Destino Traiçoeiro

6 6. Segredos e desgraças.


Notas iniciais
Bom dia, pessoal. Nossa, parece que não tem ninguém lendo, sério? Tudo bem.. Eu comecei a postar essa fic e nem imaginava que ela chegaria onde está. Estou postando agora essee mais outro capítulo. Espero que gostem.

Respondi ao médico que estava vindo na minha direção. Ele olhou para mim.

— Você é filha do Sr. David? — O médico disse.

- Sim. Sou eu sim. — O que será que aconteceu? Estava começando a ficarmais preocupada.

- Seu pai já está melhor. Ele acordou e deseja falar com a senhorita. — Senti uma lágrima cair dos meus olhos e rolar pela minha face.

Ele estava bem. Não consegui responder de tão preocupada que estava. O médico me conduziu até o quarto que meu pai estava. Chegando lá, eu olhei por entre a porta no momento em que uma Enfermeira estava saindo e vi que meu pai estava bem melhor, comparando ao seu estado de antes.

— Posso falar com meu pai a sós? — Perguntei, olhando para dentro do quarto.

- Claro que pode. — Ele falou, sorrindo. Abri a porta e entrei.

Fui recebida com um sorriso diferente do meu pai. Sorri para ele, apesar de estar muito preocupada.

- Olá, pai. Como o senhor está? Sabe que me deixou muito preocupada, né? — Falei, tentando me manter calma.

- Estou bem, filha. Mas terei que ficar um tempo aqui no hospital. — Ele olhou para o pé da cama e voltou os olhos para mim, chorando. — Fabi, eu tenho muita coisa para te contar e é muito importante que você saiba de tudo hoje, agora nesse instante. — Eu estava sem palavras. Tinha coisas que eu não sabia? Depois de hoje eu morro. Tanto segredo numa semana só. — Sua mãe, ela foi embora quando você era pequena pela segurança de nós dois. Esses carniceiros, pelo qual você já deve estar sabendo pelos seus amigos, eles estavam atrás da sua mãe e a mataria depois de todos da família dela. Ela fugiu para despistá-los, e conseguiu mas não voltou depois de tudo. Sua mãe, por herança de família, é uma bruxa. E você... Também é uma bruxa. Por herança da sua mãe e muitos outros, como sua vó Kathrine. Agora, como esses carniceiros te acharam , eles vão te perseguir até te matarem e eu não quero isso pra você, minha filha. Não quero te perder assim como perdi a sua mãe. — Ele olhou para mim, chorando muito. Suspirou e voltou a falar. — É por isso que eu quero que você vá morar com a sua vó. Com ela você terá total proteção. Eu não saberei te proteger. No primeiro instante já estariamorto. — Imaginar meu pai morto doía muito, principalmente ouvindo da boca dele. Eu não queria que meu pai se machucasse por minha culpa.

- Pai, eu não vou embora, não vou deixar o senhor sozinho, não vou deixá-lo se machucar por minha culpa. Nunca faria isso e não vou fazer agora por que uns fracotes estão atrás de mim por vingança. — Uns fracotes, Fabi? Tem certeza? Pensa bem no que você disse. – Eu não vou embora. Só vou se o senhor for junto comigo. Eu não vou embora! — Falei gritando. No mesmo instante, a Anne, a Tiffany, o Teddy e Médico entraram no quarto.

- Acalme-se senhorita. Você está num ambiente hospitalar. Por favor, colabore. — O médico disse educadamente.

- Fabi, o que houve? — A Anne perguntou.

- Fabi, entenda seu pai. — A Tif falou e o Teddy acenou com a cabeça afirmando o que ela disse.

- Eu não vou embora. Não vou deixar o meu pai em perigo. Não! — Gritei sem querer mas abaixei o volume quando recebi um olhar mortífero do médico. Hey, ele tá me dando medo. Me imaginei correndo pra debaixo da cama e gritando. E claro que eu não fiz isso. Por pouco. Confesso que cheguei a dar um passo para trás.

— Filha, você tem que ir. — Meu pai falou.

- Ela vai. Eu vou junto com ela, Sr. David. — A Tif falou.

- Eu também. Como o senhor sabe, eu e a Tif somos... O senhor sabe. — Ele falou um pouco sem graça. Olhei para ele incrédula. Ele também? Vai dizer que a Brianna e o James também são? Que meu vizinho é o bicho-papão e que meu pai conhece o papai Noel?

— Fabi, eu te explicarei toda a história no caminho. — A Tif falou.

- Não, eu não vou. — Falei olhando para o meu pai e para a Tif. A Anne estava olhando para o Teddy que estava de cabeça baixa.

- Não, você vai sim. Não se preocupe. Seu pai ficará lá em casa. Será bem cuidado e você vai para junto da sua vó. — A Tif falou.

- Fabi, você tem que procurar ajuda. Você tem que ir amiga. Você vai! — Anne falou. Ela deveria estar muito preocupada comigo.

Eu não queria abandonar o meu pai, nem meus amigos e minha casa mas eu queria muito conhecer minha vó, saber mais sobre a minha mãe e até sobre mim.

Enquanto nós cinco estávamos tendo essa discussãozinha básica, o médico estava olhando para o resultado dos exames do meu pai. Como ele conseguia se concentrar no meio dessa bagunça? Cruzes.

Abaixei minha cabeça, deixando as lágrimas rolarem. Eu não queria fazer isso mas era preciso. Meu pai estaria em perigo se eu ficasse aqui, meus amigos também e... E até o Thomas. Onde esse menino está? Ele não devia ter ido e me deixado aqui sozinha com todos contra mim. Sim, eu sei que é pro bem de todos só que é duro não ter outra escolha.

- Tá bom. Eu vou para segurança de vocês. Só por isso. Aqueles fracotes vão me pagar. Eu vou me livrar dessa vingança. Pai, o senhor. Me prometa que vai se cuidar, não cometa nenhum suicídio enquanto eu estiver longe, ouviu? — Falei, tentando parecer calma e tranqüila.

- Claro que sim, filha. Seus amigos cuidarão de mim. Espero que você se cuide muito bem. — Ele falou me puxando para abraçá-lo. O abracei.

- Claro que vou mas já que eu vou embora, eu quero ir o mais cedo possível. Tudo bem pra vocês, Tif e Teddy? — Falei olhando para eles. Eu realmente não agüentaria ficar aqui mais algumas horas. Por favor, diga que não tem problema. Sim?

