Destino Traiçoeiro

5 5. O impossível.


Thomas narrando.

" Eu só estava na cidade por um motivo. Matar a herdeira do Billy. Já passou quase dois anos que estou a procura dela e nada, nenhum sinal dela. "

Já estávamos chegando perto da minha casa. Olhei para a Fabi enquanto ela estava olhava para fora da janela em silêncio. Todos no carro estavam muito animados e eufóricos, menos ela. Em meio abagunça presente, ela apenas ficava quieta, em silêncio e olhando a rua. Fiquei olhando para ela até chegar a minha casa.

Eu ainda estava surpreso com o que tinha acontecido. E se ela fosse como eu? A viagem toda, eu tentei invadir a mente dela. Tentei, tentei e tentei mas não via nada. Nenhum sinal dos pensamentos da Fabi. Parecia que ela estava quase em estado de choque pelo o que aconteceu, assim como eu. Dava pra reparar como estava tensa, um pouco nervosa. Ela sentou e ficou do mesmo jeito o tempo todo.

Um ano atrás e alguns meses eu a vi pelo colégio, na mesma turma que eu mas nunca parei pra falar com ela, nem chegar perto eu tentava. Depois da conversa que tivemos hoje, conheci uma Fabi diferente. Uma sempre atrapalhada e feliz. Apesar disso, eu senti que ela precisava de ajuda, de um amigo que ela pudesse confiar e guardar segredos.

Essa Fabi que conheci estava fazendo com que eu quisesse falar com ela o tempo todo, o que não seria muito legal, seria um grude. Me fazia também querer ser o amigo que ela precisava, abraçá-la e esquecer meus problemas. E agora, nesse instante, o que eu mais queria era abraçá-la, sentá-la perto de mim e confortá-la. Queria tirar da cabeça dela, a confissão que eu fiz. Será que ela estava com medo de mim? Bem provável mas eu não queria que ela estivesse com medo de mim, nunca iria querer isso.

Olhei para a rua e já estava perto de casa. David estava parando o carro. Me despedi rapidamente e logo saí do carro. Mas a Tiffany, Ah. Ela estava cumprimentando todos com beijos e dando boa noite. Assim que ela terminou de se despedir, o David deu partida e lá estava a Fabi indo embora. Dei uma última olhada para a ela mas ela estava falando com o pai. Fiquei olhando para eles até que eles viraram a esquina. Senti os olhos da Tif sobre mim.

— Ela não está com medo de você, ela só está confusa com o que aconteceu com vocês. — Eu ia perguntar só que ela deve ter visto. Ela falou andando até a porta da minha casa.
— Mas como você sabe? Digo, ela não é bruxa e nem nada. — Olhei para a Tif que estava saltitando pela rua. Provavelmente querendo pensar em outra coisa a não ser isso. Ela parou e olhou para mim.
— Thomi, você esqueceu que eu tenho minhas fontes? Seja de que for que estiver envolvido,Eles sempre me avisarão. Ai que tolinho, primo. — Ela falou cruzando os braços e depois voltou a pular pela rua.- Não se preocupe com ela. Eu sei que pode estar muito confusa e cheia de dúvidas, com isso, o Tiger soube que ela tem dois caminhos que o futuro dela pode tomar. O primeiro é que ela está pensando em vir conversar melhor com você, e o segundo é que ela está decidindo se esquece o que aconteceu hoje. — Ela falando estava bem distraída.

Era um ótimo momento para ver o que o Tiger soube de novo. Fiquei confuso com o que eu vi. Vi imagens borradas passando uma após a outra em um curto tempo. Entramos na minha casa. Ela entrou na frente.

— Tiffany, que imagens são essas que o Tiger está vendo? É o futuro da Fabi? Estou confuso com a bagunça dessas imagens. — Falei fechando a porta depois que eu entrei.

- Se você não invadisse a minha mente, não as veria. E sim, esse futuro é da Fabi mas nem eu estou entendendo direito. Já saiba que eu não vou te contar nada sobre esse futuro. Se eu te falar, vou influenciar e não vou ver o que vai acontecer. E eu quero saber o que vai acontecer. — Ela falava tão confiante.

