Destino ou não - Brittana

41 O “silêncio” da enfermaria


Notas iniciais
Enjoy the silence ♫

“Escolha o seu lado, Lopez.”

Ao ler o recado, não muito tempo antes de deixar o auditório alvoroçado e seguir para outro espaço, a ex-líder de torcida entendera de imediato o significado daquela frase recebida em seu celular. Bom, basicamente agora era: permanecer de mãos-atadas (o seu presente) ou se mexer e fazer algo a respeito daquela situação toda (seu escolhido futuro). Havia mais opções disponíveis no universo? Ela não via. Ao passo que a movimentação nos corredores do McKinley cessava, Santana observou as últimas pessoas que transitavam por lá, rosto a rosto. Alunos, convidados, acompanhantes, estranhos, nunca se sabe o que esperar de nenhum deles. E a coisa já estava complicando, sim, muita gente desconhecida para o seu gosto. A Lopez precisava falar com as garotas urgentemente, ela queria entender o que acontecera por trás das cortinas do show desastroso, casa detalhe, se possível.

Seu destino em mente era a enfermaria, de onde algumas Cheerios saiam.

Uma, duas, três e assim foi indo, sucessivamente, até os olhos castanhos terminarem as contas de vez, e Santana notar que apenas a capitã e seus braços direitos (Brittany e Kitty) ainda estavam no cômodo. Excelente. Quando ela, enfim, resolveu andar até a entrada do lugar, foi impedida no meio do caminho por um garoto branco, narigudo de óculos de lente e blackpower, em outras palavras, Jacob Ben Israel, o maior fofoqueiro do colégio que, para piorar, tinha um blog e sabe-se-lá-mais-o-que para espalhar a discórdia entre os adolescentes de todo o McKinley. Um pé-no-saco humano.

— Oi, Santana Lopez!

Ela o olhou de baixo a cima.

— O que você quer, esquisito?

— Roubar um minutinho da sua atenção para o meu canal, não vai demorar. – Ele vomitou em um raio de palavras e olhou para trás. – Vem, Wes! Rápido! Rápido!

E foi assim que, um microfone e uma câmera brotaram, ligeiramente, em frente à face da latina. Santana fitou então o “entrevistador” e o cameraman, Wes Fahey, franzindo as sobrancelhas com sua melhor cara de pouco caso, e aí cruzou os braços e cessou os olhos. Eles não tinham mais o que fazer da vida, não? Rosefield como sempre, mostrando-se uma cidade de seres simplesmente: odiáveis e desocupados. Porventura, Santana conseguisse conversar com Fabray ou Brittany ainda naquele dia, não estava acreditando no azar pairando pelo ar.

— Eu não tenho um pingo de interesse nisso, então é melhor...

— Gravando! – Fahey gritou, subitamente, atrás do equipamento, calando-a. – A bola é sua, Jacob.

Os garotos sorriram com a surpresa da Lopez e, o de microfone, iniciou a entrevista indesejada a partir daquele ponto.

— Estou aqui na presença da excepcional ex-Cheerio, Santana Lopez, a garota mais...

— Qual é a parte que você não entendeu que eu não quero aparecer nessa porcaria, mesmo?!

— Aah, uma boa noite pra você também... – Ele rebateu calmamente e continuou. – Bom, os boatos correm soltos Santana, mas eu queria ouvir de você. E tão somente de você, minha rainha. É verdade que está tão frustrada, mais tão frustrada, por ter deixado as Cheerios que, liderou o boicote de hoje contra as garotas? Diz que sim, vai!

— Oi?! – A latina pronunciou gargalhando. – Frustrada, eu?

— É o que estão dizendo e apostando por aí.

— Ah, é? Quem? – Perguntou ela, num impulso, e arrependeu-se balançando as mãos, progressivamente, não podia se deixar levar por aquela besteira, pois aquilo estava ocupando seu precioso tempo de correr até Quinn e Brittany. – Quer saber, foda-se, eu não me importo.

