? Fui uma péssima amiga.
— Lúh não a nada que deva te desculpar, eu que peço desculpas. Sabe que eu não ficaria com raiva de você, nem se eu quisesse, você é muito importante para mim.
— Você também é afinal somos ami.... – Ouvimos gritos vindo lá de baixo, especificamente lá de fora, e gritava o nome dela.
— LUUUUCIAAAA! – Parei para prestar atenção, levantei e olhei da janela, lá estava ele gritando igual louco, Lúcia me acompanhou na janela, ela tocou no meu ombro e senti ela tremer.
— Eu vou arrebentar ele – Esbravejei furioso.
— Pedro não – Lúcia pedia, segurando a minha mão.
— Fica calma, eu vou resolver isso, fica aqui ta bom? – Falei calmamente, beijei a testa dela, sai do quarto com os punhos fechados, desci as escadas e vi Susana vindo atrás.
— Pedro o que está acontecendo? – Perguntou-me preocupada.
— Nada Susana, fique com a Lúcia por favor – Pedi, mas logo vimos Lúcia descendo as escadas.
Abri a porta com muita raiva e sai para fora.
— O que é hein? Ta doido de ficar gritando na frente da minha casa?
— Aaaaaaaah eu sabia que ela viria atrás de você, cadê ela?
— O que você quer com ela? O que foi que você fez para ela vim chorando para cá? E o que disse ao meu respeito?
— Eu só quero conversar com ela, só isso, chame ela por gentileza.
— Ela não quer falar com você, vá embora agora ou eu te quebro aqui e agora – Ameacei.
— Não tenho medo de você, só vou sair daqui depois que falar com ela.
— Ed vá embora, por favor, depois conversamos – Lúcia apareceu na porta.
— Lúcia olha, me desculpa ta bom? Não queria dizer aquelas coisas, mas eu acabei falando. Não tinha a intenção de faze-la chorar.
— Ed por favor – Lúcia começava a querer chorar – Por favor... – Susana já estava ao lado dela reparei que alguns vizinhos olhavam aquela cena em silencio, Naty estava chegando e também ficou observando o que acontecia preocupada. Me aproximei pronto para bater nele outra vez, quando o ouço falar.
— Lúcia fala para ele – Olhei para ela esperando alguma resposta. – Vai conta para ele.
— Ed não faz isso, por favor – Ela já chorava implorando.
— Me contar o que? – Fiquei sem ação, estava confuso.
— Conta para ele e tenha a confirmação de tudo o que eu te disse.
— Ed – Ela já soluçava. Susana abraçava ela sem saber o que fazer. Meu olhar variava entre ele e ela.
— Ei Pevensie? Sabia que ela é apaixonada por você? – Meus olhos se arregalaram, minha expressão de preocupação deu lugar a uma de extrema surpresa e confusão. Olhei para ela perplexo, como acreditar nisso? Esperei alguma reação dela, alguma negação se quer, mas não, ela só chorava e escondia o rosto, correu para dentro de casa, Susana ficou perplexa também, não disse absolutamente nada, logo em seguida se recompôs e foi atrás dela, olhei ao redor, ninguém deu importância ao relato, fora Natalie, ela me olhava magoada, logo em seguida foi para a sua casa.
— Me diz Pevensie, o que fará agora hein? Só te digo uma coisa, valorize-a, Lúcia é a melhor pessoa desse mundo e a mais linda, e se ela decidiu que você seria merecedor do coração dela, algo em você ela viu que ninguém mais ver. Cuide bem dela e se não for fazer nada a respeito, suma da vida dela, não atrapalhe. – Disse e foi se retirando do local, como se nada tivesse acontecido.
E eu fiquei lá, parado, absorvendo aquelas informações, Lúcia é apaixonada por mim? O que eu farei a partir de agora? Me senti o cara mais inútil desse mundo, como pude machucar ela agindo da maneira como tenho agido? Como pude ganhar seu coração sem nem ao menos merecer? Que providencia devo tomar? Como devo agir se agora meus sentimentos estão confusos em relação a ela, ainda considero mesmo ela como minha irmãzinha? Aquilo que eu senti na festa era mais do que uma proteção de irmão? Tenho pensado tanto nela ultimamente que não notei a certa atração que comecei a sentir assim que vi ela naquela noite, agora tudo faz sentido, fiquei mexido com ela, ao enxergar a mulher que estava se tornando. Lúcia me conhece tão bem, como pôde se deixar levar assim? Eu sei muito bem com que tipo de garota estou lidando, Lúcia não é uma qualquer, sei o tipo de pessoa que ela merece, mas eu? Logo eu? Justamente eu? Porque? Minha mente vagava em tantas coisas, Lúcia muita das vezes me via com as mulheres, sabe do meu comportamento e mesmo assim deixou-se gostar de mim? Como devo olha-la agora? Claramente a Lúcia não é mais uma simples garotinha. E o que eu estou sentindo de verdade? O Caspian vai me matar e com razão.