- Sabe, Tif. Eu nunca entendi direito o que é o Tiger. Tá,minha mãe e você vivem dizendo que ele é sua segunda forma Animal mas eu não consigo entender.- Falei, enquanto sentava no sofá.

- E você sempre dizia que sabia. Ha Ha. Eu ainda achei que você fosse mais inteligente do que parece. – Ela riu. — Oh, deixe-me esclarecer. Como você já sabe, o Tiger é a minha segunda forma “Animal”. A Tia Coff, um dia, me disse que essa forma é um animal qualquer que te escolhe como “QuantumAnima”. Alma Astral em Latim. E ser escolhido como Alma Astral é dividir sua alma com seu Animal Interior. Dizem que isso não é ruim, não tanto. É como uma tatuagem que você faz mas, de alguma forma, vocêconsegue se comunicar espiritualmente com seu Animal Interior. Ele te ajuda com coisas que você precisa saber, autocontrole, força e concentração melhoram e dependendo de quão ligados estão, você pode trazê-lo ao Mundo Humano, mudando sua forma espiritual para forma real, de um animal. E tem também outro jeito de ser um Quantum Anima, um jeito mais sofrido. É quando você mesmo ou alguém tira parte da sua alma e dá para algum animal ou até mesmo humano que está morrendo, precisando de Energia Vital ou que já está morto. Está forma é bem pior porque, por mais que a ligação entre ambos seja bem mais forte, os dois estão dividindo uma única alma e com isso, a pessoa doadora fica mais vulneráveis a ameaças. Se tentarem matar seu Animal Interior, quebram a ligação e matam também a pessoa doadora da alma. – Tif sorriu e subiu as escadas, gritou pela minha mãe que logo apareceu vindo da cozinha.

É duro saber que vocênão é tão inteligente quanto parece. Têm tantas coisas mais para eu ficar sabendo que eu me limito a ficar atrás da herdeira do Billy. Às vezes, eu me enojo por isso.

— Sim, minhas crianças. — Ela parou e fez uma cara de assustada. — O que aconteceu? Sinto dúvidas, muita alegria e confusão no ambiente. — Minha mãe falou. Ela consegue sentir as energias do ambiente e consegue influenciar emoções alheias, se quiser.
— Tia, você não sabe como foi legal. Conheci os amigos do Thomas, duas garotas e dois garotos. Super legais e... — A Tif parou no seu momento transe e eu pude ver junto com ela, asnovas notícias que o Tiger estava falando para ela.

Na visão, meu pai descobria quem era a herdeira e se eu não a matasse, ele viria matá-la. A maior surpresa foi ver quem era.

— O que? Não pode ser. A Fabi? Sucessora do Billy? A herdeira? — Comecei a entrar em desespero. Não era possível que fosse ela. Logo ela, a pessoa que eu nunca mataria.

— Cala a boca, Thomas. Você não vai fazer nada que possa machucar a Fabi ou eu te mato. Ouviu? E você não pode falar nada porque o seu paizinho querido quer que você mate a herdeira, ou seja, a Fabi. Ah, não se atreva em fazer isso.- Ela falou quase avançando em mim.

Estranhei, por que ela estava tão calma quando começou a falar. Mas como ela sabia? Eu não tinha contado para ninguém. Impossível. Mesmo ela tendo fontes, ninguém sabia disso, só eu e os Carniceiros.

— O que seu pai te pediu, Thomas? Por que você não me avisou? Não se meta com eles, filho. Eu já te avisei. — Abaixei a cabeça com o que minha mãe tinha falado. Até parece que eu tinha opções de fugir ou chance de não fazer isso que ele mandou.

— Aliás, só pra você saber. Você tem opções, escolhas. Deixe que o tempo mostre o caminho certo. — Tif falou sorridente, bem mais calma.

Sentei no sofá e fiquei um bom tempo lá pensando. Não podia ser verdade. A Fabi não podia ser a sucessora do Billy. Por que logo ela? Por que meu pai queria que eu a matasse? Eu não posso fazer isso. A Fabi não fez nada contra mim, pelo contrário, ela me salvou. Eu não queria machucá-la, então o melhor é me afastar dela. Ou seja, ir embora.

