Destino Das Fadas
53 Capítulo 50 — Armações – parte II
Notas iniciais
Capítulo 50 — Armações – parte II
Natsu
— Onde você estava? — perguntei pela milésima vez, não me deixando levar pelos desvios de conversa que ela tentava desesperadamente.
— Nii-chan, você está horrível e sujo. Que horror! — disse se fazendo de assustada e novamente ignorando minha pergunta.
Essa garota tá me irritando profundamente. Neste momento eu estava olhando mortalmente para Wendy, enquanto ela parecia completamente sossegada como se nada tivesse acontecido. Não parecia aterrorizada por se perder. Nem parecia ter se perdido para ser sincero.
— Estou assim porque estava procurando por você em uma floresta imunda e escura com a lanterna do celular! — gritei sem paciência.
Ela fez um bico e desviou o olhar. Suspirei pesadamente. Ela não ia falar. O que era estranho. Porque ela ia ficar se escondendo? Será que... Aaaaah se ela estava com aquele garoto estranho! Respirei tentando me acalmar.
— Vá dormir — apontei para a porta — E se você sumir de novo, quando eu te encontrar, me lembre de te matar.
Wendy riu baixinho, correu até mim e me abraçou, dando um beijo em minha bochecha.
— Boa noite Natsu-nii — disse e correu pela porta. E assim que ela saiu, Yukino passou pela porta com uma expressão deprimida.
Yukino olhou para Wendy que se afastava e depois voltou o olhar para mim, fechando a porta do quarto e encostando-se a ela. Olhou para o chão e deixou suas mãos atrás das costas, parecendo um pouco incomodada. Como percebi que havia algo estranho, tentei mandar esse clima embora.
— Me disseram que foi você quem a encontrou — falei com um sorriso, ela me olhou e continuou quieta — Obrigado.
— Tudo bem, no fim ela só estava perdida na pousada — respondeu com um sorriso fraco e começou a andar lentamente na minha direção.
— Algo errado? — Resolvi perguntar para acabar logo com esse mistério.
Ela andou até se sentar na cama e eu me sentei ao seu lado. Ainda era estranho pensar que dali quatro dias estaria me casando com ela. Estando ali tão perto dela, era ainda mais perceptível o quanto não tínhamos intimidade alguma. E para perceber isso era impossível não comparar com a sensação de quando estou ao lado de Lucy. Aquele sentimento de liberdade e paz. Tão confuso, não tem nada de paz em nosso relacionamento perturbado, mas mesmo assim a tranqüilidade que sinto quando estou com ela é única. Eu disse mesmo que tentaria ser amigo dela? No fim, foi só mais uma daquelas desculpas inconscientes que criei para estar perto dela. Depois de pensar tudo isso que me dei conta que Yukino me olhava. Voltei meu olhar rapidamente para ela.
— Desculpa, dei uma viajada — falei um pouco sem graça — São muitas coisas acontecendo, me desculpa por não te dar tanta atenção. Está tarde, vamos dormir?
Ela apenas assentiu com a cabeça ainda mantendo aquele olhar triste. E eu não parava de pensar na culpa que eu tinha naquele olhar. Pensando se esse casamento forçado não estava apenas enganando a todos. Pensando se dali a alguns anos, casado, eu estaria feliz e aprenderia a amar minha nova família. E principalmente pensando se era possível eu ser feliz sem Lucy. Talvez realmente seja possível, e talvez eu precise me matar para conseguir isso.
—♥—
Lucy
Abro os olhos e estou em algum lugar desconhecido, mas aconchegante. Tudo parece um pouco borrado. Olho para o lado e Natsu está ali. Com os olhos fixos em mim. Ele estava me olhando dormir? O que ele está fazendo aqui? Me viro para ele, confusa. E sinto meu corpo um pouco mole.
— Natsu? O que você está fazendo aqui? — pergunto com uma voz grogue e esfregando os olhos de leve para tentar afastar o sono.
