Destino Under the Dome
9 Especial Greg
Notas iniciais
Especial Greg Bigelow
Abotôo minhas botas, confiro meus documentos na mochila, está tudo certo, me olho no espelho e estou pronto, pelo menos por fora, para enfrentar mais um período de alistamento.
Desço os degraus para a sala de jantar uma ultima vez antes de partir, deixo minha mochila no batente da porta, Harriet já esta me esperando pra jantar.
É tão triste olhar pra ele e pensar o quanto ela vai ter de agüentar sem mim, estamos nos últimos meses de gestação, daqui dois meses nossa pequena borboleta estará ao nosso lado para nos fazer mais feliz que já somos. Sinto muito em ter que deixá-la nesses últimos meses aqui, sozinha, mas a marinha é meu trabalho, pelo menos por enquanto.
Este último alistamento será temporário, ela ainda não sabe, mas penso em me aposentar dessa carreira e com o dinheiro do fundo de garantia montar um acampamento de verão para escoteiros, um sonho de infância de Harriet. Volto do navio antes que nossa bebe nasça e conto pra ela a novidade, ela vai amar.
– Meu amor, por mais que eu odeie que você sirva para o exercito americano, você fica maravilhoso com essa farda. – Minha esposa sempre foi muito amável comigo, desde nosso namoro, mesmo quando ela ficava em casa sozinha depois de casada, sempre, sempre foi muito companheira.
– E você é a mulher mais linda desse mundo, e carrega ai minha princesinha! – Jantamos uma refeição muito agradável, e logo já era hora da despedida, a minha ultima despedida antes de me despedir do exercito de vez.
Na hora de partir me ajoelhei e dei um beijo na barriga de Harriet, estava me despedindo da bebê na barriga.
“Tchau minha pequena borboleta, quando eu voltar você não estará mais neste casulo”.
Harriet e eu rimos juntos e eu me levantei para dizer tchau para a mulher da minha vida.
Um mês depois de partir preparava minhas malas para voltar, já tinha pedido para ser dispensado e mesmo com a relutância de meus superiores consegui o passe livre pra voltar pra casa.
Arrumei-me, despedi da tripulação e desembarquei, estava louco para voltar, falava com Harriet todos os dias, mas naquele dia fiz questão de não ligar, queria fazer surpresa, passaria o dia todo sem dar noticias e amanhã cedinho chegaria a Chester’s Mill bem a tempo de acompanhar o ultimo mês de gestação.
Estava no caminho, na auto-estrada, já tinha se passado meio dia de viagem, quando pelo retrovisor vejo muitos carros do bombeiro e da polícia seguindo a mesma direção que eu, imaginei que fosse algo sério então joguei meu carro para o acostamento a fim de dar passagem para os socorristas. Enquanto esperava os muitos carros passarem por mim liguei o rádio, muitas vezes os acidentes que podem bloquear a cidade são noticiados em uma estação de rádio local. Estava perto de Chester’s Mill, e se algo sério estava acontecendo eu queria saber o que era, assim eu teria tempo de desviarmeu caminho por uma rota alternativa.
“...estrada está bloqueada por motivos desconhecidos, repetimos, a auto-estrada está bloqueada por motivos desconhecidos, por favor dêem meia volta, repetindo deem meia volta.”
Isso parecia ser sério, e normalmente essa estação de rádio que estava sintonizada não é usada para noticiar as coisas, mas se a estrada está bloqueada ainda dava tempo de seguir por um outro caminho, demoraria um tempo a mais, mas meu objetivo era chegar a Chester’s Mill. Fiz o retorno e fui em direção a rota alternativa, aqui também haviam muitas viaturas, helicópteros sobrevoavam a estrada, e até carros da imprensa. A coisa estava muito séria, precisava ser rápido.
Liguei o rádio novamente, a mistura de curiosidade e preocupação estava me deixando louco, achei uma estação estatal, visto que a rádio da cidade não estava sintonizando, e comecei a ouvir as noticias aflito.
“Meu Deus isso é impossível, a cidade está inteiramente bloqueada, é como se um aquário enorme caísse sobre a cabeça de todos aqui, é uma coisa inacreditável, aparentemente impenetrável, será isso obra do governo americano? Estamos sendo atacados por um país rival? Será isso obra alienígena? Não tem como saber...”.
A voz do locutor falhava, mas eu havia escutado perfeitamente. A cidade estava bloqueada! Como isso poderia ter acontecido?
Sou obrigado a parar em um trecho da estrada pois há um engarrafamento, desligo meu carro ali mesmo e corro em direção a cidade, logo enxergo uma faixa de contenção que separa os civis de um perigo invisível, além da faixa amarela não há nada além do restante da estrada, não tem nada que impeça a passagem, então porque não podemos passar? E é quando na outra direção, tentando sair da cidade, um carro em alta velocidade atinge uma parede invisível como haviam dito no rádio, o carro se destruiu completamente na nossa frente, foi uma loucura. As pessoas gritavam e mesmo os policiais estavam nervosos com a situação.
Aproveitei desse momento de distração e atravessei a faixa de contenção indo em direção ao carro destroçado na minha frente, era uma cena horrível de se ver, o motorista estava completamente desfigurado, preso nas ferragens e aparentemente não haviam outros passageiros. O carro estava coma frente chapada em algo invisível, como um vidro, eu conseguia ver tudo em minha frente, toda a paisagem maravilhosa dessa cidade que escolhi para criar meus filhos, mas não conseguia ouvir nada, seja o que for essa barreira ela nos impede de comunicar com quem está dentro.
Estendi a mão e toquei a parede de vidro a minha frente, senti um pequeno choque, bem de leve, mas o choque maior estava por dentro de mim, minha família estava lá dentro.
Corri de volta pro carro, liguei o rádio e liguei pra Harriet, a ligação não completava droga! Liguei para meus contatos do exercito pra tentar obter mais informações:
– Crabe? É o Greg, o que ta acontecendo em Chester’s Mill? Preciso entrar na cidade! – estava aflito e meu ex-comandante precisava me dar respostas.
– Greg, onde você esta? Conseguiu entrar na cidade antes da redoma aparecer? Como conseguiu me ligar?
– O que? Redoma? O que é isso? Crabe, preciso de mais noticias, tenho uma mulher grávida lá dentro, estou aqui no limite dessa parede! – nessa hora não havia mais tempo para formalidades, os títulos de capitão tinham que esperar.
– É o seguinte Greg, preciso que volte imediatamente pra base, sei que você é da marinha, mas toda ajuda agora é necessária, volte pra base e aqui conversaremos melhor, mas por hora se afaste da redoma entendeu?
– Eu não vou enquanto não souber se Harriet está bem!
– Greg volte, o que eu sei até agora é que a força especial irá fazer testes e estou encarregado de uma equipe para monitoramento, venha para a base e aqui você poderá monitorar a cidade, mesmo que de longe conseguirá ver sua esposa. – Ele estava me convencendo, daqui pouco tempo eles isolariam a área e com certeza não seria qualquer um a passar, somente quem estivesse trabalhando para a redoma, decidi então voltar pra tentar ver Harriet, nem que seja por uma tela.

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