Eu estava sentindo alguma coisa quando eu pensava na Fabi e não era ódio ou vontade de matá-la. Eu estava sentindo vontade de ficar com ela, cuidar dela, protegê-la. Era uma sensação nova que eu nunca senti na vida. Mas eu não podia me precipitar. Sem que eu notasse, Tif falou comigo.

— Então é isso, você vai embora? — Tif falou, descendo a escada e sentando no sofá.
— Vou. É melhor eu ficar longe. Assim ela não vai se machucar ou ser prejudicada por qualquer coisa. – Ela não sentirá minha falta mesmo.
— Thomas, você não precisa fazer isso mas se você vai acha que é o certo. Só me prometa contato e que voltará. — Ela falou chorando e me abraçando.
— Oh, prima. Eu não vou demorar. Só vou esfriar um pouco a cabeça. Obrigada por estar me apoiando. Me prometa que você vai grudar nela, cuidará dela como um bebê, por mim e ajudará a minha mãe. — O que eu mais queria era a proteção da Fabi e que a minha mãe entendesse.

— Eu prometo que vou cumprir, mas quando você vai ir embora? — A Tif estava deixando isso mais difícil.
— Hoje. Vou voltar para Paris e tentarei falar com o meu pai. — Falei levantando e subindo para o meu quarto. A Tif veio atrás.
— Ok, só não demore tanto. Sentiremos sua falta. Principalmente a Fabi. — Ela falou, saindo do quarto e fechando a porta depois.

O que ela quis dizer com isso? Eu não entendi nada mas não insisti por resposta. Arrumei uma mochila com algumas roupas, dinheiro, meu MP4 e o celular. Eu não queria ir embora mas eu tinha que ir. Peguei minha mochila e desci correndo. Eu não podia ir embora muito tarde senão minha mãe com certeza me impediria.

Desci as escadas e passei pela porta, a fechei e corri. Corri de volta para Paris. Eu sabia pra onde tinha que ir, apenas deixei que meus pés me levassem a outro lugar. Eram 00h10. Me dei conta de onde estava. Na rua que a Fabi mora, basicamente, estava bem em frente a casa dela.

Ver a sua casa fez com que eu me lembrasse de tudo que aconteceu. Eu quase me arrependi do que estava fazendo mas virei o rosto e segui meu rumo. Rumo ao Instituto de Criaturas Mágicas. Oh, eu sempre erro. Estou indo para a Sede do Instituto em Paris, School ofWitchcraft (Escola de Bruxaria). Pra quê mesmo? Ah, sim. Convencer meu pai do contrário.

Fabi narrando.

Olhei para ele saindo do carro e senti que aquela seria a última vez que eu o veria. Não sei por que eu estava sentindo isso mas era como se eu estivesse sentindo que ele iria embora.

— Fabi, você está bem? — Meu pai perguntou, passando a mão no meu rosto. Eu sabia que não estava muito bem, só não queria deixá-lo preocupado.
— Estou sim. Só estou cansada e com um pouco de sono. — Falei, sorrindo para ele. Depois disso, eu acabei dormindo no carro. Nem vi a Anne, o Pat e o Teddy irem embora.

Acordei no meio da noite e percebi que estava no meu quarto. Olhei pro meu quarto todo,mesmo sem motivo. Sentei na cama e liguei o abajur.

No silêncio do meu quarto, comecei a lembrar dos momentos com o Thomas hoje. Lembrei do colégio, do corredor, da cantina, da árvore, da caminhada, da rosa que ele me deu e do vôo. Olhei para o relógio e era 00h12.

Passou uma sensação no meu corpo como se ele estivesse perto de mim. Olhei para todo o quarto e não achei nada. Corri para a janela e nada. Suspirei. Tinha sido só uma impressão. Não sei como mas parecia que alguma coisa estava ligada entre nós dois.

A confissão que ele fez me deixou intrigada e o pavor dele, pelo que nos aconteceu, me dava medo. Era como se ele soubesse o que tinha sido aquilo. Levantei da cama por que eu perdi o sono e ficar na cama sem sono seria entediante com tudo o que me aconteceu, rodando pela minha cabeça. Desci para a cozinha, meu estômago estava pedindo comida pelo barulho que ele estava fazendo. Não tinha comido nada na festa. Fui direto para a geladeira e não tinha nada pronto.

