Destino Inesperado

19 Ela é uma Parte de Mim que Não Consigo Deixar ir


Notas iniciais
O título desse capitulo é de uma frase dita por Leon em RE 4 original. Parece que no Remake de RE4 a capcom cortou essa frase do Leon. Que pena! Enfim, vejo vocês nos créditos finais. Tenham uma boa leitura!


Claire resolveu aparecer, surpreendendo o seu irmão e o Leon. Ela tinha em suas mãos a caixa que continha provas que poderiam colocá-lo na prisão.


— Angela não vai te denunciar. Afinal, você é o pai dos filhos dela. E por isso ela pediu pra te entregar. — Claire colocou a tal caixa sobre o sofá e encarou seu amigo.


— Obrigado, Claire. — Ele sorriu agradecido. — Sinto muito por ter escondido a verdade e te magoado... E eu espero que um dia você possa me perdoar.


— Eu estou aqui. Isso significa que eu... — Ela olhou entre Leon e Chris. — Eu já perdoei vocês dois. — No minuto seguinte, seu amigo estava a abraçando. — Tá, seu idiota! Chega de sentimentalismo! — Os dois se afastaram e todo mundo riu. — Se eu fosse você destruía essas provas.


Mais tarde quando todo mundo foi embora. Leon resolveu pegar aquela caixa com todas as fotos e arquivos que o ligavam a ADA Wong e resolveu queimar tudo. O processo era simples: queimar, enterrar, superar e seguir em frente.

“Ah, se superar o passado fosse tão simples assim!”


Londres, Inglaterra

Alguns Meses Depois...

Lá fora as ruas e calçadas estavam cobertas de neve, pois era início de dezembro, período em que Londres também ganhava várias decorações de natal que se espalhavam pela cidade, tornando-a mais iluminada, colorida e agitada.

De repente Li para diante de uma vitrine onde estavam expostas três árvores de natal com tamanhos e cores diferentes. Isso a fez lembrar da promessa que fez a Mei Chin de comprar uma árvore para enfeitá-las juntas, um ritual natalino que nenhuma das duas teve na infância por serem criadas em culturas orientais bem distintas.

— Se eu fosse você... escolheria a do meio, que não é nem tão grande, nem tão pequena, mas é na medida certa e tem a cor favorita da Mei... que se eu não me engano é verde — Carlos sugeriu.

— Ótimo. Então, você me ajuda com a árvore e a decoração? — Ela escondeu as mãos nuas dentro do seu casaco felpudo tentando aquecê-las e voltou a olhar para a vitrine.

— Claro, vai ser uma honra!

Naquela noite eles montaram a árvore de natal com todos os enfeites bonitos que Ela e Carlos haviam comprado. Por fim, Trent ajudou uma Mei Chin toda sorridente a colocar a Estrela de Natal no topo da árvore agora toda decorada.

Pela primeira vez, os Blanchett pareciam uma família normal e feliz. Depois eles jantaram, beberam um bom vinho, sentados na frente da lareira e trocaram algumas conversas bobas e até começaram a fazer planos para o fim do ano.

— Como é o natal no Brasil, Carlos? — a pequena Mei perguntou curiosa.

— Lá não tem neve, é quente. E as famílias se reúnem também e festejam. Mas, a nossa festa é a mais animada do mundo. — Carlos era tão presunçoso.

— Um dia a mamãe me leva pra passear no Brasil? — Mei ficou toda animada com a ideia. Ela era encantada por Carlos.

— Claro, um dia a gente vai. — — Ada prometeu também gostando da ideia.

Eles continuaram jogando conversa fora, bebendo suas taças de vinho enquanto se aqueciam na frente da lareira. Em algum momento, o assunto se tornou sério quando o nome Leon foi citado.

— Eu fiquei chocado quando vi a notícia que o Leon renunciou ao seu cargo de Conselheiro da Segurança Nacional. — Carlos arqueou uma de suas sobrancelhas grossas numa expressão irônica. — Agora ele tá livre do governo e pode... fazer o que quiser da sua vida.

— Ele deve ter tirado um peso das suas costas. — Trent foi quem se mostrou mais interessado no assunto, pegando Ada de surpresa.

