Destino? - Versão Yaoi
4 Perdendo a noção e encontrando esperanças.
Notas iniciais
Desde o dia em que voltei para o antigo bairro onde morava e passei a viver junto há família Keyboard, eu estava determinado a continuar minha vida do jeito que era antes mesmo que Rafael Keyboard ou meu melhor amigo não me aceitasse igual fez quando me viu naquela noite em que cheguei a casa dele. Eu estava determinado a conquistá-lo independente do tempo que demorasse ou da dificuldade que fosse eu iria sempre continuar ao lado dele, mas não foi bem assim que as coisas ocorreram.
Depois de alguns dias sendo ignorado por ele, eu fiquei sabendo sobre sua noiva então toda aquela determinação começou a desmoronar afinal o motivo de eu ter me dedicado tanto na minha recuperação e de estar tão animado para continuar minha vida era ele, e então simplesmente o destino coloca uma barreira impossível para os meus sentimentos e meus desejos, esse destino simplesmente decidiu brincar comigo ele me mostrou onde estava o meu sonho, mas não me permite pega-lo. O Rafael era como uma estrela, apesar de parecer esta perto, tão próxima que da para pegar somente esticando o braço um pouco, ela esta distante, tão distante que eu nunca poderei alcançá-la, nem se eu viajasse durante minha vida toda, o mesmo serve para ele.
Mas o problema não é só isso, o principal problema começou naquele dia quando fomos ao shopping...
Apesar de ter desistido de conquistá-lo ainda queria ser seu amigo por isso fiquei, mesmo sabendo que seria difícil ficar ao lado dele sem demonstrar algo.
Aquela tarde estava clara e a temperatura estava alta, porem o clima estava agradável, pois muitas brisas vinham de todos os cantos, estávamos no shopping comprando varias roupas para mim. Rafael me ajudava a escolher as peças e depois me dizia se ficavam bem ou não em mim, porem algumas vezes ele me lançava um olhar estranho que me deixava sem graça e fazia meu coração acelerar. Era um olhar cativante, empolgado e surpreso que vinha acompanhado por um pequeno sorriso involuntário que o deixava lindo.
Aquilo me deixava sem ar, sem reação e eu lutava contra mim mesmo para voltar ao normal e fingir que nada havia acontecido.
Depois que várias vezes que ele conseguiu fazer meu coração disparar, paramos de comprar e fomos comer algo, entre um momento e outro quando estávamos sem assunto ele me perguntou algo do nada, com uma voz seria e expressão um pouco sem graça me disse:
– Cris, você se lembra das coisas de antes de você ir embora?
– Perfeitamente, como se fosse ontem– respondi com inocência.
– Então se lembra do nosso... Beijo? – aquela pergunta me pegou de surpresa e respondi apenas “sim” enquanto tentava prever o que ele iria falar e no que eu poderia responder – você ainda gosta de mim? Tipo você disse que gostava de mim daquela forma, não apenas como amigo você ainda sente aquilo?
– Não haha, aquilo foi meio que loucura Fael, tipo ficar com outro homem. Eu confesso que sentia algo estranho por você, mas já passou não se preocupe!
Eu tive de mentir, prometi que iria esquecer isso e que seria somente amigo dele e que iríamos voltar a ser igual quando éramos crianças. Logo, logo eu esquecerei isso, um amor não correspondido pode ser fácil de eliminar se for tratado de forma correta.
Mas para minha surpresa aquele sentimento não era unilateral, ele ainda sentia algo por mim. Eu pude notar isso facilmente pela expressão que ele fez após ouvir minha resposta.
Rafael parecia decepcionado e arrependido, ele olhou para todos os lados forçando um sorriso tentando se recompor, mas de fato não conseguiu se restabelecer e pediu licença para ir ao banheiro.
Porque ele fez isso? Porque ele deixa tão claramente que ele ficou triste com isso? E porque ele ficou triste com isso!? Ele tem a noiva, ele sabe que somos homens... Porque ele ainda guarda esse tipo de sentimento por mim? Mesmo que seja mínimo, a vida dele esta completa e perfeita, porque ele quer tentar complicá-la e se fazer sofre? E me da esperanças, por que!?
