Destino Traiçoeiro
2 2. Pensamentos perdidos.
Notas iniciais
Quando olhei na direção da porta para ver se era a professora Coff que estava entrando, não era. Era o Prof. Donald.
O professor mais chato desse colégio. Adora tudo organizado e certo. É muito amargurado, provavelmente teve uma infância muito difícil. Ou será que o problema dele foi no colegial? Se fosse isso, explicaria o motivo da sua arrogância com os alunos.
Ele é professor de Matemática e Filosofia. Com ele, os alunos ralam para manter notas equilibradas.
O professor Donald entrou na sala já batendo com sua régua na porta para chamar a atenção da turma. Como sempre, funcionou. Ele conseguiu a atenção da turma inteira em apenas um minuto. E começou a falar, ou melhor, reclamar.
— Que farra é essa? Nem parece que vocês estão em aula! Agora eu vou trocar os lugares de vocês e, nenhum aluno vai escolher o seu lugar. — Merda, justo agora ele tinha que fazer isso. Pensei.
— Anne, Pat e Teddy. Vocês estão no meu grupo se for em grupo ou trio. Ta bom? Beijos. — Era melhor já falar com eles, por que eu já tinha idéia de que com certeza o professor Donald vai me trocar de lugar. Foi quando eu percebi que James veio para a aula hoje. James Bismarchi.
James é o garoto mais lindo do colégio. 17 anos. Branquinho, com olhos cor de mel e seu cabelo arrepiado loiro, forte e, perfeito. É quem mais matava aula. E lá estava ele. Sentado no quanto da sala, ao lado de sua namorada, Brianna.
Brianna é a garota mais linda do colégio, loira com seu cabelo caindo na cintura. 16 anos. Corpo violão e também era muito popular. Ela tem sorte por estar com o garoto mais bonito do colégio, o garoto que eu amo! Pensei até em tentar ser melhor que ela, mas nunca teria chances. Quando percebi que James estava olhando pra mim, virei para frente, olhando pro Pat.
— Fabi, é impressão minha ou James estava te olhando, agora? Anne falou, baixo demais para quase nem mesmo Pat ouvir.
— Claro que não. De onde você tirou isso? Nunca que o James me olharia. — É, ele me olhou. Mas deve ter sido porque eu estava olhando diretamente pra ele. Como sempre, eu paguei mais um mico. E agora, era um mico que incluía o James. Não. Fabi, onde você estava com essa cabeça oca? Bem, não vou mentir que me perdi na boquinha linda do James mas... Ah. Ele é simplesmente tudo!
Quando me dei conta de que estava pensando alto demais, a turma toda já tinha escutado o que eu havia falado. Queria ter um lugar para enfiar minha cabeça e sumir daquela sala estúpida no momento em que todos estavam rindo de mim. A minha única saída foi enfiar minha cabeça dentro da mochila. Mas, antes que eu fizesse isso, o prof. Donald me chamou. Levantei minha cabeça e vi que todos estavam me olhando. Olhei para o Professor.
— Sim? — Falei com o professor, tentando quebrar o gelo de tantos olhares em cima de mim.
— Srta. Costello, poderia vir até minha mesa? — Não pude negar esse pedido, não, essa ordem. Fui até a mesa dele e quando estava chegando. Senti uma pressão vindo da mesa do James.
Brianna estava me olhando de um jeito malvado. Só que não parecia que ela estava fazendo algo, mas sim, que ela estava com raiva e muita raiva de mim. Continuei andando, mas quando dei o último passo, caí. Todos começaram a rir. Então o professor veio em minha direção.
— Menina, será que da pra você agir direito? Ou pelo menos tentar? — Isso ofendeu!
— Mas, professor. Eu... É... — Fui cortada pela Brianna.
- Ah queridinha. Tá querendo convencer quem? Você tropeçou no seu próprio pé. — Que idiota essa garota!
— Com licença, Srta. Faustine. Eu acho que ainda sou o professor aqui nessa sala. Então, eu gostaria que você respeitasse sua colega e ficasse de boca fechada enquanto eu dou a ordem aqui nessa sala. — Pela primeira vez, eu senti que amava esse professor.
— Er, mas professor, eu só estava... — E agora, o que aquela estúpida queria? Olhei fixamente para Brianna. Para minha sorte, o professor a interrompeu.
