Destino de Lestrange
5 Capítulo quatro
Fevereiro 1979:
Sorri por estar segurando o papel de anulação, já pensando se poderia soltar fogos de artifício agora, deveria, mas não, o momento ainda não é propenso para isso.
Preciso de uma casa e rápido, precisava sumir do mapa para que ele não me achasse.
Olhei para o duende que observava minha felicidade e pensei um pouco a respeito de seu sorriso.
— O que vai fazer agora? Quer que eu consiga uma casa ou... — Sorriu, não me deixando falar. _ Quer se encontrar com alguém? — Meu coração tremeu.
— Pensei que deveria arrumar uma casa por enquanto. — Mexi os pés.
— Ou você poderia ver isso mais tarde, talvez o seu coração precise ser amado como ele ama outro. — Discordei.
— Quero ser alguém independente, quero ter minha casa e cuidar do...
— Você está com medo dele ter uma família, ou que seus problemas são seus, mas não dele? — Minha respiração ficou presa na garganta. _ Ele não tem, apenas vive sozinho em sua casa.
— Caspra...
— Ele nunca se relacionou a ninguém, sempre esperou você. — Deveria ficar feliz ou ficar ressentida? _ E você deveria ir, se quiser. — Balancei meus pés.
Agora que estava sem essas amarras em minha vida, poderia dizer tudo para aquele homem, mas será que devo?
Rabastan continuou com sua vida e mesmo com a poção me manipulando, continuei a minha, seguimos caminhos diferentes e deveria continuar assim.
Mas posso estar apenas achando que sua vida está caminhando do jeito que ele quer, afinal, mesmo ele não aparentando estar triste naquele dia, sua mão se mexia sem parar.
Minhas suposições ficam mais claras quando me recordo daquele momento, de como me abraçou e de como suas mãos tremiam apenas por me tocar.
Claro, talvez seja apenas minha mente tentando me dar um pouco de conforto, mas sinto que nossos sentimentos são recíprocos.
Mesmo tentando colocar minha cabeça em 79, ainda me sinto em 72 e aquilo que pensei antes, parece apenas pensamentos e não a realidade.
Suspirei, enquanto o duende deslizava uma chave de portal pela mesa, dourada e instigante.
— Percebi que existe um feto crescendo em seu ventre. — Concordei. _ Por isso que veio pela lareira...
— Mesmo esse feto sendo fruto de um abuso, ele não teve culpa e me salvou. — Abracei minha barriga. _ Quero ficar com ele e...
— Não tentaria tirar, o corpo continua sendo seu, minha amiga. Mas você é boa demais para o mundo. — Funguei. _ Que pena que o mundo não foi bom para você.
— Meus pais... — Seu olhar continha pena. _ Tem como trocar o cemitério deles? Não quero visitá-los nas terras Dolohov. — Concordou e peguei a chave. _ E como você tem essa chave? — Sorriu sem dizer nada. _ Como sabia que eu gostava do Rabastan?
— A magia dos Duendes é pouco fofoqueira. — Piscou.
— Obrigada, por tudo.
— Sempre farei tudo por você, Destiny. — Observei as duas coisas em minha mão. _ Vá, seja feliz, o tempo está sendo bom com você.
Ou talvez ele tenha visto que minha vida sempre foi errada e que precisava de um pouco de felicidade, mesmo que ela acabe no minuto seguinte.
Levantei-me da cadeira e nem mesmo pensei duas vezes para ativar a chave.
Mesmo que Rabastan não aceite minhas palavras, será um peso a menos em meu coração e terei falado tudo que guardei por esses anos todos.
Os sons se foram e os cantos dos pássaros me foram apresentados, até a grama em meus pés, quentinha e macia, me fizeram relaxar.
Sinto o sol morno da manhã, fazendo que meu coração sentisse que poderia sobreviver mais tempo que o destino programou para mim.
Afinal de contas, só tenho 25 anos e tenho o mundo todo para desbravar.
Abro meus olhos e a mansão que me vi parada, era majestosa e confortável, não era sombria e era bastante calma com um calor intenso que fazia ser aconchegante.
