Destino ou não - Brittana
29 Esses diazinhos
Notas iniciais
Passos e mais passos pelo concreto... Concentrem-se no pavimento, olhos azuis, apenas nele, ok?
Brittany não olhou para trás depois de presenciar Santana Lopez beijando Noah Puckerman no meio do corredor do colégio McKinley. Ela deu meia volta para aquilo. Fugiu. Saiu. Escapuliu. Dane-se a cena, certo? Sim. Não queria pensar sobre isso. Ou lembrar-se disso. Não queria nada relacionado ao acontecimento. Nada mesmo. Principalmente pensar sobre. Mas, ela estava. Porcaria. Agora sim, a loira desejava ter amnésia com todas as suas forças vitais, pois seu coração gritava por isso: esquecimento. Sim, aquele seu coração partido. O coração idiota que não sabe escolher nada. O coraçãozinho iludido culpado. Por que ela, a maldita amnésia, não surge quando se deseja por ela? A desgraça só ataca os desavisados.
O mundo é mesmo um injusto sádico.
A Pierce, não queria apagar tal imagem da cabeça necessariamente por: ver a Lopez beijando o determinado rapaz. Talvez, quisesse genuinamente apagar, apenas, por ver a outra beijando qualquer pessoa que não fosse ela. Isso doía, e não devia doer. É. Isso era ruim. A outra não a devia nada. Nunca deveu. De nenhuma maneira. Brittany tinha plena consciência disso. Elas, as líderes de torcida, não eram nada, nem mesmo “grandes amigas” agora, aparentemente. A loira sentia que, estava sendo dramática de novo. Queria fugir de novo. Estava correndo para longe dos “problemas”, medos, sentimentos, o que quer que fosse. Entretanto, o farol não era mais um refúgio para ela, nem sua casa, nem rua, nem restaurante, nem a própria mente turbilhonante. Não havia saída.
Só que ela precisava respirar e pensar com calma.
Parou, em algum lugar do estacionamento da instituição escolar. Seus pés caminhavam vagarosamente. Carecia de paz. Tudo bem, o que a dava paz? Pensou e pensou e coisas vieram à memória dela, animais fofos, a natureza, o mar, as folhas, alimentos, músicas... Olhos castanhos. Bom, parece que ela tinha voltado à estaca-zero, missão falida com sucesso. Ou não. O seu anteontem com Santana havia sido bom.
Recordou-se então do fim de tarde de quarta-feira, quando estava tudo bem entre elas...
Brittany acabara de manobrar seu conversível, paralelo a calçada da residência de Santana. Elas haviam acabado de deixar a escola e era o segundo dia de trabalho da morena no Breadsticks, a mesma, não parecia muito animada para tal evento e Brittany percebeu por sua expressão, quando se virou para o banco ao lado.
“Cause you're hot then you're cold...”
Dedos finos alcançaram os botões do rádio do veículo e o desligaram, ligeiramente. Não que Hot N' Cold ou Katy Perry estivesse a incomodando por ter tocado I Kissed A Girl no dia anterior quando as garotas tentavam conversar sobre o beijo de Halloween, é que ela havia tido uma das suas ideias “geniais” em meio à melodia agitada. Santana olhou para a loira, após a ação, e percebeu a garota mais alta sorrir.
— Eu estava pensando... Talvez, eu queira jantar no Breadsticks hoje.
— Ah, é? – Santana cerrou os olhos e sorriu ironicamente. – Bom pra você, Britt.
— É que eu ouvi dizer que uma líder de torcida muito... Muito legal, trabalha lá agora. O que você acha sobre isso, Sant-Sant?
A Lopez riu.
— Hum... Eu não acho nada, coração. Só acho que desligou a Katy na melhor parte da música! E isso foi meio desolador e broxante, musicalmente falando. – Ela fingiu chateação e pôs uma mão no peito esquerdo. – Estou frustrada.
— Desculpa. – Brittany riu e passou a prender o cabelo, a aula de educação física havia sido trabalhosa, sentia o corpo quente mesmo depois de uma chuveirada e roupas limpas, incrível. – Enfim, eu vou te atrapalhar se eu ficar no restaurante hoje?
— Por que você iria? Tá com intenção de fazer alguma bagunça por lá ou coisa do tipo, Britt-Britt?
