Destino ou não - Brittana
14 Oraçãozinha
Notas iniciais
E fim... Respira, expira. Não havia mais nada com o que se preocupar. Artie Abrams, um dos nerds do clube Glee, ao chegar ao McKinley barulhento de Rosefield àquela manhã ensolarada de segunda-feira, em sua cadeira de rodas, entregou um CD pirata nada discreto (com as letras “BSQ” escritas no topo) para três lideres de torcida, raivosas.
Será que elas estavam muito tempo nesse estado? Talvez, sim.
— Você trouxe? – Brittany perguntou em tom de intimação, Quinn e Santana estavam cada uma de um lado da loira, fizeram um circulo em volta de Artie, ele assentiu depressa. – Me dê agora!
O garoto olhou para todos os lados do corredor, como se estivesse traficando drogas, e depois, passou o objeto de base brilhante para Brittany Pierce, ligeiramente. O único conteúdo do pedaço redondo de plástico era a música (Say A Little Prayer For You) gravada, finalizada, editada e, digamos que, em outras palavras: perfeita.
Estrelando, as vozes extraordinárias de Santana Lopez, Brittany Pierce, e principalmente, a capitã Quinn Fabray. Maravilha! Havia ficado melhor do que elas esperavam. Foram dias de muita fé.
— Ótimo. – Quinn falou ao verificar o CD entregue nas mãos da outra loira. – Espero que esteja bom!
— Claro que tá, Fabray. – Santana afirmou de braços cruzados. – Olha a cara do garoto, hiper-CDF de carteirinha.
— Realmente. Mas, vai saber Lopez.
O garoto olhou para as mulheres um pouco encolhido na cadeira, ajeitou os óculos de grau, respirou com dificuldade e perguntou:
— Eu posso ir embora?
— Pode sim. – Brittany disse amigavelmente dessa vez. – Se cuida!
Ok, tudo certo, porém, puta que pariu! Foi uma demora sem igual para elas receberem o maldito CD! Tudo em cima da hora! Quase que os corações das lideres explodiram de nervoso e ansiedade, literalmente. Até o de uma... Certa latina, que fingia não ter um.
Elas pressionaram Artie até o fim. Sim! Até que ele entregasse aquele CD logo. Até que ele parece de enrolar tanto. Até que ele se comunicasse com elas direito. Até que ele deixasse suas outras encomendas banais de lado e focasse na mixagem delas primeiro.
Afinal de contas, Brittany estava o pagando, e seu pai a ensinou que quando se está pagando, o direito de reclamar é parte do pacote, naturalmente... Engraçado, com esse pensamento, efetivamente era difícil defender a garota de ser chamada de “burguesinha” por certas pessoas. Bom, mas ela estava ansiosa, então não era sua culpa aquele ar de superioridade que estava exalando. Não totalmente. A culpa maior era de Robert Pierce.
— Vamos, Britt? – Quinn perguntou, após pegar seu material.
— Uhum... – Brittany fechou o armário e olhou para o outro lado do corredor. – Que cara é essa Santana?
— Nada, nada. – Ela balançou as mãos enquanto ria. – É só que... Eu achei hilário você intimidando o menino. Você não tem esse perfil, coração.
— Eu não estava intimidando ninguém! Só queria o CD logo, a gente pagou ele na terça passada. É um absurdo esperar tanto tempo...
Santana levantou o braço freneticamente e fez um “pare” com a mão.
— Corrigindo, você pagou ele, Pierce. Porque se eu tivesse que pagar um CD vagabundo só pra dançar uma coisa que eu fui obrigada... – A Lopez gargalhou. – Eu seria expulsa das Cheerios na maior felicidade pulando num pé só.
Brittany a fitou com desdém e Quinn riu.
— Ah Lopez, eu espero com muita fé o dia em que isso vai acontecer! – Declarou Fabray, animada. – Pode acreditar!
— Claro que você espera com fé, puritana... Enfim, eu queria muito ficar aqui jogando conversa fora, mas, tenho que ir pra aula. Amém pra vocês!
