Notas iniciais
This is the last time ♪

14 de Fevereiro...

Mais conhecido como dia de São Valentim. Ilustre dia do Amor. Vulgo dia dos Namorados. Quando diversos comércios arrecadam milhões de dólares, em cima da deslumbrante paixão pelo feriado, em todo o mundo. Quando pessoas, dentro de um namoro ou não, trocam presentes e gestos entre si. Indo das mais extravagantes coisas e ações que, possam existir, às mais simplórias e significativas. Quando todos querem algo especial para fazer e compartilhar, sejam apaixonados (a) ou não, afinal amor não é -e nunca fora- algo exclusivo do romance. Em suma, um dos dias mais queridos de todos os tempos, só amor, amor, amor.

E lá estava Santana Lopez, pela primeira vez, ansiosa com aquele dia.

Apesar de a data comemorativa ser um dia como qualquer outro, pois se caísse na semana, como era o caso, plena segunda-feira gritante -o mundo não pararia por conta dela- as pessoas não perderiam a chance de aproveitá-la, mesmo com outros afazeres, como trabalho ou estudos. Não mesmo. Os corredores do colégio William McKinley daquela cidadezinha praiana se tornaram palco de barracas de beijo, abraços, flores, cartões, maçãs do amor... Ah, era o paraíso para alguns, o inferno para outros. Existiam corações colados por todo lado, assim como frases e cartazes. E admiradores secretos? Não paravam de brotar de todos os cantos da instituição, distribuindo e/ou pondo cartinhas e “lembrançinhas” das mais variadas em armários alheios.

Bom, ao menos as aulas terminariam mais cedo, graças aos Deuses.

Brittany sorriu para a namorada, no momento em que elas, finalmente, pegaram estrada para lugar nenhum dentro daquele conversível. Tão emocionante. Adoravam ligar o rádio e ouvir as músicas que tocavam, e algumas vezes cantar com toda a energia que conseguissem captar na letra e ritmo. A sensação era incrível. E, embora não tivessem marcado, com exatidão, onde iriam passar a data como casal, tinham em mente que seguiriam em linha reta, dirigindo, até descobrir mais belos pontos beirando praia afora da cidade, explorando mais visões e mais visões do que já tinham se permitido explorar antes para aqueles lados.

Todavia, a Pierce sabia muito bem onde levar Santana.

Tinha planejado. Tinhas os ingressos do parque no bolso. Tinha a empolgação dentro do peito. Tinha a Lopez no banco do passageiro, doida para dirigir e mesmo assim, animada só por estar ali. Era possível estar mais feliz? O agora era tudo o que tinham, por enquanto, e ele valia ouro.

San, se eu te dissesse que planejei pra onde iríamos hoje desde que combinamos não planejar, você se irritaria?

A morena olhou para o lado, percebeu a tensão nos braços de Brittany e soltou um riso tranquilo, suave e confortante, capaz de melhorar todo e qualquer clima denso pairando ao ar.

— Lógico que não, Britt-Britt.

— Que bom... Porque eu planejei.

— Ah, é? – Santana riu de novo e voltou a olhar para a paisagem, sossegada. – Eu meio que já esperava por isso, pode relaxar, não tem problema.

— Eu tô relaxada... É só que... – Dedos finos deram duas batucadas no volante, à medida que Brittany visualizou um veículo por entre o retrovisor central querendo cortá-la e deixou o fulano ultrapassar seu carro, mesmo estando todo errado. – Tô um pouco nervosa por não ter te falado antes.

— Tudo bem. Vamos relevar isso. Eu também meio que “escondi” algo de você também, coração.

A líder de torcida mais alta arqueou um sobrancelha.

— Escondeu?

Uhum...

— O que?

— Você vai descobrir, em breve.

— Você quer me matar de curiosidade, é?!

— Talvez.

— Que injusto...

Elas riram.

— Mas, me diz Britt: pra onde estamos indo, hein?

— Ah, você vai descobrir, em breve.

— Vai me imitar agora?

Lábios rosados se curvaram em satisfação.

— Você que pediu por isso.

(...)

Num dos numerosos pedaços pouco movimentados da área verde que era aquele parque estadual, Brittany estendeu um tecido na grama, para ela e Santana sentarem-se, e a morena meramente fitando-a com atenção, durante o processo.

— Pronto!

Hum, me deixa adivinhar Britt, nós vamos fazer um piquenique?

— Eu diria que é bem mais que isso, Sant... Vamos sentar?

— Tá bom...

Elas se acomodaram sobre o pano esticado no solo e a loira buscou sua mochila, tirando uma caixa retangular de lá, entregou-a nas mãos da Lopez.

— Pra você.

Olhos castanhos se atentaram ao presente e no cartão sobre ele, mas Santana nem sequer fez menção de abrir um dos dois, ao invés disso, ela os largou de lado no chão, calada.

