Destino Inesperado

7 A Filha do Embaixador



Washington D.C

Dias Atuais...


Leon acordou cedo sentindo uma dor de cabeça chata, não sabia se era de ressaca, ou da noite mal dormida. Ele se levantou, tomou um banho rápido e se arrumou com cautela para não acordar sua esposa que ainda continuava dormindo, por fim saiu do quarto tentando não cruzar com mais ninguém. Mas, a sua fuga não deu muito certo, porque acabou se cruzando com a mãe que já tinha a mesa pronta com o café da manhã.

- Café, Leon?

- Obrigado, mãe. — Ele bebeu um café quase amargo, porém não quis comer nada. — A senhora não precisava fazer isso. — Mas, Sarah deu de ombros. Ela gostava de cuidar da casa, mesmo tendo empregadas que faziam tudo.

- Bem, mãe eu tenho que ir. A gente se vê mais tarde. — Ele se despediu da mãe apressadamente. Lá fora seu guarda-costas já estava o esperando para levá-lo até a Casa Branca.

- Bom dia, senhor Kennedy — Justin Dexter era um afro-americano carismático e muito experiente que, assim como Leon, tem trabalhado para o governo dos EUA há tempos e tem sido amigo dele por muitos anos.

- O que eu já te disse sobre formalidades, Dexter! Não estamos na Casa Branca, então, você pode me chamar apenas de Leon — ele falou se sentando no banco detrás do carro.

- Tá certo, patrão. — O homem deu um riso irônico, enquanto ligava o carro. — Animado para mais um dia de trabalho?

- Oh, super! — Leon entrou na brincadeira. Seu humor estava melhor do que nos outros dias.

Desde que assumiu o novo cargo na Casa Branca, Leon teve que mudar muito da sua rotina, perdendo um pouco da sua independência, liberdade e anonimato. No começo de seu ofício como Conselheiro da Segurança Nacional, foi-lhe exigido a contratação de uma equipe de segurança particular para protegê-lo de qualquer ameaça a sua vida e ao próprio interesse político. No entanto, o ex-agente da DSO bateu o pé e decidiu que se ele tinha que ceder às regras do governo, que ao menos pudesse também criar as suas próprias regras com o intuito de se sentir mais confortável, pois o homem era um indivíduo acostumado a cuidar de si mesmo. Porém, como agora acabou se tornando conhecido no mundo todo, a sua família de certa forma também passaria a ficar em evidência e precisavam de proteção 24 horas por dia.

- Nós chegamos, senhor Kennedy. — Dexter o provocou outra vez. — Tenha uma ótima reunião.

- Obrigado! — Leon ajeita a sua gravata, pega a sua maleta que está com papéis e arquivos importantes e seguiu para dentro dos portões da Casa Branca.



Gabinete Executivo da Presidente

Toda a tempestade que foi causada pela Organização de Derek Simmons e pela morte de Adam, criou uma ruptura ainda pior do que o que já existia dentro da política interna do país.

- Me perdoe senhora presidente, mas querendo ou não, Adam Benford também foi responsável pelo o que aconteceu, porque durante anos confiou nas pessoas erradas. E agora o governo se tornou vulnerável — dizia o Secretário de Defesa olhando, ousadamente, entre Okoye e Leon. — Levará anos para conseguirmos nos reestabelecer depois de todo esse caos.

O Secretário nunca escondeu o seu descontentamento pelas constantes mudanças e medidas tomadas pelo governo de Okoye, ainda mais pelo fato de Leon ter influenciado as principais decisões da Presidente, ajudando também a denunciar muitos dos seus companheiros que trabalhavam no Pentágono.

- O meu marido cometeu um erro que lhe custou a sua própria vida. Não preciso que me lembrem disso, senhor Secretário! — Ela lhe deu um olhar mordaz.

- Sinto muito, senhora Presidente. Eu não quis...

- Eu sei o que você quis dizer e eu até concordo. Mas, lhe recomendo a pesar um pouco as suas palavras. — A mulher lhe deu um sermão, o colocando em seu devido lugar. — Como a Presidente dos Estados Unidos, eu decidi que não deixarei o meu governo se tornar vulnerável. Porque se o governo estiver vulnerável, então, o povo ficará desprotegido. E, portanto, a morte de Adam Benford... terá sido em vão.

- Mas, a morte de Adam não foi em vão — Leon também decidiu argumentar, sabendo que era o único da sala que podia realmente falar sobre o assunto com toda a honestidade. — Devemos lembrar que foi graças a ele que os Estados Unidos conseguiu se libertar da influência de Derek Simmons, nos mostrando a verdadeira face do inimigo e impedindo uma catástrofe global.