Santana passou a caminhar para longe, com um livro de história em mãos, Quinn revirou os olhos e olhou para Brittany.
— Ainda bem que isso vai acabar hoje.
— Não vai acabar hoje Quinnie, ela ainda é uma líder de torcida. Lembra?
Brittany sorriu e Quinn ficou quieta. Prontamente, as loiras caminharam rumo à aula de física em passos não tão rápidos. Havia algumas pessoas correndo pelos corredores para chegarem às salas também, não era o caso delas, pois não queriam se quebrar no chão escorregadio.
— É... Ela é líder de torcida mesmo. Por enquanto...
— Como assim “por enquanto” Quinn? – Brittany indagou receosa com a resposta seguinte. – Você não tá pensando em...
— Não Britt, eu não bolaria todo um plano maléfico pra ela sair do time. Embora, não falte vontade dentro de mim pra fazer uma coisa dessas, eu não sou esse tipo de pessoa... Só acho que, alguma hora, a Lopez vai acabar se metendo em uma confusão séria por causa do jeito irritante dela. Já pensou?
— Hum...
Brittany ficou pensativa por algum tempo. Ao passo que elas entravam na sala de aula, o professor observou, pacientemente, as garotas sentando-se em suas respectivas carteiras, prontas, para fazerem contas gigantescas sobre eletricidade. O velho limpou a garganta e voltou a explicar os cálculos.
(...)
Na hora do intervalo de almoço, Brittany e Quinn se separaram após comerem no refeitório. Fabray foi para a sala do clube de celibato e a loira dos olhos azuis para o ginásio.
A Pierce achava-se, praticamente, se matando mentalmente para tentar entender a gramática do espanhol, sozinha. Estava carregando um livro de ficção inteiramente naquela língua. Como ela não precisava mais ensaiar com as garotas, já que o dia da apresentação já chegara, ela se isolou no ginásio, como fazia de vez em quando. Quer dizer, ela mais os casais que se pegavam por lá e ninguém falava nada.
A estudante parou o que encontrava-se fazendo quando percebeu uma sombra em sua frente, atrapalhando sua visão.
— Oi Brittany, senti sua falta na reunião do clube de celibato e vim te procurar. Hoje os caras foram convocados...
— Ah, oi Sam, que gentileza da sua parte... – Mentiu desconfortavelmente. – Mas, você pode voltar, eu não vou participar da reunião hoje.
— Não tem problema, já estava quase no fim... – O loiro sentou ao lado dela na arquibancada. – Vou ficar aqui com você, tenho certeza que não vou perder muita coisa, só o final.
Sam sorriu simpaticamente e olhou para o livro no colo da líder de torcida.
— Tá estudando?
— Sim. – Ela assentiu e suspirou. – Você sabe alguma coisa de espanhol, Sam?
— Não... Assim, francês e espanhol vieram do latim né? Só que, eu não entendo nada de espanhol. Mas, se você quiser ajuda...
— Não precisa não! – A garota respondeu sinceramente. – Agora você pode me deixar sozinha, por favor? Senão eu perco a concentração.
O garoto jurou que com “perder a concentração” ela quis dizer que por ele ser incrivelmente bonito e legal, os belos olhos azuis ficariam o cultuando sem poder voltar mais as linhas e mais linhas de baboseiras em espanhol. Em outras palavras, Sam jurava ter sido cantado por Brittany, o que não tinha ocorrido e nem ocorreria. Que iludido! A loira esperou ele se retirar.
— Eu prometo que não vou atrapalhar... – Ele jogou o corpo para mais perto da loira. – Meu bem.
— Hã? – A loira se afastou dele. – Sam...
— Hey Britt-Britt! Achei você, coração. – Exclamou Santana em frente à arquibancada, ela começou a subi-la como se estivesse desfilando. – Tudo bem aqui, bocão?
— Tudo bem sim Santana. E você?
— Maravilhosamente bem, sou um ser de luz. Bom, eu e a Britt temos coisinhas de garota para conversar...
