Destino ou não - Brittana

45 Talvez, definitivamente


Notas iniciais
You rocked my world ♥

— Brittany, eu... Ahn... Eu...

Nesse momento, a loira segurava uma de suas mãos, carinhosamente, sobre o peito inquieto dela, e, a atenção de Santana passou a ser toda daquele ritmo contínuo, vibrante e bonito. “Eu sou a causadora disso?” Pensou vidrada, e, bom, nem fazia sentido perguntar-se, já que, segundo a própria dona do coração, sim, ela era. Quanta responsabilidade em suas mãos, não? Seu corpo estava esquentando cada vez mais, e ela não sabia dizer o que aquilo, realmente, significava. Apenas sabia que era algo. E não qualquer algo, pois, qualquer algo, não a causava tais sensações.

Petrificada, Santana engoliu em seco, notando ondas energéticas subir toda a espinha dela.

Brittany dissera: “eu te amo” a ela, há não muito tempo, de súbito, como quem cantava uma canção, da forma mais natural possível. Apesar de bêbada. E esse mínimo detalhe, sem dúvidas, irritava um pouco a Lopez. Talvez, muito. Como podia uma coisa dessas no mundo? Não, não podia. Não no seu mundo. Pessoas bêbadas, só falavam besteira, era regra. Era lei. Era seu conhecimento -indiscutível- sobre a vida. Era tudo. Não era? Porque senão, era para ser, costumava ser, tinha que ser.

Mas, não parecia que ela tinha a razão ao seu lado nesse caso, porque a besteira era inexistente.

Todavia, ela implorava para o universo, com todas as forças para que, parecesse sim, besteira. E como. Aí, ela teria como (e motivo para) escapar de uma garota bêbada à frente. Mesmo que não quisesse. Muitas contradições guiavam-na, fato. E sempre fora assim sua natureza. Santana já escutara a mesma frase, pelo menos, de umas quatro ou cinco pessoas diferentes na vida, só que elas não foram emitidas da mesma forma que os lábios finos se permitiram agora.

Não mesmo, nem chegava perto de se assemelhar com as outras vezes.

As demais “declarações” sempre vinham com algum interesse duvidoso por trás da voz-maldita. Além de lhe parecerem tão vazias quanto um saco de vento ou um ‘bom dia’ de alguém com a cara fechada. Ela não sentiu nada disso vindo de Brittany. Nem tinha como sentir. Mas, seria mais fácil se tivesse sentido, visto que, palavras cruéis sempre a tiravam-na disso. O coração da ex-líder de torcida estava saltitando conforme aquele abaixo de seus dedos. Suas bochechas se encontravam em brasa, e seus olhos imergindo em azuis há apenas um olhar objetivo para cima. Nada bom, apesar de muito bom. A morena ainda estava se esforçando, se despedaçando por dentro, em conflito, tentando se recuperar daquele abalo sísmico que foi a declaração da Pierce. Porque era demais para ela. Demais, demais, demais. Isso a assustava. Qual era o ponto exato que o amor, algo tão irreal, tornava-se uma pessoa de carne e osso, mesmo?

Por que Brittany tinha que ser tão fofa?

Era impossível ignorar tudo o que ela dissera. Já era ruim o bastante o fato de se darem tão bem. A latina estava tão sem palavras agora, como nunca, jamais, ficaria descartando determinados pretendentes por aí. Entretanto, não dava para ficar calada. Tinha que abrir a boca, reconhecia que precisava falar algo, mesmo que não fosse o bastante.

— Admito, foi muito bonito o que você disse...

Santana afastou sua mão de Brittany e segurou sua própria, apertando uma à outra com alguma intensidade, certamente nervosa, olhou para baixo uns bons segundos.

— É apenas a verdade, San.

— Se quer saber, isso não é nem um pouco justo, Britt... Nem um pouco.

Primeiro reflexo: confusão.

— O que não é justo?

— Você é maravilhosa demais...

Ahn, eu não entendi... – A loira arqueou uma sobrancelha, confusa e surpresa. – Isso é um problema pra você?

Ela olhou para olhos azuis, abruptamente.

— Claro que é! Isso não existe...

Segundo reflexo: negação.

— Sinceramente, como você esperava que eu fosse te responder?! – Indagou, soltando as mãos, rente ao corpo. – Com tudo que despejou sobre mim hoje, o que você queria que eu fizesse agora, Brittany? Só fala pra gente acabar logo com isso...

— Como assim? – A Pierce replicou chegando até a garota, para entender melhor aqueles olhos castanhos fugitivos, parou bem próxima a ela. – Eu não esperava que dissesse nada Sant, nem quero que diga nada, porque você não precisa dizer...

