Notas iniciais
Olá, como cês tão?

Brittany aguardou pelo consentimento de Santana, ao que tudo indicava, super-calma, serena e confiante. Entretanto, só exteriormente mesmo, já que não queria incomodar mais ainda a Lopez, com a sua preocupação fulminante em relação ao ocorrido com ela. No fundo, quem quisesse saber como a Pierce lidava com aquilo, conseguiria perceber facilmente, por conta das ações de suas pupilas que dilatavam, de vez em quando, mostrando quão azuis seus olhos realmente eram. Ainda mais, em alerta.

Visivelmente, a líder de torcida morena estava tento pequenos ataques de raiva gradualmente e sabia-se lá o motivo exato para tal coisa, e outra, ela parecia não querer ninguém “cuidando dela” ou sei lá, era melhor avisá-la então, por isso, Brittany o fez, antes de continuar com suas futuras atitudes gentis.

A loira apenas estava ciente da parte da raspadinha no rosto de Santana, e isso graças a Berry, porque a latina parecia não gostar de contar as coisas direito, Brittany ainda não havia se convencido com a história do ex-pulso-enfaixado ter sido “só uma pancada em casa”. Quanto ao resto da confusão daquela terça-feira? Era uma incógnita que só quem passava pelo corredor conhecia. É, e mais, talvez fosse arriscado continuar segurando à latina, como a loira havia se aventurado a fazer, quando a mesma correu atrás da Rachel, e depois ficou se debatendo.

Sem mencionar que, os ataques da Lopez eram piores do que os da sua amiga Quinn Fabray. Quer dizer, teoricamente piores do que os que a Pierce já tinha presenciado.

Falando nisso... Coitada da Rachel no banheiro feminino há certos minutos antes, tentando ajudar à morena raivosa!

E caramba, a Lopez iria deixar a loira ajudá-la ou o que? Quanto tempo elas teriam que ficar naquele silêncio esquisito no vestiário? Com olhos fixos um no outro, só faltavam mesclar-se de tão fixos que estavam. Só por Deus! Contudo, o tempo é algo que corre de forma relativa, dentro de cada situação e espaço existentes no planeta. Bom, e essa era uma situação difícil e demorosa, especificamente, porque os olhos de Santana eram assustadoramente maravilhosos e profundos e ela também, e... Foco Brittany!

Mas, foram apenas rápidos segundos que se passaram desde a pergunta, e em nenhum momento a Pierce soltou as mãos da garota em sua frente no processo, logo recebeu em troca um sorriso sarcástico e silencioso da latina. Até com dor ela iria dar-se ao trabalho de fazer graça? Incrível.

— Olha só! Estou feliz agora. Parece que você não tem amnésia mesmo, coração. Tão bom saber...

Sobrancelhas loiras franziram-se e ela acabou rindo da morena, como se permitia fazer habitualmente.

— Já acabou Sant-Sant? – Brittany indagou em tom irônico e a morena assentiu com um sorriso animado. – Ótimo. Vai deixar ou não? Porque você já tá ficando chata, de novo.

— Então...

Santana fechou os olhos, antes de terminar a frase, e levou as mãos ao rosto, soltando as mãos finas de Brittany de repente, juntamente com um passo para trás, para dessa forma, coçar os olhos vermelhos.

— Hey... – Brittany levantou as mãos e pegou as da latina, as afastando do rosto da mesma em sequência. – É melhor você não coçar...

— Ok.

A Lopez inspirou profundamente e Brittany a fitou com atenção.

— E ai? – A loira disse. – Não vai responder moça?

— Claro...

— Isso foi um sim?

A líder mais baixa passou uma das mãos pelo rosto, repentinamente e assentiu.

— De qualquer forma Pierce, você pode me ajudar, sim. Afinal de contas, está me devendo, né? E não é só uma não, você tá errada... A dívida cresceu bastante. Agora, a minha listinha deve ser enorme por tudo que eu já fiz por você.

— Ah claro! É. Ok, então... – Brittany começou a ironizar e parou à medida que olhou para o uniforme da garota, arregalou os olhos azuis quando percebeu sangue presente nele. – Que sangue é esse?!

A Pierce lançou diversos olhares aflitos para a Lopez, expondo a sua preocupação oculta até ali. Santana passou a gargalhar ao conseguir focar a figura de uma loira daquela forma, olhou para o próprio uniforme depois.

— É só sangue do garoto, se acalma...