Acho que uma mansão deveria ser assim, ainda mais contendo tanto verde... Isso era como o paraíso.
— Destiny? — Uma voz cansada e carregada de poder, me fez tremer em antecipação.
Olhei para o lado e vejo a pessoa que queria ver, mas seu estado estava... Merlim, ele sempre foi tão atlético e robusto?
Mesmo tendo sentido e visto um pouquinho devido às tatuagens, não percebi o quão lindo era, mesmo contendo cortes em seu peito em extremidades improprias, isso era perfeito demais para o meu o próprio coração saltitante.
Engoli em seco e me aproximei dele, saindo da grama fofa para o cimento.
O suor pingava de seu corpo, deslizando por todo seu peito avermelhado devido ao sol, mas as pequenas pintas em seu tórax me fizeram salivar.
Suas mãos estavam sujas de terra e seu rosto tinha manchas de lama, me fazendo perceber que estava trabalhando no jardim ou algo do tipo.
Talvez enterrando um corpo... Merlin, o que estou pensando?
Meu coração não parava de pular e minhas mãos não queriam mais segurar a chave e o papel.
Os ombros largos, os músculos se contraindo e os olhos verdes que me olhavam com uma intensidade que nunca percebi.
Ele não era mais o garoto que comecei amar quase no final do ano letivo. Não era mais Rabastan Lestrange que tinha medo do irmão.
Era apenas Rabastan Lestrange, um dos melhores Comensais da Morte, o homem que erguia a sobrancelha em dúvida e prazer por me ver.
— Está tudo bem? — Secou o suor de seu rosto em sua camisa, que estava apoiada em seu ombro.
Olhou em volta e continuei sem falar, como poderia encontrar voz nesta situação, pensei que o veria em roupas de couro e com os cabelos presos em um rabo de cavalo com a minha fita.
Mas...
— Veio me pagar aquele jantar? — Zombou.
Mas antes que pudesse falar, ele olhou para os meus pés e retorceu o nariz, fazendo que ficasse bonito, mesmo todo vermelho e suado.
Seu olhar parou no meu rosto, sorrindo de lado e se aproximou-se de mim, abaixando seu corpo e abraçando minhas pernas com apenas um braço.
Não sabia o que ele pretendia com essa ação, mas quando ele me levantou, quase me fazendo infartar.
Dei um grito de surpresa e segurei sua cabeça com medo de cair, mas seu braço era forte o suficiente para aguentar meu peso até chegar na mansão.
— Peço desculpas por essa ação, mas não queria que você ficasse descalça, o tempo pode estar bom, mas você pode pegar um resfriado. — Caminhou comigo.
O jardim estava ficando para trás e a mansão se aproximava a cada segundo, quase me forçando a dizer tudo que prometi a contar.
— Aconteceu alguma coisa? — Sim.
— Não posso visitar um amigo? — Riu.
— Pode, sua visita sempre foi bem-vinda, cordeirinho. — Gostava dele. _ O que quer comer? Posso pedir algum elfo para fazer.
Abriu a porta de carvalho e entramos naquele lugar, era como se essa mansão fosse no campo e não achava ruim os móveis serem rústicos e requintados.
Colocou-me no chão e percebeu seu estado, acho que a felicidade em me ver inibiu alguns de seus pensamentos.
— Desculpe, sujei seu vestido e...
— Não tem problema, esse amarelo não combina comigo. — E estava apertado. _ Você...
— Tem vestidos no segundo andar. — Falou mais rápido que os meus pensamentos. _ Não é de ninguém, é que... — Alisou a barba em ansiedade. _ É que... — Tentou achar as palavras certas. _ Bom, é que gosto de comprar vestidos apenas por casualidade, um hobby.
Sorri por isso e tentei jogar todo o meu charme nessa suposição criada em minha cabeça.
Precisava agarrar essas migalhas e transformá-las em biscoitos recheados.
— E você pensava em alguém quando comprava esses vestidos, senhor Lestrange? — Vejo seu pomo de adão subir e descer. _ Acho que sim. — Tossiu.
