Notas iniciais
Eu esqueci de dizer mais fora a Saiory,eu acrescentei mais um personagem. Eu falei dele no capitulo 3 e ele é o dono da pensão que ela e o Zero moram. Então é isso! Espero que curtam esse novo capitulo e espero que gostem dele :)
Deixem reviewss!!!

Capitulo IV

–É o fim para ele! Acabou....

Enfim recolhe forças, toma coragem e corre velozmente gritando:

–...Mas não se eu puder impedir! -Mesmo que em seu intimo sabia que era tarde demais e que não podia fazer mais nada. Contudo ela iria tentar de qualquer jeito.

Ela, por pura sorte, consegue ficar entre Zero -de costas para ele- e a vampira. Sem saber se a vampira tinha o ferido com suas garras vira a cara encarando-o com certo sofrimento. Todavia não estava sofrendo porque a vampira tinha a ferido na barriga com uma das garras -na hora que Saiory estava quase entre os dois, a vampira notou seu movimento e tentou afastar suas garras, só que era tarde para Saiory, que acaba ferida-, mas por ele. Pois de alguma forma ela enxergava algo nos olhos dele que a fez se sentir angustiada e triste por ele.

Ela sente algo escorrendo de sua barriga, quando a vampira a feriu, e apenas continuava o encarando com o mesmo olhar, sem se preocupar se foi ferida ou não. Zero olha surpreso e atordoado para Saiory . Ele ainda estava imóvel pela cena que acabara de presenciar. Uma onda de energia e ira percorrem pelo seu corpo e agilmente move-se em direção da vampira, atira nela várias para acertar o peitoral. A criatura observa-o, com um brilho de satisfação, enquanto caia morta no pé da grande arvore.

Saiory sente uma dor percorrer pelo seu corpo e cambaleia, Zero adianta as mãos para segura-la. Entretanto ela põe a mão na direção dele, para impedir ele de segura-la, e com a outra tampou a ferida. Zero pausa sem reação, apenas lança uma olhada um pouco angustiado, sentindo a culpa. Ela tenta recuperar as forças se apoiando no tronco da grande arvore.

–Você está bem?

–Não se preocupe -Ela sorri amável para tranqüiliza-lo-, sou mais forte do que imagina.

–Eu sei disso. -Respondeu mais para si do que para ela.

–O que disse?

–Não é nada, não é melhor ir consultar um médico?

–Não! Já disse que vou ficar bem, não gosto de médicos. -Mentiu para ele com um tom teimoso.

Zero entende que aquilo não ia levar a nada e muda de assunto.

–O que você...o que você viu exatamente? -Seu olhar buscou o chão, se sentindo bastante culpado pela ferida dela. A imagem dela o olhando angustiada ficou em seu mente.

–O que eu vi?... -Ela não entende de inicio, mas depois compreende o que ele quis dizer.

-Quando eu te mirei, no instante em que ela me feriu, eu vi nos seus olhos que estava sofrendo consideravelmente, atribulado e furioso. Todos esses sentimentos misturados, só que pressenti que não era pelo que ela fez que você estava assim. Era por você....e eu....eu ouvi uma parte da conversa de vocês, quando estava me acercando -porque podia ouvir a voz da vampira alta e clara, com um toque adocicado-. A voz dela era de alguma forma envolvente, percebi que você estava se sentindo dessa forma quando as ouvia. Notei também que ainda está, de uma certa forma... -A expressão dela parecia melancólica.

Zero imediatamente vira a cara, porque não quer que ela o visse naquele momento, pelo o que ela disse. Ele não queria que ela olhasse mais nada, pois na sua opinião ela tinha visto coisas demais nele. Na realidade, ele não queria que ninguém, se fosse possível nunca, enxergasse esse lado dele, ou mesmo suas fraquezas. Para Zero ninguém merecia sentir ou ver o que ela já vira nele. Só ele merecia aquele sofrimento e tudo o que ele estava sentindo, mesmo quando ela olhava profundamente dentro dele. Saiory entendeu que ele não queria que ela tivesse visto o que viu.

–Não se preocupe...o que ela disse...não é verdade! Ela esta certa em parte, quando disse que muitos vampiros acabam inevitavelmente chegando ao nível E. Porém você não é como ela! Eu sei que conheço você a pouco tempo, contudo sei o suficiente para revelar isso. Quando salvou uma garotinha, a que estava brincando no parque, de ser pega por um vampiro, ali você mais do que demonstrou que você não é como ela te descreveu. Pode até negar, entretanto não fundo você se importa sim com as pessoas. Que é uma boa pessoa, só que não quer admitir isso. Parece que você quer afastar as pessoas que tentam se aproximar de você, porque você sente que é um monstro, por ser um vampiro. E na verdade você só se torna um “monstro” como diz não por ser um vampiro, mas porque esta se isolando de todos alimentando esse seu ódio pelos vampiros.

Ele apenas reflete o que acabara de escutar e diz:

–Eu não te entendo, você parece que não teve uma boa experiência com vampiros, contudo demonstra não se importar com eles. Não consegue enxergar que eles só querem sangue e ferir quem estiver a sua volta? Olhe só para você! Está ferida por minha causa e parece não se ligar, você é boba por não compreender isso ou não quer perceber. Zero estava inconformado.