Adentrei em casa precisava falar com ela, ela estava no sofá junto a Susana, a mesma me lançou um olhar preocupado, obviamente não sabia o que fazer, muito menos eu, mas tentarei amenizar as coisas com cautela.
— Pedro eu vou ali com a Naty, assim vocês conversam tranquilamente – Já estava anoitecendo, assenti, Susana passou por mim e saiu fechando a porta.
— Quer conversar? – Perguntei meio sem jeito.
— Não, quero ir embora!
— Lúh? Ignorar esse assunto não vai mudar a nossa situação – Falei calmamente.
— Então me fala Pedro, como a gente fica? Me diz? Mudou algo para você? Claro que nã...
— Sim Lúcia – Ela me olhou confusa – Mudou sim, não sei exatamente o que, mas algo mudou sim. Confesso que não sei como devo agir agora.
— Não precisa fazer isso Pedro, vamos fingir que nada aconteceu e pronto. Deixamos as coisas como estão.
— Porque nunca me disse nada?
— E teria como dizer Pedro? Você não é o tipo de cara que se apega a alguém, eu sei disso, eu te conheço.
— E porque logo eu Lúcia?
— EU NÃO SEI, EU SOU IDIOTA É POR ISSO – Gritou, começou a chorar e cobriu o rosto. – Droga como vou aparecer em casa desse jeito? Não consigo parar de chorar, se eu soubesse que as coisas iriam terminar assim, não teria vindo aqui. Respirei fundo.
— Quer que eu fale com o Caspian avisando que você irá dormir aqui hoje?
— Claro que não, onde eu dormiria? Não quero incomodar ninguém.
— Dorme no quarto da Su, deixa de bobagem Lúcia, você não incomoda ninguém. – Ela me encarou uns minutos e logo abaixou o olhar.
— Está bem, fale com o Caspian por favor, vou esperar a Susana no quarto dela. – Disse subindo as escadas. Não falei nada, peguei meu celular e liguei para o Caspian, ele não fez muitas perguntas, agradeci aos céus.
Alguns minutos depois Susana voltou para casa, avisei a ela que Lúcia dormiria aqui, ela concordou sem questionar. Nossos pais chegaram horas depois, passei o jantar todo calado, Lúcia ficou lá em cima, disse que não estava com fome.
Tarde da noite e nada do sono, como dormir com a razão da minha falta de sono estar no quarto ao lado? Estava deitado com as mãos apoiadas atrás da minha cabeça, encarava o teto pensativo. Escuto alguém bater na porta devagar, me levanto e abro a porta, e lá estava ela, corada.
— Te acordei?
— Não, estava acordado mesmo, também está sem sono? – Perguntei passando a mão em meus cabelos.
— Sim
— Entra – Falei.
— Não posso demorar, vai que seus pais me pegam aqui – Disse preocupada.
— Relaxa, eles não costumam vim aqui – Falei divertido.
— Ah sim – Suspirou aliviada. – Desculpa por hoje, não queria causar problemas.
— Está tudo bem Lúh, vamos deixar isso para lá por enquanto ta bom? – Ela assentiu – Quer comer alguma coisa?
— Sim, estou morrendo de fome – Sorri balançando a cabeça, peguei um pacote de biscoito e um refrigerante no frigobar, entreguei a ela. Ela sentou na minha cama e lanchou calmamente, me encostei na parede, cruzei os braços, enquanto via ela comer. Admirava com carinho ela, como demorei para enxerga-la de verdade? Lúcia era muito linda, dona de uma delicadeza e um charme incrível.
— O que foi? – Perguntou sorrindo.
— Nada, só estou admirado com tamanha beleza, só isso! – Falei sincero, era bom ver ela sorrir, ela corou. Depois de lanchar ela deu um pequeno bocejo.
— Desculpe, acho que agora quero dormir – Falou cansada. Ela se deitou na cama, fiquei meio intrigado. Minutos depois escuto ela perguntar com a voz pesada – Não vai dormir?
— Lúcia não é certo, olha não quero que pense que me aproveitarei da situação, não quero induzi-la a nada e...
— Pedro, está tudo bem, eu sei o que estou fazendo, vamos deixar esse assunto para outro dia pode ser? – Falou com os olhos fechados.
— Tudo bem – Falei me aproximando da cama – Não toma muito espaço – Ela sorriu levemente, deitei na cama ao lado dela, ela posicionou a cabeça em cima do meu peito, abracei ela, puxei o cobertor até o meio dos nossos corpos, fiz carinho nos seus cabelos, até que ela realmente pegasse no sono. “Eu tô fodido! ”, com esse último pensamento, cai no sono.
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