Notas iniciais
Duas músicas, Since We're Alone e Safe & Sound (Stefany e DISTRITO7 ♥♥♥)

Por que Brittany S. Pierce dormia com tantos travesseiros sobre a cama?

Já de inicio, era justamente isso que Santana Lopez almejava saber dela, através daquele “jogo” de sinceridade em seus aposentos. Foi assim, pá-pum, complicado. Agora, Brittany sentia necessidade de mentir e a conversa mal começara. Nada bom. Ela ouvia seu organismo implorá-la penosamente para correr, não lembrar, não dizer, não sentir, não se abrir.

Mas, percebendo os sinais, a réplica dos olhos castanhos aos azuis foi: não fuja.

Então, ela não o faria. Nunca mais, se fosse capaz. Porque ela queria contar tudo a Santana. Tudo. Independentemente das sensações que brotassem nela mediante a recordação. Aliás, mediante a toda a conversa. Sozinhas, só estavam as duas naquele quarto, naquela casa, naquele exato ponto de Rosefield, com seus corações quase na palma da mão uma da outra. E tudo dependia disso. Da honestidade expressada com qualquer palavra que surgisse nos lábios rosados e depois nos da outra, partindo daquilo. Ela podia arcar com isso. E bom, a verdade era que, nem sempre foram travesseiros ocupando tanto espaço naqueles lençóis.

Com cinco anos de idade...

Brittany foi levada a um lugar. Se perguntassem a ela o caminho percorrido até lá, não saberia dizer. Em contrapartida, com sua estatura na época, ela recordava de tudo que conseguia ver ao entorno da área visitada. Tinham imensas, gigantescas e enormes gôndolas espalhadas por todo lado, todas sem cor, sem vida, sem nada, exceto altura, embora o que mais tivessem sobre elas fossem brinquedos com uma variedade tremenda de pintura, tamanhos, utilidades e preços. Contudo, não a importava. Ela não conseguia enxergar. Logo, não queria estar ali, e também não via sentido em estar ali. Era uma loja qualquer, num dia qualquer, em qualquer canto de Seattle. Mas, a pequena loira só queria estar em seu quarto, junto a seu novo teto de estrelas, a única coisa que lhe fazia sentir-se perto da mãe, realmente, pois a mesma havia se transformado em uma no céu, segundo o seu pai.

— E aí, já pensou no que vai querer levar? – Robert indagou enfim, olhando para a baixinha calada com quem andava de mãos dadas. – Brittany...?

A menina direcionou a visão para cima para poder prestar atenção no homem. Se não estivesse enganada, podia jurar que ele falara algo a ela. Arriscou-se:

— O que?

— Já pensou no que vai querer levar pra casa?

Ahn...— Ela fitou o corredor em que os dois se encontravam de um lado a outro, concentrada. Vários e vários bichinhos de pelúcia cercavam-nos. Do seu ponto de vista, nenhum interessante. – Papai, eu não quero nada.

Ela só estava sendo franca, e, aquele ambiente tinha tanta luz, mais tanta luz, que, lembrava-a de hospitais, odiava isso.

— Como assim, filha? Dá mais uma olhada.

— Vamos embora?

— Oh, certo. – Ele agachou de frente para a menina. – O que houve? Me conta. Não combinamos que acharíamos amiguinhos pra ficar com você de noite?

— Sim, mas eu não quero mais.

— Por quê?

— Eu... Não sei... Só quero ir pra casa.

Robert respirou fundo e compreendeu, apoiando as mãos nos braços da criança, continuou:

— Olha Brittany, eu não quero mais ter que te dar medicação pra dormir, você sabe. Eu e a doutora Vivian percebemos que você tem mais pesadelos ainda quando toma, e não é sempre que o papai pode ficar com você quando acontece, então, por favor, dê uma chance aos bichinhos. Já estamos aqui, não temos nada a perder, só a ganhar. Tudo bem?

Naquele momento, somente os olhos verdes compreendiam os azuis, só eles sabiam o que era cada noite, cada dia, cada sono. Ela concordou. Afinal, seu pai e ela tinham combinado.

— Tá bom...

Robert sorriu.