–Eu estou ferida, porque eu quis assim! Porque essa foi a minha vontade. Lembra quando me disse que se acontecesse algo comigo você não se responsabilizaria? Pois então...você não tem nada haver com o fato de eu ter me ferido! Eu disse desde o começo que seria responsável pelos meus atos. Se ainda estou ferida aqui do seu lado, é porque quero ficar aqui. Quero continuar a ser sua ajudante, trabalhando como caçadora com você. Porque não consegue realizar isso? Você só quer fazer as coisas a sua maneira e está na hora de pensar que se vamos trabalhar juntos tem que começar a ver as coisas pelo meu lado também, pelo que eu penso e o que você pensa a respeito. Temos que pensar agora como uma equipe! -A voz dela saiu forte e em tom encorajador.

Zero pensa novamente no que ela falou e a questiona:

–Mesmo que eu perca o controle e talvez lhe ataque? Mesmo que um dia eu acabe caindo para o nível E? Mesmo sendo um vampiro sedento por sangue? Você não se importa com isso? -Indagou friamente, seus olhos estavam sérios.

Ela se irrita com o que ele diz e responde bastante severa:

–Já disse a você que não me importo com essa conversa de ser um vampiro ou um humano. Para mim todos somos iguais, com sentimentos, desejos, qualidades e defeitos. Da mesma forma que existe pessoas que fazem coisas monstruosas existem as que fazem o bem. E assim são os vampiros também. Nós escolhemos o caminho que queremos seguir. Seja para o bem ou para o mau. Vai me dizer que nunca conheceu algum vampiro bom? -Nesse instante Zero automaticamente lembra de Yuuki, mas tenta, mesmo mostrando uma expressão fechada, afastar o pensamento dela. E ela continua seu discurso.

–Não seja tão rabugento com a vida! Bom...isso eu sei que é difícil para você, porque parece que você nasceu mau humorado -solta uma risadinha debochada-. Você certamente deveria aproveitar mais a vida, ficar perto das pessoas que te apóiam ou que já te apoiaram um dia. Tenho certeza que seus pais não gostariam de te ver assim! -Saiory completa, segura do que dizia, só que dessa vez animando-o.

Nesse momento Zero a olha fuzilando e bastante irritado, não se sabe se pela risada ou por outro motivo. Quando ele ia dizer algo ela rapidamente continua a falar, para não ter que ouvir reclamação dele.

–Não disse por mal, não falo mais neles, tudo bem assim?

Ainda incomodado com o que ela disse, apenas muda de assunto, ele mostrava-se sombrio.

–E o que você quer que eu faça? Vá atrás das pessoas, peça desculpas e tudo irá ficar bem? Até parece que é fácil assim. E os vampiros? Vou permitir que eles destruam a vida de pessoas só para ter uma vida melhor? A vida não é tão simples assim! -Seu tom de voz tinha se agravado.

Em compensação ao que ele disse, ela o retruca apática:

–Eu sei muito bem disso, que a vida não é fácil! Você não sabe o que está afirmando! -Zero se surpreende coma atitude dela-. Não estou dizendo que vai ser simples assim. Todavia, se as pessoas que você deixou para trás perceberem que você realmente quer mudar, se elas realmente gostam de você tenho certeza que ficarão com você e te entenderão haja o que houver. Só estou te explicando que já que você sabe que o fim esta cerca, é aí que deveria aproveitar mais a vida e ficar próximo daqueles que você aprecia. Pois quando você se for, elas vão lembrar de você com carinho e alegria. E tudo o que você viveu com elas vai ter valido a pena, tanto para você como para as pessoas próximas. Quanto aos vampiros, você deve fazer justiça sim! Continuar a caçar e tirar o sofrimento daqueles que já morrerem por dentro e não são mais os mesmos de antes.

–Da forma que fala até que soa bem profundo para uma menina do seu tamanho! -Disse irônico com aquele toque resmungão, contudo um pouco incomodado por tudo o que ela disse.

–Apenas falo assim com quem realmente me irrita. Quando estou muito irritada com algo, quero pôr tudo que acho para fora e acabo falando mais do que devo. No entanto, o que me deixa mais furiosa é uma pessoa que em vez de lutar e ter ganas de viver, deixa-se cair no próprio buraco, no próprio sofrimento. E prefere ficar sozinha, com ódio de tudo e todos. Você demonstra que é forte, todavia por dentro é um fraco que não luta por si e por quem você adora! -Ela tinha a intenção de ser tão grossa, só que estava muito revoltada para parar e refletir sobre o que dizia.

Ele lança um olhar fulminante na direção dela, ele estava perturbado demais com todas aquelas palavras que escutou dela e da vampira. Saiory solta um grito abafado de dor pelo ferimento profundo, ela tinha segurado a dor por todo aquele tempo. O corpo dela tremulou e ela se sentiu um tanto enjoada -estava quase perdendo o controle sobre si com o que sentia se formando em seu interior.

