Destino ou não - Brittana
47 Operação: Pimenta-malagueta
Notas iniciais
— Pessoal, faltam só dez minutos.
E pela primeira vez, o comunicado saído da boca de Will Schuester aos retidos, até então, na matéria, não desesperou aquela líder de torcida que, sentada à sala de poucos alunos, nas demais provas de espanhol que tivera, anteriormente a recuperação, dava jeitos de colar. Sem se importar em entender nada, de fato, da língua. O que despertava certa culpa nela. Sim! Pois, nunca se comportara, ou tivera tantos problemas de entendimento, com qualquer outro conteúdo.
O que tá acontecendo comigo?
Era uma pergunta periódica de sua consciência. Em resumo, quando a Pierce começou a frequentar as aulas de espanhol, no lugar das de francês, ela sentiu-se completamente perdida, não que a mesma tivesse se entendido ou se apegado ao francês, mas, parecia que espanhol era pior ainda se comparado a tal. Malditas línguas românicas, sua segunda língua sempre fora o alemão, e agora fora bombardeada com extremo novo. As duas línguas, costumavam ser malditas para ela, porém, já não eram mais, para sua felicidade. Mas, quando eram, tinha motivo. Francês, porque Karofsky estava nessas aulas e enchia seu saco, quanto ao espanhol, porque Rosefield irritava-a num todo, pelo menos, era o sentimento da época.
Ela respondeu a última questão.
Tudo estava sob controle, calmo e fácil. Santana tinha a melhor pronúncia e explicação de todas. Durante todo o seu teste, Brittany ficou relembrando momentos que tivera com a namorada, antes mesmo de ela virar sua instrutora particular. Ah, era impossível não se lembrar da morena tão próxima a ela no sofá de Alma, lendo aquele livro do bimestre passado. O qual, por sinal, a garota mal se lembrava do nome, porque as imagens que, marcaram sua mente de verdade, se tratavam pura e exclusivamente da forma como o corpo da Lopez se mexia, e, como ela, entonava as palavras com vontade, fazendo expressões sem impedimento algum, como se estivesse atuando personagem por personagem. Maravilhosa e talentosa como só ela era, e por isso, o entendimento fora tão natural à outra. Em relação ao começo das aulas particulares de Santana, a loira adorava as informações e diálogos do dia-a-dia que a mesma a apresentava. Hola, que pasa? Métodos tão melhores que sentar e simplesmente ler, sem vida, como muitos professores faziam.
Conexão era o que existia ali e fazia falta nos demais.
Brittany levantou de sua mesa, com o papel preenchido em mãos, e caminhou em direção ao professor.
— Eu... – Ela sorriu e o entregou a prova. – Terminei!
— E então, conseguiu responder tudo sem complicações?
— Sim, consegui.
William retribuiu o sorriso da garota, contente.
— Que bom Brittany, muito bom... – Ele olhou para a folha em mãos. – Sente-se, por favor, que eu já te dou o resultado, sim?
— Ok.
(...)
Santana folheou outra página daquele livro em mãos, fitando constantemente a entrada da biblioteca, a espera de alguém. Disfarçadamente, fingiu ler o livro de Química em posse, aos olhares alheios que recebia. Era incrível o movimento que existia ali, na área de acesso ao local, e não eram de pessoas que estavam interessadas em estudar, não, muito pelo contrário, encontravam-se conversando de maneira questionável. E, ela começou a se perguntar se o chantagista não passara despercebido, descaradamente, por olhos castanhos. Tão difícil saber, ela queria que, o sufoco, acabasse rápido, estava trabalhando para isso, e a movimentação foi sumindo.
Brittany entrou no cômodo.
Quando seus olhares se acharam em meio ao ambiente, agora, semi-vazio, a Lopez se ergueu da cadeira desconfortável e levou o livro junto de si para a prateleira que coincidia ao exemplar, a loira apenas seguiu-a depois.
— Oi, Britt-Britt!— Santana exalou pura felicidade nas suas palavras, ao abraçar a namorada e dá-la um selinho após, mostrando covinhas perfeitas nas bochechas macias. – Como foi sua prova?