— Agora, vejamos, que tal uns ursinhos? Acha que combina com seu quarto? Ou talvez, borboletas, raposas... – O Pierce olhou para o lado e esticou a mão pegando a pelúcia mais próxima, brincou com Brittany. – Macaquinhos? Eles gostam tanto de você!

Ela riu os negando, e Robert, devolveu o brinquedo ao posto, levantou sorridente e a pegou no colo, erguendo-a até o pescoço, fez com que ela montasse ali.

— Ok, vamos continuar a procura.

E fora assim que seu antigo quarto em Seattle lotou-se de fofos unicórnios coloridos que, com o passar dos anos, tornaram-se infantis demais para se possuir sobre a cama de uma adolescente crescida cheia de novas amizades, sendo substituídos por travesseiros com fronhas e formatos diferentes depois, eles sempre cumpriram sua função primordial com a garota, a de não fazê-la sentir-se sem chão, sem apoio, sem nada, em função de qualquer um dos pesadelos intrusos do anoitecer.

Olhos azuis piscaram vagarosamente e Brittany desviou-os um pouco de Santana...

— Desistiu do jogo?

— Não San, só estava pensando. – A loira esclareceu e retornou ao contato visual de antes. – Quando eu era mais nova, eu tinha muitos pesadelos. Muitos mesmo. Tive até que tomar remédio pra dormir, por quase um ano, porque eu me forçava a ficar acordada todas as noites. Eu tinha esperanças que assim eles parassem, mas não foi o que aconteceu. Ao invés disso, com a introdução dos soníferos, os pesadelos foram piorando e eu acabava acordando sempre em pânico, caindo da cama, suando e etc. Era como se eu dormisse, mas continuasse sem dormir, acordada a todo o tempo, mas presa lá. – Ela suspirou. – Ficava tudo bem quando o meu pai tava comigo, a presença dele me acalmava muito, bastava ele segurar a minha mão que tudo passava. Só que, não era sempre que ele podia estar. Aí, a gente combinou um dia que eu teria “companhia” no escuro, porque sim, eu já tive medo do escuro, e arrumamos um monte de unicórnios de pelúcia, e sempre que acontecia algo, eu os tinha pra abraçar. Enfim, desde, sei lá, meus trezes anos, são travesseiros no lugar dos unicórnios, porque, bom, acho que as pessoas crescem e deixam bichos de pelúcia pra trás.

Ela não sabia o porquê, mas esperava que a Lopez risse daquilo. Quem não riria? Esperou o pior.

— Nossa Britt, isso é sério... – Ao passo que falava, Santana acomodou-se mais perto ainda do corpo da estudante avante, sem efetivamente notar a própria ação. – Quer dizer que, você sempre dormiu mal?

De imediato a líder de torcida se surpreendeu com a preocupação da latina. Quando olhou para os olhos castanho-escuros era como se ela visse o nascer do sol. A luz existente por trás do rosto de Santana ajudava-a a perceber, ela podia se abrir, ela podia entregar seu coração, ela podia expor a alma que residia naquele físico.

— Não, nem sempre. – Brittany respondeu íntegra. – Na verdade, meus pesadelos frequentes só voltaram quando me mudei pra cá... E, eu diria que, ficaram bem piores com a chantagem... Talvez, estar nervosa com alguma coisa relevante ajude, não sei.

— Entendi. – Abruptamente, a garota irritou-se. – Tá vendo o que a porcaria da Kitty fez?!

— É...

— Só espera pra ver quando ela se recuperar, digo e repito: ela não vai sair ilesa.

— Santana...

— Você precisa fazer algo, e rápido, em relação a esses pesadelos. – Cortou-a em tom de ordem. – Sabe disso, né?

— Sim. – A mais alta assentiu verdadeiramente e, de relance, lembrou-se de sua manhã. – Fiquei sabendo hoje que, eu tenho que falar, obrigatoriamente, pelo menos três dias da semana, depois do recesso, com a Emma. Então, eu acho que já é alguma coisa.

— Que bom, porque isso fica me lembrando de quando eu tive que te salvar num dos treinos das Cheerios, sabe? Quando seu vício em café tava extrapolando limites. Nada bonito. Não quero que aconteça de novo...

