Destinos
18 Capítulo 18 - Pensamentos na calada da noite
Notas iniciais
Algum tempo depois o Cebola e a Mônica notaram que não tinha nada para eles fazerem até que o Cebola sugeriu deles verem algum filme em DVD que tivesse na casa, desse modo Mônica concorda com a ideia e amostrando pro moreno onde fica guardado os DVDs, então ele foi até o local indicado pela dentucinha logo em seguida pegou a pilha de DVDs, depois os dois começaram a escolher o filme juntos. Cebola nota um filme de terror no meio de tantos filmes que a maioria eram de comédia/drama romântico e acabou escolhendo ver esse filme de terror, mas Mônica não gostou muito da ideia por não gostar de filmes desse gênero, só depois de muita insistência do jovem a dentuça acabou cedendo. Para deixar ainda melhor o filme, Cebola havia preparado pra eles uma pipoca amanteigada quase parecida de cinema acompanhando com refrigerante bem gelado, já com tudo pronto os dois iniciaram o filme sentados no sofá mais ou menos próximos um do outro.
Os dois estavam assistindo o filme numa tranquilidade grande de prestar atenção no enredo, tinha parte que a Mônica ficava com muito medo e tampava os olhos com as suas mãos, enquanto o Cebola só ria discretamente achando a maior graça de ver a garota agir dessa maneira e ao mesmo tempo achando tão fofinha aquele jeitinho bobo medroso dela, que deixava os chocolates dos seus belos olhos hipnotizado de tanto admira-la, faltava pouco pra ele nem querer prestar mais atenção no filme, só nela. Por incrível que pareça pela primeira vez aqueles dois adolescentes estavam começando a se entender de verdade, conseguiram passar o restante toda da tarde sem discussão e nem perceberam como a hora havia voado, pois já era de noite.
Dessa forma os dois continuavam vendo o filme que já estava no final, até de repente a porta se abre do nada fazendo os dois adolescentes se assustarem, principalmente a Mônica. Por pensarem que se tratava de um Serial Killer havia invadido a casa estado pronto para cometer um assassinato igual ao filme a qual estavam assistido.
—AAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! —Mônica gritou apavorada.
—AAAAAAAAAHHHHHHHHH! —Cebola gritou só que não estava tão assustado quanto a Mônica.
—AAAAHHHH! —Gritou de susto uma voz desconhecida ou não nem tanto desconhecida assim. —Hã?! Alguém me explica o que esta acontecendo aqui? Por que essa gritaria toda? E por que essa casa estar tão escura? —Dona Luísa perguntou estado abismada ao mesmo tempo confusa e um pouco assustada com a gritaria sem motivo assim que entrou dentro da sua residência após um longo dia de trabalho no hospital.
—M-m-mãe! Uffa! Ainda bem que é você. —Mônica pronunciou aliviada por ver que era a sua mãe, depois deu um suspiro com a mão sobre o seu peito direito.
—Uffa! É apenas a dona Luísa! —Cebola disse aliviado ao ver que era apenas a dona da casa.
—Claro que sou eu, Mônica. Quem mais poderia ser? —A mulher questionou estando incrédula com aquele dois jovens.
—Hahaha! Foi mal! É que eu estava vendo filme de terror com o Cebola e acabei me assustando quando a senhora chegou aqui do nada. —A dentuça explicou esclarecendo estando meio sem graça.
—Também né, não é pra tanto. Essa casa esta toda escura. —Dona Luísa comentou acendendo a luz da casa ao apertar no botão do interruptor. —O que me estranha é ver você filha assisti filme de terror, não é você que diz que odeia esses tipos de filme? E ainda por cima junto do Cebola sem brigar, que milagre é esse? —Ela interrogou estando bastante intrigada, mas ao mesmo tempo feliz de ver sua filha estava se entendendo com o Cebola.
—Hahaha... Podemos dizer que estamos começando a dar os nossos primeiros passos, mas ainda não quer dizer que mudamos. —A jovem respondeu com um pequeno sorriso alegre direcionado para a sua mãe. —Né Cebola? Não estou certa?! —Ela indagou olhando direto para o garoto que estava ao seu lado.
—Er, esta sim sem duvidas! —Cebola confirmou com leve sorriso amigável destinado para a Mônica.
