Destino ou não - Brittana
42 Sob nova direção
Notas iniciais
— Nossa... Acho que... Não, eu não acho. Definitivamente, é informação demais pra um dia só... – A capitã das líderes de torcida exprimiu enfim, massageando as têmporas com os dedos, à medida que, sentia o clima denso, pesado e esmagador tomar conta da enfermaria em que se localizava. Quiça existisse, também, uma nuvem negra sobre Rosefield inteira no momento. É. Santana, Brittany e ela que o dissessem. – Eu... Estou perdida. Ok, vamos recapitular: você era o número anônimo, certo Kitty? E estava chantageando a Lopez com a tal foto que tirou no corredor... – Fabray percebeu a outra loira assentir várias vezes, quase revirando os olhos de tão pouco caso para suas palavras, então ela estressou-se mais ainda com a situação. – Isso é insano! Sabia?! Não consigo pensar em nada melhor pra descrever, e ainda não faz sentido algum, minha cabeça explodiu! Quer explicar logo?!
— Fica calma, Quinn. – Pediu Kitty tranquila, alongando o pescoço, deitou-se com as costas na cama levemente elevada, outra vez. – Calma... Já, já, eu explico com todos os detalhes que quiserem... Todos... Só tô esperando o CASAL parar de drama e desamarrar logo essas caras né, senão não dá...
Freneticamente, Brittany e Santana olharam para a líder machucada. Casal? Elas nunca tinham pensado nelas dessa maneira a qual Wilde acabara de referi-las. Tão estranho. A relação das duas estudantes era de amizade. A-M-I-Z-A-D-E. Uma amizade diferente do normal, claro, mais colorida -além do arco-íris- porém, ainda sim, era uma relação de amizade. Tinham consciência disso. Não tinham? Contudo, o que tornava duas pessoas um casal, mesmo? A Pierce começou a raciocinar sobre. Seriam os beijos? Sexo? Uma atração física envolvente? Fidelidade corpórea? Alguém decidir falar/avisar que certas pessoas são um casal na cara delas, assim? Ou um pedido direto de namoro feito por uma das partes envolvidas em tal relacionamento? Ela realmente não fazia ideia, e nunca havia parado para refletir. Nenhum dicionário no universo poderia responder uma questão tão pessoal.
Certo?
E a resposta não chegara, e nem chegaria. Por que era tão difícil de saber, de pensar, até mesmo considerar tal hipótese? A loira já estivera em posição de casal, pensava ela que, por conta de alguns namoros, mas será que era isso? E aquele seu último, com David Karofsky ali em Rosefield? Ela já formara um casal com aquele cara?! Parecia um mundo tão distante e ao mesmo tempo tão presente. Tudo isso não lhe trazia lembranças nada boas, e era o mais fresco em sua mente que ela tinha de “namoro”, então tal palavra não lhe agradava muito.
Todavia, se tratava de Santana a ideia de casal que desencadeara o pensamento.
E não de uma pessoa qualquer que ela podia descartar a qualquer hora, sem mais nem menos. Não mesmo. Brittany não conseguia mais imaginar sua vida sem a outra. Sua vida. Quão absurdo era isso? Conhecia a latina fazia praticamente oito meses, e de forma intima e rotineira há bem menos. Isso era um problema? Sim, era um problema. E dos grandes. Ela podia sentir a culpa por toda a situação de agora com Kitty e a chantagem recair sobre suas costas, esmagando seus ossos sem dó, o dorso inteiro tenso. Não devia ter beijado Santana num corredor nunca, fora tão burra. Culpa disso que ela sentia por Santana. Culpa dela própria, só dela. Talvez nada, absolutamente nada, tivesse uma fórmula única e definitiva para seguir, talvez as pessoas que criassem seus relacionamentos, rótulos e etc, sem um manual. Talvez pensar sobre isso doesse. Talvez não pensar fosse pior. Os olhos azuis piscaram e Brittany sentiu o ambiente sumindo em turvo, estava tão cansada ainda.
Por causa do sonífero, por causa dos pesadelos, por causa dos seus medos.