- Claro que não tem. Eu já sabia que você iria preferir isso. O Teddy já resolveu tudo enquanto eu e a Anne estávamos seguindo a ambulância. Ele já comprou as passagens, arrumou as nossas malas e eu arrumei a sua mala. Se você não ficar zangada, eu achei melhor arrumar logo e arrumei. Ok? — O que? Você mexeu no meu quarto sem eu ficar sabendo? Você mexeu naquela bagunça? Calma Fabi. Não é momento para você dar os seus ataques. Respire fundo.

- Não, tudo bem. Então, vamos? São 15hs. Vamos umas... Hm... 16h30? Tá legal pra vocês? — Falei.

- Tudo bem. Vamos pegar a nossa mala e a sua, levar a Anne para casa dela e depois viremos te buscar. — Teddy falou. Concordei.

Virei para a Anne que estava chorando. A abracei forte.

- Amiga, não chora não. Eu volto. — Falei.

- Sentirei muita a sua falta. — Anne falou.

- Eu também. Te amo amiga. Cuide bem do meu pai por mim. — Olhei para o meu pai que deu uma risadinha.

- Pode deixar amiga. Também te amo. Se cuida ouviu? Trate de voltar inteira senão eu vou te buscar. — Ri, depois que ela falou isso.

Todos riram. Fui até o meu pai. Sentei na cama e acenei para a Tif, o Teddy e a Anne que estavam saindo do quarto. Voltei meus olhos para o meu pai que estava chorando.

- Filha, eu te amo. Saiba disso caso aconteça algo a mim. — O abracei forte.

- Claro que não vai acontecer nada. Se acontecer algo, eu faço você viver de novo. — Rimos muito depois dessa. Até parece que isso é possível.

- Se cuida ouviu filha? Eu te amo demais e não quero que você vá e se mate ou morra. Não quero sofrer outra vez por vocês duas. Você e sua mãe. — Levantei meu rosto, saindo do abraço do meu pai. Sequei uma lágrima que estava caindo insistentemente do rosto do meu pai.

- O senhor também. Se cuida ouviu? — Falei levantando da cama. Dei um breve beijo na bochecha do meu pai e fui até a porta. Parei, virando para olhar para ele. — Pode deixar que eu vou procurar a mamãe e a trarei para o senhor. Falarei que você nunca deixou de amá-la. Ela sabe disso mas eu vou repetir. Eu te amo pai. – Falei e mandei um beijo e saí.

- Te amo muito, filha. Se cuida. — Fechei a porta assim que ele terminou de falar.

Passando pelo corredor, pensei em como tudo tinha mudado. Agora eu era uma bruxa e nunca fiquei sabendo disso. Minha mãe e minha vó também. Esses Carniceiros querem me matar para se vingar da minha mãe. O Thomas e eu fizemos amizade e hoje, eu desconfio de que esteja crescendo uma chama quando penso nele. O que é constante. Ha Ha.

E o mais triste. Eu estou indo embora de Genebra sabe-se lá para onde. Provavelmente, a Tif e o Teddy já devem estar chegando.

Saí do hospital sem olhar para trás e lá estavam eles no carro da Tiffany. A Tiffany estava segurando a porta do passageiro e o Teddy estava na frente, ele iria dirigir. Fui até eles e abracei a Tif.

- Amiga. Não fica triste não. Nós estaremos sempre contigo. — Ela falou.

- Eu sei amiga. Mas é tão difícil deixar essa cidade para ir pra um lugar que eu nunca imaginei ir. — Falei e percebi que ela ficou sem graça. Entrei no carro e ela entrou depois de mim.

- Você vai gostar de lá, aliás. Bébé, c'est Paris. La ville la plus belle et romantique dans le monde. – Ela falou e completou com uma frase em Francês, e neste instante, eu agradeci por saber Francês. E traduzindo: Baby, é Paris. A Cidade mais linda e romântica do mundo.

- É, acho que estou indo encontrar uns Chatsfrançaise. – Brinquei falando Gatos Franceses.

Teddy revirou os olhos enquanto dirigia o carro até o Aeroporto. Chegando, embarcamos em nosso vôo. Por sorte, nós três iríamos sentar juntos.

A viagem inteira, eles ficaram conversando, ouvindo música, cantando e rindo mas eu não estava com ânimo ou humor para sequer colocar um sorriso no rosto. Olhei para o relógio e era 17hs. Olhei para a Tiffany e ela deveria ter visto, por que nem esperou eu perguntar.

- Ainda não chegou.- Ela falou e riu.

Estava olhando pela janela mas começou a me dar sono, do nada. Deitei minha cabeça na poltrona e acabei pegando no sono. Acordei quando o meu relógio de pulso estava despertando e uma barulheira no corredor me acordou. Me espreguicei e esfreguei os meus olhos. Olhei para o relógio e era 19h30. É. Eu dormi bem e essa viagem demorou hein? Olhei para fora da janela e o que vi foi só o Aeroporto cheio de pessoas lindas embarcando em seus vôos. Desembarcamos e pegamos nossa bagagem.

Pegamos um táxi até perto do Colégio e certa hora do passeio, Tif me puxou para perto da janela.

- Esta é a tão conhecida, Paris. A Cidade da Magia e do Amor. — Olhei para a Tif.

Ela estava sorrindo, olhando para o mesmo ponto que eu e então acenou para uma moça. Olhei para a senhora de idade mas muito bonita. Ela abriu um sorriso enorme ao me ver e percebi lágrimas rolarem. O carro parou e logo saí do carro. Lágrimas começaram a cair dos meus olhos. A senhora estava bem perto da gente. Veio em nossa direção. Eu não conseguia tirar os olhos dela

— Esta é sua vó, Kathrine. — Tif falou.

Depois de tanto tempo. Chorei de felicidade saindo do meu choque e corri pros braços da minha vó.

— Oh, minha querida. Fabi. Que bom você veio. — Ela falou, me abraçando forte.

- Estou tão feliz por estar aqui vó, te amo muito. — Senti lágrimas caírem no meu ombro. Saí dos braços dela enquanto ela chorava.

- Também te amo, Speciosa mea. — Ela falou entre soluços. Speciosa mea? Francês não é. O que será que isso significa?

- Não chore, vó. Eu não vou te abandonar. — Ela riu e eu também.

- Bom. Está muito emocionante esse momento de reencontro. Não estou querendo interromper mas acho que devíamos ir para algum lugar mais seguro e te mostrar a cidade. — Tif falou.

- Oh, concordo Tiffany. Então vamos? — Teddy falou, saindo do carro e abrindo a porta do passageiro.

