Destino Das Fadas
2 Capítulo 02 — Corações agitados
Notas iniciais
Capitulo 02 — Corações Agitados
Ele voltou. Pergunto-me o que houve com o ambiente da balada que parece tão alterado só por tê-lo ali dentro. Ele parece mudado, parece mais maduro, másculo e atraente. Sinto meu coração começar a martelar em um ritmo acelerado e descompassado. Mesmo depois de tanto tempo, como pode meu coração bater desta forma só por vê-lo? Seu olhar também parecia preso ao meu. Inconscientemente peguei na mão de Levy e a apertei com toda minha força.
— Ai Lu-chan! — gritou, retirando a mão perto da minha — O que foi?
— E-e-ele — gaguejo qualquer tentativa de frase — E-ele está aqui — termino de falar com a voz trêmula.
Só então reparei que Gray estava com ele. Por isso não o vi em lugar nenhum. Ele pareceu dizer algo para Gray e depois começaram a vir em nossa direção. Acho que não consigo me mexer.
— Ah — Levy exclamou ao seguir meu olhar — Na verdade, hoje é uma festa de boas-vindas para ele.
Boas... O que? Ele está voltando para Magnólia? Por quê? Como assim boas-vindas? Por que diabos eu não sabia disso? O que está acontecendo e... Ai Kami-sama.
— VOCÊ SABIA? — gritei, olhando pasma para ela. Levy deu uma risada sem graça.
— Se eu dissesse isso, você não viria! — argumentou.
— Por que não? — defendo-me — Já fazem mais de dois anos!
Levy sorriu.
— Sim, e você continua agitada quando vê ele — debochou.
Fiquei olhando para ela por um tempo com vontade de voar nela novamente. Sinto vontade de voar em mim mesma por ver que ela tem razão.
— Cala a boca — repreendi.
E agora?
Natsu
O lugar todo está lotado, mas é bonito e bem decorado. Acho que é um bom lugar para recomeçar, de novo. Combinei com o Gray que assim que voltasse para Magnólia iria festar com ele. Mesmo longe, continuamos conversando e contando nossas aventuras ridículas. As dele sempre piores que as minhas, Gray realmente não tem jeito. Porém nunca tivemos a chance de sair juntos nessa vida adulta, então tinha que ser no primeiro momento que desse. Adentramos pela multidão, o som forte em nossos ouvidos e aquele sentimento estranho de estar de volta.
Crocus foi uma época especial. Entrei na faculdade que queria depois de me matar de estudar e resolvemos boa parte de nossos problemas na filial de lá. Mas sentia falta daqui, do ar naturalmente alegre que Magnólia tem e... resolvi voltar. Meu pai não foi contra, nem Wendy que queria tanto voltar para a Fairy Tail, então tudo aconteceu rápido. De repente, aqui estou.
Sigo Gray seja lá para onde ele esteja indo. Não conheço o lugar, Gray mencionou ser novo e realmente parece tudo brilhar. Olho em volta para observar toda a decoração do local, mas em um momento meus olhos se cruzaram com os dela. Eu sabia que era ela, mesmo de longe. Não entendo por que motivo primitivo parei de me mover e fiquei encarando aqueles orbes de que tanto fugi. Reparei então que ela fez o mesmo. Ela olha para Levy dizendo algo, enquanto cutuco Gray.
— Gray, a Lucy está aqui! — grito para que ele escute.
Ele se vira para mim e sorri.
— Então cara! Convidei geral! — berra de volta.
Convidei, o quê?
— EU TE FALEI PARA ME DEIXAR LONGE DELA IMBECIL!
Gray ri ainda mais e continua andando entre a multidão para chegar aonde “geral” está.
— Relaxa esquentadinho. É só ir lá dar um oi e ficar na sua — responde tranquilamente, dando de ombros.
Só pode ser brincadeira. Dois anos longes para encontrá-la na primeira noite. Acho que se a vida pudesse ter uma fisionomia estaria rindo de mim no momento.
