Notas iniciais
I wanna make you holler ♫

Há doze anos...

Sobre uma velha bicicleta vermelha, um jovem moreno voltava para a sua residência, após um longo dia suado na cidade de Lima, em Ohio. Morava lá fazia alguns anos. Ele trabalhava como garçom, e fazia qualquer outro bico que arranjasse nos finais de semana para sustentar-se e, bom, pagar sua estimada faculdade, é claro. Era um cara de múltiplas funções, embora não por escolha. Insônia era algo normal para ele, o seguia dia e noite, como uma fiel escudeira insuportável. E quando caía no sono, não necessariamente de noite, o mesmo não passava de cinco horas de duração, mas o homem conseguia manter-se em pé, apesar do cansaço perpétuo e sonos desregulados rotineiros.

Um estudante de medicina.

Ele tinha uma longa jornada pela frente ainda, com vinte e quatro anos, estava no quarto ano do ensino superior da matéria. Não podia nem sequer pensar em desistir, ou fugir. Dava tudo de si nos estudos, importância sem igual.

“Ainda bem que cigarros existem” pensava sempre, no próprio silêncio.

Um vício? Talvez. Ele não podia deixar de fumar no final de cada dia, quase como uma regra pessoal. O consumo era seu único momento de calmaria perante a sua recente realidade. De vez em quando trocava cigarros por álcool, ou utilizava-se dos dois ao mesmo tempo, mas isso não vinha ao caso.

Uma música ecoando na casa chamou-o a atenção.

Estava tarde. Cesar fitou uma das portas do lugar, enquanto ele fumava relaxado no sofá. O barulho vinha de um dos quartos. O Lopez passou a abanar o vento, possesso, espalhando a fumaça ao redor, como se quisesse esconder a ação, antes de pousar e amassar o toco de cigarro, entre os dedos, no cinzeiro que, se localizava sobre uma mesinha de madeira em frente ao assento. Enfim, ele se ergueu, seguindo o som. Abriu a porta do ambiente, adentrando-o freneticamente.

Argh, Santana! – Cesar queixou-se ao notar a filha pequena cantando em cima da cama, aos pulos. – Você devia estar dormindo, menina! Que barulho, deus... Já falei que você não pode ficar acordada depois das nove, só os adultos podem. Droga. Não se lembra?!

A criança arregalou os olhos e parou.

— E-eu lembro, mas...

— O que é isso?! – O homem olhou superficialmente para um papel com um desenho todo torto no chão do quarto, e bufou ao ler a frase acima do mesmo: “O que você quer ser quando crescer?” Ah, sim. Papo furado de profissões para crianças davam sempre nisso, sonhos ridículos, inalcançáveis e um tanto quanto idiotas. – Ah, então é cantora que você quer ser quando crescer é?

Ele direcionou os olhos à Santana.

— Sim... É tão legal, papai! Músicas me deixam feliz, eu amo elas.

— Hum, entendi.

Cesar a encarou com deboche em seu semblante nada feliz, e se aproximou, pronto para dizer algumas “verdades” sobre a vida.

— Claro. Mas, pra ser uma cantora você precisa ter muita sorte e mais que isso: talento. Senão corre o risco de parar debaixo da ponte, sem casa, sem comida, sem família, sem dinheiro, ou amigos. E olha: você não sabe cantar. Nem nunca vai saber, porque a gente não tem dinheiro pra gastar com esse lixo, e as pessoas estudam pra cantar. O que não dá em nada a maior parte das vezes, então nem pense em sujar o nome da minha família com sonhos impossíveis... – O homem nervoso devolveu o desenho semi-amassado de volta para as mãozinhas de Santana. – Fica quieta e esquece essa ideia imbecil, Santana... Vá dormir, agora! Já passou da hora. Ca-ma.

Ele caminhou até a porta e apagou a luz, deixando a porta entreaberta, e a menina chorosa, agora sentada, para trás, sobre os lençóis do colchão.

— Maribel! Essa menina tá impossível! Não dá assim, estou cansado, eu vivo trabalhando... Não quero que ela esteja acordada dessa forma mais quando eu chegar em casa, ok? Toda hora isso, deus... A gente precisa deixar ela mais vezes com os meus pais em Rosefield, talvez ela aprenda algo útil...

Quantas vezes o discurso de Cesar foi esse, ao longo dos anos? Inúmeras. Suas frases eram sempre as mesmas. Talvez, ele não tivesse se acostumado, nem um pouco, com o fato de ter tido uma filha tão cedo. Não servia para ser pai. Não para ela. Porventura, ou não, o futuro irmão da garota tivesse mais sorte com os pais, um tanto mais “maduros”, por causa dos anos a mais carregados nas costas, agora.

Santana sentiu um leve toque no seu ombro e voltou ao hoje...

O Natal em Rosefield. Os olhos castanhos piscaram com força, e a morena percebeu que seus braços estavam cruzados frente ao tórax, e ela situava-se diante de uma parede de vidro, olhando para o exterior. O ambiente era extremamente confortável e aquecido, e as luzinhas coloridas de enfeite, piscavam na árvore de Natal ao lado de seu físico, em um ritmo quase que sonífero: amarelo, vermelho, azul.

