Notas iniciais
Welcome to the limit, take it maybe one step more, power keeps still playing...

— MEU DEUS, ALGUÉM CHAMA O CORPO DE BOMBEIROS!

O crepitar das duas fogueiras acesas naquele penhasco, já não era mais audível perante tantos e tantos berros de adolescentes desesperados com algo que, ocorrera há não muito tempo por lá.

As garotas deveriam se preocupar?

Santana e Brittany, na companhia de Quinn e Rachel, permaneciam um pouco mais afastadas da festa que rolava aos redores do farol, em meio a arvoredos, sentadas no chão, conversavam sobre assuntos alheios para esvaziar a mente, após processarem toda a esquisitice que fora a ligação feita ao número descoberto no quebra-cabeça sugerido pelo chantagista, mas agora, a situação externa estava um pouco difícil de ignorar e, por isso, se concentraram a ela.

— O que vocês acham que tá acontecendo? – A dos olhos azuis perguntou já de pé, receosa em continuar ali, sem saber o que se passava exatamente aos outros jovens não tão distantes. – Não parece nada bom.

— Não parece mesmo... – Rachel concordou com Brittany, tentando espiar algo por trás da árvore mais próxima, preocupou-se. – Estão correndo e gritando!

— Melhor a gente ir descobrir o que aconteceu, então. – Santana concluiu, levantando e sentindo Quinn apertar seu braço, antes que ela pudesse sair do perímetro. – Tudo bem, Fabray?

— Não...

— Que foi?

— Gente... Nossa... Deus...

A loira manteve os olhos verdes fixos no celular e engoliu em seco antes de olhar para as outras ginastas.

— O Sam acabou de me mandar uma mensagem dizendo que alguém foi empurrado do penhasco.

Todas se surpreenderam. Todavia, a Pierce foi a que mais se chocou. Ela não podia acreditar que uma pessoa, realmente, caíra do penhasco dessa vez, isso estava beirando um de seus pesadelos.

— Quê...?

— É Britt, é isso mesmo que você ouviu, nem sei o que dizer...

Santana se pôs ao lado da namorada e envolveu sua mão a dela, assim que, notou seu estado com as palavras de Fabray.

— Calma, coração...— Ela sussurrou à Brittany. – Quem caiu, Barbie?

— Ele não mencionou essa parte, Lopez.

— Vocês acham que isso tem a ver com... – A Berry começou a dizer, trêmula. – O chantagista e a ligação?

— Pode ser que sim, Rachel... – A latina ficou pensativa por um instante. – Ou talvez, foi consequência da bebedeira de alguém, vai saber. Só vamos descobrir quando voltarmos lá.

E no momento em que as meninas, por fim, incorporaram-se ao tumulto do “festejo”, descobriram através de Puckerman que quem caíra ao mar tratava-se de ninguém mais, ninguém menos que, Spencer Porter.

(...)

— Vocês tem certeza mesmo, que não há mais nada que queiram me relatar, meninas? – O diretor Figgins indagou pela última vez, recebendo uma negativa das duas líderes de torcida à frente, então assentiu aliviado e se levantou da cadeira a qual repousava, com o pendrive recebido em mãos. – Obrigado por me contarem o resto da história. Isso é muito importante para o bom funcionamento da nossa instituição. Vou tomar as devidas medidas o quanto antes.

É, sem dúvidas, só porque Shelby (a vice-diretora picareta) estava de férias.

— Ok, a gente já vai indo. – Santana informou, puxando Quinn consigo para fora da direção, não deixando de pensar que, ela havia se tornado uma marionete, entretanto não de Roz como Brittany e Fabray costumavam ser no início do ano letivo, e sim de um completo “desconhecido” infeliz, juntamente a sei lá quantos estudantes do McKinley, seguindo ordens e mais ordens rotineiramente. Até onde ela iria para guardar um segredo? Estava sendo testada. – Quem diria que você tava gravando nossa conversa com a Pepper, Fabray...

— Lógico, ela ajudou no boicote, Lopez. E, eu sei que tínhamos combinado de manter tudo em segredo, mas quando a gente começou a levar ela pra estufa senti que tinha que gravar. Eu iria acabar entregando ela uma hora, de qualquer forma, e queria ter provas pra isso.

— Foi esperta, capitã. Facilitou muito. Uma chatice a menos.