— Ah então, Santana... – A expressão da Pierce mudou, abruptamente, ficando mais e mais cabisbaixa. – Eu...
A morena não estava gostando daquilo, não era possível que Brittany não tivera ido bem, só podia ser o nervosismo. Não é? Ela estava demorando tanto para falar, ir direto ao ponto, não era bom.
— Você?
Olhos azuis voltaram para cima, e Brittany sorriu, revelando que a tristeza não passara de uma brincadeira com a namorada.
— Eu passei! – Disse ela, alegre. – Só errei uma questão, mas foi por causa de um acento ou ponto que eu me esqueci de botar, não lembro direito...
— Isso! – A Lopez a parabenizou com outro abraço. – Sabia que ia conseguir.
— Não sei não San, você estava caindo na minha pegadinha, agora mesmo...
— Lógico, eu tava aflita aqui e você faz isso, devia ter vergonha nessa cara, tsc, tsc, tsc.
— Desculpa... – Ela riu e deu um beijo na bochecha de Santana, antes de se afastar, e, pegar na mão da outra para agradecer. – Muito obrigada, sem você eu não sei o que teria acontecido comigo, de verdade.
— Que exagero, eu não fiz nada, a não ser salvar sua vida, um milhão de vezes...
— É, claro, só isso... – Brittany acompanhou a outra num largo sorriso e se inclinou para beijá-la, rapidamente. – Pode parecer que não, mas eu amo esse seu jeito de convencida, mesmo que ele me irrite, às vezes.
Santana riu e desviou os olhos castanhos por uns segundos.
— Que engraçado, é a mesma coisa que eu sinto em relação a sua cara de boba, coração.
— Sério, é? Nesse caso, dá pra entender, totalmente...
— Pois é né, sempre quites, Britt.— A Lopez sorriu e lembrou-se de algo que vira mais cedo e que divertira seu dia. – Você viu como a Kitty tá “estilosa”?
Brittany ficou séria, mas logo riu, sem complicações. No fundo a outra merecera, e muito, o acontecimento. A líder de torcida cerrou os olhos em direção a namorada.
— Sabia que tinha alguma coisa a ver com isso...
— Eu disse que ia fazer algo, não disse? Quer dizer, minha primeira ideia foi barrada pela capitã-certinha, mas pelo menos, eu tive o prazer de ver a Wilde toda incomodada hoje com esse novo visual “lindo”, era o mínimo pra essa palhaça, se ela quiser descolorir o cabelo só vai piorar...
— Será que ela desconfia de você?
— Espero que sim, é o que eu mais quero. Tenho total orgulho da minha obra de arte. Já tá rolando até fotos com piadas, chegou a ver?
— Sim! Começou no vestiário, se quer saber...
Elas riram.
— Mas, então... – Olhos azuis olharam ao entorno para ter certeza que ninguém as enxergaria conversando por tanto tempo e Brittany abaixou o tom de voz, para continuar: – Vocês já foram atrás do Wes Fahey ou da Suzy Pepper?
— Ah sim, nós já fomos, quando você estava com a Emma, na verdade... – Santana confirmou e puxou-a para sentar no chão. – Pensei que a Fabray tivesse comentado, eu mal tive tempo de conversar com você mais cedo, já ela...
— É que, eu estava preocupada tentando estudar durante as performances do clube Glee, e ela não quis atrapalhar, mas disse que vocês tinham novidades.
— Exato, nós fomos atrás da Pepper e descobrimos algumas coisinhas, digamos que, muito, muito importantes pra gente...
— Estou ouvindo.
Horas atrás...
Brittany girou a maçaneta da sala vidrada da senhorita Pillsbury, para assim, finalmente, começar suas visitas à conselheira. Certa ansiedade a atingiu, mas, respirou fundo e continuou a entrar. Ela se sentou na cadeira vazia à frente a mesa, em total ordem, e enviou um ruborizado sorriso a ruiva.
— Fico feliz que tenha vindo me ver, Brittany.
— Eu também, senhorita Pillsbury...