— Não, eu não. Apenas jantar mesmo.
— É eu imaginei... Vai ué. Não é como se eu pudesse te impedir de entrar no lugar, Pierce.
— Mas, se você pudesse fazer isso, você iria?
Santana riu e bagunçou a franja da outra rapidamente, direcionando os olhos castanhos para frente depois.
— Não.
— Ótimo... – A loira riu, arrumando a franja. – E quando você tem que entrar no restaurante?
— Daqui uma hora, mais ou menos.
— Ah, não vai demorar tanto.
— É... – Santana abriu a porta do carro e saiu, apoiando-se na janela após fechá-lo. – Você quer entrar? Ou vai ir pra casa, antes de comer?
— A-ah, não sei... Eu não preciso ir pra casa, mas...
— Era tudo o que eu precisava ouvir. – Santana avisou, sorrindo, dando a volta no conversível e chegando a porta de motorista, abrindo-a. – Vem!
A estudante pegou a mão da outra.
— Eu sei o porquê você quer comer no Breadsticks hoje, você não engana ninguém Brittany.
— Sabe, é? – A Pierce levantou e trancou a porta do veículo. – Por quê?
— Porque você quer me zoar, claramente. Me ver com o uniforme de garçonete...
— Você acha que eu só faço isso, agora?
— Mas, é a verdade! Admita que, quer vingança porque está triste em ficar para a recuperação do senhor-gel “bilíngue”, e talvez porque estamos presas oficialmente ao clube GnoBerry, também.
A loira suspirou. Estava desolada com sua desenvoltura em espanhol.
— Só a primeira parte é verdade, porque eu já disse que não me importo em ficar no Glee. E eu não quero me vingar de nada, Santana...
Elas caminharam até a casa e a adentraram.
— Eu sei, estou brincando, anjo. – Santana fechou a porta e encarou o rosto tristonho da outra. – Hey... Não fica assim Brittany. Eu te ajudo com o espanhol, sabe que deu certo da primeira vez, era só ter me procurado antes. A redação ficou maravilhosa graças ao nosso trabalho em equipe...
— Impossível ter te procurado antes! – Brittany disse entre risadas. – Você é muito chata! E antes era pior ainda...
— Vou ignorar que ousou dizer isso, tá? – A latina riu e sentou no sofá, esperando a outra fazer o mesmo, então Brittany logo a acompanhou. – Mas, é sério. Eu não ligo de te ajudar, você até que é fácil de “ensinar” sabe...
Brittany sorriu, pensando em tudo que estava em risco para a outra.
— Mas San, você tá trabalhando agora, não quero te atrapalhar com o emprego ou suas próprias lições e...
— Olha, eu que estou oferecendo meus magníficos dons aqui, coração. Só aceita, é mais fácil.
— Ok... – A Pierce assentiu. – Tudo bem, então.
A Lopez sorriu.
— Isso.
(...)
Havia dado a hora. A hora em ponto! Santana estava do outro lado da porta de seu quarto, a loira na sala, sozinha, olhando para os móveis. A morena só não estava tecnicamente atrasada, pois o seu local de emprego se localizava praticamente ao lado de sua atual casa, era só andar e pronto: chegou. Brittany ficou parada perto da porta, esperando a outra aparecer, e quando aconteceu, ela deixou os olhos azuis arregalarem-se admirados.
— Pronto. Demorei muito?
— Um pouco... – Brittany literalmente fitou-a dos pés a cabeça. – Nossa...
— O que, Britt-Britt?— A latina perguntou rindo, e chegando até a outra. – Vai começar, é?
— Você ficou muito bem com essa roupa mesmo, e eu achava que era impossível esse uniforme ser bonito.
— Não é? Eu concordo. Mas, nada é impossível comigo. – Santana pegou as chaves para destrancar a porta. – Vamos.
— Tem certeza que você não é o orgulho?
— Hum... É. Tenho sim, senhorita gula. – A Lopez passou pela porta. – Agora vamos, porque acho que calculei o tempo errado, de “tanta vontade” de servir mesas que estou hoje.