— Sabe Brittany... É engraçado... Mas, eu nunca sei como reagir aos seus presentes...

— Claro que sabe Santana, e como sabe... – Sorridente, a Pierce afirmou. – Sua espontaneidade nisso é a melhor parte.

— Você acha?

Ela assentiu uma, duas, três vezes só para intensificar a alegação à Lopez e se inclinou para dar um selinho na amada.

— Ok, isso fez eu me sentir uma parcela menos idiota... – Santana falou, depois, sem conseguir encarar os olhos azuis da namorada. É, ela se sentia uma menina boba ainda, exposta ao mundo, e com sentimentos muito à flor da pele. Entretanto, precisava ignorar essa sensação, puxou sua bolsa para perto e começou a revirá-la. – Mas, antes de abrir os meus presentes, e não conseguir mais falar, eu queria te dar os seus. Tá?

— Ah, eu vou ganhar presentes também?

— Claro que sim, tô em débito, né.

As garotas gargalharam com a brincadeira e a Lopez achou o que tanto procurava nas profundezas de sua bolsa.

— Primeiro queria revelar pra você que meu chocolate favorito, desde sempre, é M&M’s. Toma. É seu, de coração, pra minha coração.

Own...— Brittany recebeu o pacote de guloseima, sorriu com o semblante inteiro, como uma criança faria, e agradeceu. Mesmo que seu corpo e expressões fizessem isso por si só. Sem necessidade alguma de palavras no meio. – Obrigada!

— De nada... Você gosta de uma besteira, né.

— Claro! Não é sempre que se pode comer Sannie, você mais que ninguém sabe... Além disso, fazia tempo que eu não comia M&M’s... – Ela tornou-se reflexiva. – E nossa, eu nunca parei pra pensar qual é o meu chocolate favorito, tem tantos...

— Só pode ser M&M’s também, ele é o melhor!

— É. Você pode ter razão, deve ser...

— Eu não posso e não devo, eu tenho a razão, é diferente.

A loira riu com Santana e abriu a embalagem, comendo alguns e oferecendo à namorada também.

— Hey, quase que me esqueci de dizer, trouxe mais sabores além do de chocolate ao leite... – A Lopez anunciou, tirando outros pacotinhos de M&M’s da bolsa. – Manteiga de amendoim, cereja, canela, menta e chocolate branco.

— Nossa! – Brittany passou os olhos pelos chocolates espalhados ao longo do tecido e foi tateando um a um, o azul -das janelas de sua alma- se fazia mais cintilante do que nunca, ela riu à toa. – Isso é muito, muito legal mesmo!

— Se Rosefield tivesse mais sabores seria melhor ainda...

— Como vamos escolher por onde começar?

— Você quem sabe, gulinha...

Brittany sorriu e alcançou o rosto moreno, acariciando uma bochecha de Santana, não demorou muito para tirar um beijo mais acentuado de lábios carnudos.

— Eu gostei demais disso, obrigada.

— Que bom, mas não acabou... Ahn, sobre o outro presente... – A morena tirou uma câmera fotográfica da bolsa e, segurando-a firme nas mãos, entregou à Brittany. – Eu comprei essa Polaroid pra você.

Como assim?!

A Pierce pegou o objeto sem saber como reagir, estava muito surpresa, intercalava olhares da câmera nova para Santana e de Santana para a câmera, de novo e de novo.

— Era isso que estava “escondendo” de mim?

— Sim, era sim, acho que fiz um bom trabalho.

Sannie, você não precisava...

— Espera, antes que continue essa frase, eu quero explicar o porquê eu comprei essa Polaroid pra você, Britt.

— Ok...

— Nos últimos dias, eu andei pensando sobre tudo, e notei que as únicas fotos que nós temos, juntas, é aquela que seu pai tirou no Natal e aquela da chantagem. Ou seja, quase nada. E isso é tão triste, porque a gente pode estar deixando momentos incríveis passarem sem qualquer lembrança pra guardar depois, a não ser na própria memória-duvidosa que é a humana. E mais que isso, uma dessas nossas fotos, foi o nosso maior pesadelo por muito tempo por causa da palhaçada que a Kitty inventou. E sabe, não é isso que eu quero pra minha vida, não é. E acho que nem você. Brittany, eu não tenho vergonha ou medo de estar com você. Na verdade, quanto mais o tempo passa, mais eu tenho a certeza de que eu sou livre e feliz...

Olhos azuis começaram a lacrimejar ao passo que Santana falava, e percebendo isso, a morena juntou um de suas mãos a da namorada, sem que seu discurso se interrompesse no meio do caminho.