— Juro que não vai mais acontecer doutora Lopez, você tem a minha palavra.

— Claro, tem que jurar mesmo, viciada.— Ela sorriu e entrou na brincadeira. – Não quero só palavras Brittany, quero você bem na prática. Senão vou ter que te mandar para aqueles grupos de apoio “super-legais”.

Elas riram.

— Falando nesse seu vício, essa seria minha próxima pergunta. Mas, já entendi o motivo pra você gostar tanto de café. Compreensível e eu meio que já suspeitava. Só que isso não substituí sono menina, espero que entenda...

— Entendo sim. – A loura revirou os olhos enquanto assentia para a outra e apoiou as mãos numa perna que, situava-se dobrada sobre o colchão. – Sua vez Sannie, prepare-se...

— Já?

— Já.

— Certeza?

— Sim.

— Sei não, hein...

Brittany cerrou os olhos em direção a Santana e fez biquinho. Ela queria ser chata. A loira não deixaria aquilo sair dos eixos agora, mesmo querendo rir com as chatices da Lopez.

— Você tá tentando me enrolar e eu sei muito bem dos meus direitos aqui nesse jogo. Então, por favor, os respeite. Vamos ver...

Ela tornou-se introspectiva e morena gargalhou.

— Ah, me desculpa coração, não foi minha intenção.

— Tá, vamos fingir que não foi mesmo. – Alegre, a Pierce concordou, e, após ajeitar a coluna na cabeceira da cama, ficou séria. – Por que você gosta tanto de correr?

Santana sorriu.

— Porque me ajuda a pensar.

— Só isso?

— É... Simples assim. – Ela confirmou e riu da cara de boba da outra. – Por quê? Você esperava o que?

— Não sei. – Brittany admitiu e resolveu acrescentar: – Às vezes te olhava durante os treinos e me perguntava se você nunca se cansava, se você não tinha alguma pira com exercícios físicos, coisas assim, sem falar nas suas corridas insanas de final de semana...

— Hum, olha, eu não tenho pira nenhuma com isso, apenas gosto. Convenhamos entre nós, à única pessoa que tem piras aqui é você que, ao invés de treinar na sua, ficava me olhando.

A loira riu sem graça, descendo os olhos para baixo, sorriu absorta.

— Ponto. – Ela disse e voltou a fitar a morena. – Mas, era impossível não olhar a melhor.

Antes que Santana pudesse dizer qualquer coisa, Brittany inclinou o corpo para frente e segurou a face dela, lhe roubando um beijo. Ah, como ela queria fazer isso. Depois de um tempinho, a Lopez separou-as.

— Quem está tentando me enrolar agora é você.

— E funcionou?

— Não né, eu tô levando a nossa conversa a sério, Piercezinha.

— Eu também, Sant, eu também.

A mais baixa riu e deu-a um selinho com direito a mordida.

Ai...

— Era pra doer mesmo. – Santana expôs num sorriso divertido e começou: – Ok...

— Uma hora tudo isso terá volta.

— Claro, claro... Então, tem uma foto de uma mulher ali na sua estante, acho que você deve ter esquecido lá, não sei... Mas, aquela é a sua mãe?

A Pierce assentiu em completo silêncio.

— Ela parece muito com você, com exceção dos olhos, lógico.

Ahn, é. – A loira concordou. – Ela parecia mesmo...

A morena assistiu as expressões de Brittany mudarem, simultaneamente, com a aplicação do verbo ‘parecer’ no passado.

— O que aconteceu?

— Ela... Ela morreu... Quando eu tinha quatro anos, num acidente de carro.

Choque.

— Ah, sinto muito, Britt. — Santana disse quase em um sussurro e, involuntariamente, alcançou uma das mãos da outra adolescente segurando-a, não sabia muito bem o que fazer, talvez não fosse certo continuar mexendo naquela questão delicada, mas já que começara, terminaria. – Qual era o nome dela?