Terceiro reflexo: esquivo.

— Tá, então, eu vou embora e a gente conversa depois, quando estivermos sóbrias o bastante.

— Espera...

A mais alta já estava meio familiarizada com o “passo a passo” de reflexos da Lopez, contou e notou a distância que, a mesma, percorrera se despedindo daquela forma ligeira e arisca.

— Não quero que diga nada, mas vou te pedir uma coisa que, talvez você não goste muito, Santana.

De costas, a latina hesitou em sair do quarto e voltou para trás, intrigada.

— Claro, sabia que tudo tinha um motivo...

Brittany segurou as mãos dela.

— Para de fugir de mim.

— Brittany, eu não estou...

A Pierce interrompeu-a com um beijo e em seguida a abraçou. Droga! Ela era uma coisa persistente mesmo. E o álcool estava deixando Santana sentimental junto a ela. Não dava para segurar por muito tempo o choro, e estava longe demais da porta, não tinha condições de correr daqueles braços. Perdera a batalha feio. Seu corpo dizia uma coisa, sua cabeça outra, e quem diria seu coração então.

— Não vai embora, fica comigo hoje, por favor. – A Pierce, simplesmente, pediu tranquila. – Não agora.

— Por que você fica fazendo isso comigo, hein? – Resmungou a Lopez, percebendo lágrimas descerem pelo seu rosto todo, enquanto retribua o abraço de Brittany, com veemência. – Por quê?!

Ela afundou o rosto no ombro da mais alta.

— Eu já disse.

(...)

— Então, basicamente, foi isso que aconteceu durante o meu ano novo... – Brittany explicou, olhando para o chão ao passo que, caminhava ao lado de Kurt, em Seattle. – O que você acha?

— De tudo? Altas emoções! Rosefield me parece uma cidade cheia de surpresas...

— Você não faz nem ideia.

— Mas, espera Britt, eu não entendi uma parte, no fim das contas, a Santana foi embora depois da sua declaração, sim ou não?

— Não, ela não foi. – A Pierce esclareceu, colocando as mãos no bolso de sua blusa de frio, por conta da corrente de ar gelado passando. – Só que, no dia seguinte, sumiu, não estava mais do meu lado...

— Nossa, ela tá bem confusa... – O amigo comentou, notando o que havia acabado de falar. – Mas, ela gosta de você, com certeza, com tudo que tem me dito sobre ela, é impossível não ser algo forte o que vocês têm, juntas...

— É... Eu sei... Enfim, a Santana me mandou uma mensagem desejando uma boa viagem pra cá depois, porque, aparentemente, ela cruzou com o meu pai e ele avisou que assim que eu acordasse já sairíamos da cidade, rápido, como ele mesmo disse que seria... Mas, só tinha isso na mensagem dela mesmo... Tá tudo muito estranho, eu nem sei explicar... E ainda assim, eu não me arrependo de ter dito tudo que eu sinto, eu simplesmente não consigo me arrepender Kurt, por mais que eu ache que ela quisesse que eu voltasse atrás depois que o álcool me deixasse, não dá, não acho que eu esteja errada ainda, não foi algo da boca pra fora, sabe... Eu me sinto tão idiota agora, desculpa...

— Ora, que desculpas são essas?! Não é pra se arrepender mesmo, garota! Você não tá errada não e sim proibidíssima, por mim, de deixar o arco-íris tão perto do pote de ouro. Você tá me entendendo?

Brittany sorriu para o garoto e balançou a cabeça em afirmativa.

— Por curiosidade, vocês trocaram mais mensagens desde sábado?

— Não, eu não sei o que dizer. – A líder confessou, desanimada. – E acho que ela também não...

— Ok, tá tudo bem, nem é tanto tempo assim, não se apavore, Britt.

— Tô tentando.

— Ah, eu tive uma ideia! – Esperneou o Hummel, do nada, animado. – Hoje eu não volto pra escola nem carregado como uma Cleópatra, meu amor.

Seus olhos brilhavam.

— Hã? Não, não Kurt, eu não quero que você se prejudique por minha causa, eu vou dar um jeito... – Segurou a mão do amigo, contendo-o. – Vamos voltar, já vai acabar seu intervalo.

— Não, não, digo eu! Minha melhor amiga precisa de ajuda amorosa, olá! Não vou virar as costas pra ela, lembre-se que sou um cúpido dos bons, quase um perito.

Ela gargalhou.

— Não, você é um unicórnio...