Todo som parecia mais alto que o habitual, foi quando ela se apoiou numa parede.
— Nós não somos um casal! – A morena esperneou zangada e deu um passo para perto da maca onde Kitty repousava. – Argh... Eu te odeio tanto agora, loira-azeda... Se você soubesse...
— Ora, mas eu sei. – Ela sorriu e a Lopez se afastou em seguida, passando uma das mãos nos cabelos negros, sua respiração chegando à alma, alta, como se fosse explodir em puro vapor estilo bule fervente. – Enfim, voltando ao assunto: correto, capitã! É insano mesmo. Mas, até que foi uma coisa simples, eu mandava a Santana fazer algumas coisas por aqui e ela me obedecia, passo a passo, pra eu não vazar a foto. Sim, sim e sim: Deixar o time, sair do Glee, jogar raspadinha nas pessoas, se aproximar das nadadoras, etc, etc, e tal, nos corredores. Tudo obra minha.
— Simples?— Fabray indagou num tom agudo de indignação. – Onde isso é...
— Eu não te entendo, Kitty. – Brittany cortou Quinn e fixou os olhos azuis na líder de torcida deitada. – Não entendo mesmo. Por que fez isso? Por quê? Só diz logo! Para de enrolar, por favor.
— Tudo bem, tudo bem Brittany! Vou contar logo... Fiz tudo isso porque eu ouvi um boato na minha festa de Halloween e me preocupei... – Ela relatou sentando em pernas de índio no colchão. – Falaram pra mim que uma pessoa do time não era confiável e eu já desconfiava que, se nós entrássemos em competição em algum momento, alguém armasse algo contra nós. Possivelmente as nadadoras, por causa das nossas brigas diárias pelo corredor e da Roz também, afinal de contas: os antigos alunos dela não parecem gostar nem um pouco do abandono, ou troca, se preferirem, feito por ela de um time a outro. Né?
As garotas esperaram, entretidas, que a loira na maca continuasse a explicação e foi o que ela fez, após respirar com dificuldade e incômodo por conta da lesão no nariz:
— Bom, eu tinha que descobrir se isso era verdade de perto. Então, precisava de uma “espiã” para o lado das nadadoras, mesmo que eu não tivesse certeza de nada, pensei nas possibilidades. Em quem eu poderia realmente confiar para o serviço árduo. E é claro, quem não fosse a própria infiltrada de sei lá quem no meio das meninas, e cheguei à conclusão que a Lopez seria a minha espiã perfeita. Ela era adequada pra isso em quase tudo, seu perfil agrada muito o tipo de gente que nós encontramos no meio dos nadadores, como o próprio Spencer ou a Bree. Sim, eu confesso, poderia ter pedido a Santana pessoalmente que saísse das Cheerios e fizesse isso pra nós, simples assim, só que não teria efeito algum. E por quê? Vocês me perguntam. Porque ela até entrou no Glee só para não sair do time! Entenderam agora o obstáculo que me parou no segundo que pensei sobre tudo? Planos B, C, D e mais trocentos foram surgindo pra mim naquela semana, mas nenhum bom o bastante. E aí, um dia, resolvi seguir a Brittany e a Santana, quando elas deixaram um treino e foram até o corredor, estavam agindo tão estranho desde a minha festa se é que vocês me entendem, então estava curiosa com tudo isso, quem não ficaria? “Talvez, fossem elas as traidoras” eu pensei, porque estava aceitando e acreditando em qualquer hipótese. Qualquer mesmo. Mas, o que aconteceu no corredor me pareceu uma perfeita luz no fim do túnel pra aquele meu obstáculo lá atrás. E foi a coisa mais repentina do ano! Logo pensei que eu poderia controlar a Santana sem problemas e nós conseguiríamos nos salvar de qualquer sabotagem que viria das nadadoras, pois ela conquistaria a confiança delas e de bônus descobrisse algo interessante pra nós.
Ela relaxou os ombros.