— Ele sacrificou muitas coisas por aquele país. Inclusive a própria felicidade. — Carlos esperou que a ex-espiã se manifestasse, mas ela decidiu se levantar e encher mais uma vez a sua taça com vinho, no intuito de também fugir dos olhares nada sutis que seu pai lhe dava. — Bom... agora o cara tá... divorciado e tá morando em San Francisco.

— San Francisco não é onde vai acontecer o casamento da Sherry com o Jake? — Trent perguntou acariciando os cabelos de Mei que havia adormecido em seu colo.

— Sim. Eu fui convidado para ser o padrinho de casamento do Jake... ao lado da Li.

— Ah, eu não posso... — Ela deu um sorriso forçado. — Eu já avisei que não vou poder ir ao casamento deles.

— Por que não, chefa! Tenho certeza que ia ser divertido! —ironizou se levantando e parando na frente dela. — Tenho certeza que faríamos um par muito bonito e sexy. — Seus olhos negros estavam calorosos e seu sorriso era irritantemente sedutor.

— Eu já recusei o convite. Mas, com certeza eles já devem ter arranjado outra madrinha de casamento. Podia ser até a... a Valentine. — Li deu o seu típico sorriso sarcástico e tentou se esquivar da conversa. — Vou levar Mei para o quarto dela.

— Eu acho que você deveria ir nesse casamento. — Trent a pegou desprevenida, em resposta apenas ganhou um olhar ácido da filha. — Se não vai fazer isso por Jake ou Sherry, faça por si mesma... Pare de punir o seu coração e de sabotar a sua felicidade. — Ela pegou a criança e, enquanto a levá-la para o quarto, ficou remoendo os conselhos do pai.

No fim, Trent acabou de admitir que a felicidade de sua filha estava do outro lado do Oceano Atlântico.

San Francisco, California

Duas Semanas Depois...

San Francisco nessa época do ano é um lugar perfeito para alguém que quer fugir das baixas temperaturas, ainda assim os convidados precisaram usar casacos finos ou xales para se protegerem da brisa do entardecer. Sherryhavia optado por se casar à beira-mar, na praia de China Beach, que ficava praticamente do outro lado da Avenida onde morava atualmente Leon.

A casa sempre pertenceu aos Kennedy e já passou pelas mãos de várias gerações. O agora ex-Conselheiro da Segurança Nacional, viveu toda a sua infância e adolescência ali, só saindo quando se tornou policial e foi trabalhar em Raccoon City.

A casa também acabou servindo para receber seus familiares e amigos para tantos eventos importantes, como aniversários e casamentos. Seus pais se casaram ali, Claire e Piers também, assim como Leon e Angela. Agora chegou a vez de Sherry e Jake.

No quarto de hóspedes, Jill, Rebecca e Claire terminam de arrumar Sherry que estava usando um vestido branco de noiva simples e delicado, com mangas longas. Já no andar de baixo, Leon parecia nervoso esperando pela jovem noiva.

— Filho, se acalma! Até parece que você é o noivo. — Ela deu um passo mais perto do Leon para ajeitar a sua gravata torta e o seu paletó que estava meio amarrotado. — O que está acontecendo com você? Ultimamente, anda tão desleixado.

— A senhora precisa parar de se preocupar comigo, mãe. Não sou mais um garoto. — Ele deu um sorriso nervoso enquanto tentava se acalmar.

— Ah, às vezes você se comporta pior do que uma criança e precisa levar uns puxões de orelha. — Sarah ergueu o rosto dele, forçando-o a encará-la. — Ah, acabei de esbarrar com o seu Anjo da Guarda. Ela está linda e é muito simpática. — Seu comentário deixou Leon meio atordoado. — Vou avisar a noiva que estamos prontos para iniciar a cerimônia.

O casamento civil aconteceu, sobre as areias de China Beach com um belíssimo pôr do sol e uma fogueira para tornar o clima mais quente e acolhedor. Os dois noivos que estavam lindos e elegantes, disseram sim, trocaram beijos e ganharam vários aplausos e assobios.

O casamento também conseguiu fazer algo impossível: juntar a DSO e BSAA num momento de folga e de descontração. Assim como conseguiu reunir os sobreviventes de Raccoon City.