Entramos no carro. Eu e a Tif fomos atrás, minha vó foi no banco da frente explicando o caminho para a casa dela. Não demorou muito para chegar lá e assim que chegamos, a minha vó abriu a garagem que parecia ser pequena por fora mas por dentro era quase um palácio. Não, nem tanto mas era bem grande.

Ajudei a Tif e o Teddy a pegarem as malas e levei as minhas coisas para dentro da casa. Minha vó entrou antes para ajeitar um quarto que estava reservado para mim. Subimos para o quarto e deixamos as malas lá.

Eu, Teddy e a Tif descemos junto com a minha vó e fomos para a cozinha. Sentamos numa mesa enquanto ela mexia na geladeira e no armário da cozinha. Ficamos em silêncio, observando ela tirar coisas de lá e colocar em cima da mesa. Ela tirou três taças e três colheres, um frasco de chantilly, um pote de cerejas e uma tigela grande de sorvete. Colocou nas taças, o sorvete com chantilly e cereja por cima. Nos deu com as colheres de cada um.

- Comam. É de chocolate. O açúcar dará energia para vocês que devem estar cansados. — Concordamos e comemos o sorvete.

Enquanto estávamos comendo o sorvete, contamos tudo o que tinha acontecido na semana, com detalhes. Repetimos umas três vezes. Quase acabamos com o sorvete da vó.

Assim que todos tinham acabado de limpar a taça de sorvete, cada um foi para um canto. O Teddy subiu para o quarto, para descansar um pouco. A Tiffany foi junto com o Teddy, pegar um livro na mala dele e depois foi para a varanda principal. Eu fiquei com a minha vó na cozinha arrumando a nossa bagunça. Eu lavei a louça enquanto ela guardava tudo. Estava tudo calmo mas eu senti que tinha muita coisa para perguntar para a minha vó. Perguntar sobre a minha mãe, sobre meu avô, sobre tudo que eu não sabia. Terminando de secar a louça, fiquei olhando para a ela. Ela virou e sorriu para mim.

- Vó. Eu gostaria de perguntar algumas coisas para a senhora. Tem algum problema? — Ela olhou para mim, ainda com o sorriso estampado no rosto.

- Claro que não, Speciosa mea. Imaginei que uma hora ou outra você iria querer saber de tudo. — Ela falou me encaminhando para a sala e me chamando outra vez de “Speciosa Mea”.

A sala era um cômodo muito confortável. Tinha um sofá branco no meio da sala em frente a uma televisão grudada na parede. Numa prateleira embaixo da TV estava um rádio pequeno, um telefone marfim e um pequeno livro.

A volta desse pequeno espaço tinha uma mesa com quatro cadeiras bem no canto da sala. O que me chamou atenção foi uma poltrona bem no canto esquerdo da sala, quase escondida. Ela deveria ser do meu avô. Este cômodo inteiro prendeu a minha atenção mas eu tinha mais coisa na cabeça. Muitas perguntas tinham que ser feitas.

Fui em direção ao sofá e sentei. Minha vó veio atrás de mim e sentou ao meu lado. Ela respirou fundo. Acho que muita seria difícil para ela explicar.

- Você não precisa perguntar nada. Deixe-me explicar e depois, se você quiser, faça as perguntas. Apenas deixe eu te contar toda a história e me ouça.- Fiquei em silêncio esperando que ela começasse a história. Ela entendeu a mensagem e então começou.- A história começa quando eu tinha a sua idade.

“Eu estudava no School ofWitchcraft. – Lógico que eu entendi. Colégio de Bruxaria. — O colégio que você vai estudar. Estudei lá até a faculdade. Meus dias sempre foram iguais. Até que eu passei para o 4° ano do Ensino Avançado e minha vida mudou. Tinha passado um mês que as aulas já tinham começado. Foi tudo normal mas um certo dia, um garoto muito estranho entrou no colégio. Diziam que ela era irmão mais novo do Arnold, o mestre dos Carniceiros. Eu estava tão curiosa e tão atraída por esse garoto que fui falar com ele. Fizemos amizade e ele me explicou toda a história dele. Ele se chamava Billy.” — Interrompi minha vó.

- Ele é meu avô? — Perguntei.

- Sim, era. Ele realmente era irmão do Arnold...

“Depois desse dia, tive muitas outras conversas com ele e com o tempo fui me apaixonando por ele. Todos me diziam que ele poderia ser muito perigoso e que eu não deveria andar ou conversar com ele. Eu não importava com nada. Eu, apenas me importava com ele.

Numa segunda-feira, eu estava chegando ao colégio e estava indo falar com ele. Ele sempre ficava afastado de todos os alunos. Fui até ele mas ele estava estranho. Parecia que alguma coisa tinha acontecido. Então ele falou. Falou que seu irmão tinha proibido ele de falar com uma pessoa sequer do colégio, até mesmo comigo. Ele explicou que muitas coisas estavam acontecendo com os Carniceiros e que ele não poderia falar com ninguém para não virar vítima de alguém que pudesse ficar contra os Carniceiros ou entregar algum segredo. — Minha avó respirou fundo e continuou. — Ele terminou de falar e saiu de perto de mim. Tentei deter ele mas não tinha como. Mesmo que eu não quisesse fazer alguma coisa contra os Carniceiros, ainda tinha algo atrás de tudo que ele tinha me falado. Algo muito sério. Passou três meses. Todos os dias eu tentei falar com ele só que ele sempre me evitava. ” — Parou de falar, deu uma olhada a volta.

Parecia ter sido muito difícil, o que a vó Kathrine passou.

- Chegando ao terceiro mês, eu desisti de falar com ele. Eu estava muito apaixonada, porém ele não sentia nada por mim e muito menos me queria perto dele, nem mesmo como amiga. Numa sexta feira, a aula já tinha acabado. Eu estava indo embora do colégio mas ele estava me esperando no portão do colégio. Passei direto. Não parei para falar por que ele tinha me evitado dois meses inteiros e isso estava me machucando muito. — Ela deu uma parada para respirar e então voltou a falar. — Então, continuando...

“Eu passei direto por ele. Ele me chamou mas eu não virei para olhá-lo. Fui para a minha casa e ele me seguiu, ainda me chamando só que eu não o atendi. Entrei na minha casa mas ele não desistiu. Eu não consegui ignorá-lo. Fechei a porta mas fiquei sentada ao lado da porta, esperando que ele desistisse. E ele saiu? Não. Continuou lá me esperando por uns 45 minutos, ainda me chamando. Quando ele desistiu, virou e seguiu seu rumo. Olhei pela janela, percebi que ele estava chorando. Aquilo foi a gota d'água. Virei para dentro e fui para longe da janela.