Brittany gelou, e franziu uma das sobrancelhas loiras, tentando entender o que havia acontecido, mordeu o lábio inferior.

— O que aconteceu?

— Eu dei um soco nele. – Santana disse e Brittany continuou a fitando, estranhamente, da mesma maneira que fazia antes dela esclarecer o ocorrido, a morena suspirou para poder explicar melhor. – Foi meio que um reflexo, sei lá... Ele jogou a raspadinha e eu revidei.

— Ah, tá... Melhor você trocar de roupa! – Brittany voltou ao banco e abriu sua mala, talvez a situação fosse pior do que ela imaginava. – Pode escolher se quiser.

— É... Claro! Vou escolher roupa cegueta assim mesmo. Pff, por favor, né? Ai, ai... Você deve me fazer rir de propósito.

— Desculpa. Sua chata!

A loira caçou algumas peças de roupa e Santana passou a mão pelos cabelos, o soltando, enquanto sentava de volta ao banco do lado da Pierce.

— Você não precisa me emprestar nada, eu preciso abrir o armário de qualquer forma, já que eu deixei a chave de casa lá. Então vou te passar a senha...

Santana disse os números para Brittany e ela assentiu, e foi até o armário da outra para abri-lo e ela poder apossar-se da mochila com os pertences da latina. Quando a Pierce voltou a observar à morena, a mesma encontrava-se coçando os olhos, novamente. Pousou a mochila da Santana sobre o banco.

— Você não acha melhor eu te levar na enfermaria? – Brittany sugeriu receosa, e fitou o braço marcado da latina, o tocando levemente. – E ai você aproveita e me conta quem foi o cara que fez isso com você.

— Não! Eu não vou pra lugar nenhum Pierce...

— Ok, ok...

A Lopez abriu sua mochila e tirou umas roupas, começou a trocar as vestes. Brittany estava de braços cruzados caminhando e olhando para algum outro ponto qualquer do espaço que não fosse Santana, pois não conseguia encarar pessoas trocando as roupas, sem ficar desconfortável de alguma maneira. Porque nossa, é estranho ficar fitando tal cena, parece uma ação que um tarado faria, é embaraçador. Embora, esse raciocínio fosse paranoico demais.

Bom é que às vezes, certos pensamentos acontecem sem permissão.

A Pierce correu os olhos azuis para a morena, quando percebeu algo que não devia estar acontecendo, em sua visão periférica, acontecer mais uma vez: Santana estava coçando os olhos.

A loira se aproximou em passos rápidos e bem pisados.

— Seus olhos continuam vermelhos, para de coçar Lopez! Vai piorar!

Brittany guardou suas coisas no armário, após fazer isso com as coisas da outra líder também, e sentou ao banco.

— O que você tá sentindo?

— Boa pergunta, Brittany! Já enfiaram os dedos nos seus olhos alguma vez? Parece exatamente com isso, não consigo pensar em nada melhor pra descrever...

— Então, é péssimo?

— Sim! É sim.

— Santana... Eu vou te levar pra sua casa hoje, tá?

O sinal disparou junto à voz da loira. A aula de espanhol estava encerrada, finalmente.

— Claro que vai! Óbvio. Faz parte da dívida, querida.

Brittany sorriu e levou as mãos ao rosto da outra gentilmente, passando os polegares por cima das gotinhas soltas de água que ainda estavam presentes nas laterais da face morena, escorregando livres e demoradamente.

— Você para com essa história de dívida...

Santana deu de ombros, os olhos fechados, rindo discretamente e percebendo a suavidade dos dedos da loira em contato com seu rosto.

— Foi você quem começou.

— Não! Foi você lá naquela praia...

— Porém, foi você que acabou de lembrar, Piercezinha. – Ela passou a mão na franja da loira bagunçando-a, ao abrir os olhos, as mãos finas ainda presentes no rosto dela. – Isso você não pode negar.

Brittany balançou a cabeça em negação, riu, e afastou os dedos da pele morena, levantando-se. Esticou o braço e esperou a Lopez pegar sua mão oferecida.

— Posso te levar agora?

Santana concordou e ergueu-se com ajuda da mão da loira. As garotas caminharam pelo vasto corredor vermelho e branco do McKinley de mãos dadas, os outros adolescentes ou localizavam-se em frente aos armários trocando os materiais de estudo para seguir normalmente com as aulas do dia, ou corriam como loucos, ou até mesmo jogavam papo fora, em especial fofocas da vida alheia.