— Eu sempre tive medo do que os outros pudessem falar pelas minhas costas. Não vou negar, porque seria mentira. Mas, agora, eles já falam o que querem, e eu posso ter demorado muito pra perceber isso, mas talvez, a opinião alheia não importe, nem um pouco, quando a sua própria é muito bem resolvida. Talvez, bancar a “heroína” e ter a coragem de ser eu mesma e honesta, como o “Ryder disse”, não seja tão difícil e apavorante quanto ele queria que parecesse e fosse pra mim. E é por isso que eu quero começar isso agora. Vamos tirar muitas fotos, pra gente, nossas de verdade, porque nos temos o desejo de tirar, e não porque alguém quis tirar. Sem sentimentos ruins envolvidos mais, apenas nós e o que a gente sente uma pela outra...

A morena respirou fundo, decidindo então, externar a escolha que havia feito.

— E, se você concordar, eu quero acabar logo com essa história, quero entregar o Ryder, quero ser livre com você. Se o preço vai ser ver os urubus do McKinley falarem sobre a gente por semanas, meses, o que quer que seja, com foto, ou não, tudo bem por mim. O importante é estarmos juntas, bem e agirmos de forma ética, deixando toda essa merda pra trás, pra conseguirmos seguir em frente, em paz. Mas, é claro que não depende só de mim, então...

Cargas de emoções chegavam mais, e mais potentes, em ambos os corações elétricos.

— Nossa, isso foi... Nossa... Agora, eu é que não sei como reagir, San.

— Acho que eu atirei coisa demais em cima de você né, desculpa...

— Não, Santana! Não precisa se desculpar... – Brittany fitou olhos castanho-escuros e sorriu, sabia sua posição desde o inicio. – É claro que você pode entregar o Ryder, esse é o certo, seu plano foi um sucesso e temos provas o bastante, eu só não quis falar nada antes porque você disse que precisava pensar. Assim como você, eu não tenho medo, eu te amo e essa é a única coisa que importa pra mim. Não o que vão dizer. Ou como vão nos tratar.

Santana abriu um enorme sorriso e deu de ombros, desviando o olhar.

— Enfim, eu decidi olhar o lado bom de toda a situação pela primeira vez e, bom, as coisas estão melhorando, não corremos o risco de ser caçadas e jogadas na fogueira, por exemplo.

— É...

As líderes riram.

— Agora, seria um ótimo momento pra tirar uma foto.

— Eu concordo plenamente, Britt!

Elas se posicionaram lado a lado e fizeram uma pose, com enormes sorrisos esboçados nos lábios, tirando a primeira foto -de várias- naquela lindíssima Polaroid retro.

— Vamos pros meus presentes?

— Vamos! – Brittany concordou e se apossou da caixa retangular, entregando mais uma vez à Santana, junto ao “cartão tradicional” do dia. – Pra você... De novo.

— Obrigada... – A garota abriu o presente primeiro e se deparou com uma rosa, cor-de-rosa, pegou-a e cheirou seu aroma. – Que linda, Britt!

— Que bom que gostou... Dizem que rosas da cor rosa simboliza o amor, então achei que seria uma boa ocasião, o dia de hoje, pra te presentear com uma... Embora, se eu pudesse te dar flores todos os dias pra simbolizar o meu amor por você, eu daria, mesmo que fosse loucura... Ainda sim, não seria o bastante a ponto de transcrever o que eu sinto por você de verdade, então o que me resta é aproveitar esse feriado, enquanto ainda o tenho em mãos.

— Meu deus, você tá recitando poemas também é, corazón?— A latina riu e deu um beijo em lábios rosados com gosto de M&M’s. — Melhor beijo...

— É...

— Eu amei. Só não amo mais que você. Que fique bem claro.

— Imaginei... Ah, tem o cartão ainda!

— É mesmo, tem o cartão... – A adolescente alcançou o papel estampado a corações e começou a abrir, coisa que jamais se imaginou fazendo antes, a vida era um poço de ironias, mas esse tipo era ótimo, ela tinha que admitir, não sentia vontade de jogar no lixo como das outras vezes que ganhara algo do tipo, estava evoluindo. – Ok.

Era um cartão de dia dos namorados comum, “eu te amo” estava escrito, porém havia algo a mais, um papel dobrado caiu de dentro, ele era todo escrito à mão, como carta, lindo de doer, Santana o apanhou e soltou o cartão que servira de “máscara” de lado, dando início na leitura individual do material tão delicado.

“Querida Santana Lopez,

Sim. Eu amo o seu nome, San. Amo a pessoa que é. Amo seus olhos castanhos. Amo tantas coisas em você por amar você que até fica chato listar. Então, vou te poupar disso. E, me desculpa se eu estiver escrevendo besteira, esse já é o sétimo ou oitavo papel que gasto (ok, eu perdi as contas, pode ser que tenha passado disso), já tá tarde e eu não vou conseguir dormir até terminar de escrever tudo o que quero dizer pra você nesse dia de São Valentim (é, eu sei, a mãe natureza já me pôs na lista negra, apesar de que eu guardei todos os rascunhos feitos, antes de chegar nesse aqui, essa pode ser minha nova coleção, é sério, vamos contar depois?) haha, brincadeiras à parte, aqui vai.

