Destinos Cruzados
36 Capítulo 36
Notas iniciais
POV.VIOLETTA
Quando cheguei em casa, encontrei toda a minha família na sala, se divertindo. Fazia tempo que não via uma cena como aquela.
– Oi filha, por onde você esteve? Não vi você sair.
– Mãe, Pai, Sofia, preciso contar uma coisa para vocês. – falei receosa.
– Pode dizer minha filha. – disse meu pai.
– Eu...eu... – não conseguia falar.
– Eu o que Violetta? – disse minha mãe.
– Eu estou gravida...
– Você o que? – gritou minha mãe.
Meu pai que estava comendo alguma coisa, se engasgou quando pronunciei aquelas palavras.
– Violetta, se isso for uma brincadeira de mau gosto, sugiro que...
– Não é uma brincadeira de mau gosto mãe. Estou falando sério. – pude perceber a irritação que acometia minha mãe.
– Eba. – disse Sofia me dando um abraço. – Você tá gravida do tio Léon?
– Sofia, vá para o quarto e feche a porta agora.
– Mas mamãe...
– Eu disse agora! – neste momento ela já estava surtando.
Assim que Sofia foi para o seu quarto, minha mãe continuou.
– Gravida Violetta? Eu nunca pensei que passaria por isso! Você nem é casada. Já viu como a sociedade vai nos ver agora? Você pensou nisso? Acho que aparentemente não, não é? – falou me desafiando.
– Meu amor, acalme-se. Gritar não vai resolver absolutamente nada. – meu pai se pronunciou pela primeira vez.
– Como posso ficar calma diante de uma situação com o essa? – fez uma pausa. – Então todas as vezes que estava fora, você ficava se agarrando com aquele rapaz. Violetta, eu esperava mais de você. Não sabe como estou me sentindo humilhada. Como você vai cuidar dessa criança? Esteja avisada que não vou mover um dedo para sustentarem vocês.
Nesse ponto, eu já estava chorando. Sabia que eles não teriam uma reação boa, mas não esperava por isso.
– E você acha que está sendo fácil para mim? Olha por quantas coisas eu já passei mãe! – comecei a gritar. – Eu sei que devia ter esperado, ou me prevenido, mas não fiz isso. Eu sei que a culpa em partes é minha, mas não é o fim do mundo. – suspirei tentando me acalmar. – Eu não quero seu dinheiro, muito menos a sua bondade. Só achei que devessem saber disso.
– Olha aqui Violetta...
– Eu ainda não acabei. – disse. Desculpa por ser o desgosto da família, mas não me arrependo em nada do que fiz. Você sabe o quanto sofri antes, e você sabe que o Léon nos ajudou muito, tanto na saúde da Sofia, como me ajudou também. – fiz uma pausa. — Eu sei que você está brava, más precisa entender que já sou adulta, e não uma criancinha, e que querendo ou não, a vida é minha e não sua. Então por favor, pare de opinar sobre minhas escolhas. – ela parecia chocada.
– Filha. – disse meu pai. – Eu te apoio em tudo que precisar, e saiba que sempre pode contar comigo.
– Você vai ficar do lado dela?
– Querida, acho melhor você descansar um pouco, enquanto eu converso com a Vilu. Você não está em condições para isso agora. Quem sabe, mais tarde poderemos ter uma conversa agradável. Mas acho melhor você ir para o quarto.
Sem esperar uma resposta, meu pai me levou até meu quarto e fechou a porta. Eu me sentei na cama, e ele se sentou em uma cadeia de frente para mim.
– Desculpe por sua mãe, ela...
– Não, tudo bem pai. Eu sei que essa notícia não é fácil de ouvir.
– Eu confesso que estou surpreso. Admito isso, e creio que esse bebe veio por algum motivo. Mas ao mesmo tempo estou preocupado. O Léon já sabe disso?
– Não, liguei hoje para ele e pedi que me retornasse a ligação. Mas ainda não recebi nenhuma chamada. – suspirei. –Eu estaria mentindo se não dissesse que não estou preocupada pai. E se ele não aceitar a criança?
– Filha, tenho certeza que ele vai aceitar. Quando vocês estavam juntos, eu percebi o quanto se amavam. E tenho certeza que isso não mudou por causa da distância. Às vezes, quando nos afastamos da pessoa que amamos, não quer dizer que você as ame menos, as vezes quer dizer que você as ama mais ainda. Estou certo? – soltei um risinho.
– Está! Afinal de contas, você sempre está certo.