A festa também foi marcada por momentos constrangedores, como por exemplo, quando os quatro padrinhos tiveram que ficar no altar, ou pousar para fotos. No meio disso, houveram tantas trocas de olhares silenciosos, mas tão cheios de significados entre a Beldade chinesa e o Bonitão norte-americano.

Logo foi a vez dos discursos, começando por Barry, depois foi a vez de Claire que deu um discurso emocionado, falando de como Raccoon City tinha sido um divisor de águas em sua vida, pois foi lá onde ela conheceu Sherry que hoje se transformou numa linda mulher que ela admirava e se orgulhava muito. Já Carlos foi breve, apenas dizendo o quanto o destino era irônico para reunir o casal e fazê-los se apaixonar e que depois de enfrentarem tantos obstáculos, agora chegou a hora deles serem felizes juntos.

— Jake e Sherry são pessoas fortes, corajosas e muito leais... E quando estão juntos, formam uma dupla imbatível de dar inveja. — Li sorriu, nervosamente, olhando para os noivos que lhe retribui com sorrisos sinceros. — E eu espero que vocês sejam muito felizes... e que esse amor que os uniu... sempre se fortaleça — ela pigarrou sentindo a voz embargada. — Parabéns Sherry e Jacob!

Em seguida, chegou a vez de Leon que se sentiu meio tímido e inseguro ao ganhar a atenção de todos. Para ganhar coragem, ele pegou uma taça de um coquetel de frutas e, ao beber uma grande dose, percebeu que a bebida tinha um baixo teor de álcool, que o fez franzir a testa frustrado e ganhar um sorriso debochado de Claire.

— Acho que já disseram aqui que Raccoon foi um pesadelo, mas também foi o lugar onde pessoas incríveis tiveram a chance de se conhecerem — ele soltou um suspiro profundo e olhou para os azuis brilhantes de Sherry, foi quando as palavras certas começaram a vir em sua mente. — Uma dessas pessoas é Sherry que era apenas uma garotinha quando entrou na minha vida — conforme ia falando, sua mente se enchia de flashbacks. — Lembro que quando saímos do trem para fora daquela cidadezinha e eu e Claire segurávamos as mãos dela... ela nos fez um pedido tão inocente... — E os três se lembravam perfeitamente daquela cena. — Acabamos realizando o seu desejo e adotando aquela garotinha como a nossa irmã caçula. E com o tempo fui me sentindo tão responsável por ela, que às vezes agia como se fosse o seu próprio pai. Aliás, acho que foi com ela que aprendi como era árduo ser pai.

Leon deu um sorriso gentil para a Noiva que chorava emocionada e depois olhou para os filhos. Logo, pensou que ali estava as pessoas que mais importavam para ele: seus amigos, sua família e... Seus azuis de repente se desviaram na direção da beldade chinesa e os dois trocaram um olhar tão intenso, até que retornasse a se concentrar em seu discurso.

— Então, Jacob Muller nunca a decepcione, sempre a respeite e a ame todos os dias da sua vida... E, acima de tudo, nunca quebre o coração dela, porque eu ainda tenho uma bazuca e sei como usá-la. — Logo, a situação havia ficado meio cômica.

A cerimônia prosseguiu com os noivos dando seus primeiros passos de valsa, até que outros casais fossem se juntando a eles, como Jill com Chris e Claire com Dexter. Nesse momento, aconteceu três coisas bem inusitadas: A primeira foi quando Li aproveitou para apresentar oficialmente a pequena Mei Chin e todo mundo se viu encantado pela garotinha. Nesse instante, a filha mais velha de Leon veio se sentar no colo do pai e puxou conversa com elas e acabou fazendo rapidamente amizade com a filha de Ada. Foi a coisa mais fofa de se ver. Curiosamente, as duas meninas têm a mesma idade, 5 anos.

A segunda situação inusitada aconteceu depois que suas filhas saíram para brincar, quando Trent resolveu tirar Sarah para dançar, forçando Li e Leon a ficarem sozinhos na mesa.

— Então, nossas filhas parecem ter se dado bem. — Leon tentou iniciar uma conversa casual que também era no mínimo engraçada, pois era tão diferente das conversas habituais que ambos já trocaram entre si, especialmente por estarem falando sobre filhos. — Talvez, essa amizade tenha um futuro promissor.