— Olha gente, só queria proteger as Cheerios a principio e... Acabou sendo divertido demais pedir diversas coisas a Santana. Eu abusei, eu sei. Não vou fingir que sou inocente, não sou. Vocês sabem como ela mergulhou de cabeça nessa sua personagem maravilhosa dos corredores, e eu fui junto, querendo ver sempre mais e mais dela, e quando percebi o que eu estava fazendo, pedi o que eu queria, finalmente: que ela se aproximasse do time de natação. Foi minha deixa. Foi o meu direto ao ponto depois de andar em voltas com ela. Aí, parei. Deixei o celular de lado um pouco depois disso, porque eu não precisava de mais nada dela, até o momento em que eu revelaria pra ela que eu era o número anônimo, é claro. Sempre foi essa a minha intenção, você deve se lembrar das minhas primeiras mensagens, Lopez... Eu avisei. Mas, voltando ao ponto, eu passei a guardar o meu celular-porcaria que, usava pra isso, no armário do vestiário e simplesmente sumiu semana passada. Pode ter sido alguma líder que pegou, como também pode não ser. É isso, basicamente.
— Kitty, você fodeu tudo! – Quinn expressou-se furiosa. – Falei pra você não ficar tão fissurada no que a Bree ou a Violet faziam ou deixavam de fazer! Olha aonde você chegou! E agora?!
— É... – Ela deu de ombros. – Não tem como voltar atrás, Quinn. E eu não faço ideia de quem seja o anônimo agora, de verdade. Senão eu falaria, olhem o que houve comigo! Eu só preciso que vocês saibam que eu usava as animadoras como meus, bem, “olhos” para saber onde a Santana estava na escola, e o que fazia, todos os dias, por mensagem. Pode ser que a tal infiltrada tenha descoberto o que eu planejava ou que eu ordenava a Lopez a fazer as coisas que ela estava fazendo, por causa dos meus pedidos diários de “vigilância”, apesar de sutis, não sei...
— Claro, saber onde eu estava na escola. – Santana disse, voltando para o círculo das loiras. – Então, não era você me seguindo domingo na rua, depois do natal. Bem que eu estranhei o novo comportamento desse ser.
— Alguém te seguiu na rua?! – A Pierce se exaltou. – Por que você não me falou nada, Santana?
— Por causa da sua reação, Brittany! Olha aí! Não preciso de outra pessoa pirando além de mim. E pff, quem é você pra ficar preocupada com isso, hein?! – E foi nesse momento que Brittany notou que Santana nunca esqueceria a história de “perseguição” por sua parte, teria que conviver com isso, fora tão estúpida. – Pois é. Depois a gente conversa, tá? Depois. – Ela voltou a olhar para Kitty. – Tudo isso é culpa sua, Wilde! Absolutamente tudo, só por causa de um maldito boato, sua infeliz de merda! Juro pra você que não tem nada aqui me impedindo de te dar um tapa na cara agora mesmo. Me convença do contrário, pro seu próprio bem. Rápido.
— Não tiro sua razão, Santana. Eu faria o mesmo. Mas, lembre-se que: o meu nariz tá machucado abaixo dessa gaze aqui e o meu pulso torcido. E como não sou eu te chantageando mais, não te serviria de nada essa violência gratuita. Estou indefesa, leve isso em consideração.
— Consideração por você, Kitty?! Rá, que piada engraçada. – Santana gargalhou ironicamente. – Sobre a tal violência gratuita que você falou, seria apenas o seu troco, queridinha...
A morena quase subiu na maca, ao passo que olhava para a loira de forma mortal apoiando-se no colchão, Kitty se inclinou para trás.
— Sabe, eu estava com pena de você... Sério... Mas, sumiu... Você merece tudo isso e mais um pouco, desgraçada!
Brittany segurou a garota e puxou-a para trás num piscar de olhos.
— Sant, se acalma.
— Me solta, Brittany! – Ela se afastou dos braços da mais alta e o seu semblante não era nada feliz, olhou para Kitty. – Você vai ver...
— Vou ver mais do que isso aqui? – Apontou para o nariz. – Não, né. Calma lá. Olá, Santana! Deveria estar mais preocupada com quem está com a foto de vocês agora, pode ser qualquer um, pelo menos eu sou quase sua amiga.
— Quase minha amiga?!
