Destino ou não - Brittana
44 O nascer do sol
Notas iniciais
“Eu te amo, Jack.”
E era nesse ponto de Titanic que o choro -que já acontecia sutilmente, ou não- conquistava a fatalidade.
“Não faça isso... Não diga adeus... Ainda não. Está me entendendo?”
Tantas palavras, tantos sentimentos, emoções. Agora, uma promessa estava sendo feita na ficção entre Jack e Rose. Quanto à Pierce e a Lopez? Situavam-se lado a lado no quarto da loira, com um notebook repousado no colchão em frente a elas, e um pacote de salgadinho (aclamado) esquecido num canto, pois, toda a atenção recebida ali, dava-se obviamente ao filme que rodava no computador portátil.
“Jack... Jack... É um bote, Jack.”
Porém, era tarde demais. Pobre, Jack. Sempre que Brittany assistia a este momento exato do longa-metragem, ela imediatamente se afundava em uma série de questionamentos. Ou melhor, normalmente. Porque, desta vez, ela resolveu capturar a imagem de Santana, no silêncio, para tudo o que ocorria na obra cinematográfica.
Para sua surpresa, lágrimas fluíam por olhos castanhos puxadinhos.
Brittany ficou perplexa por um instante. Para quem achava que Titanic era superável, Santana estava emocionada demais para seu gosto. A loira havia a pegado.
— Eu... Ganhei.
— Oi? – A Lopez perguntou passando as mãos pelos olhos enquanto se virava para o lado, intrigada. – Ganhou o que, coração?
— Você tá chorando, Sant... — Ela disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, porque era. – Esqueceu?
— Quê? E daí que eu tô chorando? Você também tá.
— É, mas... – A mais alta deu uma leve risada e enxugou as gotinhas escorridas pelas bochechas rosadas. – A questão é que você disse anteontem que esse filme era coisa de gente sentimental, e está chorando com ele, em outras palavras, você...
— Ah, cala a boca, Brittany! – Santana apanhou um dos travesseiros da cama, como um raio, e atacou na cara da estudante, emudecendo-a. – Já pode tirar isso aí, eu não quero mais ver, obrigada.
A garota riu da outra que, encontrava-se levantando às pressas de seus lençóis, após pedir a retirada do filme.
— Ué, por quê?
— Porque, praticamente, já acabou e eu preciso ir pra casa daqui a pouco.
— É mesmo. – Brittany suspirou. As despedidas, ela sem dúvidas detestava essa parte de seus dias. A líder de torcida fechou o notebook, largou ele num criado-mudo e correu para se pôr de pé, chegando até a Lopez. – Hey, Sannie, você não precisa ficar brava por causa do que eu te falei agora. Tá tudo bem se emocionar com...
“With a taste of your lips, I'm on a ride, you're toxic, I'm slipping under...”
Aquele adorável som, era o toque do celular da Pierce, pondo fim na conversa.
— Não vai atender?
— É, vou...
Brittany olhou para os lados e apossou-se do aparelho-escandaloso que, se localizava guardado na gaveta de um dos criados-mudo, ao lado da cama.
— Alô?
— Oi, Britt! – Quinn exclamou do outro lado da linha de forma contagiante, estava empolgada, evidentemente. – Tenho boas notícias, pra variar.
— Que bom, diga!
— Lembra que a Roz não parecia muito disposta a nós dar a lista dos alunos responsáveis pelo Festival de Inverno? Isso não é mais problema! Eu conversei com ela de novo, com mais calma, e ela acabou aceitando ajudar a gente com a investigação toda, disse que podemos contar com ela pra tudo que precisarmos.
— É sério, Quinnie?! – Brittany alegrou-se e Fabray confirmou com todas as palavras, novamente. – Mas... O que fez a treinadora mudar de ideia?
— Então, era isso mesmo que eu precisava te avisar.
— A Washington mudou de ideia em relação ao que, exatamente? – Santana indagou, de fora do diálogo, grudando na loira de olhos azuis. – Hein, Pierce?
Brittany afastou o celular do ouvido, por uns segundos, para avisar a garota.
— A nos ajudar com a “investigação”, sabe...
Não demorou muito para a morena tomar-lhe o telefone da mão, alterada, e Brittany a observar pasma.
— Fabray, o que é que você falou pra Roz?!
— Ah, claro que você tá aí, oi Lopez.
— Responde. A. Minha. Pergunta.
Quinn respirou pesado e, com isso, Santana imaginou nitidamente o que viria a seguir, mesmo tendo esperanças que fosse qualquer outra coisa.