— Você só estava tentando se meter, quando você deveria ficar quieta? — É. Agora ela ganhou o que merecia. Olhei para ela de um jeito como se quisesse esnobar. Mas não pude nem aproveitar o momento. O professor me interrompeu.
— E você, mocinha. Acha que se livrou? Bom, eu quero que você se sente ao lado de James. — O que? Eu, do lado de James Bismarchi? Não acredito. Isso era a melhor e a pior coisa que poderia me acontecer. Olhei novamente para o James e logo fui interrompida pelo professor.
— Que eu saiba, é pra hoje Srta Costello. — Que raiva. Eu queria fazer aquilo, mas também não queria.
Então fui sentar do lado de James. E como se já não bastasse, ele ainda estava me recebendo com um sorriso no rosto. Aquele era com certeza, o sorriso mais lindo que eu já vi. Não vou dizer que é o mais lindo que eu já vi na minha vida, apenas o mais lindo desse colégio. O sorriso mais lindo da minha vida, eu ainda não vi e eu tenho certeza que é o da minha mãe.
Aquele sorriso que o James me deu era tão lindo que me perdi. Parecia que ele não ligava que eu sentasse do lado dele. Foi aí, que eu o respondi com um sorriso. Irresistível.
Quando eu estava chegando ao meu novo lugar, eu nem tinha reparado que o professor já estava trocando o lugar de outras pessoas na sala. Ele colocou a Brianna do lado de Patrick (Ela tem nojo dele. Dava pra reparar de longe). Colocou a Anne do lado de Teddy. Deu pra reparar como a Anne ficou. Ela o ama. E eu estava começando a achar que o Teddy pode sentir algo pela Anne. Ele a olhou de um jeito que, se fosse comigo, eu derretia.
Tirei meus olhos deles dois e voltei a minha atenção para o professor Donald.
Assim, que ele ajeitou a sala, permitiu que a Prof. Coff entrasse na sala para dar começo a sua aula. Ou melhor, passar a tarefa, a avaliação que todos eram obrigados a fazer.
Quando a professora entrou na sala, todos os alunos levaram um susto. Ela estava de visual mudado. Com o cabelo picotado vermelho e incrivelmente linda. Não parecia nada com a antiga Coff. Aquela professora triste. Ninguém esperava por essa mudança radical.
Ela não parecia estar ligando para os olhares de todos os alunos da sala. Realmente não estava ligando.
A professora Coff começou a agir como se estivesse como sempre. Colocou suas coisas na mesa e tirou um piloto da sua bolsa. Foi até o quadro e escreveu:
"Tarefa do dia: Um relatório sobre um ente querido "
Era de se esperar que fosse algo como redação. Aliás, ela é professora de Português. Ela continuou escrevendo.
"A tarefa é sobre qualquer ente querido, mãe, pai, cachorro. Falar com detalhe da jornada que vocês farão para saber sobre esse ente. "
Lembrei da minha mãe. Quando ela falou sobre um ente querido, quase desabei. Se eu não tivesse com a cabeça encostada na parede, eu desmaiaria de desespero e tristeza. Então a professora virou para turma e ficou nos olhando durante um tempo.
— Devo falar que esse relatório é uma jornada. Uma que vocês terão de vivê-la e aprender com isso. Não é pra vocês saírem escrevendo todas as informações que vocês conseguirem. Aprendam com cada detalhe que essa jornada trazer para vocês. Viaje pelo tempo, saia pela cidade atrás de informações. Mas vivam e aprendam. Essa é a importância dessa avaliação. É uma questão de maturidade. – Issosim foi um discurso.
Gostei do que a professora tinha falado mas parecia que, quanto mais a professora falava em viver essa busca, mais eu ficava com uma dor no meu peito, um aperto no meu coração.
Ela não tinha terminado de falar, então desliguei meu subconsciente da idéia de pensar na minha mãe e voltei a prestar atenção ao que a professora falava.
— Essa tarefa é para quatro pessoas. O ente será de alguém do grupo, os outros terão que aprender com a vida do colega, se colocar no lugar. Vocês terão que aprender juntos.- De repente, eu percebi que a professora estava me olhando.
Ah, para de graça. Deixa eu adivinhar. A professora vai me chamar pra ser a primeira a testar essa tarefa?
— Fabiane, você poderia vir até aqui, e escolher seu grupo? — Acertei em cheio.