Claro que como todos dizem o que aconteceu no passado fica no passado, mas foi simplesmente terrível tirá-la da cabeça. Quase uma tortura. A real é que quando você diz “Desisto de nós”, não é bem assim que as coisas funcionam. Você não deixa de amar a pessoa instantaneamente — Porque eu adoraria —, você só desiste de tentar fazer ela entender que você a ama. O que é bem diferente.
Mas Gray tem toda a razão, não temos mais nada a ver um com o outro, e o que houve foi há muito tempo atrás para ressentimentos. Assim espero.
Sigo o caminho até lá e confesso que meu coração estava batendo anormalmente. Que porra é essa? Assim que subi a escada que levava até nosso lugar reservado, todos se levantaram para me abraçar.
— BEM VINDO NATSU! — gritaram sorridentes.
Sorri que nem uma criança ao ver aquilo. Era bom se sentir em casa novamente. Fiquei ainda mais feliz de ver toda a antiga galera ali, ainda unida e animada para qualquer coisa. Abracei um por um, com piadas e sorrisos, então cheguei em Lucy. E não queria confessar, mas foi bem mais estranho que o normal. Parei em sua frente e ela me olhou com uma hesitação extrema. Não que eu estivesse a calma em pessoa. Ficamos parados olhando um para o outro, sem reação.
Ela está linda. Meu Deus, ela está muito pior do que isso. Parece ter crescido um pouco, mas ainda fica baixa perto de mim. Seu cabelo está longo e sua expressão mais adulta. Sorri involuntariamente por vê-la daquela forma.
— Bem vindo — ela disse um pouco corada e sem graça. Abriu um sorriso tímido que me atingiu de uma forma que não deveria.
Faz anos que não vejo esse sorriso. ANOS! Por que diabos ele não parece ter mudado nada? Inclusive da forma que me afeta. Ela se aproximou constrangida e eu fiz o mesmo, e então a envolvi. Se eu não acreditasse em situações completamente estranhas, eu passaria a acreditar. Abraçá-la foi surreal. De repente não escutei nem o som estrondoso da balada. Só senti o cheiro dela que parecia preencher todo meu espaço, me embriagando. O cheiro dela também não mudou. Sua cabeça encostou em meu peito e ela me apertou. O que está acontecendo aqui?
Sinto que ficamos assim por horas até reparamos que todos estavam nos olhando. Soltei ela rapidamente com medo da minha própria mente e tossi para tentar mudar a situação.
— Obrigado — agradeço passando a mão pelos cabelos e pisquei para ela.
O que foi isso? Eu não estava cantando ela, é que fiquei tão acostumada a fazer isso que esqueci a regra fundamental de minha volta: não fazer isso com ela. Não posso mesmo ficar perto dessa garota. Se é que posso chama-la de garota. Olhei para o lado ainda zonzo com esse momento de recaída e Lis pula em cima de mim.
— Nat-kun! — Fala contente, enquanto me abraça — Bem-vindo! Que saudade!
— Lis! — Abracei-a de volta.
Por incrível que pareça, mantemos nossa amizade mesmo de longe. E mesmo depois de eu ter dito que não a correspondia. Foi uma surpresa para mim quando ela me ligou em Crocus e falou como se fosse minha antiga melhor amiga. Ela se tornou uma ótima amiga e sempre me contava as coisas que aconteciam por aqui, até mesmo de Lucy. Fiquei ressentido no começo de tocar no nome dela, ainda mais depois de dizer que a amava, mas quem deu a iniciativa foi Lis e toda conversa sempre foi natural.
Espero que ela tenha superado, porque sei bem a merda que é para superar essas coisas.
Juntei-me ao pessoal, pegando algumas bebidas e uns negócios que o Gray vinha oferecer, bem suspeitos diga-se de passagem. Mesmo diante de tantas histórias para contar e tantas outras para serem ouvidas, meu olhar não fugia a ela. Lucy. Max fala algo sobre uma garota que lhe deu um fora esses dias, e dou risada assim como todos os outros, porém meus pensamentos estão bem longes.