— Ok. E você é a mandante legítima do boicote, sim ou não, Lopez? Quem ganha nessa aposta? Conte-nos, estamos curiosos! Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

— Cala a boca, pelo amor de deus!

— Desculpa... E aí? Qual é a verdade? Eu só preciso de uma palavra, é tudo o que eu te peço, prometo... Uma palavra, três letras, sim ou não...

A morena revirou os olhos sem paciência para a chatice do estudante e suspirou.

— Olha nuvem-judaica, pra sua felicidade vou te dar mais que uma palavra, tá?

— Que bom!

— É, uma maravilha mesmo... – Concordou falsamente, sorrindo de maneira superficial. – Não. Eu não sou mandante, culpada, ou seja-lá-o-que-for de boicote nenhum. E você sabe por quê?

Jacob negou ansioso para ouvi-la.

— Porque, meu querido, eu tenho mais o que fazer nesse lugar. Diferente de certas pessoas por aí, ou por aqui, quem sabe, né? Aliás, que nem você mesmo, um perfeito exemplo de desocupado imbecil e outras coisinhas que não vou citar agora... — Ela deu um passo à frente e abaixou o microfone na mão do garoto. – Mas, você pode ser a minha primeira cobaia, sem problemas, se não desaparecer daqui junto com essa criatura-torta da câmera... – A morena olhou mortalmente para Wes, que apenas desligou o equipamento e começou a correr, assim Santana voltou a fitar Jacob, sorridente. – Você tem cinco segundos. A decisão é sua, seu amigo já fez a dele. O que vai ser?

— Eu... Eu... Eu...

— Vai me deixar em paz agora, né? É isso? Só concorda com a cabeça.

Ele engoliu a seco e assentiu, dando espaço para Santana sair.

— Obrigada. – Ela disse num tom irônico e sorriu, fingindo ir para o banheiro feminino. – Tchauzinho!

Wes retornou ao corredor depois, acanhado, e Jacob posicionou-se sozinho em frente à câmera, novamente, suando frio, pôs a mão no peito esquerdo.

Wow pessoal, eu acabei de ser ameaçado de morte, essa foi por pouco... Nossa... – O fofoqueiro olhou para o lado e viu um jogador de futebol, sem pestanejar, correu para entrevistá-lo no fim do corredor. – Hey, hey, Josh Coleman!

Santana esperou o corredor esvaziar, outra vez, andando de um lado para o outro pelo perímetro do banheiro feminino da instituição. Quando ela se deu conta de que a falação sumira enfim, apressou-se para entrar na enfermaria sem ser vista. Ufa! Assim que entrou no lugar, esquivando-se de Terri -logicamente- a Lopez direcionou-se para o fundo do cômodo, lugar onde enormes cortinas brancas cobriam as macas do espaço. Discretamente, abriu-as certificando-se de que só encontraria quem ela queria encontrar, até dar de cara com Kitty dormindo numa delas com um curativo no nariz, e, ao lado: Brittany e Quinn, aparentemente, dormindo também, ambas em pé. E mais ninguém para a sua alegria.

— Ok, gente. – Ela fechou as cortinas e virou-se. – Que merda foi aquela? Comecem.

A sua resposta? Foi um silêncio. Santana irritou-se um pouco por isso, ela parecia à única pessoa ali a preocupar-se com o que havia ocorrido, honestamente.

— Hey!

As loiras adormecidas em pé deram um pulinho de susto e perceberam finalmente a presença de Santana.

— Ah, Lopez... – Quinn reclamou olhando para a morena, depois limpou as bochechas cheias de lágrimas secas e bocejou espreguiçando-se. – Nem vem.

— Oi pra você também, Fabray.