— Bom, que eu saiba, unicórnios tem pura magia nas suas auras iluminadas e divinas, não tem? – A loira assentiu a pergunta dele, fazendo biquinho com os lábios rosados, cruzou os braços. – Pois é... Eu e você, vamos fazer mágica!

— Kurt, é sério...

— Estou falando sério.

— Olha, eu...

— Chega de ficar me olhando com desdém, vai! – O menino apertou o nariz dela repreendendo-a. – Não tem nada pra se discutir aqui mocinha, eu já decidi. Sabe que é um caminho sem volta...

A garota desistiu de tentar convencê-lo do contrário com o aviso e finalmente aceitou.

— Tá, vamos, seja lá pra onde você queira ir.

— Isso!

(...)

Dias passaram. Agora, era quinta-feira. Santana e Rachel haviam passado a aula inteira de Química, na ocasião, fazendo mais coisas, do que deviam fazer, naquele laboratório magnífico estudantil. Como sempre. Tinham um plano “diabólico” em mente com algumas das experiências testadas, ou melhor, a Lopez tinha, porque a baixinha ao lado só estava indo na onda.

— Santana, eu pensei melhor e não sei se é uma boa ideia...

A latina parou de girar o cadeado de rosca nos dedos e virou-se para trás.

— Ai, Berry, tá com medo é?

— Claro que sim! – Ela olhou para os lados, amedrontada, o vestiário lhe parecia tão enorme e apavorador naquele instante. – Alguém pode ver a gente fazendo isso.

— A Quinn tá mantendo todas as Cheerios presas no clube de puritanas, ninguém vai ver não.

— Mas, e se...

— Olha anã-de-jardim, isso aqui não chega nem perto do que eu realmente queria fazer com a vadia da Kitty, então, por favor, não tente estragar a minha diversão como a Fabray fez com a minha outra ideia.

— Medo do que passa pela sua cabeça, a Quinn me contou...

Own, você devia mesmo, estou bem contida até. Ela mencionou isso também? Motivos pra esfregar a cara da Kitty no chão não me faltavam, mas sou uma pessoa boa... – A Lopez informou, sorrindo de forma satânica. – Lembre-se daquelas raspadinhas na sua cara, e tudo que fiz com você, foi ela.

— É verdade, ok. – Rachel respirou fundo. – Tô nessa de novo.

— Se quiser podemos fazer algo com os nadadores depois, tá? Talvez, você goste mais, sei lá.

— Não, obrigada, acho que essa experiência aqui já é o bastante...

— Você que sabe.

Santana terminou seu trabalho de descobrir/arrombar a senha do armário da líder de torcida, e, quando teve acesso aos pertences dentro, Rachel a ajudou a sabotar os shampoos, condicionadores, sabonetes e maquiagem lá contidos.

— Você acha que vai dar certo?

— A parte da maquiagem e sabonete fluorescentes eu não sei ao certo, mas, com certeza, vamos conseguir estragar a consagrada cor de cabelo da futura ex-Barbie-3 com esse shampoo especial, e isso por si só já vai detonar ela por completo, porque a Kitty é assim, mais superficial que o próprio.

— Como tem tanta certeza que vai funcionar?

— Ah, ela fica quase três horas no vestiário lavando o cabelo e deixando os produtos “fazerem efeito”, é ridículo ver.

— Entendi...

— Vem, vamos sair daqui, rápido. – Santana fechou o armário e puxou Rachel. – Qualquer coisa, se alguém perguntar no corredor, você estava passando mal e eu estava aqui te ajudando.

— Certo.

(...)

— Gente... Gente... Gente... – Quinn chamou Rachel e Santana em cochichos, no meio de uma aula de Cálculos, com o celular espremido em mãos, e cara de poucos amigos. – Psiu!

A sala toda olhou para ela.

— Ah, não é nada...

O silêncio se reinstalou.

— Que foi hein, Fabray? – A latina perguntou a risos, nada contidos. – Por que tá com essa cara, aí?

— A Kitty tinha razão, Lopez.

— Do que?

— Tem uma traidora nas Cheerios...

— Por que acha isso? – Berry questionou-a, percebendo o nervosismo da líder de torcida. – Quinn, fica calma...

— Aqui, olhem... – A loira virou o aparelho para as morenas verem com os próprios olhos. – As garotas do colégio Cornelius têm todas as minhas coreografias novas!

— A conversa tá boa, meninas? – O professor perguntou com um sorriso sarcástico, reprovando aquele comportamento em meio à explicação. – Bom, talvez seja melhor vocês irem conversar no corredor, não acham?

