Destino Selado
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
Edward era um cirurgião chefe do hospital central de Seattle, todos os dias havia uma nova emergência a ser atendida e ele era considerado pela equipe como o melhor de todos os médicos e por mais que ele gostasse de seu trabalho toda aquela adrenalina e os problemas se tornavam estressantes. Havia dias em que ele não conseguia salvar as pessoas e esses eram os piores dias de todos.
Ter que ver as expressões de perda e a dor refletida nas faces das pessoas que tinham confiado seus entes queridos em suas mãos era uma das piores experiências que se podia imaginar para um médico.
Ele era um homem reservado devido ao trabalho excessivo no hospital e não tinha muito tempo ou vontade de sair nas suas horas vagas, seus pais e irmãos sempre estavam preocupados com o seu futuro já que ele era um homem de trinta anos e sua ultima namorada tinha o deixado na faculdade.
Edward não tinha tanto interesse em relacionamentos apesar de sair ocasionalmente com algumas mulheres, mas às vezes sentia que faltava algo em sua vida. Podia ser a solidão falando alto em seu ouvido, mas ele desejava mais do que tinha agora como todas as pessoas sempre o faziam.
Naquela tarde especifica ele tinha realizado uma cirurgia as pressas e mesmo se esforçando como sempre fazia não tinha conseguido salvar o paciente que era apenas um garoto.
Ele sentiu todas as emoções negativas que sempre se seguiam após esse tipo de acontecimento e acabou sendo liberado cedo de seu plantão noturno. Ele só conseguia pensar em chegar ao seu apartamento e beber, estava sempre solitário e não podia dividir seus dramas particulares e medos com ninguém. Ele saiu com sua maleta e foi ate seu carro, um Jaguar preto que sua irmã o havia presenteado já que para ela um Volvo não era digno do melhor cirurgião de Seattle.
Ele se lançou nas movimentadas avenidas, naquele horário a quantidade de pessoas começava a aumentar e o transito acompanhava essa mudança também já que era um horário onde muitas pessoas saiam do trabalho, o ritmo das ruas mudava. Enquanto ele estava parado no congestionamento, observou como as pessoas corriam, estavam sempre correndo para algum lugar ou para fazer algo ou ate mesmo encontrar alguém.
Ele se sentia cada vez mais nostálgico, como um idoso. Vendo sua vida passar diante dos seus olhos sem emoção alguma, vendo tudo como um espectador e não um participante era uma situação preocupante, já que ele ainda era alguém que desejava viver.
Edward tinha se transformado em uma pessoa completamente diferente do que era antes, estava sempre preocupado com o trabalho, não se divertia com os amigos ou com sua família e se esqueceu de que um dia teve sonhos e ambições românticas.
Ele ouviu o som das buzinas e acordou do pequeno transe, o sinal tinha aberto e enfim ele iria para casa novamente, só mais uma vez ele desejou enquanto acelerava o carro que quando chegasse a sua casa houvesse alguém o esperando, alguém que ele pudesse amar e alguém que também o amasse.
Ele continuou seguindo o transito ate que girou em uma esquina e se dirigiu ate a avenida central, o sinal continuava aberto e ele não acreditou na sua sorte, talvez hoje na cidade estivesse acontecendo algum evento, já que a avenida central não se encontrava com um transito tão acirrado que o habitual. Contando com seu carro só havia mais três seguindo na mesma direção.
Ele dirigiu tranquilo ate que era tarde demais para perceber que havia uma garota de vestido azul correndo entre a avenida, enquanto ela corria seus cabelos se soltaram e seu carro ia em direção a ela. Ele mal teve tempo de frear ou desviar quando a atingiu.
O corpo foi jogado a aproximadamente dois metros e permaneceu imóvel, Edward ficou estático dentro do carro com o pé ainda pressionando contra o freio ate que a adrenalina começou a fluir por seu corpo e ele fez a única coisa que seu cérebro mandou: Pegou sua maleta puxou a chave do carro e saiu correndo em direção a onde estava o corpo da mulher.
Ele se abaixou junto ao corpo e a moveu, sua respiração era fraca e entrecortada, as pessoas começaram a reclamar por ele estar movendo-a e ele precisou gritar que era medico e que deveriam chamar uma ambulância. De sua maleta ele retirou seus equipamentos médicos, voltou ao carro correndo e pegou um pequeno cilindro de oxigênio. Voltou correndo novamente e imediatamente colocou na moça que parecia pior a cada momento.
O seu sangue começava a se espelhar pelo chão e ele identificou ossos quebrados e uma provável hemorragia, naquele momento olhando para os olhos daquela garota deitada no chão, vendo a vida se esvair de seu corpo ele só conseguia pensar em faze-la ficar. Então ele sussurrou baixo como uma oração:
— Por favor, fique! Lute! Você ainda pode viver!
Mas para seu desespero a garota foi fechando os olhos e seus batimentos diminuíam cada vez mais rápido, ela não conseguiria chegar a tempo em um hospital, mas ele simplesmente não podia admitir aquilo, ela precisava de um milagre e ele faria o que pudesse para ajudar.
Ao longe ele pode ouvir a sirene da ambulância, depois do que pareceram horas eles finalmente chegaram e começaram a movê-la vendo que a moça apenas se agarrava a um fio de vida.
Edward disse que era medico e os seguiria com seu carro. Ele dirigia como um louco para acompanhar a ambulância e chegar a tempo de ajudar a garota.
Chegaram ao hospital em um tempo recorde e quando pararam a ambulância, Edward desceu do carro e viu um dos paramédicos usando o desfibrilador na garota, para ele isso significava que era quase o fim, mas ele não admitiria, ele precisava traze-la de volta.
Ele subiu na ambulância e tomou o lugar do paramédico:
— Eu sou cirurgião chefe desse hospital.
Ele realizou os procedimentos e então usou novamente o desfibrilador, o coração dela respondeu e ele pediu que a movessem imediatamente. Ele teria que salva-la não importava o que, afinal ele havia quase a matado há poucos instantes.
Ele precisava de um milagre.
Edward não sabia, mas enquanto se encaminhava para a sala de cirurgia correndo junto a maca com a moça quase morta, não estava correndo apenas pela vida dela, mas também pela sua.
No momento em que ele tinha visto o rosto dela tudo havia mudado e dali para frente um sempre estaria na vida do outro, seus caminhos tinham se entrelaçado e seus destinos permaneceriam juntos.
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