Destino Inesperado
3 Ela Sempre Volta
Notas iniciais

Dois Anos Depois
Certo dia enquanto falava com a sua filha sobre o lugar onde ela nasceu e viveu até os nove anos, Trent acabou lhe revelando sobre a antiga Fazenda dos Guimeng que ficava em Chongqing na China (terra natal de Ada). Isso despertou o interessa dela que, imediatamente, quis conhecer aquele lugar, na tentativa de se lembrar de sua mãe e de sua irmã gêmea, mesmo que isto lhe trouxesse memórias terríveis.
Eventualmente, ao pesquisar pela Internet, ela acabou descobrindo que a fazenda já não existia mais, a região agora era urbanizada, então, o lugar havia mudado demais para lhe trazer lembranças. Depois disso, ela se viu pesquisando sobre Lanshiang.
Pelas imagens de antes do atentado bioterrorista, a cidade era muito bonita, porém hoje Lanshiang ainda tentava se reerguer, o rastro de destruição de dois anos atrás ainda estava presente nas ruas, ou prédios, ou na presença de acampamentos da BSAA espalhados pela região. E, naquele momento, ela teve uma ideia, mas precisaria da ajuda e influência diplomática e política de seu pai.
— Nós poderíamos ajudar a reconstruir essa cidade. Quem sabe construir um lugar para ajudar refugiados do bioterrorismo.
— Bom, eu já tenho ajudado financeiramente a BSAA e mandado muito recursos para a Salve a Terra.
— Mas, Eu quero ajudar de alguma forma. Eu quero me sentir útil. E se pudéssemos construir um abrigo, ou fundação para ajudar esses sobreviventes lá em Lanshiang.
— Por que lá? Escolha qualquer outro lugar. Um lugar sem um passado sombrio. — Seu pai discordou da sua ideia. — E tenho certeza que retornar lá não te fará bem.
— Bem, hoje sou uma nova mulher, disposta a superar o passado e parar de me esconder. E eu acredito que não é por acaso que eu sobrevivi. Mesmo que eu tenha esquecido desse lugar e o senhor ainda tenha lembranças ruins…
Afinal, foi lá que sua irmã morreu. E foi lá também que Trent perdeu o seu braço direito, um agente da Shadows chamado Daryl que foi parceiro de missões de Ada e chegou a namorar com Mei. Aliás, a sua irmã gêmea e Daryl tiveram um namoro proibido muito semelhante ao que a ex espiã tinha com Leon. Pena que ela não se lembrava de nada disso.
— Eu quero por a mão na massa e ajudar pessoas que, assim como nós, perderam seus familiares ali, mas precisam seguir em frente… — Ela fez uma pausa, antes de o surpreender pela primeira vez o chamando de — Pai. — Ada precisava ser um pouco manipuladora para amolecer o coração do velho.
Conferência das Nações Unidas
Semanas depois aconteceu em Londres uma Conferência da ONU, cujo principal assunto seria o futuro do planeta e muitas decisões importantes precisavam ser tomadas.
— Bem, eu acredito que podemos construir com a União das Nações, o maior Centro de Atendimento para abrigar essas pessoas que perderam suas casas, suas famílias e que ainda ficaram com sequelas físicas e psicológicas desses eventos tenebrosos. Pessoas que quase foram usadas como armas biológicas... Elas precisam de um tratamento mais adequado e de profissionais que saibam como lidar com esse tipo de situação. Os Vírus mutagênicos ainda estão por aí fazendo mais vítimas e a ameaça agora é global. Portanto, precisamos esquecer as nossas diferenças. — E foi ali através da voz sagaz de Philip Trent Blanchett que o projeto idealizado por Ada foi apresentado para políticos e outros embaixadores. — Vamos nos unir para salvar o nosso mundo, antes que seja tarde demais.
— É um plano importante e necessário, senhor Blanchett. No entanto, se vamos construir um grande Complexo para abrigar esse povo, precisaremos definir um local e fazer um orçamento dos gastos que serão necessários para a construção. — Respondeu o embaixador chinês que tinha pressa em soluçar os problemas deixados pelo atentado biológico em Lanshiang.