— Eu falei sobre a foto.
A latina quase engasgou de nervoso e Brittany preocupou-se.
— Você falou sobre a foto?!
— Sim...
— Ah, ótimo, parabéns Barbie!
— Santana, você sabe que a treinadora é uma pessoa confiável, relaxa. Além disso, ela disse que já desconfiava de vocês duas, então...
— Então nada, Fabray! Ela eu não sei, mas você com certeza não é uma pessoa confiável, sua desgraciada!— Santana devolveu o dispositivo a Brittany, bruscamente, suas sobrancelhas franzidas. – Eu vou matar ela.
— Não, você não vai...
— Vou sim, Pierce! – A morena afirmou decidida e saiu pisando forte no chão. – Não acredito nisso...
— Fica calma.
— Não me manda ficar calma!
— Ok, desculpa...
Agora, um tanto decepcionada com Quinn, a loira retornou o aparelho a orelha, enquanto seguia Santana com os olhos azuis.
— Quinn, por que falou da foto?
— Porque escapou...
— Escapou como?!
— Escapando... Desculpa... Foi uma forma rápida e mal pensada que encontrei de convencê-la. Eu juro que eu não pretendia falar, Britt. Aconteceu. Mas, como eu disse a Santana, a Roz é confiável, você sabe, não precisam se preocupar com esse segredo, pelo menos, por parte dela e minha.
— Tá bom, difícil, mas não me resta outra opção... – Brittany notou que a Lopez pegara o próprio celular, do outro lado do ambiente, doravante estava digitando sem parar, concentrada. – Você precisa me falar mais alguma coisa?
— Eu acho que não, mas qualquer coisa eu te ligo.
— Ok Quinn, eu preciso desligar...
— Certo.
— E, não fala sobre a foto pra mais ninguém, por favor.
— Prometo que não vou mais deixar isso escapar.
— Agradeço, até...
— Espera aí, Britt! Antes de desligar, fala pra Lopez que... Eu sinto muito... Não foi minha intenção... Ainda estou perdida com tudo que anda acontecendo... Por sorte já, já, o ano acaba, porque aconteceu coisa demais nesse.
— É verdade... Tá bom, eu falo pra ela.
— Obrigada.
— Tchau!
Ela encerrou a chamada e alcançou Santana a passos suaves pelo solo.
— Tá tudo bem?
— Sim... – A Lopez confirmou, virou-se e deu um enorme sorriso para Brittany. – O Puckerman e o Ryder conseguiram alugar uma van de DJ e vão dar uma festa na praia, amanhã, pra comemorar o ano novo.
Brittany assentiu, lentamente, querendo saber o resto.
— E?
— E que nós vamos. – Santana informou-a. – A não ser que tenha algo mais interessante pra fazer, o que eu acho que não tem.
— Ahn...
— Que eu me lembre, ontem mesmo, o Robert disse que ia passar o Réveillon com o pessoal do trabalho, né.
— Sim, ele vai.
— Você tá pensando em ir junto?
— Na verdade, eu não pensei em nada. Isso é normal, eu nunca o acompanhei nessas festas de fim de ano de empresa, apesar dele já pedir... – A loira admitiu, descansando os ombros. – E sua família, eles não planejaram nada?
— Quem se importa? Não sei. – A garota deu de ombros. – De qualquer forma, eu não vou ficar a noite toda lá, eles já estão acostumados.
— Entendi...
— O que você costumava fazer, em Seattle, nas passagens de ano?
— Ficava com meus amigos, onde eles estivessem.
— Ah, sim! Mais um motivo pra você ir nessa festa comigo então. Tá decidido.
— Você muda de humor bem rápido.
— É, é, o que vai ser Britt?
— Não sei...
A morena revirou os olhos.
— É que, eu pensava que a gente não podia ser vistas juntas, Santana.
— Hum, você acha mesmo que, alguém no meio de uma festa de ano novo, vai perceber isso? É tanta bebida, drogas e música rolando no meio que, vamos passar despercebidas pra todo mundo. – Santana explicou, depois riu. – Além disso, é uma festa, até inimigos conversam em festas.
— Ah, é?
— Sim.
— Então, é capaz da gente esbarrar com o número anônimo por lá, a qualquer momento.
— Com certeza, o Puck deve ter convidado o McKinley inteiro e sabe-se lá mais quem, ele queria fazer isso faz tempo.
— E você acha seguro?