Fiquei de um lado para o outro. Vagando pela sala, pensando no que eu faria. Eu não suportei vê-lo chorando. Eu não sabia por que ele estava chorando. Não sabia se era por culpa minha ou por algum outro motivo. Não me importei por qual motivo ele estava chorando e decidi abrir a porta e vi que ele não estava mais lá. Lágrimas começaram a sair dos meus olhos. Caí no chão por pensar que nunca mais o veria.

Olhei a minha volta. Na rua à direita ele não estava. Quando olhei para a esquerda, lá estava ele. Caminhando, indo para algum lugar que eu não sabia. Não suportei vê-lo ir embora. Não agüentei ignorá-lo. Não suportei o tempo que fiquei longe dele.

Quando ele estava atravessando a rua para virar a esquina, eu gritei. Gritei o mais alto que eu pude. Ele não virou, apenas parou. Corri até ele. Ele estava longe de mim. Não muito mas estava. Quando eu estava a um metro de distância dele, ele ainda estava parado.

- Você não pode ir embora sem me dar um adeus ou sei lá o que você vai fazer. — Eu falei mas ele continuou virado para o lado contrário.

Fiquei uns dois minutos e ele não virou para me olhar nem reagiu a nada. Virei. Não aguentei aquilo. Ficar perto dele sem que ele reagisse. Eu também não reagi. Não devia fazer nada, eu tinha ignorado ele, agora era eu quem queria falar com ele e ele estava me ignorando. Virei para ir para a minha casa. Dei três passo, virei meu rosto e ele continuou não reagindo a nada.

Voltei meu rosto para frente. Continuei andando mas parei quando senti uma mão me segurando. Olhei para quem estava me segurando e era ele. Ele estava chorando. O abracei, chorando junto com ele.

- Me desculpe por ter te evitado todos esses dias. Eu mereci que você me ignorasse. Não precisava vir atrás de mim. Eu mereço isso. — Ele falou ainda comigo em seus braços.

- Billy. Eu preciso muito te falar uma coisa. — Eu fui interrompida por ele. Ele me afastou dos seus braços e olhou no fundo dos meus olhos. — Eu te amo. Eu te amo demais. Eu não podia falar com você quando eu poderia colocá-la em perigo. As merdas que meu irmão está aprontando pode fazer mal à você. — Chorei com o que ele disse. Ele me amava. Tampei a boca dele, o impedindo de falar qualquer outra coisa. Antes, eu tinha que falar algo muito importante.

- Eu te amo demais para te deixar ir para longe de mim, pela minha proteção. Aconteça o que acontecer, vou estar ao seu lado para o que der e vier. — Ele chorou com o que eu estava dizendo. E o inacreditável aconteceu. Ele pegou meu rosto gentilmente e me beijou. Foi o beijo mais gentil que eu ganhei. O beijo mais apaixonado e mais doce que eu tinha ganhado. ” — Eu estava chorando com toda a história da minha vó e do meu avô.

Continuei ouvindo a história.

- Depois desse dia, desse beijo, correu tudo muito bem. Tudo normal. Passou um mês e começamos a namorar. Ele sempre dizia que mais cedo ou mais tarde o irmão dele aprontaria algo. Eu sempre dizia que continuaria com ele. Passou um ano. Estávamos eu e ele olhando o pôr-do-sol numa praia. Foi o melhor dia da minha vida.

“Eu estava abraçada a ele quando ele fingiu ter perdido algo na areia da praia. Ele entrou em desespero e começou a procurar. Eu não sabia o que ele estava procurando mas tentei ajudá-lo. Ele não parava de dizer que era algo importante mas não dizia o que era. Passados uns dez minutos eu desisti de ajudá-lo a procurar. Fiquei chateada por ele não querer a minha ajuda. Começamos a discutir. Ele dizia que era culpa minha, que não precisa da minha ajuda, que se eu o ajudasse acabaria trazendo azar para ele.

- Eu te dou azar? Então eu saio da sua vida. Você não precisa de mim. — Falei com os olhos cheios de lágrimas.

- Você me dá azar. Eu nunca precisei da sua ajuda, muito menos de você. — Ele falou ainda procurando e sem me olhar nos olhos.

- Eu te odeio Billy. Acabou. Eu te odeio mais do que tudo na minha vida. — Falei, virando para ir embora. Quando ele de repente gritou.

- Achei! — Veio na minha direção e se colocou na minha frente.

- O que você quer, idiota? Você já achou? Bom pra você. Agora engole. Ou você ainda quer alguma coisa? Ah, já sei. Quer provar o quanto eu te dou azar? — Ele limpou o que tinha achado e se ajoelhou.

- Quero provar o quanto eu te amo. — Ele falou, levantando uma caixinha. A abriu e pegou a minha mão. — Você não me dá azar. Você é a minha sorte, meu anjo protetor. O amor da minha vida. Você não é a minha alma-gêmea, é o meu destino. Eu não preciso de você, eu necessito de você assim como necessito do meu coração. Se você me deixar eu morro.- Chorei desesperadamente, olhando para ele e ouvindo o que ele estava dizendo.

- Mas... — Ele me interrompeu.

- Kathrine Marie, você aceita se casar comigo? Ser minha esposa para o resto da sua vida? — Ele falou, com os olhos brilhando intensamente.

- Não.- Ele me olhou. Estava com um olhar triste. Chorou se levantando.

- Me desculpe então Kath. — Ele falou guardando a caixinha no bolso.

Segurei a mão dele, o impedindo de guardar o meu anel. Ele não levantou a cabeça. Ficou olhando para a areia. Levantei o seu rosto e olhei para os seus olhos.

- Eu não aceito me casar com você e não serei sua esposa para o resto da minha vida, por que eu vou selar meu destino com você e, te amar e ser sua esposa além da morte. — Ele me olhou, chorando mais do que antes e me beijou. Depois ele se ajoelhou outra vez e colocou o anel no meu dedo. Continuamos juntos o dia inteiro e no mesmo dia eu tive a minha primeira vez com ele.

Foi aí que eu engravidei da Hillary e da Mellanie. Éramos o casal mais feliz. Depois de um mês descobri que eu estava grávida. Eu já tinha terminado o Ensino Avançado e estava de férias.

Tinha o tempo inteiro para ficar com ele, passar o dia com a minha mãe. Minha mãe já sabia que eu estava grávida. Era uma sexta feira, 14hs. Fui para a casa dele. Tinha planejado fazer uma brincadeirinha com ele, como ele fez comigo quando me pediu em casamento. Mas seria uma brincadeira calma.