Ele continua me olhando sem responder. Nossos olhares se prendem. E continuo sem entender o que ele está fazendo ali. E Yukino? Cadê Sting? O que está acontecendo?
Então subitamente, ele se aproximou de mim, colocando uma de suas mãos em minha nuca e puxando minha boca contra a sua. Meus olhos se arregalaram e meu coração acelerou a mil por hora. Não pude entender, mesmo assim o susto foi passando quando senti seus lábios macios se entreabrirem com os meus, fazendo nossas línguas se encontrarem.
Foi tudo muito rápido e intenso. Ele se afastou, e passei a olhar em seus olhos buscando uma resposta para tudo isso. Ele vai se casar! Isso é errado! Sei que não recuei ao seu beijo. Mas é impossível se desvincular de seus braços fortes e mais impossível ainda é querer escapar de seu beijo quente. Eu, com certeza, não queria.
— O que está acontecendo? — sussurrei com a voz fraca, um pouco alterada por esses acontecimentos repentinos.
Ele acariciou meu rosto com as costas das mãos, me olhando ternamente.
— Não precisa fingir — disse com a voz firme — Levy me contou... Sei que está esperando um filho meu.
O QUE? Meu coração acelerou ainda mais. Ele sabe? Fiquei sem reação. Não acredito que Levy contou. Ele está feliz? Como ele reagiu?
— Natsu... eu... — tentei me defender, mas então ele pousou um dedo sobre minha boca.
— Eu te amo Lucy...
Eu também te amo... Hm? Porque eu não digo isso? Porque estou conseguindo me enxergar? Espera... a minha visão está ficando turva. NÃO! Natsu! Espera!
Senti alguém balançar meu braço. De novo e de novo. Até eu abrir meus olhos sonolentos e perceber que foi tudo um sonho. Sting sorria para mim sentado ao meu lado na cama. Não queria acordar. Meu coração estava acelerado de verdade. Como se Natsu realmente soubesse. Mas não sabe. Ou sabe? Não tem como saber. Senti meu corpo até suar frio.
— Está tudo bem? Você parecia agitada — Sting disse desmanchando seu sorriso e olhando para mim preocupado. Eu devo estar com uma expressão de pavor.
— Eu... — balbuciei ainda atordoada — estou sim, só tive um sonho... estranho.
— Que tipo de sonho? — perguntou com um leve sorriso.
Balancei a cabeça não querendo me lembrar, apesar de ter parecido tão real aquele beijo. Como é possível? Jurava que senti seu corpo quente encostado no meu e sua língua na minha. Um sonho muito real.
— Nada importante, te acordei? — falei desviando o assunto.
Ele arqueou as sobrancelhas se mostrando ainda curioso em relação ao meu sonho, mas depois abaixou a cabeça parecendo desistir de tirar informações de mim.
— Não, não. Eu já estava acordado e te deixei dormir, mas então você começou a se agitar. Achei que talvez você estivesse em um pesadelo e resolvi te acordar — explicou.
Soltei um suspiro pesado. Pesadelo, hein? Talvez fosse mesmo. Porque eu tive que acordar e ver que é tudo mentira. Acho mesmo que minha vida real está se tornando um pesadelo com tudo isso. Essa bola de neve que é meu relacionamento com o Natsu...
— Obrigada — sorri de leve — Já está na hora do café da manhã?
— Aham, estava te esperando. Quer ir lá? Acho que o pessoal já desceu. Ou você pode ficar dormindo — sorriu, esperando minha resposta.
— Vamos — falei animada — Tem praia e sol a nossa espera, certo?
[...]
Errado. Dia mais escuro, impossível. O mundo estava caindo lá fora. Só percebi isso quando desci as escadas, saltitante, para tomar café da manhã, animada ao pensar no dia lindo que me esperava. Já é difícil ficar feliz com dias bonitos, imagina com o céu desabando sobre nós?