- O senhor Kennedy tem razão. — A Presidente sorriu para Leon quase em um agradecimento silencioso. — O processo ainda tem sido difícil, mas no seu devido tempo, as coisas vão melhorar. Não podemos perder a esperança.

A reunião continuou por mais algum tempo, até que a Presidente decidiu dispensar a maioria do pessoal do Conselho, com exceção de Leon e Ingrid que a pedido de Okoye haviam permanecido no gabinete.

- Bem, na semana que vem devo me ausentar da Casa Branca para resolver questões relacionadas a política externa e a segurança mundial. Vou para América Latina, depois para a Europa. Entretanto, ainda temos uma difícil missão pela frente... — Okoye colocou sobre a mesa um jornal que ela havia ganhado de sua melhor amiga, Kory Hill (editora-chefe de um importante jornal estadunidense). Na capa do jornal havia uma foto que mostrava alguns soldados da BSAA e da Salve-Terra ao lado de alguns refugiados — Como vocês sabem o trabalho da BSAA no combate do bioterrorismo tem chamado muito a atenção e virou até manchete de Jornal.

- Acho que a BSAA e a Salve-Terra tem formado uma parceria perfeita — diz Hunnigan enquanto folheava o jornal. Numa das páginas achou uma segunda foto mostrando, dessa vez, Chris ao lado de seus soldados e alguns voluntários também da Salve-Terra. — Até o capitão Redfield parece bastante feliz, o que é muito raro. Você não acha, Leon?

- É. Chris parece feliz. — Seus olhos azuis seguiram a direção para onde Chris estava olhando e sorrindo. De repente, Leon ficou atônito após ver aquela foto e se deparar com uma mulher de traços asiáticos que, imediatamente, pareceu familiar. Ela vestia um colete com um emblema da Salve-Terra e estava sorrindo para o próprio capitão da BSAA e isso foi o suficiente para deixar a sua cabeça perturbada.

Naquele momento, Leon tentou colocar na sua cabeça que a mulher da foto era apenas uma voluntária, ajudando sobreviventes do bioterrorismo na Índia. Contudo, naquela mesma manchete apareceu um nome em especial que por acaso chamou a sua atenção...

"Eles estão roubando as vacinas anti-vírus e atrapalhando nosso trabalho. E com isso arriscando vidas inocentes que estão aqui esperando por uma cura. Uma cura que não tem chegado no seu destino final." Aquela citação era de uma das voluntárias da Salve-Terra, chamada Li Guimeng.

"Li Guimeng..." Por que aquele simples nome chinês estava lhe perturbando?Ah, sim! Porque se não lhe falha a memória... Li também era o nome verdadeiro de Ada Wong.

"Não! Isso é só uma horrível coincidência!" Leon tentava convencer a sua própria mente. De repente, ele começou a sentir que estava suando frio e que a gravata estava o sufocando.

- Ainda não se sabe se os responsáveis por estes ataques são bioterroristas, ou ladrões comuns. É por isso que preciso de você lá, Leon... Para ajudar Chris Redfield a descobrir quem são esses saqueadores que querem a vacina para vender ilegalmente. E, claro, preciso de você para me representar, já que não poderei estar lá pessoalmente. — Leon continuou ouvindo tudo quietamente, mesmo que por dentro a sua mente e seu coração parecessem caóticos. — Na próxima semana, um grupo entre soldados da BSAA e alguns membros da Salve-Terra sob a coordenação de Claire Nivans, vão levar mais uma grande quantidade de suprimentos, entre eles mais vacinas. Então, você estará pronto embarcar nessa missão, Leon?

- Sim, senhora Presidente. — Leon se manteve com uma máscara imperturbável no rosto enquanto prometia para Okoye que iria cumprir essa missão da melhor forma possível.


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A chegada em casa não foi tão silenciosa, já que as crianças estavam tagarelando na sala, enquanto assistiam algum desenho da TV. E assim que viram o pai chegar, logo correram para os seus braços. Ele queria estar com entusiasmo para brincar com elas, porém o dia foi tão exaustivo.

- Me desculpa, senhor Kennedy! — dizia a babá segurando desajeitadamente a bandeja com o jantar das crianças.

- Tudo bem, Nell. — Ele fica aliviado pela jovem aparecer e distrair as crianças. — Você viu a Angela?

