Destino Traiçoeiro

8 8. Primeiro Dia de Aula


Notas iniciais
Eaí, pessoal? Gostando? Eu estou e muito, principalmente deste capítulo. O primeiro dia de aula dela foimuito bacana. Até eu tive vontade de estudar no mesmo colégio que ela.. rs
Boa leitura!

- Sorte na sua primeira aula de prática. Boa aula. Cuidado com o Julian, ele é um pé no saco. – Sofhie riu e foi até a Tiffany que me mandou beijos pelo ar.

- Boa aula amiga, até depois. – Tiffany falou quando já estava se distanciando.

E quem ficou pra trás? Sim, o Thomas.

- Hm... Boa aula. – Ele me deu um beijo na bochecha e foi correndo até as meninas.

Ai, Deus. Como eu nunca notei quão lindo ele é?

- Senhorita, será que você não vai participar da sua primeira aula? Ou prefere ir até seu namorado? – Alguém falou atrás de mim.

- Mas ele não é meu namorado... – Já ia me exaltando quando, de repente, notei que quem falou comigo foi o professor.

Um homem conservado com seu cabelo preto rente a cabeça. Uma barriga saliente que mostrava ser um alvo muito fácil em batalhas.

- Não importa, entre ou saia da frente da porta. – Professor Julian resmungou enquanto entrava na sala e ficava de frente pra turma.

Entrei logo e respirei fundo, antes que eu perdesse minha paciência. Na sala tinha quatro fileiras longas de carteira. Fui na direção da fileira do meio e quando já estava prestes a sentar, o chato tossiu.

- Senhorita namoradeira, sente-se aqui nesta carteira. – Ele falou apontando para a primeira carteira da fileira, ao lado de um garoto estranho todo cheio de espinhas que sobressaíam mais por ele estar sorrindo pra mim.

Fui até lá e sentei bem lá na frente.

- Bom dia alunos. Sejam bem-vindos a sua primeira aula de Prática de Defesa e Ataque. Como vocês bem sabem. O Período está começando agora por uma confusão que houve na Secretaria. Confesso que isso atrasou um pouco os meus planos. Espero que cooperem e estudem. Não admito nenhuma repetência na minha disciplina. – Professor Julian falou enquanto estalava os dedos,fazendo aparecer um caderno e um pequeno kit de escrita na mesa de cada um. Como eu nem sou curiosa, logo mexi no meu kit e vi que dentro tinha uma pena bem afiada e dois potinhos de tinta preta.

Na outra escola eu usava lápis e caneta para escrever. É, esse colégio é outro Mundo, comparado à Genebra.

- Agora vamos ao começo da nossa aula. Alguns de vocês devem saber sobre a matéria e isso não me importa. – Julian encostou-se a uma mesa que estava de frente para todas as carteiras. Estalou novamente os dedos fazendo aparecer um livro grosso em cada mesa. – Será preciso que aprendam Latim. Com este livro vocês aprenderão a língua e aí também tem os principais Feitiços, que precisarão saber, ao menos, a metade para a próxima aula. – Ele riu enquanto murmurava baixo “Muito improvável que sejam capazes de tal proeza.”

No momento que eu entendi isso, me deu uma vontade maldita de levantar e falar que todos na turma, totalmente desconhecida pra mim, são capazes de bem mais que isso mas eu me segurei. Mal conheço esse professor. Vai que ele me manda pra Secretaria? Não quero isso logo no primeiro dia de aula.

- Vamos começar com as definições. Defesa e Ataque são duas ações compatíveis. Para haver um equilíbrio, seja numa batalha ou um simples exercício, é preciso que haja defesa e ataque. Não é justo nem permitido que alguém ataque uma vítima indefesa. Deve-se estar à altura. E aqui aprenderemos como atacar e se defender. Algo muito importante em qualquer batalha ou luta, a atenção e concentração. – Ele foi até a mesa e pegou uma adaga. Bem afiada, devo comentar.

Todos na sala estavam assustados e não tiravam os olhos da ponta fina da adaga. Olhei a minha volta e o mínimo que pude notar foi o que me incomodou, o espinhento não tirava seus olhos de mim e não parava de sorrir.

- Esta Adaga é um dos diversos instrumentos utilizados em luta, mas há aquelas pessoas que preferem lutar sem armas, apenas com a força. – Prof. Julian girou a adaga pelas mãos e fingiu várias vezes que tacaria nos alunos. Diversas vezes ele fingiu tacar em minha direção. Ele só não conseguiu me surpreender.

Tentou várias vezes me assustar enquanto eu apenas sorria amargamente para ele.

“Ridículo...” Pensei após sua última tentativa frustrada.

- É incrível como há pessoas que não se surpreendem. Mal sabem que isso nem se compara a uma batalha de verdade. – Ele não parou de me encarar até que continuou a aula. – Há vários pontos vulneráveis de nosso corpo que podem ser atacados numa luta, e precisam ser protegido por cada um. – Ele pegou uma papeleta que estava sobre a mesa. – Srta. Costello. – Era só isso que faltava. Como se já não bastasse ser a escolha preferida dos professores lá em Genebra, o costume continua aqui em Paris.