Eu estava com uma preguiça, queria comer algo fácil de fazer. Peguei a maionese na geladeira e o pão que estava em cima da geladeira. Preparei um sanduíche que era fácil, prático e rápido. Preparei um copo bem cheio de Nescaue sabe, como eu adoro achocolatado, estou apenas tomando um golinho.

Acabando de preparar meu lanchinho noturno, fui direto para a sala. Acabei notando que ainda estava com o vestido da festa.

Liguei a televisão e coloquei num canal de desenho. Tudo bem que eu tenho 16 anos, já estou bem grandinha para ver desenho só que estava passando Sailor Moon e tipo, Sailor Moon. Peguei meu lanche e matei a fome enquanto via TV. O desenho acabou mas eu ainda não estava com sono. Mudei de canale acho que passei por todos que tinha na Antena à Cabo. Parei num canal de filme que era de terror.

No filme, uma menina (deveria ter uns 17 anos) estava entrando numa casa. Tinha todo aquele suspense de cena de terror e quando estava na hora do assassino monstro entrar em cena,na hora que ele estava chegando para atacar a mocinha, eu levei um susto.

— Argh... — Era o telefone tocando. Eu juro quepulei do sofá. Quem seria a essa hora da noite? Peguei o telefone e atendi. — Seja quem for me deu um baita do susto.
— Fabi, é a Tif. Não foi minha intenção te dar um susto, desculpa. — A Tiffany me ligando? Eu não tinha dado meu telefone para ela.
— Ah. Não, tudo bem. Mas, e ai? Aconteceu alguma coisa? — Por que ela estava ligando para mim?
— Er... Não, sabe... Eu preciso falar com você. — To boiando. O que ela quer falar comigo?
— Ta, mas como você sabia que eu estava acordada? — Boa pergunta, Fabi.
— Ah, eu deduzi. Por quê? Algum problema? — Ela falou.
— Não, claro que não, mas o que você quer falar comigo? — Falei olhando para o filme e me jogando de volta no sofá.
— Eu prefiro falar com você pessoalmente. Tem como? — O que ela queria tanto falar comigo? Eu queria muito saber e ela estava com uma voz preocupada. Deveria ser muito urgente.
— Se você quiser, pode vir aqui. — Terminei de falar e pude ouvir o suspiro de tranqüilidade do outro lado da linha.

Esperei ela pegar uma caneta e papel. Passei meu endereço para ela já que ela nunca veio aqui em casa. Táque o Thomas já veio mas alguma coisa me dizia que ela me falaria alguma sobre ele

- Estou indo agora mesmo. Obrigada por estar me ajudando. — Mas eu não estava fazendo nada demais.
— Oh, tudo bem. Não tem por que agradecer. — Realmente não tinha.
— Ta bom. Tchau amiga. — Logo assim que ela terminou de falar, a linha caiu.

Coloquei o telefone no gancho e voltei a atenção ao filme. A mocinha estava tentando fugir do monstro e quando ele ia atacar, eu ouvi uma buzina do lado de fora da minha casa.

“Caramba, será que sempre vão tirar minha atenção do filme?”

Saí andando até a porta e reclamando baixo. Abri a porta e vi um Lamborguini Prata parado na calçada. Fiquei olhando um tempão para o carro. Este mesmo estava prendendo a minha atenção até que o dono do carro saiu e veio na minha direção de cabeça baixa. Era a Tiffany. Por mais que eu não a conhecesse muito bem, dava para ver sofrimento em sua face.

Comecei a sentir uma energia vindo da Tiffany. Essa energia era que nem a do ocorrido hoje. Tentei me concentrar para sentir com ela essa energia e pude ver que transmitia sofrimento, dor, tristeza. Parecia que eu conseguia ver o que sua alma estava passando. Fechei a porta e andei até ela, que já estava próxima a mim. O que tanto a incomodava? Eu queria ajudá-la, só não sabia como.

A abracei quando cheguei perto dela e ela veio sem reclamar, começou a chorar no meu ombro. Senti suas lágrimas escorrendo desesperadamente. A encaminhei para a entrada da minha casa mas ela caiu na calçada e chorou ainda mais.