Sant... — Brittany chamou, enquanto se posicionava ao lado dela e observava a chuva de granizo do outro lado da vidraça atentamente, focada, apoiando os dedos finos levemente na parede transparente no processo, era bonito ver. – Acho que a chuva não vai parar tão cedo...

— É o que parece, Britt-Britt.

A mais alta começou a imaginar o que seria da sua vida, caso não existisse aquecedores dentro de sua casa, aparentava estar congelando lá fora. Doía só imaginar a hipótese de sair do local. Fazia cinco, seis, sete graus da porta para fora? Por aí. O lado bom era que, o inverno, ali na região, não chegava a ser tão intenso, com nevascas e etc. Mesmo assim, ela não deixava de pensar no sofrimento de certas pessoas e animais com aquela estação do ano, no mundo todo, não podia esquecer-se de doar algumas peças de roupa, o quanto antes possível. Empatia movia o mundo. Ela olhou para a morena.

— Santana, se você quiser ficar...

— Hey, filha! Boa noite. – Robert exclamou da escadaria roubando a concentração das garotas que se dobraram para vê-lo, à medida que, o mesmo, era puxado pela namorada. – Eu e a Holly vamos dormir. Ok? A Santana pode ficar aqui sem problemas, Brittany. Só que, é bom avisar aos pais dela antes, porque eles devem estar preocupados com essa tempestade persistente.

Brittany assentiu e seu pai piscou de forma cúmplice para ela.

— Até amanhã, garotas!

A Holliday mandou um beijo para elas e o casal sumiu, ligeiramente, em algum lugar do andar de cima. A Pierce amava demais o seu pai. Às vezes parecia até que suas mentes estavam conectadas. O único erro que Robert havia cometido com a filha, fora avisar que eles iriam se mudar para Rosefield uma semana antes de o fazerem, abruptamente. Como se ele não se importasse mais com sua opinião, como se ela não valesse nada, nem menos um centavo. Uma completa surpresa absurda para Brittany, que se sentiu traída pelo pai, apesar de que, na época, estivessem se falando bem pouco.

Mas, isso era passado.

Santana e Brittany riram com os adultos animados, e a morena se distraiu com a ação da natureza outra vez, ao voltar a olhar para longe, levando a mão até a altura do seu novo pingente, envolvendo-o, absorta. Deslizou o polegar no coração e na correntinha. Repentinamente, a loira empurrou-a de leve, com o ombro para o lado, ao passo que só sobraram as duas na sala de estar toda natalina, quieta e iluminada de pisca-piscas notáveis.

— Tudo bem com você, Sant-Sant?

— Tudo ótimo. – Ela respondeu concentrada na chuva lá fora e mexeu no cabelo ao descruzar os braços, respirando pesado. – E com você?

— Tudo bem... A propósito, a comida estava ótima. Digo, mais que ótima. Maravilhosa. Foi como comer o paraíso numa ceia só, sério... Se desse, teria esse gosto, eu acho.

A morena virou-se para Brittany, gradualmente, segurando uma risada com todas as suas forças, não podia perder a chance de ser ela mesma. Respirou fundo, a coluna reta. E aí, deu um sorriso largo e malvado que, deixaram suas covinhas perceptíveis, ao mesmo tempo em que piscava os olhos escuros de forma provocativa. Coisa que, a loura mal percebeu, ao se concentrar somente naqueles belos detalhes que via nas feições dela, aquelas entradinhas fofas nas bochechas, tão, tão bonitas.

— Lógico. Eu que fiz, minhas mãos são abençoadas, ou melhor, mágicas. De nada.

Os olhos azuis leram a face por completa da Lopez e Brittany acabou rindo, ao escutar sucessivamente a voz da garota.

— Tão modesta você, né...

— Sou mesmo. Aliás, tava demorando pra você vir falar de comida, de novo, Britt-Britt. Que foi, hein? O estômago já esvaziou? Tsc, tsc, tsc, só faz três horas...

A loira revirou os olhos com a implicância e sorriu.

— Não. Ainda não. Estou super-satisfeita, pode acreditar, como mágica.

— Ok, eu acredito... – Ela levantou as mãos, fazendo-se de inocente. – Foi o meu poder.

— Você e a Holly podiam abrir um restaurante, sabia? Ganhariam milhões, rapidinho, sem brincadeira.

— Óbvio. – A latina rebateu alegre, dando um passo à frente, tirou uns fios rebeldes do rosto de Brittany, cuidadosamente, e continuou o falatório. – Nós iríamos falir os Pierce primeiro, porque seria o alvo mais fácil, e depois dominaríamos o resto do mundo.

— É verdade.

Ambas riram, e a concentração delas voltou à janela, quando Santana afastou as mãos. Seus ombros roçando um no outro agora, lado a lado, em busca de contato. Talvez, nem o exterior tivesse a atenção delas mais. Até o momento estavam agindo como se os outros ainda estivessem presentes, com elas, “vigiando-as”. A líder de torcida subitamente ficou na ponta dos pés algumas vezes, brincando em silêncio, como habitualmente fazia nas aulas de balé que costumava ter quando mais nova, enfiou as mãos no bolso da calça-moletom.