- Sim? – Falei estressada levantando meu braço direito.

- Oh, bom saber. Você me ajudará nas aulas, sendo minha cobaia para demonstração de golpes. – Professor Julian riu enquanto fazia um sinal com as mãos para que eu fosse até ele, na frente de toda classe.

Eu fui contra minha vontade. Fiquei de frente para todos que estavam na sala, rindo de mim. Respirei fundo.

O Professor “Sou chato” Julian foi até a mesa e pegou uma espada assustadora. Ok, dessa vez ele me surpreendeu, e me assustou.

- Aqui... – Ele colocou a ponta da espada sobre o meu coração, nuca, um palmo acima dos meus peitos (perto dos ombros), tornozelo e muitos outros. Eu pude sentir a ponta da espada espetando minha pele, o que não foi legal. – Estes são os pontos fatais que devemos defender, e atacar só em casos de legítima defesa. Pois são pontos que podem deixar a pessoa bastante ferida, e em golpes bem feitos, pode até matar. – Ele jogou a espada pra mim e eu juro, fiquei tão apavorada que fechei meus olhos e não reparei mais nada. O máximo que reparei foi escutar vários barulhos de espantos.

Abri meus olhos e me deparei com o Professor me olhando furioso. E eu? Estava com as mãos elevadas e a espada flutuando. Sim, a espada estava flutuando, apontada na direção do professor que pegou a espada e me entregou.

- Aqui nesta classe nenhum aluno tem atenção por se amostrar. Quero alunos que sejam disciplinados, hábeis, inteligentes... Não, crianças idiotas que gostam de ficar jogando na cara de outros que sabem mais. – Professor Julian me encarava com olhos raivosos, quase pude ver chamas saindo.

- Que bom, professor. Porque eu também não gosto de pessoas assim. – Por mais educada que eu seja, não sou garota de deixar um homem idiota a espertalhão me envergonhar e humilhar.

A turma tentou abafar o riso, mas não conseguiram.

Eu quase comecei a rir quando reparei que o professor tem tic nervoso, seus olhos tremiam.

O Professor “Nervos a flor da Pele” distanciou uma perna da outra, levantou um braço na minha direção enquanto o outro ficava posicionado as suas costas. Como aquelas posições de esgrima.

- Esta é a posição de Ataque. – Ele abaixou os braços e os deixou flexionados na frente do seu rosto. Como aquela pose de lutador de boxe só que com os braços mais elevados, para proteger mesmo. – Esta é a de Defesa. Vamos, Fabi. Coloque a espada sobre a mesa, fique na posição de ataque e me dê seus melhores socos. – Ele falou ainda defendendo seu rosto.

Até parece que eu o obedeceria. Bater nele? Por mais que eu queira, não sou aluno que bate em professor.

- Isto é uma ordem, não um pedido. – Ele falou arrancando risos da turma que logo se calou ao vê-lo encará-los sério.

Tive que obedecê-lo.

“Fabi, isto é uma aula séria. E este professor não está de brincadeira.” Pensei enquanto deixava a espada sobre a mesa.

Fiquei na posição de ataque e um pouco a frente do professor. Como eu não tinha coragem de tal artimanha, dei um tapa no ombro do professor que logo retribuiu me empurrando para trás com o braço direito.

- Vamos lá, você pode fazer melhor que isso. – O Professor falou antes de me dar outro empurrão.

Eu já estava perdendo a paciência. Fiz o mesmo que ele. O empurrei e dei um tapa na cabeça dele, que me mostrou quão irritado ele tinha ficado. Quase ri mas eu me segurei. Não posso ser tão abusada assim, logo no primeiro dia de aula.

Eu estava tão desatenta que o professor me deu um tapa, e como eu não me defendi, ele pegou meu braço e o torceu nas minhas costas, o que doeu. Eu fiquei com raiva. Raiva do abuso dele, mesmo sendo professor. Raiva de mim mesma por não ter me defendido nem protegido.

- Por isso eu disse que é preciso ter atenção e concentração, além de se defender, não só atacar. Ataque, se defenda. Tenha atenção para conciliar essa seqüência enquanto fica atento ao rival. Se concentre, ataque e se defenda, já pensando no próximo golpe e na reação do rival. – Professor Julian podia até ser chato mas admito, ele sabe lutar. Não é a toa que o colocaram como professor desta matéria. – Alunos, esta posição em que estou segurando a Srta. Costello é fácil demais você conseguir manipular o rival, controlar seus golpes, o deixar indefeso e até mesmo fazê-lo desistir da luta por cansaço. É preciso se defender para que isso não aconteça com vocês. – Era tão lógico que me deixou com mais raiva ainda. Tanta que eu perdi a paciência e dei uma cotovelada na barriga do professor, conseguindo me soltar dele e ainda bater na sua cabeça.