— Vou levá-la para o segundo andar e vou pedir algum elfo para preparar biscoitos de nata, são os seus favoritos ainda? — Por que nunca percebi seu carinho por mim?
— Sim, ainda mais quando um Sonserino tentou fazer alguns e queimou a cozinha. — Parou no primeiro degrau e riu.
— Mamãe sempre fica uma fera quando me vê na cozinha. — Começamos a subir para o segundo andar.
A escadaria era ampla e tinha uma divisão, separando os quartos de hóspedes e do principal.
— Desculpa, mas por que está sem sapatos? — Ele sempre foi assim.
— Perdi por aí, por quê? Tem sapatos também? — O empurrei devagar.
— Tem. — Parei no último degrau e ele percebeu. _ Um passatempo. — Olhou para o lado. _ Não se importe muito, sempre compro um número maior e menor...
— Isso é meio obsessivo. — Corou.
— Não forcei ninguém ou atrapalhei a vida da pessoa, então... — Tive que rir e seu olhar ficou surpreso. _ Você está zombando de mim e do meu hobby.
— Nunca faria isso, esse seu hobby que está me ajudando a tirar esse vestido apertado. — Franziu o cenho. _ Tenho muitas coisas para falar. — Respirei fundo e o puxei para continuar.
Apertou minha mão e faíscas incendiaram o meu coração vazio, era como se pudéssemos voltar a nossa adolescência que apenas sorriamos.
Sei que não poderia voltar, mas estar aqui com ele era melhor que não estar.
Abriu a porta e me mostrou um amplo closet, que poderia ter sido um quarto, mas foi transformado nisso.
Entrei naquele lugar arejado e que batia pouco sol, mas o cheiro de coisas novas agradava meu olfato e me fazia amar esse lugar ainda mais.
Esse lugar era um paraíso sem fim...
— Escolha qualquer um. — Olhei os vestidos e roupas comuns, não eram amarelas.
Eram cores vivas e neutras, mas não eram amarelas para me lembrar que era apenas uma Lufana e nada mais, além disso.
Fui até um vestido verde e o alisei, sentindo o tecido macio, mas antes de pegar esse vestido e mudar para uma cor que sempre gostei, tinha que saber.
— Bas... — O vejo ficar rígido. _ Preciso fazer algumas perguntas e...
— Qualquer coisa que me perguntar responderei. — Parecia um cachorrinho esperando sua dona... Esse pensamento era horrível? Espero que não, era tão fofo.
Fui até ele, pegando suas mãos sujas e com calos, ásperas e fortes. Não havia nenhuma marca de anel em seu dedo anelar, apenas tinha o seu anel como membro da família Lestrange.
— Gosta de alguém? — Apertou minha mão e o observei. _ Se gosta, precisa me dizer quem é, para não termos nenhum mal-ente...
— Você. — É, o frio na minha barriga aumentou. _ Sempre foi você e me perdoe, não deveria estar contando isso ou estar assim. — Não, poderia ficar assim a vida toda!
Merlim, respira e continue falando.
— Mas já pensei em abandonar esses sentimentos. — Confidenciou. _ Nunca consegui, na verdade, nunca deixei que esse sentimento sumisse. — Deixei a chave na cômoda e mostrei o pergaminho.
Estranhou o papel, mas o pegou, lendo o que continha e seu semblante pacífico se transformou em confusão.
— Ele me traiu. — Apertou o papel em seus dedos e colocou na cômoda, me observando inconformado e irritado.
— O quê? — Apenas continuei vendo suas emoções. _ Com quem? Posso bater nele? — Comecei a rir. _ Cordeirinho, estou falando sério.
— Também. — Levantou as mãos em confusão, as colocando atrás da cabeça.
— Dar uns socos não matam ninguém, ele com certeza precisa de uma lição.
— Por quê? — Realmente precisava e de muito mais, mas queria saber seus critérios para fazer isso.
Colocou suas mãos no meu rosto, fazendo que meus lábios ficassem em um biquinho de peixe.
— Ele tinha ao seu lado a mulher mais perfeita que conheci em todos os meus anos de vida, tinha como esposa a melhor amiga e companheira que todos desejariam.
