Notas iniciais
I've been through the desert on a horse with no name...

SENHORITA BRITTANY PIERCE, ACORDE JÁ!”

Tratava-se do berro que voltava à memória da loira em ecos importunos, infinitos e horrendos, conforme a mesma tentava entender como é que, ela havia ido parar ali onde se encontrava, na hora. Genuinamente, não sabia. Seu físico desligado do mundo, luzes fortes do sol e de lâmpadas penetrando suas pupilas sem dó nem piedade, um relógio barulhento. Os dois tinham muito em comum. Exceto a parte barulhenta. A atleta estava em modo automático, exatamente como o instrumento de ponteiros na parede. Mas, lhe faltavam pilhas. Tudo que fizera a seguir foi: coçar os olhos, fitar à mulher que acabara de se acomodar à diante e endireitar as costas. Ok, agora sim era uma pessoa apresentável. Não estava mais sozinha.

— Bom dia, Brittany.

— Bom dia.

— A senhora Doosenbury me relatou que é a quarta vez que você cochila durante as aulas de Geografia só esse mês, por isso está aqui. – A conselheira do McKinley, Emma Pillsbury, informou-a calmamente, à medida que passava um lencinho úmido que, surgira do nada em suas mãos, numa pequena estátua impecável, de tão limpa, sobre a organizada mesa. – Você quer compartilhar comigo o que está acontecendo?

— Não sei...

— Tudo bem. Vou facilitar um pouco pra você. Só me responde sim ou não agora, ok? – Ela esperou a adolescente concordar e continuou ao testemunhar tal ação. – Tem insônia durante a noite? Sua alimentação vai mal? O treino das animadoras anda pesado demais? Está brigada com um colega, parente, ou namorado?

— Não, nenhum desses. – Brittany respondeu distraída a série de questionamentos, enquanto olhava para o relógio da sala de vidro, direcionou os olhos azuis na mulher novamente, sorrindo forçado. – Olha, tá tudo bem, senhorita Pillsbury. Eu só estava um pouco cansada, não vai acontecer de novo.

A garota começou a levantar do assento.

— O problema é que aconteceu diversas vezes já, Brittany. – Rebateu a ruiva sem freios, concentrada na limpeza interminável dos utensílios de sua mesa. – E se continuar, nós teremos que passar o assunto para a direção, a pedido da professora, e isso vai chegar ao seu pai...

— Ok. – Ela suspirou soltando o corpo na cadeira da qual pretendia fugir. – Acho que não vai ser necessário.

— Ótimo. – A ruiva sorriu, encarou-a olho a olho e jogou o lencinho recém-usado no pequeno lixo do lugar. – Bom, tem alguma situação que anda te incomodando nos últimos dias?

— Sim...

— E essa situação seria aqui na escola?

— Mais ou menos.

— E você se sente confortável para me revelar ela agora?

— Não.

— Ok, eu imaginava. Você pode me dizer alguma coisa que possa ajudar então? Por exemplo, um detalhe, algo que não entregue a situação de fato, porém me dê uma ideia do que está acontecendo.

— Eu... Tenho sonhos muito... Muito ruins.

— Ah, sonhos? – Emma balançou a cabeça em compreensão e inclinou-se um pouco avante. – Eles sempre atrapalham o seu sono noturno?

— Nem sempre.

— Ok. E com que frequência tem esses sonhos ruins, Brittany? Diria que muita?

— Não... Quer dizer, vem e volta, não é algo contínuo... Fazia um tempo já que não acontecia, admito que, por isso, foi estranho quando voltou.

— Entendi. Talvez, eles estejam voltando por conta da situação que anda te incomodando, sim? É natural que isso ocorra. – Brittany permaneceu em silêncio até a mulher voltar a falar. – Você já...

O sinal ecoou no espaço, indicando o início do intervalo de almoço, além de interromper a fala de Emma, é claro. Elas esperaram o som calar-se de vez, e os alunos recém-saídos das aulas acalmarem-se um pouco nos corredores da escola, para assim, voltarem à conversação.

— Continuamos semana que vem?

— Ok, semana que vem... – A loira repetiu, ficando de pé. – Tchau.

— Não se esqueça de vir mesmo Brittany, sei que vocês se esquecem de tudo após as férias de Natal, mas tente...

— Eu vou vir, pode deixar comigo, senhorita Pillsbury. – Sorriu. – Obrigada, até mais!

Ela virou-se, frenética, e deu de cara com Santana. Ok, ela sabia que a latina já estava bem. Até porque tinham trocado mensagens pela manhã, antes de irem para o McKinley. Todavia, a loira não podia deixar de ficar contente e meio abobalhada de ver a Lopez tão perto e visivelmente, bem melhor, do que no dia anterior.