O professor me olhava com olhos raivosos. Parecia até um cachorro com raiva. Só faltava ele começar a babar.

- Muito bem, para uma senhora de idade. – Julian riu junto com a turma. – Turma, fique de pé. – Ele levantou as mãos na direção dos alunos e fez com que as carteiras se recolhessem num canto, abrindo espaço na sala para que mais alunos treinassem golpes. – Cada aluno ficará com o amigo que estava sentado. Christopher, você será o monitor de hoje. Vigie cada dupla. Aquela que não estiver lutando, nem que seja dando tapas estúpidos um no outro, você anota o nome. Quanto a você, senhorita. Tente fazer algo melhor. – Ele falou até que me deu um tapa na cabeça.

Merda, eu não admito isso. Apanhar tanto de um pançudo. Voltei a posição de ataque e soquei a barriga dele, quando ele baixou a guarda com dor, eu segurei o braço dele e o torci nas suas costas.

- Me surpreendeu. – Ele puxou o braço de volta, me deu uma cotovelada na cintura, me puxou pelo braço e me jogou de costas no chão. – Você só não contava com esse contra-ataque. Turma, já chega por hoje, podem ir para a próxima aula de vocês. Srta. Costello, você definitivamente deve melhorar seu condicionamento físico e continuará sendo minha ajudante. – Ele se despediu da turma e ficou anotando os nomes que o Christopher tinha pegado para ele.

Eu saí da sala, resmungando enquanto tentava segurar o meu livro, caderno e meu kit de escrita, sem que me doesse mais o corpo.

Parei no corredor em frente à sala de prática e levantei a blusa onde o professor tinha me golpeado. Um grande pedaço da minha cintura estava roxo e muito dolorido. Ajeitei meu uniforme e peguei o papel da minha grade escolar, para ver qual era a próxima aula. A próxima era Relação Homem-Universo.

Procurei no mural e anotei as salas de cada matéria.Estava bem atrapalhada por tanta coisa que eu estava segurando e pela dor, mas consegui anotar no papel da grade escolar cada sala e andar das matérias.

Como eu estava no 6º andar, tinha que ir pro 5º andar para a próxima aula. Descer escadas com essa dor seria uma tortura.

Quando já estava perto da sala de Relação Homem-Universo, o sinal tocou. Apressei os passos e cheguei junto com o pessoal da turma. Algumas pessoas estavam junto comigo na aula de Defesa e Ataque, outras eram novos estranhos para a minha lista.

Entrei na sala e uma senhora sorria cumprimentando todos que entravam na sala.

- Bom dia, crianças. Como estão? – A senhora cumprimentou enquanto todos se instalavam em suas carteiras.

A nova professora era uma senhora de idade, bem idosa e muito educada. Com seu rostinho angelical, um sorriso convidativo e seus cabelos grisalhos, ela logo me conquistou.

- Eu estou ótima, como sempre. Obrigada por pergunta, Karen. – Ela respondeu a uma aluna ruivinha que estava sentada na fileira do canto. – Alguns de vocês já devem me conhecer pela Reunião de Apresentações que teve no começo da semana e imagino que alguns não me conhecem. – Ela falou olhando pra mim. Acho que sou a única novata da turma.

Sorri para ela que veio na minha direção, e já que eu estava no fundo da sala, ela andou bastante.

- Olá, senhorita. Eu sou a Professora Karolla e imagino que essa seja sua primeira aula. Seja muito bem-vinda. Digo, sejam todos muito bem-vindos a melhor aula que vocês podem ter. – Professora Karolla riu enquanto ia até a sua mesa, lá na frente da classe. – Na aula Relação Homem-Universo, meu objetivo é ensinar a vocês sobre a relação do Homem com o Universo, seja com o Mundo Místico, Astral ou Humano. Hoje vamos comentar um pouco sobre os tipos. Vejo que já ganharam um presente do primeiro professor de hoje. Este caderno é apenas para as aulas de Sexta. Os alunos que faltaram as aulas da semana, falem comigo depois que darei a vocês mais um caderno para cada dia da semana. – Ela sorriu para mim e todos me olharam. Alguns sorriram para mim, outros me olhavam com cara de nojo ou de superioridade.

Sabe, eu nem liguei. Já passei por isso, e não é hoje que ficarei abatida. Só a dor da luta com o professor já me basta.

- Começando a aula, abram o seu caderno, molhem suas penas. Na minha aula, eu não quero que vocês anotem o que eu estiver falando. Vocês devem prestar atenção e assim, vocês vão anotar no caderno o que entenderam. Eu sou a professora, mas não mando no raciocínio de cada um, infelizmente. – Ela arrancou risos de todos da sala.

É, a professora Karolla nem se compara ao Professor Julian. Ela é carinhosa, respeita os alunos e é uma ótima professora.

“Que a diversão comece.” A pena da professora Karolla escreveu no quadro.