Sabe o dia em que a gente se conheceu?

É engraçado lembrar, eu sei. Perdidas num penhasco. Foi assim como nós nos encontramos e nos salvamos. Eu não paro de pensar em você desde lá. Aliás, não paro de pensar em como tudo poderia ter sido diferente. Como eu fui idiota e grossa com a história do meu sobrenome “secreto”. Como, mesmo estando toda fora-dos-eixos, consegui me sentir próxima a você, como nunca havia conseguido me sentir com ninguém em Rosefield em todos os dias morando na cidade. Bom, agora eu entendo que o que aconteceu, e, nós podemos chamar de “Efeito Santana”.

Lembra?

Caminhando na praia e tomando aqueles sorvetes, sem dizer muitas palavras no processo, foi o que tornou meu dia melhor. A gente sorriu, ouviu música e até andamos com os braços unidos. Como podia aquela garota que eu mal conhecia ter feito isso? Meu mundo já não era o mesmo. Eu era “só Brittany” com você, fechada e ao mesmo tempo leve, sua presença me fascinou. E a minha sensação de bem-estar só aumentou mais e mais, à medida que se mudou para cá, tão perto, mesma escola, mesmo universo.

Eu estava me apaixonando por você.

Eu estava sem saída. Tudo de bom me lembrava de você, o movimento das árvores, a chuva forte, músicas, restaurantes... Estava encantada... E confusa. Não tinha mais volta para onde eu tinha me enfiado. Tinha entrado em um verdadeiro labirinto, levando o meu coração para bem mais fundo do que eu jamais imaginei que pudesse levar algum dia, e não tive controle. Mas, uma coisa era certa, eu não queria voltar. Nem quero. Nem vou.

Eu admito...

Até mesmo nas horas que vinha me zoar, eu sentia uma paz e algo tão forte que, não queria aceitar de forma alguma, e me irritava sozinha, porque para mim estava claro, eu odiava a cidade e queria correr, queria Seattle de volta, queria que o tempo voasse o mais rápido possível, para eu poder ir embora e esquecer que alguma vez na vida eu estive com os pés aqui, em Rosefield, nesse inferno que me afastou da minha terra natal, dos meus amigos, da minha casa, e da minha rotina toda. Mas, agora, eu tenho algo que me prende nela de verdade, você. E isso não é ruim, na realidade isso é conflituoso, porque pensamentos sobre o futuro sempre surgem, e a gente não conversa nunca sobre isso. Eu quero poder conversar sobre isso com você, e espero que eu tenha coragem de fazê-lo logo, estou me matando por isso.

Você é minha salvadora, Santana. Sempre vai ser. Não vou parar de repetir isso.

É a pessoa mais guerreira que conheço. É a pessoa mais linda que já vi. É a pessoa que mais me faz rir e ajuda em tudo, sem que precise pedir por isso, você sabe quando e sempre está lá. É a pessoa com o coração mais maravilhoso de todos e que insiste mesmo assim em dizer que não. É a pessoa que arruma as melhores formas de fazer as coisas, seja comer, estudar ou treinar, tudo, tudo, tudo! Não existe ninguém como você Sant, e é por isso que eu me sinto tão bem por saber que você é o meu amor. O meu verdadeiro amor. O meu único amor.

Sei que pode não gostar que eu te chame de amor, eu nunca tentei, mas, eu nunca tentei por não me permitir tentar, com medo do que pudesse achar, falar, ou fazer. Eu me bloqueie, mesmo sabendo que a gente combinou não o fazer, às vezes é difícil controlar a si mesmo, o ser humano tem dessas. Você sabe. Só que, a verdade é essa, e não quero mais ocultar, você é o meu amor, é o que é. Então, vou pedir uma coisa para você, que talvez eu não consiga pedir sem ajuda dessa carta, ok?

Se tudo bem por você, eu te chamar de amor, faz aquele seu sorriso que mostra suas covinhas bem marcadas nas bochechas, vou entender como um “sim”. Eu amo ele. Eu amo você. E, obrigada por fazer parte da minha vida, Sannie.

Da sua namorada,

Brittany S. Pierce.”

Santana terminou de ler a carta e percebeu como os seus olhos insistiam em querer chorar.

Dios, Britt-Britt... Isso é lindo... Eu não sei o que dizer... Sabia que ia fazer isso comigo.

Ela direcionou os olhos castanhos aos olhos azuis e sorriu, suas covinhas aparecendo, soltou o papel no chão.

— Você fez o sorriso...

Brittany parou de falar quando a namorada a abraçou forte e fechou os olhos.

— Eu te amo demais, Brittany.

— Também te amo, muito...

