Destino Indecifrável
8 O início precedente.
Dado o beijo, Sasuke deu um passo para trás, sentou-se ao lado de Itachi enquanto este o encarava com um sorriso ameno na face. O mais velho voltou seu olhar para frente, encarava um muro mal pintado e imaginou que logo o ajeitaria, sim, queria a casa perfeita para que ambos pudessem ter uma vida digna e feliz juntos.
– Sabe Sasuke... aquele muro, que cor quer que pinte ele?
– Huuum...
Sasuke o encarava, pensava em alguma tonalidade, mas depois de um tempo, virou a face na direção do seu irmão e sorriu bobamente.
– A cor que você preferir... tudo que você faz, fica bom.
Itachi voltou-se para ele e ambos os olhares se entreolharam.
– Entendo, otouto.
Sasuke abaixou a face, a palavra doeu-lhe, comentou baixo.
– A mamãe e o papai... onde os enterrou?
– Hum.
– Foi você que os enterrou, certo? Quando voltei já haviam dois túmulos.
– Sim, fui eu e o Madara.
– Aquele...
– Sasuke.
– Hum?
O mais novo o encarava curioso, Itachi focava alguma paisagem mais à frente, ele permaneceu um tempo em silencio até que continuou.
– Eu e o Madara...
Sasuke se levantou, ajeitou a calça e espreguiçou-se.
– Vou dormir, estou cansado.
– Sasuke, você não queria saber?
– Você está comigo agora... que mais importa?
O Uchiha mais novo posicionou-se diante do mais velho, olhava-o de cima com as mãos na cintura.
– Eu sei que você se deitou com praticamente todos, isso inclui Deidara, Kisame, Madara... mais quem?
– Sasuke.
Itachi o encarava com uma feição de surpresa, levantou-se e o mais novo deu uns dois passos para trás se distanciando.
– Shisui também né?
– Escute...
– Eu sei, Itachi, você sempre foi gay... se iniciou com a galera, que diferença faz? Chupou o pau de um e de outr...
Sem mais se conter, Itachi agarrou-lhe pelas laterais dos braços, gesto que fez Sasuke empurrá-lo com força e correr para dentro da casa. Itachi foi atrás dele, ele realmente sentia a necessidade de esclarecer tudo aquilo. Tudo sobre o que Sasuke havia falado, mas este entrou no quarto batendo a porta e Itachi teve que abri-la a força. Ele foi caminhando na direção de Sasuke enquanto este se encontrava encostado numa parece e mantinha uma face de medo e receio.
– Sasuke...
– Não toque em mim! Não ouse! Você se deitou...
– Escute!
Itachi estava a um passo do menor, já o mais novo encarava o chão e encontrava-se corado.
– Você é bonito... eu realmente entendo que tenha tido muitos casos... e...
– Sasuke, sente-se... vem.
E auxiliou-lhe a sentar-se numa cama ali perto, Itachi ajeitou-o ali e sentou-se ao seu lado. O mais velho mantinha as costas arqueadas para frente e os dedos entrelaçados uns nos outros, tinha a cabeça levemente jogada para baixo, parecia pensar na melhor forma de dizer a verdade. Sasuke o encarava e percebia o receio e insegurança de seu niisan.
– Está tudo bem, Itachi.
– Está mesmo?
Itachi olhou para o menor, enquanto este encarava o chão em silêncio.
– Sabe, Sasuke... eu só fiz algo com nosso tio, o Madara.
Sasuke arregalou os olhos, levou uma das mãos à boca, estava nitidamente atordoado.
– Só com ele. Ele me iniciou, depois de um tempo me tornei o amante dele... eu era o ativo a maioria das vezes.
Itachi evitou olhar para seu otouto, sabia que a cara dele não seria as das melhores.
– E eu só fiz com ele porque... o cabelo dele lembra o seu, de costas ele lembra você, Sasuke. Foi só por isso, nada mais. Para mim, só existe você.
E Itachi levantou as costas, as endireitando e passou um de seus braços por cima dos ombros de Sasuke o abraçando parcialmente. Ele continuou baixinho.
– A única pessoa que amo e sempre amarei é você. Para mim, só existe você.
– ...
Sasuke o abraçou parcialmente pela cintura e deitou sua cabeça num dos ombros de seu irmão ficando em silencio.
– Se eu não fizesse com ele... eu enlouqueceria... eu precisava liberar parte da minha energia, enganar a saudade por ficar longe de você... eu precisava! Não agüentava mais... e... Madara percebeu... e... me ajudou.
Itachi tinha lágrimas nos olhos, fungava baixo e acabou por apertar a ponta dos dedos ali, umedecendo-os.
– Calma, Itachi.
Sasuke o abraçou e o puxou para seu próprio peito, afagava-lhe a cabeça, os lindos fios lisos e negros.
– Eu também, sempre só amei você... Itachi, fique comigo para sempre, ninguém mais, só você.
– Sim!
E ambos ficaram ali por um tempo, abraçados e carentes um do outro.
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