- Crianças, em tudo que há para se aprender aqui no Colégio, a parte que mais me agradou foi a matéria que hoje estou lecionando. A Relação do Homem com o Universo é tão incrível. São três tipos: A Relação com a Natureza, com os Bichos e com os Espíritos. Não há uma que seja melhor. Todas estão à altura uma da outra. Por mais realizada espiritualmente que eu seja, minha especialização foi com a Natureza. – A Professora sorriu alegremente. – A especialização de vocês pode ser com a Natureza, ou com um elemento: Ar, Fogo, Água e Terra. Quando nos especializamos em Natureza, é porque temos uma linhagem genética de Mestres em Natureza. Nós temos um contato íntimo com a meio natural do Universo, e conseguimos manipular parte dos elementos. Quem se especializa com um dos elementos, consegue manipular sem ter limites ou restrições. – A Professora terminou de falar e foi até sua mesa.

Acendeu uma vela só ao tocá-la e soprou sua fumaça no ar, que formou um desenho de cada elemento. Claro que Ar, foi representado por algo próximo. Ela fechou os olhos e criou uma imagem magnífica na sala.

- Esta é uma imagem ilusória. Como uma miragem mais próxima da realidade. – Karolla olhava fascinada para a Floresta que tinha se formado por toda a sala. – Vocêsaprenderão na Aula de Feitiços. – Ela comentou enquanto olhava diretamente para alguns alunos que estavam atentos a tudo que a professora falava.

Era tão lindo que todos se levantaram de suas carteiras e ficaram um tempo admirando cada árvore e cada flor. Eu não fiquei para trás. Mexi em tudo que vi pela frente e quando olhei para trás, todas as carteiras da sala estavam arrumadas no canto da sala, uma em cima da outra. E os pertences de cada um estavam espalhados pela sala com um papel escrito o nome do dono.

- Há também as Especializações com os Bichos, animais em geral, e com o Espírito(Quinto Elemento). São incríveis mas eu não abriria mão da minha Natureza. – Todos riram. – Quem se especializa com os Bichos pode fazer uma transfiguração de qualquer animal que quiser, basta pedir permissão.

- Mas... Professora, os animais é quem deve nos obedecer. Agente pedir permissão para eles? Não faz sentido. – Um rapaz moreno, bem alto falou.

- Se você ao menos pudesse entender como é a mente dos Animais... – Karolla falou amigavelmente, mesmo com uma raiva aparente. – O interessante é que nessa relação, o sortudo entende a língua dos Animais e desde pequenos já é clara sua intimidade, seu carinho com todos os bichos. – Nesta hora, muitos animais apareceram na sala, claro que era uma imagem ilusória. Muito real, mas uma mera ilusão.

Muitos alunos ficaram com medo enquanto outros tinham uma confiança gigante de que, mesmo sendo uma ilusão, podia confiar a vida a cada animal. Era lindo ver uma garota baixinha fazercarinho na barriga de um grande leão, tão incrível quanto ver o pôr do Sol.

Eu ri quando vi o grandalhão que brincou com a professora, mexer com um pequeno mico-leão. Estava tão distraída que nem reparei quando vi a professora se aproximar.

- É lindo, não? Pudera eu mostrar a vocês a beleza que está solta pelo Mundo Místico. – Ela sorriu para mim e foi até cada aluno que mostrava de longe sua relação com os Bichos, e uma possível Especialização.

De repente, para infelicidade de parte da classe, o ambiente da sala mudou para um jardim a céu aberto com muitas pessoas brincando alegremente sobre o gramado.

- Crianças, lhes apresento o Mundo Astral. – Professora Karolla falou enquanto se sentava no chão e era acompanhada por todos na Classe.

E por uma razão desconhecida, eu senti meu corpo desobedecer minhas ordens. Era uma vontade que eu tive de falar com cada pessoa que corria pela sala. No fundo, eu sabia que aquele não era só o Mundo Astral, era o mundo dos Mortos, mais conhecido como céu.

- Senhorita Costello, poderia sentar-se conosco? – Professora Karolla me chamou pelo nome. Espera, eu não disse meu nome para ela.

Me sentei ao lado da baixinha ruivinha que brincou com o leão. Era tão confuso. Minha atenção estava presa na imagem atual da sala.

- Este é o mundo para onde os Mortos sortudos vão, o céu. As pessoas que se especializam em Espírito têm a divina vantagem de poder ver, se comunicar com os espíritos, e muitos outros benefícios. Mas também há pessoas que têm a sorte de ver este Mundo, tem um interesse maior em conhecer, e isso muitas vezes confunde pois não conseguimos saber se é uma especialização ou mais um sortudo. – A Professora riu, olhou em seu relógio. – Turma, pode ir para a próxima aula. Vejo vocês sexta que vêm. Adorei dar aula para vocês. Quero que fiquem atentos a qualquer mudança que ocorrer na vida de vocês, pois já nessa semana, sua especialização pode se manifestar. Beijocas e até mais. – Ela se despediu de todos e fez com que a Natureza voltasse à sala.