— Tif, você está bem, amiga? — Eu não sei de onde veio todo esse carinho que eu estava sentindo por ela. Parecia que eu a conhecia a anos.
— Eu estou só que o Thomas... Você. Morte. Embora... Eu... — Ela chorava mas do que ela conseguia falar.
— Me explica direito. Eu não estou te entendendo, Tiffany. — Não tinha como, com ela chorando tanto.
— Eu... Preciso te contar. — Ela falou levantando e andando de um lado para o outro enquanto secava as lágrimas. Parou e sentou-se na minha frente. — O Thomas deve ter te falado o que ele é, né? Agora é a minha vez de te falar. Eu também sou uma bruxa e tenho visto muitas coisas acontecendo. — Ela deu uma pausa e respirou fundo. — Eu tenho fontes que me contam coisas que ninguém sabe mas eu não posso te contar por causa de um Voto do Silêncio que eu fiz. Não é como se a minha fonte pudesse ver o futuro. Com ele, eu vejo claramente. Ah,você não vai entender. — Ela olhou para mim e sorriu, retribuí o sorriso mas eu estava sabendo de tanta coisa num dia só, que eu acho que nem tinha mais reação.
— Mas o que isso tem a ver com o Thomas? E comigo? — Falei.
— É isso que tem me deixado confusa. Tem algumas coisas acontecendo que eu posso te contar mas outras incluí você e muitos problemas, e eu não posso interferir. — Ela falou um pouco mais calma.
— Então me fala o que vocêpuder dizer. — Insisti, eu tinha que saber alguma coisa.
— Lá onde eu estudo, estão procurando a sucessora do Billy. Um grande bruxo que morreu faz um tempo. O pai do Thomas faz parte do grupinho que quer a herdeira do Billy morta. Esse grupinho é chamado de Carniceiros. Eles querem essa sucessora morta, por que ela, pelo que eles sabem, vai interferir nos planos deles que é matar todos os mestiços e tomar o poder do Mundo Místico e Astral. Aí o pai do Thomas — Giulliano Coff — o mandou vir para a cidade e procurar essa garota para matá-la, ou então seria banido da família, da parte do pai dele, é claro. Ele veio para a cidade faz quase dois anos e nenhum sinal dessa garota desde então. Ele foi embora, faz pouco tempo, para convencer o pai dele a esquecer essa garota, porque enquanto alguns querem a herdeira morta, outros estão procurando ela para deixá-la viva e salva. O motivo disso tudo é que, uma profecia diz que ela é a parte essencial do Mundo Místico, e principalmente do Astral. Uma mestiça que tem um poder surpreendente para salvar o mundo místico mas também é a chave para a destruição de todos os seres. Essa herdeira, não só é procurada pelo Thomas, como por muitos outros bruxos. Há décadas estão tentando achar algum vestígio dela. Como você já sabe, a professora Coff é mãe do Thomas. Ela também é bruxa, entre outras pessoas também, mas eu não posso te contar até você estar pronta. A parte que tem haver com você, é que eu te vejo em todas as visões que eu tenho sobre o futuro de Paris. — A interrompi. Espera um instante.

- Paris? A... – Engoli em seco. – ACidade mais Romântica do Mundo? – Eu não podia acreditar.

- É, a cidade onde fica uma das três Sedes de Ensino para Bruxos. – Ela riu. – Mas continuando. Vejo que você tem uma ligação muito forte com esses mundos. E o que me faz pensar em você como uma de nós é o fato de que você protegeu o meu primo do Jake e da Halley. Ambos são bruxos mas ficaram vulneráveis a você. Eu sinto que também posso estar enganada porque você não tem nenhum familiar como nós, nenhum familiar bruxo ou mestiço.