Lucy conversa com as garotas e de repente se levanta em um sobressalto, dando um grito inesperado e indo para a pista na parte de baixo. Eu queria mesmo não notar. Infelizmente fiz de tudo para esquecê-la e não para ficar cego. Que vestido é aquele? Se a intenção dela em vir com aquilo era provocar, bom... isso não vai prestar.
Lucy
Natsu me solta e pisca para mim. Ele já fez isso antes, eu tenho certeza que já o vi piscar para mim no passado, mas por algum motivo isso foi muito diferente. Ele perdeu todo seu jeito infantil e moleque de ser. Se naquela época suas piscadas eram para conquistar, realmente tenho medo para que servem suas piscadas hoje em dia.
— Nossa, que abraço, hein Lu-chan? — Levy caçoa ao meu lado com o melhor de seus sorrisos sarcásticos.
Olho para ela até esquecendo que havia pessoas ao redor.
— O-o que tem? — gaguejo ao reparar que fui transportada para outra dimensão por alguns minutos — Não foi nada demais. Ele abraçou todo mundo — respondi, desviando meu olhar para qualquer outro lugar.
— Abraçou mesmo, só não ficou hipnotizado com todos — brincou, me fazendo engasgar com a bebida.
— Para de sonhar, Levy — digo, limpando a sujeira que faço.
— Não era eu quem estava sonhando — rebate outra vez.
Estou pronta para pular nela de verdade dessa vez. Esse era o grande plano dela? Fazer eu vestir esse vestido super chamativo na festa de boas-vindas dele? O que Natsu vai pensar de mim? Sei que ela não gosta de Loki, mas isso não vai dar certo, porque não existe nada entre eu e Natsu. O abraço só soou estranho porque... porque... Para que precisamos de motivos para tudo?
— Você é insuportável quando quer — repreendo com um olhar irritado.
Levy apenas sorri e se agacha para perto de mim. Levo minha orelha até ela para poder escutar seus sussurros.
— Você ainda sente algo por ele? — pergunta baixo para ninguém escutar.
Ela fala isso e me olha com expectativa. Estou pronta para dar aquela resposta pronta implantada diversas vezes em minha mente, mas hesito. Por que estou hesitando? É claro que não sinto mais nada!
— Claro que não, que bobagem — digo rindo — Não existe mais nada entre nós — afirmo do jeito mais confiante possível.
— Pare de mentir, seu olhar diz tudo — replica — Você nem consegue encará-lo por mais de três segundos.
Bufo diante seu desafio.
— Levy-chan, não existe — começo a falar e olho para Natsu, que parece conversar com os outros — mais nada — continuo a dizer, segurando meu olhar sobre ele até seu olhar se cruzar com o meu.
Natsu sorri ao perceber que eu o observava.
— Mais nada? — Levy repete aguardando a continuação.
Mais nada... o que eu estava falando? Fiquei hipnotizada em seus olhos marcantes e incrivelmente sedutores. E em seu sorriso maroto que fez meu corpo se derreter.
— AAAAAARGH! — grito irritada — Vou dançar — digo, me levantando com tudo, irritada com a situação.
Mas o que diabos está acontecendo? Primeiro fico sabendo em cima da hora que isso é uma festa de boas-vindas. Aliás, não apenas isso, mas uma festa de boas-vindas para meu ex namorado. Então ele aparece todo garanhão com um sorriso idiota e dando piscadinhas idiotas. Desde quando seu abraço é tão caloroso? Por que eu o apertei tanto? Oh God. Eu o apertei! Estou louca!
Vou para o bar e peço outro copo de caipirinha. Foi apenas uma situação estranha. Como eu já disse, não existe nada entre nós. Ele foi embora no início do terceiro ano do ensino médio e estamos no segundo ano da faculdade! Foi apenas estranho porque fazia tempo que não nos víamos, ou ouvíamos, ou sentíamos. Ou seja lá que porcaria que está acontecendo com meu coração. Que droga! Tomo um gole longo da bebida, tentando afastar qualquer pensamento que me leve à ele.