— Tá, tá... Eu tenho que... – A líder dos olhos verdes fungou e piscou os seus olhos várias vezes, tentando disfarçar o forte sono que tentava a levar para longe. – Eu vou beber uma água e lavar o rosto, já volto.

Ela saiu e, enquanto isso, a Pierce continuou quietinha piscando vagamente, sua cabeça em movimentos suaves, para frente e para trás, como de quem cochila dentro de um ônibus qualquer.

— Brittany! – Santana estalou os dedos, incrédula, caminhando até ela. – Terra chamando, acorda, vai!

Shh, Sant... A Kitty tá dormindo... Não tá vendo? – Ela simplesmente abraçou-a depois do “alerta”, respirando compassadamente evolvida a Santana. – Que bom que está aqui.

— É... Não dava pra ignorar o que aconteceu... – A Lopez comentou fitando a loira de relance, com sua cabeça encaixada no pescoço da outra e seus braços enroscados a ela. – Ou melhor, o que ainda tá acontecendo, é muita loucura pensar... Para de dormir, agora... Brittany... Brittany... Hey!

— Tô parando... Juro... Parei...

— Sei.

— É sério...

— Mais cedo, você estava na sala da Emma, lembra? Eu não perguntei, mas, o que aconteceu pra você ter ido parar lá?

— Nada demais.

— Brittany...

Uhum, sou eu...

Inesperadamente, Santana decidiu dar uma leve beliscada nas costas da outra garota durante o abraço delas, e os olhos azuis saltaram espantados com a ação.

Aii!

Elas afastaram-se seguidamente, e a morena sorriu vitoriosa vendo Brittany passar a mão nas costas, com uma careta-fofa impagável.

— Isso não teria acontecido se você não ficasse dormindo em cima de mim, coração.

— Eu tô bem acordada agora, Santana. Obrigada, foi muita gentileza da sua parte... – Brittany muito deixou clara a ironia da frase com as sobrancelhas loiras franzidas e o tom sarcástico na voz. – Precisava disso?

— Claro que sim... – Ela alegrou-se e a outra permaneceu mal-humorada, não via graça na sua “dor”. – Mas, desculpa... Eu posso ter exagerado um pouquinho.

— Tudo bem.

Após elas sorrirem uma para a outra, a latina assistiu, por dois segundos, Wilde na cama, antes de retornar os seus olhos castanhos aos azuis.

— E a Kitty, qual a situação dela?

— Ela voltou a dormir agora pouco, mas tá bem, a não ser pelo nariz batido e o pulso torcido. Por sorte, não quebrou nada. A recuperação vai ser rápida segundo a enfermeira...

— Menos mal.

— É.

— O que aconteceu antes de vocês entrarem no palco, hein? Quero saber de tudo... – Santana enunciou ao passo que enxergava Brittany bocejar à frente, notoriamente cansada. – Óbvio que foi sonífero que botaram vocês pra beber, pela sua cara e comportamento aí, mas, eu queria muito entender como chegamos a essa parte. Como um time inteiro foi sabotado desse jeito, como a Fabray e você deixaram isso acontecer. Então, começa.

— Ok, bom, nós...

— Voltei! – Quinn interrompeu-as chegando a elas, grudou ao lado da Pierce. – Tudo bem Santana, o que você quer?

— Ah, eu vim na paz capitã, só aceita.

— Claro...

Fabray olhou para a maca que, produzira um barulho súbito, chamando a atenção das três atletas de pé, visualizam Wilde mexendo-se.

— Acho que Kitty tá acordando, de novo.

— Que bom. – Disse a latina sem se importar tanto. – Olha Barbie, a Britt ia começar a me contar o que rolou no camarim. Você pode participar também se quiser, porque eu quero saber...

– Eu também quero saber! – Kitty se fez notar novamente, sentando-se na maca ao mesmo tempo em que coçava os olhos. – Cheguem mais perto.

— Ok.

Elas foram.

(...)