— Mas porque esses Carniceiros querem tanto matar os mestiços? O que tem esses mestiços? — Fiquei tão entretida na história que queria mais detalhes.
— Os mestiços são os "Sangues Sujos" como eles falam. Seja a espécie que for, eles consideram os consideram “A Mancha da Sociedade”. E os sangues sujos são filhos de um bruxo e um humano, um lobisomem com uma humano.Seja a espécie que for, desde que gere umser com um humano, já é considerado sangue sujo. Os Carniceiros acham isso errado. O mundo místico tinha que ser limpo, como elas tanto dizem. — Ah, carniceiros, mestiços, sangue sujos. Minha nossa! Olhei para ela incrédula. Ela riu da minha reação e logo se animou um pouco, pelo menos.
— Mas, Tiffany. Você não consegue saber com essa sua fonte o futuro dela não? — Perguntei.
— Eu consigo sim. Eu vejo uma garota que estuda no nosso colégio, digo, no seu por enquanto. Eu só sei o que está acontecendo e o que poder acontecer mas eu não estou conseguindo ver o rosto dela. Uma vez, eu soube o que ia acontecer com você. E pelo que eu vi, você pode interferir no futuro. Como se fosse sua função, salvar as pessoas antes que aconteça algo. Isso me deixa desconfiada e muito confusa. E como eu não posso me meter, eu tenho que esperar que a herdeira venha até mim. A minha tia falou que a herdeira vai nos procurar quando estiver pronta.- Ela falou, vindo se sentar do meu lado. Olhei para o relógio por impulso. Dei um pulo após o feito. O tempo tinha passado rápido.

— Nossa, 1h30. Huh, o tempo passou bem rápido. — Falei olhando para a lua que estava incrivelmente linda.
— Oh, nossa. Vou indo então, Fabi. — A Tiffany parou num transe. Foi estranho. Ela deveria estar recebendo novas notícias. — Vejo que vocês vão sair hoje atrás de informações sobre aquele relatório. — Oh, tinha até me esquecido.
— Ah, imaginei que você saberia. Quer ir com agente? Seria muito legal tê-la no grupo. — Olhei pra ela assim que terminei de falar.
— Claro que sim, se não for incomodar. Hoje eu não faria nada porque, como te falei, o Thomas foi embora e eu ficaria sozinha. A não ser pelo Teddy mas ele deve ter idopra casa dele. — Ela falou, ficando de pé e pulando de um lado para o outro. Pulando alto. Ver a Tiffany saltitante era muito engraçado. — Ah, Fabi. Pode me chamar de Tif, amiga. E obrigada por estar sendo legal comigo. Seremos grandes amigas. — Era bom conseguir mais uma amiga. A Tif era muito confiável e legal.
— Já somos. — Afirmei com tamanha certeza.

Ela me abraçou forte e foi andando. Lá no final da rua acenou para mim. Acenei de volta e virei na direção da minha casa. Entrei e fui direto para a sala. Toda a minha conversa com a Tif estava fazendo minha cabeça rodar.

Será que o que aconteceu hoje comigo tem algo a ver com essa herdeira? Por que será que aquilo aconteceu? O que foi aquilo que eu fiz? Não sei o que tinha me dado mas veio à minha cabeça, a idéia de descobrir sobre tudo. Sentada ainda no sofá, eu coloquei a TV no mudo e me concentrei. Me concentrei num caderno que estava em cima da mesa, mandando ele vir, puxando pela mente. Quando eu reparei, eu estava com a mão estendida. Continuei me concentrando e nada. Não mexeu nada. Tentei de novo com o copo que estava no chão. Nada de novo.

— Esquece, Fabi. Se você fez alguma coisa, espera o botãozinho ligar. — Pensei alto.

Estava começando a ficar com sono. Guardei a minha louça suja na cozinha e desliguei a TV. Subi para o meu quarto e fui direto tomar banho. Troquei de roupa e caí na cama.

Não tive sonho nenhum, por incrível que pareça. Apenas um quarto branco, sem saída.

Eram 10h20 e o relógio despertava. Já era dia 9, quarta feira. Falta menos de duas semanas para o meu aniversário.

Eu estava tão embolada no edredom que me atrapalhei. Tentei me desenrolar rolando de um lado para o outro da cama. Fiz tanta força para tentar sair da minha prisão noturna que acabei caindo de cara no chão. Podes crer, doeu. Doeu muito. Dei um grito com o susto do tombo.

Sentei no chão e olhei para o meu corpo. Fiquei boba. Não tinha marca nenhuma. Isso é um tanto estranho. Suspirei e levantei do chão. Não ia ficar sentada num chão gelado.

