Destino Das Fadas

11 Capítulo 11 — Porto seguro


Notas iniciais
OLÁ MEUS AMADOS *000* Estou SUPER feliz, 3 novas recomendações? GENTE DO CÉU, é muita felicidade para uma única pessoa *000* Queria agradecer imensamente a Lucy Dragneel, Mandy Heartfilia e a Nat sem noção, meninas muito muito muuuuito obrigada, amei a recomendação de cada uma de vocês *00* E é claro à meus leitores amados que deixam seus comentários lindos para mim ou até mesmo aqueles que acompanham a história *00* Espero que gostem ♥ ♦Capítulo editado

Capitulo 11 Porto Seguro

Lucy

Assim que Natsu me deixou em casa, atravessei os cômodos e corri para meu quarto. Meu pai vai me matar e enterrar viva se tiver chego no trabalho sem que eu esteja lá maravilhosamente trabalhando. Pego uma camisete verde-água, uma calça jeans e tomo um banho rápido. Pensando no dia de hoje.

Tenho certeza que meu pai ficará furioso, mas não tem como me arrepender de nada. Não sou mais criança para ele me tratar como bem entender. Eu estou feliz. Há dias não me sinto tão leve, acho que a peça que me faltava era Natsu. Se não podemos ficar juntos, pelo menos não ficaremos separados.

Talvez seja isso. O motivo de nosso relacionamento amoroso sempre falhar. Simplesmente nascemos apenas para ser amigos, e apenas isso. É simples.

Mesmo assim... continuo a me perguntar se encontrarei alguém que seja capaz de fazer meu coração acelerar tanto, que seja capaz de preencher o vazio da minha vida, e principalmente que eu seja capaz de amar. Porque, por mais que eu pense muitas vezes nisso, não encontro resposta. Em todo esse tempo, só pude lembrar de Natsu.

E na forma como ele me completa.

Você é importante para mim... de alguma forma sobrenatural”.

Lembro de sua frase. Então fico imaginando, que talvez ocorra o mesmo com ele.

Desligo o chuveiro e puxo a toalha para me enxugar. Coloco a roupa que deixei selecionada, calço meu peep toe preto, pego minha bolsa e ligo para Taurus me buscar.

Não quero mais pensar.

—♥—

— Boa tarde Biska — cumprimento ao adentrar o prédio.

Ela olha para mim, surpresa e sorri.

— Boa tarde Lucy — responde animada — Deixei algumas papeladas que seu pai pediu para assinar em seu escritório. O Sr. Yoshida ligou mais cedo a respeito dos contratos da L. S. Produções. E terá uma reunião hoje às 15hrs na sala principal.

Suspiro fundo ao ver tantos avisos logo na chegada.

— Obrigada pelos avisos — digo, tomando os papeis de anotações de sua mão.

Apresso-me para chegar a minha sala. Justo no dia que me atraso, um milhão de coisas acontecem em minha ausência. Por falar nisso... olho para meu relógio e vejo que faltam meia hora para a reunião. Prendo a respiração. Meu Deus, por pouco não chego atrasada. Isso sim faria meu pai me estrangular.

Ele gosta que eu participe das reuniões com os sócios para saber tudo o que acontece dentro da organização. E chegar atrasada não seria... interessante.

Chego em minha sala e vejo uma montanha de papéis em minha mesa. Só pode ser brincadeira. “Algumas papeladas”, Biska? Respiro fundo para não surtar. O jeito será dar tudo de mim hoje, não posso fugir. Mas acho melhor eu ir para a sala principal primeiro. É a sala que normalmente fazíamos os planejamentos em grupo, debatíamos soluções, nos inteirávamos sobre a situação da empresa e fazíamos reuniões com os sócios.

Deixo minha bolsa em minha sala e dirijo-me para lá. Entro na ampla sala, onde há apenas uma enorme e comprida mesa no centro, toda de vidro com belas e confortáveis cadeiras a sua volta. Há um telão a frente onde normalmente mostramos gráficos, tabelas e notícias. Um ambiente muito formal e adequado para encontros profissionais, porém bem sério em minha opinião. Sempre fui a favor de salas que deixem as pessoas mais à vontade. Não é assim que surgem as grandes ideias?

Acomodo-me em meu lugar, ao lado da cadeira de meu pai. Ninguém chegou ainda, mas sei que alguns gostam de chegar adiantado e será bom ter alguém para recepciona-los. Aproveito esse pouco tempo para ajeitar meu cabelo que não tive muito tempo. Enquanto tento ver meu reflexo, sinto a presença de alguém e me viro para a porta. Engulo em seco ao ver quem era. Eu não poderia fugir para sempre.