Porem outra parte de mim pensou “ele ainda sente algo, eu ainda posso ficar com ele, posso fazê-lo desistir desse noivado!”. Aquele pensamento foi motivador comecei ate a imaginar varias coisas sobre “nosso” futuro juntos e tudo aquilo me fez feliz instantaneamente, fez meu coração acelerar e me deu um pouco mais de esperança. No entanto aquilo de fato era errado e logo quando parei para refletir sobre aqueles vastos pensamentos egoístas desisti dessa idéia, a descartei, mas sem notar um pouco daquela esperança ainda continuou impregnada em mim.
Era ridícula a idéia de eu tentar algo, como já disse ele tem uma noiva e eu estou hospedado na casa dele, fora o fato de que somos dois homens e imagina a reação do Sr. Tomas quando soubesse! No mínimo ele iria me expulsar da casa deles e dizer que eu voltei para “espalhar a discórdia na família”! No entanto querendo ou não eu ainda o desejava e me amaldiçoava por isso também, por ser tão idiota por ainda sentir algo.
Naquele dia quando estávamos quase saindo do shopping eu me perdi, tinha ido ao banheiro e não soube voltar ate a praça de alimentação onde estávamos.
Eu fiquei com medo, não sabia onde eu estava e quanto mais andava mais me perdia naquele lugar, eu queria ajuda, mas eu era muito burro e orgulhoso e por isso não pedi informação a ninguém, só continuei andando.
Depois de alguns minutos enquanto eu andava sem rumo pelos longos corredores do shopping eu o ouvi me chamar, pude reconhecer a voz do Rafael dentre as dezenas do shopping e então pude localizá-lo dentre a multidão. Era um alivio encontrá-lo novamente, toda aquela preocupação e medo sumiram em segundos.
Eu achei engraçada a reação dele, por que em vez de ficar feliz por ter me achado ele me xingou e ficou bravo, falou que eu era burro por não saber voltar sozinho e irresponsável se eu não sabia voltar deveria ter avisado, entretanto no meio de uma de suas frases um grande estrondo veio do corredor de onde eu tinha vindo, quando nos viramos vimos que o teto dele havia caído e por isso saímos do shopping imediatamente e voltamos para casa. Durante todo o caminho ele continuou a me passar sermão e dizer o quão irresponsável eu era, mas apenas o ignorei. Era de fato engraçado ele dizer isso sendo que há alguns anos ele que foi o irresponsável, mas isso me deixava feliz.
Eu o olhava e notava que ele não tinha mudado tanto pelo menos não na sua personalidade, eu ainda podia ler suas expressões e alguns e alguns de seus pensamentos como leio um livro aberto, no entanto sua aparência estava bem diferente.
Há sete anos a nossa diferença de altura era quase nada, ele era magro e tinha cabelos negros curtos, hoje seu cabelo esta maior com uma franja que tampa toda sua testa, ele é dez ou quinze centímetros mais alto do que eu, e seu corpo é forte e másculo, diferente daquela época.
O que sempre me chamou a atenção nele são seus olhos, eles eram de fato pretos do qual eu nunca consegui distinguir sua pupila da sua iris. Lembro que antigamente eu o encarava por longos períodos de tempo tentando diferenciar uma da outra, mas nunca conseguia.
Depois que voltamos para casa vimos alguns filmes, mas acabei dormindo sem notar.
Vários dias se passaram desde que voltei para a casa dos Askal e eu já me sentia em casa, era como se eu nunca tivesse saído dali. Durante esse tempo eu fui a uma escola e me matriculei para fazer um supletivo, iria terminar meus estudos em um ano e meio, eu iria começar as aulas em algumas semanas.
Desde que cheguei eu meio que perdi a noção do tempo, muitas vezes eu achava que estávamos em setembro de 2007 e por isso me surpreendi muito quando a família Askal me fez uma surpresa no dia 16 de março.
Quando acordei todos estavam no meu quarto e Rafael ao meu lado segurando uma forma com uma torta grande torta.
– O que esta acontecendo? – perguntei ao me sentar na cama, não entendia.
– Hoje é o seu aniversario, não é? – Raquel perguntou com receio.
– Que dia é hoje?
– Dia 19 de março, seu aniversario e aqui esta sua torta de maçã, é a sua favorita não é? – Rafael se aproximou com um pequeno sorriso e colocou a torta sobre meu colo – aposto que você quer um pouco de leite condensado não é?
– Hm? – todos perguntaram, achando a combinação estranha.