— E como foi de viagem?
— Muito bem, eu...
Do lado de fora, encostada num armário, Santana observou sua namorada junto a Emma, conversando, e, pelo seu conhecimento “aprofundado” de leitura labial, parecia que estava tudo ok, sorriu, mais tranquila. E então, ela sentiu alguém te cutucar, como se estivesse afundando seu braço, com apenas um dedo. Olhou para a pessoa, de repente, estrangulando-a com os olhos.
— Você tá louca, Fabray?!
— Eu não, mas acho que você sim Lopez, fica calma... – A loira riu. – Boa tarde!
— O que você quer, mesmo? – Santana indagou de forma direta, passando a mão no braço, irritadiça. – Você esqueceu essa parte, que é a mais importante por sinal, já que cavou um buraco no meu braço, querida...
— Ah, a Britt foi mesmo, que bom! – Quinn comentou olhando para a sala do outro lado do corredor, depois voltou à atenção à morena, procurando por alguém. – Onde tá a Rachel?
— Hum, a Berry foi almoçar. Ela tava quase se alimentando dos produtos químicos na aula, não podia impedi-la de ir ao refeitório agora, não quero cultivar gnomos raivosos... – Ela gargalhou. – Mas, enfim, vai direto ao ponto, por favor?
— Entendi. Primeiro, vamos atrás da Suzy Pepper, ok? Descobri que o Wes é aquele amigo que vive grudado no Jacob...
— Ah, sei. Então, tá bom. Deixamos o medroso por último... – Ela começou a andar, acompanhando a outra, para algum lugar. – E você sabe onde fica o tal do clube do livrinho? Porque eu nunca vi essa gente na biblioteca durante o intervalo.
— Não, não sei, vamos descobrir...
— Porra, Barbie!
— Para de reclamar.
— Não era mais fácil a gente ir atrás do garoto, primeiro, então?
— Só se você souber onde ele fica no intervalo, Santana... – A loira informou-a, fazendo um sorrisinho falso e parando no meio do trajeto. – E aí, você sabe?
Olhos castanhos reviraram-se.
— Não, negativo, capitã.
— Pois é. Apenas, me deixe pilotar o barco... – Ela parou uma pessoa qualquer com livros em mãos. – Você sabe onde o clube do livro se encontra, agora?
O garoto assentiu, fitando a mão fixa de Quinn no ombro dele, um pouco assustado.
— Ótimo... – Santana enunciou, antes de a outra conseguir falar, e interrogou: – E onde é, branquelo?
— Segundo andar, última sala à esquerda, depois do bebedouro do corredor três.
— Obrigada!
Elas o deixaram para trás e direcionaram-se ao acesso de uma das escadas, até chegarem ao encontro do clube, propriamente dizendo. Quando as garotas se aproximaram da porta que residia aberta, utilizando-se da parede, iniciaram certa espionagem, em silêncio. Pessoas estavam recitando suas próprias resenhas e opiniões sobre livros lidos na última semana comparando-os com o dia-a-dia, quer dizer, Lauren Zizes era a única a falar, em pé, como uma ditadora raivosa, apertando os punhos, emocionada, Santana riu baixinho, pronta para comentar algo sobre a cena assistida com Quinn.
— Isso parece demais uma seita nerd, pode dizer.
— Shh, olha! – A capitã das Cheerios apontou para Suzy, ignorando o comentário feito, há poucos segundos. – Ela tá ali, agora só precisamos saber como vamos...
— Fabray, o Wes também tá aqui.
— Quê?!
— Olha ali, ele faz parte do clube também, tô chocada.
— Nossa! – Ela se surpreendeu, junto à outra, não estava esperando em um milhão de anos tal descoberta. – Dois coelhos numa cajadada só.
— Pois é, fizemos bem em vir aqui primeiro...
— De nada.
— Não é pra tanto, Barbie.
Fabray puxou a morena com tudo para trás, consigo.
— Ela me viu!
— Quem te viu?