— Sim... – Ela sorriu para a morena. – Graças a deus!

Huh, eu tenho certeza que Deus não tem nada a ver com isso...

Santana riu e a loira revirou os olhos.

— Cala a boca vai, por favor.

Durante a caminhada pelo corredor, elas passaram ao lado do armário de Spencer, lugar onde avante residiam velas, fotos, cartas, flores e tudo mais, como homenagem ao nadador acidentado.

— Nossa, parece até que o falso-Eminem morreu e virou santo, quanto drama...

— Que isso, Santana!

Quinn franziu o cenho e a sua co-capitã suspirou, entediada por ter que explicá-la o que acabara de dizer, porque né, na teoria Fabray deveria entender de cara.

— Não estou dizendo que ele mereceu o que aconteceu, Quinn. Porque ninguém merece. Só acho que estão exagerando, olha isso tudo, tem um amontoado de velas e fotos grudadas ali, desse jeito só vão conseguir causar um incêndio aqui, se esse já não for o propósito. O Cesar atendeu o Porter no dia e me falou que estava tudo muito bem pra quem caiu daquela altura, tá consciente e vai se recuperar das fraturas, bem rápido, então...

— É. Mas, o Spencer é um dos melhores nadadores e não vai participar do campeonato que começa essa sexta. Acho que é com isso que estão tão preocupados... – A Cheerio esclareceu, percebendo a outra dar de ombros, e aí ambas continuaram andando, quietas. – Falando nisso, os amigos dele estão furiosos, deram um monte de nome pra polícia. Até parece que eles tinham uma lista completa de quem compareceu no penhasco, antes disso. Eu tive que dar meu depoimento na delegacia ontem com o Sam e a Rach.

— Ela me falou...

— Você chegou a ser chamada pra depor também?

— Sim, vou hoje com a Britt.

Repentinamente, as garotas viram uma terceira líder de torcida brotar no corredor, distante, voando de encontro a elas.

— Santana, Santana, a professora acabou de me avisar que estamos dentro do concurso de Química!

— Que bom...

Sem ter tempo de sequer reagir direito, a Lopez foi abraçada, e, em seguida, riu.

Tsc, tsc, tsc, aquela mulher tava fazendo suspense à toa.

— Mas, funcionou, que emoção!

— É... – Ela se afastou da amiga, ainda sorridente, e disse: – Você tem que parar de fazer isso aqui, tá?

— Ok, desculpa...

— Tudo bem.

— Parabéns, garotas! – Quinn manifestou-se, alegre, prendendo as morenas num outro abraço extremamente apertado. – Tenho certeza que vão ganhar...

Santana foi se esquivando, ligeiramente, das outras atletas.

— Nós vamos ganhar tudo, Barbie! Tudo! Principalmente a competição de animação.

— É assim que se fala!

Elas riram.

— Agora, vamos atrás da Britt, já deu o tempo da senhorita-certinha.

(...)

Como seu pai lhe dissera, os dias passavam realmente rápidos quando se tinha dezessete anos, Brittany mal podia acreditar que a obra que Robert mandara construir meses atrás já estava finalizada, em pé, naquele esplêndido estado. Ela estava orgulhosa. Muito orgulhosa. Quanto ao Pierce? Rá-rá. Nem se falava. Investimentos certeiros o deixavam realizado e faltava muito pouco para a inauguração do novíssimo shopping despovoado por qual, ambos, perambulavam pela tarde.

— É isso, acabamos. – Robert parou ao centro do hall de entrada. – Então, o que achou daqui, Brittany? Sinceramente.

Olhos azuis mal piscavam.

— Incrível! Não existe palavra melhor que essa pra descrever tudo isso, pai... – Ela deu uma boa olhada ao entorno, de novo, radiante. – Quer dizer, é maravilhoso, sensacional, perfeito!

— Algo mais na sua lista de adjetivos?

O homem riu junto à filha, satisfeito e meio emocionado.

Hum, sim, mas ficaríamos tempo demais aqui.

— Até que existem muitas palavras boas pra descrever esse lugar no fim, não é...

Ela assentiu.

— Bom, ainda faltam algumas marcas instalarem suas lojas, mas acho que, eu concordo plenamente com você, filha.

— O design desse lugar, nossa, nem sei dizer, é tão lindo Robert... Conseguiram chegar mesmo à proposta daquele croqui... Esse pode ter sido o seu melhor investimento, sem brincadeira, pai.