Virei a cobaia dos professores ou eles só estavam tentando ser legais comigo? Eu acho que a primeira é a certa. Fui lá pra frente e fiquei do lado da professora.
— Nós sabemos que você é a mais certa de fazer um relatório perfeito. — É, ela estava falando da minha mãe. — Eu sei que você tem muito que saber sobre sua mãe e é por isso que eu chamei você pra ser a primeira. Quero que você saiba que eu fui amiga da sua mãe, e ainda sou. Quero que você saiba que te ajudarei, se precisar. - Olhei para professora a ouvindo terminar.
É impressão minha ou ela está falando da minha mãe? Nossa. Por essa eu não esperava. A professora Coff amiga da minha mãe? Isso explicava como ela me tratava. Porque tudo é tão injusto comigo? Deixa eu adivinhar de novo. O Diretor é meu tio? Ha ha. Assim que a professora terminou, eu sorri pra ela.
— Professora, obrigada pela ajuda. E o grupo que eu escolhi é Anne Swan, Patrick Swan e Teddy Johnson. — Eles vieram até a professora. Assim que eles estavam bem do meu lado, a professora nos chamou na mesa e falou que era um trabalho em grupo e nos liberou. Não esperei nem um segundo. Como já estava com a minha mochila nas costas, puxei Anne e saí da sala.
— E então. Sobre que ente querido nós vamos falar? — Disse Anne.
Sem que agente percebesse, Patrick e Teddy já estavam do nosso lado. Patrick do meu lado e Teddy do lado da Anne. Eu precisava fazer algo pra me distrair e tirar as coisas que eu pensei na sala de aula. Então não agüentei.
— Que tal agente apostar uma corridinha até o refeitório? — Falei já correndo, olhando para Anne, Teddy e Pat.
Todos estavam correndo. Quando virei para olhar para Anne, acabei esbarrando com o Thomas.
Saí rolando no chão e levando ele junto. E pelo que vi a situação era cômica. Ele estava deitado no chão e eu apoiada em seu peito com meu rosto colado ao dele. Olhei para ele e, confesso, senti algo estranho. Não pude não olhar para ele, atéque ele sorriu.
Aquele sorriso foi pra mim? Que estranho. A primeira vez que eu estava vendo o Thomas sorrir. Levantei e fui correndo atrás do pessoal. O que eu estava pensando em não levantar logo que caí? Por que o Thomas sorriu pra mim? Não entendi nada, mas gostei.
Assim que cheguei ao refeitório, estavam todos sentados numa mesa do canto. Fui até eles e sentei do lado de Anne que me olhou querendo explicações sobre o motivo da brincadeira no corredor.
— Está me olhando assim por quê?- Falei, esperando que ela explicasse a reação dela.
— Será que dá pra você explicar o que foi aquilo com o Thomas O’conell? — Por que ela estava curiosa com aquilo? Não foi nada demais.
— Não foi nada demais. Só esbarrei nele e dessa vez eu caí, ele também.
— Tá bom. Não vou implorar pordetalhes. Não agora. Mas será que da pra você nos ajudar a resolver sobre quem é que agente vai falar no relatório?- Não acredito que eles estavam decidindo isso.
— Agente pode falar sobre o Elvis Presley. — Disse Patrick.
Mas que coisa idiota que o Patrick falou. No mesmo instante, eu e Anne socamos o Patrick.
— Claro que não, Pat. — Anne falou.
— Com certeza, não! Que tal Madonna?- Teddy falou.
Lá foi mais uma sessão de socos. Quando me lembrei do belo discurso que a professora havia dado na sala de aula e acabei pensando em minha mãe. Foi aí que eu comecei a me sentir mal, triste.
E se eu fizesse esse relatório sobre a minha mãe? Eu teria uma desculpa para saber mais sobre ela. Meu pai teria de falar tudo que sabe. Sem mais fugas.
Seria a coisa mais confortante que eu já fiz na minha vida. E eu teria chance de conhecer minha mãe, minha querida e tão amada mãe.
A professora Coff tinha conseguido fazer com que eu pensasse nela. Depois de tanto tempo. Eu pude me lembrar da minha mãe sem que eu me limitasse por causa da idéia de um dia conhecê-la. Mas, conforme eu pensava nela, parecia que alguma coisa dentro do meu peito explodiria explodir. Há tanto tempo eu havia parado de pensar no meu passado, a não ser ontem. Parecia que o tempo fez com que eu sofresse mais por isso.