Chegando a casa dele, eu já sabia que ele estaria sozinho pelo horário. Toquei a campainha, insistindo que ele olhasse pela janela. Não demorou muito para ele aparecer na janela.

- O que houve? Kath, você a essa hora? – O ouvi descer correndo. Quando ele abriu a porta, eu bati bem forte no braço dele. Ele não tinha entendido nada. Estava sem reação.

- É tudo culpa sua! — Falei gritando. Ele realmente não estava entendendo nada. Ele tentou me abraçar mas eu não deixei pois andava de um lado para o outro com a mão na barriga.

Ele estava tão confuso que não entendeu o que eu queria dizer. Como eu desconfiava.

- Mas o que aconteceu? Fala, Kath. Eu não estou entendendo nada. Me explica. — Eu parei e fiquei olhando para ele.

- É tudo culpa sua. — Falei chorando. Eu sabia que era um choro de felicidade mas ele com certeza estava achando que era de tristeza, de raiva.

- O que é culpa minha? — Ele falou. Ele estava muito preocupado.

- É culpa sua por eu estar tão feliz e grávida. -Falei sorrindo para que ele não pensasse que isso me deixava triste.

- Mas não foi... O que? — Ele começou a chorar desesperadamente vindo na minha direção e caindo no chão de joelhos. Coloquei uma mão no rosto dele e outra mão livre na minha barriga.

- É isso mesmo que você ouviu. Eu estou grávida. — Eu não pude conter minha lágrimas assim como ele.

Aquele dia foi emocionante. Ele ficou super feliz com a notícia. Contamos para a mãe dele e ela também ficou muito feliz. O irmão dele que não ficou muito mas nem ligamos para o que ele pensaria.

No dia seguinte, ele passou na minha casa e me puxou para o carro que ele tinha ganhado da mãe. Ele me levou para uma rua, um pouco longe da casa dele. Quando cheguei lá, vi a casa que ele tinha comprado.

Essa casa que eu moro era nossa. Fiquei muito feliz quando vi a casa.

- Eu te amo tanto, Billy. — Falei enquanto entrávamos na casa.

- Eu te amo muito mais. — Eu ri e chorei, ao mesmo tempo, quando ele falou isso.

Passaram quatro meses e nós já estávamos morando na nossa casa. Tínhamos decidido não fazer Mestrado até que a Hillary e a Mellanie nascessem.

Minha barriga estava incrivelmente grande. Todos os dias da gravidez ele falava com as meninas. Sempre ao acordar e antes de dormir.

- Filhas, eu as amo muito. Cuidem bem da mamãe caso aconteça algo com o papai. — Ele falou com um ar muito suspeito. Como se realmente fosse acontecer alguma coisa.

- Não vai acontecer nada com você, amor. — Eu falei tentando não chorar. Não poderia acontecer nada a ele.

Tinha passado um ano e cinco meses que estávamos juntos e o irmão dele não tinha feito nada. Eu estava achando que o irmão dele tinha desistido mas no dia seguinte o Arnold ligou para ele e ele teve que ir até o irmão dele, eu não queria deixá-lo ir mas ele tinha que ir. Então foi. Logo de manhã.

Passei o dia inteiro sozinha. Mas os dias foram passando. Eu ligava todos os dias e nenhum sinal dele. Passou uma semana e nada dele voltar. Ligava para o celular dele mas ele não atendia. Passou mais uma semana e nada. Ligava para a casa dele e ele não tinha ido para lá. Passou mais dias e já fazia um mês que ele não tinha voltado. Eu estava muito preocupada com ele. Decidi então sair a procura dele.

Minha mãe e minha sogra não concordaram comigo mas elas não conseguiram me segurar. Como eu poderia deixar o meu noivo em perigo um mês antes de nós casarmos? O pai das minhas filhas não podia morrer ou sumir. Eu não deixaria que nada de ruim acontecesse com ele. Fui atrás dele.

Era um sábado muito frio. Estava indo para a casa do irmão dele. Como eu não tinha o endereço certo fui perguntando o caminho.

Enfim tinha chegado à casa do irmão dele. E entrei e não tinha ninguém. Tinha uma senhora na casa. Ela me falou onde eles tinham ido e disse que não era para mim ir atrás. Seria perigoso para mim, para as minhas filhas e para o Billy. Eu era tão teimosa que fui. Cheguei lá e não tinha ninguém outra vez.

O procurei mesmo cansada que não conseguia andar muito. Sentei no chão. De repente eu senti algo vindo na minha direção só não sabia de onde. Então ouvi alguém falando ‘corre’. Eu poderia estar cansada demais e mesmo assim, eu obedeceria a uma ordem ‘corre’ Corri mas fui pega. Pega por um homem. ”

Eu amava o Billy mas não vou mentir, o cara era muito bonito. — Ri com isso que minha vó tinha falado. – “O cara estava me prendendo. Então vi muitos outros homens aparecendo. No meio de vários que estavam se organizando, uns vindo para trás do ruivo que estava me prendendo e outros indo para trás do Arnold, vi o Billy bem a frente sendo segurado pelo irmão dele.

- Não a machuque ou... — Ele falou.

- Ou o que? Você vai tentar me matar? Ha Ha. — Me deu uma raiva quando ouvi o ruivo falando com o Billy assim. ” — Ouvindo a história da minha vó, eu chorei.

A história dela era tão parecida com a minha. O começo que ela conhece o Billy é quase parecido como, quando eu conheci o Thomas. Continuei ouvindo minha vó contando a história.

- “Naquele momento, eu fiquei com tanta raiva que decidi tentar fugir. Soquei a barriga do ruivo mas foi em vão. Aquilo só foi divertimento para ele. Ele começou a rir.

- Assim não vale. Nós devemos respeitar as gestantes,porém elas não fazem por onde. — Ele falou enquanto me batia no rosto.

- Pare com isso. Deixe a fugir. Ela não tem nada a ver nessa guerra idiota. — O Billy falou. Então ele deu um soco no rosto do irmão dele que estava muito sério.

- Olha. É culpa sua. Eu não queria isso e você me obrigou, você me ameaçou. Eu poderia muito bem estar com ela em casa, sã e salva. Mas você... Você é um idiota querendo mandar no Mundo Místico. Isso é perda de tempo. Vocês não vêem que eles estão em vantagem? São mais poderosos e experientes. — Billy falou. A briga deles foi interrompida quando o ruivo me jogou longe.

- Vamos acabar logo com isso. — Fui arremessada longe deles. Eu estava tão fraca que quase não consegui ficar acordada. Billy tentou atingir o ruivo mas o irmão dele não deixou. A deixa dele foi quando apareceu um loiro.