— Eu sei. – A Lopez se afastou limpando as gotinhas salgadas que escorriam em suas bochechas e encarou Brittany. – Você disse na carta que quer conversar sobre o futuro...

— É... Eu disse.

— Então, vamos fazer isso.

— Ok...

— Por onde quer começar?

— Universidade. – A loira disse, arrumando sua postura, tentando relaxar o máximo possível. – Você já se inscreveu em alguma?

— Sim, em três, e você?

— Em uma... E já recebeu resposta?

— Não, ainda não, me inscrevi no início do mês passado enquanto você estava em Seattle, é recente.

— Entendi...

— E quanto a você, recebeu resposta?

— Sim, eu fui aceita.

— E em que lugar fica?

— Seattle, mesma Universidade que meus pais frequentaram e se conheceram, eu sonhava em estudar nela também, e agora é real...

— Isso é ótimo, Britt!

— É... – Ela estava sentindo a garganta fechar-se. – E as que se inscreveu, onde ficam?

— Todas na Califórnia.

— Nossa... Longe.

— Sim... Longe.

Brittany encheu os pulmões de oxigênio. Em pleno ar livre, sentia-se sufocada. Queria falar como se sentia, queria uma solução, queria algo, mesmo que ainda não fosse o fim do ano letivo.

— Eu não quero ficar longe de você, Santana.

— E você acha que eu quero isso, Brittany?

Ela negou e olhou para os lados, fixando a visão na Lopez, em seguida, novamente.

— O que a gente vai fazer? Quer dizer, eu posso me inscrever em todas essas Universidades também, ou você... Não sei... Eu... Ahn... Esquece, acho que estou sendo precipitada.

— Não, termina o raciocínio, eu quero ouvir.

— Ok... Eu posso me inscrever nessas Universidades da Califórnia e você na de Seattle e depois a gente vê qual é melhor, e se conseguimos ir pra mesma...

— Essa é a melhor solução de todas, vou pra o lugar que for com você, é minha família, Britt.

A dos olhos azuis se espantou, de forma boa.

— Sério?!

— Sim! – Santana abraçou a menina e depois deu uma série de selinhos em lábios finos. – Sim, sim, sim...

— Eu também iria pra qualquer lugar com você, Sannie.

— Acredito em você.

Elas sorriram. Esse podia ser um final feliz, o começo de suas vidas juntas, ou melhor, a continuidade delas. Aí, Brittany achou outro questionamento em meio ao mar de pensamentos que estava sua mente, indagou:

— Espera aí, eu nem perguntei, o que pretende cursar?

— Química...

— Ah, sim! Você é a melhor da escola, não tinha como ser outra coisa, sem falar que você gosta muito, né.

As ginastas riram.

— Sim, demais, eu me divirto... E você, o que vai fazer Britt?

— Eu? Bom, Ciências Econômicas, mas se caso não tiver o curso nas Universidades da Califórnia, qualquer coisa que envolva negócios.

Santana riu.

— Vai tomar conta de todo o império Pierce?

— É... Vou.

— É o que você quer?

— Sim, é o que eu quero, admiro muito o trabalho que meu pai faz e quero aprender...

— Maravilhoso.

— Obrigada... Vamos comer? Quase esqueci que tinha planejado um piquenique.

— Claro, vamos.

Brittany agarrou sua mochila e tirou os lanches que havia trazido, e as garotas começaram a se servir, após.

— Então, quando vamos até a polícia entregar o áudio, o vídeo e o celular do Ryder?

— Amanhã mesmo seria ótimo.

— Combinado... Santana, eu tava pensando, que lugares você quer conhecer no mundo?

— O básico Los Angeles, Nova Iorque, Las Vegas... – Ela riu. – E você?

— Isso pode ser absurdo e clichê, mas, quero ver todas às sete maravilhas do mundo com meus próprios olhos.

Wow, haja tempo e dinheiro... – A latina gargalhou. – Seria legal.

— Sim...

(...)

Orientando o veículo da namorada de volta a Rosefield, Santana percebeu Brittany tirar o cinto de segurança, vidrada com algo no breu da estrada.

— Para, para, para!

— Mesmo? Aqui no meio do nada? Você...

— Sim, aqui!

A morena maneirou na aceleração e olhou para a loira, bem séria.

— O que aconteceu, Britt?

— Tem um cachorrinho saindo do acostamento...

— E daí?

— Ele vai ser atropelado nesse lugar!

— E o que a gente tem a ver com isso?

— Sério? Meu deus! Você tá se ouvindo, Santana?! – Brittany se revoltou e começou a abrir a porta. – Para, por favor, vamos ajudar ele.

— Ok...

Ela encostou o carro e ligou o pisca-alerta, enquanto observava a Pierce chegar perto do animalzinho assustado, devagar.

— Calma... Calma... – Ela olhou para trás. – Sant, traz o pano que a gente usou no piquenique pra mim, por favor!