— Não vamos brigar agora, gente! – Quinn gritou separando-as. – Precisamos descobrir quem é a nova pessoa por trás do número, juntas, ok? Quem nos sabotou. Porque com a Kitty vocês ainda tinham certa segurança em relação à foto, eu acredito...
— Na verdade não, se a Santana não tivesse me obedecido eu teria entregado a foto “exclusiva” diretamente na mão do Jacob Ben Israel, sem problemas. Ficaria meio mal pela Brittany? Sim, com certeza. Mas, e daí? Tudo passa.
— Você não tá ajudando, Kitty. – A capitã alertou-a. – Não tá mesmo.
— Es una hija de puta... — Santana xingou avançando de novo e Brittany segurou-a por trás desculpando-se no processo. – ¡Sueltame!
— Só se você parar!
— Brittany...
— Santana...
— Me larga! Você não ouviu?!
— Ouvi! Você vai parar?
— Você devia estar me ajudando, Pierce!
— E eu estou te ajudando, San... Só... Promete pra mim que se eu te soltar não vai fazer nada do que possa se arrepender mais pra frente, tá?
— Tá, tá, eu prometo.
Ela soltou à morena e a mesma olhou para a loira ex-chantagista.
— Vamos ao que interessa realmente, Lopez e meninas? O que foi que o anônimo mandou por último, que estavam cochichando tanto lá no canto afinal? Mostrem pra mim, preciso ter noção de com quem estamos lidando agora. Tenho certeza ele não gosta da minha pessoa. Vou ajudar vocês.
— Ajudar? Aham, claro. – Santana concordou em tom sarcástico. – Foi você quem começou essa palhaçada, mas você vai ajudar, ah, incrível...
— Vai logo, flor! Aproveita.
A Lopez bufou fortemente e pegou o celular, estrangulando Kitty com olhos castanho-escuros assassinos.
— Aqui, olha só.
— É melhor eu entregar isso pra ela... – Brittany disse apanhando o pertence da amiga. – Só por precaução.
— Ah, precaução é, coração? Acha que vou fazer o que? Espancá-la com um smartphone? Ou melhor, pegar ele e enfiar goela abaixo dela? Poderia ser mais criativa...
— É... Eu não duvido.
— Pelo amor, Britt!
— Eu estou do seu lado, San.
— Ah, é? Prova! Vamos resolver isso nesse instante, você e eu. Ideia eu já dei, né. Sei que você é doida o bastante pra isso agora. O que tá te impedindo tanto, Pierce? Fala.
— De novo, estou do seu lado. Mas, não vou me rebaixar a esse nível. A gente pode se dar mal se batermos na Kitty, por exemplo. Por mais que ela esteja pedindo por isso, então...
— Meu deus! Santana, o que você fez com a Brittany que eu conhecia?!
— Ela não fez nada, Kitty. Você fez... – Saiu dos lábios finos de Brittany, sua expressão desgostosa, suspirou. – Vamos fazer o que a Quinn disse e só, ok?
A loira entregou o aparelho aberto à tela de mensagens à outra, e a mesma foi lendo linha por linha, até a última coisa que ela lembra-se de ter mandado a Santana:
“Faça amizade com as nadadoras (o), o mais rápido que puder, e não espere pelas mensagens, pode demorar. Apenas faça o que eu mando, quando eu mando e tudo ficará ok, estou de olho. Seu segredo é um segredo em minhas mãos, para sempre, se você for legal comigo, é claro. Até ;)”
Ela olhou para as outras garotas em companhia, mostrou-as claramente até onde fora ela e ficou pensativa por pouco tempo ao devolver o celular a dona.
— Ok, ele não se manifestou tanto assim quanto eu pensava, mas aparentemente te segue fora da escola Santana, então é melhor tomar cuidado.
— Ah, jura colega? Valeu, hein.
Kitty ignorou o deboche e continuou:
— Gente, por essas últimas mensagens, ele deve saber a identidade do culpado pelo boicote ou também há a possibilidade do próprio ser o causador direto do mesmo, caso for uns dos alunos que estava ajudando na arrumação do camarim, penso eu, é bem provável. Mas, ainda sim, parece que o anônimo quer que de alguma forma a Santana descubra quem preparou os shakes, sabe “Escolha o seu lado, Lopez” então, pode ser que alguém foi pago ou chantageado pra ir e fazer e esse seria um jogo...