Eu não consigo explicar a leveza que saí da aula da Professora Karolla. Sim, a lembrança dolorida da Aula do Julian não ficou para trás mas... Cara, eu não tenho nem palavras.

Procurei meu “mapa” escolar e vi que a próxima aula era Prática de Evocação Mágica. E lá ia, uma Fabi subir de volta para o 6º andar. Fui até a sala da próxima aula e pelo que parecia, tinha chegado mais cedo que a turma. Só tinha uma mulher, loira e muito bem arrumada. Uma pessoa muito bonita. Imagino que seja a professora.

Entrei na sala, silenciosamente e coloquei meus pertences sobre uma mesa que estava num dos oito círculos que tinha na sala.

- Bom dia... – Olhei no meu “mapa” escolar o nome da professora. – Professora Afrodite. Sou a... – Fui interrompida por ela.

- Sente-se e espere pela turma. A aula ainda não começou. – A Professora me respondeu rispidamente sem nem olhar pra mim.

É, nunca devemos julgar o livro pela capa.

Estava sentada no meu canto quando o sinal bateu e a turma começou a entrar na sala. A Professora nojinho se levantou da carteira que ela estava sentada e ficou de frente da turma.

- Bom dia, sou a Professora Afrodite. Estou substituindo a Professora Estér. Devo comentar logo que não serei tão bondosa como a Estér. Meu dever é ensinar-lhes e não educar criancinhas. Vocês já estão bem crescidinhos. Abram seus cadernos. – A Professora Afrodite foi em direção ao quadro e fez com que um giz escrevesse o nome da Matéria.

Muita gente escreveu no caderno o que estava escrito no quadro, e não deviam fazer isso. Um ponto importante que aprendi com o Professor Donald, lá de Genebra, é que devemos entender ao pé da letra, o que um professor disser. Esta professora não mandou copiar o que ela escrevesse.

Olhei a minha volta e vi algumas pessoas como eu, esperando que a professora dissesse o que era pra fazer.

- Os alunos que estiverem copiando... – No momento em que ela disse isso, eu quase peguei a pena. Se, por um acaso, eles fossem privilegiados, eu também seria. Mas alguma coisa me dizia que eu estava agindo certo em seguir o conselho do Donald. – Podem sair da sala. – Eu fiquei surpresa por saber que estava agindo certo. E chocada pela ordem da professora.

A parte da turma que tinha desobedecido à professora ficou um bom tempo questionando porque tinham de sair da aula. Eles até tentaram se desculpar só que não conseguiram a atenção da professora.

Mais da metade da turma saiu da sala e se eu contasse, acho que ficaram, no máximo, 15 pessoas

- Devo falar com vocês que uma característica que eu admiro é a obediência. Toda primeira aula eu faço um teste para ver quais são os alunos que realmente devem aprender. É assim que seleciono minha turma. Aquela antipatia, confesso, foi apenas parte do teste. Agora, vamos começar a aula. Juntem-se aqui perto de mim, num círculo. – Professora Afrodite sorriu para todos enquanto pegava uma apostila e sentava junto com os alunos.

Eu fiquei surpresa mas ainda estou suspeitando desta professora.

- Hoje vamos aprender o básico de tudo. A Magia. A Ciência que estuda os segredos da Natureza, ensina a utilizá-la para o bem espiritual. Bem, não vou aprofundar tanto em Magia, pois isso vocês aprenderão em História. Agora, vamos a nossa matéria. Evocação Mágica é diferente de Invocação. Evocação é chamar, tornar algo real com a ajuda de cerimônias mágicas, encantamentos. A Invocação é chamar a si, um poder superior, uma Natureza acima da sua, pedir proteção e ajuda. A invocação está no pensamento e o Ser invocado nos ouve, a evocação é um ato e o Ser invocado se manifesta. – A Professora Afrodite pegou uma pena e a balançou no ar. Conforme ela falava, apareciam imagens referentes no ar. – Podemos evocar Almas, Espíritos, Sombras e Energias Elementares. – A Professora sorriu e olhou a nossa volta.

Ela pegou uma folha e escolheu um dos nomes. Por um instante, eu achei que seria o meu mas não foi.

- Ivan Holmes, me diga. Qual a diferença entre Espírito e Alma? – A Professora sorriu abertamente para ele.

- Professora, Alma é quando está encarnado no Corpo e Espírito, popularmente dizendo, é a Alma desenvolvida depois da Morte, que não precisa reencarnar. – O Tal Ivan, um rapaz baixinho e careca, respondeu a pergunta da professora. E, em minha opinião, foi uma ótima definição.