— Você tem colírio na sua casa? – Brittany questionou.

— Não faço ideia.

— Bom... Então eu acho melhor a gente ir pegar Santana, talvez melhore um pouco mais rápido.

— Eu não quero!

A Pierce a enviou um olhar reprovador.

— Você quer sim!

— Nossa, sério, você me acha chata? Você é pior... Faz o que quiser.

Own, obrigada Sant.

Brittany parou de andar abruptamente e direcionou-se a enfermaria com a Lopez, mas, ao chegarem lá, a latina se recusou a entrar no cômodo, deixando-a ir sozinha. Tudo bem, desde que Santana não sumisse quando Brittany retornasse, foi o que elas combinaram com sinceridade, e a loira esperava que a outra não desse a louca e fosse atrás da Rachel ou pior.

A lógica então passou a ser, correr, correr e correr mais ainda.

— Com licença. – A garota pediu adentrando o lugar às pressas. – Oi.

— Olá minha jovem! – Uma loira mais velha cumprimentou radiantemente agitada. – Tudo bem com você? Não parece nem um pouquinho mal.

— Tudo sim! Eu não tô mal... Você é a enfermeira? – Brittany perguntou curiosa, já que no outro ano letivo a enfermeira não era aquela mulher. – Ah, e tudo bem com você?

— Sim! Tô ótima! Eu sou Terri Del Monico, e você?

— Brittany. – A estudante respondeu. – Bom, eu queria saber se tem colírios aqui...

— Colírios? Claro, claro, tem vários! – A mulher pulou da cadeira e praticamente correu para um armário e tomou posse de uma embalagem. – Você vai querer quantos?

Brittany assistia a enfermeira com calma, tentando entender porque ela era tão agitada. E nossa, era tão fácil assim pedir medicamentos para aquela tal de Terri? Ela não havia questionado o porquê.

— Um só.

— Ah, e para que sintomas você quer? Seja breve.

— Para aliviar a dor, tirar a vermelhidão, e evitar que inflame. Algo assim... Sabe?

— Claro que eu sei, sou enfermeira.

O porquê de aquela mulher dizendo tal coisa não trazia paz e segurança ao coração da Pierce, ela não sabia dizer. Mas, não apreciava a sensação daquilo. Talvez, a estudante somente devesse confiar mais nas palavras das pessoas ao invés de analisá-las tanto, ou não. Vai saber o que se passava na cabeça do povo de Rosefield. Eles eram absurdamente estranhos.

— Achei! – Terri exclamou, dando pulos e indo em direção a Pierce. – Toma! Simplesmente o melhor colírio do mundo. Pode ter certeza.

Brittany pegou a embalagem na mão e leu rapidamente para certificar-se que ela não cegaria Santana por causa daquela maluca da sua frente, colocando sei lá o que nos olhos castanhos divinos.

Os olhos azuis subiram, após a breve leitura, e fitaram a mulher que lhe enviava um sorriso gigantesco, a garota ficou uns segundos esperando Terri perguntar o porquê ela queria o medicamento, porém, não obteve a pergunta que esperava e suspirou.

— Obrigada.

— Não há de que! Ah, mais uma coisa, se quiser ter o melhor que seu corpo pode oferecer nos treinos de animação, você pode me procurar como suas amigas do time fizeram. – Terri piscou para a loira, como se fossem cúmplices, fato este, claramente inexistente. – Eu era líder de torcida antigamente.

— Tá... – Brittany olhou para o medicamento e para a mulher algumas vezes, e resolveu levá-lo já que leria a bula sem dúvidas antes de tomar qualquer atitude. – Obrigada senhora Del Monico.

— Terri! Me chame de Terri, Brittany.

— Ok, tchau Terri.

A líder de torcida saiu da sala e encontrou Santana do lado de fora, olhando para as unhas, entediada. Suspirou, feliz de vê-la.

— O que estava fazendo, hein? Demorou demais.

— É que eu não conhecia a nova enfermeira... Bom, eu já peguei o colírio. – Brittany informou mostrando a caixinha e, em seguida, alcançou a mão da latina. – Vamos.

A Lopez e a Pierce permaneceram em silêncio até se acomodarem aos bancos confortáveis do conversível da loira.

— Essa é a parte que você me diz onde mora.

— Bastava você dirigir até o Breadsticks, Pierce.

