Destino Das Fadas
27 Capítulo 27 — Sentimentos à tona
Notas iniciais
Por favor, guardem as pedras ><. Peço desculpas pelo atraso, meu fim de semana foi uma loucura tentando organizar duas festas surpresas para meus amigos. Dai não tive tempo para postar, nem de responder as reviews. Me desculpem. Já li todas elas e como sabem responderei a todas *000*
Mudei os nomes dos capitulos, porque vão ser muito significantes para ter o nome de "Festa de Despedida", só por isso hihi
Boa leitura e não enlouqueçam ♥
Capitulo 27 — Sentimentos à tona
— Então... parece que caímos no mesmo quarto — falei sem jeito. Fiquei parada na porta arrastando minha mala, Natsu permaneceu com uma expressão indecifrável me olhando da cama.
O quarto não era muito grande, mas era muito bonito, simples e sofisticado. Tinha um formato de “L” por causa do banheiro que ficava já ao lado da porta de entrada para o quarto. Paredes brancas com exceção de uma que era de madeira, tinha algumas plantas espalhadas para dar vida ao local. E pelo menos isso, uma cama para cada. O problema é que já havia duas grudadas, suponho que seja de Gray e Juvia, em um canto, e no outro canto do quarto, mais ao fundo estava as outras duas, uma que Natsu estava sentado e a outra, que pelo jeito, era a minha.
— Pois é, não vai se livrar de mim tão cedo — esboçou um sorriso fraco e até um pouco... nervoso. Ainda bem que eu não era a única que me sentia completamente fora do lugar.
Dei alguns passos para dentro do quarto, e meu coração já disparou. Porque neste momento eu estava em um quarto sozinha com Natsu Dragneel. O idiota que me faz sentir coisas idiotas em momentos idiotas e por motivos idiotas. Como por exemplo: Eu ansiosa, nervosa com o coração saindo pela garganta só por pensar que vou dormir praticamente do seu lado. Logo que entrei vejo a porta do banheiro do lado, continuo a andar e vejo que ele acompanha minha aproximação com o olhar. Passo pelas camas do casal e depois na frente de Natsu, que abaixa seu olhar. Engoli a seco.
— Aqui é bonito — tentei puxar conversa para acabar com essa tensão insuportável que eu estava sentindo. Coloquei minha mala em cima da cama. E não o encarei nenhuma vez.
— É sim — disse de maneira calma. Mesmo assim, essa resposta não ajudava a quebrar esse clima entre nós. E eu nem sei porque de tudo isso. Nós dois sabemos, somos amigos e nada mais que isso. Mas... mesmo assim...
Flashback on
Eu já estava morrendo de sono, mas não queria sair dali. Porque ele estava comigo de certa forma. Percebi que conversar com ele me acalmava. Estava morrendo de insônia a alguns minutos atrás, mas assim que começamos a conversar e pude ouvir sua voz carregada de ternura meu corpo se relaxou. Deitei minha cabeça sobre meus braços no parapeito da janela. Ficamos em silêncio por algum tempo. Estava tarde, e tínhamos que trabalhar, mesmo assim nenhum de nós queria dizer “boa noite”.
Muitos pensamentos rondavam minha mente, o engraçado é que todos eles estavam ligados ao Natsu. É como se eu fizesse uma retrospectiva de tudo que vivemos. Estar ali com ele, conversando sobre coisas banais, me faz pensar que não me sinto bem assim com mais ninguém. Uma memória se destacou entre todas, foi quando nos encontramos no resort. O Natal juntos, aquela cena com as estrelas e principalmente sua pergunta “Você acredita em destino?”. Sinto que meus sentimentos por ele nunca mudaram... eu só tentei fugir deles, me enganar, escondê-los dentro de mim, mas nunca consegui apagá-los.
— Ei Natsu... — o chamei um pouco hesitante. Não sabia porque eu queria perguntar isso, mas eu queria uma resposta. Não sei porque agora. Talvez seja o sono. Talvez seja essas lembranças vindo a tona. Talvez seja seu jeito atencioso de me tratar. Ou talvez eu só queira ter esperança.
— Hm? — Ele ergueu a cabeça e me olhou. Ele parecia cansado. E saber disso e ver que ele continuava ali já fazia meu coração se apertar. Meus olhos pesavam, talvez eu não esteja assim tão consciente. Ainda não olhava para ele, olhava para baixo, nem sequer ergui minha cabeça.
