Destino Das Fadas
47 Capítulo 45 — Pré-casamento – parte I
Notas iniciais
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS! haha ♥
Falei que iria escrever no fim de semana não falei? Aqui estou. E ainda não tem aula segunda e terça! UHUL o/
Gente, estou incrivelmente feliz hoje. Escrevi até dois capitulos, mas o outro vocês vão ter que esperar! KKKKKKKKKK Boom, vamos aos motivos da minha alegria.
Eu esqueci de comentar, maaas MAIS DE MIL COMENTÁRIOS! ♥ Eu fico super feliz, não são simples números, são inúmeras palavras trocadas, carinho, opiniões e histórias. Por isso agradeço cada comentário que recebo, agradeço cada opinião, agradeço cada elogio, cada crítica construtiva. Agradeço a todos vocês que perdem cinco minutinhos de suas vidas para me deixar mais feliz ♥
Outro motivo de muita felicidade: TRÊS novas recomendações ♥ Mal acreditei quando vi tantas novas recomendações. Mal acredito que DDF está com 27 recomendações. Hoje agradeço especialmente à TenebrisCaelum, mikasa e Jack Giovana ♥ AMEI as recomendações divônicas que vocês escreveram. Podem acreditar que cada letra recomendada me incentiva e me motiva a escrever ♥ Obrigada gente, amo vocês! ♥
Além disso, quero agradecer imensamente algumas pessoinhas. Caio por me fazer acordar de bom humor com uma mensagem no facebook ♥ Jessica Sperandio, minha nova leitora, seja bem vinda minha flor ♥ e NekoLuka por me deixar uma review maravilhosa e uma MP só para dizer que gosta das minhas fanfics! ♥
É muita felicidade para uma autora só *000*
Obrigada a todos que acompanham, todos, todos ♥
Boa leitura ♥
Capítulo 45 — Pré-casamento – parte I
Natsu
O silêncio se prolongou por mais tempo do que imaginei. Não sabia para quem olhar. Não sabia se prestava atenção na reação de Yukino, de Lucy, da minha tia sorridente, ou se repreendia meus primos antiquados. Após uma rápida troca de olhares com a Lucy, que se mostrava tão confusa quanto eu, olhar para Yukino só para me certificar que ela levou na brincadeira e olhar irritado para minha tia, tentei mudar o clima.
— Brincadeira sem graça a de vocês hem? — falei com uma voz mais nervosa do que eu esperava — Vão lá brincar!
Eles iam falar mais alguma coisa, mas eu os empurrei. Com certeza não viria algo bom se eles abrissem a boca mais uma vez. Relutantes, eles se retiraram, deixando o clima pesado ainda no local. Foi estranho. Essa minha tia tem que ouvir umas verdades.
— Bom... — Yukino voltou a ação — Lucy — a chamou sem nenhum ar de irritação — quero te mostrar uma coisa, vem comigo — sorriu e arrastou Lucy com ela.
Olhei as duas desaparecerem para dentro da pousada e suspirei. Falei para todos ficarem a vontade. Sting continuava me encarando de uma maneira estranha, o encarei também, não sei se era raiva, irritação ou qualquer outra coisa desse tipo, mas não era algo amigável. Vindo dele, nunca era. O problema não é a pessoa em si, nunca foi um problema meu e dele, o problema foi sempre a garota que ambos querem.
— Você vai mesmo conseguir ficar sem ela? — ele perguntou repentinamente.
Bem repentinamente. Continuei a olhá-lo, sem expressão. Porque ele me perguntaria algo deste tipo? Passou tantos pensamentos pela minha cabeça que não pude formar uma única frase. Desde o dia em que deixei de beijar Lucy, meus dias foram se acabando pouco a pouco e se arrastaram até aqui. Então a resposta certa seria “É claro que eu não consigo”. Mas não falei isso. Não por falta de vontade, mas sim porque Sting simplesmente saiu. Maldito. Faz uma pergunta dessas e some.
Tentei ignorar isso e avistei Gray e Juvia chegarem. Quanto tempo não os vejo. Quanto tempo não vejo ninguém, nem eu mesmo. Percorri o caminho que levava até eles.
— E aí cara? — Gray cumprimentou com um tapa nas costas.
— Oi Natsu, ansioso? — Juvia perguntou com um sorriso.