E quando elas chegaram lá, Brittany assistiu a outra trabalhar, sorrindo, e só jantou quando o horário de Santana havia cessado, ou seja, esperou pela morena, elas jantaram juntas no fim. E eram esses tipos de momentos que a loira amava na vida. Seu combustível de paz e calmaria era aquilo. Os momentos tranquilos com a outra em Rosefield, a cidade odiosa. A transparência que ambas tinham para certas coisas, era de se invejar. A abertura que ela sentia em relação a Santana e que ela não sentia com Quinn, Sam, Finn, Kitty ou qualquer outra pessoa da cidade. Inexplicável. Irritante. Uma droga. Pura ironia do universo.
E então, Brittany parou suas reflexões, ao tomar entendimento do seu físico, no estacionamento, de volta a infeliz sexta-feira...
Uma buzina ecoando. Ela olhou para o carro, Finn estava dentro do automóvel acenando e Fabray ao lado. A loira voltou uma passada, para sair do caminho dos carros, assim esbarrando com alguém atrás de si, virou-se para se desculpar, abruptamente.
— Desculpa... – E perdeu os olhos azuis semi-lacrimejantes em olhos castanho-escuros por breves segundos. – Santana.
A morena arqueou a sobrancelha preocupada, ao ver as lágrimas presas nos olhos da outra, e olhos azuis desviando dos seus, segurou os braços da Pierce.
— Você tá chorando?
Brittany se esquivou.
— Não... – Ela passou a mão direita pelos olhos. – Só entrou um cisco no meu olho.
— Ah, conta outra! – Disse a garota debochadamente. – Olha, o que você viu no corredor...
— Eu não ligo, Santana.
— Não foi nada lá no corredor.
Brittany encarou a morena.
— Eu não quero saber.
— É sério, Brittany. Eu só...
— Por que você está se justificando pra mim?
— Porque eu... – Santana parou de falar, respirando fundo, e desviando os olhos ela dessa vez. – Não sei.
— Ótimo.
Brittany saiu dali e começou a subir as escadinhas do estacionamento, sendo parada por Santana, que segurou levemente sua mão, ela olhou para trás.
— Nós temos que conversar.
— Eu não quero. – A loira afirmou, tentando disfarçar sua chateação, ouviu o sinal tocar. – Eu tenho que ir pra aula, licença.
— Sim, mas nós vamos conversar. Tá?
— Não. – Brittany puxou a mão e virou-se completamente para a outra. – Eu estou longe de você... Como você queria. Agora me deixa, por favor.
— Eu não quero que você fique longe de mim, eu estava irritada ontem Brittany, tenta entender... Eu não esperava que aquilo fosse acontecer, sabe...
— É... Você não esperava. Porque não é sua culpa, né? É minha.
— Para! Eu... Eu...
Brittany lembrou-se da cena de Puck e Santana, novamente.
— Eu não quero falar com você agora. – Disse por fim, a Pierce, subindo o restante da escada, deixando a outra para trás, cruzando com Sam nos corredores. – Oi Sam...
— Tudo bem com você, Brittany?
— É... Tá. E você?
O loiro sorriu, e se aproximou dela.
— Eu já falei da Stacey e do Stevie pra você, né?
A garota assentiu.
— Então, quando meus irmãozinhos estão tristes, eu costumo fazer isso. Talvez, melhore.
Ele a abraçou.
— Obrigada, Sam.
Santana atravessou o corredor com Quinn ao lado de si, e os olhos castanhos miraram nos loiros abraçados avante, ela não apreciava a paisagem, nem uma gota dela. Ainda mais sabendo que Evans gostava da Pierce, e que a loira, supostamente não queria nada com ele. Do que se tratava aquilo? E por que a atormentava olhar? Ela desistiu de insistir em falar com a outra com a cena e parou, direcionando-se para o seu armário. Notou que, Fabray estava falando ao seu lado ainda.
— Você não vai me dizer o que aconteceu?
— Não aconteceu nada, Barbie... — Santana pegou seus pertences. – Me deixa, vai.
— Ah, “não” senhora-cínica? Por que a Britt estava correndo de você? O que você fez Lopez?
Santana riu ironicamente.
— Eu? Nadinha, Fabray.
— Santana...
