Destino Irônico
10 Capítulo 9 - Aluna nova
Notas iniciais

Destino Irônico – Capítulo 9 – Aluna nova.
Rin acordou em plena madrugada por causa de um pesadelo, algo relacionado com gatos.
Depois de ter voltado do teste aplicado pelos senseis só pensou em ir dormir. O teste havia sido um pouco mais agitado do que tinha esperado. Ninguém esperava a visita surpresa dos “amistosos” amigos de Staz e Fuyumi.
O rapaz de cabelos negros levantou da cama sem emoção alguma e saiu do quarto, indo em direção à cozinha para tomar um refrescante copo de água após um agitado sonho ruim.
O demônio cozinheiro dormia em meio a uma pilha de panelas desorganizadas.
“Rin” — O rapaz se virou ao notar o gato preto, Kuro, a olha-lo com os olhos verdes pesados de sono. – “O que faz acordado a essas horas?”
– Faço a mesma pergunta a você. – Disse o filho de satan enchendo um copo d’água. O gato negro saltou do chão para o balcão, logo ao lado da pia.
“Tem certeza?” – Indagou o gato de duas caldas.
– Droga Kuro, eu estou bem, só perdi o sono, já volto para a cama.
“Hm... Okay. Vou voltar a dormir, rabugento.”
Rin revirou os olhos e murmurou um “já era hora”, baixo o suficiente para ter certeza que o gato não ouviria. Já tivera um pesadelo relacionado com gatos, agora tinha de aturar Kuro com aquele interrogatório.
Após secar o copo subiu novamente para o quarto. Porém, quando deitou na cama o despertador incrivelmente irritante ressoou pelo quarto.
– Ugh. – Resmungou passando a cabeça para baixo do travesseiro. Já conseguia ver a silhueta de seu irmão levantando meio grogue da cama.
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O grupo de quatro estudantes (Rin, Yukio, Staz e Fuyumi), todos com o uniforme da escola, se encontravam já indo em direção as suas aulas normais, das quais não envolvia nenhuma gota de sangue, demônio ou invocação. Simplesmente aulas chatas de cálculos e teorias.
– Rin-san, você não parece estar muito bem essa manhã. Aconteceu alguma coisa? – A única menina do grupo perguntou ao notar o rapaz, que normalmente era elétrico, calado.
– Por que todo mundo acha que aconteceu alguma coisa? – Resmungou. – Não, não aconteceu nada.
– Deixa pra lá Fuyumi, vai ver enrabadinho não está nos seus melhores dias. – Staz disse com um meio sorriso.
– Do que você me chamou vampiro de segunda?
– Antes tarde do que nunca... – Murmurou Yukio.
– Haaai. – Suspirou pesadamente a Yanagi que olhava a discussão que se seguia exagerada até a sala de aula.
Eles encontraram seus amigos na sala de aula, conversando sobre alguma coisa. A conversa terminou ao verem o grupo chegando.
– Yoo minna-san. – Cumprimentou Fuyumi.
– Y-yoo...
“Vocês não disseram que estava tudo bem em sermos demônios?” Pensou Staz com uma gota.
O grupo se sentou em seus devidos lugares na sala de aula. Izumo sentou na classe ao lado de Paku. A frente de Izumo estava Fuyumi e ao lado da mesma Shiemi. Mais para o fundo, ao lado da janela estava Rin e na sua frente Staz. Na classe ao lado de Rin estava Bon que sentava atrás de Konekomaru e na frente de Shima. Yukio sentava em uma das primeiras classes (lembrando que nas salas comum as classes são únicas).
~Com as meninas~
A aula já havia começado, o professor começava a explicar algo relacionado a algo que era para ser fórmula de bhaskara, mas um pouco mais complicado.
Fuyumi estava ficando inquieta, já bateu a ponta do lápis no caderno umas trezentas vezes sem nem ouvir o que o professor falava, já sabia aquele conteúdo. O que, na verdade, deixara-a nervosa era que seus amigos pareciam estar a evitando. Ela os entendia de certa forma, afinal não saberia como se sentiria se descobrisse que seus amigos eram um vampiro otaku e uma garota “morta”. Provavelmente pensaria em assombração.
Cuidadosamente retirou um pedaço da página do caderno e escreveu um bilhete.
“Estão muito zangados?” Dobrou o bilhete e discretamente depositou na classe de trás (Izumo), esperava que o professor não notasse. Em alguns segundos sentiu um cutucão nas costas, então estendeu a mão ao lado do corpo e sentiu Izumo depositando o papel no mesmo instante.
Abriu o bilhete e deixou a cima do caderno, quase colado para parecer parte da folha.
“Eu não estou zangada, afinal, o fato de serem demônios não muda nada. Já os outros estão um pouco inseguros, não se preocupe, com Rin também foi o mesmo.”
Fuyumi se virou para Izumo e perguntou em sussurros.
– Como assim?
– O que?
– Como assim foi o mesmo com o Rin?
Izumo olhou para os lados e chegou um pouco mais perto, diminuindo ainda mais a voz. – Também sentiram medo dele, e um pouco de raiva por parte de alguns. – Um frio passou pela barriga de Fuyumi.
– Senhoritas Yanagi e Kamiki, estou atrapalhando a conversa? – O professor perguntou ao lado da classe de ambas.
– N-não senhor. – Desculparam-se em coro.
– Fiquem quietas e copiem os exercícios que passei ou as darei detenção.
– Ha-hai!
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As aulas já haviam acabado e tinham um tempo antes da aula de exorcismo. Eles se encontravam em um silencioso grupo, Yukio já saíra a algum tempo para se preparar para as aulas. Shiemi tentara quebrar o silêncio.