— Acho que a praia vai ter que esperar — Sting disse também surpreendido ao ver a chuva torrencial lá fora.
— Pelo jeito, sim — suspirei.
Seguimos até o refeitório para tomar o café da manhã. Todos já estavam mesmo lá. Sentei perto de Levy e Gajeel, e conversamos normalmente. E tudo parecia normal. Normal até demais.
—♥—
Como o dia não estava muito agradável para o mar agitado lá fora, resolvemos assistir um filme. Tinha uma sala enorme vazia na pousada. Resolvemos levar alguns colchões e cadeiras para lá. O gerente da pousada arranjou um projetor para gente e Erza havia levado seu notebook. Muitos gostaram da ideia e mesmo sem nos conhecer se juntaram à nós.
Todos começaram a se acomodar, mas algo me incomodou. Fui até Levy que estava perto do notebook.
— Levy, e onde vamos arranjar um filme? — perguntei sem entender. Como o pessoal arruma tudo e esquece que tem que arrumar um filme para ver?
Ela me olhou, abriu a boca para responder, mas depois parece ter se lembrado de algo e passou a me olhar de maneira estranha. Tenho medo dessas recordações que ela tem do nada.
— NOSSA AMIGA! — gritou como se eu estivesse a quilômetros de distância — Esquecemos de pegar o filme — disse pasma, o que parecia bem falso — Soube que tem um quartinho com vários DVD’s no segundo andar, tem como você ir pegar? Eu tenho que cuidar do notebook.
— Hã? — reagi — Vocês esqueceram mesmo de pegar o filme? — arqueei as sobrancelhas, achando todo esse drama muito suspeito.
— Ridículo né? Ficamos tão entusiasmados arrumando a sala para o filme que nos esquecemos do filme — disse batendo em sua própria testa.
Mesmo achando tudo aqui muito estranho, fui atrás do filme. Estava querendo mesmo ver um filme bom, e assim que poderia escolher qualquer filme que eu quisesse. Subi as escadas que levavam para o segundo andar e logo dei de cara com um quartinho minúsculo. Será ali?
Andei até lá, me certificando se era ali o quarto que Levy havia mencionado. Era um cubículo, cheio de DVD’s empilhados. Passei pela porta, olhando os nomes dos filmes e tentando procurar por algo decente em meio a todos aqueles títulos.
— Esse filme não parece bom? — Ouvi uma voz logo do meu lado.
Olhei em direção a voz e levei um susto ao ver Natsu ali. Dei um pulo para trás, bati as costas na estante e milhares de filmes começaram a cair. Senti diversos deles batendo contra minha cabeça, a estante estava prestes a cair sobre mim. Petrifiquei apenas sentido um peso sendo jogado para cima de mim. Fechei os olhos, mas o som dela caindo cessou, e senti um braço me envolver.
Abri os olhos e percebo que Natsu me abraçou e empurrou a estante de volta para a parede, ainda a segurando com a mão livre. Mas ele estava perto demais para eu prestar atenção em todo o resto. Seus olhos estavam fixos nos meus. E senti meu rosto corar imediatamente.
— Você está bem? — perguntou com a voz rouca perto do meu rosto.
— E-estou — murmurei com a voz trêmula.
Ele continuou sem se mexer, sem me soltar, apenas me olhando. E eu continuei petrificada sobre esse olhar. Seu rosto estava tão perto do meu que podia sentir sua respiração acelerada. A tentação em beijá-lo era tanta que meu corpo tremia. Ele abaixou a cabeça, e encostou sua bochecha na minha.
Nossos corpos estavam tão perto, o lugar era tão apertado que só deixavam o ambiente ainda mais abafado e quente. O que não era nada bom. Então senti algo debater contra meu ventre e logo percebi o que era.
— O que é isso? — falei me afastando um pouco dele.
Ele me olhou meio sem graça.