—Que maravilha! Já vi que as coisas vão ficar mais fáceis daqui pra frente. —Luísa comemorou sentido aliviada com um sorriso simpático contornado em seu rosto.
—Ah, gente o papo tá ótimo mais tenho que vaza! —O moreno avisou se levantando do sofá caminhando até a saída com as duas mãos em cada lado dentro do bolso da calça.
—Mas já... Quero dizer! Tudo bem! Tchau idiota! —Mônica se despediu de modo cínico debochado disfarçando que não se importa nem um pouco de ver o Cebola parti, mas no fundo ela desejava que ele ficasse só mais um pouquinho.
—Tchau coelha! Tchau dona Luísa! —Cebola se despediu já em frente a porta da residência pronto para ir embora.
—Tchau! Até amanha! —Luísa se despediu ainda confusa sem entender bem, vendo Cebola ir embora após ter encostado a porta, deixando apenas ela e sua bela filha dentro daquela casa. —O que esta acontecendo aqui, hein?! Que coisa estranha. —Ela mencionou confusa sem poder entender nada.
—Sei lá mamãe! Sei lá! —A jovem morena afirmou dando nos ombros e com cara de sonsa desentendida sorrindo de um jeito divertido.
[...]
Horas mais tarde daquela mesma noite havia se passado e com isso chegou o horário de ir dormir, Mônica por sua vez já estava dentro do seu próprio quarto deitada em sua cama se preparando para dormir, ela estava acompanhada junto da presença de sua mãe, Luísa, que estava ali para prepara-la para dormir como costume todas as noites.
—Pronto filha! Já esta toda embrulhadinha e quentinha no cobertor. Já pode ir dormir tranquilamente com os anjinhos. —Luísa anunciou com carinho em seu tom de voz que transmitia meiguice, com um sorriso doce e singelo desenhado em sua face para sua filha.
—Mãe! Da um tempo! Não precisa falar assim como ainda fosse o seu bebê. —Mônica protestou estando indignada reprimindo a mãe por sempre trata-la dessa forma.
—Mônica, entenda você sempre será o meu bebê, mesmo quando for casada com os se... —A mulher argumenta, mas acabou hesitando antes de terminar de falar com um certo receio e abaixando a cabeça logo em seguida.
—"Casada com os seus filhos." É isso que ia falar?! —A dentucinha deduziu encarando a sua mãe.
—Ah Mônica... —Luísa exclamou com melancolia sentindo uma pequena pontada no seu coração pela sua filha.
—Não precisa explicar mãe. Eu sei que nunca vou me casar mesmo e muito menos poder ter filhos. —A garota decretou sentido ressentimento tentando se conformar sobre a sua vida ser assim tão impiedosa com ela.
—Mônica, não diga isso! —A mãe repreendeu sua filha com uma expressão triste em seu rosto pelo pessimismo da jovem. —Claro que você vai se casar sim. No dia que encontrar o homem certo que te ame e aceite você pelo que você é. —Ela confortou transmitindo um grande otimismo, que muitas vezes fazia a Mônica não entender aonde a sua mãe tirava tanta força de vontade.
—Mesmo se encontrar o cara certo pra mim ainda não vou poder dar filhos há ele por causa da minha frágil saúde. Esse é o meu trágico destino. —A dentucinha justificou tristemente, depois da um longo suspiro desanimado.
—Não é verdade. Eu não acredito nisso. Sei que você ponderar ter filhos e eu vou poder conhecer os meus netinhos, você vai ver meu amor. —Luísa encorajou mesmo estando descrente com a garota tentando transmitir total confiança em suas palavras. —Agora chega de conversa porque já estar tarde e nós teremos um longo dia amanhã. —Ela alertou avisando de forma um tanto autoritária, mas sem deixar de ser amorosa.
—Hum! Que seja! —A jovem resmungou com indiferença fingindo não se importar sobre a magoa que sentia sobre a sua própria vida.
—Boa noite filha, durma com Deus! —Luísa desejou com um meigo sorriso sublinhado em sua feição direcionado para a filha, depois beija a testa da garota de um jeito carinhoso.
—Boa noite mãe, durma com Deus também! —Mônica desejou o mesmo de modo atencioso com uma voz meiga e em sua semblante havia formado um pequeno sorriso posicionado em direção para a mulher a qual havia dado a vida, por fim ela ver a sua mãe sair do quarto encostando a porta após ter apertado o botão do interruptor de luz.