Calcanhar ao vento, calcanhar ao chão.

Típico comportamento de quando se localizava ansiosa com alguma coisa. Geralmente, uma que, não deixava seus pensamentos em paz. Bem específica. Não parou, subiu e desceu, até voltar a falar.

— Então, você vai dormir aqui? Ou esperar a chuva passar, mesmo?

Santana sorriu com a indagação desesperada presente na entonação da amiga, enquanto ela batia os olhos castanhos, rapidamente, no colar de coração deitado em seu pescoço. Mal ganhara e já adorava. Olhou para o lado, sem responder nada, enxergando a face fofa de Brittany cheia de expectativa, ela riu com a imagem, de maneira que, a euforia alcançou seus olhos e covinhas, novamente.

— Por acaso, você tá me convidando pra dormir aqui senhorita, Piercezinha? É isso, ou eu entendi errado? Seja direta.

— Entendeu certo sim, estou te convidando... – A estudante admitiu, e enviou-lhe uma piscadela, chegou bem perto, acabando com qualquer distância física, alcançou lábios carnudos, a fim de depositar um selinho ligeiro lá, e riu ironicamente depois de fazê-lo. Os olhos azuis tomaram então uma cor de gozação fitando os castanhos, Santana segurava sua face agora, com um ponto de interrogação gigantesco em seu semblante, franziu as sobrancelhas, esperando a loira falar, mais uma vez. – A menos que queira ir pra casa na chuva e a pé.

— Uau...

— É. Eu é que não saio nesse fim de mundo! Sinceramente, parece meio perigoso e frio. Você viu. E por mais legal que você seja Sannie, não posso fazer isso nem por você, desculpa.

— E por quê?

— Porque se eu sair de casa, eu serei atacada pelos gelos voadores do mal, eu sinto...

A Lopez passou a mão no rosto da Pierce delicadamente, rindo da idiotice falada, e Brittany pôs as mãos na cintura dela, colando seus corpos.

— Pensei que você fosse minha amiga de verdade, coração.

— Mas, eu sou.

Aham...— Ela apertou a mandíbula da outra com os dedos em volta dali e selou seus lábios aos rosados, depois assistiu os olhos azuis vigorosos concentrados nela, de perto, quando voltou a abrir os seus. – Você ainda vai me pagar, espera só pra ver...

— É, é. E então, o que vai ser? A escolha é sua. Dorme aqui?

Santana enviou-lhe um olhar desconfiado, e gargalhou junto à líder de torcida sorridente, soltando-a, deu um passo para trás, colocando uma mão no próprio queixo.

— Hum, me deixa analisar direito essa sua proposta aí, Pierce. Um minuto. Vou pensar nas vantagens e desvantagens. Vejamos...

— Ah, pode deixar, fica à vontade Lopez, leve o tempo que precisar. No fim, você vai acabar descobrindo que não existe desvantagem alguma em ficar... – Brittany alertou, pegando as mãos morenas as suas, inclinou-se para frente beijando Santana de forma suave e espontânea, e então se afastou sutilmente após. Elas tinham se beijado poucas vezes no dia. Ela nem acreditava ter sido capaz de descolar os lábios de Santana agora, por isso, era uma verdadeira vencedora declarada. – Já se decidiu?

— Eu não sei não... – A morena provocou, fazendo graça, enquanto suas mãos se acariciavam com as da garota abaixo da linha do horizonte. – Tô em dúvida. Talvez, eu precise de mais um pouco, pra saber...

A adolescente apaixonada se vergou prontamente e beijou a Lopez, de novo, sem soltar as mãos dela, puxou os lábios carnudos entre os dentes para trás e quando os libertou da mordida, trocou olhares contínuos de olhos castanhos para aquela boca que a levava para outro mundo, sempre. Um vício desde o primeiro toque. Santana a intoxicava sem qualquer esforço, uma ilegalidade sem igual: alguém com tal poder sobre outra pessoa. Onde estavam os oficiais do universo? Precisavam resolver esse crime. Caso existissem.

— E agora?

A ex-líder de torcida passou a pontinha da língua nos lábios carnudos degustando do sabor deixado pela saliva de Brittany, e se aproximou, dando um selinho enfatizado na mesma, depois de separadas.

— Sim. Você venceu. Eu fico.

— Isso!

Elas riram timidamente, desviando os olhares bobos, e Santana pegou o celular e digitou uma mensagem para Cesar e Maribel, avisando que ficaria por lá, voltando a olhar para a Pierce depois.

— Pronto, avisei os meus pais.

— Vamos subir?

— Ok.

Brittany guiou a garota desarmada junto a si, de mãos dadas, até o segundo andar do espaço, elas passaram pelo corredor. Portas e mais portas. Chegaram ao quarto da loira que, só possuía uma iluminação fraca, vinda dos dois abajures acesos ao lado da cama. Santana foi a primeira a entrar nos aposentos, vagarosamente, seguida da Pierce que, trancou a porta e caminhou até a latina, necessitada, abraçando-a por trás, passou a extremidade do nariz no couro cabeludo negro, farejando-o, e desceu o rosto, de olhos completamente selados, durante o tempo em que a Lopez fitava-a de relance, suas mãos deram a volta em frente à barriga dela.