— Ótimo, valeu. – Quinn agradeceu no mesmo tom e levantou-se fazendo algumas pessoas ficarem de queixo caído. – Tô esperando vocês lá fora.

E saiu, Santana riu erguendo-se também, precisava segui-la.

— Até mais, professor... Vem, Berry.

Rachel parecia um pimentão.

— Desculpa mesmo, senhor Nicholaus. – Ela saiu, tremendo. – Vocês estão doidas?

— Sim! – Fabray praticamente gritou. – Eu não acredito nisso, todo o meu trabalho foi em vão!

— Não foi em vão, Barbie.

— Claro que foi Santana, tá aqui na minha mão a prova! Olha só! Não sou cega!

— Não foi não, capitã. – A atleta voltou a afirmar revirando os olhos e pegando o celular dela, observou as danças. – Hum, olha, você pode fazer melhor que isso...

— É isso mesmo que tem pra me dizer?!

— Não. – Santana devolveu-a o pertence, séria. – Francamente, acho que a primeira coisa que deveria fazer agora era tirar a Kitty do time.

— Oi?

— Quem garante que não foi ela mesma que fez isso?

A loira arregalou os olhos verdes.

— Você tem razão, é bem capaz...

— Depois que, só falta à gente falar com duas pessoas daquela lista da Roz, pra finalmente descobrirmos quem foi que boicotou a performance das Cheerios. Estamos bem perto. Só temos que ligar tudo e aí você pode tirar à loira-azeda do time, porque só vou voltar pra ele quando ela estiver bem longe...

— Santana... – Rachel disse por cima da fala dela, olhando para o além do corredor, sorrindo. – San-ta-na...

— Não, espera aí, eu tô falando ainda, gnomo...

— A Brittany...

Ela parou e sentiu o coração acelerar.

— O que é que tem ela, Berry?

— Ela...

— Voltou. – Quinn apressou-se a revelar correndo até a outra loira, abraçou-a. – Meu deus, eu pensei que você só fosse conseguir voltar amanhã, Britt!

— Eu também, mas meu pai mudou de ideia.

— Que bom!

Rachel pegou na mão da outra morena.

— Vamos lá? É só um dia antes...

— Ok. – Ela respirou fundo se pondo de coluna reta e determinada. – Eu consigo fazer isso, Rachel.

— Eu sei.

Santana se aproximou com auxílio da parceira de Química/super-amiga.

— Oi, Rachel... – Brittany cumprimentou, sorrindo sem graça, direcionou os olhos a Lopez. – San, é tão bom te ver...

— Igualmente.

Ahn, nós precisamos conversar, quando você puder, é claro, porque queria te perguntar uma coisa meio importante e...

A morena soltou a mão da outra e abraçou a amiga-colorida, pronto, um passo de cada vez, estava dando certo até agora.

— Tudo bem Britt-Britt, pode ser agora, não tem problema. – Ela falou simpaticamente. – É até melhor assim.

— Melhor? Mas, bom, você...

Awn, gente, que lindo isso! – Fabray bateu algumas palmas, alegre. – Finalmente...

— Quinnie! – Brittany pronunciou em tom crítico, separando-se de Santana, em seguida, disse de boca meio fechado e “discreta”: – A Rachel tá aqui, não se esqueça...

— Ah, mas ela já sabe.

— É Brittany, eu sei de tudo, não precisa esconder toda essa saudade não...

Olhos azuis quase saltaram face afora.

— Quê?! – Ela ficou um pouco elétrica. – Sabe o que, Rachel?

Todas riram e Brittany sentiu-se uma daquelas pessoas tristes que sabem a piada ou noticia por último. Embora, tenha sido alertada de muitas coisas por Quinn nos seus últimos dias fora da cidadezinha. Como sobre o andamento da lista dada pela treinadora das animadoras, com seus suspeitos.

— Vem, vamos conversar. – Santana apenas avisou-a, suavemente, guiando-a para algum lugar pela mão, no entanto, a garota estava agindo feito uma estátua no último pedaço do caminho, olhando fixamente para trás, o que incomodou a morena. – Que foi?

— Eu achei que íamos conversar a sós, Santana...

— E nós vamos.

— Por que as meninas estão nos seguindo então?

— Porque eu pedi ajuda delas com uma coisinha.

— Uma coisinha...

— Sim.

Quando menos perceberam, Brittany e as outras se encontravam na sala de celibato, com todas as cortinas fechadas, um rádio sobre uma das grandes mesas e o silêncio anormal do lugar, não estava entendendo nadinha.

— Gente, o que tá acontecendo?