— A Pepper, vou chamá-la, espera. – Quinn começou a convocar a garota sentada, com auxílio da mão direita, tomando cuidado para outras pessoas não verem os movimentos e sua presença, e aí, ela se escondeu, de forma ligeira rente a parede, novamente. – Ain, quase me viram...
— Meu deus, que menina lerda hein, por que ela não tá aqui ainda?
— Não sei Lopez, vai ver ela acha que tá vendo coisas...
Santana a encarou com desdém e deu de ombros.
— Fica aqui, eu já volto.
— Santana, o que é que você vai fazer?
— Vou resolver o nosso problema, ué.
Antecipadamente ao “não” que Quinn iria pronunciar, a Lopez se atirou para dentro da sala, recebendo olhares confusos. Ela continuou andando, ignorando-os, e percebeu Suzy levantar correndo e sair da sala, como um raio. Por sorte, Quinn percebeu e iniciou a perseguição pela escola mal-movimentada na frente, porém logo, Santana surgiu atrás da loira a ultrapassando na corrida, conseguindo segurar o braço da fujona, com sucesso.
— Nós queremos conversar com você, Pepper.
— Não, por favor, eu fiz tudo o que me mandou fazer! – Ela puxou o braço, mas não conseguiu se livrar da morena, continuou se debatendo. – Me deixa ir, eu juro que não contei pra ela, não fui eu, não foi...
— Como assim? – Santana perguntou, arqueando uma sobrancelha. – Do que está falando, garota?
Quinn as alcançou.
— Consegui!
A Lopez percebeu Suzy se encolher com a chegada da capitã.
— Ok... Pepper, você não vai fugir, entendeu? – Santana falou, calmamente, soltando-a. – Precisamos conversar com você, sem violência, sem nada, urgente. Então...
Ela ajeitou os óculos.
— Vocês duas?
— Sim, nós duas. – A latina assentiu, notando que um adolescente passara perto, se preocupou. – Mas, antes, vamos pra um lugar mais reservado.
— É. – Fabray também observou o sujeito, simulando o contrário, esperou o mesmo desaparecer, olhando para o seu celular superficialmente. – Onde está pensando, Lopez?
(...)
Estufa. Foi para lá que Suzy foi levada por Santana e Quinn. Era um bom lugar “secreto”, já que, o clube de jardinagem raramente se reunia, pois, seus trabalhos demoravam a aparecer, ou pelo menos, a maior parte.
— Ok, desembucha Pepper, você praticamente já se entregou pra gente, não tem mais volta...
Suzy suspirou, sentia-se sem saída, cruzou os braços.
— O que vocês querem saber?
— Simples. Você acha que eu mandei você fazer algo. O que foi esse algo?
— Jura que não foi você mesmo, Santana? – A garota ainda parecia desconfiada em relação à ex-líder de torcida. – Não brinque comigo, por favor, porque meu segredo pode prejudicar ele, e eu não quero isso...
Segredo, rá, outra vítima.
— Não tô brincando. – Santana disse, cansada, entretanto pensativa. – Olha, fala logo, porque assim a Fabray pode te perdoar e nós não precisamos ir atrás do seu “segredo” ou sei lá. Escolha o nosso lado que, você só tem a ganhar, posso garantir, não vamos nem saber da existência do que você não quer que saibamos...
— É, se você tiver algo a ver com o boicote, fale agora ou cale-se para sempre...
Santana riu.
— Você é tão ridícula, Barbie.
— Cala a boca, Lopez. – Quinn revirou os olhos e os direcionou a Suzy. – Então, o que nos diz?
Ela olhou para as atletas, seguidamente.
— Eu tenho escolha?
— Ô garota, você é surda ou o que?! – Santana indagou, sem paciência. – Acabamos de mostrar as escolhas!
— Ok, ok... Desculpa... Eu estou do lado de vocês.
— Ótimo. Comece a contar como tudo aconteceu. E, não nos esconda nada.
Pepper as disse que, no primeiro dia do Festival de Inverno, ela recebeu mensagens de um número anônimo qualquer ao chegar à sua casa, com instruções detalhadas para ela seguir, já que a mesma fazia parte da organização do evento, e com seu segredo em jogo, ela seguiu o passo a passou, comprometendo-o:
1º — Encontrar-se com uma líder de torcida-específica, ao anoitecer, no McKinley.