— Papai — Cumprimento do mesmo modo frio do qual ele insistia em me tratar ultimamente.

Não sei se a conversa com Natsu fez com que eu realmente entendesse nossa relação complexa entre pai e filha, mas ao estar aqui com ele, sinto que nunca mais voltaremos a ser uma família.

— Lucy — Olha para mim de um jeito assustador.

Tento manter minha expressão neutra e firme para não demonstrar fraqueza diante dele, mesmo que sinta meu corpo tremer por dentro.

— Onde esteve? — questiona, aproximando-se com sua postura superior.

— Bom, já sou maior de idade para te dar satisfações, não acha?

Por seu rosto de poucos amigos, minha resposta não parece ter agradado. Eu tenho certeza que não era isso que ele esperava ouvir. Em silêncio, tomou o lugar ao meu lado, sem tirar seus olhos dos meus, como se pudesse me destruir com o olhar. Era o que eu esperava, até ter meu pulso apanhado de forma brusca.

— Escute aqui, filha ingrata.

Sinto a dor tomar conta de mim.

— Está me machucando, me solte! — grito, sem lhe dar o luxo de dizer “Ai”.

— Enquanto você trabalhar para mim e ser minha herdeira, você terá que me obedecer, estamos entendidos? — range os dentes com seus olhos esbanjando raiva.

Seu olhar é tão profundo que temo as consequências de continuar a agir como tenho agido. Tenho medo dele. Medo daquele em que ele se transformou.

— Jude, o que está fazendo? — O Sr. Hasegawa entra na sala, olhando para nós, confuso.

Papai me solta imediatamente, ajeitando seu terno, enquanto me arrumo em meu lugar.

— Boa tarde Hasegawa. Minha filha quase caiu da cadeira, estava ajudando ela a se equilibrar — mente com seu sorriso falso.

Ele olha para mim, querendo que eu confirme a história. Sorri de volta da mesma maneira irônica e depois olho para meu pulso avermelhado em meu colo. Sempre que isso acontece, sinto ainda mais falta de minha mãe. E tenho a impressão de estar sentindo falta dela com mais frequência. Quero sumir daqui e chorar. Mas tenho que ser forte e aguentar até o fim.

Desculpe papai, mas não sou mais criança. Não sou mais sua criança.

—♥—

A reunião se passa normalmente, tendo as cadeiras aos poucos sendo preenchidas por todos os sócios da empresa. Não pude prestar atenção em nada, não consigo entender em como meu pai teve coragem para tal ato. Na conversa com Natsu reparei a falta que sinto de um pai. A falta que sinto do meu pai. E também, como ele não existe mais. Aquela pessoa de antes foi destruída e mesmo eu, não consigo trazê-lo de volta.

Assim que a reunião se encerrou e todos os sócios se foram após se despedirem formalmente de mim e de meu pai, voltamos a nos olhar. Como se voltássemos para aonde paramos na discussão. Com tantas palavras enlatadas em minha garganta, mas já farta das atrocidades de meu pai, apenas me levantei para sair. Não quero piorar tudo.

— Não ache que pode fazer o que quer. Se pensa que deixarei a empresa nas mãos de uma garota inconsequente como você, está enganada — ouço sua voz soar atrás de mim.

Paro onde estou e viro minha cabeça, não aguentando todos os nervos gritando dentro mim. Olho irritada para ele, ou melhor, furiosa. Não piorar tudo uma ova.

— O senhor é quem está enganado — respondo firme — A empresa também era da mamãe, foi ela quem o ajudou a construir tudo o que este lugar se tornou. E não deixarei que os esforços dela sejam destruídos por pessoas egoístas e arrogantes como senhor.

Ele arqueia as sobrancelhas, intrigado com minha resposta. Então levanta-se e vem em minha direção com os braços para trás. Engulo em seco, com medo de aonde isso irá terminar. Mas uma vez na vida, pude sentir orgulho de mim mesma.

— Com quem pensa que está falando? — usa novamente sua voz superior, andando em círculos ao meu redor — Eu sou o presidente da empresa e faço o que bem entender. Não use Layla como desculpa. Você tem muito o que aprender. Você é fraca e incapaz de entender a imensidão deste império — fala com uma risada de deboche — Filha inútil.

Suas últimas palavras são cuspidas para mim. Meus olhos começam a marejar. Ele passou dos limites. Preciso sair daqui, mas...

— Não diga o nome dela — murmuro com minhas últimas forças.