— O que você acha? — respondeu olhando para baixo e depois voltou a olhar para mim, que o olhava indignada — Sou homem caralho — passou a dizer tentando se explicar — Você é mulher, é bonita, seu cheiro é bom, seu corpo tá grudado no meu. Não é algo que eu controle.
Meu corpo não sabia como reagir. Não sabia se ria do seu constrangimento, ou se ficava envergonhada com suas palavras. Mas tudo o que consegui fazer foi dizer:
— Você é um tarado...
— Você sabe que sou mesmo — respondeu sem nenhuma vergonha.
Então nos olhamos. Eu tentando me manter brava e ele tentando me fazer rir, com seu sorriso safado. Não agüentei e alguns segundos após estávamos rindo igual a bobos. Ele segurou a risada e me olhou nos olhos.
— Somos patéticos.
— Sempre formamos uma boa dupla, não é? — falei o empurrando de leve.
— Uma boa dupla de patetas? — indagou brincando. Ri baixinho de suas brincadeiras bobas. Esse seu jeito me fazia tanta falta.
— Amor? — A voz de Yukino preencheu o pequeno espaço em que nos encontrávamos.
Olhamos para ela rapidamente e percebemos a situação em que estávamos. Natsu me soltou rapidamente, e eu me afastei ainda mais rápido. Não tinha percebido que estávamos tão perto um do outro. Minha bochecha corou intensamente. O que ela poderia pensar de mim?
— Ahn... você achou o filme? — perguntou um pouco desconfortável. E eu dou razão a ela para se sentir assim.
Natsu passou as mãos em seu cabelo se mostrando completamente sem graça. Ele sempre faz isso quando está sem graça. Ou olha para o chão, e tenta disfarçar o rubor de suas bochechas. É engraçado... e estranho eu saber disso tudo.
— Até tinha achado, mas daí essa estabanada apareceu e resolveu derrubar todos os filmes — explicou. Olhei para ele, irritada. Então começou a fazer suas gracinhas tontas — Sabe? Tipo garotinha rebelde? “Não quero nada desses filmes idiotas” e sai derrubando todas as prateleiras — brincou fingindo me imitar.
— Exagerado — murmurei em protesto — Você que apareceu das sombras aí para me assustar. No fim a culpa é sua.
— Ah é? — me olhou com um sorriso brincalhão — Eu cheguei aqui antes, não tenho culpa de você entrar aqui e nem olhar para os lados. Desequilibrada — disse a última parte em voz de deboche.
Pensei em retrucar. Seria ótimo retrucar. Porém... Tinha uma noiva confusa ali do lado. E eu não queria estragar as coisas entre eles. Não muito. Quero dizer, eu quero que eles sejam felizes... Eu quero mesmo? Claro que quero. Somos amigos agora, tenho que querer o bem dos meus amigos, certo?
— Lucy? — uma voz me acordou do meu devaneio fora de hora. Natsu já estava do lado de fora com Yukino, segurando em sua cintura.
Olhei para eles. E inexplicavelmente uma vontade louca de chorar apareceu. Comecei a imaginar o quanto ele estava feliz com ela. Como ele pode estar tão feliz? Ele não disse que me amava ontem? Só faz um dia e ele já tá morrendo de amores por ela? Aquela mão ali... por onde já deve ter passado? Porque me importo tanto? Fui eu quem...
— Está tudo bem, querida? — Natsu repetiu, me fazendo reparar que já estava perdida em pensamentos novamente.
— Oi, ótima — respondi de maneira rápida e até um pouco ríspida — Vou indo na frente — completei passando por eles e correndo em direção ao banheiro.
Não sabia porque, ou talvez soubesse muito bem o que era essa sensação massacrante no meu coração. Não consegui pensar em outra coisa além de fugir. Só então percebi... que eu sempre fugia.