Shh, Britt, só fica quietinha e escuta...

— Ok.

A Pierce havia sido colocada numa cadeira e Santana possuía Quinn e Rachel ao redor, prontas para um show, diria a ex-bailarina, porém não podia ser. Isso não fazia sentido. Devia estar sonhando.

“Ba-da-da-da-da, ba-da-da-da-da-da...”

Foi quando o instrumental de uma canção (Maybe de Emma Bunton) começou a tocar alto e elas a cantar sobre a música-nua, preenchendo-a por suas vozes potentes ao vivo.

“Love isn't funny, when it is burning inside, when all you think of, is how to get through the night...”

Rachel e Quinn eram suas backing-vocals, agora Brittany estava entendendo, mais ou menos o que estava rolando ali. Wow! Estava perdidaça.

“Maybe it's just a waste of time, but I don't think so, maybe I definately know...”

Ela estava concentrada naquilo, em Santana, na sua forma de se comunicar com a letra, era incrível.

“That maybe... Maybe I'm in love...”

Amor. Sim, Santana estava apaixonada também. E a melodia continuava e acertava seu coração tão forte que ela nem sabia dizer o quanto daquela cadeira velha, sendo a plateia, vendo tudo por olhos azuis.

“Why do I keep fooling myself, why can't I let go, this is not like me, but now I definately see, that maybe...”

Os olhos castanhos estavam tão conectados aos seus agora.

“Oh-oh-oh-oh maybe... Maybe I'm in love...”

E quando a sonância acabou por completa no ambiente, Brittany levantou-se e pôs se em frente a Santana, pedindo aos deuses para que suas pernas não ficassem tão bambas.

— Você tem noção de quão maravilhoso foi isso, Sant?

— Claro que sim.

Ela riu da morena, tão modesta, isso não mudaria.

— Eu não conhecia essa música, mas deve ter sido escrita para você...

— Tchau, gente! – Santana disse, praticamente, expulsando as outras amigas no tom de voz, não queria velas-humanas em volta dela e Brittany, atrapalhando, após ajudar. – Obrigada, já está na hora de vocês, abraço...

— Nossa, que ingrata.

— Anda logo, Fabray!

— Vamos Rachel, não somos bem-vindas aqui, claramente!

— Estaremos aqui fora esperando garotas, qualquer coisa é só...

— Shh, Rach!

Quinn saiu com o nariz empinado, de brincadeira, levando Berry consigo e encostando a porta da sala, por fim.

— Então... – Brittany começou. – Você contou sobre a gente pra Rachel?

— Contei sim.

— Nossa...

— Pois é... Dessa vez não foi a Barbie, entendo o choque... E a verdade é que, foi a Berry que me deu a ideia de cantar pra você, agradeça a ela depois.

— Pode deixar! Eu... Nossa... Santana, eu nem sei o que dizer...

— É... – Santana sorriu serena. – Eu conversei muito com a anã sobre algumas coisas e ela me disse que isso, quase sempre, ajudava as pessoas sentimentais a expressarem seus sentimentos e etc... Papo de louca pela Broadway, e sei lá, High School Musical e Spice Girls também, você sabe... Só fui no embalo... E tive tempo de pensar sobre tudo.

— E deu certo?

Duh, deu. – Afirmou envergonhada, de leve. – Estou assumindo meu posto de sentimental aqui, não estou? Mas, só pra você... Saiba disso... Olha, Brittany, eu acho que... – Ela soltou o ar preso em seus pulmões, era forte o bastante para dizer, sem cantar. – Eu também te amo... Só tenha paciência por que eu... Sou eu, né... E, eu ainda estou aprendendo a lidar com isso...

Bom, agora quem estava sem palavras era Brittany. Elas beijaram-se com vigor, até que ficassem sem ar. Como isso parecia final feliz de filme. Pena que não era. Os outros problemas ainda estavam ali.

— Hey... – A morena disse passando o polegar numa bochecha da Pierce, algum momento depois da extravagante felicidade mútua delas. – O que você queria me perguntar de “meio importante”, afinal Britt?

— Ah, é. – Ela segurou as mãos morenas as suas, tomou fôlego, e trocou olhares sucessivos com a Lopez, tomando coragem, porque ela tinha isso dentro de si, com ou sem álcool. – Eu tenho muito que aprender ainda também, em relação a tudo... Não se engane, Sannie... Sobre o que eu queria te perguntar, bom... Quer dizer, o que eu quero te perguntar é... Você aceita ser a minha namorada e ver no que isso vai dar?

Notas finais
Até ♥