— Ainda acredita que somos destinados a ficar juntos? — perguntei com a voz trêmula. Acho que o vento frio da madrugada pode ter abafado minha voz, mas tenho certeza que ele escutou. Criei coragem de olhá-lo.
Pude vê-lo, com seus olhos hesitantes, perdidos e confusos. Ele não esperava por essa pergunta. Ele abriu a boca de leve. Por alguma razão desconhecida me sentia calma, se eu tivesse mais acordada provavelmente estaria em uma pilha de nervos. Mas no estado atual, eu só queria ouvir dele, alguma verdade, algo que me fizesse compreender que não podemos ficar juntos. Os segundos que nos olhamos pareciam eternos, e com meu sono piorava ainda mais. Ele olhou para baixo, estava pensativo, pelo jeito não era uma pergunta fácil. Eu sei que não era, eu mesma não saberia responder assim, de uma hora para outra. Então ele voltou seu olhar para mim. Meu coração deu um salto. Ele finalmente chegou a uma conclusão?
— Acredito que... — sua voz era baixa, ele ainda estava confuso sobre o que deveria dizer, como se estivesse construindo sua resposta enquanto falava — fomos fracos demais... — continuou. E eu apenas ouvia com atenção, sem choro, sem descontentamento, apenas queria absorver suas palavras tão pensadas. Ele se apoiou em sua mão com o cotovelo apoiado na janela e voltou a falar: — O destino muda a cada escolha que fazemos... só não sei te dizer... — voltou a me olhar, de um jeito profundo — se fizemos as certas.
Uma boa resposta. Escolhas, acho que fizemos muitas delas durante nossa história, eu reluto em acreditar que essa história já tenha chegado ao fim. Mas sinto que todas minhas escolhas foram erradas, mesmo achando que eram certas no passado. Desviei o olhar por alguns segundos e voltei a olhá-lo, seu olhar era triste.
— Então você acha que seria certo a gente ficar junto no final? — Nem eu acredito que tais palavras saiam livremente de minha boca. Ele deu um sorriso fraco, olhando para baixo.
— Não sei Lucy... só acho que quando duas pessoas tem sentimentos uma pela outra, o certo é elas ficarem juntas, não é? — Sua voz soou como uma melodia para mim. Ele tá dizendo que ainda gosta de mim? Não sei se eu poderia já chegar nessa conclusão, mas minha cabeça já pesava o bastante para eu ter que pensar. Não precisei me torturar tanto porque ele continuou a falar: — Talvez existam obstáculos que não consigamos ultrapassar, você sabe... o destino adora pregar peças.
— Eu sei... eu sei... — falei com a voz quase inaudível, e repeti isso em mente mais algumas vezes. Até apagar e não me lembrar de mais nada.
Flashback off
... pude ver no fundo de seus olhos essa mesma pontinha de esperança que fica no meu coração. Será que isso é muito ruim? Apesar das lembranças dessa conversa estarem um pouco apagadas em minha memória, posso me lembrar de sua voz. Mas no final ele tem razão. “fomos fracos demais”.
— Vamos lá fora? A Levy-chan disse que tem um bolo delicioso que eu tenho que experimentar! — falei animada. Acho que forcei um pouco, mas não queria que as coisas se tornassem estranhas entre a gente.
— Vai aproveitando por mim, eu já vou, tudo bem? — disse com um sorriso suave no rosto, e isso me preocupava, tem algo errado com ele. E ele não vai me contar o que é.
Sai do quarto com o coração apertado. Respirei fundo tentando afastar todos os pensamentos ruins. Tudo isso porque no fundo eu sei. Sei que meu coração sempre foi e será dele, mas tenho a sensação que o dele está sendo tirado de mim.
[...]
Uma música agitada se espalhava por todo navio do lado de fora. A noite caiu e eu nem havia percebido. O céu estava lindo e iluminado. O navio já se movimentava. Fui até a borda olhar o mar. Encostei minhas mãos nas grades e vi as ondas se debatendo contra o casco do navio. A paisagem era linda, e apesar do movimento das águas, tudo ali parecia tão sereno.
Gray
Enquanto Juvia foi ao banheiro, sai para dar uma olhada a mais no navio. Era mesmo enorme. Continuei a andar perto da piscina onde havia milhares de pessoas. Um garçom passou ao meu lado, e peguei seja lá o que for essa bebida. Tomei um gole, era forte, pelo jeito a Lisanna quer embebedar alguns. Assim como a Cana. Olhei para o lado vendo ela de biquíni no meio de um monte de homens, falando com a língua enrolada e com a face avermelhada. Essa não tem jeito mesmo. Voltei meu olhar para frente e a vi. E pelo que posso prever ela me viu também.