Ele olha para mim, parecendo espantado por ainda ouvir algo depois de tudo o que disse. E acho que ainda mais por ser a única coisa que mais me incomodou em todo seu sermão. Levanto a cabeça, encarando seus olhos com todo o ódio acumulado dentro de mim.

— Indivíduos ignorantes como você não tem esse direi...

Antes de terminar a frase, só pude ouvir o som estridente de sua mão se chocar contra meu rosto e meu corpo ser jogado contra o chão. Sinto minha face arder e levo minhas mãos até ela, sem acreditar no que acabou de acontecer. Engulo todo o choro, olhando inconformada para ele.

— Filha, eu... — começa a falar, assustado consigo mesmo.

Mas é tarde demais.

— Não me chame de filha — afirmo mais alto do que sua voz, levantando do chão com o restante de minha dignidade — Porque você não é meu pai.

A última frase sai com minha voz chorosa. Sem querer demonstrar mais lágrimas diante dele, saio dali. Preciso de distância desse homem.

Eu já nem sei quem ele é. Eu não o reconheço.

Corro para meu escritório para pegar minha bolsa e saio do prédio. Vejo Taurus ali perto e pego a chave de sua mão sem dizer nada.

— Senhorita, aonde você...

Sua voz fica longe a medida que me distancio para chegar logo ao carro. Não quero nada disso. Penso ao entrar no carro. Não quero fortuna, herança ou pessoas que façam tudo por mim. Dou partida para sair o mais rápido possível daquele lugar. As lágrimas caem sem permissão. Eu só quero minha família de volta. Eu quero ser livre para amar e viver. Não quero ser uma pessoa que não sou.

Aquele não é meu pai. Não é aquele que me protegia de qualquer coisa. Aquele que me fazia rir com suas palhaçadas de pai. Limpo meu rosto, para tentar enxergar a rua. Quero minha vida de volta. Quero aquele que deveria ser meu herói de volta. Mas ele não vai voltar. Sua alma se foi junto com minha mãe. Estou sozinha agora.

Estaciono o carro de qualquer forma na frente de casa e corro para dentro. Como se pudesse ter algum consolo ali. Como se eu pudesse ter tido consolo algum dia da minha vida depois que minha mãe morreu.

Mamãe, por que me deixou sozinha?

—♥—

Natsu

Assim que cheguei no escritório, reparo que esqueci alguns documentos em casa. Meu pai apenas balançou a cabeça como sempre faz quando está decepcionado, mas não fala. Dei minha risada sem graça e voltei correndo para casa, frustrado comigo mesmo. Aonde estava com a cabeça? Encontro a papelada na minha escrivaninha e vou até o carro novamente. Entro no carro, mas assim que dou partida, vejo o carro de Lucy sendo estacionado na frente do meu.

Será que ela também esqueceu alguma coisa? Penso em acenar, quando vejo ela sair.

Ela desce do lado do motorista e corre para dentro da casa. Chorando.

Desligo o carro, e olho para o relógio. Depois olho para os papéis ao meu lado e suspiro fundo. Reparei nesses últimos tempos que nosso futuro é feito por nossas escolhas. E por mais que me odeie por isso. Por mais que eu saiba o quanto posso me martirizar depois. Eu preciso saber se ela está bem. Saio do carro, sabendo que isso não irá levar a nada e corro para a casa ao lado.

O portão está aberto, e mesmo hesitante, passo por ele. Vou até a porta da casa, entreaberta e começo a pensar se isso seria invadir a privacidade de alguém. Mas se a porta está aberta, não seria como arromba-la, certo? Empurro ela um pouco mais, colocando a cabeça para dentro e vendo tudo escuro.

— Lucy? — sussurro, sentindo-me um ilegal.

Dou passos curtos para dentro e vejo como a casa dela é gigantesca. E bem diferente de seu apartamento de antes. Isso não tem sua cara. Apesar dela ser milionária, sempre foi gentil e humilde com todos. Se não descobrimos sozinhos, nunca saberíamos quão rica ela é.

Começo a andar pelos cômodos da casa, vendo todos eles vazios. Vejo alguns empregados conversando no jardim pela janela e me escondo. Opa, por pouco. O quarto dela fica de frente com o meu, então é no segundo andar e deve ser do lado direito da casa. Subo a escada gigantesca no hall da casa e escuto um choro ao fundo. É ela. Tento andar de forma silenciosa até lá e abro a porta, de onde vem o som, devagar.

Então a vi, chorando abraçada a seus joelhos. Eu soube nesse momento que deveria ter ido para a empresa, porque vê-la daquela forma atingiu meu lado protetor de forma surreal. Dei um passo para dentro do quarto e segui meus impulsos.