— Wanda. – Ela respondeu tentando segurar as malditas lágrimas que queriam desesperadamente escorrer bochechas abaixo, depois piscou uma, duas, três vezes, com vigor. – A pior parte é que... – Brittany afastou sua mão de Santana, encolheu-se e passou a movimentar os olhos para qualquer ponto que não fosse à mesma, não costumava falar uma palavra sequer de sua mãe para os outros há certo tempo. – Mesmo crescendo com todo mundo me dizendo que eu não sou a culpada por ela ter morrido, de vez em quando, ainda sinto como se fosse... E-eu... Sou tão idiota...

— Como assim? – Santana intrigou-se. – Por que acha isso?

— Porque eu estava com ela e... – Brittany respirou fundo e passou as mãos rapidamente sobre os olhos. – A gente teria ido direto pra casa se eu não tivesse inventado do nada que, queria que passássemos numa floricultura antes.

— Você tá dizendo que estava dentro do carro na hora?

— Sim.

— Meu deus... – A morena pronunciou baixinho extremamente tocada com a história, imediatamente ela então, se conectou ao sentimento de dor e medo daqueles olhos azuis cabisbaixos autênticos e a empatia que a habitava ligou-se de maneira tão forte dentro de si, como ela nunca havia feito antes que, talvez chorar fosse inevitável para ambas. Brittany sentia uma culpa que não deveria sentir. Aquela culpa podia ser deveras destrutiva a uma pessoa. A garota não merecia isso. Santana queria ajudar. – Foi um acidente, não é e nunca foi sua culpa Brittany, é injusto você carregar isso nas costas.

— Eu só... Só... Não devia ter saído da rotina.

E as lágrimas escaparam de ambos os olhos à medida que se observavam.

— Não fala isso. – A morena puxou-a para um abraço. – A gente não tem controle sobre tudo.

— Eu sei...

Elas ficaram quietas no abraço por algum tempo.

— Seus pesadelos começaram depois disso, né?

Brittany confirmou.

— Eu acho que você tem que se abrir com a Emma, de verdade... Ela é uma boa pessoa, não esconda nada... Tá?

Ela concordou com a cabeça e não soltou Santana dos braços.

— Obrigada por estar aqui... – Brittany agradeceu apertando os olhos, ela não queria ter chorado. – E me desculpa, não consegui segurar, não falava sobre isso com ninguém há muito tempo.

— Não se desculpe, tá tudo bem, entendo o porquê.

(...)

Depois de uma relativa pausa que as garotas decidiram fazer no jogo, por causa do excesso de emoções que surgiram derivadas do assunto Wanda, elas distraíram-se naturalmente com uma foto recém-revelada que Robert entregou nas mãos de Brittany ao chegar a sua residência pouco depois. O homem havia batido incisivamente na porta do quarto da filha, e quando as estudantes decidiram levantar para dar um sinal de vida a ele e sair daquela calada bolha em que elas se mantinham, o Pierce dissera com um sorriso de orelha a orelha: “Revelei aquela foto que tiramos no Natal!” que, basicamente, não se tratava da melhor das selfies, mas todos estavam enquadrados e fazendo caretas, Holly, Robert e elas. Por isso, e talvez só por isso, fosse a melhor foto de Natal de todas. Pelo menos para a morena, que não parava de fazer piadas com todos os novos detalhes que encontrava numa só imagem.

— Acho que vou pendurar essa foto aqui na cabeceira.

— É uma boa ideia, Britt.

Elas riram e a mais alta largou a foto no meio da cama, entre ela e Santana.

— Esse deve ter sido o melhor feriado da minha vida.

Brittany admirou-se.

— É sério?

— Sim.

— O meu também. – Ela sorriu. – Mas, você não consegue pensar em nenhum outro que pelo menos chegue perto, San?

— Não. – Santana simplesmente disse indiferente. – Os feriados com a minha família parecem sempre iguais.

— E isso quer dizer?

— Quer dizer que, desde que eu me lembre por gente, meus pais me obrigam a participar de tudo, mas sempre foi como se eles não me quisessem lá.

— Ah...

— Bem contraditório, eu sei. – Ela riu. – Eu costumava me importar, só que desisti... Sinto pena da criança que minha mãe tá esperando.

— Talvez, eles mudem. – A loira foi otimista, queria acreditar que fosse verdade, por isso disse o que disse, mesmo que tudo levasse a pensar que isso estaria longe de acontecer ainda. – Não conheço seu pai, mas sua mãe parecia estar feliz...