— Resumindo Kittyzinha: pode ser tudo. Tudo! Vamos ter que fazer mágica.
— Exatamente, Santana.
— “Ótimo”!
— Meninas, eu tenho uma sugestão. – Quinn pronunciou-se, confiante. – Não podemos deixar esse fulano sair impune, certo? Ele acabou com a nossa apresentação e pode acabar de alguma forma com as próximas também, e eu não vou permitir isso mais, não vou. – Ela suspirou, fitando a única morena do lugar. – Se você concordar Lopez, nós quatro podemos procurar juntas pistas até encontrar quem é o novo chantagista e acabar logo com isso. Todo mundo sai ganhando. O que acha?
— Nós quatro? Por que está incluindo essa vadia mal-amada, Barbie? A própria começou o circo.
— Por isso mesmo. – Assegurou Fabray com um leve sorriso. – Eu estou odiando ela também, acredite, ela estragou tudo... Mas, quem melhor que a Kitty pra saber o que o anônimo quer? Pense nisso.
— É, pense nisso Santana, eu guardei seu segredo direitinho vai... Tirando a revelação para a Quinn agora... Eu não resisti, escapou...
Santana colocou uma mão sobre os olhos.
— Shh... Só cala a boca... Ok... Façam o que vocês quiserem fazer, Barbies! Lavo as minhas mãos. De qualquer forma eu vou encontrar a pessoa, com ou sem ajuda.
— Certo. – Quinn disse satisfeita e olhou para Brittany. – E então, Britt? E você? Tudo bem se a Kitty ajudar?
— É... Tudo... Fazer o que.
— Own, Brittany, obrigada! Te amo, garota. Sabe disso, né? Diz que sim.
— Não força, Kitty, o que você fez não tem perdão.
— Para de drama! Uma hora você esquece, eu te garanto. Assim como a Santana vai se esquecer, logo, logo, do seu momento estranho de perseguidora com ela.
— Kitty, para!
— Era só brincadeira Quinn, relaxa.
— Você não tem o direito de brincar com mais ninguém aqui!
— Tá bom, como quiser.
— Ok, então nós começamos a procurar por um culpado após as férias de inverno, garotas. – Quinn falou por fim, e aí, em seguida, uma pessoa abriu as cortinas e entrou no perímetro junto a outra. – O-oi, treinadora! E Sam.
O garoto abraçou a capitã.
— Oi... – Ele olhou em volta. – Vocês estão bem?
— Sim, estamos.
— O que aconteceu?
— Não quero pegação aqui dentro, se afastem! – Roz rosnou aos adolescentes e eles deram um pulo obedecendo-a e passaram a conversar num canto, depois a mulher olhou para Wilde. – Que bom que está acordada Kitty, seus pais já chegaram, estão falando com o diretor... – Avisou e percebeu a presença de Santana. – Lopez, tudo bem?
— Oi, Roz... – Ela deu um leve sorriso e começou a se deslocar pelo solo, preferia não ter sido percebida. – Eu já estava de saída, até.
Santana deixou a enfermaria sem olhar para trás, passos ligeiros e, a primeira pessoa que encontrou foi Rachel, ela tinha os olhos curiosos para o seu lado.
— Hum, Berry... Parabéns.
— H-hã?
— Pela apresentação.
Rachel arregalou os olhos.
— Ah sim, obrigada Santana! – A baixinha sorriu e percebeu a outra morena dar indícios de saída, assim resolveu falar antes dela conseguir: – Ahn, e as meninas? Estão bem? A Kitty se machucou muito?
— Infelizmente não...
“Infelizmente”? O que a Lopez queria dizer com aquilo? Ela estranhou.
— Se quiser vai lá ver por si mesma, anã. Não vou ficar passando fofoca pros outros, tô cansada. Tchau.