Pude ver seus dedos entrelaçados, e suas trocas de olhares sinceros. Nunca poderia imaginar Gray assim, mas era bom. Apesar de ser um desgraçado é meu melhor amigo e vê-lo feliz, como não posso ser, era algo muito bom. Ele merecia essa felicidade só por ser o cretino que brigava comigo na escola. Acho engraçado como tantas memórias voltam em minha mente quando se está prestes a morrer. Quero dizer, não morrer de morrer, mas viver sem motivo acaba se tornando uma maneira de morrer.
— Oi pessoal, obrigado por virem — cumprimentei sorrindo em revê-los.
— Mas que merda que formalidade é essa? — Gray resmungou como sempre. Juvia riu baixinho, deu um beijo em seu rosto e disse:
— Amor, vou ali com as meninas, tá bom? — disse sorridente, Gray assentiu e ela saiu.
Olhamos ela ir até Erza e Levy, depois nos olhamos. Gray olhou ao redor, toda a decoração e afins, voltou a me olhar e arqueou a sobrancelha.
— Não acredito nisso. Vai mesmo se casar?
— É o que parece — respondi em um tom meio irônico.
— Sabe cara — Gray disse e pôs a mão em meu ombro — Você é o noivo mais infeliz que já vi na minha vida.
— Sério? Isso ajuda pra caramba — falei sarcástico e tirei sua mão de meu ombro — Faltam cinco dias, tudo está pronto. Estou feliz, Yukino é uma ótima companhia — tentei parecer mais convencido. Ou apenas tentei convencer a mim mesmo que parecia.
— Claro que é — replicou com a mesma ironia que eu havia usado — Para casar com algum amigo legal seu, para ser sua irmã ou uma freia que houve suas confissões, não para casar contigo.
— Você é um péssimo consolador — falei cético — Da última vez que tentou me consolar acordei com uma enxaqueca do caralho. Ainda assim acho que foi melhor do que dessa vez — sorri falsamente.
— Só acha que sou um péssimo consolador dessa vez porque estou te dizendo a verdade — disse mais sério do que de costume — Mas podemos relembrar os velhos tempos antes do seu casamento para ver se você acorda — sorriu.
— Será que tem alguém nesse casamento que não quer estragar tudo daqui cinco dias?
— Huum, talvez a noiva — respondeu rapidamente — Até você quer estragar tudo.
— É... e sou o único que não pode.
—♥—
Depois de jogar um pouco de papo fora com o Gray sobre jogos, coisas passadas, o namoro dele com a Juvia, a faculdade, o trabalho, a família e coisas assim, fui procurar por Lucy e Yukino. Logo a comida seria servida e eu teria que fazer um discurso. Legal, adoro discursos, ainda mais em um casamento que não quero que aconteça, com um monte de amigos para rirem da minha cara e convidados que nunca vi na vida. Direcionei-me para dentro da pousada onde as vi entrar, mas fui interrompido no meio do caminho por minha irmã e um garoto... Que garoto é esse?
— Natsu-nii, esse é meu amigo da escola, Romeo — apresentou sorridente. Sorridente demais.
Olhei para o garoto de baixo à cima. Era alguns centímetros mais alto que a Wendy apenas. Baixo demais pra ela. Cabelo preto um pouco azulado e curto. Usava um cachecol. Queria me imitar?
— Você que é o irmão da Wendy? Que demais — disse todo empolgado. Empolgado demais.
— Sim, sou eu. — respondi sem entusiasmo — Quantos anos você tem? O que quer fazer da vida? — perguntei automaticamente. Eles estavam perto demais também.
— Hum... eu tenho doze, estudo com a Wendy — explicou — Fazer da vida?
Demora demais, pensou demais, tudo demais. Wendy já me olhava nervosa, mas eu ignorei. Como assim, ela aparece com um garoto no meu casamento sem nunca dizer nada?
— O que quer com a minha irmã? — questionei. Podia ver o fogo da raiva nos olhos da Wendy quando passaram por mim após essa pergunta.
— Nii-san você tá com um olhar assustador, para de espantar meus amigos — disse irritada, o puxando pelo braço e saindo.
Que? Me responde dessa maneira ainda? E ainda sai arrastando um GAROTO por aí? Um garoto em pleno doze anos, com muitos hormônios e que daqui a algum tempo vai querer estar assediando-a? Fiquei olhando para eles se afastarem um tanto perplexo. Depois vou ter uma conversinha com esses dois. Sorte dele que estou com pressa.