– Etto... como será a estudante nova? – Alguns deixaram soar um suspiro de alívio pelo silêncio ser interrompido.
– Hm... espero que seja mais bonita do que algumas que conheço. – Shima disse sonhador.
– Hentai! – Izumo reprimiu-o com os braços cruzados.
– Ela seria apenas uma garota, eu acho. – Bon disse sem emoção.
– Vocês sempre ficam assim quando tem alguém novo na sala? – Indagou o vampiro.
– É que é um pouco raro alguém cursar exorcismo. – Konekomaru admitiu.
– Vamos admitir, é raro alguém saber desse curso. – Falou Rin sendo seguido por algumas risadas.
– Mudando de assunto, mas, os amigos de vocês vão voltar a nos visitar? – Shima perguntou à Staz e Fuyumi.
– Por quê?
– Horas Fuyumi-san, eu quero o número do celular daquela menina loira, como vocês a chamavam mesmo? Ah sim, Bell-san! – Shima disse eufórico ao mesmo tempo em que entrava pela porta “mágica” que os levava para o enorme corredor que dava para várias salas vazias das aulas de exorcismo.
– Shima-kun, não fale assim, você segue os conceitos de Buda. – O menor do grupo advertiu.
– Mas Konekomaru... – Começou o rosado.
– Urusai (calado)! Você já perdeu a chance de se explicar. – Izumo falou severamente com os braços cruzados.
– Mudando de assunto antes que o casalsinho comece uma nova discussão...
– NÃO SOMOS UM CASAL, BON! – Gritou Izumo que foi ignorada pelo mesmo.
– [...] por que vocês não têm rabos?
– Heim? –Staz arqueando uma sobrancelha já estranhando a pergunta.
– Para ser sincero, também fiquei curioso sobre isso... – Rin admitiu, porém, quando viu que nenhum dos dois entendeu a pergunta ele escorregou a sua própria cauda para fora das vestes do uniforme e balançou-a.
– Ah sim. Caudas... – Staz começou a formular uma resposta na cabeça. – Digamos que nem todos os demônios têm caudas.
– Como assim? Todos os demônios vistos até agora tem caudas. – Falou Shiemi, como se revesse mentalmente um histórico de todos os demônios que já viu.
– Como eu explico isso... é como se apenas os demônios menos “desenvolvidos” tivessem caudas, é como se eles não fossem tão inteligentes, então são mais fáceis de serem notados e ou capturados. – Explicou o vampiro. – Outros tem caudas desde o início da “família”, como a família de Satan por exemplo, todos tem caudas, por mais que escondam por entre as vestes, já que são uma parte sensível.
– Está dizendo que tem demônios que não são capturados e nem mesmo notados pelos exorcistas? – Perguntou Konekomaru um pouco mais pálidos.
– Não muitos, vocês sabem como é caro para virmos pro mundo humano? Eu poderia comprar um quarto inteiro de jogos e mangás usando o dinheiro que daria uma viagem. Então são apenas os mais ricos que podem fazer essa viagem. – Staz respondeu cabisbaixo. – E claro, alguns apenas forçam a passagem, como os demônios dos quais vocês capturam, mas isso é ilegal em Makai.
– Então quer dizer que os demônios são capitalistas? – Perguntou Shiemi.
*Gota coletiva.
– Vamos logo para a aula. – Disse Rin.
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Tiveram aula prática no primeiro tempo. Lutaram contra alguns demônios e foram ensinadas novas práticas de se proteger contra os mesmos. Tiveram algumas aulas teóricas sobre tudo o possível. No ultimo tempo, que era sob visão de Yukio, todos estavam escrevendo um texto instrucional sobre a “Invocação de um familiar” até que ouviram três leves batidas na porta.
Os alunos desviaram seus olhares para olhar para a porta que já estava sendo atendida pelo professor. O professor abriu a porta que deu visão a uma bela jovem, talvez um pouco mais baixa que Izumo ou Shiemi, de olhos castanhos claros meio rosados, seus cabelos eram longos e repicados desproporcionalmente. A garota usava o uniforme do colégio como Izumo (Gravata, camiseta curta, colete, etc) e uma delicada boina francesa da cor da saia (rosa). A garota, que devia ser Luna, andou até o meio do quadro negro e fez a típica reverência de aluno novo.
– Prazer, meu nome é Luna Hayato. – Ela se levantou e deu um sorriso calmo. – Espero nos darmos bem.
Rin não deixou de fitar a menina por um segundo se quer.
– Por favor, Luna-san, sente-se ao lado de Izumo-san. – Yukio falou mostrando o lugar para a novata se sentar.
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As aulas do dia já haviam acabado. O grupo de amigos já saíra conversando animadamente, a novata ficou na sala pensando estar sozinha. Arrumava apressadamente os livros dentro de sua mochila. Só que na pressa deixou sem querer um livro se espatifar no chão, ela ia juntá-lo, mas outra pessoa fez isso.
– O Diário de Anne Frank. – Fuyumi leu o título. – Eu já li esse livro, acho que eu estava na sexta série.
– Sério? – Luna a olhou interrogativamente. – Achei que eu era a única que lia alguma coisa por aqui.
– Hai, é sério sim. Meu nome é Yanagi Fuyumi.
– Prazer Yanagi-san.
– Pode me chamar apenas de Fuyumi. – Sorriu meigamente.
– Mas me diga uma coisa Fuyumi.
– Sim?
– Você é uma fantasma?
“Eh?” A garota pensou com o espanto visível no rosto.
*
Leiam as notas finais, importaaaante.
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