– Você ainda se lembra disso? – aquilo me fez sentir algo no peito, ele ainda se lembrava das coisas que eu gostava – e é claro que vou aceitar se você tiver.
O garoto correu ate a cozinha e logo voltou ofegante com a caixinha do doce em mãos e me entregou.
Após repartir um pedaço para cada pessoa da família lambuzei minha parte com o leite condensado e comecei a comer.
Não sei por que as pessoas acham isso estranho é delicioso!
– Serio que ele vai comer isso? – Ana perguntou com uma cara de nojo.
– Ele é meio estranho, não liga para isso – Rafael respondeu sua irmã com uma pequena careta – desde que éramos crianças ele fazia umas coisas assim tipo torta de maçã com leite condensado ou comer comida tomando café...
– Também gosto de comer milho com chocolate – eu o interrompi, assim que falei todos fizeram uma careta.
– Ele também separava todas as balas de gomas antes de comer, só então comia as verdes, as roxas as amarelas por fim as laranjas e depois jogava as vermelhas fora ou então me dava – ele completou – tem muitas outras manias também, mas não são tão estranhas.
– Você se lembra disso tudo Rafael? – Raquel falou com um pouco de sarcasmo – normalmente você não tem uma memória tão boa assim Rafa, o que ouve pra você se lembrar tão em disso já que tem tanto tempo?
– Pare de se fazer de boba, eu tenho uma ótima memória não me encha o saco! – ele disse meio sem graça.
– Agora estou te enchendo o saco? Eu não te encho o saco quando tenho que ouvir seus problemas amorosos não é?
– Para de falar merda! – Rafael estava ficando muito sem graça.
Durante um bom tempo Rafael e Raquel continuaram discutindo os pais deles nem mesmo prestavam a atenção naquilo, apenas conversavam entre sim. Depois de ouvir aquela discussão por um tempo Ana veio ate a cama e sentou do meu lado.
– Eles sempre discutem assim? – perguntei.
Ficamos comendo, conversando e discutindo no quarto de hospedes que é onde eu durmo, ate o inicio da tarde quando o Sr. Tomas e a Sra. Beth foram na casa de um parente e levaram a Ana também, um pouco depois Raquel também saiu, mas não faço idéia para onde ela foi ela apenas comentou antes de sair “não é sempre que eles passam a noite fora, e quando isso acontece eu tenho que aproveitar!”.
Eu fiquei muito feliz com aquela mini festa surpresa que eles fizeram para mim, eu tinha me esquecido do meu próprio aniversario, nem mesmo me lembrava que estávamos em março.
Rafael estava deixando cada vez mais claro que sentia algo por mim e eu estava me sentindo cada vez mais feliz por isso, mesmo sabendo de toda nossa situação eu meio que estava deixando isso acontecer, eu estava permitindo mesmo sabendo que iria me machucar depois.
Depois que todos saíram ficamos sozinhos e eu fiquei um pouco nervoso, afinal eu e ele estávamos sozinhos na casa assim varias coisas passavam na minha cabeça.
Eu estava na sala vendo TV e Rafael ficou no seu quarto estudando. Toda vez que ele andava eu podia ouvir seus paços e sabia mais ou menos a onde ele iria. Primeiro ele saiu do seu quarto e depois foi ao banheiro, depois voltou ao seu quarto e por fim foi ate as escadas.
Ele estava descendo para a sala e todo meu corpo começou a endurecer. Na minha mente passavam pensamentos do tipo:
“- Então é aqui que você estava? – ele chaga na sala e se senta ao meu lado no sofá – estava ansioso para que nos ficássemos sozinhos assim.
Rafael aproxima seu rosto ao meu e segura meu queixo com uma de suas mãos e o vira fazendo-me olhá-lo. Com o outro braço envolve minha cintura e me deita no sofá e se coloca sobre mim.
– Pare com isso Fael, não podemos!
– Claro que podemos não a nada que nos impeça agora, então fique quieto e deixe-me beija-lo...”
– Eai o que quer fazer? – ele me perguntou enquanto eu fantasiava aquelas coisas idiotas, ele estava escorado na parte de trás do sofá.
– O que? Mas eu estou vendo o filme – foi a melhor resposta q consegui tentando disfarçar minha vergonha.
– Pode ser depois do filme, ta chato ficar aqui em casa. Hoje é seu aniversario e poderíamos ir a um lugar, tipo cinema ou sei la...