Passei entre alguns arranjos fora de posição ainda, faixas que ainda seriam colocadas e mais um monte de decoração que estavam para ser posicionados. Só depois de passar por tudo isso pude entrar pela pousada. O problema é que existem muitos quartos aqui. Como Lucy ainda não tinha um quarto fui procurar no quarto de Yukino. Ela insistiu muito para dormir no mesmo quarto que eu, e eu insisti muito mais dizendo que seria constrangedor fazer isso com os pais dela por aí. Como podem reparar, eu ganhei. Certa garota me ensinou a arte da teimosia. É um dom.
Passando entre os diversos corredores e subindo três escadas avistei o quarto de Yukino ao lado do meu. Finalmente! É uma péssima ideia ficar subindo escadas correndo. Acalmei minha respiração e andei até lá. Chegando perto já pude ouvir as vozes delas. Pelo menos eu acertei onde elas estavam, senão eu ficaria muito muito irritado. Fiquei diante da porta e respirei fundo. Pude ouvir um “Isso não é uma boa ideia” antes de abrir a porta.
Tudo então se passou em câmera lenta. Desde o momento que fui empurrando a porta até onde enxerguei Lucy. Lucy vestida de noiva. Ela se virou em minha direção e seus olhos se cruzaram com os meus. Meu coração deu uma acelerada brusca. Meu corpo paralisou, minha mão nem ao menos largou a maçaneta. Quando a vi pela primeira vez eu me perguntei se ela era um anjo que veio me buscar. Agora eu não tenho dúvidas. Não sei se era o ritmo anormal das batidas do meu coração, se eram meus olhos hipnotizados por aquela imagem ou se eram meus sentimentos por ela vindo a tona, mas ela estava perfeita e não consegui esconder isso. Sentia que havia um sorriso bobo em meus lábios. Todas essas sensações em apenas alguns segundos.
Porque depois disso, Yukino deu um grito para eu sair, que eu não podia olhar o vestido de noiva dela e coisas assim. Só então percebi que ela estava ali. Toda a energia do meu corpo se focou em Lucy. Lucy em um vestido branco em camadas, uma coroa simples e um véu que descia e se misturava com a saia do vestido. Seus olhos não largavam os meus e por um momento quis que isso fosse real. Antes de ser expulso por Yukino, olhei para Lucy até o último milésimo que pude até a porta se fechar na minha cara. Então nunca desejei tanto que fosse ela vindo me encontrar no altar daqui a cinco dias... Que fosse ela quem diria “sim”... Que fosse ela quem eu iria segurar a mão e prometer todo meu amor pelo resto da vida... Que fosse ela...
[...]
Voltei até onde os convidados estavam. Uma sensação estranha de atordoamento estava fortemente me torturando por dentro. Ver Lucy daquele jeito me deixou... hesitante. Meu coração mal conseguia voltar ao ritmo normal de pulsação. Por um momento eu quis entrar naquele quarto, desejei estarmos sozinhos para poder tocá-la. Foi um espanto tão grande vê-la. Um espanto novo e que me deixa fora de mim.
Tentei me acalmar assim que cheguei novamente fora da pousada. Tinha que reler o papelzinho onde anotei o que eu diria no discurso. Já havia me esquecido de tudo. Fiquei em um canto afastado lendo e relendo aquele maldito papel, mas eu não conseguia prestar atenção no que lia. Só Lucy se passava em minha mente. Lucy aparecendo estonteante com um sorriso, dando passos em minha direção. Cada passo a trazendo para mais perto de mim, cada passo a fazia ser mais minha. O vestido longo se arrastando pelo chão e eu a esperando com o mesmo sorriso idiota que mostrei a pouco tempo.
— Amor? — Espantei-me ao ouvir uma voz tão perto. Por quanto tempo sonhei acordado? Olhei para o lado e ali estava a realidade. Yukino.
— Oi? Já estão todos esperando? — perguntei ainda um pouco zonzo com os pensamentos.
— Uhum — sorriu docemente — Desculpa ter te expulsado daquela maneira, mas você sabe que dá azar. Ainda bem que era a Lucy que estava vestida para me ajudar com alguns ajustes. É mais fácil saber o que ajustar quando se está em outra pessoa.