- Você só errou sobre o Espírito. Alma também é o que está vivo, se move, é a própria pessoa. Espírito é o lado psíquico, a mente do Homem, o que o faz viver. – Afrodite anotou algo num bloquinho. -Vocês já devem ter aprendido um pouco na Aula de Relação Homem-Universo que temos a Especialização com Espíritos, certo? Bem, hoje vamos nos aprofundar um pouco neste assunto. – Afrodite passou uma folha em branco para cada aluno. – Esta Especialização é o que há mais perto da Evocação de Espíritos. Esses felizardos conseguem evocar, invocar, conversar, ver... Tudo isso. É tão magnífico que muitos privam a isso, permitindo que o Ser Evocado ou Invocado se aproveite. E isso é muito perigoso. Em tudo, é preciso ter controle e saber não se doar tanto ao nosso poder. – Ela se levantou e sentou no meio do círculo.

Essa professora é tão diferente da Karolla e do Julian. Ela tem uma Aura tão poderosa, tão pesada. E isso faz com que eu sinta tanta energia vindo dela. É cansativo, mortal, ameaçador.

Fiquei olhando para a professora enquanto ela estendia as mãos no ar, próximas uma a outra. Ela ficou assim, em silêncio, por um tempo até que, aos poucos, foi aparecendo uma esfera clara em sua mão, uma luz que foi crescendo.

- Para se Evocar algo não é preciso ter uma Receita, apenas saber a essência dos Feitiços, a língua de origem, o latim. Sabemos que é uma língua complicada mas temos um ponto a nosso favor. Todo Ser Místico desperta a língua de nossos ancestrais. Vocês só precisam ler livros, textos em latim que conseguirão entender. – A Professora respirou fundo. – E aqui, aprenderemos como evocar muitas coisas, de forma diferente uma da outra. O que será fácil. Difícil mesmo é o que precisamos fazer para conseguir evocar e invocar. Precisamosmanipular e controlar nosso poder, juntar parte dele a uma energia e tornar real. – A Professora falou ainda de olhos fechados com a esfera de poder em suas mãos. – Quero que estendam suas mãos a sua frente, pensem em coisas boas para que fiquem relaxados e assim possam encontrar a fonte de seus poderes. – Todos obedeceram e eu também.

Fechei meus olhos e pensei em coisas boas. Em minha mãe, meu pai, minha infância e meus amigos. E sem que eu pudesse impedir, pensei no Thomas e eu pude sentir uma força fluindo de dentro de mim e indo até minhas mãos. Diferente da energia que fluiu em mim, no dia em que eu descobri que tenho poderes. Era uma força tranqüilizante, positiva e controlável.

- Vocês sentem a energia fluindo em seus corpos? Agora a direcionem às suas mãos e a controle com sua mente. – Depois do que a Professora disse, eu senti a energia, meu poder em minhas mãos.

Eu abri meus olhos e pude ver a esfera branca avermelhada que eu estava segurando. Era tão linda, controlada e poderosa. Desafiadora. Conforme eu me concentrava, maior ficava a esfera.

Por mais feliz que eu ficasse em pensar na minha mãe, pensar no Thomas me fortalecia de tal modo que era tentador.

Olhei para todos que estavam de olhos fechados e confesso, eu estava indo melhor que eles. Talvez eles não estivessem se concentrando o suficiente.

- Crianças, se concentrem pois, assim como você podem controlar essas forças, elas podem virar o jogo e controlar vocês, o que é perigoso, mesmo numa simples evocação de poder assim. – Eu juro que escutei o que a professora Afrodite disse mas foi só eu olhar na direção da porta e ver o Thomas sendo agarrado pela mesma menina do Refeitório, que eu perdi o controle de mim mesma e tudo a minha volta ficou escuro.

Eu só podia vê-los abraçados, se agarrando, me sacaneando com a escuridão que os encobria e parecia me sufocar. O estranho é que não estava me machucando fisicamente, e sim, espiritualmente. Me fazia sofrer como se sugassem parte da minha energia.

E aos poucos, tudo foi clareando e o sofrimento espiritual passou, dando espaço para a dor física.

- Srta. Costello, acorde. – A Professora Afrodite me balançava sem parar e eu podia ver um pouco de desespero em seus olhos. Deveria ser um tanto ruim como os professores se sentem quando algum aluno se machuca em suas aulas.

Quando tudo ficou claro, eu gritei de dor. Era fortíssima, e passou conforme a professora murmurava algo muito baixo, me encarando sem parar.

Eu me levantei e fiquei sentada de frente para a professora que respirou aliviada.

- Você está bem? – Ela perguntou.

- Sim, professora. Estou bem. Sinto muito por... – Afrodite me interrompeu.

- Não sinta, eu devia ter falado antes. – Ela falou olhando para o relógio. – Bem, turma. Vocês já podem ir para a próxima aula. Se bem que ainda está cedo mas vocês já estão liberados. Quero que pratiquem para a próxima aula. – Ela falou e quando eu já estava de pé, ela me chamou.

Peguei meus pertences e fui até a professora.

- Sim, professora? – Olhei para a professora que me encarou com os olhos tristes.

- Como você está? – Ela perguntou enquanto pegava minhas mãos e olhava no fundo dos meus olhos.

- Estou bem, um pouco tonta mas estou bem. – Falei me sentindo melhor, acho que por alguma coisa que a professora estava fazendo.