Fui para o banheiro, lavei meu rosto e o sequei. Me olhando no espelho, penteei meu cabelo e fiz um coque. Não era bem um coque mas parecia. Desci para a cozinha e meu pai já estava acordado, tomando café. Ele olhou para mim e sorriu. Estranho isso. O que está acontecendo? Sorri para ele. Meu pai estava tomando café e lendo as informações diárias. Mas eu não fiz café ontem? Meu pai fazendo café? O que esta acontecendo? Sentei numa cadeira para tomar café.

— Bom dia, pai. Quais são as notícias do dia? — Falei pegando um copo com leite e um pãozinho doce que já estavam postos pra mim. Continua sendo estranho.
— Bom dia, querida. — Querida? To ficando doida? Meu pai só me chamava assim quando eu tinha 5 anos. Ele só pode estar querendo alguma coisa.

— As notícias do dia são que a minha empresa deu problema e que a sessão de filmes está cheio de estréias. — Ele continuou falando. Ta, mas ele quer chegar onde com isso? — Então filha. Eu tenho que resolver uns problemas aí eu não vou ficar livre para darmos uma volta pelo parquinho. — Ele falou, prendendo a risada. — Eu quero que você e seus amigos se divirtam. Como eu já fiquei sabendo que você não tem aula hoje procurei saber se tem algum filme bom passando no cinema. E tem. Esta quinta vai estrear um filme bom e da pra vocês irem mas sábado e domingo, você e eu vamos passar o dia juntos. — Ele até que tentou fazer a carinha do Shrek funcionasse mas o que ele fez foi digno de gravar. A carinha de pidão de um quarentão.
— Ta bom, pai. Eu encaro esse desafio. — Falei, soltando uma gargalhada totalmente histérica. Ele me olhou e riu também. Veio até mim e deu um beijo na minha testa.
— Que bom, filha. Agora eu vou lá pra empresa. Não sei se vou chegar cedo, qualquer coisa você me liga. Deixei um pouco de dinheiro pra você na sua gaveta. — Ele falou, pegando a chave do carro, a carteira e o celular.

Passou pela porta e acenou pela janela para mim. Agora eu estava sozinha em casa, até a Anne passar aqui. Ficaria a manhã a toa.

Peguei toda a louça suja e deixei arrumada na pia. Fui para a sala e liguei a TV. Estava passando um filme de comédia que eu esqueci o nome. O filme era de bruxas. Engraçado mas eu não consegui rir tanto com o filme. Ele só estava me lembrando mais ainda da conversa com a Tif ontem e da confissão do Thomas. Ah, lembrando do Thomas. Suspirei.

— Argh! Por que você foi embora? – Gritei bem alto. Porque ele tinha ido embora? Que raiva. Quando eu começo a fazer amizade com ele, ele vai embora. Ótimo. Fui interrompida pelo meu computador que estava em cima da mesa com um novo e-mail. Escorreguei para o chão e abri o e-mail. Era da minha vó. Estava escrito:

“ Fabi, você está bem, querida? Por favor, me dê respostas. É urgente.
Sua vó, Kathrine”


Ué, é claro que eu estou bem. O que será que aconteceu? Respondi o e-mail dela. E disse:

“ Claro que estou bem, vó. Por que a urgência? Aconteceu alguma coisa? Beijos.
Te amo. Fabi.”


Assim que enviei o e-mail, um outro e-mail chegou para mim. O abri e estava escrito:

”Fabi, aconteceu sim alguma coisa. Eu fui o culpado. Eu acho que seria bom você ver se o seu pai está bem. Será que não aconteceu nada com ele, não? Você lembra o que fez ontem? Impedindo as minhas aventuras noturnas. Agora você vai pagar. Será a minha diversão. Cuidado.

Carniceiros. “

Assim que terminei de ler o e-mail, caí pra trás. Carniceiros? Desmaiei após recapitular o e-mail na minha cabeça.

Acordei com a Anne e a Tif me chacoalhando, tentando me acordar. Acordei num pulo, gritando.

— Carniceiros. Eles estão atrás de mim. Mas o que... Meu pai! — Levantei e fui correndo para o telefone e disquei o número do meu pai.
— O que? Carniceiros? Fabi, você tem visto muito filme, né? — Anne falou. Pra ela, isso estava sendo engraçado. Ela não sabia nada sobre isso então. Enquanto a Anne não entendia nada a Tiffany meolhou assustada quando se deu conta de que eu tinha falado Carniceiros.