— Fabi, em que você está pensando? — Anne disse e todos começaram a olhar pra mim.
Não agüentei suportar a dor dentro de mim e comecei a chorar só de pensar em minha mãe. Não pude ficar ali, chorando sem explicar para eles o motivo.
Saí correndo em direção ao portão da entrada. Sentei embaixo de uma árvore que tinha lá na entrada. Não consegui prender o choro e comecei a chorar. Coloquei minha cabeça em minhas mãos.
Levei um susto quando senti uma mão passando em meu cabelo. Levantei minha cabeça e vi que era o Thomas. Ele estava me olhando, sorrindo ainda com as mãos em meu cabelo. Parecia que ele estava tentando me confortar, consolar. Pela primeira vez, eu me senti bem perto dele. Tentei parar de olhar para ele, para seus olhos que estavam incrivelmente lindos, mas foi em vão. Me perdi em seu sorriso.
Se ele não tivesse me atrapalhado, eu juro que ficaria um bom tempo só admirando seu sorriso. Ainda chorando, tentei prestar atenção nele.
— Fabi? É Fabi, né? Seu nome. Prazer, sou Thomas. Acho que você já deve saber disso. — Ele sabia meu nome? Nossa, que estranho. Ouví-lo dizer meu nome era uma coisa nova.
— É sim. — Eu ri um pouco.- Sabia sim, que é esse seu nome. Mas, eu não tinha idéia de que você sabia o meu. — Tinha idéia de que ele sabia. Aliás, eu sou a garota mais desajeitada e atrapalhada do colégio e,por isso, não tinha ninguém que não sabia meu nome.
— Ah. Como eu não saberia seu nome se toda vez, na hora da entrada, eu esbarro em você? – Não falei? Mas será que ele percebia que muitas vezes eu ficava o olhando muito? Será que ele ficava chateado por causa daquilo?
Sem que agente percebesse, começou a chover. Nós saímos correndo em direção a cantina. Chegando lá, eu fiquei olhando pra chuva cair e notei que o Thomas estava me olhando. Quando eu olhei na sua direção, ele virou o rosto.
Eu não entendi nada mas fiquei um pouco sem graça. Por que eu tinha ficado sem graça? Eu precisava medistrair para não acabar falando besteira. E eu estava começando a ficar com sede, o que não ajudava.
— Thomas, eu acho que vou comprar uma coca. — Antes que eu pudesse ir, ele me puxou para o balcão. Me colocando sentada num banco e pediu as cocas. Eu não tinha pedido pra ele comprar uma coca pra mim.
— Toma aqui. Eu também estava começando a ficar com sede. — Ele disse.
— Mas, não precisa. Eu não falei que era pra você comprar uma coca pra mim. Eu falei só por falar. Eu compraria. — Respondi. Tudo que eu tinha acabado de falar era verdade.
— Aceita aí. Eu só estou tentando ser cavalheiro. E já que você tá com sede... — Não dava pra teimar com ele. E eu também não pude resistir à coca. A peguei e dei um gole bem demorado.
— É. Você realmente estava com sede. — Ri com o que ele disse. — Mas, eu poderia saber o porquê do seu chororô embaixo daquela árvore?
Eu sabia que eletocaria nesseassunto. Já estava esperando, mas eu não queria falar sobre aquilo.
Enquantoeu olhava pro nada tentando não olhar para ele já que, com toda certeza, eleiria implorar para que eu falasse qual era o meu problema. Já estava me distraindo quando vi um cordão com os mesmos detalhes que o meu. Fiquei um tanto curiosa.
-Thomas, o que você tem no pescoço? — Perguntei. Estava muito curiosa.
— Ah. É um cordão que eu ganhei quando eu nasci. — Estava ouvindo-o com tanta atenção, que fiquei quieta até demais.
Quando olhei de novo pra o cordão do Thomas, me surpreendi. Percebi uma letra como pingente. Uma mistura de dois pingentes “D” e “F”.
— Thomas, essa letra ai no seu cordão é de que? Se eu puder saber. — Tentei parecer amigável.
-É um “D” e um “F”. Significa “DivinumFlore” que é o nome espiritual do meu destino. - Destino dele? Como assim?