Ela iria começar a andar e voltou atrás nos movimentos ao ver que Rachel continuaria falando, e te seguindo, se bobeasse, como um cachorrinho.
— Não, não, eu só queria saber. É que... Eu tava conversando com o Sam até agora, estamos chocados.
— É. Quem não estaria chocado, né? A única coisa boa desse boicote é que a Kitty foi a única a se machucar. Então, não faz diferença alguma. Não precisa ficar tão curiosa assim.
Rachel assentiu e percebeu a expressão nervosa da latina.
— Aconteceu alguma coisa entre vocês, Santana?
(...)
Ao sair da instituição, Brittany direcionou-se até o estacionamento do lugar, olhando a todo o momento para o chão, não conseguia pensar direito. Tanta coisa acontecendo. Onde estava o fim do ano que parecia tão perto antes? A loira encontrou Santana escorada em seu carro e aliviou-se na hora por ela não ter escolhido simplesmente sumir do mapa. A verdade era que a morena não esperaria pela outra se não soubesse do sonífero tomado, não podia deixá-la dirigir com tais efeitos. Todavia, não falaria isso a ela. Não agora.
A noite já tomara conta da cidade e tudo era escuro e vazio.
— Dá suas chaves... – A latina ordenou recebendo-as progressivamente da Pierce, sem nenhum tipo de questionamento, entraram no conversível fechado e ela começou a dirigir. – Você pegou o livro que eu falei pra você pegar mais cedo?
Era sobre isso mesmo que a morena queria conversar? Ela sentia que não. Por algum motivo, Santana quase sempre se esquivava do que realmente queria dizer a loira. Não que ela não fizesse isso também, mas a outra a vencia nesse quesito. Sua vontade era retornar ao assunto da enfermaria, mas só as duas debatendo desta vez. Entretanto, se a intenção da Lopez ali, naquele segundo, fosse esquecer só por um momento da loucura daquele dia, Brittany faria o possível para acompanhá-la. Devia-a isso. E, porventura, isso a acalmasse também.
— Sim, peguei. – Ela abriu o porta-luvas e mostrou o livro. – Tá aqui.
— Ótimo, vai ser uma longa noite.
E realmente fora uma longa noite, mas não da forma como elas pensavam que seria.
(...)
Não demorou mais que cinco minutos de leitura para Brittany dormir em sua cama e Santana deixar o livro de lado e levantar de lá, andando de um lado para o outro no quarto da líder de torcida, se fixando na sacada por um tempo. O que faria a partir dali? Logo, ela voltou para o ambiente coberto e se deparou com a Pierce levantando com tudo dos lençóis.
– Hey, tá tudo bem com você? – Santana perguntou chegando até a cama, novamente. – Brittany...
— Sim, claro... Eu só não devia ter dormido... Desculpa.
Olhos castanhos fitaram as mãos finas da loira se agarrando a um travesseiro, a respiração acelerada demais explícita no movimento do tórax, e aí ela soube que não estava tudo bem.
— Tem certeza que é só isso?
— Tenho.
— O que aconteceu?
— Foi só um pesadelo, nada demais.
— Isso tem a ver com você na sala da Emma hoje de manhã?
— Não... – Ela respondeu em tom duvidoso. – Não foi nada.
— Você tá mentindo, Brittany!
— Não estou...
— Hum, e eu achava que você era diferente. – Santana jogou no ar e levantou da cama, após. – Mas, eu me enganei.
— O que você quer dizer com isso? – A loira soltou o travesseiro e seguiu os passos da outra com os olhos. – Santana...
— Só quero dizer que a gente não se conhece. Somos duas estranhas aqui. Percebe?
— Isso não é verdade.
— É sim e você sabe.
— Eu sei?
— Sabe! – A ex-líder de torcida afirmou caminhando até uma estante do quarto e fitou uma foto jogada ali. – A gente não tá disposta a compartilhar certas coisas da nossa vida, não é?
Brittany ficou em silêncio. A outra tinha razão. Não tinha resposta para isso.
— Pois é... – Santana virou-se e se pôs ao lado da beirada que Brittany se encontrava, tirou o colar de coração do pescoço. – A gente não sabe conversar. Então, talvez, nem faça sentido você ter me dado isso...