- Fabi, o que você está falando? O que houve? — Tif falou.

Ela sabia tudo dos carniceiros, foi ela quem me contou. A Anne olhou pra ela incrédula. Eu ainda estava esperando meu pai atender mais nada. Nenhum sinal da chamada. Fui correndo para o quarto e troquei de roupa. As meninas vieram atrás de mim, e dava pra reparar que elas estavam preocupadas. Principalmente a Tif.

— Eu recebi um e-mail da minha vó perguntando se eu estava bem. Eu estava bem mas aí recebi um outro e-mail de algum integrante dos carniceiros. – Falei olhando diretamente para a Tif. — Acho que é o Jake. Lembra do que me aconteceu ontem, junto com o Thomas? Então. Ele ou eles querem se vingar. E essa pessoa falou sobre o meu pai. — Terminei de me vestir, peguei aprimeira bolsa que vi pela frente e coloquei dentro o meu celular, dinheiro e peguei a chave do quarto.

Saí do quarto, trancando a porta e descendo com o telefone fio de casa no ouvido, ainda com esperanças de que meu pai atendesse. Nada. Nenhum sinal. Desliguei o telefone e coloquei na mesa. As meninas estavam assustadas, olhando para mim.

— Tif, você pode me dar uma carona até a empresa do meu pai? — Falei, desligando a TV e dando um check-up na casa.
— Claro, você vai né, Anne? — Ela falou olhando para a Anne que logo respondeu.
— Mas claro que vou. Vocês duas vão me explicar essa história tin tin por tin tin. — Ela respondeu saindo de casa.

Fui a última a sair. Tranquei a porta e fui pro carro da Tif. No caminho, ela explicou toda a história para a Anne. Carniceiros, bruxas e da herdeira. A Anne ficou pasma com toda a história mas entendeu. Eu nem prestei atenção na conversa delas até que veio uma imagem na minha cabeça. Vi um acidente de carro e o carro do meu pai estava na cena. A imagem parou quando nós chegamos numa rua que estava parada. A Tif e a Anne olharam pra mim.

— Tif, vocês ficam no carro que eu vou ver o que aconteceu lá na frente. Se eu estiver certa... — Nem terminei de falar e já estava chorando.

Saí do carro e segui em direção ao sinal. Reparei que um pouco a frente tinha um monte de pessoas cercando uma pessoa que estava caída no chão. Tinha uma ambulância e um carro, o carro do meu pai, todo estraçalhado. Corri até o acidente. Quando olhei para o chão. Lá estava o meu pai, sendo carregado para dentro da ambulância na maca. Corri para a ambulância.

— Desculpe mas só familiares. — O Enfermeiro falou.
— Eu sou filha dele. Por favor, me deixe ir com ele. — Ele permitiu com a cabeça. Entrei na ambulância. Senti meu celular vibrando dentro da minha bolsa. O peguei e vi pelo visor que era a Anne ligando. Atendi a ligação.

— Fala, Anne. — Eu estava com a voz trêmula.
— Onde você está? Estamos preocupadas com você. — Ela falou e dava pra ouvir a Tif falando junto com ela.
— Eu estou numa ambulância aqui na frente. Meu pai sofreu um acidente. Sigam a ambulância até o hospital e me encontrem lá. — Elas concordaram do outro lado da linha.

Desliguei a ligação. Prestei atenção em todos os exames que o enfermeiro estava fazendo no meu pai. Pelo que eu ouvi, meu pai quebrou a perna e torceu o braço. Foi muito sério pelo que eles estavam falando. Meu pai estava desacordado e tinha perdido muito sangue. Chegamos ao hospital.

Assim que eu saí da ambulância, a Tif e a Anne já estavam me esperando. Corri até elas e as abracei chorando. Olhei para o meu pai e ele estava sendo levado para o andar de cima.

Passou três horas. A Tif e a Anne ficaram conversando enquanto eu estava andando de um lado para o outro. Parei quando ouvi o médico entrando na sala que nós estávamos.

— Srta. Costello? — Ele me chamou.
— Sim? — Respondi.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Talvez amanhã eu poste o próximo capítulo.