Sam balançou a cabeça parecendo entender.
— Acho que eu já vou indo então, a gente se vê depois Brittany. Ah, e boa sorte hoje com o teste. Ok? Tchau Santana. – O jogador levantou-se e se distanciou até sair de dentro do ginásio.
Santana, que antes mirava os olhos castanhos no loiro, passou a olhar para os azuis. Ela descruzou os braços.
— Já deu um fora nele?
— Ainda não. – A Pierce desviou o olhar. – O que você tá fazendo aqui?
— Vim te buscar pra aula de espanhol... – A latina sentou ao lado da garota e apanhou o livro que a mesma segurava. – Pierce, traduzir palavra por palavra não vai te ajudar a aprender um idioma... Tipo nunca!
Santana riu das muitas anotações presentes nas páginas do livro e Brittany franziu as sobrancelhas tomando o livro para si, de volta.
— Eu sei!
— Sério? Me responde uma coisa, como você chegou no ensino médio sendo uma analfabeta em espanhol? Espera ai não responde! Você fazia francês, né? Devia voltar.
— Eu não vou voltar a fazer francês, nunca!
Santana arregalou os olhos e riu.
— Que estranho, por que diabos você tem dificuldade em espanhol se ambas as línguas derivam do nosso maravilhoso latim? Talvez, você devesse estudar latim antes de ir para os dias de hoje...
— Por que eu tenho que ficar ouvindo isso de novo?! Argh...
— Que? Como assim? – A latina indagou confusa. – Tá tudo ok com você, garota?
— Eu não sei francês também, Santana! Ok? Droga!
— Ué, e como... Como é que chegou ao ensino médio? Pagando pra passar de ano?
Agora Santana não parava de rir, não conseguia mais se controlar, ainda mais quando a cara de Brittany irritada era a coisa mais fofa do mundo.
— Não, besta! Em Seattle eu fazia alemão. Então, não estou acostumada com coisas latinas...
— Ah sim! Mas, é engraçado Pierce, porque alemão é muito mais difícil. Você é um caso a ser estudado pela ciência.
— Não é difícil coisa nenhuma. – Brittany balançou a cabeça para os lados em negação. – Agora... Halts Maul!
Brittany havia a mandado calar a boca.
— Que? – Santana lhe enviou um olhar confuso e ela riu disso, a figura daquela morena confusa era rara de se ver. – Sério Pierce, o que você disse?!
— Vai estudar alemão e descubra. – A loira piscou vitoriosa. – Analfabeta...
— Ah, é assim? Você é mesmo uma hija de puta!
— Sou filha do que? – Brittany riu. – Tenho certeza que é um xingamento...
A Lopez assentiu.
— É, ponto pra você... Uma pena que não ensinem palavrão na aula, né? Seria divertido.
— Sim seria... – Brittany sorriu. – Enfim, o que você quer?
— Já falei, sua desligada! Te levar pra aula, o sinal vai tocar em menos de um minuto agora.
— Ah, eu não vou hoje. Tchau!
— Como assim “não vai”? Garota, desse jeito você não vai aprender porra nenhuma.
— Me deixa em paz Santana, meu deus... Eu vou ficar de recuperação esse bimestre de qualquer forma, então dane-se. Vai cuidar da sua vida!
— Nossa. Desculpa, madame. – Santana falou em tom sarcástico e levantou as mãos, depois balançou a cabeça e riu. – Nesse caso, vou ficar com você.
— Pra que? Pra me irritar? Não, você pode sair!
— Ora, ora, eu não vou sair... – Balançou as sobrancelhas de forma engraçada e a loira riu. – Viu só? Você gosta da minha companhia.
— Lógico que não, eu só aguento.
Elas riram. Brittany fechou o livro em suas mãos e suspirou enquanto ouvia o sinal soar de fundo.
— Tá nervosa com a apresentação? – Santana perguntou à medida que observava os “casais” saindo dos cantos do ginásio, descabelados.
— Um pouco, e você?
— Não, mas acho que a gente devia aproveitar esse tempo de agora pra treinar de novo.