— Não, você não conhece os dois. Eles não querem mudar, eles só fingem que querem e fazem pose para os outros. É diferente. – Santana afirmou e botou um sorriso nos lábios de novo, após encerrar aquele diálogo. – Mas, me diz: qual sua comida favorita? Se é que a gula tem uma, né?

Elas riram.

— Minha comida favorita? – Brittany repetiu e pensou ligeiramente. – Macarrão, eu acho, e a sua?

— Lasanha.

— Ah, não vale, isso é tão difícil!

— Sabia que acharia difícil... – Santana se animou com a reclamação de Brittany e avisou: – Porém, você só pode ficar com uma. Qual vai ver?

— Ok... Vai, macarrão mesmo.

— Ótima escolha, tô orgulhosa de você. – A latina tirou onda e mostrou a língua. – Sua vez.

Ahn, bebida favorita? – Brittany correu a se corrigir antes que Santana entendesse-a errado: – Ou melhor, bebida não alcoólica favorita?

Santana gargalhou com a preocupação besta da outra em relação à pergunta feita e, sem mais delongas, disse:

— Bom, agora deve ser chá gelado e a sua?

Argh, chá gelado?

— É, qual o problema?

— Tem tanta coisa melhor, tipo, suco de morango.

Ela riu de Brittany.

— E essa aí seria a sua bebida favorita, coração?

— Sim, ou de pêssego...

— Claramente, pudemos ver aqui hoje, como a senhorita fica indecisa além da conta em relação à comida. – Santana comentou alfinetando-a amigavelmente. – Nesse caso, rápido, doce preferido?

— Sorvete! – A Pierce falou no mesmo instante. – E ainda arrisco a dizer que é o seu também.

— Espertinha...

Vitória.

— Filme favorito?

— Kill Bill, já assistiu?

— Não. – A garota fez uma careta. – Mas, sei que tem cenas bizarras.

— Que nada. – Santana riu. – E o seu, qual é?

— Titanic.

— Lógico, pra combinar com o ser sentimental que você é.

— Não tem como superar esse filme, você sabe...

— Claro que tem!

— Não mesmo! Você assistiu errado então, Sannie. Depois você vai ter que ver de novo comigo, vou ficar bem do seu lado, e aí quero ver se não caí uma lágrima que seja dos seus olhos. Isso não existe...

— Ok, como quiser Britt, tá apostado. – A morena rendeu-se facilmente e voltou ao jogo: – Já que entramos no quesito filmes, qual seria a sua animação favorita?

— A Dama e o Vagabundo.

Santana riu.

— Assim não dá, Brittany.

— Não me julgue, é tão bonitinho, e aquela cena do macarrão então...

— Ah, eu julgo muito sim! – Ela disse entre risadas enquanto via a outra emocionar-se. – Você é tão boba.

— Qual a sua, afinal?!

— Mulan.

— Ok, hum, qual a música que você mais odeia?

— Ah, fácil, seria Barbie Girl do Aqua.

Brittany deu uma super-gargalhada irônica.

— Sério mesmo, Santana? – Questionou descrente. – A música que você cantou e dançou loucamente no Halloween? Estamos falando dela mesmo? Ou eu ouvi errado?

— Não me zoe Britt-Britt, eu só tava achando engraçado na hora porque é a música da Fabray, duh.

— Sei...

— E a sua?

— Ah, acho que qualquer música do ASAP Rocky e companhia.

— Nossa, que direta.

— Não dá! As letras são horríveis, você sabe.

Uhum...— A morena riu da indignação de Brittany. – As festas que eu frequentava em Lima só tinham músicas assim.

— Medo das festas que você frequentava... – Elas riram. – Desculpa.

A Lopez deu de ombros.

— Vamos pras músicas favoritas?

— Tá bom, a minha seria Toxic...

— Ah, tão previsível, fãzinha-da-Spears.

— Ok, ok! Então, eu diria que a minha música favorita de agora é Treacherous.

A mais baixa sorriu satisfeita.

— Uma pena eu não ter pegado a sua performance inteira.