— Você é tão cheirosa... – Brittany disse contra a retaguarda do pescoço de Santana, enquanto depositava beijos molhados e famintos por lá. – Me deixou louca o dia todo, San.

— É? – A Lopez levou a mão direita para trás e segurou os cabelos louros da menina que encoxava-a, com firmeza. Fechou os olhos castanhos também, e sentiu o corpo inteiro se arrepiar com a chupada que Brittany iniciou em sua pele visível, juntamente com a entrada dos dedos finos camisa acima, no tempo correto, apertando o seu abdômen liso para trás, a fim de estabelecer mais contato ainda com ela, passeou a mão por lá, pressionando as digitais na região, explorando-a, e Santana já não sabia mais se conseguia falar alguma coisa com a atitude decidida da loira para cima dela. Os seios de Brittany pressionados nas suas costas, e a respiração descompassada evidente, te aqueciam. – Britt...

— Fala.

Santana rodopiou o corpo ficando de frente para a Pierce. O que ela queria falar, mesmo? Por um breve instante, elas ficaram se analisando, seus olhos expeliam puro desejo ardente, lutando contra si, cara a cara. A loira segurava sua silhueta, e ela havia alcançando o pescoço da mesma. Ambas sentiam algo explosivo queimar por dentro. Todavia, ficaram caladas. A mais alta levantou uma mão e passou o polegar sobre os lábios carnudos de Santana, devorando-os com a imensidão azul de seus olhos travessos, antes de tocá-los com os próprios lábios, intensivamente, roçando-os com gosto, previamente ao beijo mais profundo no breu.

Ela queria sentir o sabor dos lábios e língua de Santana, sempre, sempre e sempre.

Cada milímetro possível, detalhadamente. Elas começaram a andar aos beijos, Brittany para frente de Santana, e a ela, para trás de si, sendo guiada pela outra no escuro. Foi quando a morena sentiu a beirada da cama da Pierce encostar-se à parte posterior de seus joelhos, sentou sobre os lençóis aveludados, e abriu os olhos, livrando-se dos calçados como um raio, ao mesmo tempo em que, a de pé, fazia o mesmo.

O jeito que Brittany a olhava agora...

Ela adorava vê-la daquela forma. Alimentando-se de seu desenho. Uma excitação, genuinamente cintilante, nos olhos azuis brilhantes que, geralmente lhe pareciam tão inocentes e graciosos. Deveras indecentes, na hora. E ela não conseguia parar de pensar nisso. Indecência, luxúria, sacanagem. Sua mente estava a arrastando para lá, para a zona de pensamentos vulgares, proibidos, humanos, onde moram os sonhos sexuais mais íntimos de alguém, escondidinhos. Pontos fracos. Não que admitisse tal coisa nesse momento, mas talvez, ter tido testemunhado Brittany S. Pierce fazendo strip-tease para ela quando mal se conheciam ao som de I’m A Slave 4 U no penhasco de Rosefield meses atrás, e depois quando, sem querer, observou-a com mais prudência um dia, no vestiário feminino, seminua...

Sempre seminua.

Bom, talvez as ocasiões, já tivessem feito Santana deixar-se a imaginar certas coisas, um pouco, digamos que: “indecentes” com outra menina. Mais do que uma ou duas vezes, a imaginação levou-a lá, diga-se de passagem. O que a deixava extremamente maluca. Em todos os sentidos. Porém, ela não estava sozinha nessa, muito pelo contrário. A Pierce estava com os mesmos pensamentos também, aliás, não eram nada recentes estes, mas sim insistentes. Só que, estava tentando bloqueá-los por enquanto, sem sucesso. Ela não fazia ideia se isso sequer passava pela cabeça de Santana, não seria justo se iludir sozinha. Mesmo com certas permissões interessantíssimas impostas pela morena, com aquela amizade colorida que possuíam, não queria tornar as coisas ruins de forma alguma, não queria estragar, forçar, ou coisa do tipo.

Mas, era uma tarefa quase impossível: não se deixar levar por tais visões.

A Lopez começou a se elevar na cama, indo para trás de costas, os pés descalços, durante o tempo em que Brittany engatinhava sobre o corpo dela, até elas posicionarem-se na altura mais ideal que, encontraram no colchão. Começaram a expulsar os travesseiros em excesso do lugar, todos para o solo, exceto o que Santana usava. Logo, as garotas retornaram ao toque apetitoso de bocas.

O paraíso na terra.

A Pierce, encaixada numa das pernas de Santana, contornou a lateral do físico dela com uma mão, até chegar à coxa torneada da mais baixa, apertou-a com veemência. Sua outra mão permanecia do outro lado do quadril moreno, exibido pela camiseta semi-levantada por seus dedos gélidos há poucos segundos. Perpassou os lábios rosados pela linha do maxilar delicado da latina, chegou à orelha dela e mordiscou-a, rindo das reações que provocava no corpo da outra jovem abaixo. Apertou-lhe a bunda com aquela sua mãozinha mais ousada parada ali na banda, coisa que nunca se atrevera a fazer antes. Estavam progredindo. E Brittany continuou sondando-a.