No momento em que, as loiras, terminaram de contar todos os fatos que antecederam a fracassada apresentação delas à Santana, a mesma teve que segurar o próprio queixo para ele não cair. Situava-se descrente com tanta inocência das atletas, precisava expressar-se a qualquer custo, não podia omitir tal cena, deixar passar assim. Seria falsidade de sua parte. Então, a morena deixou escapar dos lábios carnudos um:

— Espera aí, vocês são idiotas, ou o que?! – E riu nervosa botando a mão na própria testa. – Tsc, tsc, tsc, gente, quem em sã consciência toma shakes duvidosos de “presente” antes de uma performance?! Pelo amor de deus, só podiam ser as três-Barbies-mosqueteiras mesmo. Tá aí o real presente que ganharam por tanta “inocência”, parabéns...

— Em minha defesa, eu não fazia a menor ideia disso. – Wilde declarou suspirando. – A Brittany apareceu com um shake atrás do palco dizendo que era da Roz, eu só peguei e tomei, não soube da verdade, parecia confiável, mas pelo jeito não era.

— É claro, “só” pegou e tomou. – Santana repetiu em tom debochado. – Coitada... Ah, não se fazer de vítima, Kitty! Para, vai. Todas as Cheerios foram trouxas, mas principalmente vocês, por serem as “pessoas no comando”, as “responsáveis”, teoricamente, e agirem assim.

A loira deu de ombros.

— Kitty, nós achávamos que os shakes fossem da Roz, por isso você não soube da verdade, não tente culpar a Britt, você deveria estar no camarim com a gente naquela hora, sabe disso. – Quinn falou espreguiçando-se. – Não sabe?

— Eu não culpei ninguém, Quinn! Só contei o meu lado da história.

— Parando pra pensar foi idiotice mesmo... – Brittany concluiu, caminhando calmamente pelo espaço, enquanto sua mente pensava em mil coisas por segundo. – Muita idiotice.

— Não adianta nada ficar se remoendo agora, Britt-Britt... – Santana advertiu-a e respirou fundo, direcionando os olhos castanhos as outras. – Apenas terminem de me contar.

Fabray concordou e arrumou o cabelo, em meio ao que dizia:

— No fim, descobrimos que as coqueteleiras eram realmente presente da treinadora, mas o conteúdo não, o que significa que: quem preparou o shake sabia, exatamente, como reproduzi-lo, e também sabia dos presentes.

— E onde a Washington tá agora?

— Na direção eu acho, ela foi lá avisar os responsáveis da Kitty sobre o acidente, saiu um pouco antes de você aparecer, Lopez...

— Nós temos uma traidora dentro do time. – Kitty revelou trazendo a concentração das outras para as suas palavras concretas, cheias de certeza e firmeza. – Quer dizer, se a pessoa sabia fazer o shake e sabia dos presentes, liguem os pontos.

— Você acha que foi a... Roz?

— Claro que não, Quinn!

— Quem acha que é a traidora então?

— Não faço ideia, só sei que há uma traidora.

Silêncio.

— Hum... – A ex-líder de torcida no meio das loiras, alternou olhares de Quinn para Brittany, pensando se deveria contá-las sobre as últimas mensagens do número anônimo, e fez sua decisão em pouco tempo, tinha que o fazer. – Eu preciso falar com vocês, em particular. – Avisou apontando para uma extremidade da sala e andou sendo seguida pelas garotas, parando ao encostar-se a uma parede. – Ok, eu recebi mensagens do número anônimo quando vocês estavam estranhas no palco, olhem. – Ela entregou o celular nas mãos das loiras e esperou por alguma reação das adolescentes. – O que vocês acham?