— Bom... – Brittany sorriu junto a ela. – Eu posso chamar o Sam qualquer hora e a gente se apresenta exclusivamente pra você ou eu poderia ir além e cantar sozinha, quando não estivesse com tanto sono, é claro...

— Adoraria ver.

— Legal, então tá combinado... – Ela passou a mão no rosto moreno e manteve aquele maravilhoso contato visual. – Com uma condição.

— Que condição?

— Você cantar a sua música favorita agora pra mim.

— Ok.

“Don't tell me to stop, tell the rain not to drop, tell the wind not to blow, cause you said so, mm...”

— Pronto!

— Sua voz é linda. – Brittany elogiou meio desnorteada com o que acabara de ouvir, mal acreditava que a outra havia acabado de cantar mesmo, de novo, e não como voz de fundo dessa vez. – Espera aí, Don't Tell Me? Essa é mesmo sua música favorita ou está brincando?

Santana riu.

— Não, é essa mesmo, a Madonna é genial.

— Verdade. – A Pierce concordou e pensou na ironia da morena gostar daquela música, tinha tudo a ver com loucura que ela era. – Ok, o que você queria ser quando criança?

— Cantora e depois Química... Sei lá, tanta coisa. E você?

— Dançarina.

— E esse “sonho” mudou?

— Sim, mas faz pouco tempo, então, era só isso que eu queria ser quando criança.

Elas riram.

— Acho que você ainda é meio criança, hein...

— Ah, tá.

— Quando perdeu a virgindade?

A loira ruborizou e Santana riu dela.

— Só pra provar minha teoria.

— Tava demorando...

— Mas, eu quero saber mesmo.

— Ok, foi ano retrasado.

— Ah sim, mesmo ano que eu.

Brittany olhou para o teto, pensativa.

— Já que tocou nesse assunto, você ficou com mais alguém depois que a gente começou a... Você sabe.

— Não, não fiquei... – Santana respondeu fitando a líder virar-se para ela, novamente. – Eu só fico com uma pessoa de cada vez. Falando nisso, o que fez você namorar o Karofsky mesmo?

Argh, não me lembre disso.

— É um fato.

— Eu não sei dizer, não queria pensar em nada e ele vivia me seguindo, foi mais fácil.

— Você tem jeitinhos bem peculiares de resolver as coisas.

— É... Você ficou com quantas pessoas do McKinley?

— Nossa, que curiosa!

— Você é mais, mas cá estamos.

Ela revirou os olhos castanhos.

— Contando com você? – Brittany assentiu e Santana respondeu: – Quatro, e você?

— Você e o Karofsky só... Santana, você já namorou?

— Depois do pré-zinho? – Ela riu. – Não, e você?

— Já, duas vezes, sem contar com o David.

— E o que aconteceu com os outros?

— Continuamos amigos.

— Legal... Então... Você disse que já ficou com uma menina antes de mim, né? Como aconteceu?

— Ah... Bom... Essa garota, ela gostava de meninas abertamente, e nós éramos amigas há um tempo já... – Brittany ficou meio incomodada com a pergunta, entretanto conseguiu achar palavras. – Um belo dia, ela chegou e me disse que iria se mudar de Seattle e as coisas ficaram intensas demais... Aí, aconteceu. Não mantivemos contato depois que ela foi embora. Foi isso.

— Entendi.

Silêncio.

— Hey... Agora que a gente descobriu a verdade sobre o chantagista, ou pelo menos, quase toda a verdade, você vai voltar pras Cheerios?

— Com certeza, eu só preciso ter certeza do que esse novo chantagista quer antes. Então, é melhor a gente se focar no plano da Fabray direitinho, e não, eu não aceitei o fato da Kitty nos “ajudar”, é melhor que a capitã seja inteligente o bastante pra não contar tudo que fizermos pra essa garota, porque confiar nela cegamente vai ser a maior furada.

— Realmente...

E a conversa das garotas naquele quarto se prolongou um pouco mais. Cores favoritas, roupas favoritas, melhor estação do ano, matéria escolar menos entediante, pessoas em que definitivamente elas não poderiam confiar, pessoas nas quais poderiam com certeza, etc, etc, etc. Até que o sono as levou para longe com ele, em algum minuto da madrugada.

Notas finais
Até ♥