— Como assim seu " destino"? — Eu não estava entendendo nada do que ele tinha falado.
— É que onde eu nasci, tem uma tradição. Cada criança ao nascer ganharia um cordão com a inicial do nome espiritual do seu destino e cabe a nós, procurarmos o nosso destino e nos convencer do que vem pela frente. — Agora eu estava o acompanhando. Agora eu estava ficando antenada. — Só que eu ainda não conheci o meu destino, nem se quer cheguei perto. — Ele disse.
— Mas como você sabe quando está perto do seu destino? — Eu agora estava ficando muita curiosa. Até demais. E isso não era bom.
— Eu não sei direito. É como se você sentisse uma ligação que os conecta. Se você só tivesse olhos para o seu destino ou se só pudesse ver o seu destino, numa escuridão. Como se fosse sua luz. — Ele terminou.
— Você fala como se já tivesse visto o seu destino. — Eu falei.
Fiquei surpresa. Porque ele tinha falado de um jeito como se já tivesse passado por essa experiência. Aquilo realmente me deixou muito interessada a saber mais da história do colar e dessa do destino. Mas eu fui interrompida.
— Fabi, eu reparei que você tem um colar com uma inicial. Qual o sentido dessa inicial? — Ele perguntou enquanto mexia no meu colar e o observava, comparando ao seu.
— Não sei direito. Eu também ganhei quando eu nasci. Minha mãe me deu esse colar. Acho que era para que eu nunca se esquecesse dela. — Como se isso fosse possível. — Ela me deu esse colar e foi embora. — Terminei e vi que o Thomas estava me olhando.
— Mas ela foi embora assim? Sem mais nem menos? — Ele perguntou. Pude ver que ele estava tentando disfarçar a curiosidade.
— Ela deixou uma carta pra mim. Escrito que, no dia do meu aniversário, eu a conheceria. Ela me deixou com meu pai para que pudesse resolver problemas. Tudo para minha proteção edo meu pai. E faltam 13 dias para que eu possa conhecê-la e não recebi nenhum sinal da minha mãe. — E isso já estava me deixando com raiva e muito triste.
Mas, uma coisa me dizia que alguma coisa está para acontecer e tem a ver com minha mãezinha querida.
Fiquei pensando por um tempo e me dei conta de que ainda estava com o Thomas na lanchonete, e ele estava me olhando. Dava pra ver que ele não estava entendendo nada.
— Oh, Thomas. Desculpa por isso. Eu acabei me perdendo em meus pensamentos. Ultimamente tenho pensado muito em minha mãe. — Falei. E era verdade mesmo. Tenho pensando muito em minha mãe.
— Ah, tudo bem. Você apenas teve um momento só seu. Às vezes agente precisa de um momento só nosso. — Ele disse de forma que parecesse amigável.
Achei legal o modo que ele estava conversando comigo. Parecia que éramos amigos íntimos. E eu estava precisando de um amigo assim. Novo.
— Thomas. Eu te agradeço por estar me ajudando. É muito legal da sua parte. E eu que pensei que você tinha algo contra mim. — Tinha que falar isso e resolver qualquer problema que tivesse pendente.
— Eu? Algo contra você? — Ele respondeu com uma expressão confusa.
— É, você. Porque sempre que agente se esbarra você me olha com uma raiva. Como se eu tivesse feito algo contigo. — Eu estava precisando tanto desabafar, soltar isso, que acabei ficando um pouco nervosa.
— Não. Claro que não tenho nada contra você, é que uma vez eu vi uma foto de uma amiga da minha mãe que parece muito com você. — Essa pessoa que parecia comigo deve ser minha mãe. Eu tinha que saber mais sobre essa pessoa. E ele continuou.
- E essa amiga dela a magoou muito. Eu peguei raiva dessa pessoa e eu acabei confundindo vocês duas. Me desculpe por isso. Eu não devia... — O interrompi. Mas, sem que eu percebesse comecei a chorar desesperadamente. Ele ficou me olhando, como se quisesse fazer alguma coisa para impedir minha tristeza.
— Essa...Pessoa... — Gaguejei enquanto tentava falar o que eu queria dizer. – Essa pessoa... Deve ser minha mãe. — Tinha que ser. Que outra pessoa pareceria comigo sem ser meu parente?
— Deve ser? — Ele disse meio que confuso.
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