— Entendo — murmurei me lembrando daquela cena. Mas tentei não pensar tanto nisso, senão logo estaria sonhando novamente — Vamos então — falei com um sorriso.
Ela passou seu braço entre o meu e andamos juntos até onde várias mesas estavam preparadas, convidados sentados e comida sendo servida. Uma mesa longa estava separada, lá estavam nossos pais e bem no meio o espaço onde devemos sentar. Ainda nem era o casamento e já tinha todas essas frescuras. Assim que aparecemos todos nos olharam sorrindo. Sorriam mais que eu. Então a encontrei. Lucy me olhou rapidamente e desviou o olhar. Fiz o mesmo e fui até a cadeira preparada para nós. Mas não sentei, tinha que fazer o tal discurso. Dali podia ver o rosto de todos, e assim como eu, todos podiam me ver, o que me deixava desconfortável. Limpei a garganta e respirei fundo. Malditas palavras que tanto demorei para decorar, apareçam!
— Er... — murmurei sem querer e um silêncio assustador se fez, juntamente com todos aqueles olhares de expectativa para cima de mim. Que merda. Pense Natsu, pense — Boa ... — Que horas são? Que horas são? Já passou do meio dia? — Bom Dia... — decidi com a voz ainda indecisa. Meu nervosismo era claro — Eu... quero agradecer pela presença de todos aqui. Muitos estão de férias e outros tiveram um grande trabalho para vir até aqui, mesmo assim vocês vieram. Como forma de agradecimento eu e minha... — o ar me faltou para terminar a frase — noiva... queremos que passem esses momentos pré-casamento com a gente aqui na pousada. É sempre satisfatório ter tantos amigos e familiares conosco. Espero que aproveitem bastante — foi o que lembrei do meu discurso inteiro — Enfim, vocês devem estar com fome. Então agradeço mais uma vez em nome da família Dragneel e Aguria pela presença de todos. Bom apetite.
Todos bateram palmas para minha desgraça de discurso. Yukino segurou meu braço forte então a olhei.
— Você foi ótimo querido — sorriu. Mal sabe que essas palavras não iam ajudar em nada.
— Obrigado. Sei que é apenas consolo, mas eu aceito — brinquei. E logos os pratos começaram a passar.
Além disso, havia uma mesa com petiscos a vontade. Eu preferia mesas assim do que ser servido por pratos individuais. Não vem quase nada nesses pratos chiques, só são caros. Enquanto comia meu olhar se encontrava com o de Lucy várias vezes. Era como pequenos momentos de tortura. Eu não queria apenas olhá-la.
—♥—
Lucy
Eu não conseguia nem olhá-lo direito. O susto foi tanto quando ele entrou por aquele quarto e me viu com o vestido de noiva da Yukino que achei que meu coração fosse abandonar meu corpo. Quando ele me fitou por aqueles segundos eternos e abriu um sorriso bobo, senti meu corpo derreter inteiro. Como eu adorava aquele sorriso... não sabia porque, mas seu sorriso trazia tantas sensações...
Depois de comer, me afastei um pouco de todos e me sentei em um banco ali perto onde enxergava a praia. Era mesmo um lugar especial. Adorava ouvir o barulho do mar. Fazia todas as vozes se tornarem tão longínquas quanto o céu. Poderia ficar ali para sempre, apenas imaginando um futuro diferente. Um futuro que eu pudesse construir.
— Essa calma é mesmo boa, não acha? — Ouvi uma voz desconhecida atrás de mim. Espantei-me com a aproximação, nem pude ouvir seus passos.
Era a tia de Natsu. Ela sorriu simpaticamente para mim e perguntou se poderia se sentar ao meu lado. É claro que não recusei. Apesar de ser muito estranho estar ali com ela.
— Concordo, ficamos tão rodeadas de pessoas o tempo todo que estar aqui, olhando essa paisagem no silêncio, chega a ser um consolo — falei um pouco constrangida.
Ela ficou quieta por alguns minutos, o que me deixava meio desconfortável. Não tenho assunto com ela? Sou uma péssima companhia. Talvez eu deva falar dos filhos adoráveis dela. Ia começar um novo assunto quando ela me cortou.
— Ele não tira os olhos de você.
Olhei para ela, mas ela continuava a fitar o mar. Como assim? Comecei a pensar no que os garotos disseram, será possível que ela realmente chegou a dizer algo daquele tipo? A gente nunca conversou na vida, mal a vi. Fiquei sem reação diante a sua afirmação.