[Número Anônimo]: Assim que se faz um show, é? [5:51 p.m]

[Número Anônimo]: Devemos palmas as Cheerios? Diga-me. [5:51 p.m]

[Número Anônimo]: Ou será que deveríamos achar o culpado? [5:51 p.m]

[Número Anônimo]: Escolha o seu lado, Lopez. [5:52 p.m]

Brittany encarou Santana, estava preocupada. Muito preocupada. Aliás, aquilo a preocupava desde sempre. Todos os dias desde que soubera da chantagem, especificamente. O que uma pessoa ganhava fazendo isso com outra? Felicidade, diversão, ou mais ódio? Insatisfação? Só podia ser um infeliz. Só podia ser um Karofsky ou um Spencer da vida. Mas, poderia não ser também. Ela não sabia. Não tinha nem ideia. Poderia ser qualquer um, no fim. Qualquer um mesmo.

— Eu não...

Do nada, o celular sumira de suas mãos.

— Lopez, com certeza foi o fulano desse número que fez isso! Só pode ser! Olha isso! Óbvio! – Quinn disse indignada, quase aos gritos, com o aparelho da morena em posse, balançando-o. – Nós precisamos descobrir quem é!

Shh, sem dúvidas. Mas, fala baixo, Fabray... – Santana pediu recuperando o celular da garota descontrolada. – Isso era pra ser uma conversa particular.

— Eu sei. Só me exaltei um pouco. Acho que...

— Vocês, por acaso, estão falando sobre um número anônimo que faz chantagens por mensagens? – Kitty perguntou deitada de braços cruzados, e analisou as expressões das garotas, sorriu. – Ponto, foi o que eu pensei.

— Como assim, foi o que pensou? – A Lopez se aproximou da maca para falar com a loira de perto. – Você também recebe mensagens de um número anônimo, é isso?

— Não, mas... Eu... Meio que tenho uma confissão a fazer agora, devido ao que aconteceu hoje... Então, é melhor sentarem que lá vem história.

— Ah, é? Que bom, mas eu tô ótima em pé. – Santana avisou tranquila, sabia que o que quer que fosse a tal confissão, não demoraria tanto a ponto de sentar como a loira fez-se entender. – E qual seria essa sua confissão extraordinária, Wilde? Fala, estamos esperando.

Brittany e Quinn grudaram na maca ao lado da Lopez.

— Bom, sou eu. – Expôs um tanto receosa para a “plateia” do lado dela. – Digo, era eu.

— O que? – A Pierce questionou com uma sobrancelha arqueada. – Você diz: o número anônimo?

— Isso mesmo, Brittany.

— Meu deus, Kitty... – Quinn arregalou os olhos. – Era v-você?

— Sim.

— Gente, é lógico que ela tá doida! Não levem a sério, por favor, né... – Santana falou entre risadas e deu dois passos para trás. – Vamos voltar a conversar lá no canto, é melhor, esqueci que ela tinha batido a cabeça no chão, só isso explica essa baboseira aí, vamos.

— Não Santana, minha confissão é séria. – Kitty disse certa de suas palavras, todas elas. – E eu tô muito bem, obrigada.

— Hum, isso é impossível Kitty, eu recebi mensagens enquanto você caia no palco, e não faz sentido...

— Faz todo o sentido, sim. – Cortou-a, para “explicar”. – Como eu disse, costumava ser eu... Até semana passada, quando eu achei que tivesse perdido o meu celular velho que, usava pra falar com você. Tcharan! Confessei.Não fiquem tão surpresas assim.

Silêncio. Mais silêncio. Ninguém sabia o que dizer. Ninguém sabia o que pensar. Kitty respirou fundo, sentindo o cheiro de sangue subir pelo olfato. Maldito tombo. Revirou os olhos.

— E sim, antes que vocês perguntem, eu mesma tirei a foto do corredor.

Santana e Brittany se entreolharam em pânico, Kitty estava dizendo a verdade. Ou quase. Droga! Francamente, era melhor que ela estivesse doida por causa da queda e tudo não passasse de um delírio. As garotas não queriam que fosse verdade, mas a verdade é que a verdade sempre aparece, mais cedo ou mais tarde, uma hora ou outra. Kitty fora a primeira chantagista. Todavia, não parecia à última.