— O novo chantagista já tem a nossa foto, por culpa da Kitty, não tem?
— Uhum...
— Pois é. Como pode ver, já estamos fodidas de qualquer jeito. O mínimo que merecemos é acabar o ano um pouco melhor que isso, juntas. Não concorda?
A Pierce tornou-se pensativa. Não tinha certeza se gostaria de ir a uma festa do garoto. Entretanto, tinha quase certeza que a Lopez iria mesmo que ela não confirmasse sua presença. E bom, ela tinha motivos pra se preocupar com Santana “sozinha” numa festa cheia de pessoas de tudo quanto é tipo, junto a bebidas alcoólicas e coisas pesadas de uso ilícito em volta nas mãos de qualquer um. Teria que tomar uma decisão, rápido. O tempo estava passando.
— Vamos, vai... – Santana pediu manhosa, se colocando bem perto de Brittany, deu-a um beijo intenso e se distanciou. – Você tá me devendo.
Olhos azuis se abriram.
— Eu tô te devendo?
— Claro.
— Por quê?
— Pelo tédio. Nós ficamos só estudando espanhol o dia inteiro ontem e hoje pra compensar. E, outra, eu acabei de assistir Titanic por você.
Brittany gargalhou contente e colocou uma mexa dos cabelos negros atrás da orelha da Lopez. Era tão linda. Tranquila, ela disse a outra:
— Você tinha apostado Sant, não vale.
— Vale sim.
— Não...
Elas beijaram-se, e a loira deu um sorriso ao olhá-la mais uma vez, tão perto.
— Você nem assistiu tudo.
— Eu já sei o final Britt, ele não me interessa em nada. Ou melhor, o filme todo não me interessa em nada...
— E mesmo assim você tava chorando, curioso.
— Vai começar?
Olhos azuis fixaram-se no movimento desconfortável dos castanhos.
— É, vou sim... – Brittany confessou segurando-a pela cintura. – Posso te fazer uma pergunta sincera?
— Se você quiser.
— Por que você se esforça tanto pra fingir que não tem sentimentos?
Direta, como uma facada no abdômen.
— Hã? – Santana fez uma careta. – Eu não faço isso.
— Faz sim. E muito mais do que pensa, Santana. Por exemplo, sempre que menciona algo usando a palavra “sentimental” no meio, adquire um tom de deboche na voz. O que é engraçado, porque todo ser humano é sentimental.
— Isso é o que você acha.
— Não, isso é apenas a verdade, ou quase... – Brittany corrigiu, complementando: – E tá tudo bem, você não precisa esconder essa parte de mim, não precisa agir como se não se importasse com nada a maior parte do tempo, porque sei que se importa.
— Aham, tá... Olha Piercezinha, eu preciso ir pra casa, então... Você vai na festa ou não?
Brittany suspirou.
Ela não podia esquecer-se de que estava falando com a mesma garota que lhe confessou sua descrença no amor no Halloween.
Talvez, existissem mais descrenças, mais bloqueios, mais centenas de incertezas dentro de Santana do que dela. Fato. Todavia, a loira não iria forçar a barra, se a outra se sentisse à vontade em algum instante, mesmo que fosse o menor dos diálogos, mesmo que demorasse muito a chegar, mesmo que outros obstáculos surgissem na vida delas, ela ainda estaria lá disposta a ouvir, a esperar, e entender tudo. Absolutamente tudo, sobre a outra. Como ela, agora, queria expor a Santana o seu verdadeiro eu.
— É o que você quer?
— Duh, óbvio, né.
— Nesse caso, eu vou nessa festa com você.
— Isso! – Santana comemorou alegre. – Finalmente, Brittany.
A loira sorriu e beijou-a. Ela podia jurar que aqueles lábios carnudos a levavam para outra dimensão. A toda hora. E eles nem precisavam estar colados aos seus. É. As coisas estavam esquentando naquele espaço.
E era inverno, rá.
Durante a ação de Brittany chupando sua garganta, Santana perguntou:
— Que... Horas... São?
Brittany parou e a abraçou, encaixando a cabeça no pescoço da outra, abriu os olhos e, em seguida, levantou o seu celular na linha de sua visão.
— Oito e meia.
— A gente ainda tem tempo.
A líder de torcida distanciou-se milimetricamente para fitar olhos castanhos.
— O que tá pensando em fazer, San?
Santana riu e enviou-a um olhar travesso, possivelmente, com uma pitada de timidez no meio, mas, ainda sim, muito convicto.