—♥—
Assim que chego ao banheiro um mal estar me atinge, uma tontura repentina que chego a cair sobre a porta. Tento recuperar meus sentidos, mas o enjôo aparece, tornando tudo ainda mais complicado. Vou cambaleando até o vaso sanitário mais próximo. Sinto meu olhos piscando além do normal, como se quisessem se manter fechados. Não posso desmaiar. Não aqui. Minha mente se embaralha. O que eu faço? Se eu cair aqui, quando irão me encontrar? Não vou agüentar chamar por ajuda. Meu corpo está frágil. Me vejo vomitando o pouco que comi de manhã. Vou caindo aos poucos até estar sentada. Lembro-me do sonho que tive essa manhã... e depois meus olhos se fecham por completo.
[...]
Aos poucos sinto minha consciência retornar. Minha cabeça dói, minha visão ainda está embaçada. Mas minhas costas estão sobre algo macio. Não me lembro muito o que aconteceu. Apenas da minha frustração ao ver Natsu e Yukino juntos. Banheiro e... mais nada. Abro os olhos por completo apesar deles arderem e me vejo em um lugar claro, todo branco, olho em volta e vejo Sting. Dormindo calmamente enquanto segura minha mão.
Passo um tempo olhando para ele. Ele é tão bom comigo e não tenho sido a garota mais fofa do mundo com ele. Às vezes me sinto culpada, às vezes sinto que estou o usando. E talvez isso não seja tanta mentira, mas seria mentira eu dizer que não me sinto bem com sua companhia. Começo a pensar que não seria assim tão ruim deixar Natsu livre. Sermos bons amigos. Chego até a pensar que no fim nunca passou disso: Amizade. Tento pensar que talvez lá no meu futuro que parece agora tão próximo seja para eu ficar com Sting desde o início. Desde que nos esbarramos naquele campo.
É bom ter esse pensamento. Parece fazer mais sentido. Natsu e eu... Porque haveria tantos obstáculos se esse nosso amor fosse para ser eterno? Tudo desde sempre pareceu conspirar contra nossa união. Falta de confiança, distância, segredos, inveja, meu pai, o casamento... Ainda é impossível dizer que Sting me passa a segurança e o carinho que sinto quando estou com Natsu, mas não acho que seja algo assim tão inalcançável. É sempre esse conflito. Essas dúvidas que me atormentam todas as noites.
— Está melhor? — a voz de Sting me puxa de volta para a realidade. Levo um pequeno susto com sua pergunta, nem cheguei a perceber que ele havia despertado. Mesmo assim lhe devolvo um sorriso sincero.
— Estou — respondo sem delongas — Por quanto tempo dormi? — perguntei sentindo minha cabeça ainda zonza.
— Por quase um dia.
A resposta me assusta. Então percebo pela janela que o dia acabara de amanhecer. Como isso foi possível? Perdi um dia... isso significa tanto e ao mesmo tempo nada.
— Passou a noite aqui comigo?
— Mais ou menos — diz após um bocejo — Levy te encontrou e então corremos para a enfermaria da pousada e revezamos a noite.
Respirei fundo em alívio ao saber que foi Levy quem me encontrou. Tive medo por um momento de certo segredo ter sido revelado. Mas é claro que minha amiga nunca me deixaria na mão. Ela sempre me encontra, sempre me consola, sempre está do meu lado. E agora... tenho Sting também.
— Mais alguém... — comecei a falar até a porta da enfermaria ser aberta com tudo.
Tive um pequeno ataque cardíaco com o susto. Muitos sustos em tão pouco tempo. Desse jeito vou acabar desmaiando novamente. Mas apesar do susto, o mais surpreendente era a cena que estava vendo. Pois, ali bem diante de nós estava Natsu. Parecendo irritado e muito ofegante. Entre sua respiração entrecortada ele me encarou com aqueles seus olhos tão distintos de todos os outros que pude conhecer.
E por um momento tive medo, angústia e também alívio... que meu sonho fosse se tornar realidade.
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