—♥—

Lucy

As lágrimas não cessam em momento algum. Jogo minha bolsa para o lado, arrancando os saltos que machucam meus pés. Apoio minhas costas no encosto da cama e olho para o retrato pendurado em meu quarto, todo emoldurado, de minha família. Quando ainda eu podia chama-la dessa forma. Estávamos todos sorrindo, sorrisos sinceros e felizes. Então, por quê? Por que mamãe? Me sinto tão sozinha e abandonada.

Encolho-me, abraçando meus próprios joelhos, deixando as lágrimas virem. É como antes, quando minha mãe morreu. Eu chorando em meu quarto sozinha. Sem ninguém que pudesse tirar essa dor. Sem ninguém para me consolar. Podíamos passar por isso juntos, papai. Mas você impôs essa barreira impenetrável a sua volta e me afastou como se fosse veneno aos seus olhos. Eu precisava de você. Ainda preciso.

Se antes chorei a morte de minha mãe, hoje sinto que perdi meu pai.

Não tenho mais família. E é assim que reparo estar em um curso apenas pela ânsia por me sentir parte de algo maior. Para sentir que faço parte da empresa de meu pai e da minha mãe. Como se a empresa pudesse fazer com que a dor passe, apenar por estar lá. Como se isso, pudesse trazer minha mãe de volta.

Minha vida está uma completa bagunça.

Penso nas milhares de escolhas erradas e sem sentido que já fiz em minha vida, tentando entender como vim parar nessa situação. Como minha vida parece não ter efeito algum, sendo guiada ao acaso e sem rumo. Antes que eu pudesse tirar conclusões precipitadas de como destruir minha própria vida, sinto algo tocar meu braço e me assusto. Inclino minha cabeça rapidamente e o vejo. Natsu.

— Lucy, o que aconteceu? — pergunta carinhosamente, acomodando-se ao meu lado.

Estou... alucinando?

— Natsu?

Ele assente e me abraça forte.

— Pode chorar — fala com a voz calma — Vou ficar aqui até que se sinta melhor para conversar — sussurra com serenidade.

Apenas por isso. Por ouvir um consolo em meio a toda minha confusão de pensamentos, todo meu choro voltou em um único impulso. Passo meus braços por ele e começo a chorar. Alucinação ou não, ter alguém ali, fazia tudo melhorar.

— Natsu — repito com a voz embaraçada — Por favor, não saia daqui.

Ele me puxou para seu peito, tentando me acalmar. Agarro sua camiseta, deixando minhas lágrimas escorrerem por ela toda.

— Não sou sair — passa as mãos por meus cabelos — Não se contenha.

E não me contive. Chorei igual uma criança, chorei de uma forma que só permitia que ele visse. Chorei como não pude chorar há anos atrás. Natsu não disse mais nada, nem saiu dali. Seu silêncio já era um consolo. O consolo que demorei tanto para obter. Foi em meio a tantas lágrimas que reparei em meu erro. Não estou sozinha.

Ele sempre está por perto.

Natsu é para mim, um porto seguro.

—♥—

Abro os olhos vagarosamente, ainda sentindo eles arderem de tanto chorar. Nem me recordo de ter adormecido, apenas me lembro de chorar incessantemente. Sinto algo me apertar, ao mesmo tempo que algo quente me acolhe. Levanto meu olhar e vejo Natsu sorrir para mim. Sinto meu rosto corar com esse ato. Ele ficou acordado esse tempo todo?

— Está se sentindo melhor? — pergunta preocupado.

Tudo em sua expressão parecia me passar uma sensação boa. Como se solucionasse todos os meus problemas. Ele realmente não saiu daqui. Assinto com a cabeça e encosto novamente a cabeça em seu peito.

— Obrigada — sussurro, ouvindo de leve as batidas de seu coração — Estou... tão envergonhada — digo, escondendo meu rosto.

Natsu dá risada, afastando seu corpo de mim e tirando as mãos da frente de meu rosto.

— Por que? — pergunta com seu sorriso bobo.

Seu olhar está tão fixo em mim que meu rosto se avermelha ainda mais. Tento não o encarar. Devo estar horrível. Sempre que choro, pareço a garota do chamado, mas loira.

— Estou horrível, para de me olhar — empurro seu rosto com a mão.

Sua mão pousa sobre a minha e a leva para suas bochechas, mantendo elas ali.

— Isso não seria possível, você é linda de todo jeito — fala tranquilamente, como se isso não parecesse uma super, hiper, mega cantada.