— Ah, eu iria gostar muito se elas fossem amigas — Li admitiu confortável com a ideia. — E nossos pais também parecem que são amigos há muito tempo. — Ela se viu sorrindo tão surpresa com o entrosamento de Trent e Sarah. Isso também parecia tão irônico.

— Não fique tão surpresa! Eles se deram bem, desde a primeira vez que se conheceram.

— E como foi que a sua mãe e meu pai se conheceram? — Ela olhou curiosa para o homem que estava sentado a cerca de uma cadeira vazia de distância dela e, logo, percebeu que fez a pergunta errada.

— No meu casamento, seis anos atrás. — Foi uma péssima resposta e a situação ficou meio estranha entre os dois, só sendo rompida quando o pequeno Antony se joga nos braços do pai e começa a falar sobre a mamãe dele que, aliás, não tinha vindo para a festa.

A sorte dela é que Jake surgiu convidando-a para uma dança que aceitou de bom grado.

— Oh, obrigada por me resgatar! — ela exprimiu aliviada.

— Disponha. — Jake lhe deu um sorriso gentil. — É pra isso que serve os amigos. Aliás, obrigado pelo terno e por me ensinar alguns passos de valsa. — Os dois sorriram enquanto dançavam em perfeita sincronia.

Ao decorrer da cerimônia, Guimeng sentiu que o seu humor foi se modificando, de repente aquele cenário a fez se sentir fora de lugar. O pior era que até o seu pai e Mei estavam se divertindo.

Portanto, a ex-espiã decidiu dar uma fugida da festa, se livrando de suas sandálias de salto alto para caminhar ao longo da praia, tranquilamente, até que seus pés descalços a levassem a um pequeno penhasco que lhe dava uma visão incrível do mar e da Ponte Golden Gate.

A ex-espiã sentiu que ali seria um bom lugar para espairecer. Ela fechou olhos e, por um minuto, tudo o que podia ouvir era o barulho das ondas do mar batendo contra o paredão rochoso. O vento frio soprava os seus cabelos e, instintivamente, a fez se abraçar no intuito de se livrar do arrepio que percorreu a sua pele que estava coberta pelo tecido aveludado e elegante de seu vestido vermelho carmesim. Por azar esqueceu seu blazer na mesa.

— Ah, já tá pensando em fugir de novo? — De repente levou um susto ao ouvir aquela voz familiar e grossa que fazia as suas pernas ficarem bambas, o seu coração quase enfartar e seus olhos se arregalaram em choque. Ele parou atrás dela e colocou, gentilmente o seu paletó sobre os ombros femininos, querendo aquecê-la e, imediatamente, a mulher se sentiu embriagada pelo cheiro e calor dele. — Você perdeu a parte mais importante do casamento.

— Sério? E qual é? — Ela não teve coragem de se virar para encara-lo, pois não queria que ele visse seus pequenos olhos lacrimejados.

— Quando a noiva joga o buquê de flores. — Leon parou ao seu lado, olhando para o horizonte. A essa hora já estava anoitecendo e a temperatura parecia estar caindo um pouco. — Bem, eu sei que você não iria querer o buquê... Afinal, você não gosta de flores, né.

— E quem acabou pegando o buquê? — Ela lhe olhou de soslaio, vislumbrando o vento bagunçar os cabelos loiros que estavam começando a ter fios grisalhos e que ele deixou crescer nos últimos meses, assim como a barba.

— Foi a nova namorada da Hunnigan. — Leon contou dando um pequeno sorriso tímido. Então, eles caíram no silêncio o que forçou Li a ter que parar de ser covarde e encara-lo. Consequentemente, como se tivesse lido a sua mente, seu rosto se virou na direção dela, demonstrando uma vulnerabilidade em seus azuis gentis que refletiam nas conturbadas íris de cor âmbar.

— Por que você me seguiu até aqui, ao invés de estar lá na festa com a Sherry e a sua família? — E a voz dela saiu um pouco trêmula, diante do olhar firme dele.

— Você queria que eu me distraísse com a festa pra você fugir de novo? — ele indagou em tom amargurado. — Isso só prova que você é uma covarde.