–Acha mesmo que esta bem? -Questiona ele erguendo uma das sobrancelhas em simetria com o canto da boca.

–Já disse que sim! Foi só um mau estar, devido a perda de sangue, apenas isso. -Diz ela tentando amenizar a situação.

"Algumas palavras dela -relacionado a tudo que ela disse até agora, começando quando ele deu fim a vampira- são muito semelhantes com o que a vampira disse anteriormente. Só que Saiory interpretou de uma forma diferente."

–Eu subestimei você,não é tão boba como aparenta ser. E acho melhor cuidar desse ferimento,vamos para casa. — Após uma reflexão, Zero se dirige a companheira iniciando sua caminhada.

–Tuudo bem... -Ela finalmente se rendeu para tratar da ferida- e desculpe se disse algo que não tenha gostado. Na hora em que fiquei entre você e a vampira, não só foi para protege-lo dela. Mas principalmente queria proteger você dos seus sentimentos e de si mesmo. Não quero que acabe como ela -Ela faz uma cara se sentindo culpada, pressionando lentamente os dedos indicadores um contra outro, seu olhar se direcionava para o chão.

Zero a encara, não pronuncia palavra alguma e verifica com o olhar se não havia a presença de mais algum vampiro próximo. Depois, acompanhando o passo de Saiory caminha pelas ruas -mesmo quando ela o informou que podia andar sozinha, que só precisava andar em um passo mais lento-. Ele ficou com peso na consciência pela maneira como a tratou e decidiu ser mais gentil com ela, pelo menos naquele dia. Resolve então puxar assunto para distraí-la, da dor, e ambos comentam sobre assuntos triviais.

Saiory observa a intenção dele e retribui a gentileza na conversa. Ele sente no ar o aroma do sangue dela e acaba sentindo fome, mais mesmo assim se controla. Apesar dele ter puxado assunto sua feição continuava séria definindo um traço deprimido, ela foi a que mais conversou e mesmo assim falou menos do que o habitual -pois estava cansada depois de tudo o que ocorreu. Ela percebe que ele também estava mexido e resolve que não deveria mais tocar no assunto que tiveram debaixo da grande arvore, não desejava piorar a situação.

Após terem uma conversa sem frutos caminharam em silencio -parecendo até que tinham combinado de fazer o mesmo, pois ambos pararam de continuar o papo ao mesmo instante-. Zero medita, de formas diferentes, sobre o que a vampira e Saiory lhe contaram. Mesmo ele não quisesse admitir, as palavras de Saiory resultaram tendo mais efeito sobre ele do que as da vampira. E mesmo contra sua vontade, aquelas palavras de alguma forma ficaram guardadas na mente dele.

Eles chegam em casa e quando estavam passando em frente ao quarto de Saiory, ela se dirige a ele:

–Sei que você não comentou nada sobre o assunto, contudo só quero lembra-lo que não necessito que se preocupe comigo, sua intenção já esta de bom tamanho para mim. Posso me cuidar sozinha, apenas necessito de repouso. -Ela responde com um sorriso sorriso simpático para tranqüiliza-lo.

–Entendo que saiba se cuidar, por isso não disse nada. -Sua cara estava inexpressiva.

Ela afirma com um leve balançar de cabeça.

–Como está o ferimento? -Se referia ao ferimento que o vampiro causou nas costas dele, pois ela sentiu o odor de sangue e visualizou-o na camisa rasgada.

–Já está quase curado. -Ela sabia que estava curado, no entanto só queria ser um atenciosa.

Então ele sai andando e quando estava quase entrando no quarto se refere a ele, sua cara estava virada para a porta e sua expressão escondida pelo cabelo:

–E obrigado...por tudo.

Após dize-lo, Zero entra e fecha a porta do quarto. Ela nota que ele estava agradecendo não só por ela ter salvado-o, como também pelas palavras dela. Saiory adentra seu quarto, fecha a porta e se encostada nela, permanecendo naquela posição. Depois de todo aquele tempo sem ter checada o estado de sua ferida, devido a ter estado o tempo todo com a mão em cima dela. Saiory leva a mão banhada em sangue a frente de seu rosto e a observa. Um leve tremor percorre seu corpo.

–Eu sei que ele precisa saber...mas não há como dizer a ele. -Sua voz sombria parecia gelar a alma.

Neste exato instante, Zero desabava na cama exausto, após ter tomado banho e posto uma roupa limpa. No fim acabou dormindo, ele estava cansado demais para pensar em tudo que ocorreu, nas palavras que penetraram na sua mente e inevitavelmente, também no seu coração. Ele não percebe como aquelas palavras se alojaram profundas nele, ainda não digeriu tudo o que aconteceu no dia.

Um outro tópico que passou desapercebido a ele…era que aquela era a única noite em que ele não se debateu e se contorcendo na cama com sede de sangue. Afinal ele estava com sede do sangue de Saiory -porque mesmo tendo tomado os comprimidos de manhã, ficou exposto ao sangue de todos aqueles vampiros que morreram, assim como do sangue dela.