- Ela está no escritório, trabalhando na palestra que dará amanhã na minha Universidade. Ela vai falar sobre direitos humanos, um dos meus assuntos preferidos.

- Poxa, que legal! — Leon fingiu entusiasmo. — E minha mãe?

- Ah, a senhora Sarah foi se deitar.

- Certo. Ei crianças, obedeçam a Nell. — Ele deixa os filhos aos cuidados da moça e resolve dar uma espiada no escritório, só para observar pela porta entreaberta a sua esposa andando de um lado para o outro, com um tablet na mão e ensaiando seu discurso. Ela parecia bastante entretida em sua tarefa que seu marido decidiu não interrompê-la. Em seguida, subiu para o seu quarto, logo se livrando dos sapatos, da gravata e do paletó antes de se jogar na cama e ficar olhando para o teto, pensativo.

O belo homem de olhos azuis, voltou a pensar na matéria de jornal e na tal foto daquela mulher que estava ao lado de Chris. E isto o fez se lembrar que em breve iria se reencontrar com o capitão que ele não via há muitos anos.

Seu celular começou a tocar insistentemente. Ele hesita a princípio, porém acabou atendendo. Era uma chamada de vídeo de Claire. Ela parecia meio sonolenta, com seus cabelos soltos e com um olhar cansado.

- Sinto muito se te acordei. — Ela disse soltando um bocejo.

- Ah, eu acabei de chegar do serviço. Nem tomei banho ainda. — Ele mostrou que estava jogado na cama sem se trocar ainda. — Não esperava que você me ligasse. — Ainda parecia rolar certo desconforto entre os dois. — Como foi a viagem?

- Tranquila.

- E Kevin?

- Tá sentado do meu lado, jogando vídeo game. — Ela virou o celular para mostrar seu filho entretido com um novo jogo. Mãe e filho estavam na sala da casa, dividindo um pote de pipoca, curtindo um momento raro que fez Leon relaxar um pouco.

- Que bom ver vocês juntos, assim, num momento de descontração. — Ele sorriu sentindo que a mulher do outro lado da linha, havia ouvido seus conselhos e estava tentando se reaproximar mais do filho.

- É. Mas, logo vou ter que deixá-lo para voltar ao trabalho... — Ela tinha um olhar preocupado.

- Sim. Acho que vamos trabalhar juntos dessa vez.

- Ah, sério?! — Ela arqueou a sobrancelha curiosa.

- Sim. Recebi outra missão diplomática das mãos da própria Presidente. — Ele se sentou na cama e começou a mexer, nervosamente, no cabelo.

- E você não parece nenhum um pouco animado com essa missão. — Ela riu.

- Na próxima semana, iremos viajar juntos para a China. E não vai ser divertido. — Leon estava de mau humor.

Leon pensou sobre essa nova missão e sentiu um sentimento ruim sobre isso, sobretudo, porque ele iria partir para uma viagem rumo a China que, eventualmente, o arrastaria de volta à Lanshiang. Um lugar para reacender velhas feridas e trazer à tona más lembranças, mesmo já se passando seis anos desde àqueles acontecimentos horríveis.

Claro que não era uma missão como a de antigamente, porque ele não iria como agente do serviço secreto. Com uma família para cuidar, o Conselheiro da Presidente não poderia mais se colocar em perigo, isso foi uma promessa que tinha feito a sua esposa e precisava cumprir. Como Leon havia dito para Claire, era apenas mais uma missão diplomática que na verdade iria fazer, mesmo odiando esta tarefa.

Na verdade essas viagens internacionais geralmente eram cansativas. Kennedy, às vezes, passava dias, ou semanas fora da capital e, muito dessas vezes, sem tempo para conseguir ligar para casa. E o Assessor da Presidente sabia que a sua agenda seria longa.

- Angela já sabe que você vai para China?

- Ainda não tive tempo de falar com ela. Mas, independentemente disso, eu não tenho escolha. Esse é o meu trabalho! — Ele disse franzindo a testa, numa carranca frustrada. — Agora por que você me ligou?

- Queria saber se ainda estava com raiva de mim.

- Não estou. E é melhor que a gente se dê bem, afinal, vamos ter que trabalhar juntos.

- Eu também te liguei porque eu... — Claire hesitou desviando o olhar da tela. — Eu queria te mostrar algumas informações importantes que também está ligada a essa missão. Você ouviu falar sobre a Coordenadora chefe do CAVB? Ela se chama Li Guimeng...

"Li Guimeng..." Ouvir aquele nome o deixou imediatamente atordoado. E a conversa só piorava.