— O quê?! — Li franziu a testa numa mistura de perplexidade e indignação, depois apertou o paletó em torno de seu corpo, como se quisesse usá-lo como armadura para se proteger daqueles olhos azuis. — Olha, você pode pensar o que quiser de mim. Eu realmente não me importo. — Ela decidiu finalizar a conversa e se esquivar dele, mas Leon agarrou a mão dela e a puxou de encontro ao seu corpo, fazendo-a tropeçar sobre os pés descalços e quase cair, se não fossem por braços fortes a protegerem da terrível queda.


— O que você quer de mim, Leon? — ela bufou irritada e começou a meio que se debater na vã tentativa de escapar dele. — Você por acaso bebeu? É isso?!

— Não. Juro que estou muito sóbrio. — Então, ele parou e olhou no fundo de seus pequenos olhos de traços orientais. — Sóbrio o suficiente pra saber o que eu quero... — Sem pestanejar, ele se inclinou na direção do rosto de Ada e roçou os lábios sobre os dela, calando os seus protestos e, lentamente, drenando todos os pensamentos coerentes de seu cérebro atormentado.

O beijo logo se transformou em algo desesperado, como se quisessem afugentar todos os seus medos, suas dores e todo o sofrimento, para só assim serem livres e deixar o amor prevalecer.

— Droga, Leon! Por que você tem que complicar a minha vida? — Suas íris cor de mel piscarem com vontade de chorar, conforme ela se desvencilhava dele e, mais uma vez, tentava se afastar. Entretanto, o beijo não apenas lhe roubou o fôlego e a razão, como também lhe tirou o seu equilíbrio, fazendo-a precisar dos braços dele em sua cintura para ser a sua âncora.


— Acho que esse beijo é a prova que eu não fui o único a sentir saudades. — Simplesmente ele sorriu presunçoso. — Você sentiu a minha falta, Ada.

— Você tá se achando, né. E me chama de Li... seu idiota! — Aquele clima quase melancólico, de repente se suavizou e os dois agora estavam trocando sorrisos.

No entanto, antes de continuarem a conversa, Kennedy decidiu que estava na hora de leva-la para conhecer a sua casa. E, durante o curto percurso, ele resolveu entrelaçar a sua mão na dela sem se importar de estarem em público. Em contrapartida, Ada se sentiu tensa o tempo todo, pois a troca de qualquer intimidade entre eles, sobretudo, diante de tantos olhares familiares ainda a assustava e era tão traumático.

Mesmo assim, a beleza oriental só conseguiu se acalmar ao chegar no quarto dele no segundo andar. Ela se sentou na beirada da cama, cruzou as pernas e olhou para Leon que preferiu ficar em pé se apoiando na porta, como se quisesse impedi-la de fugir. Ambos compartilhavam de um semblante cansado e tenso.

— Então, você não é mais o Conselheiro da Presidente? indagou incerta do que dizer.

— Sim. Agora estou livre. — Por um instante, Li ficou em silêncio apenas absorvendo tudo, deixando Leon decidir dar o próximo passo, caminhando até a cama e se ajoelhando na frente dela, mais precisamente entre as pernas femininas, fazendo com que o vestido subisse um pouco. Ele fechou os olhos, quando sentiu a sensação de delicadas mãos acariciando o seu rosto.

— E como você... está se sentindo, agora? — Sua ansiedade também era tão nítida. Mas, mesmo que ansiasse estar de novo nos braços dele, ela sentiu que precisava ir com calma.

— Hoje antes do casamento, eu ainda me sentia meio danificado, vazio... como se tivesse faltando alguma coisa. — Li se sentindo perturbada pelas afirmações dele, resolveu dar um abraço apertado nele.

— É só uma fase difícil, mas vai passar.

— Mas, então, eu vi você linda, vestida toda de vermelho... E eu fiquei feliz — Leon disse a surpreendendo novamente.

— Mas, eu só atrapalho a sua vida. — Relutantemente, Li se afastou para confrontar aqueles olhos azuis gentis. — E... por minha causa, você... quase...

— Shhhh... — Seus rostos estavam a poucos centímetros de se tocarem. — Você já é uma parte de mim que não posso deixar ir — Leon sussurrou rouco de desejo. — Eu não posso deixar que você vá embora de novo —concluiu ansiosamente chocando a sua boca na dela.