— Gray, há quanto tempo... — Ultear disse meio tímida. E aí está, a garota que arrancou minha pureza, na minha frente de vestido, e corada.
— Ul... é, faz algum tempo — Esse assunto meio que me incomodava, porque a última vez que nos vimos foi quando...
— Voltei amor — Juvia pegou no meu braço. Senti meu corpo gelar. Ultear me olhou confusa, Juvia a olhou irritada. E eu olhei para as duas pensando o quanto estaria ferrado.
— Oi amor — falei passando meu braço a envolvendo — Essa é a Ultear, da turma B, se lembra? — expliquei antes que minha namorada possessiva pire. Explicações além dessas vão ter que esperar.
— Ah, me lembro — sua voz não parecia tão animada. Olhei para Ultear.
— E essa é a Juvia, minha namorada — falei firme. Só para ter certeza que eu não teria problemas mais tarde. Mas pelo olhar das duas, eu teria problemas mesmo assim.
Levy
Esse lugar é perfeito! Olhava maravilhada para todos os cantos. Peguei outro copo de saquê, mas logo ele foi tirado de minha mão.
— Ei, pega leve na bebida baixinha — Gaj estava ao meu lado com o meu copo e depois bebeu o meu saquê.
— E porque você pode beber? — questionei irritada. Não gosto de brigar, mas às vezes ele exagera. Eu não posso e ele pode? Mas nunca que deixaria isso passar.
— Porque eu agüento — seu tom de convencimento meio que me irritou ainda mais. Revirei os olhos e fui andando na frente conhecendo os outros lugares do navio.
— Você é um péssimo namorado — reclamei. Ouvi os passos pesados dele me seguindo.
— Está de TPM? — perguntou como se fosse a melhor pergunta a se fazer quando a namorada já está estressada. Olhei para ele, estava bufando por dentro.
— Sério amor, me deixa sozinha, não quero brigar — falei o olhando.
— Não estamos brigando — disse e me abraçou. Acho incrível, como só por abraçá-lo, nada mais importava. Adorava seus braços enormes em volta de mim. Me sentia segura e amada.
— Desculpa, me exaltei de novo — minha voz saiu abafada por ter dito isso em seu peitoral. Mesmo assim ele me apertou ainda mais.
— Você acha que ainda não me acostumei a isso? — brincou. Posso ver o quanto ele mudou. Quando penso que foi por mim, meu amor por ele parece aumentar. Sorri e ele me soltou.
Não esperava por isso, mas assim que ele me soltou, senti meu corpo zonzo. Que horror.
— Tá tudo bem amor? — me olhou preocupado, me segurando novamente. Isso foi estranho.
— Está, está sim, só uma tontura boba...
Lucy
Estava andando entre aquele um monte de pessoas que não conheço, quando vejo Levy abraçada com Gajeel. Eles são mesmo lindos juntos, perfeitos um para o outro. Ia continuar a andar despreocupada quando Levy quase cai. Ela não parecia bem, sua pele estava mais branca que o normal. Corri até eles e toquei no ombro da Levy.
— Amiga, tá tudo bem? — perguntei um pouco aflita. Ela é minha melhor amiga e odiaria que algo acontecesse com ela.
— Lu-chan... está sim, não precisava se preocupar — mente tão mal. Podia ver sua expressão de que não estava nada legal. E sei que pela minha expressão ela sabia que eu havia notado.
— Cuida bem dela Gajeel — olhei para cima dela, onde seu namorado super preocupado a segurava.
Eles saíram, ele disse que ia levar ela pro quarto, talvez fosse tontura por causa do mar. Mais tarde vou até o quarto deles... espero que ela fique bem. Não conseguia deixar de me sentir preocupada, mas eu não poderia fazer nada agora. Não deve ser nada. Suspirei. Tentei me recompor para voltar a aproveitar aquele paraíso. Uma mão tocou meu ombro o que me faz dar um pulo pelo susto, mas assim que me viro respiro fundo.
— Que susto você me deu Lisanna! — falei com a mão no peito, sentindo as batidas aceleradas do meu coração. Ela deu risada por eu ter me assustado por algo tão bobo.
— Desculpe-me — disse em um tom calmo, mas seu olhar era triste — Onde está o Natsu? — Perguntou tentando melhorar sua expressão facial.