A sua voz, quando ela abriu a boca para falar algo:

— Você gosta disso?

Saiu de forma malandra, como nunca saíra anteriormente. E Santana, completamente tácita, se apoiou no ombro de Brittany com um braço, ao passo que a outra mão se enterrou por entre cabelos loiros, agarrando-os, enroscou uma perna por cima da de Brittany e sentiu a coxa da mesma pressionar seu sexo e começar a friccioná-lo instintivamente, durante a atividade dela de amarrar a líder de torcida ali em cima.

Britt... Britt... — Ela praticamente gemeu e puxou a cabeça da outra para poder dizer algo no ouvido dela. – Eu acho... E-eu acho que a gente... Q-que a gente devia fazer... Agora.

Brittany abriu os olhos e soltou o corpo da latina, percebendo sua audácia. Depois, ela apoiou ambos os braços, em volta de Santana, elevando o tronco antes deitado na garota, com as mãos, para fitá-la, e poder entender o contexto da frase.

— Com “fazer” você quer dizer: o que eu tô pensando que você tá querendo dizer?

Era difícil saber o que a Lopez pensava, Brittany precisava de palavras mais claras, quando se tratava daquilo, por mais que, praticamente já tivessem começado algo.

— Não sei... – Santana respondeu, trazendo a loira para baixo novamente, com as mãos, beijou-a, e em seguida tirou um tempo para mexer nos cabelos da outra e olhar fixamente para os olhos azuis de Brittany, como um acordo de confiança sendo trocado por olhos mútuos, ela resolveu voltar a dialogar. – Depende do que você está pensando, coração. Porque no meu caso, esse “fazer” que eu falei, tem a ver com algo mais... Algo mais... Mais... Você s...

Ela parou de falar. Por que estava enrolando tanto para achar palavras? Não fazia sentido. Do que tinha medo? Ela não precisava mais fugir de Brittany, afinal tinha que parar de tentar empatar o próprio prazer pessoal por bobagens e joguinhos de palavras ridículas, por conta de possíveis vergonhas, ruborizações, e falta de jeito, partidas de sua parte.

Ela não era assim, não era virgem, e não tinha medo de sexo.

Mesmo que fosse com uma garota. Não deveria ser tão diferente, qual é: pessoas nuas, excitação, beijos, toques, e por aí vai. O problema real e maior era que, Brittany causava disparos no seu coração, paz aos seus ouvidos, sorrisos aos seus pensamentos, e arrepios carnais a sua pele. Dia e noite. Nunca acontecera tal coisa antes. Entretanto, o sentimento-novo não a bloquearia de fazer o que sentia vontade de fazer no momento. Aquela falta de jeito, misturada a outros turbilhões não venceria a batalha traçada, jamais. Contra Santana Lopez? Ninguém podia vencer. Ainda mais sentimentos dela mesma. Mudou de expressão, para uma mais decidida, e menos fugitiva.

— Algo mais? – Brittany perguntou, esperando ela terminar o raciocínio. – O que...

Santana retornou a fazer contato visual, para poder voltar a falar o que queria para a loira-deitada sobre ela, e não deixá-la assim: no vácuo, com a frase inacabada e confusa. Sorriu, mordendo os lábios finos avante, e aí, revelou:

— Bom, com “fazer” eu quero dizer, transar mesmo, Brittany.

O coração de Brittany começou a disparar, numa frequência bem maior que antes, e as bochechas coraram.

— Essa foi direta...

— É melhor assim. – Santana mostrou a língua e riu. – Era isso que você estava pensando?

— Sim...

— Ah, então você é meio safada, falsa-puritana.

Elas riram e Brittany fingiu bufar, seguidamente.

— Nem vem com essa história, sua chata!

— Você não pode me impedir, voltou a frequentar o clubinho-hipócrita.

— É pela Quinnie. Mas, vem cá San, isso... Isso tá dentro do nosso contrato legal de amizade? Importante eu saber.

Brittany sorriu largo com a própria brincadeira, estava amando saber que, aquilo, passava pela cabeça de Santana também. Uma onda de eletricidade e confiança começou a inundar seu físico, a quilômetros por hora e metros por segundo.

Duh...— A latina riu com a cara da garota e deu-a um selinho. – Faz parte do nosso teste. E o meu contrato com você é: faça o que você quiser comigo. Tá tudo bem. Se eu não gostar eu falo. E, vice-versa, minha amiga. Entende como funciona agora?

— Você e seus testes. – Gargalhou. – Deixa eu te contar, me sinto um elemento químico, que você pega e...

Shh...

Santana apanhou o tecido da camisa de Brittany e foi erguendo o tronco empurrando a outra para trás, até ficarem sentadas, estendeu os braços nos ombros da Pierce, roçando os lábios na boca dela, o toque tênue, deixando-a completamente besta.