A jovem estava deitada na cama abraçada no seu precioso coelhinho azul de pelúcia com o corpo coberto pelo cobertor estando totalmente sozinha num quarto quase todo escuro se não fosse a claridade das luzes dos postes da rua que invadia vidro fechado da janela. Mônica se sentia muito cansada e cheia de sono estava preste a dormir com os seus olhos fixamente fechados, mas antes que pudesse começar a dormir a sua voz involuntariamente ressoava um certo nome.
—Cebola! —A dentucinha murmurou em sussurros leve se aconchegando mais na cama e abraçando com mais força o seu bichinho em seus braços e naquele momento um belo sorriso criou-se em sua delicada face ao pronunciar esse nome.
Logo após isso Mônica entrou num sono profundo onde ninguém poderia acorda-la com facilidade por uma noite inteira e só acordaria pela amanhã de manhã.
[...]
Fazia horas que o Cebola havia retornado pro seu lar após ter saído da casa de Mônica, ele já estava dentro do seu quarto tomado pela escuridão da noite estando deitado na cama usando as suas duas mãos como travesseiro atrás da nuca numa expressão pensativa sem conseguir dormir pois estava sobre muita tensão pensando nos últimos acontecimentos em sua estranha vida. Em sua mente vagava varias perguntas que parecia que nunca teriam resposta.
—"É esse mesmo o estilo de vida que quero levar pra sempre? Será que eu devo começar a mudar? Por que não tiro aquela garota dos meus pensamentos? Que sensação estranha é essa quando estou com ela? Por que sinto a necessidade de protege-la a qualquer custo? POR QUE NÃO TIRO ESSAS PORRAS DE PENSAMENTOS E NÃO VOU DORMI?".
Aquilo tudo já estava o deixado irritado, então o belo moreno se levanta da cama e vai até o interruptor de luz apertando o botão fazendo a luz acender iluminando o quarto inteiro, depois ele vai até o armário dentro do guarda-roupa pegando uma carteira de cigarro que estava guardada dentro do bolso de uma das suas calças jeans.
O jovem fica parado encarando pra aquela caixinha por alguns instantes depois fecha bem os olhos fixamente começando a puxa de devagarinho um cigarro até que de repente lembranças recentes invade sua mente.
"Cof...Cebola...Cop...Por fa...Cof Cuf..."
"Hum! Sim, acho eu! Mas pera ai, por que só você vai consertar os meus erros enquanto você tem vários?! Fumar feito uma chaminé ambulante é uma delas. Isso não é justo, então por isso também me decidir vou te consertar, nem adianta dizer não para mim."
Assim que termina de recordar se recompôs pra realidade atual daquele estante onde se encontrava, Cebola já de olhos abertos de novo volta a encarar a cartela com uma cara de desprezo fazendo desistir de tirar o cigarro de dentro. Ele vai caminhando até a janela, ao chegar abriu a mesma, fica algum tempo observando a rua silenciosa e deserta quase escura se não fosse pelas luzes dos postes, depois levanta o pescoço um pouco mais para cima fazendo notar o distante horizonte que se via luzes da cidade, prédios e condomínios muito altos que mais lembrava montanhas. Cebola volta dar atenção pra cartela de cigarro mais uma vez num olhar ríspido de desprezo, depois olha para o horizonte fixamente e erguendo a caixinha pra cima segurando com uma de suas mãos.
—Nunca mais irei precisar usar essa merda! —O garoto declarou convicto estando confiante com a sua decisão, então tendo muita determinação arremessou com toda a força a carteira de cigarro pela janela pra bem longe onde nem os seus olhos poderia ter alcance pra saber onde foi parar o objeto.
Terminando, o jovem já podia sentir um pouco mais de paz dentro de si, voltando pra cama e se deitando na mesma cobrindo o corpo com o lençol, como agora ele estava mais aliviado e ao mesmo tempo muito cansado não demorou muito pra cair no sono profundo, mas antes de permanecer no mundo dos sonhos sua boca ecoava sem querer de modo involuntário a seguinte palavra.
—Mônica! —Cebola murmurou o nome da jovem em sussurros baixo e naquele momento um sorriso se formou em seu rosto e logo o rapaz estava dormindo tranquilamente sem mais nada que pudesse incomodar o seu sono.
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