— É, e sua ajuda tem grande mérito nisso, Brittany... – O Pierce enunciou feliz, fitando, periodicamente, a pasta que se encontrava em sua mão direita. – O projeto do shopping era da sua mãe, ela desenhou tudo, quase não mudamos nada do original, quando o passamos do papel para cá.

— Sério? E-era dela? Eu... Uau... Nossa... – Ela ficou reflexiva. – Por isso pediu pra eu escolher um dos projetos que me mostrou quando nos mudamos pra cidade? Espera aí, eram todos dela? Por que não me disse?

— Sim. Queria fazer uma surpresa. Você vai muito longe, Brittany. Tem um olhar certeiro que nem a Wanda tinha, vai expandir nossos negócios pra bem mais, ainda vai me superar, ganhar o mundo inteiro.

A loira sorriu sem graça e tentou segurar o choro ao olhar para o espaço, lembrando-se dos jeitosos croquis de sua mãe, encarou o chão, em negação ao discurso do Pierce.

— Impossível, não vou te superar, você é o melhor, não fala besteira...

— Não estou falando besteira, você sabe que é verdade, Brittany. Ahn... — Robert tirou uma carta da pasta que segura e esticou o braço para entregar a garota. – Esse era o outro assunto importante que tinha mencionado.

A líder de torcida ergueu os olhos em direção ao envelope.

— O que é isso?

— A resposta da Universidade...

— Já?

Ele assentiu, insistindo para ela pegar o documento.

— Chegou sexta, mas como a Santana estava em casa, não quis te deixar ansiosa com isso. Aí, depois, você sabe, fiquei o dia inteiro fora de casa ontem e não te entreguei. Perdão.

— Ok...

Brittany apossou-se do papel e começou a abrir a carta, desdobrando-a, lendo com cuidado, linha por linha, antes de voltar a encarar o pai, sem reação alguma.

— O que diz?

— Que eu fui aceita...

Ele fez algumas caretas, entusiasmado, o que provocou umas risadas suaves da loira.

— Meus parabéns! – Robert abraçou a filha, assim que conseguiu falar, muito contente. – Eu sabia, eu sabia!

Ele beijou a testa da garota e acabou com o contato ali, criando um pouco de distância, mais uma vez, super-orgulhoso.

— O tempo tá passando rápido, né...

— Por que acha isso, filha?

Brittany, agora, lhe parecia cabisbaixa, sem saber como prosseguir o assunto.

— Por nada.

— Não está feliz?

— Tô... Muito, muito feliz.

— E por que não é isso que tá parecendo? Você não quer prestar Ciências Econômicas? Pode dizer. Não tem problema. Você não precisa seguir os meus passos. Sabe que eu te apoio em qualquer decisão que tomar.

— Não é isso, eu quero...

— Qual o problema então?

— É que... Eu... Às vezes esqueço que ainda esse ano, eu vou estar longe daqui. Só isso.

— De volta a Seattle, como você queria, não?

— Sim. Como eu queria. Só que estou meio confusa sobre isso agora, não pela faculdade, mas...

— Por causa dos seus amigos?

Ela fez que “sim” com a cabeça.

— Você e o Kurt continuaram amigos, acha que será diferente com a Santana, a Quinn, o Sam, ou quem quer que seja?

— Acho que não.

— Saudades é um sentimento passageiro, o que tem que prevalecer, sempre prevalece.

— E tudo melhora no fim, porque essa é a vida, entendi...

— Exatamente. – Ele riu. – Mas, de quem são essas palavras? Nunca ouvi você dizendo isso antes.

— De um amigo...

A adolescente sentiu o celular vibrando em seu bolso e o pegou.

[Santana]: Então corazón, eu acabei a corrida que tava em débito (por ficar o dia inteiro ensinando aquele passo super simples pra SmurBerrydrosa ¬¬) faz uns minutos e já voltei pra casa, o que você queria? [3:51 p.m]

[Brittany]: Te ver o mais rápido possível ;) [3:52 p.m]

[Santana]: Admita, cansou de ficar de vela dos bonequinhos sei lá onde, né? Haha, Britt me desculpa! Eu queria ter dormido na sua casa, mas você sabe, eu me estressei demais ontem... [3:52 p.m]

[Santana]: E sobre a ligação que fez de manhã, eu ainda tava irritada, não queria ter falado daquele jeito. [3:52 p.m]

[Brittany]: Tudo bem Sant, eu sei ♥ Quando eu posso te buscar? [3:53 p.m]

[Santana]: O que a gente vai fazer? [3:53 p.m]

[Brittany]: Não posso dizer, é confidencial, responde logo... [3:53 p.m]

[Santana]: Rá, ok, pode ser agora, senhorita-mistério! [3:53 p.m]

(...)