2º — Receber as chaves da sala da Roz e a receita de shake.
3º — Achar coqueteleiras com os nomes das animadoras registrados.
4º — Levar tudo para o camarim que as ginastas ficariam e preparar as coisas.
5º — No dia seguinte, esperar por um aluno-especifico (Wes Fahey) na sala do clube do livro, para receber os soníferos e aplicá-los no shake pouco antes da chegada das atletas na sala de repouso.
E voilà, segredo guardado com sucesso, ela estaria, enfim, livre.
Santana não parou de pensar onde o chantagista queria chegar com isso.
Mas, agora as coisas estavam melhores que antes, sem dúvidas. Talvez, a pessoa, por trás do número, só quisesse o caos mesmo, quem saberia. Ela e Quinn haviam recebido dois nomes da boca de Pepper, o que já fazia a total diferença na busca delas pelo número-anônimo. E mais, ela conseguira por fim desvendar a culpada pela sabotagem as Cheerios no Festival, ou melhor, os culpados. Que a garota-pimenta rezasse, daquele dia em diante, para que o sujeito (a), caso descobrisse da sua confissão as atletas, não desse uma de louco e revelasse o tal segredo dela.
Wow!
Brittany arregalou os olhos, à medida que, Santana foi terminando de contar toda a história, no chão da biblioteca em que se situavam.
— Isso é realmente importante, nossa...
— Pra você ver, Britt.
— Então, essa líder de torcida só pode ser...
— Sim, a traidora tão falada pela Kitty. Se ela entregou as chaves da sala da Roz e a receita do shake, tudo de mão-beijada, também deve ter entregado as coreografias que vocês iam usar na competição. Pensa, ela deve ser outra chantageada, também. O que não vai impedi-la de ser expulsa, obviamente.
— Mas Sant, qual líder é a traidora? Você não me falou o nome dela ainda, por quê? Quero saber.
— Porque eu planejei uma tremenda surpresa pra você e para o resto das Cheerios, com a revelação que eu e a Fabray vamos dar mais tarde, então aguenta esse coração, falta pouco.
— Isso é bem maldoso da sua parte, sabia? – Brittany reclamou e a namorada apenas riu de sua cara, a líder então, pegou o celular, verificando as horas. – Nossa, o senhor Schue avisou que eu ia chegar mais tarde na aula de história, mas pelo jeito perdi a noção do tempo, tenho que ir.
Ela começou a levantar-se, frenética, sentindo uma mão de Santana segurar a sua, em seguida.
— Não vai, não.
— Por que, Sannie?
Brittany deu meia volta em sua ação.
— Porque eu tô cabulando por você e eu duvido que, aquela mulher, vá te deixar entrar agora. Melhor você ficar por aqui comigo, mesmo. A próxima aula você vai, e eu também, já que não posso largar a Fabray sozinha em Literatura, senão, posso me arrepender mortalmente.
— Você não pode ficar me pedindo isso...
Santana deu-a um beijo.
— Claro que eu posso Britt-Britt, você é minha namorada, não é? – A Lopez indagou, após afastar-se, em tom divertido, percebendo que vencera a outra, pois seus olhos azuis não disfarçavam a desistência quanto ao velho plano, o de ir para a aula. – Acho que eu tenho o direito de pedir sua companhia, sabe...
— Uhum, eu sei... – Brittany a deu um selinho. – Tem mesmo.
— Além disso, quero que me conte como foi com a Emma, direito.
— Ok, tudo bem, não pretendo mais levantar daqui...
— Que bom, vamos escutar alguma coisa... – Santana avisou, tirando um fone dos bolsos, entregou um lado à namorada e sorriu, mexendo no celular. – Enquanto conversamos.
“How long, how long will I slide, separate my side...”
(...)