— Bem, já escolhemos um local. — Eles tiveram que negociar com o governo chinês e não foi fácil. Todavia, Trent tinha uma relação diplomática muito boa com a China. No final, o lugar escolhido seria uma propriedade numa zona rural próximo a Lanshiang que se transformará no futuro num refúgio criado para os sobreviventes que foram vítimas do bioterrorismo e estavam desesperadas para recomeçar... Li também acreditava que essa seria uma boa forma de limpar o rastro de sofrimento e destruição que o nome Ada Wong causou na vida de muitas pessoas.
Depois da reunião houve uma coletiva de imprensa e, enquanto Trent se pronunciava diante de vários jornalistas vindos do mundo inteiro, Chris Redfield que só estava ali para representar a BSAA, decidiu escapar da multidão e se isolar em um canto, bebendo uma taça de água como um bom soldado que precisa se manter sóbrio e dar um bom exemplo.
O capitão já tinha dado a sua entrevista falando, sobretudo, da caçada aos membros e seguidores da Organização dos Simmons, uma missão que sob o comando dele tem tido muito sucesso, conseguindo capturar e prender vários destes criminosos.
O soldado veterano continuou curtindo o seu silêncio, quando alguém decidiu interromper as suas reflexões.
— Capitão Redfield! — Era uma voz feminina decidida a perturbá-lo, deixando-o irritado.
— Sim. — Ele demorou para se virar e descobrir quem era a dona da tal voz que interrompeu o seu sagrado silêncio. Até que... — Uau... — Chris se viu balbuciando como um cara estúpido. O capitão poderia imaginar dar de cara com qualquer pessoa ali, menos Ela.
"Caramba! Por que ela tinha que sempre aparecer assim tão inesperadamente?" Chris se sentia um pouco desnorteado diante da beleza estonteante daquela mulher.
Lá estava a ex-espiã, vestida de forma elegante, com um vestido longo de cor marfim de alça fina e com um belo decote na frente. Seus cabelos agora compridos caiam em ondas suaves sobre seus ombros e, a única coisa que poderia lembrar da antiga Ada Wong, era o batom carmesim que marcava os seus lábios perfeitos e a malícia e sarcasmo que continuavam sendo sua marca registrada.
— Senhorita Guimeng, não esperava lhe encontrar aqui! — Ele conseguiu se recompor, colocando uma expressão austera em sua face.
— Eu recebi um convite especial — ela disse olhando para o seu pai que ainda estava sob os holofotes. — O embaixador Blanchett me convidou... — Chris teve o desejo de revirar os olhos, achando patético essa relação formal que pai e filha mantinham, para não chamar muita atenção, sendo que a mulher estava aqui num evento de grande exposição. — Eu sei que você pensa que é ridículo continuar fingindo, mas é bom ser tratada como uma pessoa comum e não como A Filha do embaixador. Minha irmã era tratada assim e as pessoas que a conheciam me confundem com ela — Ada admiti pensando em Mei.
Das várias coisas que a sua memória se esqueceu, a maior perda que ela sente é de não se lembrar de conhecer a sua irmã. Às vezes, ter lembranças ruins e dolorosas era melhor do que ter uma mente em branco. Pois a perda de 15 anos de sua vida a fazia se sentir um pouco vazia.
— Você não deveria estar... sei lá... ainda se escondendo nas sombras como um rato nojento. — Ele desejou que Ada se sentisse ofendida e se afastasse dele, porém a sua ofensa só a fez rir. — Afinal, você não tem medo que alguém te reconheça como aquela... espiã?! — exclamou se sentindo mais irritado com o riso sem vergonha dela.
— Talvez, eu esteja cansada de viver como um rato nojento, se escondendo de tudo. Não sou mais “AQUELA ESPIÃ.” Ela está morta e enterrada — Ada pronunciou baixinho e com cautela, se aproximando perigosamente dele, sempre mantendo um contato visual com aqueles azul-escuros cheios de intransigências. — Li Guimeng não é uma criminosa. Então, porque viver se escondendo?! — A sua proximidade deixou em evidência o seu perfume no ar, causando uma sensação inquietante no capitão.
Das poucas vezes em que eles se viram, esses encontros foram sempre marcados por situações inusitadas, ou desconfortáveis que sempre faziam Chris desejar manter-se o mais longe possível daquela mulher.