— Oi...

— Oi. – A morena articulou muda num sorriso, e entrou na sua personagem rotineira em seguida. – Saí da minha frente Pierce, vamos! Não tenho o dia todo, querida...

Os olhos azuis desceram para o pescoço da latina, e Brittany constatou que a mesma estava usando o presente de Natal que ela dera por lá.

— Santana! – Emma exclamou de sua mesa. – Não se lembra do que falamos semana passada? Desculpe Brittany, até amanhã.

A Lopez sorriu e se aproximou da líder de torcida de forma ágil.

— Biblioteca, agora. – Cochichou ligeiramente no ouvido dela e acomodou-se numa das cadeiras da sala, depois. – Bom dia, senhorita-certinha, que saudades de você!

A conselheira franziu as sobrancelhas com a falsidade explícita da frase emitida.

— Bom dia, Santana...

— Vamos ao que interessa. Qual é a lição de moral de hoje? – Fingiu alto-astral, irônica. – Tô tão empolgada pra saber, como pode notar nitidamente.

Brittany riu do tom de voz da latina e saiu do cômodo, encaminhando-se à biblioteca. Perambulou pelos corredores silenciosos e profundos do lugar, sem saber ao certo o que fazer ali. Livros, livros e mais livros. Não era como se a outra tivesse explicado-a o que fazer, ela só disse para ir para lá, e agora cá estava ela. O que não a ajudava em nada, pois precisava correr atrás de Fabray para uma última revisão da coreografia treinada para o Festival de Inverno. Era bom que a Lopez não demorasse tanto. Bom, pelo menos, com o passar do tempo e dos passos pelo chão, a loira tomara consciência do corpo outra vez, o cansaço deixara-a em paz, por ora.

Três minutos...

Foi o tempo que Santana levou para aparecer na estante em que se localizava a menina Pierce, mais ou menos, em meio ao oceano de livros, quase se afogando. A morena abriu um sorriso radiante nos lábios carnudos para a garota e chamou-a, entrando em outro corredor, decidida. Foram parar na seção de linguagens, enfim. Então, a Lopez olhou para os lados. Não existia ninguém na área. A biblioteca estava quase vazia, quase. E mesmo sabendo que foi desta forma “discreta” que o chantagista conseguiu uma foto delas juntas, ela acabou com a distância que existia entre si e Brittany, deu-a um beijo fervoroso e um pouco perigoso.

— Sorte sua que eu não fiz isso ontem...

Voltaram a se beijar num segundo. Era arriscado? Talvez sim, com certeza, mas não estavam se importando tanto, afinal a tiazinha que cuidava da biblioteca não as botava medo de forma alguma, a não serem pelos “shh” assustadores repentinos.

— É, sorte. – Brittany se atreveu a dizer entre mais beijos, e com as mãos na cintura da Lopez, encostou-a contra uma estante. – Parece que você melhorou mesmo, Sant.

— Sim, mas... – Santana empurrou à loira, rindo baixinho. – Infelizmente eu não tenho tempo pra isso agora, Britt-Britt.

— Foi você quem começou, só acompanhei. – A Pierce retrucou levantando as mãos, como se fosse inocente, depois assistiu curiosa a próxima ação de Santana, quase se esquecendo de que estavam numa biblioteca, e que nela existiam livros. – O que está fazendo?

Shh... — Ela pronunciou, observando os livros daquela estante, atenta, passou os dedos pelas capas lendo só o superficial necessário, e aí, apossou-se de um deles entregando-o nas mãos da outra, sucessivamente. – Leva esse, nós vamos usar.

Ahn, ok.

— Eu preciso voltar pra Emma, antes que ela ache que eu fugi. – A Lopez avisou rindo e deu-a um selinho de despedida. – Tchau!

— Tchau...

Definitivamente, Santana poderia ter apenas mandado-a uma mensagem para que ela pegasse o livro por conta própria no lugar, sem beijos, encontros, entretanto, a garota preferiu fazer isso pessoalmente, e Brittany não sabia lidar muito bem ainda com o seu coração saltitante deixado para trás. Seria ela sua pilha? Suspeito.

(...)