Os olhos azuis brilharam enquanto ela ajeitava-se no banco para sair do estacionamento do McKinley.

— Você mora perto de lá?

— Pode-se dizer que sim, já que nos últimos dias eu só venho dormindo na casa da minha avó.

— Ah! Então, você tem mais gente da família morando na cidade? Achei que só tivesse os parentes de mudança.

Santana apreciava o movimento que o carro passou a tomar e a maciez do banco de passageiro, de olhos fechados.

— Teoricamente ela era um desses parentes... Mas, ai eu descobri que a realidade era outra... Meus pais estavam planejando se mudar pra cá e inventaram baboseiras dizendo que meus avós iam sair dessa cidade, só pra desviar a minha atenção.

— E qual é o nome dela?

— Da minha avó? Alma.

Brittany arregalou os olhos e os direcionou para seu lado direito ligeiramente, o que encontrou foi uma Lopez de olhos fechados, que se assemelhava bastante ao rosto dela no dia do esquecido do farol. Ou seja, tão linda.

— Ela cozinha no Breadsticks?

— Sim, sim, cozinha. Ela é a chef principal, já faz um tempo. Os funcionários a adoram...

— Eu amo as comidas dela! Sério Santana, amo demais! Sempre que eu como lá, peço os pratos preparados por ela.

— Eu imaginei. Depois que eu te apresentei o que é comida de verdade, é uma consequência óbvia...

Brittany assentiu e arqueou uma das sobrancelhas, apertando o volante entre as mãos.

— Mas, por que você não me disse que aquela comida era preparada pela sua avó? Naquele dia que me levou pra comer.

— Não sei... – Santana respondeu em voz baixa, parecendo cair no sono.

Logo chegaram à frente do restaurante, a Lopez havia adormecido fazia uns minutos, e para não acordá-la de imediato, a Pierce resolveu dirigir de forma lenta.

— Santana... – Brittany chamou, colocando a mão no joelho da outra. – Acorda. Você precisa dizer onde é a casa agora.

Os olhos castanhos abriram-se e ela olhou ao redor, um pouco desnorteada, e apontou para uma rua que se localizava na esquina do estabelecimento comercial.

— É naquela rua ali.

A loira entrou no caminho indicado e permaneceu a dirigir na manha, para observar a vizinhança, até Santana avisar qual era a casa e ela estacionar de frente para a residência. Elas desceram do carro, a latina abriu a boca pra dizer algo, mas, foi interrompida pela voz encantadora de uma loira, antes.

— Nós temos que ler a bula desse negócio, pra eu botar nos seus olhos.

Brittany abria a caixa concentradamente e Santana sorriu com a cena.

— Você lê essas coisas, Brittany?

— Claro! Sempre que eu posso. É perigoso tomar as coisas sem saber o que elas vão te fazer. Ninguém nunca te ensinou isso não?

— Já tô vendo que vai demorar muito! – A morena riu e passou a mão sobre os olhos. – Então, vamos entrar?

— Sim. – A Pierce confirmou achando olhos castanhos semiabertos. – Sabe, parece muito que você vai espirrar com essa cara...

Santana passou a rir.

— Você tá me zoando? Pensei que tivesse um coração puro.

— Não, não! Não estou Santana. É que...

— Eu sei que você não tá. – A Lopez passou a caminhar até a porta da casa. – Vem rápido antes que eu mude de ideia e te tranque pra fora.

Brittany sorriu e alcançou Santana, rapidamente.

— Não seria uma coisa ruim, Lopez. Se você fizesse me pouparia das suas gracinhas.

— Você tá me atentando!

A latina abriu a porta gargalhando e pisou nos solos da sua atual casa, sendo acompanhada por uma loira engraçada. Brittany fechou a porta atrás de si, e botou a chave do lado interior da porta, educadamente.

Santana se acomodou no sofá, e fechou os olhos novamente, enquanto Brittany andava de um lado para o outro com aquela bula na mão.

— Você pode sentar sabia?

A atenção da loira saiu das minúsculas letras e passou a ser toda da latina.

— Tá bom. – Brittany respondeu sentando ao lado da garota. – Vou ler pra você...

— Não precisa, não.

— Mas, Santana é melhor você ficar sabendo das coisas que esse colírio pode fazer. Afinal os olhos são seus...

— Não quero saber. Pierce, essas bulas só servem pra lançar paranoia na cabeça das pessoas, é uma perda de tempo.