– Não acredito que você cresceu tanto. Como o tempo passa rápido.
– Você sabe que eu te amo não sabe? – disse me levantando, indo em sua direção e lhe dando um abraço apertado.
– Eu também te amo minha filha. – beijou meu rosto. – Não se preocupe com sua mãe, ela vai entender.
– Eu sei. Fique tranquilo!
Meu celular começou a tocar, olhei no visor e era o Léon.
– É o Léon. – falei.
– Vou deixar vocês dois a sós! – assenti e atendi a ligação.
LIGAÇÃO ON:
– Alo? – atendi receosa.
– Oi Violetta, bom...está tudo bem?
– Tudo ótimo, e você?
– Estou bem. – suspirou. – Aconteceu alguma coisa? Fiquei preocupado com sua ligação e...
– Na verdade aconteceu sim. Mas prefiro falar pessoalmente.
– E como quer fazer isso?
– Você está em sua casa neste momento?
– Sim.
– Posso ir até ai?
– Se você conseguir, por mim não tem problema.
– Tudo bem, vou pegar um avião para Toronto imediatamente. Até o final do dia eu estarei ai.
– Ok, vou te esperar.
– Tchau...e estou com saudades. – disse meio sem graça.
– Violetta...
– Não diga nada. E desculpa, eu não devia ter dito isso. Nos falamos depois. Tchau.
LIGAÇÃO OFF
Fui logo procurar meu pai.
– Pai?
– Oi minha filha, e ai?
– Você pode me fazer um favor?
– Claro, que favor?
– Poderia conseguir uma passagem para Toronto ainda para hoje?
– Se é isso que você quer, vou fazer o possível.
Algum tempo depois, meu pai feio me avisar que conseguir a Passagem, então neste momento estava a caminho do Aeroporto.
Eu estava surtando. Estavam passando tantas indagações pela minha cabeça, que estava difícil me concentrar. Estava nervosa e me sentia um pouco enjoada devido a gravidez. Mas nada muito grave.
Peguei o avião e depois de várias horas de voo, cheguei em Toronto quase ao anoitecer. Peguei um taxi, deixei minhas coisas no hotel e fui rumo a casa do Léon.
Estava receosa se deveria estar ou não ali naquele momento, mas necessitava dizer a verdade, necessitava velo novamente e necessitava ver aqueles olhos verdes me mirando, nem que fosse por somente um segundo.
Devido esses pensamentos, bati na porta e imediatamente a figura alta de olhos verdes a abriu. Ele estava perfeito. E ao sentir aquele aroma amadeirado novamente estremeci. Tive que me segurar para não cair em sua frente.
– Oi Vilu. – disse em um tom calmo.
– Oi Léon. – sorri.
– Quer entrar?
– Acho melhor não. Tenho uma notícia para te dar mas não sei como irá reagir então acho melhor eu ficar aqui fora mesmo.
– Tudo bem, e qual é a notícia? – parecia curioso.
– Eu...eu...eu não consigo te dizer Léon.
– Eu sei que consegue. Olhe para mim. – olhei para aqueles belos olhos. – Respire fundo e diga, você consegue. Eu acredito em você e sei que não veio aqui a toa. Você tem uma notícia importante, não deixe os seus medos te impedirem!
Respirei fundo e disse:
– Lembra das minhas crises de tontura e ânsias que disse que eram por causa do stress?
– Lembro.
– Então, não eram por causa disso, elas continuaram dia após dia, até ficar quase impossível comer alguma coisa sem vomitar. Eu não queria ir no médico mas a Francesca me obrigou, e descobrimos o diagnóstico.
– Qual é? – ele parecia extremamente preocupado.
– Eu estou gravida Léon!
Depois de ter contado tudo ao Léon, esperei por um comentário, um suspiro, uma desaprovação, qualquer coisa. Mas a única resposta foi um olhar incrédulo.
– Léon, me diga alguma coisa, por favor, qualquer coisa! – as lagrimas já escorriam pelo meu rosto. — Me desculpa, desculpa por isso Léon, você não precisa assumir se quiser. Eu sei que é um peso muito grande. – meu choro se intensificou.
Depois de longos minutos de um silencio mortal, não aguentei e sentei no chão totalmente desesperada. Não parava de soluçar enquanto o Léon apenas me observava ainda em choque.
Quando finalmente despertou de seus devaneios, me cercou com seus braços dóceis e seguros, sussurrando em meu ouvido:
– Tudo bem, eu estou aqui!...
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