— Você sabe o que eu tô pensando em fazer.
A Pierce, meramente, sorriu junto a ela e apossou-se da silhueta de Santana apertando-a entre os braços. Quando a mesma abraçou seu pescoço em retorno, Brittany tirou o corpo da latina do chão e a Lopez envolveu suas pernas em volta do físico da loira, e ela, agarrou a retaguarda das coxas morenas nas mãos e guiou-as para a cama.
31 de Dezembro...
— Não acredito que aceitei vir sem o meu carro.
— Ah, para de reclamar, Britt-Britt. – Santana suplicou, olhando para a movimentação um pouco mais a frente na praia. – Chegamos! – Ela sorriu e, depois, encontrou Brittany com a cara fechada ao lado, mudou o semblante para desdém na hora e suspirou. – É claro que você aceitou vir sem o seu carro pra cá, quero que você beba comigo e não fique se preocupando em dirigir ele depois, tá? Só isso, emburrada. E você prometeu. Além disso, sua casa nem é tão longe daqui, né.
— Diz a maluca por corridas.
A Lopez riu dela e ficou quieta de braços cruzados.
— Tá bom, eu vou parar de reclamar...
— Vai beber comigo também, certo? A não ser que queira dar pra trás justo agora, Pierce.
— Não, eu vou beber.
— Ótimo, vamos continuar?
Ela se virou.
— Sannie, espera um pouco. – Brittany pediu segurando uma mão morena e Santana voltou a fitá-la. – Antes de irmos até lá, como estava com sua família hoje?
— Até que bem, eles nem ficaram no meu pé quando disse que ia sair com você, foi engraçado.
— Que bom...
— E seu pai?
— Então... – A mais alta soltou a mão da outra. – Hoje ele me falou que, logo, nós vamos ficar uns dias em Seattle, porque ele precisa resolver umas coisas lá e quer a minha presença.
— Entendi. – Santana assentiu. – Quanto tempo?
— Não sei, um dos irmãos dele entrou em contato, depois de muito tempo, e, é claro que tem a ver com dinheiro...
— Hey, Tana! – Noah gritou de algum lugar da praia e veio em direção às garotas interrompendo-as, com um copo de plástico na mão, visivelmente embriagado. – E aí?
Ele tentou abraçá-la e ela se esquivou.
— Sem contato, Puckssauro.
— Você é muito fria comigo, não sei o que fiz pra merecer... Ih, e não é que você conseguiu trazer a Pierce mesmo?!
— Pois é.
— Brittany. – A líder de torcida corrigiu-o, incomodada. – Me chame de Brittany, Noah.
— É, Brittany, desculpa loirinha! Eu sempre, sempre esqueço... – Ele riu e olhou para os lados. – Garotas, eu sei que é do interesse de vocês, então escutem... O Sam conseguiu trazer a Fabray pra uma festa minha! Isso é um milagre... Só não sei onde estão agora...
— Ah, então a Barbie tá por aqui com o Ken?
— Pode apostar.
— Provavelmente, estão se pegando em algum canto então. – A Lopez deduziu. – Mas, que bom saber que a Fabray tá aqui, nós precisávamos conversar mesmo.
— Hey, hey... – Puck disse em objeção e soluçou. – Shh! Sem conversa agora... Só curtição tá liberado aqui, meu amor... Só isso... Venham comigo as duas! – Ele chamou e elas o seguiram, em seguida, o garoto parou perto do tumulto de jovens, com um largo sorriso, e piscou diversas vezes. – As bebidas... Estão na van... Se acabar daí, o Ryder estocou outras no carro dele, que tá pra lá... – Apontou para a aglomeração de carros estacionados, de qualquer forma, ao redor, na areia. – Acho que é só, divirtam-se.
Santana riu observando-o sair de perto delas.
— Nossa, ele tá muito bêbado.
— É... – Brittany concordou, horrorizada. – Espero que não esteja querendo ficar assim.
— Assim não, mas perto, talvez. – Ela sorriu e puxou a loira pela mão até a van parada na areia, onde tocava Black And Yellow do Wiz Khalifa. – Vamos começar.
(...)
“I'm in love with the shape of you...”
— Acabei de ver o boca-de-peixe...
— Onde?
— Tá vindo atrás de você.
— Gente, vocês estão aqui!
— Oi, Sam! – Brittany parou de dançar e se virou para cumprimentá-lo, recebeu um beijo na bochecha. – Cadê a Quinnie?
O Evans riu.