Após a última aula que teve no dia, Santana foi para o auditório, como grande parte dos alunos do colégio. Lá esperou os minutos rolarem. Havia uma faixa pendurada na entrada do lugar, dizendo: “Festival de Inverno” o ano, e os dias, e uns blá-blá-blá’s a mais sobre ser bem-vindo que ninguém nunca lê, nem mesmo os convidados dos estudantes. A instituição estava repleta de estranhos. Os bancos do cômodo iam lotando-se mais e mais, e a morena percebeu umas garotas conhecidas chamando-a na direção delas em certo momento, trocou de lugar, sem pestanejar.

— Hey, Santana! – Bree disse, amigavelmente, com seu sorrisinho duvidoso habitual, ao lado de Marley, Violet e Madison, que logo, também acenaram para a ex-líder de torcida, cumprimentado-a. – Senta aqui com a gente, vem!

— Valeu... – Ela o fez, e percebeu o resto dos nadadores (a) se instalar por lá, ao entorno, saudando-se todos. Do outro lado os jogadores de futebol residiam. Na verdade, os grupinhos estavam todos reunidos ao longo do auditório, assim como quando estavam no refeitório, segregados. Nunca mudavam, nem sequer na presença de acompanhantes. Santana revirou os olhos e olhou para frente esperando algo acontecer, posteriormente a Spencer Porter chegar e agir como se fosse um amigo seu. Culpa das garotas ao lado. E, como não começara nada ainda no palco de cortinas fechadas, a morena resolveu se entrosar um pouco com as pessoas em companhia, quiçá isso a livrasse do tédio. – Vocês não participam de festivais assim, né?

— Não. A gente participa de competições de verdade, Santana. Não nos ofenda, por favor. – Violet deixou claro sua opinião e riu debochada. – Isso aí, é meramente uma montanha de shows de comédia, nada sério, e ontem foi hilário...

— Demais, você tinha que ter visto! – Bree manifestou-se contente. – Santana, Santana, você não...

O celular da nadadora começou a tocar, interrompendo-a.

— Ah, me desculpem, eu preciso atender. – Ela levantou as pressas ficando distante das outras atletas. – Não vou demorar!

Enquanto isso, Brittany estava agora, caminhando ao lado da capitã do time de animação e o resto das líderes de torcida em direção ao camarim que ficariam até a vez delas de entrar no palco. Depois do último ensaio que ela e as Cheerios tiveram mais cedo, a Pierce sentia-se finalmente aliviada e confiante para o Festival de Inverno. Parecia que tudo daria certo a partir dali. E aí uma “surpresa” as petrificou, logo que entraram na aconchegante sala de repouso. Em cima de uma mesa, situavam-se diversas coqueteleiras vermelhas de plástico e um cartão. Elas ficaram confusas e foram chegando perto dos copos, receosas, devagar.

— O que será que é isso? – Uma das garotas perguntou grudando na mesa, os olhos curiosos, pegou o papel pousado na superfície e entregou a capitã. – Olha...

— Vamos ver. – Quinn anunciou intrigada também, recebeu o papel nas mãos, e leu as palavras ali grafadas em voz alta para todas ouvirem. – “Arrasem garotas, aqui vai um pequeno presente pra vocês, aproveitem!” Hum, não sei não... – Ela mirou os olhos verdes nas outras estudantes. – Quem será que pode ter mandado isso? Não tem identificação nenhuma, pode ter sido qualquer um, estranho...

Brittany analisou a mesa, em meio à conversa alheia que rolava entre as garotas, e apanhou um dos copos ali unidos, girando-o nas mãos, percebeu ter um nome escrito atrás: Missy. Uma das Cheerios. As mãos pálidas da loira ergueram os outros objetos em seguida, a fim de verificar se também tinham aquele padrão que ela suspeitava, e sim, notou a mesma coisa ao fazer. Quinn, Brittany, Kitty, etc, etc. Eram os nomes de todas as meninas da equipe, colados na base das bebidas suspeitas. Tão exclusivo. Ela deixou as outras cientes disso rápido:

— Nossos nomes estão nas garrafas.

— Sério mesmo, Brittany?! – Jane Hayward exprimiu animada, e procurou por seu copo com intenção de provar o presente, tomou um gole após sacudir o recipiente e foi assistida pelas outras que, expressavam um enorme e mais que explícito ponto de interrogação em seus semblantes. – Aaah, gente! É só um dos shakes da treinadora. Nada demais, quer dizer, tá muito gostoso.

— É? – Fabray desconfiou e procurou por seu copo individual também, achou sem grandes dificuldades, experimentando assim por si própria a bebida misteriosa. – Verdade, é só shake! – Ela sorriu e relaxou, não havia mais o porquê hesitar. – Quem quiser tomar tá liberado. Acho que a Roz ficou inspirada para nos fazer uma surpresa hoje...