- Ok. Descanse e pratique. Você é muito poderosa e isso pode ser bem mais perigoso pra você. – Ela falou enquanto me dirigia até a porta e fazia uma pequena oração. Eu não pude escutar. Parecia algo como “proteção” e “controle”.

Me despedi da professora e fui até a próxima aula, pelo visto era Prática de Magia Enoquiana e Musical, do Período.

Não dei nenhuma atenção ao que a professora havia falado e só agora me toquei.

“Você é muito poderosa e isso pode ser bem perigoso pra você.”

As palavras soavam em minha cabeça repetidas vezes, e parecia que não pararia. Enquanto eu tentava analisar, a cena do meu descontrole, o Thomas agarrado a outra garota, não permitia que eu me concentrasse.

Eu até cheguei a pensar no descanso que a Professora Afrodite disse mas, é meu primeiro dia de Aula, eu não posso faltar.

Eu já estava esquecendo da dor que o Julian me causou até que ela voltou.

Fui até a próxima aula que seria aqui no 6º andar e um pouco longe de onde eu estava. Umas 6 salas depois. E juro, este não é cansativo mas pensar no que me aconteceu e no que a professora disse, estava me cansando. Tanto que eu poderia desmaiar a qualquer momento.

Quando eu senti meu corpo amolecer, já estava de frente para porta da Aula Prática de Magia Enoquiana e Musical. Dei uma olhada para dentro da sala e vi que tinha chegado adiantada, outra vez.

Havia um rapaz, bonito e novo para um professor. Eu daria, no máximo, uns 28 anos para ele.

Entrei na sala e fui direto me sentar numa carteira. Eu precisava deitar e o que tinha mais perto de deitar era sentar numa cadeira, bem à vontade e jogar minhas pernas sobre a mesa. E é claro que eu não faria isso aqui na mesma sala que um professor, e novo.

- Epa, não diga que essa energia vem de você? – O professor falou com uma voz um tanto... Feminina para um homem. – Desculpe a falta de educação, querida. Sou o professor Karl, de PMEM. E você, quem é? – Ele afagou meu cabelo.

- Eu sou Fabianne Costello, mas pode me chamar de Fabi. É, por que você perguntou se essa energia estava vindo de mim? Que tipo de energia? – Esses professores estão falando demais. Eu tenho que questionar o que eles tanto estão falando.

- Essa energia tão deplorável, cansativa e triste. É como uma canção de amor perdido, ou então, um luto. Se eu pudesse definir com uma cor, eu diria cinza pois passa a idéia de depressão, medo. Ou até mesmo o preto, que está associada à idéia de luto ou terror. É uma energia tão forte que me dá vontade de chorar. Fofa, está passando por algo ruim? – O Professor falou de um jeito tão meigo e apressado que me fez sorrir.

- Estou mas não vem ao caso, hoje é meu primeiro dia de aula e eu não deixarei que nada me desanime fazendo com que esse dia não se torne memorável. – Falei decidida e vi que a merda que seria meu dia depois que o Thomas entrou na sala.

O Professor reparou que eu estava olhando para o Thomas, e de alguma forma, ele sentia o que eu estava sentindo.

- Querida, não sei o que houve. Só me responde, você gostaria que eu te ajudasse com isso? – Ele perguntou com um sorriso de ponta a ponta.

Alguma coisa me dizia que eu poderia confiar no professor mas esse sorrisinho dele foi suspeito, e por outro lado, eu não queria ficar longe do Thomas.

- Ok, professor Karl. Só tente não aprontar pro meu lado. – Falei arrancando risos dele que logo foi até a sua mesa.

- Bom dia, pessoal. Como eu já sei que temos uma aluna nova aqui, vou esclarecer rapidamente a disciplina. Antes, quero organizar a turma. – Num minuto, ele juntou as duplas que ficariam juntas na aula de hoje e pra minha grande infelicidade, ele me colocou junto com o Thomas. Ele ficou surpreso, eu tenho certeza, ao ver que eu faria a mesma aula que ele.

Eu resmunguei baixo quando ele se aproximou de mim e ficou no meu lado.

- Olá, Fabi. Tudo bem? – Ele falou muito feliz e logo eu imaginei que fosse pela garota que eu vi agarrada a ele.

- Se você não se importa, eu gostaria de prestar atenção na aula. — Eu não sei por que fui tão grossa com ele. É que eu fiquei com tanta raiva, não poderia tratá-lo bem quando ele se atracava com uma garota e vinha todo alegre pro meu lado. Ah, pára. Ele já não é criança. Poderia, ao menos, me falar o nome da garota.

Virei para frente e jurei ficar assim até o final da aula.