— Olha só, a praia, tinha acabado de sair daqui... – Santana comentou aos risos e percebeu que ela e Brittany se direcionavam ao quiosque do dia em que se conheceram. – O que estamos fazendo, Britt?

— Estamos saindo.

— É, mas você tá com um sorrisinho duvidoso na boca, me diz logo, qual o evento especial?

— Bom Sannie, eu vou tomar o sorvete de flores pra te alegrar, não me resta outra opção.

Olhos castanhos arregalaram-se e a Lopez não controlou a gargalhada que veio a seguir.

— Você tá brincando, né?

— Não tô.

— Você é doida!

— Talvez. Você queria que eu tomasse, não queria? Depois de pensar bastante, aceitei tentar sobreviver ao gosto do negócio, cá estamos nós para o teste.

A latina arqueou uma sobrancelha e puxou a namorada para perto, a fim de cochichar.

— Você não tá pensando em me beijar depois que colocar isso na boca não, né? Só porque eu disse que a comida do Vitor não é tão ruim assim. Deixa de ser rancorosa, por favor.

— O que? Não tem nada a ver! – Ela riu. – Já entendi, sou a única que sente o tempero em excesso, tudo bem...

— Não, você só é meio mimada com isso.

Olhos azuis reviraram-se e Santana mostrou a língua para ela.

— Sobre a pergunta que fez antes, bom, não sei, talvez sim, quem sabe.

— Pierce...

A loira ignorou-a e foi pedir o odiado sorvete, enquanto ela pedia um de creme, para variar. Começaram a caminhar, Santana, obviamente, super-vidrada na cara que Brittany faria ao provar o doce. Mas, nada aconteceu, ao invés disso, a mais alta pediu para que elas se sentassem na areia, e foi o que fizeram, com a morena ainda esperançosa.

— Nada, mesmo?

— Não é tão ruim assim...

— Não é possível!

— Claro que é! Aceita que dói menos, vai Sant. Você só não aguentou o sabor peculiar disso aqui, não precisa se envergonhar, todos falham. – A garota falou vitoriosa, acabando com o sorvete, que não gostara e provavelmente nunca repetiria a dose na vida, porém que não chegava a ser horrível como Santana descrevera meses atrás, ela riu absorta. – Então...

— Você é muito estranha.

— Eu sei. Bom, a ideia aqui era eu te levar para o farol hoje, mas como conseguiram estragar o lugar...

— Infelizmente.

— É. Infelizmente, só que... – Apontou para o céu, mar e paisagem viçosa. – Ainda sobrou isso tudo aqui e tá valendo, né...

— O que isso quer dizer, coração? Tô meio lerda hoje e admirar Rosefield não é meu forte, você sabe.

— Quer dizer que hoje faz um mês que estamos namorando!

Brittany sorriu para a garota-petrificada ao lado.

— Ah, eu nunca liguei pra datas antes, me desculpa Britt, isso é novo pra mim, eu... Eu... Desculpa...

— Imaginei, não tem problema, ahn... — Ela levou a mão esquerda ao bolso de sua blusa, para poder achar os adornos que passara dias e dias pensando sobre, era muita incerteza, mas a própria Pierce deveria seguir as suas vontades dentro do namoro, então precisava só fazer. E não pensar tanto sobre, porque pensar muito sobre, cria barreiras. E, ela não precisava de barreiras ali. – Sei que acha ridículo anel de namoro, mas eu não resisti, então, eu meio que achei um meio termo pra comemorar essa data do nosso.

— Meio termo?

Santana riu, esperando a surpresa, curiosa.

— É.

— Que seria?

— Pulseiras de namoro!

Brittany colocou o bracelete prata de correntinhas, com um pequeno coração pendurado, no pulso da namorada e logo vestiu o seu.

Own, você é tão brega...