— O Natsu é um garoto muito bom, sempre foi esforçado para proteger sua família. Consolou meu irmão quando Grandine se foi, mesmo quando também precisava de consolo. Cuidou de Wendy fielmente enquanto Igneel tentava reerguer a empresa. E agora está tentando salvar a família outra vez com esse casamento...
Ouvi todas suas palavras com o coração apertado. Eu sabia que era tudo verdade. Natsu era mesmo incrível, passava por cima de seus sentimentos para proteger sua família. Sempre admirei isso nele. Sempre esforçado, sempre presente. Não sabia o porquê de sua tia estar me contando essas coisas, mas queria saber mais. Sempre queria saber mais de Natsu.
— Desde novo teve que conciliar estudos, trabalho e família. Ia para a aula, cuidava de Wendy e ainda ajudava Igneel com a empresa. Aquela empresa representa muito para eles. Na verdade, a empresa era de Grandine. Ela a fundou e depois a ergueu fortemente com Igneel. Mas quando se foi, as coisas ficaram complicadas. Logo após perderem diversos acionistas, ainda levaram um golpe e agora o processo. Eu tentei ajudar, mas Igneel na queria ajuda de ninguém, meu irmão é bem teimoso — continuou a contar e eu me sentia ainda mais culpada. Era meu pai que estava os processando, será que ela sabia? — O Natsu havia puxado mais Grandine, mais calmo, aceitando tudo segundo o fluxo, mas então... Parece que certa garota foi ensinando ele a lutar pelo que quer.
Ela me olhou e meu coração saltou. Eu? Nunca.
— Vocês são uma família incrível, queria ter essa sorte — falei com um suspiro pesado.
— Você pode ter essa sorte ainda — disse com um sorriso. Mas não entendi o que ela quis dizer — Começar uma nova família agora.
Ela olhou para minha barriga e depois voltou a me olhar. Sinto que meus olhos se arregalaram. Ela sabia. No momento em que ela disse isso e me olhou daquela forma, eu entendi. Ela sabia. Como? O que essa mulher é? Tentei não transparecer meu pânico, talvez fosse apenas impressão. Uma impressão bem estranha e angustiante.
— N-não diga bobagens — tentei soar brincalhona, mas minha risada saiu trêmula — A sorte já me abandonou faz tempo — completei.
— Ora Lucy, não diga isso. O azar pode te acompanhar enquanto estiver sozinha, mas ele vai embora se você desse uma chance para a sorte. Ela costuma vir quando se tem companhia.
Suas frases sempre pareciam ambíguas e misteriosas. Um enigma por palavra.
— Conte a ele — completou para o meu desespero. Ela, com certeza, sabia.
Olhei para ela assustada.
— Conte a ele, querida — repetiu com uma voz calma — Como eu te disse, você o ensinou a lutar pelo que quer. Nesse momento ele está em um abismo entre querer proteger a família e estar com você. Um passo em falso e ele tem medo de perder os dois, então voltou a seguir o fluxo das coisas — continuou com suas falas complexas — Não tenha dúvida que... se você apenas disser “Fique comigo”, ele jogaria tudo para o alto e lutaria por isso. Ele está lutando contra ele mesmo neste momento — se levantou e me olhou — Você é a única que pode fazer ele mudar de ideia.
Fiquei sem palavras o tempo todo, tentando absorver aquelas palavras. Se essa conversa estava mesmo acontecendo. No fim, a tia de Natsu apenas me olhou com um sorriso e disse:
— Bom, aproveite esses cinco dias e se cuide bem. Se quiser conversar, pode me procurar.
E depois saiu. Olhei para suas costas. Fiquei tão mais confusa quanto já estava. Olhei para Natsu de longe. Mordi meu lábio. Então você está em um abismo? Mas eu não posso te salvar. Não acho que tenho esse direito. Ele me olhou também e sorriu. Sorri de uma maneira fraca. Cinco dias...
Fique comigo Natsu...
pedi em silêncio por pensamentos. Imaginando se um dia conseguiria dizer essas palavras em voz alta.
Notas finais
Espero que tenham gostado. ♥
Peço desculpas pela demora em responder as MPs T_T. Vou tentar responder tudo agora.
Me deixa uma review? *00*
♥
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