— Tá! – A morena procurou-o e desceu do automóvel com o tecido, entregando-o à líder de torcida. – Aqui...

Ela começou a observar o cão mais de perto, ao passo que Brittany tentava apanhá-lo, sem que ele começasse a correr, já que o coitado até tremia. Peludinho, ele era amarelo e branco, além de bem pequeno. Talvez, fosse bonito, se não estivesse imundo daquela forma, cinzento de pura sujeira, e um tanto quanto machucado.

— Nossa! Brittany, esse bicho tá puro osso e carne viva, que horror.

— Sim, eu acho que ele deve estar passando fome, né...

— E eu acho que ele tá a beira da morte já, vamos embora, vai.

— Não San, vamos ajudar ele, tadinho...

— Como quiser, mas não vou fazer nada.

— Tudo bem...

Santana cruzou os braços e assistiu a namorada conseguir, enfim, enrolar o cachorro com o pano xadrez.

“Aw... Aw... Aw...”

Ele estava latindo. Embora, parecesse mais um choro que um latido. Bom, por ventura fosse a mistura de ambos.

— Ele tá com dor, e sangrando, precisamos achar um veterinário agora! – Brittany falou olhando para os lados, aí entregou o animal nas mãos de Santana que ficou sem saber o que fazer exatamente, admirada, porque né, ela havia acabado de dizer que não faria nada e agora estava com o cachorro nos braços. – Você conseguiu ver se tem mais algum cachorro por aqui?

— Não, mas acho que não tem...

— É... – A atleta examinou a rua parada. – Eu vou dirigir, vamos voltar para o carro.

— Ok... – Ela pegou as chaves do bolso. – Toma.

Logo, ambas entraram no veículo, e Santana ficou encarando o bichinho nas mãos durante todo o trajeto, um pouco enojada em passar a mão nele, afinal estava tão encardido, Brittany parecia não se importar com isso, mas ela sim. Ele a lembrava um esqueleto de dinossauro de tão magro, não era um magro normal, explicitamente, dava pena. Mas, no fim, até que o dinossaurinho era fofo. E wow, quando chegaram ao veterinário para ver o que se passava com o animal, que obviamente encontrava-se desnutrido, a Lopez já tinha se permitido fazer carinho na cabeça do filhote, além de abraçá-lo, apelidá-lo de Dino, e mais, não querer deixá-lo no canil, limpo, porém sozinho. Ela estava perdida. Não conseguia ir embora.

— Vamos ficar só mais um pouco, Britt?— A latina pediu a Brittany. De olho em Dino, a todo o instante, dentro daquela jaulinha. A loira concordou e ela ficou mais aliviada, por não precisar deixá-lo rápido assim, suspirou. – Você acha que ele vai ser sacrificado?

— Claro que não, San. O veterinário limpou os machucados dele e disse que, vai ficar bem, basta ele comer e beber bastante água. Lembra?

— É, mas eu sinto que aqui não é um lugar confiável pro Dino ficar, ele deve ter sofrido bastante na vida já, agora mais essa porcaria de gaiola minúscula pra aturar, ninguém merece...

— Dino? – Brittany questionou, sorrindo. – Você deu um nome pra ele? Ou eu estou doida? Você gos...

Ela arregalou os olhos e disfarçou, interrompendo a loira, antes que ela entendesse tudo “errado”.

— Eu? Não, eu só o acho parecido demais com um esqueleto de dinossauro, já disse. Só isso.

— Ok... Se você diz... Que lugar acha mais confiável pra ele ficar, então?

— Não sei.

Brittany ficou pensativa por um tempo, observando à namorada e Dino. Tomou uma decisão. Achou seu celular em um dos bolsos da calça e pediu licença, deixando Santana e o cãozinho a sós naquela prisão de animais.

(...)

— Você é tão lindinho limpo, Dino... – A Lopez se pegou dialogando com o filhote, enquanto balançava o dedo na grade que a separava dele. – Tá, eu admito, até sujo era.

“Aw! Aw! Aw!”

Ele estava com a língua para fora, ofegante. Começou a lamber os dedos morenos apoiados na gaiola, fazendo-a cócegas. Santana riu.

— Eu queria te odiar, mas tá ficando difícil...

Brittany voltou ao espaço com um dos cuidadores do canil, o que deixou a latina curiosa, já que o mesmo começou a abrir a jaula de Dino.

— Prontinho.

— O que tá acontecendo, Brittany?

— Nada demais. – Ela sorriu, pegando o cachorro das mãos do homem. – Só que nós vamos levar o Dino pra casa, Santana.

— Quê...?

— Tá na cara que você amou o cachorro, né. Como não amar? – A garota o encarou, rindo quando teve o nariz lambido, afastou-o. – Vamos ficar com ele.