— Vai lá falar com a Barbie 2, super-curiosa! Ela tá logo ali do lado do seu namorado Ken-boca-de-peixe.— Santana apontou. – Mas, antes que chegue lá, espero muito que, se afogue na sua curiosidade irritante no meio do caminho. Até capitã!
— Ele não é meu namorado!
— Quem liga?!
A morena caminhou em direção à sala.
(...)
E Brittany evitou Santana pelo resto do dia. Com ajuda de Quinn e Sam, é claro. Não contou absolutamente nada a eles, sobre a discussão que havia tido com a Lopez, mas estava fazendo de tudo para manter-se longe da latina, de maneira “natural”, junto aos amigos. No clube, corredores, e educação física.
E funcionou bem.
Seu problema estava sendo “resolvido” da maior forma gambiarrenta possível, que encontrou em meio à doidera daquela sexta-feira importunadora. Já que não queria falar com a morena. Chegou a sua residência, exausta do dia letivo, até porque havia sido difícil não olhar para Santana no meio das coreografias das Cheerios, na reta final, porém agora estava tudo ok, estava em casa, pronta para relaxar.
Todavia, olá surpresas nada agradáveis da vida! Ela deu-se de cara com Robert.
Que, teoricamente, deveria estar trabalhando e não sentado ao sofá cinza da extensa sala, esperando-a, sério como se encontrava. A adolescente se aproximou do pai, com medo do que poderia estar acontecendo, no fundo, sentia.
Espanhol, o maldito!
Ela acenou para o grisalho.
— Oi pai... O que tá fazendo aqui em casa, há essa hora?
— Temo que você já saiba, Brittany. – Ele parecia chateado. – Sente, por favor, precisamos conversar sobre suas notas...
— Ah, ok... – A loira sentou no assento, evitando contato visual. – Então?
— Eu conversei com o seu professor, hoje de manhã. Mas, agora quero falar com você, com sinceridade, antes de tomar qualquer decisão ou medida sobre as circunstâncias que estão nos levando a tais resultados. Você concorda com esses termos, filha?
— Sim.
— Bom... Você mudou de francês para espanhol antes das férias de forma abrupta, eu te apoiei nisso, e você estava indo bem. E agora, de um ano letivo para outro, parece que suas notas de espanhol despencaram totalmente. Vamos lá, o que está acontecendo?
Ela havia ido bem, no começo, porque colava, mas ele nunca saberia disso, não enquanto a agonia tomasse as rédeas da vida da garota.
— Eu não sou boa com esse idioma.
— Como não? Eu sei que você é Brittany... Algo está te distraindo. O que é? Me diga, e eu vou te ajudar.
— Não, pai. Eu realmente sou péssima com isso.
— Entendi. Infelizmente não tem alemão nessa escola, senão você poderia continuar normalmente com ele, essa cidade tem muito para se adaptar ainda, mas já, já, as coisas mudarão em Rosefield, te garanto, é pra isso que eu trabalho, enfim... Vamos às soluções, sim? – O homem percebeu como a filha estava cabisbaixa. – O que houve?
— Nada.
— Brittany...
— Desculpa... Eu não queria... – Uma lágrima escapou de um dos olhos azuis. – Desculpa pai.
— Hey... – Ele abraçou a garota. – Eu não vou te dar castigos dessa vez. Você sabe que eu não gosto disso, e não funciona também... Não precisa chorar.
Robert se afastou.
— Mas, isso não quer dizer que eu esteja feliz, tudo bem mocinha? Me prometa que vai se esforçar, porque eu conheço a minha filha, e quando ela quer, ela pode. É uma Pierce!
A adolescente sorriu e assentiu.
— Eu prometo.
— Tudo bem... – O grisalho sorriu. – Vamos às soluções: eu vou te procurar um professor particular, o melhor que eu achar na cidade, e depois conversar com o senhor Schuester para retirar esses sábados de recuperação impostos para você...
— O que? Como assim?
— Eu andei fazendo umas pesquisas a respeito do seu professor, e sei que ele não é dos melhores, não em relação a espanhol, ele é um cara legal, mas sejamos sinceros, essa recuperação não te ajudará em nada dessa forma. O melhor será você entregar uma quantidade significante de trabalhos por semana, para recuperar o bimestre, como aquela sua redação que ele tanto elogiou.