— Você gosta da minha breguice!

— Um pouco, eu te amo, né... – Santana olhou para os lados e deu um selinho frenético em lábios rosados, certificando-se de que nenhum -dos poucos- seres humanos na praia pudessem ver tal cena. – Tô brincando, eu adorei, essa foi a melhor solução que encontrou.

— Ufa! Eu tava morrendo... – A loira confessou, aliviada pela boa receptiva do presente. – Você nem tem noção.

— Eu tenho sim!

— Eu também te amo...

— Eu sei, e não precisava se preocupar, não iria terminar com você por isso, pff.

— Tenho certeza que não.

Elas sorriram, trocando olhares alegres e cúmplices.

— Sabe o que eu queria agora?

— O que, San?

— Sair da cidade, não precisa ser pra muito longe, só o bastante pra não cruzar com os urubus do McKinley.

— A gente pode fazer isso.

Olhos azuis só enxergavam castanhos e vice-versa.

— Voltamos antes das dez?

— O que você quiser.

— Nossa, você é a melhor namorada do mundo mesmo, Piercezinha.

— Obrigada, eu diria que, na verdade, é você, mas acho que tem razão, eu sou.

— O que fiz com sua pobre alma?

— Roubou, completamente, com o meu consenso...

A morena riu e ergueu-se do chão.

— Vamos!

(...)

Santana já não aguentava mais olhar para a cara deslavada daquela ex-loira avante, foi quando o tom de voz dela mudou, para mais agressivo, na conversa, porque se deu ao trabalho de ir até Kitty no quinto dos infernos do colégio, com um mísero objetivo a cumprir naquela noite e apenas conseguiu arrancar baforadas e mais baforadas de cigarro em sua face, e, é claro, um sorriso estúpido esboçado também, nada do que ela queria. Nada do que ela procurava. Nem chegava perto do objetivo. Ah, Kitty Wilde, ela não passava de uma desgraça em forma de gente. Todavia, a Lopez tinha um propósito. Sim? Estava quase lá.

— Ok Wilde, só vou dizer uma vez, me passa a porcaria do número logo!

— Acho que essa deve ter sido a segunda ou terceira vez que disse isso já, queridinha. Perdeu a conta? Que coisa... – Debochou, dando uma tragada. – Por que eu te passaria?

— Você quase que tem obrigação de passar! Esqueceu, é queridinha?

— Vocês me colocaram pra fora do time Lopez, e eu ia ajudar, eu disse, mas agora, eu tenho minha nova galera... – A dos cabelos malucos apontou para as meninas do Skanks. — O que eu ganharia te ajudando?

— O que você ganharia?! – Santana riu. – Sabe o que você vai ganhar daqui a pouco, sua folgada?

Ela deu um tapa na mão de Kitty, fazendo o cigarro se perder, em algum canto do concreto.

— Um tapa no meio da sua cara!

Iiih...— As rebeldes pronunciaram aos risos, um pouco afastadas delas. – Ai, ai! Vai deixar mesmo, Wilde? Que fraca!

— Ou pior, ainda posso te considerar o número anônimo...

Kitty fez uma careta e grudou em Santana.

— Ok, ok... Eu falo o meu antigo número... Anota aí...

(...)

Quinn e Brittany dialogavam na mais tranquila paz, quando a Lopez surgiu por uma das portas do clube de celibato e puxou uma cadeira para se juntar ao “círculo”, antes que elas começassem a falar em ir, enfim, embora para casa, pois ficaram muito mais que o tempo necessário por lá, no dia. Por culpa do empenho para a competição. E que empenho.

— Chega. Nós vamos atrás do chantagista. Tenho o número e precisamos de um nerd pra rastrear a localização.

— Você tá bem, Lopez?

— Super bem, como eu disse, nós precisamos de um nerd pra rastrear o número, serve o aleja-aquele Artie, aposto que ele consegue isso. Vocês sabem onde ele mora? Ele tem que ajudar a gente, vamos lá.

— O que aconteceu, Sant?

Ela suspirou, percebendo que teria que contar, devido as expressões perdidas das loiras.

— A gota d'água, Britt-Britt.

Há cerca de uma hora atrás...

Santana deixou o vestiário e assistiu Rachel -e as outras animadoras- irem embora da escola, e no momento em que, ela pensou em voltar para suas amigas, recebeu uma mensagem.