– Ahhhhh, esse tipo de coisa que você quer fazer, você quer sair – me senti um pouco decepcionado quando ele disse aquilo – bom, você mora aqui a mais tempo então, você conhece os melhores lugares então de uma dica.
– De uma idéia tem muitos lugares que podemos ir! É o seu aniversario então você escolhe!
Depois de muito tempo pensando me lembrei que tinha um bom tempo que eu não ia ao zoológico, assim dei a sugestão e resolvemos ir.
Rafael pegou o carro da mãe dele e preparou algumas coisas para comermos enquanto passeávamos.
Foi bom o passeio se não fosse pelo fato de ter apenas casais no local, ou de eu não poder ver quase nem um dos predadores felinos prediletos que eu queria ver, e o único q consegui achar foi o leão, mas ele estava sem juba então não contou muito, um leão sem juba é a mesma coisa que torta de maçã sem leite condensado, é bom, mas perde o encanto.
“Apesar desses fatos foi legal o nosso passeio” foi isso que eu pensei ate que começou a chover, e por ser um local aberto acabamos nos ensopando.
Mas aquilo não foi ruim eu não via chuva há muito tempo tinha ate me esquecido da fria temperatura da água ou do pequeno estalo que as gotas faziam ao bater na minha pele e aquela pequena pressão que elas provocavam sobre o meu corpo.
Durante todo o caminha ficamos falando sobre os animais do zoológico e o quão decepcionante foi ver o leão daquela forma.
Quando chegamos Rafael parou o carro em frente a casa e falou para eu esperar no carro que ele iria buscar o guarda-chuva, então ele abril a porta e saiu correndo.
Apesar de ser um tanto desastroso o dia hoje foi muito divertido, eu vi seres magníficos que pareciam ate mesmo ilusões ou animais de outro planeta e alem de tudo eu estava com o Fael... Toda vez que penso nele parece que meu coração aquece... Aaaa o que estou pensando? Ele, isso... Eu tenho que esquecer isso! Mas não vou esquecer se continuar pensando assim!
– Você esta aquecido e confortável ai coração? –murmurei para mim mesmo – vou dar um jeito de esfriar esse teu fogo!
Abri a porta do carro e sair para a chuva.
– Viu? Não adianta me forçar a pensar assim, você não me controla! Você apenas me o É assim que se faz! Você não me controla – continuei falando, mas era apenas uma mentira, eu estava querendo me enganar.
– O que você esta fazendo na chuva? Vai pegar um resfriado – ele ficou do meu lado e me cobriu com o guarda chuva que carregava e imediatamente eu sai de baixo.
– Estou... Tomando banho de chuva... – inventei na hora.
– banho de chuva? Deixa de ser ridículo, você vai ficar doente!
– não me importo! Eu tinha me esquecido de tantas coisas, me esqueci ate mesmo de como era a chuva – estiquei minha mão para cima como se tentasse pegar algo – a chuva me trás recordações e sentimentos reconfortantes, ela me da a sensação de calma e me faz sentir limpo, purificado... É bom esse sentimento!
Depois que falei isso Rafael não disse mais nada eu estava esperando que ele me pegasse pelo braço e me arrastasse pra dentro da casa então depois de alguns segundos me virei para ver o que ele fazia e para minha surpresa Rafael tinha abaixado o guarda chuva estava com o rosto levantado e os olhos fechados, sua expressão era serena.
Porque esse idiota esta fazendo isso? Eu só estava falando qualquer coisa para não ficar perto dele... Mas mesmo sendo mentira ele esta fazendo algo assim por mim? Meu peito esta ainda mais quente...
– você consegue sentir a água correndo pelo seu corpo? Desde a cabeça ate a ponta dos pés, parece que ela esta limpando todos os sentimentos ruins. A água é um dos elementos necessários para a vida de qualquer ser, e por isso ela é tão pura é reconfortante, para mim é como se eu estivesse sendo abraçado por um grande e bondoso ser, será que esse ser seria a própria vida? – eu falei tentando filosofar, mas não deu muito certo.
Após ficarmos alguns minutos ali na chuva como dois retardados entramos e ele me mandou direto para o banheiro.
Mesmo após entrar na banheira com água quente eu sentia quase todo meu corpo gelado o único lugar que continuava aquecido era meu peito. Aquilo era bom e me fazia sentir feliz de certa forma.
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