— Foto? – Quinn intrigou-se. – Mas, que foto é essa, Kitty? O que tem demais nela?

— Nada, Fabray! – Santana correu a dizer e percebeu os lábios de Wilde movendo-se na intenção de contar tudo. – Não! Cala a boca, Ki...

— Ela e a Brittany se beijando.

Tarde demais. Quantas pessoas saberiam disso agora? Três? Quatro? Cinco? Ou mais? Santana não tinha e nunca teria controle sobre essa informação. Isso a tirava do sério. Não era difícil perceber.

— Pronto, era isso. Agora vocês tem certeza de que era eu mesma o número... – Ela direcionou a frase à Brittany e Santana e depois viu a admiração da capitã mediante ao fato exposto. – Impressionante né, Quinn? Fiquei assim também.

— Nossa... – A loira dos olhos verdes olhou para as garotas, pasma. – Isso é verdade?

Silêncio.

— Uau, gente. – Lucy Quinn Fabray abriu a boca, não estava brava ou feliz, nem coisa do tipo, verdade seja dita: estava estupefata mesmo. – E eu sou a última a saber?!

Santana passou as mãos pelo rosto e se afastou de Quinn e as outras, totalmente, quieta. E Brittany não tirou os olhos dela. Em certas circunstâncias, silêncios nem sempre eram bons. Tinha medo de que aquilo significasse problemas. Ou melhor, mais problemas.

— Isso explica muita coisa pra mim. – Fabray permaneceu a falar. – Bem que eu desconfiei que vocês duas já se conhecessem antes da escola, estavam agindo tão estranho quando a Santana entrou nas Cheerios.

— Isso não quer dizer nada, Quinnie.

— Claro que quer dizer, Brittany! Eu não tinha entendido o porquê, exatamente, você quis seguir a Santana com o seu carro, do nada, mas faz sentido agora pra mim. Era porque você estava incomodada por ela estar tão próxima ao Puck, não era? Não te julgo, talvez eu fizesse o mesmo.

— O que?! Espera, aí... Você já me seguiu, Brittany? – A latina perguntou dando meia volta, perplexa, e não obteve resposta alguma a não ser o desvio desconfortável dos olhos azuis. – Legal, entendi.

Ahn, eu jurava que a Britt tivesse comentado com você...

— Não, eu não falei nada disso pra ela, Quinn.

— Pois é né, ela não me falou nada.

— Opa, foi mal Brittany...

Culpada, Quinn encarou a Pierce tentando desculpar-se através de um sorriso sem graça e Santana começou a falar:

— Parece que todo mundo me segue nessa cidade... Engraçado... Agora me lembrei do motivo porque eu odeio esse lugar com todas as minhas forças, ninguém age normal por aqui, fato...

— Desculpa, San. – Escapou baixinho pelos lábios rosados e ela encarou os olhos castanhos. – Eu estava fora de mim naquele dia. Só aconteceu uma vez. Devia ter te contado antes.

— Sem problemas, quem não fica “fora de si” aqui, né? – Ela riu e Brittany não sabia dizer se ela estava extremamente brava ou não. – Isso tudo porque você não queria falar pra Quinn que a gente já se conhecia. Rá-rá-rá. Belo jeito esse que encontrou hein, Brittany... Melhor do que agir como um ser humano normal, certo? Hum... Sabia que por um momento eu... Eu... Ah, deixa pra lá, eu não ligo.

— Santana...

— Eu não quero mais falar sobre isso, ok?

Brittany assentiu, soltando o ar preso em seus pulmões aflitos, e as quatro garotas encontraram-se em meio a um novo silêncio instalado sobre as paredes e cortinas que escondiam-nas do céu escuro do exterior.

Notas finais
Até ♥