— Ela falou que ia vir comigo pra vocês?
— Não Ken, o Puckerman nos informou quando chegamos.
— Ah, claro. – Ele observou ao redor, procurando à loira. – Então, a Quinn disse que precisava ir ao banheiro, só não sei onde... Mas, ela vai aparecer... Enfim, ela me contou de vocês duas. Muito legal! Eu te entendo agora, Brittany...
A garota petrificou. Droga! Sabia o que viria pela frente.
— O que?! – Santana indagou furiosa. – A Fabray contou o que pra você, bocudo?
Sam chegou mais perto delas para cochichar:
— Que vocês estão ficando.
— É, acho que ela não consegue segurar a língua...
— Pff, claro que ela ia fazer isso! Meu deus, que fofoqueira... – A Lopez gargalhou nervosa. – Olha, mas a Fabray tá se saindo melhor que o Jacob Ben Israel, hein... Falando nela, olha ela ali.
Quinn chegou perto dos três que, assistiam-na concentrados.
— Oi, tudo bem?
— Não, não tá tudo bem!
A loira dos olhos verdes franziu a testa e olhou para a Pierce.
— Por que a Lopez tá gritando, Britt?
— Porque você contou sobre nós pro Sam, e também pra Roz...
— Me diga Barbie, falta você nos dizer que contou pra mais alguém ou não? Agora é a hora.
— Não, só foi pro Sam e pra Roz mesmo... – Ela ficou um pouco cabisbaixa. – Me desculpa gente, é que...
— Nós estamos ficando também. – O loiro revelou segurando a cintura da capitã. – Pronto, acho que agora vocês estão quites.
— Sam! – A garota protestou, corando. – Não... Eu... Eu... É, verdade.
— Isso não é novidade nenhuma pra gente, caso não perceberam ainda, vocês dois são a coisa mais óbvia do universo. – Santana anunciou séria. – Só espero que calem a boca daqui pra frente.
— Nós juramos! – Sam riu e olhou para Quinn. – Certo?
— Sim, nós juramos.
Eles ficaram em silêncio enquanto a música tocava.
— Então... – O Evans começou. – Nós vamos dançar.
— É, vamos...
— Legal, a gente se esbarra depois então. Vem Brittany... – Santana chamou. – Nós vamos beber.
A loira riu, fitando os amigos sendo deixados para trás.
— Ain Sant, eu acho que eu tô meio bêbada já...
— Com dois copos? – Ela sorriu. – Que rápido.
(...)
Meia noite em ponto. Fogos de artifício, berros, alvoroço. Porém, a música não parara.
“And tonight I’m alive, ain't a dollar sign, guaranteed I can blow your mind...”
— Feliz ano novo! – O pessoal gritou em uníssono. – Uuuh!
Santana deu um abraço em Brittany, e posteriormente a isso, sentiu um toque no ombro, voltou-se para trás, era Josh Coleman.
— O que você quer?
— Relaxa aí gata, percebi que está sozinha, aí pensei, por que não damos o beijo da meia noite um no outro? – Ele sugeriu se jogando para cima, Brittany entrou na frente, calada, e o encarou nada feliz. – Na verdade, pode ser qualquer uma das duas, a Santana sabe que não tenho preferência, muito menos ciúmes, né?
— Sai. Daqui. Agora.
— O que é que foi hein, riquinha? Você tá se fazendo de difícil pra mim é? Adoro as bravinhas.
Josh sorriu e se inclinou, levando um super-tapa na cara.
— Sai fora! – A Pierce disse sentindo a mão queimar, nunca havia feito isso antes, envolveu uma mão de Santana a sua, à medida que, viu Coleman sorrir satisfeito, e andou para longe. – Vamos sair daqui.
— Boa ideia.
Brittany levou a Lopez consigo até a parte “deserta” na lateral da van que exalava uma melodia bem alta e parou por lá.
— Ele é um dos caras que você ficou?
— Sim. – Santana confessou, claramente, enojada. – Não me orgulho disso, mas, foi antes de vir morar aqui.
— Entendi. – A loira olhou para o céu, estava lotado de fogos coloridos explodindo a cima de sua cabeça, era uma cena linda, não tão linda quanto Santana, porém ainda sim, especial, justamente por ela estar com a outra. – Você acha que ainda é meia noite em ponto?
— Não sei, talvez não...
— Então, vamos fingir que é. – Ela verificou a área freneticamente por olhos azuis, depois evolveu a Lopez nos braços, empurrou-a contra a van e roubou-a um beijo. – Feliz ano novo.