As ginastas riram e passaram a abrir todas as coqueteleiras chacoalhadas exclusivas, exceto Brittany que iniciou aquecimentos concentrados num canto da sala, sozinha. “Grande dia, ele começara bem, então terminaria bem também, absolutamente.“ Quinn ponderou andando junto a sua bebida até um sofá e sentou-se, olhando para o tumulto das outras em pé.

— Alguém sabe onde está a Kitty?

— Ela não entrou aqui ainda...

— Isso é muito bom pra estômago vazio galera, muito! – Jordan Stern revelou num gemido saciado, a garota chegou até a dar pulinhos. – Todas deviam tomar.

A Pierce deu de ombros para o olhar que recebeu e imitou o resto do grupo, colou na mesa e pegou uma garrafa com o seu nome, bebeu um pequeno gole, sentindo o sabor de cenoura, couve e outras coisinhas no shake energético, e realmente, estava bom, um típico shake de treino feito por Washington, aparentemente.

— Os shows já começaram? – Fabray questionou do assento. – Tô ouvindo gritos...

— Vou lá ver, Quinn. – Brittany decidiu, indo em direção à saída, percebendo o nervosismo da outra loira, nas mãos ainda apossava-se do shake. – Já volto!

— Ah Britt, se possível traz a Kitty junto!

— Ok.

Ela deixou o camarim e foi de encontro com Sam Evans, em poucos segundos, esbarram-se.

— Oi, Brittany! – Ele sorriu segurando-a. – Desculpa.

— Tudo bem, Sam... – A garota deu um passo para trás, reflexiva, o jogador não se apresentaria naquele evento, até onde ela sabia, logo: não havia motivo para Evans passear tão de pressa por lá. – Procurando algo?

— Eu tô atrás da Quinn.

— Ah, sim!

— Já entrei em dois lugares errados, ela não me explicou direito em que lugar vocês iam ficar, aí complicou...

A loira riu com a confusãozinha gerada.

— É que nós fomos avisadas de última hora, pelos representantes, o camarim que tínhamos que ficar. Mas, pode ficar tranquilo, tá no lugar certo dessa vez. Ela tá aí dentro... – A Pierce apontou com a cabeça sutilmente para a porta da qual saíra. – Hey, quando vocês vão me contar o que tá rolando entre vocês? Andam tão próximos.

— Eu poderia te contar agora mesmo Brittany só que aí, você teria que me contar o que tá rolando entre você e a Santana também...

— Oi?! – Ela engasgou, sentindo o peito pular de angústia. – O que você disse?

O que ele queria dizer com aquilo? Ele sabia dela com Santana? Como?

— Calma Brittany, não me leve a mal. – Ele gargalhou tranquilo. – O que eu quis dizer é que, você estar próximo de alguém não necessariamente vai significar algo a mais, entendeu?

Será que Fabray tinha contado a Evans que ela ainda se encontrava com Santana ou ele sabia/descobrira tal fato de outra forma?

— Sim... E-eu... Tenho que procurar a Kitty... Preciso ir.

— Ok, claro. – Ele abraçou-a forte. – Tô torcendo por vocês, tá?

— Eu sei. – A Pierce desmanchou o enlace e evitou contato visual, estava um pouco preocupada e paranoica agora. – Tchau, Sam.

— Até!

Não demorou muito para a garota achar a outra líder de torcida que, entretida, situava-se no fundo do palco assistindo as apresentações alheias.

— Kitty...

Ela olhou para trás com o chamado e viu Brittany.

— Oi Britt, tudo bem? Você parece mal.

— Tudo bem, érr... A Quinn, ela tá procurando você...

— O que é isso aí na sua mão? – A Wilde indagou intrigada, ignorando a última frase que a amiga dissera. – Hein?

— Shake da treinadora.

— Ah, passa pra cá! – Ela arrancou a coqueteleira da mão de Brittany e começou a tomar. – Humm, esse tá bom, tava precisando, com certeza.

— Todo mundo ganhou, tem nossos nomes embaixo...

— Legal.

— E esse era o meu, Kitty!

— Não tem problema flor, pode pegar o meu pra você se for o caso, eu não ligo.

Kitty voltou a olhar para o show que rolava no palco.

— O que você tinha vindo fazer aqui mesmo? Acho que não prestei atenção, desculpa.

— Te levar para o camarim, a pedido da Quinn.

— Ah, claro, eu não vou agora, pode voltar.

— Mas...

— Sou claustrofóbica eventualmente, Britt. Tô tentando respirar aqui, é só falar isso, sei que ela vai entender, estou mais nervosa que ela.