— Sem a Quinn?
Santana olhou para Brittany e sorriu.
— A gente não precisa dela pra dançar a nossa parte. E você sabe...
— É... Ok. – Ela aceitou.
— Então vamos lá. – A latina se ergueu e ameaçou descer as arquibancadas, quando ouviu a voz da outra, parou.
— Santana, antes de a gente dançar... Você me chamou de “Britt-Britt” certo? – A loira riu. – Da onde você tirou isso?
A Lopez começou a descer a arquibancada em silêncio, a Pierce foi atrás, até elas chegarem ao centro do ambiente e a latina resolver encara-la.
— Então, a Quinn vive te chamando de “Britt” né? Eu não aceito ser igual a ela, portanto inventei um apelido melhor. – A morena disse rindo. – Entendeu?
— Nossa! Grande invenção mesmo! – Disse ironicamente, e bateu palmas. – Parabéns Sant-Sant...
Santana riu e a empurrou.
— Para de graça, Pierce. Vamos lá?
— Sim. – A loira confirmou deixando seu livro no chão. – Que os aquecimentos comecem.
— Amém!
Ambas passaram a se aquecer e depois se posicionaram lado a lado para começarem a ensaiar pela última vez Say A Little Prayer For You que passou a tocar no celular de Brittany.
(...)
O resto das aulas foi assistido com sucesso pelas garotas. E aí, um tempinho antes da aula de educação física acabar, Roz Washington liberou suas três, melhores, lideres de torcida para irem fazer o teste — que foram obrigadas a fazer — para entrar no clube de coral do McKinley.
Ah, deus que ansiedade! Agora era tudo ou nada.
Quinn, Brittany e Santana entraram na sala do clube, trajando seus conhecidos uniformes vermelhos invejados e temidos. William Schuester as esperava com um vasto sorriso branco na boca.
— Como foram os ensaios meninas?
— Ótimos. – Quinn se apressou a responder, ela olhou para Santana e a mesma a enviou um sorriso malicioso. – Nos demos super-bem!
— Com certeza. – A Lopez concordou.
A loira de olhos azuis revirou os olhos e entregou o CD pirata ao homem, quando ela retornou até as outras garotas as analisou rapidamente.
— Não vão brigar, hein. Por favor.
— Não vamos Pierce, você sabe disso. Então, chega de conversa...
Quinn olhou para as duas, antes de fixar os olhos verdes em Brittany.
— É Britt, fica tranquila.
— Eu espero mesmo... – A loira suspirou e balançou as mãos. – Vamos nessa.
E elas se distanciaram colocando-se em suas posições. O homem, de cabelos encaracolados entupidos de gel, colocou o CD dentro do aparelho de som, que se encontrava em cima do piano preto presente no local. Abaixou a tampa do tocador com uma das mãos, seus lábios fechados em um sorriso de empolgação.
O que será que elas me prepararam? Pensou Will.
Enfim deu play na música. Pousando a cabeça sobre a mão, e uma das pernas apoiada na outra coxa, assim ficaria mais fácil apreciar a performance naquele banquinho.
Ao longo da dança, os olhos verdes do professor chegaram a brilhar de tanto orgulho que sentia vendo tal cena em sua frente, sentiu-se muito grato por presenciar aquelas garotas populares fazendo algo tão simples, simbólico e emocionantemente lindo. Francamente, era difícil explicar o que foi, de fato, aquela coreografia para ele.
— Vocês passaram, parabéns. – Ele bateu palmas singelas. – Foi ótimo garotas, eu adorei. É tão bom saber que pessoas talentosas como vocês vão entrar no clube.
— Wow, wow, quem disse que a gente vai entrar? – Santana perguntou meio revoltada. – Pensei que só tínhamos que passar nessa coisa.
— Não, a Roz pediu para vocês ficarem no clube por pelo menos uma semana.
— Eu não tô acreditando. – A latina franziu as sobrancelhas e bufou. – Agora sim, eu quero rezar pra Deus.
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