— Você acha que ele vai aceitar isso?
— Claro que sim. – O relógio do homem apitou, ele olhou para o horário. – Bom, eu preciso voltar ao trabalho. Se cuide. – Ele levantou do sofá. – O Vitor está na cozinha se precisar, o Edgar veio limpar a piscina hoje, e a Valery está dando uma geral nos quartos lá em cima. Ah, e a Holly virá jantar conosco hoje às nove e meia, ok?
— Ok.
Robert beijou a testa de Brittany.
— Até mais tarde.
(...)
E o final de semana da garota havia sido tranquilo. Sábado e domingo, ambos os dias... Menos a parte que Santana havia mandado mensagens dizendo que queria falar com ela.
[Santana]: Brittany, eu quero falar com você. [5:00 p.m]
[Santana]: Não adianta você ficar fugindo, eu vou conseguir falar. [5:25 p.m]
[Santana]: E você sabe disso. [5:25 p.m]
E ela simplesmente bloqueou a morena e voltou a jogar cartas com o pai e Holly, a fim de relaxar. Estava divertido! E não, ela, a Lopez, não conseguiria falar. Santana podia beijar Puck à vontade, aliás, podia ir para o infinito e além, a loira não se importava. Mentira. Ela se importava sim. Muito, muito e muito. E o coração partido mais ainda, mas tinha que enganar o coração-bobo. Ser forte. Ignorar tudo. Tudo. E encontrar calmaria longe da Santana, e sua personalidade difícil.
Então, segunda-feira chegou, e Brittany pisou no colégio, mal chegando e já dando de cara, repentinamente, com a tal latina que tanto tentava esquecer em um único final de semana.
— Bom dia, Britt-Britt!
— Santana... – Brittany forçou um desânimo na voz. – Eu quero passar.
— Ah sim, mas primeiro você vai ouvir de mim, minha querida. Quer dizer que agora, você está me bloqueando e tudo, sua covarde? – A morena indagou de maneira cínica. – Muito interessante.
Brittany se surpreendeu.
— Interessante mesmo é você me chamar de covarde e não admitir que, foi você que fez o que fez. Sua enorme chata! Eu não quero falar com você.
— É, nem eu quero falar com você. Definitivamente, dessa vez. Eu desisto de vez Pierce, essa nossa “grande” amizade nunca daria certo mesmo. – Ela deu espaço para a outra se locomover no corredor. – Vai pra bem longe, que se foda!
— Ah, obrigada, Sant! — Brittany carregou a voz de deboche. – Valeu mesmo por parar de se estagnar no caminho alheio!
— De nada “coraçãozinho”, siga o seu caminho lindamente pros braços do Ken-bocudo, no mundo de plástico dos quintos dos infernos!
— O que você tá insinuando, Santana?!
— Eu? Nada Brittany... Sua lerda.
— Olha Santan...
— Tá tudo bem aqui? – Finn perguntou as interrompendo, com Quinn e Sam ao lado. – Vocês não eram amigas?
— Nós somos amigas, baleia-pé-grande. Grandes, grandes amigas! – Santana carregou a voz de ironia, e puxou Brittany para um abraço rápido e apertado. – Estão vendo? Está tudo bem!
Ela soltou-a e saiu dali.
— Tá tudo bem mesmo? Isso foi bizarro. – Quinn direcionou-se para a outra loira. – Britt?
— É... Sim, claro.
(...)
William Schuester terminou de escrever aquela palavra “especial” no quadro branco presente na sala do clube de coral, virou-se animado para os adolescentes sentados nas cadeiras de plástico, e disse:
— Duetos, pessoal. – O homem caminhou pelo perímetro. – Esse é o tema da semana!
Alguns jovens presentes, pareceram felizes de ouvir aquilo, já outros nem tanto.
— Meninas, e garotos. – O professor apontou para as líderes de torcida e os jogadores de futebol. – Vocês tem que participar dessa vez!
— Não. – Santana disse séria, de braços cruzados. – Digo e repito: eu não sou cantora.
— Mas, Santana, você e as meninas, todas cantaram para entrarem no clube! Vocês vão participar sim...
— Eu não v...
— Vai sim, Lopez. – Quinn afirmou a cortando. – Porque senão, adeus Cheerios, e eu duvido que você queira...