— Parece bom pra você? – A morena indagou contra os lábios finos. – O nosso contrato.

— Parece ótimo...

— Foi o que eu imaginei.

Elas voltaram a se beijar, e Brittany chegou à orelha esquerda de Santana, apertando seu corpo ao dela, deslizou as unhas nas costas macias da garota, por debaixo do pano que a cobria, doida.

— Sabe, Sant, eu também acho que a gente devia fazer...

A mesma concordou, assentindo em seguida, aproveitando cada toque apurado nas costas quentes, em contraste a pele fria das mãos de Brittany. De olhos fechados, recebendo mordidinhas no lóbulo também, questionou:

— Você já transou com uma menina antes, Britt-Britt?

— Já sim... Uma vez.

— Ah, é? Hum... – A Lopez começou a morder o pescoço da garota que, se encurvou para trás facilitando os beijos. A latina foi passando a mão dominante por cima dos seios cobertos de Brittany, ao mesmo tempo em que cuidava do pescoço, até chegar à barra da camiseta usada pela mais alta, e começar a levantá-la, tateando a barriga magra e o entorno. – Eu não. Mas... – Voltou a beijá-la na boca, habilidosamente. – Eu posso aprender.

Os olhos azuis se abriram como um convite. E ela tirou as mãos do corpo de Santana, para conseguir se livrar da parte de cima de suas vestes. Jogou a camisa para o lado, quando conseguiu, e assistiu a morena copiar sua ação. Brittany engoliu a seco ao presenciar a frente do dorso de Santana tão próximo, com apenas o tecido vermelho do sutiã cobrindo-o da nudez, dessa vez. A loira apossou-se dos cabelos negros, agarrando-a pelo crânio ferozmente, beijou a Lopez que, por sua vez, a empurrou para trás, de repente.

Ela levantou da cama, rindo.

Brittany observou-a descer, tirar o celular dos bolsos, soltá-lo no criado mudo, abrir o colar, libertar o pescoço moreno e aterrissar o objeto-novo junto ao aparelho. Deu então uma volta até a frente da cama, despreocupada.

Ela abaixou as calças, de costas, ficando enfim seminua.

Santana se voltou para a loira, imediatamente, e começou a andar para trás, chamando-a.

— Vem cá, Pierce...

A mais alta obedeceu-a, super-cativada com a cena, e logo desceu do conforto da cama. Corpo e alma, enfeitiçados. A morena chegou junto no mesmo segundo, fazendo-a voltar à trilha que percorra, agarrou as laterais da calça da garota e começou a descê-las com um sorriso obsceno na face, até tirá-la do corpo de Brittany por completo, agachada. Puro fogo. Quando voltou para cima, o que não demorou muito tempo, ela atacou os lábios rosados com um beijo mais lascivo que já havia dado-a. Voltaram à cama, chocando os lábios, tocando as línguas. A latina subiu em cima do colo da Pierce e atrelou as pernas em volta dela. As mãos de ambas passando por toda a extensão de seus físicos, durante: rosto, pescoço, ombros, braços, curvas, bunda, coxa, tudo que conseguiam apalpar. À medida que, os beijos esquentavam mais e mais, seus corpos alucinados de desejo tornaram o cômodo um forno escaldante.

No entanto, a carne demandava mais.

Os dedos finos decorreram a parte superior das costas de Santana, no meio de um beijo, achando o feixe do sutiã, abriu-o depois de posicionar a mão no local correto, decidida, e a latina elevou o tronco, soltando a mão de sua perna branca, para deixar a peça escorregar pelos ombros desocupados dela, se livrando dele, velozmente, assim revelando os seios fartos que dispunha. E aquela se tornou outra parte preferida de Brittany contemplar, em relação à obra de arte que Santana era diante de seus olhos. A mais baixa pegou as mãos dela e colocou-as nos seus seios pelados, e ela tateou-os em seguida, com água na boca. E após admirar sua outra descoberta sobre o corpo da ex-líder de torcida, faíscas mais selvagens brotaram no interior dela que, puxou a morena sem-vergonha para si, abraçando-a de forma com que se virassem nos lençóis afáveis, com seu impulso atlético, trocando-as de posição, naturalmente. Rapidamente. Sem complicações.

Olhos castanhos e azuis possuíam as pupilas dilatadas, e concentradas.

Desse modo, Brittany permaneceu inserida no meio das pernas morenas, só que agora em cima, e segurou os pulsos da de baixo, ao lado da cabeça dela, imobilizando-a. Era sua refém. Moveu-se e entrelaçou suas pernas com as da outra de forma encaixada, e correu a língua pelos próprios lábios, molhando-os, enquanto olhava para o rosto de Santana.

— Você é linda...

Depois de deixar essas palavras escaparem, Brittany arriou a cabeça e beijou a garganta de Santana, descendo a língua macia pela clavícula evidente da outra, depositando beijos em toda parte. Era tão cheirosa. A pele descoberta de sua barriga contra a de Santana foi capaz de constatar os pelinhos dela se arrepiarem com os seus, ainda mais, quando os lábios rosados chegaram ao seu peito esquerdo. Abocanhou-o. A Pierce direcionou os olhos para cima, notando a outra se contorcer em caretas de prazer, à medida que iniciou uma sessão de sugadas no mamilo rígido dela, e então soltou os pulsos de Santana, ocupando uma mão de segurar o outro seio, massageando-o, e a outra de se enlaçar a cintura dela, ligando-as.