- Vamos acabar logo com isso, Pietro. Mate-a e depois mate eles também. — O loiro falou.

Naquele instante, o Billy me olhou de tal forma que ele estava querendo se matar pelo que tinha acontecido.

Até que ele veio correndo até mim e me pegou em seus braços. Ele teria conseguido fugir se eu não estivesse tão gordinha e grávida. Ha Ha. Mas voltando a história. Vendo isso, o loiro lançou um feitiço no Billy que o paralisou.

Eu desci dos braços dele e tentei acordá-lo mas não consegui.

- Não faça isso, Leonard. — Pietro falou com o loiro que se chamava Leonard.

Leonard lançou outro feitiço no Billy que fez com que ele caísse no chão. Ele esperneava de dor sem sair da defesa. Estava me defendendo.

- Corre! — Ele gritou se levantando e já com os sentidos recuperados.

Eu corri mas caí no chão. Tinha sido atingida. Não sei por quem, eu só sentia a dor. Por um momento, eu pensei que morreria até que vi o Billy correndo na minha direção. Ele chegou e me abraçou forte. Leonard vendo isso lançou outro feitiço no Billy mas quando o olhei, ele não tinha sido atingido.

Arnold estava um pouco à frente de nós. Estava caído no chão e olhando para o Billy.

- Foge, irmão. — Arnold falou.

Billy deveria saber que ele seria atingido a tempo e que se ele fosse atingido enquanto fugíamos, eu também seria atingida.

Ele olhou para mim. Me deu um beijo, um último beijo e levantou se colocando na minha frente no momento em que o Leonard tinha lançado outro feitiço e esse pegou em cheio.

Billy caiu no chão. Percebi que dessa vez tinha machucado demais. Fui até ele.

- Não, não morra. — Eu estava chorando desesperadamente. Billy estava morrendo para me salvar juntamente com nossas filhas. ” — Com isso que minha vó estava me contando, lágrimas caíram desesperadamente dos meus olhos.

Era muito triste o que minha vó tinha passado. Continuei ouvindo a história.

- “O Abracei bem forte, o último abraço.

— Eu amo vocês. — Foi tudo que ele conseguiu dizer. Chorei demais. Naquele momento, minha vida tinha desabado. Nunca me senti como estava se sentindo naquele instante. Meu coração doía de tal forma que parecia presenciar uma explosão. Minha alma tinha se partido em pedaços.

Aquela guerra idiota continuou entre eles. Fui embora de fininho para que ninguém me visse. Com toda certeza, alguém tinha visto mas deixou que eu fugisse. Então fugi.

Não consegui correr pelo cansaço e por lágrimas, soluços que estavam me deixando horrível. Fui para a minha casa, sentindo que eu ainda não tinha chorado tudo que precisava botar pra fora, todas as lágrimas estavam presas no meu coração e acumuladas num espaço tão apertado que estava prestes a explodir. Eu precisava chorar mais, chorar tudo que estava preso.

Decidi ir para a praia. Aquela que ele me pediu em casamento. Sentei num banquinho que lá tinha e fiquei chorando, olhando para o mar. Fiquei um bom tempo lá até que ouvi minha mãe me chamando.

Ela veio até mim e com ela chorei bem mais que o inimaginável. Contei tudo para ela. O que e como tinha acontecido.

Fui para a minha casa. Passou um tempo, a Mellanie e a Hillary nasceram. Elas cresceram sempre brigando. Num dia eu contei para elas o que tinha acontecido e isso fez com que elas tivessem opiniões diferentes sobre tudo.

A Hillary achou que os Carniceiros estavam errados por ter começado a guerra e que se nada tivesse acontecido, seu pai estaria vivo. Já a Mellanie achou que eles estavam certos. Cada um faz o que quer. Tudo foi normal.

Quando elas estavam com a mesma idade que você, cada uma foi para uma viagem. A mesma viagem com objetivos diferentes. Elas foram até os Carniceiros.

A Mellanie foi para se aliar a eles. A Hillary foi para se vingar. Ela os ofendeu muito. Tanto que os carniceiros, por influência da Mellanie, estão querendo se vingar da sua mãe. Quando eles descobriram que você nasceu, foram atrás de vocês para matá-las. Foi no dia em que a sua mãe foi embora.

Naquele dia, ela os despistou, salvando você e o seu pai. Porém, eles não desistiram de procurá-la e te matar. Até uns dias atrás você era um segredo para ele, eles não sabiam quem era você mas te acharam.

Jake e a Halley te descobriram e agora os Carniceiros querem te matar mais ainda por que eles descobriram o seu destino. O seu destino é salvar o Mundo Místico e Astral. Você é a herdeira, neta do Billy Halloway. Sua mãe fugiu para que assim não a descobrissem e para que você não fosse atrás dela. Como tudo tem a sua hora. A história acaba aqui. ” — Assim que minha vó terminou de contar a história. Ela levantou e me deu um beijo na testa. Secou as lágrimas e me olhou nos olhos. — Agora durma um pouco. Você tem de descansar para conhecer o colégio amanhã. — Ela subiu e foi para o seu quarto.

Eu subi atrás e fui para o meu quarto. Anne estava dormindo. Entrei em silêncio para não acordá-la. Tomei um banho, me troquei e deitei.

A história da minha vó foi muito triste e, o que mais estava me deixando pensativa e com dor de cabeça é que a minha mãe fugiu para me salvar e deixou a minha vó. Ela tem uma irmã gêmea chamada Mellanie que quer se vingar dela. Meu avô morreu por amor. E o pior de tudo, eu sou a sua herdeira.

Como eu poderia ser a herdeira se eu não tenho experiência nenhuma em bruxaria? Quem poderia me ajudar muito agora seria o Thomas. Por que você foi embora e me abandonou?

A ida dele estava me deixando muito chateada. Será que eu estou me apaixonando por ele? Não tem como se eu gosto do James (ou acho). Peguei no sono bem rápido com meus pensamentos fluindo. Tive um sonho.

No sonho...

Essa sou eu mesmo? Eu, Fabi, estou no sonho que eu mesma estou sonhando? Impossível. Não pode ser real.

- Vó? O que você está? — Falei andando até onde minha vó estava. Passei meus braços por ela mas ela não sentiu, nem reagiu. Hey!

- Alguém está me vendo aqui? — Fiquei na frente dela.