- Ah, e a Sherry disse que a doutora Guimeng é filha daquele diplomata britânico, o tal Trent. Aliás, você sabia que ele tinha uma filha? — Aquela pergunta foi como um soco no estômago, o deixando completamente sem estrutura.

- O que... O que foi que você disse? — Leon inquiriu nervoso e sem conseguir encarar a tela do celular.

- Eu perguntei se você sabia que o Trent tinha uma filha? — A sua simples curiosidade ganhou uma resposta automática de Leon.

- Não. Isso é impossível!

- Como assim, Leon? Não entendi?

- É impossível... — ele começou a gaguejar. — Digo, eu sei que ele teve... duas filhas e... Mas, elas estão...

"Elas estão mortas!" Mas, a sua sentença terminou apenas num pensamento impertinente, que decidiu nunca dividir com Claire. Logo, ele caiu num silêncio enquanto pensava sobre as gêmeas de Trent: Mei e Ada (que na verdade se chamava Li). Era para ambas as irmãs terem morrido lá em Lanshiang há 6 anos.

A coisa mais assustadora sobre tudo isso, era que Leon viu Ada morrer. O coração dela tinha parado de bater, não havia pulsação. Ele segurou o corpo morto dela em seus braços, depois de dolorosamente tentar salvá-la e falhar. E isso era uma culpa e uma dor que ainda carregava consigo. Portanto, era impossível que aquela Li Guimeng fosse a espiã.

"Será que isso era tão impossível?" Internamente começou a se questionar.

- Leon, você ainda tá aí? — Claire perdeu a visão de Leon, deduzindo que ele largou o celular na cama e se levantou, deixando só a sua voz confusa continuar presente.

- Tem alguma coisa errada nisso tudo. Nada faz sentido! — Sua voz estava trêmula e ele não conseguia parar de andar de um lado para o outro e continuar murmurando. — A Presidente me mostrou aquela matéria de jornal e havia... havia aquelas fotos... — Ele parou ainda de costas para cama e fechou os olhos à medida que tentava se acalmar. — Eu a vi naquela foto. Mas... mas... Ela está morta! — Ele caiu num silêncio profundo, depois de já ter revelado mais do que deveria.

- Leon, eu sei o porquê você está assim... Eu tentei falar com você antes. Eu também li aquele jornal e vi aquelas fotos.

A princípio a viúva de Piers tinha ficado surpresa em ver Chris sorrindo de forma genuína e descontraída naquela foto, parecendo tão mais jovial e alegre. Entretanto, o que fez Claire ficar tão afetada por aquelas imagens, foi de fato o rosto familiar da tal mulher que se chamava Li Guimeng. A princípio, ela achou que estava vendo coisa onde não devia, que era loucura da sua cabeça, porém as suas suspeitas acabaram de ser confirmadas por Leon.

- Como você pode perceber, eu não estou tão paranoica. — Ela fez uma pausa para refletir sobre as suas próximas palavras, sabendo que isso empurraria Leon ainda mais para um lado bastante sombrio de si mesmo. — A tal filha do embaixador, ela se parece com a Ada Wong, não é? É por isso que você está tão nervoso. — Isso fez Leon respirar fundo e retornar para a cama, onde estava o seu celular, porém não conseguia encarar a sua amiga.

Ada Wong era um fantasma que deveria estar enterrado e fora das suas vidas para sempre.

- Isso é só uma terrível coincidência. Talvez, aquela mulher seja... apenas um pouco parecida com... com... — Era difícil pronunciar aquele nome, trazia um gosto amargo em sua boca.

- Com Ada Wong?! Por que é tão difícil pra você pronunciar o nome dela? — Claire por outro lado não teve problema em repetir aquele nome, como se fosse um mantra. — Mas e... SE... for ela? E SE aquela mulher for Ada Wong?! — Suas palavras ecoavam dentro da mente de Leon como uma dor de cabeça latejante. — E SE ADA WONG estiver viva, o que você vai fazer?

Leon estava tão desnorteado com toda aquela situação. No entanto, ele precisou controlar as suas emoções e ser racional...

- Claire, para e pensa comigo: Seu irmão está nessas fotos interagindo com a tal Coordenadora-Chefe. Não faz sentido nenhum ela ser... Ada Wong. Chris caçou essa mulher e tentou matá-la. E no final ele testemunhou a morte dela em 2013. Ela morreu. Fim da história. — Leon estava tentando convencê-la e também se convencer disso. — Você consegue imaginar o seu irmão... se envolvendo com alguém como... como aquela espiã? Ele a odiava. — Ele no final riu percebendo como aquilo era irreal demais.