Seu joelho esquerdo transcorreu para o meio das pernas da Lopez, tencionando sua intimidade.

A latina dobrou o corpo para trás e perdeu os dedos nos cabelos de Brittany, segurando-os, a fim de trazer mais tensão as chupadas e apertos nos seus seios, para sincronizar a pressão que recebia abaixo. Podia gozar a qualquer instante. Não que precisassem transar de fato para isso ocorrer. Ops... Ela arranhou as costas brancas de baixo para cima, avermelhando-a com o desenho das unhas. A Pierce moveu a boca para o outro mamilo da latina e manteve o trabalho de excitá-la roçando sua articulação na calcinha úmida de Santana, nem se importando com os arranhões cordiais.

— Porra, B-Britt...

Ao ouvir a voz falhada da mais baixa, Brittany sorriu divertidamente, se apoiou no colchão e subiu a face, voltando a beijar os lábios carnudos, afastou o joelho do sexo de Santana e levou sua mão direita para lá, substituindo-o, alisou a garota por cima da roupa íntima. A temperatura era brasa, com certeza. Daquela maneira Brittany poderia/ou queria fazê-la gozar ainda vestindo algo no corpo, não parecia muito justo. Nem um pouco. Bom, não chegou a ser um problema, pois a loira, constatando os gemidos abafados de Santana contra seus lábios rosados, parou o movimento que fazia com seus dedos na calcinha vermelha. Um vazio se instalou. Os olhos castanhos se abriram confusos e um tanto quanto furiosos com a pausa da outra. Ela estava tão perto e tudo foi-se embora. Quer dizer, quase.

Brittany mordeu a boca, escondendo a risadinha dada.

Como resposta aos olhares recebidos, a líder de torcida retornou com os beijos ao pescoço da latina, com intenções mais pervertidas ainda passando pela cabeça pensante, e suas mãos sagazes deslizando pelos braços morenos. Arranhou-a docemente. Foi guiando-se para baixo, trilhando um caminho de chupões, lambidas, e apertadas no corpo subordinado ao seu, sendo assistida por Santana. Parou na parte que tanto queria então, fitando o único tecido que sobrara no corpo moreno, enroscando os dedos no elástico da calcinha da outra, mandou um olhar travesso aos olhos castanhos à frente. Pudor não existia mais. E, depois de uma rápida leitura, percebeu que essa permissão que esperava, ela já tinha da outra. Passou a tirar a peça de Santana, serenamente, pelas coxas, pés, podendo enxergar a vulva molhada dela, sucessivamente a isso.

Jogou a calcinha para algum canto do quarto, atenta.

Assim, a Pierce juntou os lábios à parte interior da coxa direita da outra, passando as digitais dos dedos na parte exterior das coxas que se apossava, provocando Santana com arrepios propositais, se encaixou ali abaixo, com aquele seu rosto tão perto da intimidade pulsante e excitada dela, que carecia de mais toques vindos da loira, urgentemente. E ela, lá, por sua vez: mordiscando em volta. Nada honesto vindo da Pierce. Santana queria dar uns tapas em Brittany como vingança pelo seu sofrimento, não aguentava esperar, era torturante.

— Isso é jogo baixo... – Reclamou, erguendo o tronco com os cotovelos. – Sabia disso, né coração?!

— Literalmente, San. – Ela replicou beijando a região abaixo da barriga de Santana agora, descendo pela área, dando-a calafrios ansiosos. – Literalmente, bem baixo mesmo...

A Lopez fechou os olhos com força e deitou as costas ao colchão, quando sentiu a língua quente de Brittany atingir seu clitóris de surpresa, após os dedos finos separarem seus lábios genitais. Em seguida, a boca rosada e meio inchada se conectou por completa a sua pele sensível íntima, e passou a chupar o ponto erógeno, com o auxilio de sua ágil língua carinhosa, sedenta, e as pernas da de baixo passaram a abrir, mais e mais, para a loira continuar a fazê-lo. Não era preciso falar nada, pois seu corpo já fazia isso por si só, sem controle. Logo, o quarto de Brittany foi preenchido por gemidos mais altos de Santana, que agarrou o tecido da cama. Brittany apoiou uma mão na barriga morena, e com a outra ela tocou a intimidade da Lopez, insinuando que iria penetrá-la com dois de seus dedos pálidos, brincando, logo ali, em sua entrada. Parecia que ela gostava de provocar bastante. A latina sentia que estava pagando o preço agora, por provocá-la de outros jeitos, tantas vezes.

Ela se animou com os suspiros de Santana, necessitada por aquilo.