— Ok, você venceu. – A de olhos azuis desistiu e percorreu o caminho de volta ao camarim, percebendo as atletas alongarem-se no espaço, e Sam com Quinn conversando no estofado velho, a capitã notou o seu retorno e acenou para ela chegar perto deles, foi o que fez. – Os shows já começaram sim, Quinnie.

— E a Kitty?

— Quer ficar respirando lá atrás do palco, ou qualquer coisa assim, ela falou que entenderia, então.

Fabray arqueou uma sobrancelha por conta do tom de Brittany, que consistia puramente em indiferença, irritação, ou algo do tipo.

— Tá tudo bem?

— Sim. – Ela sorriu e saiu dali, pegando a garrafa de Kitty para ela, talvez devesse voltar para trás do palco junto à outra também, pois, agora, conseguia até sentir no físico a claustrofobia eventual de que Wilde falara a pouco, existia realmente, era impressionante. – Vou ficar lá fora!

— Ok, mas volta logo Britt!

(...)

Um a um, os shows do festival foram encerando-se. Santana adorou o fato de Rachel Berry ter se apresentado sozinha lá, toda confiante e minúscula como só ela sabia ser, naquele palco imenso, brilhou. De resto, a Lopez não se importou nem um pouco, pessoas cantaram, dançaram, e até mesmo montaram peças, como nos casos dos clubes de literatura e jardinagem. “Talvez, Mercedes Jones tivesse se apresentado no dia anterior” pensou, recordando-se de quando a Pierce lhe dissera que uma parte do Glee já havia performado no evento no primeiro dia, isso sim ela queria ter visto, de fato. Não adiantaria nada lamentar-se. Todavia, parou de ponderar sobre tudo, quando percebeu que o último show chegara enfim, sendo avisado num microfone pelo diretor Figgins, com sua cara de nada contínua. Era esse o show que ela tanto esperava para ver no dia, o único que a fizera entrar no auditório.

Ajeitou-se na cadeira, centrada.

Morria por dentro para ver logo o que Brittany e Fabray prepararam de tão especial para os meros mortais naquele fim de tarde chato. Porventura, a revelação da entrada delas na competição de animação fosse: épica. Como ela queria que fosse, mesmo não podendo estar lá. Bom, estava criando expectativas demais. Isso não prestava em nenhum universo, espaço ou tempo.

A música escolhida (Diplo Circus Remix) soou alta nas caixas de som, e as cortinas se abriram, revelando-as.

As Cheerios passaram a dançar à batida da melodia, uniformizadas com aqueles seus trajes de inverno da torcida, porém seus passos estavam lentos e esquisitos, mais de umas líderes do que de outras, Santana inclinou-se no assento como se estivesse vendo um filme superinteressante numa enorme tela plana, nos mínimos detalhes, queria entender o porquê às garotas assemelhavam-se a estarem em modo slow-motion, sonolentas, desnorteadas. Isso não parecia fazer parte do show. Não fazia.

Kitty, Brittany e Quinn foram jogadas para o alto, a fim de rodopiarem no ar.

No entanto, as animadoras que estavam encarregadas de segurar Wilde, deixaram com que ela escapasse e fosse de encontro bruto ao chão, e enquanto isso outras três líderes caiam como dominós no palco, por conta de mortais atrapalhados de uma delas. Trágico. O que estava acontecendo?

— Eita, elas estão chapadas! – Karofsky gritou aos risos e ergueu-se, pegou o celular para gravar a cena, e outros jogadores e alunos imitaram-no, sem se preocupar. – Wow! Gente, isso tá demais...

Em poucos segundos: tumulto.

Roz Washington, e outros professores do McKinley, levantaram-se as pressas de seus assentos à medida que, as atletas interromperam a apresentação para ajudarem umas as outras, mas principalmente Kitty, que pelo jeito, batera o rosto no chão feio e, talvez, tivesse quebrado o nariz, além de ter apagado.

Sangue.

A morena à plateia, chocada, deixou sua cadeira e checou a última mensagem recém-chegada ao seu celular, em meio à muvuca que se criava à frente.

[Número Anônimo]: Assim que se faz um show, é? [5:51 p.m]

[Número Anônimo]: Devemos palmas as Cheerios? Diga-me. [5:51 p.m]

“All eyes on me in the center of the ring, just like a circus...”

[Número Anônimo]: Ou será que deveríamos achar o culpado? [5:51 p.m]

[Número Anônimo]: Escolha o seu lado, Lopez. [5:52 p.m]

Notas finais
Até ♥