— Eu só quero viver de verdade como uma pessoa normal que, às vezes, gosta de quebrar às regras. — Neste instante, um garçom passou por eles com uma bandeja com várias taças de bebidas. Ada não pensou duas vezes em pegar duas taças, provocando a frustração de Chris.
— Eu não posso beber! — Exclamou entredentes. — Eu ainda estou a trabalho! — Ela parou lhe contemplando da cabeça aos pés. Dessa vez, Chris havia substituído seu uniforme da BSAA por um terno preto, com camisa social branca, sem gravata e estava muito elegante, seu cabelo estava bem cortado, ainda havia a barba bem feita suavizando a sua face impecável e charmosa.
— Eu admito que você ficou muito charmoso de terno. — Ela sorriu cheio de insinuações, o deixando boquiaberto.
Chris sentiu um rubor de embaraço cobrir as suas maçãs do rosto, a sua sorte era que a sua pele bronzeada do sol, impedia que essa reação natural do corpo fosse percebida. Lá estava aquela maldita mulher, tentando desarmá-lo. Não é qualquer um que conseguia causar tantas reações contraditórias nele: embaraço, fúria, curiosidade, medo, desconfiança e, acima de tudo, uma forte atração.
— Capitão, você não cansa de só seguir regras? — Ada indagou revirando os seus pequenos olhos enquanto segurava as taças com impaciência. — Ah, vamos lá... você é um herói de guerra. Pelo o que ouvi dizer por aí, você tem passado quase toda a sua vida, incansavelmente, salvando pessoas e combatendo o bioterrorismo. Você matou Wesker salvando o mundo de um sádico. Isso já é suficiente pra ninguém ousar te criticar.
— Puxa! Você parece que fez uma pesquisa completa sobre mim. Não sei se acho lisonjeiro, ou assustador. — Ele ainda não tinha aceitado a bebida. — Só faltou você saber que eu não cedo facilmente. — Seu tom era de desafio percebendo que ele também poderia intimidá-la, nem que fosse por um breve instante. — Eu não sou o tipo de cara que você pode manipular. — “Tipo o Leon”, ele pensou maldosamente.
Frustrada com o jeito dele, a ex mercenária decidiu pegar uma das taças e beber um grande gole do champanhe, inconscientemente, atraindo aqueles dois pares de olhos intransigentes para a sua boca.
"Desgraçada!" Ela estava usando da sedução para persuadi-lo. De repente, o bom soldado sentiu os seus lábios ficarem secos com um desejo incontrolável de também beber, na tentativa de fugir de certos pensamentos lascivos. Embora a bebida poderia ser uma péssima ideia para alguém que quer se manter lúcido e longe de problemas. Problemas vindos sob a sedutora forma daquela mulher.
Há quanto tempo ele não namorava? Há quanto tempo ele não beijava na boca? Talvez, fosse esse o problema: — abstinência — e aí havia aquela mulher toda descarada flertando com ele. Contudo, Ada (Li) não fazia o seu tipo, portanto, ela não era irresistível, só era muito convencida.
— Relaxa! Acima de tudo, você é humano e tem direito de se divertir um pouco. E ninguém vai te recriminar só por uma mera taça de Champanhe. — Aqueles pequenos olhos dissimulados piscaram o persuadindo. — Agora vamos comemorar!
— Comemorar o quê?! — Sua mão acabou roçando a mão dela quando decidiu pegar a taça de Champanhe, causando em ambos uma breve sensação de eletricidade, que os dois decidiram ignorar.
— Sobre o novo projeto que vamos por em prática com o auxilio da ONU. — Seu tom era cheio de orgulho genuíno. — Afinal, fui eu que dei a ideia para Trent. — Eles pararam para contemplar o embaixador britânico, que estava terminando todo o seu discurso sobre o desenvolvimento do maior centro de atendimento para refugiados.
— Então, a ideia foi sua? — ele disse tomando coragem de bebericar um pouco do champanhe, ela também fez o mesmo, apreciando o gosto da bebida. — Trent foi só o seu porta-voz para o mundo. — A coletiva de imprensa acabou. Todavia, o diplomata ainda não estava livre das atenções, já que outras pessoas se aproximavam para cumprimentá-lo e bater algum papo menos formal.