Brittany saiu de sua penúltima aula, às pressas, direcionando-se ao vestiário desértico das animadoras, para trocar suas roupas casuais pelo conhecido uniforme vermelho-reserva, lá guardado. E, antes que qualquer garota pudesse atrapalhá-la, ela olhou para o espelho, sozinha e pensativa. Começou a prender seus cabelos em rabo de cavalo, tudo poderia mudar, em poucos minutos, com a revelação e decisão de Santana e Quinn. O ruim, é que, ela queria saber o porquê de tanto mistério. Preocupava-a tanto mistério, na verdade. Mas, se as meninas queriam o fazer, ela não podia impedi-las.
Logo, o espaço lotou-se, e Brittany era só mais um ponto vermelho nele.
Estava na hora, Quinn apareceu e todas já estavam prontas para o treino, elas foram até o ginásio, como de costume, conversando, brincando, e aí, a loira dos olhos verdes se isolou com Roz em um canto, saíram para o corredor, e voltaram em algum instante com Santana.
Mais e mais, mistério.
As loiras voltaram, acompanhadas da Lopez, e se colocarem no meio da quadra.
— Magrelas, a capitã tem um anúncio importantíssimo pra dar a vocês, calem a matraca!
Elas ficaram em completo silêncio, intrigadas com a presença de Santana, e também, com a revelação de um suposto anúncio importante que Quinn as daria.
— Bom, meninas, dias atrás a Kitty me disse que havia uma traidora entre nós, mal sabendo que ela mesma já se transformara em uma, o que não vem ao caso, no momento. A questão é que, sim, ela tinha razão, vocês sabem muito bem que nós fomos copiadas e que perdemos tudo, e vamos trabalhar muito para recuperar, o mais duro que vocês possam imaginar. E eu só preciso que saibam agora que, por motivos que elas já sabem, a Kitty e a Jordan estão fora do time, a partir de hoje. É isso.
— Eu?! – Wilde questionou estupefata. – Por que eu, Quinnie? Como assim? O que eu te fiz?
— Você sabe o que fez e não pode ficar mais aqui, se retire, por favor...
— Ninguém vai dizer nada, não?! Eu dei o meu sangue por isso aqui, dois anos, gente! Dois anos!
A dos cabelos malucos indignou-se com o silêncio e bateu os pés, se afastando.
— Tomara que você se fodam muito, ingratas!
— Senhorita Wilde, você está sendo convocada pra trocar uma palavrinha com umas pessoas lá na direção, sugiro que vá direto pra lá, você também Stern, se apresse.
— Tchauzinho, Kitty! – Santana provocou. – A propósito, amei o seu cabelo, estilo total!
A ex-loira enviou-a um dedo do meio e sumiu. Que ela permanecesse calada. Quanto a Jordan Stern, ela apenas descruzou os braços e saiu andando, sem prolongar nada, sabia o que havia feito.
— Ok, perdemos duas líderes. – Jane Hayward, incrédula com tudo, comentou. – Onde isso é bom? Quem vai substituí-las? Estamos perdidas sem nenhuma coreografia e agora mais essa? Meu deus!
— Se calma aí, garota! – A treinadora pediu. – Nossa... Deus me livre, como vocês reclamam hein, credo... A Lopez tá de volta ao time, para a felicidade de vocês e minha.
— É... – Fabray confirmou. – Esse era o anúncio.
— Tá bom, mas perdemos DUAS animadoras, quem vai ficar no outro posto?!
As outras atletas começaram a fazer muvuca, a falar uma em cima da outra, sem qualquer ordem. E Brittany, só esperando por mais, concentrada a toda a situação ao entorno. Até Washington apitar e receber a atenção de todas elas, outra vez.
— Bom, eu nem me atentei a isso... – A mulher disse olhando para Santana e Quinn, consequentemente, esperando respostas. – Vocês já tem alguém?
— Claro, que bom que perguntaram... – Santana falou, botando as mãos na cintura, antes de gritar o “código”: – Estrela!
A garota deu alguns passos pelo ginásio e se botou na luz, sendo visualizada por todas, inclusive Roz, seu corpo queimava como pimenta.
— Narigudinha?!
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