Lanshiang, China

Festival da Lua de 2018


No 15º dia do 8º mês do calendário lunar, acontece o tradicional Festival da Lua, também conhecido como Festival do Meio do Outono, uma data especial em que os chineses reuniam seus familiares para uma confraternização, além de realizarem oferendas à lua. Como era uma festa bastante popular na China, ativistas da Salve-Terra e outros voluntários, junto com alguns soldados da BSAA decidiram se reunir para confraternizar com os refugiados, já que muitos dessas pessoas estavam muito longe de seu lar e da família. Portanto, uma festa seria um bom momento para se esquecer, pelo menos por algumas horas, dos terrores da guerra.

Nessa noite a Fazenda estava cheia de alegria e leveza com o pessoal sorrindo, cantando, dançando e se aproveitando para se fartarem dos tais famosos bolos lunares e de algumas frutas típicas dali. As crianças estavam encantadas com as lanternas coloridas e pelos fogos de artifício que explodiam iluminando o céu e abrindo passagem para a chegada da principal dona da festa — a grande LUA CHEIA que surgia formosa para abençoar Lanshiang.

O mais surpreendente de tudo era que Chris quebrou o seu protocolo e estava ali confraternizando com os seus soldados e os refugiados. Entre uma conversa e outra, ele para e fica observando Ada brincando no meio das crianças com Sherry e Jake que tentava soltar no céu um grande balão em forma de Dragão Chinês.

- E, então, está se divertindo, capitão? — disse Carlos Oliveira parando ao seu lado.


- É. Na verdade eu fui contra a festa, mas fui voto vencido. — Chris murmurou com a sua típica carranca que, logo se suavizou, quando seu olhar se fixou em Ada.

- Ela está mais deslumbrante hoje, você não acha? — questionou Carlos cheio de insinuações, sabendo que algo estava rolando entre o capitão mau humorado e a sua chefe.

- O quê?! — Chris endureceu a sua postura e desviou o olhar para longe de Ada.

- A lua — Carlos dizia divertido. — Ela está mais incrível essa noite, roubando todas as atenções para si.

- É. Ela está incrível essa noite. — Chris tentou se distrair olhando para o céu e observando a lua cheia.

- Pena que a lua só pode ser admirada de longe, nunca tocada, porque ela é uma beleza inatingível. — Mais uma vez, Carlos o provocou ganhando um olhar nada amigável de Chris.

- Você ganha um pé na bunda da Jill e tinha que vir se enfiar logo aqui?! — Chris rebateu com outra provocação que deixou Carlos frustrado.

Chris Redfield e Carlos Oliveira nunca se deram muito bem, primeiro porque o brasileiro se casou com a Jill para decepção do capitão que um dia nutriu sentimentos românticos por ela. Só que recentemente o casamento de 8 anos terminou em divórcio e Carlos resolveu se juntar a Ada e trabalhar como o seu assistente no CAVB.

No passado o ex-mercenário já havia trabalhado como o guarda-costas do Trent, até que durante uma missão acabou tendo a sua perna amputada e agora ele precisa usar uma perna mecânica e não podia mais exercer a sua antiga função.

- Bom, eu não tenho muito o que reclamar. É bom voltar a trabalhar ao lado da Ad... Li. — Carlos se corrigiu. Ele ainda estava se acostumando a chamá-la por outro nome. — Ela é uma chefe muito inteligente, corajosa e muito charmosa. — Ele sorriu cheio de malícia fazendo Chris rosnar de raiva. — E o Leon... — No momento em que aquele nome foi citado, Redfield ficou tenso. — Ele sabe que ela virou Li Guimeng e está aqui trabalhando ao seu lado, capitão?

- Escuta aqui, idiota! — Chris o segurou contra a parede com raiva. — Você não sabe de nada, então, fique com a sua boca fechada. E deixe ela em paz!

- Relaxa, capitão! O seu segredo está seguro comigo... — Carlos o confrontou sem medo. — Assim como o segredo do Leon.

- O que está acontecendo aqui entre vocês dois? — Porém, os dois foram interrompidos por Ada que percebeu a tensão pesada entre os dois homens.

- Nada! — os dois falaram em uníssono e se afastaram. Carlos sorrateiramente fugiu, deixando Chris para ter que enfrentar Ada sozinho.


{Continua...}



Notas finais
É aquela história a mentira tem perna curta kkkkk.