— Não sei, a última vez que o vi estava no quarto — Respondi sem delongas. Algo me incomodava em sua pergunta e em seu olhar triste, não sei dizer, mas tinha o pressentimento de algo ruim.
— Ah — sussurrou praticamente para si mesmo de tão baixo. — Será que... posso conversar com você? — Essa pergunta parecia ser o sinal de que não era apenas um pressentimento. Seu olhar parecia carregar culpa. É uma festa, porque ela estaria triste?
— Claro — falei deixando transparecer minha preocupação.
[...]
Fomos até o quarto dela, não era tão diferente dos demais, talvez um pouco maior e com mais decoração, nada muito significante. Havia outras malas ali, então suponho que seja da Mira-san e do Elfman. Seus irmãos. Entrei um pouco hesitante. Ela estava de costas, e deu alguns passos até se sentar em uma das camas.
— Pode se sentar ao meu lado? — ela ergueu o olhar para mim e tentou esboçar um sorriso sem muito sucesso. Sinto que queria fugir dali, algo está muito errado. Assenti com a cabeça e andei até lá.
— Você está me assustando Lisanna — tentei dizer em um tom brincalhão e sorri assim que me sentei ao seu lado, mas ela não riu. Ao contrário disso, seus olhos se encheram de lágrimas — Li...sanna? — Isso sim era preocupante. O que está acontecendo? Ela pegou na minha mão.
— Lucy... tem algo que tenho que te contar — sua voz era trêmula, e algumas lágrimas caíram — Eu devia ter contado há muito tempo, mas, eu tive medo — continuou a dizer, e um desespero crescia dentro de mim.
— Ei... acalme-se — tentei consolá-la. Colocando a outra mão em seu ombro — Está tudo bem, algo te aconteceu? Pode me falar, somos amigas não é? — Olhei para ela sorrindo. Apesar de tudo, somos amigas, e odeio ver minhas amigas chorarem, mas ela começou a chorar ainda mais.
— Me desculpe Lucy...eu fui covarde...não agüentei perder...não posso ser considerada sua amiga — sua voz falhada saía entrecortada por suas lágrimas. Sua cabeça estava baixa. Porque ela está agindo assim? O que ela poderia ter feito? De repente algo vem em minha mente.
Não... não... não pode ser.
— Eu... não espero que você me perdoe por isso... — continuou. Meu coração acelerou ainda mais. Finalmente ela ergueu o olhar para mim — Naquele dia... — tudum — quando você flagrou eu e o Natsu se beijando — tudum — e-eu...
— Não... — deixei escapar num sussurro. Subitamente cenas daquele dia vieram em minha mente. Um peso esmagador passou a torturar sobre meu coração. E todas as vezes que ele disse “Eu não tive culpa” se repetiam em meus pensamentos. Por um momento temia o que ela iria dizer...
— F-fui eu Lucy... — ela confessou. E senti meu coração se despedaçar. Meu corpo estremeceu mas ao mesmo tempo parecia petrificado. Então é isso...? Estraguei tudo — E-eu amava tanto o Natsu e quando percebi que o coração dele não era mais meu, e-eu fiquei desesperada — sua explicação continuou. Mas tudo o que eu escutava eram múrmuros. Eu não acreditei nele. Todas as vezes que ele continuou a tentar lutar pela gente. Eu continuei a culpá-lo por não estarmos juntos. Esse tempo todo... Lágrimas deixaram meus olhos — A-achei que se... separasse vocês, eu teria uma chance! Mas não... demorei para perceber que... ele sempre foi seu Lucy... Nem com você o ignorando, não acreditando nele, nem com o tempo... agora eu sei... ele sempre te amou...
Isso foi o bastante para uma dor insuportável tomar conta de mim. As lágrimas que desciam descontroladamente não eram o suficiente para abafar a dor. Eu fui uma idiota. No fundo... eu sempre soube. Então porque não acreditei nele? Porque? Porque fui tão teimosa e orgulhosa? Não dava para ver nos olhos dele que ele me amava? Mesmo sem palavras. Todas as coincidências que vivemos. Não...não posso deixar acabar. Amigos? Onde estava com a cabeça. Nem por um único momento eu consegui ver Natsu apenas como um amigo. Sempre foi algo a mais. Porque...meus sentimentos por ele nunca mudaram e agora...eles voltaram com tudo. Eu sei... sempre soube... eu amo o Natsu.
Notas finais
Espero as reviews, enquanto respondo as do capitulo passado *000* e
YUPI! Passamos dos 500 reviews. Super feliz, amo vocês ♥
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