Dei uma leve sacudida. Parecia que eu era um fantasma. Ela não estava me vendo. Desisti de ser notada, apenas observei tudo o que estava acontecendo. Quero dizer, tudo o que eu já sabia que aconteceu. Eu estava vendo tudo o que tinha me acontecido. Desde o hospital até a hora que eu dormi. Até que, no sonho, acordei.

- Espera, eu acordei mesmo ou ainda estou sonhando? Estou acordada ou estou no sonho? — Pensei alto.

Me belisquei para ver se eu realmente tinha acordado. E vou te falar, o beliscão doeu, e muito. Posso dizer então, que eu estou acordada. Levantei da cama e vi que estava no meu quarto, na casa da vó. Tif estava deitada no chão, toda enrolada nos lençóis, perto da outra cama que tinha no quarto.

Andei lentamente até o banheiro. Tomei um banho e troquei de roupa, quando terminei o banho. Coloquei um jeans amarrotado, uma blusa branca de alcinha e um All Star branco. Fiz um penteado bem básico no cabelo. Arrumei a cama e acabei acordando a Tif.

- Eu, quem? — Ela falou, sentando entre os lençóis.

Foi engraçado. Soltei uma gargalhada. Ela me olhou com uma cara “to grogue” e então caiu no sono, de novo. Saí do quarto rindo do simples fato ocorrido. Passando pelo corredor, esbarrei na minha vó que estava segurando uma revista e uma xícara com café, pelo cheiro.

- O que houve, menina? Teve algum sonho com o Brad Pitty? — Vó falou.

- Acho que não mas... — Fui interrompida.

- Ela teve um sonho com o Thomas. Isso sim. — Teddy falou.

Logo em seguida a Tif apareceu na porta do quarto.

- O que está acontecendo? — Ela falou como se estivesse bêbada. Bêbada na situação seria de sono. No momento que eu ia falar com ela o telefone tocou.

Eu, Teddy e a vó olhamos juntos para o telefone tocando. Minha vó desceu para atender. Quando voltei meus olhos para a Tif, ela estava caída no chão.

- Ela está roncando? — Teddy falou rindo enquanto olhava pra ela.

- Sei lá. Vamos colocá-la na cama que eu quero tomar café. — Falei, rindo.

Deixamos a Bela Adormecida deitada na cama dela e descemos. Quando estávamos no meio da escada rindo do tombo da Tif, vimos algo passando correndo por nós.

- Socorro, eles querem me matar! — O vulto gritou. Troquei olhares com o Teddy.

- Aquela era a... Tif! — Falamos em uníssono. Descemos correndo para ver se ela estava bem após a queda na escada. Assim que chegamos perto dela, eu acordei.

- Mãe! — Gritei, pulando da cama.

- Eu, quem? — Espera. To lembrando dessa frase. Olhei para o chão e lá estava a Tif. Mas ela não tinha caído da escada? Olhei ao redor e eu estava sentada na cama do meu quarto do mesmo jeito que no sonho. É impressão minha ou as cenas estão se repetindo?

- Foi tudo um sonho? — Pensei alto.

- Acho que foi. — Tif falou antes de cair no sono.

Suspirei. Levantei e fui tomar banho. Ainda de toalha, fui escolher uma roupa para eu vestir. Adivinha quais foram as primeiras roupas que eu vi?

- Jeans, blusa branca e All Star branco? Nem pensar, menos ainda sonhando. — Essa foi a roupa do sonho.

Bom. Se eu voltei para o começo do sonho, quero dizer, acordei de vez. Eu tenho uma segunda chance. Não quero que a Tif leve aquele tombo. Ai, deve ter doído. Olhei para todas as minhas roupas no guarda-roupa.

Um vestidinho chamou minha atenção. Um vestido azul que estava pendurado num cabide. O peguei e o vesti mesmo. Saí do quarto para ir tomar café. Parei na porta, lembrando da parte do sonho que eu esbarrei na minha vó.

Olhei para o corredor e a vó Kath estava passando com a mesma revista do sonho e tomando café, como eu já tinha dito no sonho. Ela parou quase no final do corredor e me olhou.

- Está bonita, querida. Está tão radiante assim por que? Teve algum sonho com o... – A interrompi.

- Nada de Brad Pitty! Sonhei mesmo é com o gostoso doOrlando Bloom! — Opa, troquei os galãs. Foi sem querer e também ela não iria perceber, né vó?

Logo apóseu ter respondido minha vó adivinha quem apareceu? Sim, o Teddy.

- Mentira, ela teve um sonho com o Thomas. Isso sim! – Ele falou.

Ela me olhou confusa, murmurando algo baixo demais para eu não ouvir.

- Bom dia, Fabi. — Ele falou me dando um fraco empurrão enquanto ria.

Cara,que sonho medonho.

- O que está acontecendo? — Tif apareceu na porta do quarto falando como se estivesse bêbada, não! Ela está... Hm, o que Fabi? Está grogue. Pronto! Boa, garota. Pensou rápido. Perdida nos meus pensamentos, fui interrompida quando vi a Tif cair.

- Pega ela. — Gritei para o Teddy. Por pouco ela não caiu no chão. – O que? Ela ainda tá grogue? Ai meu Deus. — Falei e logo assim que terminei, senti os olhos do Teddy em mim. O que eu faço agora? Pensa, pensa, pensa, pensa. Fechei meus olhos deixando que a idéia viesse. Senti minha mão fazer um estalo. Abri meus olhos.

- Eu... — Falei.

- Você... — O Teddy falou.

- Eu? — Falei não entendendo nada.

- Você! — Ele falou com certeza.

- Eu? – Perguntei outra vez. O que estava realmente acontecendo aqui?

- Por que você me bateu? — Tif falou, alisando seu rosto que estava vermelho.

- Tapa? — Falei. O rosto delaestava vermelho pelo tapa que eu tinha dado na Tif. Comecei a rir e fui acompanhada pelo Teddy. Tif ficou nos olhando séria até que surtou.

- Socorro, eles querem me matar! — Ela gritou. O que? Ela gritou isso mesmo que eu ouvi? Corri até ela e acabei rolando a escada com junto com ela, na tentativa de não deixá-la cair. E lá fomos nós, rolando a escada. O Teddy assustado e doido se jogou atrás da gente.

“Eu não acredito que ele se jogou. ” Pensei.

Paramos de rolar quando a escada acabou. Caídos no chão, começamos a rolar de novo. Agora, de tanto rir. Paramos de rir quando ouvimos a porta se abrindo.

Nós três olhamos para a porta. Foi aí que eu o vi. Ele tão lindo, perfeito, extraordinariamente incrivelmente... Chateado? Ele estava chateado? Com quem? Será que era comigo? Troquei olhares com ele.