Um coração acelera loucamente, enquanto penso se devo sair correndo para ele não me ver tão ruborizada ou se me escondo atrás do travesseiro. Se você ficar sendo assim tão legal comigo sempre, será difícil esquecê-lo. Ele tosse, um pouco sem graça pelo o que acabou de dizer. Natsu nunca pensa antes de falar. Isso o faz tão verdadeiro.

— Você vai para a aula hoje? — muda de assunto, desviando seu olhar de mim.

Aula?

— Por quanto tempo dormi? — pergunto, assustada.

— Duas horas, eu já ia chamar a emergência — brinca.

Começo a rir e bato em seu braço como sempre fiz. Depois olho para ele, admirada.

— Você ficou acordado?

Fico pensando se ele ficou me olhando esse tempo todo! Seria horrível. Além de me consolar, ficou duas horas olhando para minha cara deplorável. Eu realmente sei como reconstruir as amizades.

— Claro — responde rápido, claramente mentindo e depois ri — Que nada, cai no sono também.

Olho feio para ele por tentar me enganar

— Idiota.

Ele ri novamente, me fazendo rir com ele, e depois para apenas para ficar me observando.

— Você fica melhor assim, deveria sorrir mais.

Continuamos a nos olhar como nosso grande elo sobrenatural nos permite. Tenho tanto a dizer, tanto a agradecer, tanto a me desculpar. Mesmo assim, não quero que as coisas fiquem novamente estranhas.

— Natsu — chamo com a voz fraca.

— Hum? — murmura de volta, arqueando as sobrancelhas.

— Realmente... — sussurro, voltando meu olhar para ele — Obrigada.

Abro um sorriso sincero depois de dias e Natsu corresponde da mesma maneira. Sinto muito por não dizer tudo o que você merece. Mas isto é a melhor forma de resumir tudo o que passamos. E tudo o que você faz por mim.

— A sua disposição — sorri e pisca para mim — Já se sente melhor? Preciso levar alguns documentos na faculdade hoje. Então terei que ir de qualquer forma.

— Ah, claro. Estou sim, desculpe tomar seu tempo — digo rapidamente, não querendo incomodar.

Não quero que perca tempo com coisas assim. Tenho certeza que ele tem coisas muito mais importantes para fazer. Ou talvez não para ter vindo até aqui. De qualquer forma, ele está aqui e deveria estar em outro lugar. Ele provavelmente é bem ocupado agora e ainda tem que ficar me consolando como no Ensino Médio.

— Não se preocupe — fala, levantando-se e olhando para mim novamente — Amigos são para isso, não é?

Algo em sua frase me chamou a atenção. Não sei se era o tom, a forma como seu sorriso não pareceu tão sincero ou coisa da minha cabeça. Tenho 98% de certeza que é algo da minha cabeça. Porque depois de tanto tempo, ouvir que somos apenas amigos, me deixa abalada. Mas deveria ser algo bom, certo?

Natsu começa a calçar seu tênis e se levanta, batendo na própria roupa meio amassada. Levanto também para acompanha-lo até o portão.

Andamos lado a lado sem dizer nada. Ainda me sinto envergonhada por isso tudo. Ele nem sequer perguntou o motivo, mantendo minha privacidade. Quantas vezes na vida podemos encontrar alguém que nos console, apenas por consolar? Sem deixar a curiosidade matar primeiro. Nem Levy-chan aguentaria. Mas Natsu é diferente de qualquer outra pessoa. Ele é bom. Com um coração gigantesco demais para perdoar pessoas como eu.

O tempo foi contra mim e logo chegamos na porta. Ele se virou para mim, ficando em silêncio e me olhando por algum tempo. Sinto um arrepio bom atravessar meu corpo. Aquela sensação que tenho sempre que o vejo. Natsu se aproxima, fazendo meu coração pulsar ainda mais forte.

— Se cuida, Lucy — murmura, me dando um beijo na testa.

Fico olhando para suas costas, deixando o portão de casa. Às vezes ele virava e sorria para mim. Não consigo entender, Natsu. O que acontece entre a gente. Você tem razão, é sobrenatural. Porque por mais que minha vida esteja desmoronando, e que você seja um dos motivos. Você também consegue ser a luz para me erguer na escuridão.

Natsu...

É tão estranho assim... eu ainda te amar?

Notas finais
Achei super fofo esse capitulo *0*, o que acharam? meio pesadinho a relação com o pai?Pois é amores, pensarei se posto todos os dias dessa semana, fiquei muito feliz com as recomendações *00*Mais uma vez muito obrigada amadas, Espero as reviews gente linda ♥Ps. que bom que gostaram da capa nova ♥