[Número anônimo]: Cuidado com a escuridão, principalmente da sua sombra Lopez, pois nunca se sabe o dia de amanhã, não é? Haha ;) [7:32 p.m]

[Número anônimo]: Tô esperando você acordar ansiosamente, aqui da plateia, como uma múmia. [7:32 p.m]

[Número anônimo]: Zzzz... [7:33 p.m]

E foi parada por umas nadadoras no corredor, no decorrer de sua leitura, ao estilo gangue de ser.

— Nós precisamos ter uma conversinha muito séria com você, piranha. — Bree empurrou-a nos armários e Marley com Violet formaram uma rodinha entorno dela, ajudando-a aprender a morena ali, sem saída. – Só escuta...

— Tá achando que tá falando com quem, hein Bree?!

Ela guardou o celular, depois, levou um tapa na cara, tão subitamente, que nem sabia dizer de qual das três garotas recebeu-o.

— Tô falando com você, não se faz de sonsa, né amore.

— Estão loucas?!

Huh, não mais que você, pode ter certeza.

Santana fez uma careta, não era possível que isso estava acontecendo, parecia um trote.

— O que vocês querem? Eu não faço ideia do que tá acontecendo! Não dá pra ver?

— Sabe Santana, eu tava até achando divertido todas essas histórias sobre você estar fodendo com todo mundo da escola, até aquela parada estranha acontecer com o Spencer e agora o que aconteceu hoje! Não devia ter se metido com o time de natação...

— Que porra aconteceu hoje?! Bree, eu não sou culpada disso! De nada disso!

— Ah, não? A gente achava engraçado assistir você sacaneando os outros. Vai dizer que sou cega e não vi nada? Para vai...

— O que aconteceu, afinal?!

A morena bufou para Santana.

— Alguém colocou uma bombinha lixosa feita numa aula de química, sim, já vimos antes uma dessas, no armário da Madison e ela machucou o braço! Foi pro hospital faz uma hora já! Você passou dos limites, garota!

Um aluno de química estava sendo chantageado, que ótimo, só que não.

— Eu não fiz isso!

— Ah, não?! Também não foi você a “obra de arte” no cabelo da Wilde? Ela contou pra todo mundo, antes de, bom, aceitar de vez.

— Eu nunca disse isso, tenho tudo contra a Kitty, nada contra a Madison.

— Não mesmo? Ela não estava lá quando o Spencer quase te enforcou? Não tem raiva por ela não ter feito nada e ser tão amiga dele ao ponto disso? Nem um pouquinho? Eu teria. Ela contou pra gente como você estava, e quase tinha certeza sobre seu envolvimento com o que houve com as rodas do carro dele, em outras palavras, a culpa te rodeia, Lopez. – Bree revirou os olhos e soltou Santana, girando o corpo para ir embora. – Você já era.

(...)

No fim, Santana conseguiu arrastar as loiras para buscar Artie e pedir ajuda, após contar o ocorrido, antes que o colégio todo aparecesse com tochas na porta de sua residência, pedindo sua cabeça, com sede de vingança -da pessoa errada- argh.

— E aí, consegue fazer Arthur-Artie?

Ele assentiu concentrado no computador e tomou um gole de água de sua caneca.

— Consigo sim, mas vai custar uma grana...

— Pode ser. – Santana concordou às pressas. – Só vai logo!

— Ok...

— Espera, rastreia esse aqui também.

Quinn e Brittany arquearam as sobrancelhas, de cara feia, assistindo Santana anotar outra coisa no papel que Kitty a dera.

— Que número é esse?

— O que a gente descobriu na festa do infeliz, qual mais seria, capitã?

— Ah, faz sentido.

— Ok, eu rastreio, só que vai aumentar o preço...

— Foda-se o preço, já disse que pode ser, vamos pagar!

— Certo, certo, desculpa, só vai levar uns minutos...

— Se sairmos daqui com a localização, ainda hoje, eu te dou até um beijo!

Todos no perímetro ficaram pasmos com a declaração de Santana, o silêncio a fez rir, e, Abrams, ajeitando os óculos sutilmente, questionou:

— É sério?!

— Óbvio que não, agora faz o seu trabalho logo, se quiser receber à vista!

(...)

— Ok, em qual dos endereços vamos antes?

— Pro do número da festa, Britt.