— Eu vou ler mesmo assim. – A loira afirmou por fim, lendo em voz alta.

— Pelo amor de Deus...

Shh!

— Foi mal. – Santana abriu os olhos e levantou as mãos, rindo. – Pode continuar já que insiste.

(...)

Depois de ler a enorme bula daquele tal colírio, Santana agora se achava sentada em uma cadeira da cozinha de sua avó e Brittany em pé, com o frasco de colírio em mãos, pronta para despejá-lo nos olhos castanhos, todavia eles foram fechados antes que isso pudesse acontecer e o líquido escorreu pelo rosto moreno. Já era a terceira vez.

— Santana! Por que fez isso?!

A latina ficou em silêncio e Brittany passou o polegar esquerdo sobre a pele macia de Santana, limpando aquela gota perdida, assim como havia feito há alguns instantes anteriores.

— Tá ardendo!

— Mas, é por isso mesmo que eu vou pôr isso no seu olho. Para parar de doer!

— Só que você tava demorando muito.

— Desculpa. – Brittany suspirou fundo e colocou-se em posição. – Vamos tentar de novo.

— Ok.

No entanto, algo ocorreu e impediu que a “missão” fosse cumprida por Brittany mais uma vez. Santana estava fechando os olhos de propósito? Só podia ser isso, ela queria atrapalha-la mesmo, pois achava engraçado. Havia outra explicação? Ela não conseguia encontrar.

— Você tá brincando comigo? Pode parar!

— Não... – A latina confessou e continuou, após um suspiro. – É que eu posso ter um certo medo desse negócio.

— Medo, por quê?

Olhos castanhos abriram-se.

— Por que você acha, coração? – Indagou debochadamente. – Tudo culpa sua! Você ficou lendo aquela merda pra mim e agora eu sei que se o maldito colírio não for controlado devidamente, uma pessoa pode ficar cega! E eu não quero ser essa pessoa, cegueira não serve pra mim, Brittany.

— Eu não vou te deixar cega. – A loira disse firmemente. – Você pode confiar em mim? Por favor.

— Tá legal. Mas, anda logo!

Dessa vez Santana manteve-se de olhos abertos e Brittany pingou as gotas de colírio conforme as instruções que havia lido. Os olhos castanhos sentiram pingos geladinhos sobre eles.

— E aí? Tá melhor?

— Acho que não funciona tão rápido assim.

Brittany sorriu e deixou o frasco de colírio sobre a pia de metal. Em seguida, apanhou seu celular, do bolso escondido interiormente na saia das Cheerios, e certificou-se do horário lá marcado, para assim, voltar a fitar Santana sentada naquela cadeira da cozinha.

— Santana, eu tenho que voltar pra escola. Você vai ficar bem?

— Ok. Eu espero que sim. – A morena levantou da cadeira e caminhou até a garota. – Vou te levar até a porta.

Ambas caminharam até a saída da residência e Santana encostou-se, no canto da passagem, e fitou Brittany virando-se para ela.

— Até amanhã!

— Até, Pierce. – A latina despediu-se e quando percebeu que a outra ia dar as costas novamente se apressou para agradecê-la. – Hey! Obrigada.

— De nada, eu tava te devendo né? – A loira riu e deu mais um passo para frente.

— Sim, mas agora é sério. Obrigada Brittany... Você é uma das poucas pessoas que eu gosto nesse lugar.

A loira sorriu e arqueou a sobrancelha.

— Você gosta Lopez? Sério? Não parece.

— Claro que parece! Eu vivo falando com você, se eu não gostasse, eu não falava... Enfim, tchau.

A morena se apressou a virar-se para adentrar a casa, porque suas palavras haviam passado do limite de sensibilidade que ela se permitia, mas, sentiu dedos finos tocando as suas costas.

— Santana... Eu também gosto de você, apesar de tudo. – Brittany riu e observou a morena voltar para frente dela. – Ah, queria mais uma coisa de você hoje. Só pra ter certeza que vai ficar bem, ok?

Brittany pegou seu celular e desbloqueou a tela, deslizando os dedos até clicar na agenda de contatos.

— Me passa o seu número. – Pediu, em tom de obrigação. – Rápido!

— Nossa, é mesmo né? Eu tenho até o número da Fabray e não tenho o seu.

A Pierce torceu o nariz e olhou para Santana, desconfiada.

— Por que você tem o número dela?

— Porque a professora de literatura resolveu do nada que nós éramos uma maravilhosa dupla, ontem. Por isso a gente tava brincando...