Estava começando a achar que ele estava chateado comigo. Porém, um sorriso se formou no seu lindo rostinho. Aquilo foi um sorriso? Sim e... Espera, o que é isso rolando da minha boca? Dã, claro que é baba, querida. Ah, eu to babando? Opa.

“Então, ele não está chateado comigo, certo? ” Pensei por um instante, depois corri até ele e pulei em seus braços. O abracei forte. Oh Deus. O que eu estou fazendo? De onde veio toda essa intimidade? Hm, não é intimidade, é saudade. Então vamos abrir uma exceção hoje.

- Thomas, você voltou! — Falei o apertando forte. Ele apenas riu com o ocorrido. O Soltei e logo após ele foi agarrado pela Tiffany, e pelo Teddy.

Sentei num degrau da escada e fiquei os observando. Era muito legal ver como eles eram. Uma pequena parte da família que vivia sempre junta. O amor deles um pelo outro transbordava. Era um amor de família muito terno. Mas uma coisa me deixou totalmente intrigada. Como ele havia conseguido me deixar assim?

Por que meu coração está assim, tão agitado por vê-lo voltar? Percebi um sorriso se formar novamente mas um sorriso diferente. Será que ele está feliz em me ver, da mesma forma que eu estou por ele ter voltado? Abaixei minha cabeça e senti uma lágrima rolar dos meus olhos. Voltei meus olhos para cima. Senti seus olhos em mim, seu rosto bem próximo ao meu. Tremi ao ouví-lo.

- Senti sua falta. — Ele disse me abraçando em seguida.

Retribuí o abraço. Era bom tê-lo perto e melhor ainda ter a esperança de que ele possa sentir algo por mim. Ficamos um bom tempo abraçados. Só nos soltamos quando ouvimos umas tossidinhas irritantes junto com risadinhas eufóricas, provavelmente da Tif.

- Acho que vocês têm muito que conversar. Por que não vamos ao colégio te matricular, Fabi? E depois vocês passeiam pela cidade para que você conheça um pouco de Paris. — Minha vó falou, descendo a escada.

- Claro. Vamos trocar de roupa, Fabi. Você terá muito tempo para conversar com o Thomas, certo? — Tiffany falou me puxando escada acima. Aquilo foi uma piscadinha? Ah, Tif. Você me paga se estiver aprontando algo.

Assim que chegamos no meu quarto, fui até o guarda-roupa para escolher uma roupa legal para ir ao colégio.

- Tá bom. Confessa. Que ataque foi aquele? Você e o Thomas, hein? Está rolando algo entre vocês, não é? Por que impressão minha não é mesmo. — Sabe. Às vezes a Tif conseguia ser irritante. Mas eu já a amo.

- Que ataque? Não está rolando nada entre agente, não. Eu só senti saudades dele. Sabe. Amigos fazem falta. — Ahan. Sei. Amigos.

“Confessa Fabi. ” Pensei.

Da minha parte, algum sentimento está surgindo. Não sei que sentimento mas está ficando forte. Ainda mais, agora que ele voltou. Ele voltou. Eu poderia falar isso milhares de vezes. Traz um alívio a mim. Agora ele está perto de mim. Eu sei que sou egoísta em pensar como é bom tê-lo perto de mim, mesmo desprotegido. Eu admito. Assim como sei que faria o possível para mantê-lo seguro, e perto de mim.

Por dentro, eu estava pulando, comemorando, gritando de felicidade pela volta dele e por fora, eu estava apenas com um sorrisinho estampado no rosto.

- Tá bom. Conta outra, que assim a piada já passou. Eu sei que você está gostando dele. Eu sei, tenho certeza. Eu sinto. — Olhei para ela assim que ela terminou de falar. Eu tenho que fazâ-la tirar isso da cabeça senão ela vai ficar perturbando. O que eu fiz pra merecer isso?

- Argh. — Tinha que despistar ela. Saí do quarto, gritando.

- Maluca! — Ouvi o Teddy falando no andar de baixo e rindo junto com o Thomas.

Caí no chão de tanto rir. Até que alguém se pôs a me acompanhar nas risadas. Ninguém mais, ninguém menos que a Tif, é claro. Ela se juntou a mim. Rindo até perder o fôlego.

- Ha Ha. Do que mesmo agente está rindo? — Ela perguntou. Agora eu também gostaria de saber. Nem foi tão engraçado assim.

- Ha Ha. Sei lá. Já chega não é? — Paramos de rir. Voltamos para o quarto e trocamos a nossa roupa.

Thomas narrando...

Sabe. Agente pode até esperar as meninas mas agüentar duas horas numa sala, esperando elas terminarem de se arrumar, já é desesperador.

- Vamos, meninas. Não podemos demorar. — A Kath falou.

- Vambora, suas loucas. Não vamos para um casamento, não. — Teddy falou num tom debochado. Tentei conter o riso mas não deu. Comecei a rir. Continuei conversando com ele. Conversa vai, conversa vem. Risos e mais risos até que eu me desliguei da do assunto. No momento só tive olhos, atenção e fôlego para uma coisa, ou melhor, uma garota.

Ela estava descendo junto com a Tif. Elas estavam rindo de forma natural. Pude ver pela risada delas, principalmente a dela. Não era forçada e sim, feliz. Foi a coisa mais divina vê-la descendo e rindo.

Quero dizer, foi ótimo e está sendo vê-la novamente. Pensei que não poderia vê-la outra vez por causa do meu pai. Lembrando dele, não tive muita sorte. Ele não desistiu de ver a Herdeira morta, por causa do pedido do mandante dele. Mas como eu sabia que essa herdeira não é a Fabi, não tive motivos para me desesperar.

Mesmo se fosse, eu não conseguiria viver longe dela ou sem ela. Não sei por que. Ela despertou em mim, um sentimento a muito tempo perdido. A Fabi faz com que eu sinta necessidade de vê-la, ficar perto dela ou qualquer coisa que esteja relacionado à ela. Voltando a parte em que ela estava tendo a sua descida triunfal. Me desliguei dos meus pensamentos quando percebi que alguém estava me chamando.

- Thomas. Hey, Thomas. Você está me ouvindo ou está em outro mundo? — Fabi falou. Ela estava bem próxima de mim. Dava pra sentir o seu perfume. Comecei a ficar embriagado mas voltei pro meu corpo quando senti alguém me dando um susto, ou tentando, pelo menos.

- Hey, Thomas. — Fabi ainda estava na minha frente.

- Acorda menino! — Levei um forte tapa do Teddy.

Notas finais
E então, gostaram?