E ao ouvir a voz da namorada, a Pierce meramente fez o seu papel de motorista, até o primeiro ponto.

— Essa é a casa da Terri!

— O que, Quinnie?!

— Você quer dizer: da enfermeira fajuta, Fabray?

— Sim, olhem pra ela ali gente, na janela de baixo... Ai meu deus, abaixem!

As garotas se encolheram nos bancos.

— Bom, sabemos que a música veio daqui e que eu ouvi um resmungo de mulher na chamada, o que significa que, ela é uma chantageada ou é uma ajudante do diabo.

— Melhor a gente ir logo pro outro endereço, né?

— Sim, vamos.

Não demorou a elas chegarem. As ruas eram desérticas. À medida que, Brittany virava as esquinas, Santana foi reconhecendo a região tão familiar, Quinn também, porque Finn morava nas redondezas, até pararem em frente a uma casa.

— Que foi hein, Santana? Que cara é essa? Sabe quem mora aí?

Quinn não sabia, mas Brittany sabia também, nunca iria esquecer. Porque foi no Halloween que descobriu tal fato. Mas, ambas continuaram caladas.

— Que foi gente?! De quem é a maldita casa? Alô?!

— Do Puckerman, Barbie...

— O quê?! É ele o chantagista?! Wow, wow, faz todo o sentido!

— Não, não faz sentido nenhum, pode parar por aí.

Fazia sentido. Brittany tinha que concordar com Fabray. Só que preferiu não palpitar.

— Claro que faz sentido, Lopez! Vai dizer agora que ele não invade a escola de madrugada?! E coisa do tipo?! Já ouvi o Noah falando sobre isso ano passado, na maior cara dura, cheio de si! O maior vândalo de todos! Duvido que tenha mudado de uma hora pra outra, somos idiotas demais, a verdade tava embaixo do nosso nariz o tempo todo, grudado em você, huh, ele já ficou com a Kitty várias vezes e numa dessas, ela deve ter contado sobre a chantagem pra ele, e do jeito que ele é, deve ter curtido bastante, vai saber se ela não tá nisso ainda...

— Boa suspeita, capitã-Sherlock... — Ela desceu do carro. – Mas, não é ele. Isso é o que o chantagista quer que a gente ache, não percebeu? Ele sabia que eu ia fazer isso.

Quinn se enfureceu.

— Quê?! Não tinha como ele saber! A não ser que contasse pra ele... Por que você tá defendendo tanto o Puck, hein Lopez?! Desembucha!

— Eu não tô defendendo ele.

— Não? Pra mim parece que tá! E pra você, Britt? Parece?

— Gente...

Ela não sabia o que fazer.

— Por que não vai à merda e para de ser tão idiota, Quinn?!

— Por que você não faz o mesmo?!

A morena começou a andar, ignorando a expressão zangada da loira de olhos verdes.

San, onde você tá indo?

— Vou descobrir a verdade, Brittany. – Ela entrou no quintal bagunçado da casa do estudante e começou a olhar para o extenso terreno, até achar uma pá cravada na terra, pegou o objeto e começou a cavar. Quão louca ela parecia? Preferia não saber. Nem pensar. Ela sentiu a presença das garotas atrás de si – O que vocês querem?

— Viemos te ajudar...

Um papel e um celular -dentro de um plástico transparente- se fizeram visíveis.

— Achei! – A Lopez alcançou o plástico e abriu-o, lendo o recado no impresso. – Eu sabia...

“Até que enfim fez alguma coisa, estava ficando cansativo, pra ambos, não?”

— O que tá escrito, Sannie?

“Vamos tornar as coisas um pouco mais arcaicas, curte cartas, além de gorros vermelhos no Natal?”

Ela mostrou para as loiras, e em seguida, percebeu que a folha em mãos estava colada, tentou separar as partes, com sucesso.

“E agora, tudo parece divertido o bastante pra você, Santana? = 01010010”

— Ou seja, nós voltamos à estaca-zero, que ótimo. Isso não provou nada, Lopez. Ainda pode ser o Puckerman, ou pior, o borrão da minha mente...

— Verdade Sant, a Quinnie tem razão, melhor sairmos daqui.

— Não, nós não voltamos à estaca-zero, gente. Eu já sei quem é a pessoa. Acabou.

Notas finais
Até mais ♥