Santana permaneceu em silêncio, como se a Pierce falasse grego. Como elas iriam ficar com ele?! Não conseguia raciocinar, estava fora de órbita.

— Eu conversei com meu pai por telefone e ele disse que tudo bem por ele o Dino ficar lá em casa.

A morena não conseguiu dizer nada, apenas sorrir, Brittany era mesmo a melhor namorada de todas.

(...)

Um novo dia começou. Tudo era diferente. Um cachorro havia acordado Brittany, e seu sono tinha sido bem tranquilinho, como habitualmente estava sendo nos últimos tempos. Tudo mérito da conselheira Emma Pillsbury, sua vontade de melhorar e o seu comprometimento com Santana e os travesseiros. Mas, apesar de tudo, não podia esquecer, ela e a morena combinaram que iriam entregar o Ryder o quanto antes, agora se era no meio do tempo de aula daquele dia ou depois disso, que fariam isso, elas só saberiam quando conversassem, novamente.

E foi o que aconteceu, decidiram.

Entregaram tudo a policia então, no horário que deveriam estar treinando com as Cheerios, coincidentemente o mesmo horário de treino dos Titans. Os oficiais entraram no McKinley, determinados, tinham provas contra um dos vândalos que tanto procuravam, tanto pelo maior estrago que já haviam feito na cidade (ou quase), e por sorte, o mesmo ainda chantageava pessoas, ou seja, sua ficha não era tão leve assim.

Quando o jogador visualizou os agentes aproximarem-se, correu até o celular.

Os outros jovens pararam tudo o que faziam e iniciaram a xeretagem em vida alheia que deveras apreciavam.

— Ryder Lynn, venha, faça o favor de nos acompanhar até a delegacia.

Diversos sussurros inundavam o campo que habitavam, e todos os olhares se direcionavam a ele, não tinha como ignorar.

— Espera aí, policiais... Vocês querem saber quem jogou Spencer Porter do penhasco, não? – Ele riu e guardou o celular. – Foi o David Karofsky, é, ele mesmo, porque ele tem vergonha de ser gay!

— Levante as mãos, Lynn!

Os homens seguraram o braço do adolescente para o mesmo os acompanhar, mas Ryder soltou-se, levantou os dedos do meio e começou a correr.

— Vão se foder todos vocês, porra!

Bom, agora tinha desacato à autoridade na lista também.

Mais tarde eles descobriram, através da mãe do garoto que, o mesmo, sofria de transtorno bipolar, e com exames médicos foi comprovado que ele não tomava seus remédios há certo tempo. Quanto à foto de Santana e Brittany, bom, não foi o único segredo que o mesmo soltou para o colégio (como era de se esperar), na verdade, ele preferiu salvar tudo o que podia nas nuvens e mandar o usuário e senha para o fórum da instituição, contatos, blog de Jacob Bem Israel e o próprio perfil de uma rede social.

“De qualquer forma alguém vai se ferrar” ele havia dito.

Por um lado ele tinha razão, pois os segredos de todos (ou quase todos os adolescentes) estavam expostos para quem quisesse ver na internet, e mesmo que a policia apagasse tudo, alguém sempre já teria salvado algo. Uma desgraça. Por outro lado, como todos tinham segredos que, não queriam que fossem compartilhados, isso os colocava no mesmo barco -de certa maneira- e, apesar da fofoca nunca morrer, as coisas não mudariam tanto para ninguém, todos haviam dançado juntos. Então, só lhes restavam rir juntos também. E o tempo foi passando.

Os eventos ocorrendo, e os comentários desaparecendo, um dia atrás do outro.

David sumiu da cidade. Kitty e Finn começaram a namorar. Terri foi trabalhar como vendedora de uma loja de roupa no inaugurado shopping Pierce. Os nadadores pararam de implicar tanto com os outros estudantes, pois seus segredos não eram dos melhores, aquietaram-se. A dupla Pezberry (Santana e Rachel) ganhou o primeiro lugar no concurso de Química no qual havia entrado. Brittany levou a namorada ao baile de primavera, e Fabrevans foi o casal coroado -pela dança louca que se propuseram a fazer- superestilosos.

Sam recebeu uma bolsa para cursar futebol-americano universitário, depois do jogo decisivo dos Titans.

As Cheerios de Rosefield chegaram até as Nacionais e pela primeira vez, foram premiadas com medalhas e troféus de ouro, ganhando a disputa quase acirrada. Roz Washington riu da cara de Sue Sylvester e seu segundo lugar, e, Santana, pôde reencontrar e bater um papo com a antiga treinadora. O Clube Glee recebeu um troféu de prata pelo segundo lugar, perdendo apenas para o Vocal Adrenaline. Ainda sim era algo, para um grupo que não tinha nada. Nem Rachel Berry se abalou, eles foram longe, quanto aos outros, quem sabe.