— Mas, não para por aí... — A ex-espiã fez todo um suspense que foi ignorado pelo homem ao seu lado. — Eu decidi me voluntariar para trabalhar ao lado do Salve-Terra na China. Acho que isso significa que vamos nos ver com mais frequência. — Nesse momento, o capitão que havia acabado de engolir um grande gole de Champanhe, ao ouvir aquilo o homem se engasgou. — Ai droga, capitão! — Ela se aproximou tentando manter a calma enquanto dava batidas rápidas no meio das costas dele.
Ao perceber que a situação estava prestes a piorar, ela decidiu por em prática a manobra de Heimlich se colocando atrás do soldado e envolvendo seus braços envolta do tronco grande e musculoso, enquanto tentava juntar as suas mãos sobre a boca do estômago dele, tentando pressionar a área. Como o homem era maior que ela, Ada sentiu dificuldade no procedimento.
— Ah, vamos lá, Christopher! Não faz isso comigo! — De repente Ada sentiu uma das mãos do homem apertar com força as dela fazendo-a parar.
— Droga... Voc... quer... me matar?! — Chris tentava falar, ao mesmo tempo em que tossia, fazendo a garganta doer mais.
— Claro que não. Eu tentei te salvar, capitão — ela lhe sussurrou se sentindo um pouco ofendida.
O rosto de Chris ficou vermelho de tanto tossir e do próprio constrangimento ao ver que, agora sim eles haviam roubado a atenção de todo mundo para si. Ada estava segura escondida ainda atrás dele, com o rosto pressionado nas suas costas largas. Mas, na verdade nenhum dos dois estava numa posição confortável.
— Capitão… você está começando a me machucar! — Ada conseguiu dizer sentindo suas mãos doerem sob o aperto quase feroz dele. Levou quase um minuto para o capitão Redfield se recompor e se afastar dela.
— Foi tudo... culpa sua — o homem respondeu consternado encarando-a.
— Então, me desculpa. — Ela lhe dá um sorriso bonito. Por um minuto, o casal trocou um olhar cheio de uma intensidade quase magnética.
— Tá tudo bem aí, capitão?! — foi Trent quem inquiriu se aproximando dos dois e obrigando-os a quebrar aquela troca de olhar.
— Sim, embaixador! — Chris respondeu carrancudo. Depois disso sua face se manteve numa máscara dura e mal-humorada.
— Acho que a senhorita Guimeng já deve ter lhe contado a novidade. — Trent disse tentando se segurar para não rir da expressão desanimada do capitão. Parecia que sua filha havia conseguido ficar no lado ruim de Chris. — Ela será a coordenadora de todo esse projeto.
— Ótimo! — Cuspiu sarcástico. — Eu só posso lhes desejar... uma boa sorte! — O veterano de guerra forçou um sorriso, olhando entre pai e filha e percebendo que a ex espiã possuía uma expressão divertida no rosto, o que o deixou ainda mais furioso por dentro.
"Puta merda! Por que ela não morreu em Lanshiang?!"
Washington D.C
Quatro Anos Depois...
"Parabéns Natalie." Diziaa mensagem sobre o bolo de dois andares todo decorado no estilo de um dos filmes favoritos da menina. Além do bolo, também haviam vários doces e entre outras guloseimas e bebidas sobre a mesa. Entretanto, a hora do parabéns teve que ser atrasada um pouco, até que o pai dela chegasse do serviço.
A mansão dos Kennedy já estava cheia de convidados, entre amigos, familiares e muitas crianças correndo pela casa. Natalie estava fantasiada de princesa Elsa do filme Frozen, até sua trança comprida e loira foi inspirada na personagem, ela estava se divertindo com os presentes que havia ganhado e brigando com o irmão caçula de 3 anos que parecia um pouco enciumado com toda a atenção que todos davam para a aniversariante. Enquanto isso, sua mãe se virava como podia para agradar a todos e manter um certo controle sobre os filhos sapecas que estavam mais uma vez brigando.
— Ei, ei, ei... acalme-se crianças! Assim, vocês vão se machucar! — Angela bem que tentava por ordem, mas a situação não era muito fácil.
— Mamãe, olha o que Tony fez! — O ursinho de pelúcia que ela havia ganhado da avó, acabou ficando no meio de um cabo de guerra entre os dois irmãos, que resultou em algodões espalhados pelo chão e aquilo já foi motivo para começar um chororô.