Acho que posso desmaiar apenas por suas palavras.
— Que eu desejo. — Prendi minha respiração. _ Tiny, você é tudo que alguém poderia desejar e ele fez isso, não existe perdão e nem sei como você está aguentando isso tão bem e...
— Não foi apenas isso que aconteceu.
— Tem mais? — Concordei e segurei seus pulsos. _ Acho que alguns socos não serão suficientes. — Nunca será.
— Lembra de 71? Quando você e os outros me deixaram na porta da biblioteca e confessou seus sentimentos?
— Todos os dias. — Tão depressivo.
— Quando entrei na biblioteca, Dolohov estava aos beijos com uma Corvina e isso me fez sair e nunca mais querer vê-lo. — Ficou confuso. _ Naquele dia entreguei a fita para você.
— Então por que se casou com ele?
Apertei seu pulso e iria contar, mas ainda não sabia por onde começar. Mas ele entenderia, não é? Esperava que sim e esperava que tudo ficasse um pouco melhor.
— Em 72, faltando pouco para acabar nossa escola, iria confessar meus sentimentos para outra pessoa. — O sinto tremer e seu olhar ficou estranho. _ Iria dizer que o amava, gelinho.
Seu olhar pesou, fazendo que a imensidão verde fosse confundida com o preto intenso de seus cabelos.
A resposta que ele tanto queria por todos esses anos foi jogada assim, do nada e se ele respondesse imediatamente, estranharia.
Seu pomo de adão ficou preso por alguns segundos, paralisado com a minha confissão.
— O quê? — Sussurrou, encostando sua testa na minha, tentando saber se minha mente estava sã.
— Iria contar que o amava e que aceitava seus sentimentos não sendo um segundo em meu coração, mas o primeiro.
Seu hálito e o cheiro de suor penetraram em minhas narinas, me fazendo apertar ainda mais o seu pulso.
Agora sei o motivo dele ter cheiro de terra molhada, não era nenhum perfume refrescante que me lembrava a infância, mas era seu perfume natural e gostei...
— E por quê...
— Amortentia. — O ambiente ficou frio e sabia que seria assim. _ Ele me drogou todos esses anos, Bas.
Seu riso saiu frio, mas deslizou suas mãos para longe do meu rosto, enquanto alisava o seu, tentando entender minhas palavras.
Suas ações eram contidas por pensamentos acelerados, sabendo que qualquer ação poderia trazer consequências, mas poderia aliviar suas emoções.
Acho que se não fosse por tudo, estaria assim, mas estou bem... Ou apenas estou inibindo essas emoções para me manter de pé.
— Você contou para ele ou... — Neguei, sua voz estava contida em palavras amistosas.
Ele queria sair daqui e bater no Antonin, ou até mesmo pedir permissão ao Lorde para matá-lo.
Apenas não fez isso por mim.
— Quando conseguiu recuperar os sentidos? Você está aguentando tão bem e... — Tapei sua boca com as minhas mãos.
— Bom, se eu falar que estou bem, estarei mentindo, entretanto, estou suportando tudo isso. — Segurou minhas mãos. _ Desde o baile. — Beijou os nós dos meus dedos.
— Não sei como reagir a isso, tem pouco tempo desde o baile, onde ficou? Quem mais sabe? Contou a Bella?
Tive que rir na parte da Bella, se contasse para ela, não teria mais Antonin para descontar um pouco do desconforto em meu coração.
Bella sempre foi a minha melhor amiga e talvez fosse a madrinha do meu filho, se ela não o matasse...
— O único que sabe é você e o Caspra, que me ajudou a anular o casamento. — Suspirei. _ Tive que fingir muitas coisas nesses dias e... — Abraçou-me e apertei minhas unhas em suas costas.
— Estarei com você, mas agora, apenas chore e desabafe, sei que precisa disso. — Iria discordar, mas a dor na garganta me fez soluçar.
Mesmo não aceitando, no final, chorei e gritei por ajuda em seus braços.
— Sempre estarei aqui, cordeirinho.
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