O beijo se aprofunda, é abrasador, faminto, seus lábios vão se moldando juntos em perfeita sincronia e suas línguas se unem lascivas, suaves saboreando o gosto um do outro. Nesse instante, dedos finos e delicados se enroscam nos cabelos loiros, roubando alguns gemidos e braços fortes envolvem a cintura feminina a puxando mais perto, fazendo-a envolver suas pernas em torno dele e fazendo-a se derreter contra ele.

Eles caem sobre a cama fazendo-a ranger. Agora, eles podem se tocar sem medo, sem qualquer restrição.

Por trás das paredes daquele quarto, eles não precisavam mais se esconder, podem ser íntimos, sem medo de enfrentar julgamentos. Ali, emaranhados naqueles lençóis, unidos pelo destino, eles poderiam pela primeira vez, ser apenas Li e Leon.

— Agora me sinto livre para seguir com a minha vida do jeito que eu quiser — Leon murmurou se deitando ao lado dela e puxando a beldade para seus braços, não querendo deixá-la ir embora nunca mais.

Sem o Governo para controlá-lo, sem as responsabilidades de um casamento, sem a sombra dos Simmons, ou do bioterrorismo, ou do fantasma de Ada Wong para lhes atormentar... E, sobretudo, com o destino conspirando a favor deles, não haveria mais motivos para não ficarem juntos, certo?

— Mas, a questão é... — Ele parou para bocejar sentindo o cansaço o dominar, mas tentou resistir ao sono temendo dormir e acabar acordando sozinho, sem a presença dela ao seu lado. — Você vai ficar dessa vez? Você ficará para sempre comigo?

— Você pode ficar tranquilo, bonitão... — Li ergueu os olhos para confrontar aqueles gentis azuis safiras que também estavam tão ansiosos por sua resposta. — Eu prometo que ainda estarei aqui quando você acordar. — Ela sorriu com legítima felicidade. — Digamos que esse será o meu presente de natal para você. — Suas palavras o fez despertar um pouco do sono.

— Uau! — Ele arregalou os olhos parecendo fascinado. — Seria o melhor presente de natal que já ganhei. — Em seguida a surpreendeu roubando-lhe um gritinho quando os virou abruptamente colocando o seu corpo sobre o dela e lhe beijando de novo todo apaixonado e cheio de carinho, depois parou olhando no fundo daquelas pequenas íris de mel, enquanto ela segurava o seu rosto entre suas delicadas mãos. — Ter você do meu lado todo dia, em cada momento importante da minha vida, em todos os natais, aniversários... — Ela estava se divertindo vendo ele fazendo planos.

— Você não tem medo de se enjoar de mim? — Sua provocação foi retribuída por um ataque de cócegas. — Tudo bem, tudo bem... Eu me rendo.

— Eu te amo e agora sei que nunca vou conseguir amar ninguém assim. Eu já tentei e não deu certo. — Seu tom quase melancólico, logo, foi silenciado por outro beijo dela.

— Eu prometo que eu estarei ao seu lado para o resto das nossas vidas. — Li queria calar toda a dúvida e medo e deixar explícito, apenas a única certeza que ambos compartilhavam em seus corações. — Eu te amo, Leon. E não há nenhum outro lugar que eu queira estar... a não ser em seus braços.

Confiando nas promessas dela, Leon se rendeu aquela noite cheia de fortes emoções e fechou os olhos, enfim, se permitindo adormecer serenamente no calor dos braços de seu sedutor Anjo da Guarda.

{Fim}



Notas finais
E enfim chegamos ao final de mais uma história. Foi uma jornada às vezes difícil, um grande desafio cheio de altos e baixos, de momentos divertidos tbm. Agora estou ansiosa pra saber o que vcs acharam? É óbvio q depois de tudo q Aeon passou era justo q eles encontrassem um final feliz nos braços um do outro. Espero que em breve ela se case com esse homem e vire a senhora Kennedy. Tô na torcida pra ela ter casado nos jogos tbm e isso seja oficial 😂😏 ️ E aqui eu me despeço de vcs, feliz por concluir mais uma fanfic. Bjus e até a próxima história que já tô postando por aqui chamada "Condenada a Você️" também️ do universo de Resident Evil.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!