— Quê? Claro que faz sentido! Nós somos amigas... – Ela levantou do colchão, pegou a mão da morena e a fechou na corrente, segurando-a forte. – Olha Santana, se você tá irritada comigo por causa da história de perseguição eu te explico. Fiz isso porque não acreditava que você também não se lembrava da noite do farol e, eu não dormia em paz desde lá...
— A questão não é essa. – Santana suspirou assistindo os olhos azuis um pouco agitados, afastou a mão da outra. – Eu também não fui totalmente honesta com você, Britt.
— Como assim?
— A gente quase se beijou naquele dia do farol, não foi só o strip-tease. Eu não queria te contar mesmo. Eu sabia o que tinha acontecido, mas preferi tentar esquecer, fingir que não era real. Só que não funciona assim.
— Tá tudo bem.
— Não! Não tá tudo bem, Brittany! Nunca esteve. Eu nem sei o que é isso que a gente tem! Essa amizade doida... Sei lá... E agora a Kitty sabe, a Quinn sabe, e sabe-se lá mais quem também, isso não devia estar acontecendo... – Santana fitou o colar de coração na palma da mão, enquanto dizia tais palavras, até erguer o olhar para enxergar a Pierce, outra vez. – Você podia estar machucada no lugar da Kitty naquela maca, ou pior, tem noção disso?! A gente não sabe com quem está lidando... Tá tudo errado, e sempre fica nesse lugar... Sempre!
— Eu sei... Por isso não vamos brigar, por favor. A gente tem que ficar bem... Nós vamos dar um jeito.
— Eu nunca sei se você é uma pessoa otimista ou pessimista, mas enfim, não estamos brigando, Brittany. Só acho que, nós somos as mesmas desconhecidas do penhasco... Eu não sei praticamente nada sobre você... Quer dizer, eu sei que é uma boa pessoa, desde o primeiro dia você me mostrou isso... A melhor da cidade, na verdade... Mas, eu nunca imaginaria que era uma perseguidora Piercezinha, e essas coisas mudam tudo, sabe?
— Eu não sou uma perseguidora!
— Foi por um dia sim sua estranha, você não pode negar.
— É. – Ela teve uma ideia repentina e pegou uma das mãos da morena. – Nesse caso, acho que a gente deveria se conhecer melhor agora...
— O que?
— Deixa isso aqui... – A loira pegou o colar de coração e colocou num dos criados-mudo, sentou-se na cama e esperou a outra acompanhá-la, enfim ficaram uma de frente para a outra, Santana com uma bela cara de paisagem para um lado, ela sorridente para outro, não sabia ao certo se deveria fazer aquilo, porém faria, tinha que fazer, para o bem das duas. – Ok, vamos jogar.
— Jogar o que, garota?
— O mesmo jogo do dia que a gente se conheceu.
— Ah, aquele que você se recusou a responder o seu sobrenome? E meio que, não durou nem dois minutos.
— Esse mesmo... Mas, sem bloqueios agora.
— Uau, nenhum bloqueio?
— Nenhum. – Ela confirmou. – Tudo que você me perguntar terá uma resposta sincera, não vou fugir de nada. Mas, quero isso de você também.
— Hum... Tudo tem um preço, eu imaginei... Você sabe que, quando a gente começar, você não vai poder voltar atrás, né?
Com o questionamento, Santana estava avisando a si mesma em voz alta também, afinal, era um desafio e tanto, não sabia mais o que estava passando pela mente da Pierce.
— Sei.
— Ok, eu topo, só quero ver, Britt-Britt.
Brittany respirou fundo e sorriu.
— Quem começa?
— Você né, coração. Tá me devendo respostas, esqueceu? Além disso, eu devia estar trabalhando aqui, só que você não para de dormir, então isso é o mínimo que eu mereço.
— E se a gente tirar no par ou ímpar? – A Lopez franziu as sobrancelhas para ela. – Tudo bem, desculpa, você tem razão... O que você quer saber primeiro?
— Fácil, por que dorme com milhões de travesseiros na cama?
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