Destino & Escolhas
5 O Preço da Teimosia
Christine e Eric eram o mais novo casal na escola. A novidade ficou nas conversas dos alunos por semanas. Eric não era de namorar e nunca fora, mas parece que a aluna nova entrou no coração do jovem de uma maneira que pareceu ser impossível. Ninguém estava entendendo as atitudes do garoto. As garotas invejavam Christine e se perguntavam o que a menina pálida tinha que elas não. Isso era fácil responder: o garoto mais bonito do colégio só para ela.
O casal de namorados iam em todas as festas juntos, e por Eric ser bem influenciado socialmente, eram muitas. Christine nunca tivera a saúde das mais fostes e com os dias parecia piorar. Porém a jovem insistia em ir, se justificava para sua consciência que aqueles meses estavam sendo os melhores de sua vida e fingia que tudo estava maravilhosamente bem. Isso apenas para ficar com o garoto que não saia de seus pensamentos. Isso apenas comprovou como o amor juvenil é burro e cego.
Existem dois tipo de pessoas: as quando percebem o erro e param. Contudo à aquelas que persistem no erro mais do que um vez. Então vem a famosa frase: Errar é humano, insistir nele é burrice.
Uma pessoa que não há conhecimento é ignorante, mas aquela que sabem e não levam os princípios dessa sabedoria são tolos, idiotas e imbecis.
Christine esta passando dos limites. Não frequentava mais nas consultas médicas regularmente às sextas e, em vez disso, estava indo a festa e beijando Eric a noite toda. A teimosia dela teria um preço caro a ser pago.
...
Era uma quinta-feira cinzenta. O céu era coberto todo por nuvens carregadas de água. Eric esperava de costume por sua namorada em frente ao armário da garota.
Christine se forçou a levantar da cama e vir a escola, apenas para ver o sorriso encantador de Eric. Estava mais pálida do que nunca e com isso, seu cabelos negros se destacavam ainda mais.
O garoto a observou chegando. Eric reparou em suas mudanças nos últimos meses e não comentará nada. Não pensará que fosse sério, contudo, ao ver Christine se aproximando seus olhos demonstraram preocupação. Ele segurou com leveza os braços da garota e olhou com intensidade para o seu rosto delicado.
–Christine, esta se sentindo bem?- ele perguntou.- Você esta tão pálida, tem comido direito?
–Esta tudo bem, Eric- ela pareceu um pouco irritada com o comentário, se soltando dos braços fortes de seu namorado e caminhou até seu armário.
–Não fique brava, apenas estou preocupado- ele disse mexendo nos escuros cabelos de Christine e não sabia o motivo da raiva da garota.
–Não precisa, estou bem- ela afirmou mais uma vez, mesmo sabendo que era uma mentira.
Eric não quis mais discutir e Christine não tocou mais no assunto.
...
–Você tem que ir, Christine. Vai ser a muito legal- Carrie insistia para a garota do cabelos escuros ir a festa de sexta, que era no dia seguinte.
–Não posso, já disse- Christine respondeu nervosa. Ela odiava Carrie insistir, pois queria ir, mas não podia.
As duas se tornaram muito amigas durante os últimos meses. É claro, que os namorados das duas serem melhores amigos influenciou.
Christine, que guardava os materiais, se segurou no armário discretamente, assim evitando que caísse devido ao mau-estar. Já era a segunda vez no dia que sentia que iria desmaiar.
–Você esta bem, Christine?- Carrie perguntou mais tranquila do que falava antes, mas se mostrava preocupada com os olhos arregalados e olhando com intensidade para jovem.
–Acho que sim- ela respondeu fechando o armário.
Christine deu poucos passos e suas pernas fraquejaram de novo. Então, sem mais forças, caiu.
Ela não entendia o que Carrie tentava dizer-lhe. Apenas via pequenas estrelas pretas. Até que tudo ficou escuro.
...
–Cara, a Christine não esta me parecendo muito bem hoje- comentou Ed para o melhor amigo.
–Eu também reparei, mas ela alegou estar bem- afirmou.
Então Eric observou o acumulo de alunos em um único ponto. Um deles se moveu para o lado, permitindo ter uma visão melhor, assim o coração de Eric parou de pulsar por alguns segundos. Ele viu sua amada Christine deitada no chão branco. Seus cabelos negros se espalhavam pelo piso e seus olhos se encontravam fechados.
Não pensou duas vezes e correu em direção a garota. Carrie e Ed estavam do seu lado. Aconselharam leva-la na enfermaria. Eric pegou com cuidado no pescoço de Christine e seus joelho, aproximando-a de seu peito. Ele não via mais as pessoas em sua volta e ignorava as perguntas feitas enquanto passava com a garota encolhida em seus braços pelos corredores do colégio. A única coisa que pensava era no que poderia ter feito ela ficar naquele estado.
Chegou na enfermaria, Eric não prestou atenção na senhora que lá ficava, foi logo colocando a jovem doente na cama forrada que estava no local.
–O que aconteceu com ela?- a enfermeira perguntou com indignação.
–Ela desmaiou- Eric respondeu de forma direta enquanto passava os dedos no rosto sereno e branco de Christine.
A senhora de roupas branca ligou para o pai de Christine, mediu os batimentos cardíacos da garota e sua temperatura corporal. Eric apenas observa com impaciência.
–Me diga se ela vai ficar bem- Eric questionou de uma maneira um tanto grosseira, mas era apenas um jovem apaixonado preocupado com sua amada.
–Ela vai sim, acredito que não foi nada grave- a enfermeira disse com tranquilidade na voz.
Eric respirou com profundidade, sentiu um pouco de alívio com a hipótese da senhora. Porém essa sensação durou pouco, até John, o pai de Christine, chegar.
–Preciso levá-la para um hospital- ele afirmou já com os braços entorno do pescoço de sua única filha.
–Acho que não é para tanto- comentou a enfermeira de branco tentando tranquilizar o pai desesperado.
–É necessário. Ela possui uma saúde muito fraca, não é a primeira vez que isso ocorre- afirmou John.
Com essa confirmação fez o coração de Eric apertar mais ainda. Como assim não era a primeira vez? Ele não questionou o senhor, apenas pegou Christine novamente e fez o que John mandava. A colocou dentro do carro.
–Você que ir juntou Eric?- perguntou John com impaciência.
Eric apenas havia o visto nas poucas ocasiões que o encontrará quando ia levar Christine à algum lugar. Ele parecia ser uma pessoa mais séria e de poucas palavras, mas naquele momento era apenas um pai preocupado com o que lhe restou da família.
O jovem confirmou e entrou no automóvel. Assim os três partiram par o hospital mais próximo

Onde você vê a teimosia alguém vê a ignorância, um outro compreende as limitações do companheiro, percebendo que cada qual caminha em seu propário passo que é inútil querer apressar o passo do outro, a não ser que ele deseje isso.
Fernando Pessoa
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