— Ah bom! Espero que Quinnie não pire de verdade com isso. – Brittany riu e voltou a atenção ao celular. – Me fala o seu.

A morena disse o número e Brittany guardou o celular, satisfeita ao terminar de salvar o novo contato.

— Em breve eu te ligo. Combinado?

— Vou esperar. – Santana brincou e piscou os olhos várias vezes, como se algo tivesse voado em sua visão. – Ai...

— Tudo bem?

— Sim, tá tudo bem. Só que, acho que é melhor eu ir deitar agora.

— Concordo plenamente. Até amanhã!

A líder de torcida correu até seu conversível e voltou às pressas para o McKinley, a fim de perguntar a Rachel se a mesma havia avisado ao professor Will da tal confusão nos corredores, como elas tinham combinado.

Santana trancou a porta depois de batê-la bruscamente e direcionou-se ao seu quarto deitando na cama de qualquer jeito, apertando os olhos o mais forte que conseguia. Os sentimentos de raiva por aquele imbecil estavam invadindo seu corpo novamente, aquilo não ficaria assim. Não mesmo. Ela não deixaria limpo.

(...)

— Oi Brittany. – A Berry disse, enquanto saia da aula de cálculos, fitando a loira a sua espera nos corredores. – Cadê a Santana?

— Eu levei ela pra casa. – Brittany respondeu e se aproximou, pegando na mão da mesma e a levando para longe dali antes que seus amigos aparecerem e interrompessem a conversa. – Você avisou pro professor?

— Sim. Ele foi levar a situação para a diretoria. Só espero que algo de bom, saia disso, porque geralmente... Enfim.

— Como assim, Rachel? Termina de falar.

— É que eles não resolvem as coisas direito por aqui. Você deve conhecer o diretor Figgins, ele não resolve nada, ele tem medo de todos os alunos. Agora a vice-diretora, o “braço direito” dele, não é uma pessoa muito legal, ela vive limpando a barra dos alunos, principalmente de atletas...

— É sério?

Rachel assentiu em câmera lenta e apertou seus cadernos contra o peito.

— A Santana melhorou?

— Acho que sim. Mas, ela ficava coçando os olhos toda hora.

— Ah, a primeira vez é a pior de todas!

Brittany lançou um olhar perturbado para a baixinha.

— Isso acontece sempre com você?

— Nem sempre... Às vezes eu me escondo no banheiro quando vejo alguém com essas intenções.

— Alguém precisa fazer alguma coisa pra isso parar... Aliás, Rachel, o que aconteceu exatamente no corredor? Porque eu vi uns roxos no braço da Santana...

— Britt! – Quinn apareceu no corredor, pois, estava na aula de cálculos também. – Você viu a Lopez?

— Ela foi pra casa, aconteceu uma confusão no corredor, não sei direito, mas a Rachel sabe. Ela ia me contar agora...

— Foi com ela? – Fabray se assustou. – Eu ouvi o Matt cochichando algo sobre o time de natação, agora no finalzinho da aula...

As loiras encararam a baixinha, curiosas, de repente. A Berry passou a contar o ocorrido para as líderes de torcida, logo elas tiveram que se separar para irem para suas respectivas aulas seguintes.

(...)

Santana não havia conseguido adormecer, a garota apenas manteve-se de olhos fechados por longos e mais longos minutos, pensando em diversas possibilidades, até alcançar o seu celular, que estava pousado no colchão há certo tempo, e ligar para um de seus contatos, mais recorrentemente, acessado da cidade.

— Alô? – A voz masculina perguntou confusa, provavelmente ele havia acabado de treinar algum esporte e estava deveras cansado ao chegar em casa. – Alguém ai?

— Eu preciso de você.

— Lopez! Eu sabia que esse dia chegaria de novo, só tava apostando quando ia ser.

— Não é pra isso Puckerman.

— Bom... Eu ainda não retiro o que eu disse, meu amor. Mas, afinal, o que você quer?

— Primeiro que você pare com essa palhaçada de amor, seu idiota, e depois eu preciso que você me encontre no Breadsticks de madrugada. Você vai me ajudar com uma coisa.

— Parece divertido! Pode apostar que independente do que seja, se for com você, eu vou. Ok?

— Perfeito. – Ela desligou a chamada e segurou o telefone entre os dedos com força. – Grr...

Notas finais
Tenham um bom dia, até mais ♥