— Ótimo Fabray! Eu vou participar da cantoria de duplas. E talvez, agora eu me sinta motivada e inspirada a virar a nova capitã das líderes, pra ficar um pouquinho feliz.
— Quê?!
— Garotas, garotas! Não vamos brigar. – Will pediu, direcionando-se a um pote sobre o piano da sala, mexeu no objeto. – Eu tive ajuda da Rachel para colocar os nomes de todos os membros aqui. E agora, vou pedir para que vocês comecem o sorteio... Quinn?
A loira levantou e tirou Evans, se animou, pelo menos não havia pegado a latina satânica de dupla, seria um inferno. Finn foi depois, tirou Mercedes. E então, Brittany e Santana se entreolharam.
— Pode ir lá, Piercezinha.
A Cheerio levantou, revirando os olhos para o tom de voz provocativo da morena, aquele dia estava sendo um sufoco, e chegou aos nomes, enfiou a mão por entre papéis dobrados, e tirou qualquer um do meio. Abriu-o e quase engasgou. O nome. Santana era o nome. S-A-N-T-A-N-A. Justo agora? Não. Ela ficou parada olhando para o nome. Depois os olhos azuis correram diretamente para a latina.
Todos a olharam com expectativa, esperando ouvir a voz da loira. E nada. Silêncio.
— Quem você tirou Brittany? – Will perguntou, andando até ela. – Você...
— Ah, vocês não vão acreditar! – Ela dobrou o papel freneticamente e enfiou-o de volta aos outros, espalhando. – Tão engraçado, eu tirei meu próprio nome. Vou tentar de novo...
— Você não precisava colocar de volta.
— Deixa, deixa.
Ela pegou outro papel. Blaine era o nome dessa vez. Ufa! O garoto animou-se com a sua nova parceira para o dueto semanal e eles cochicharam algumas coisas sobre seus gostos mais profundos musicais. Santana tirou Rachel, para sua “sorte” ou não, bom, fato é que: a baixinha havia se animado com isso.
(...)
Ao fim do encontro do clube, todos estavam deixando a sala a fim de irem para suas aulas, Santana esperou sobrar apenas Brittany por lá de propósito, ou melhor, ela puxou a loira de volta para sala, quando a mesma e Blaine saiam de lá como tartarugas, alegou que tinham assuntos importantes e praticamente sequestrou a outra líder junto de si de volta para o cômodo acústico.
Encostou a porta e deixou-a para trás.
— O que você quer Santana? Seja rápida. Não posso mais perder aula de espanhol, e não quero ficar conversando com você.
— Eu sei o que você fez, Britt-Britt, simples.
— Q-quê? – Ela ficou nervosa. – Do que está falando?
Santana sabia que ela havia a tirado no sorteio? Como? Ela tinha poderes? Lia mentes? Como? Não podia acreditar que a outra sabia. A latina chegou super-perto dela.
— Sua sabotadora! Eu sei que, você não tirou o próprio nome no sorteio.
— Você está louca! – Brittany desviou da garota e andou até a porta, mas Santana entrou em sua frente de braços cruzados, de novo. – Licença.
— Aham. Estou. Quem você tirou, hein?
— Eu mesma.
— Mentira!
— Me deixa em paz, Santana. – Ela andou para cima da outra e a encostou na porta, pegando a maçaneta por trás das costas da morena, um pouco tímida notando quão perto estavam elas, novamente, corou. – Você... Você trancou a porta?!
A Lopez franziu as sobrancelhas.
— Eu, o que? – Ela virou-se e tentou abrir a porta da sala, sem sucesso. – Alguém trancou a gente aqui, Pierce.
— Santana! – Brittany começou a andar para trás, afastando-se. – Para de graça, é sério! Abre isso, agora.
— Se você não tivesse trapaceado nada disso teria acontecido.
— Para, abre a porta!
— Eu não tranquei essa porcaria de porta, Brittany! Entendeu?! Não tenho a chave.
— Eu não acredito em você.
A morena revirou os olhos.
— Ah, é?
Santana chegou perto da outra, pisando forte no chão.
— Quer me revistar, caramba?! Fica a vontade, "dona das verdades"!
— H-hã?!
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