Ela também queria. Passou a sugar o clitóris com mais vigor entre lábios rosados e deslizou um dedo de cada vez para dentro da vagina molhada de Santana, finalmente. Sentiu as paredes da estudante se contraírem contra os seus dois dedos profundos nela e passou a movimentá-los em vai e vem, de maneira lenta. Ok, isso sim era insano. A excitação só aumentava. Santana era linda demais. Perfeita, tudo de bom. Brittany afastou os lábios da intimidade da garota e subiu o tronco, não deixando de tocar a mulher, beijou Santana com ternura, e obervou olhos castanhos desviarem dos seus, ao se abrirem para vê-la. Talvez, devido à situação em que se encontraram agora. Uma posição meio indecente, de ambas as partes, se parassem para pensar.

— Hey... – A loira pronunciou baixinho, pegando o rosto da adolescente com a mão livre. – Olha pra mim, Sannie...— Pediu carinhosamente passando um polegar pela bochecha em mãos, como se não estivesse fazendo nada de indecente e sexual com a outra mão lá embaixo, acariciando a abertura. Incrível. Recebeu a atenção de Santana depois, e assim continuou. – Se você sentir qualquer desconforto me fala. Ok?

— Pode deixar. Tá tudo bem... – Sorriu com as covinhas, abrindo a boca em “O” posteriormente, ao sentir o bombeamento dos dedos de Brittany dentro dela aumentar de intensidade, mesclado a atritagem de polegadas em seu “botão”. – Bri-tta-ny... Nossa... D-Dios mio... Mais rápido... Humm, corazón...

— Eu quero que você olhe pra mim, nos meus olhos, vai San...

— Eu não... N-não... Dios... Não para, Britt!

— Olha, por favor.

O-ok...

Seus olhos fixaram-se nela enfim. Nos olhos azuis de pupilas pretas, animalescos. E a loira finalmente atendeu ao pedido de Santana, quando a mesma atendeu o seu, e as estocadas ficaram mais acentuadas e rápidas. Mas, ela não queria que acabasse tão cedo, portanto vira e mexe mudava a velocidade dos dedos dentro da sua paixão, para poder ver suas feições perfeitas desvairadas de vontade, por mais tempo. E então, ela voltou a beijá-la com luxúria, sem medo, enquanto a Lopez rebolava nos dedos dela. Aquele beijo enchia a outra de amor, por mais que ela não soubesse disso ainda, descobriria. Brittany sentia a respiração de Santana correr por suas próprias veias. Era notável que a Lopez estava prestes a chegar a um orgasmo. Ela se agarrou aos cabelos louros, arranhando a cabeça de Brittany, que intercalava beijos do seu pescoço para sua boca, até que finalmente veio. Pararam. O líquido de Santana cobriu os dedos de Brittany e progressivamente ela retirou-os da intimidade da outra, subindo-os até a altura da boca, saboreando pela primeira vez o gosto de excitação da latina, meio acanhada, lambeu as digitais.

Santana relaxou as costas, sentindo puro êxtase percorrendo nas artérias, veias, e células do corpo.

Brittany sorriu com os olhos castanho-escuros observando-a admirada, e chupou os dedos, de novo, com vontade.

— Gostosa demais...

— Safada. – Santana enunciou, suspirando e espreguiçando-se abaixo da mais alta, esparramou os braços para os lados, com o rosto feliz, enxergando o teto de estrelas falsas. – De puritana não tem nada, você. – Voltou a focar os olhos na loira, imediatamente. – Sua gulinha...

— Eu falei que não era puritana. Quis duvidar de mim, tá aí, pagou a língua.

Elas riram ofegantes, sentindo os seios, ritmadamente, subirem e descerem uns contras os outros. Os nus da morena abaixo e os cobertos da loira acima. E os corações foram tomando batidas cada vez mais lentas. Mas, algo ainda não havia apagado mediante ao calor do ambiente. Retomaram o oxigênio perdido. Santana trouxe os braços de volta ao corpo seminu e afundou os dedos delicados nos cabelos loiros, beijou Brittany mais calmamente, misturando sabores diferentes na boca. Parou, encarando-a séria. E disse:

— Sua vez, Britt. Quero você sem roupa. Agora.

Hã?

— Isso aqui é uma injustiça... – Apontou para o físico, e a Pierce observou o corpo pelado de Santana, novamente, se perdendo na imagem adorável. – Temos que ser justas, certo?

— É. Sempre... – Ela se moveu um dedo para cima, olhando para os olhos castanhos maliciosos à frente, mordeu o próprio lábio inferior. – E como podemos começar a justiça?

— Não se faz de boba...

De repente, a morena enroscou as pernas em volta da Pierce que, situava-se deitada sobre sua barriga, e fez com que ambas girassem na cama de casal.

— Vamos...

Ela começou a puxar pausadamente as alças do sutiã preto da líder de torcida, na qual estava montada, roçando a retaguarda dos dedos na pele branca. Seus lábios voltaram a colidir-se em sincronia, quando Brittany subiu o tronco, ficando sentada, segurou a sua silhueta nas mãos com vicejo, e seus rostos chegaram perto. Era uma perfeita sincronia que criavam. Só delas.

Notas finais
Feliz ano novo, pessoinhas! Começamos 2018 bem? Espero que sim kk. Até mais ♥