- PMEM significa Prática de Magia Enoquiana e Musical. Vocês, do Período II, sabem muito bem que praticar a Magia Enoquiana sem permissão, monitoração e treinamento é proibido. Porque é uma magia que invoca e evoca anjos, assim como demônios. Todos sabem que a força é útil quando se pode controlar, não ser controlado. E há casos de pessoas que foram controladas por anjos com a vontade de que abrissem os portais do lado externo. A língua, restrita aos professores só para que tenham conhecimento, e não a utilizem, tem um poder tão forte que ao ser anunciada pode contrariar o que desejamos e ainda, ser transmitida de trás para frente. – Professor Karl falou como se essa magia fosse uma maldição. E pela primeira vez, senti medo.

O professor olhou na minha direção.

- Magia Enoquiana ficará para a próxima aula. Vamos comentar sobre a Magia Musical. Sinto energias negativas rondando a sala. – Karl enfeitiçou uma pena para que ela escrevesse no quadro o que ele quisesse. – Devo esclarecer que a Magia Musical é conhecida por estar relacionada ao Ocultismo. Porém, nesta escola, educamos vocês para aproveitar e saber utilizar o que lhes foi dado, não para usar com más intenções. Pois bem, nossa matéria musical é diferente. Baseia-se em ensinar-lhes a cantar o que a Alma, o Espírito fala. Assim é como nos comunicamos com o nosso lado interior. E está mais do que lógico que os rapazes não se dão muito bem com esta disciplina, não é O’Conell? – O Professor riu enquanto olhava para o Thomas e dava breves olhares pra mim. – Venha até aqui e nos fale o que você aprendeu depois de repetir na disciplina. – Karl trocou de lugar com o Thomas e eu pude reparar como o meu amiguinho é conhecido na escola.

A atenção da turma estava presa nele mas eu nem queria saber dele.

- Eu não pensei que seria tão sério colocá-los juntos. Se algo lhe estiver incomodando, se precisar de ajuda é só falar. Sinto muitas energias vindo de você, e não são boas energias, como eu já bem disse. Tente se controlar. Se preferir, pode ir relaxar um pouco sua mente. Isso, vá e se acalme. Não precisa voltar a aula, te passo tudo que foi comentado aqui. Só tente melhorar seu lado emocional, ou ele pode se descontrolar e acabar aos poucos com sua sanidade. Vade in paceetbenedicam. Nonocetapproximant ad te.” – Karl disse algo em Latim e por uma razão muito estranha, eu entendi o que ele disse.

Acabei me lembrando do que a Professora Afrodite disse. Sobre os Seres Místicos conseguir entender o Latim, que é uma língua desconhecida pra mim.

“Vai em paz e eu te abençôo. Nenhum mal se aproximará de ti.”

- Gratias. – Impulsivamente, eu agradeci ao professor. Eu juro que nunca estudei Latim mas foi só chegar neste colégio que descobri tanto.

Peguei minhas coisas e me retirei da sala, sendo acompanhada pelos olhos do Thomas que continuou falando sobre o que aprendeu.

Eu ainda tinha mais uma aula antes do Almoço. Por mais esfomeada que eu seja, não estava com vontade de comer nem fazer nada. Eu queria poder me jogar numa piscina, ficar de frente para um ventilador na velocidade máxima, sentir a areia da praia passando pelos meus dedos ou até mesmo, sentir o calo do Sol em minha pele. Tudo isso eu passei a sentir, a desejar depois que saí da aula da Professora Karolla. E por um instante, eu cogitei a idéia de que minha especialização, por estes desejos, fosse a Natureza.

Procurei saber o nome do Professor ou Professora da Aula de Prática de Levitação e Vôo para que eu pudesse ser liberada. Estava parada no meio do corredor do 6º andar quando um homem magro, alto e com uma expressão bem carrancuda parou a minha frente.

- Você é Srta. Costello? – Me perguntei e eu fiquei confusa pela pergunta.

- Sim? – Ele riu com a forma que eu a respondi. Por um instante, sua aura amarga se suavizou.

- Sou o Mestre Jack, professor de PLV. – Demorou um tempo para que eu entendesse que era quem eu procurava. – O ProfessorKarl e a Professora Afrodite já me informaram de seu cansaço espiritual. Como você ainda não foi a sua primeira aula de PLV do Período I, vou te liberar hoje. Fique atenta ao correio de seu quarto. Ainda essa semana, deixarei um recado te avisando sobre seu Monitor que a ajudará na disciplina. Cave, Parva. – O Mestre Jack se despediu de mim dizendo “Cuide-se, pequena” e eu pude, enfim, me sentir um pouco melhor pelos professores serem tão cuidadosos com os alunos.

Tudo estava ótimo até que eu deixei meus pertences cair no chão. Me abaixei para pegá-los e lembrei da aula do Julian, mais especificamente, da dor.

Desci as escadas para o 5º andar e no meio do caminho, não sei se fiquei feliz ou estressada por isso, encontrei com o Tyler.

De longe ele me viu mas alguma coisa o impediu de chegar até mim. Eu estava com tanta dor e tão cansada que nem dei a mínima a isso.

Acenei para ele e fui direto para o meu quarto, no 2º andar.

Notas finais
Até a próxima.. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.