— Feliz ano novo...
— Hey! Pessoal! – Alguém estava gritando e perdendo a voz ao passo que o fazia. – Vamos para o mar!
— Para o mar? – Brittany se afastou de Santana, curiosa e fitou-a confusa. – Por quê?
— Ai Britt, você nunca participou da ‘brincadeira’ de entrar na água gelada do inverno durante a passagem de ano? Traz sorte, ou sei lá.
— Não, achei que fosse uma tradição do Canadá...
— E os loucos copiam! – Santana segurou sua mão, correndo. – Nós vamos!
— Vamos?
— Vamos.
E foram.
(...)
E a porta daquele quarto foi aberta às pressas, com precisão. De volta à residência dos Pierce. A festa na praia havia terminado não muito tempo atrás, e o ano, definitivamente, iniciara da melhor maneira possível, Brittany e Santana encontravam-se agora aos beijos desde o andar debaixo.
Chegaram à cama.
A Pierce se afastou do corpo submisso ao seu, apoiando as mãos e os joelhos no colchão, em volta da morena, sorriu.
Álcool no sangue, de certa forma, dava coragem às pessoas, verdadeiramente.
E o silêncio foi quebrado por uma declaração no ar tão espontânea que, até mesmo lábios rosados surpreenderam-se de confessar.
— Nossa, como eu te amo...
— Quê?! – A Lopez arregalou os olhos e empurrou a loira para ela sair de cima de seu físico, ficando de frente uma para a outra. – O que você acabou de falar, Britt?
— Que... – Sim, a loira poderia recoar, mas não, ela não iria, sentia-se mais confiante que nunca, e, aquelas palavras tinham mais sentido ainda faladas em voz alta para o mundo, para a Lopez. – Que eu te amo, Santana.
— Você tá doida? – Ela riu, desviando os olhos castanhos. – Acho que você bebeu demais por minha culpa...
— Bebi mesmo.
— Então, só retira o que disse que fica tudo ok...
Retirar o que ela dissera? Nunca, jamais.
— Não. – Brittany negou determinada, se aproximando dela. – Não vou negar o que eu sinto.
Amor era o sentimento.
— O que deu em você?! – A latina deixou a cama e sua expressão estava tão incerta, tão perdida, tão incômoda que Brittany sentia necessidade de pegá-la pela mão e trazê-la para dentro de seu coração, porque talvez assim, ela pudesse sentir o que a líder de torcida sentia. – Para de falar besteira, por favor, Pierce.
Brittany ergueu-se dos lençóis bagunçados e se pôs avante a garota.
— Não estou falando besteira.
Ela era uma vítima do amor.
— Claro que tá! – Santana assegurou, zangada. – Você tá mais bêbada que eu! Só para. Você nem sabe o que tá falando. É melhor eu ir embora...
A loira segurou levemente sua mão, precisavam de contato visual, precisavam conversar.
— San, eu sei que você já me disse que não acredita no amor...
Santana olhou para ela.
— Quando eu te disse isso?
— No Halloween.
— Hum...
— Você deu ótimos argumentos, de verdade, mas me escuta...
— Eu não quero escutar nada, Brittany.
— Santana, eu sei que pode parecer ser cedo demais pra te falar uma coisa dessas... Mas, eu não consigo mais calar o que eu sinto... Não dá... Eu preciso falar... Eu pensava que dizer isso tinha tempo certo, uma fórmula correta a ser seguida e tudo mais... Só que eu sempre estive enganada... Olha... Eu nem queria ir nessa festa do Puck, você sabe, e mesmo assim fui por você, e valeu a pena no fim das contas, porque o ano acabou de uma forma tão boa que, me fez esquecer mesmo que por um instante de tudo o que tá acontecendo no McKinley com esse chantagista nas nossas vidas, e tudo por causa da sua companhia. E... E... – Brittany constatou seus olhos se encherem de lágrimas, respirou fundo e trouxe a mão morena que segurava entre a sua para o seu peito esquerdo agitado e pousou-a ali com seus dedos finos sobre ela. – Meu coração bate assim toda a vez que eu olho pra você, que você sorri, que você fala, que eu me lembro de você, quando nós estamos juntas, quando nos beijamos, nos tocamos... Se isso não for amor Santana, eu não sei o que é... E nem quero saber, porque isso aqui dentro... Esse sentimento por você é bem melhor... Chame do que quiser então, eu não vou negá-lo... Não mesmo.
Fale com o autor