— Ei minha princesa, não se preocupe. A gente pode tentar consertá-lo. — Por sorte Angela podia contar com o auxílio da sua sogra Sarah para lhe ajudar. — Depois eu prometo que vou cuidar dele e deixá-lo inteirinho pra você!
— Vozinha, você jura?!
— Eu prometo! Agora por que você não corre lá brincar com seus amigos?! — Seguindo a sugestão da avó a menina, logo, já estava correndo no jardim com seus amigos e primos.
— Obrigada. O que eu faria sem você, Sarah — Angela dizia pegando Anthony em seu colo e tentando fazê-lo parar de chorar.
— Eu acho que você enlouqueceria — provocou Claire se juntando a conversa, após ajudar a mãe de Leon a juntar os restos do ursinho de pelúcia de Natalie que ficou pelo chão. — Essa geração parece mil vezes pior do que a nossa. — As três riram.
— Do que você está reclamando. Kevin parece um menino tão calmo — Sarah dizia observando o menino sentadinho jogando vídeo game, enquanto várias crianças continuavam a sua bagunça pela casa.
— Sim... Ele puxou o pai. — Claire parou ali observando o filho distraído. — Pena que o Kevin não teve tempo para conviver com o pai — ela soltou um suspiro triste. — Eu sinto tanto falta dele... — Sentiu uma pontada no coração ao se lembrar do marido.
— Eu te entendo. Já me senti assim também quando perdi meu marido — Sarah decidiu lhe contar o quão doloroso foi para superar a ausência do pai de Leon, senhor Anthony Kennedy que morreu vítima de um acidente de trânsito. — Pensei que não conseguiria seguir em frente, mas um dia acordei e vi Leon do meu lado olhando para mim, como se tivesse esperando que eu desse o primeiro passo. Então, percebi que meu filho dependia de mim, que precisava da mãe para ser forte e ser a sua base de apoio — enquanto ela desabafava, Claire sentia seus olhos se lacrimejarem e uma mãozinha tocar o seu braço tentando aliviar a sua tristeza, o que lhe causou um breve sorriso. O gesto inocente veio do pequeno Anthony que ainda estava no colo de Angela. — Embora eu acho que, no fim, foi Leon que acabou sendo a minha fortaleza, me ajudando a superar a perda. Com o tempo, tudo se tornou mais fácil. No fim só restou a saudade. — Sarah tentou passar uma mensagem positiva de sua experiência para a mulher mais jovem, porém acabou surtindo o efeito contrário.
— Já se passaram seis anos, mas a dor ainda é a mesma. — Ela sente um nó na garganta, a voz embarga. — Mas a parte pior é essa raiva constante que me acompanha todo santo dia. Tenho raiva de tudo... — Sua sinceridade era sombria demais para aquela ocasião. — Tenho raiva da minha relação com Chris e, as vezes... tenho raiva até mesmo de Kevin...
— Do Kevin?! Por quê? — Angela questionou preocupada com a amiga.
— Por que tudo nele me faz lembrar de Piers. E isso me faz me sentir uma mãe horrível.
— Não diga isso! — Sarah lhe deu uma bronca. — Parece até que você está se punindo.
— É. Acho que você está certa. — Ela deu um suspiro cansado. — Talvez, eu esteja me punindo.
— Por quê?
— Talvez, por que eu poderia ter evitado a morte do Piers... — Claire sussurrou olhando pela janela da sala e observando um carro se aproximar da garagem. — Tudo isso poderia ter sido evitado em 1998... — Ela ainda vislumbrou Leon saindo do carro com seu terno impecável, carregando uma sacola grande e sendo seguido pelo seu guarda-costas. — Eu e Leon poderíamos ter evitado tudo isso, se nós apenas tivéssemos... deixado Ela morrer lá.
— Ela... Ela quem?! — Exclamou Angela ainda confusa.
— Ada Wong! — Claire respondeu ressentida, provocando uma carranca de tensão em Angela. Nesse momento, Leon entra pela porta trazendo mais presentes. — Aposto que seu marido nunca lhe contou que já salvou a vida de Ada Wong, várias vezes. — Todavia, Claire era imparável e continuou com suas palavras mordazes que vieram como um furacão, pronto para destruir a vida perfeita do casal Kennedy.
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