Brittany e Santana agora tinham duas opções de Universidade, a de Washington e a de Berkeley, todavia, não haviam se decidido ainda para qual delas ir.

Faltando pouco menos de dois meses para o fim do ano letivo, o irmão de Santana nasceu. Coisa que, por incrível que parecesse, deixou seus pais mais amáveis com ela, e menos chatos, Santos era uma graça. O anuário escolar tornou-se revistinha de rabisco para os ex-alunos, com piadas, desenhos escrotos e assinaturas desleixadas.

E então, as férias e o verão chegaram...

Amor, a gente pode, por favor, decidir logo pra qual cidade vamos ir primeiro?

Santana olhou para Brittany, sentada naquela cadeira de praia e levantou os óculos de sol, chegando perto para dá-la um beijo.

Coração, já disse que tanto faz... Vou pra onde quiser.

— Ok... Eu tava pensando... Já que vamos estudar na Califórnia, e se a gente ficar uns dias em Seattle antes de ir pra Portland? Eu aproveito e te mostro tudo por lá, inclusive minha antiga casa, Los Angeles pode esperar um pouco... Né?

— É uma boa ideia, Britt. — A morena fitou Dino correndo pela areia até ela e fez carinho no cão saudável e maiorzinho, sorridente. – Não é uma boa ideia, Dino?

“Aw, aw... Aw!”

— Viu só, Sant? Ele também acha...

— É... Eu só fico meio assim por pensar na gente longe dele.

— Não se preocupa, meu pai e a Holly vão cuidar direitinho do nosso bebê, enquanto estivermos fora.

— Eu sei...

O cachorro voltou a correr, Sam Evans estava o atraindo com um frisbee lindão cor-de-limão em mãos, era impossível resistir.

— Hey, gente! – Quinn apareceu, toda molhada e ofegante. – Não vão voltar pra água, não?

— Vamos Quinnie, vamos sim, é só que...

— Me deixa tomar sol em paz Barbie, que chata, tchau.

A loira revirou os olhos verdes, puxando a Pierce consigo, mostrou a língua.

— Vou levar a Britt de você, Satã!

— Você não ousaria...

Tchauzinho!

Brittany riu das duas e correu de volta à namorada, depositando um selinho em lábios carnudos emburradinhos, avisou:

— Eu juro que já volto!

— E eu juro que eu alcanço vocês, quando estiver com menos sono...

— Você devia ter maneirado naquele jogo ontem, né.

— Mas, eu não podia perder pra Berry, Britt-Britt... Ela nunca tinha jogado aquilo antes!

— Ok, ok, ok... – Ela deu outro selinho em Santana. – Te amo!

— Te amo mais...

— Ô gente, chega de grude aí, por favor, já não basta o Sam me largar por causa do cachorro, agora vocês me deixam no vácuo!

Olhos azuis miraram em Fabray.

— Desculpa! Já tô indo, Quinn! Juro... – A garota voltou a se virar em direção a Lopez e a deu um beijo apaixonado. – Até!

— Até...

Notas finais
É, acabou. Eu nunca sei como acabar uma fanfic direito. A gente fica meio assim, fora de órbita. Achei que esse sentimento ia passar, sair de mim, mas depois de 2 anos sem escrever e agora de volta, não, não passou kkk O que me resta é repetir sempre a mesma frase: esse é o melhor que eu consegui no momento. Pode ter sido corrido, mal explicado, com excesso de informações, ou não, não sei, as pessoas tem formas diferentes de interpretar as coisas. Todavia, uma coisa é certa, essa foi a minha maior fanfic até hoje, tanto em quantidade de capítulos quanto meses passados atualizando, então foi um terreno muito louco esse que fui me meter, foi íncrivel e doido demais, mas sinto que se continuasse poderia estragar tudo o que um dia imaginei e coloquei no enredo, e percebi que estava na hora de parar. Esse é o limite. Esse aqui foi um capítulo que reescrevi mil e uma vezes, apaguei, editei, mudei coisas, então me perdoem qualquer coisa, inclusive por escrever tudo isso aqui kkk, muita falação, eu sei. Quero agradecer a todo mundo que acompanhou "Destino ou não" até aqui, as pessoas que favoritaram e principalmente as que comentaram em algum momento, porque isso cativa demais, vocês estão no meu coração: Stefany (te conhecer foi a melhor coisa, soulmate ♥), DISTRITO7 (você é muito divertida ♥) linedoc (você é muito fofa ♥), Larii, Giu, nick, nayanahi, fernanda, beatrizetna, Thatiane Lopez, SLeb, Ingrid, muito obrigada mesmo gente ♥♥♥ Não deixem Brittana morrer, people! É isso, goodbye, beijos de luz ♥ Minhas outras fanfics Brittana: — Our Hands Tied (+18; concluída) — Abril, 1912 (+18; concluída) — The Proposal (+18; concluída) — Nós (+18; concluída)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!