Então vou para a pista de dança. Começo a dançar conforme a música eletrônica e animada que toca. Dancei, bebi e tentei de todas as formas possíveis esquecer toda a confusão dentro de mim. Eu decidi certo? Decidi deixar tudo para trás e seguir em frente. É isso que as pessoas fazem, seguem em frente. Fala sério. Como ele reaparece depois de DOIS ANOS e ainda me deixa assim? Mas... queria saber se ele sentiu algo quando nos abraçamos... Não quero saber porra nenhuma!
Começo a dançar ainda mais, irritada comigo mesma. Hibiki de nossa sala veio em minha direção e começou a dançar comigo. Ele dança bem, e também continua lindo como sempre.
— Você dança bem — falo, enquanto me mexo de um lado para o outro.
— E você está linda — sorri de forma maliciosa.
Dou uma risada fraca.
— Obrigada — digo sem graça.
Continuamos a dançar, e por um momento pude me sentir aliviada, esquecendo toda aquela baboseira passada. Então olho para o lado e vejo Natsu dançando com uma garota. Uma garota muito bonita, se é que isso importa. Finjo não me importar, mas meu olhar parece segui-los mesmo contra minha vontade.
A garota se insinuava para ele, rebolando em sua frente ou tocando em seu peito. Ele sorria, parecendo apreciar tudo aquilo. Seus corpos estavam colados. Se vão se fuder por que não saem daqui? Então Natsu me olhou, e por um momento fiquei ressentida dele saber que eu estava olhando-os, mas ele sorri. Canalha. Se isso é um desafio, eu não quero perder. Olho para Hibiki e passo a dançar da forma mais sedutora possível.
Mas acho que não entendi bem o desafio, porque todo meu chão pareceu sumir, quando Natsu passou a beijá-la no pescoço e sussurrar coisas em seu ouvido. Por que dói tanto? Não somos nada um do outro, certo? Depois disso, ele puxou ela para um canto escuro da balada, e senti vontade de chorar. Que criança você, Lucy. Não posso ser fraca dessa forma. Eu segui em frente, ele também tem esse direito.
— Lucy, está tudo bem? — Hibiki pergunta ao ver que parei de dançar.
— Eu... estou — digo pausadamente — Vou me sentar um pouco.
Procuro por algum lugar onde ninguém me visse mal. Que papel patético estou fazendo. Não quero chorar, não por ele, não após ele acabar de voltar. Nem eu entendo o que me deixa tão mal. Droga! Por que tudo isso?
Gray
Chego perto do pessoal, e vejo Natsu cumprimentando um a um. Depois o idiota ficou lá agarrado na Lucy, provavelmente dizendo para si mesmo que isso não é nada. Acha mesmo que pode enganar alguém. Todo aquele papo de “Claro que não cara, Lucy é passado” para ficar ali iludido.
Dou oi para todos também, até ver Juvia abraçada com Lyon. Eu já sabia que ela estava namorando, mas nunca a vi exatamente “namorando”. Parece que é desde o ano passado. E eu realmente não me importo com isso. Estava na hora dela me deixar para lá com todo aquele “Gray-sama” do colegial.
— E aí? — falo, acenando para ambos.
— Oi Gray — Lyon responde sorridente e Juvia apenas sorri.
Ela mudou bastante. Não usa mais seus cachos enrolados exageradamente, seus cabelos estão ondulados e naturais, mais compridos também. Seu olhar está marcante e seu corpo bem desenvolvido. Se é que me entende. Parece que parou de usar a terceira pessoa para se referir a si mesma, ou seja, parece dez vezes mais madura que antigamente.
Isso me deixa irritado. Fala sério, não tem motivo. Mesmo assim, me sinto irritado, preciso relaxar. Olho para o lado e vejo Laki, que por acaso ficou com um corpão. Aproximei-me dela, fazendo seu olhar me fitar.
— Oi Gray — sorriu de lado.
Disseram algum tempo atrás que ela estava interessada em mim, e acho que não tem problema eu conferir. Puxo ela contra mim e a beijo. Ela parece se assustar, mas logo cede facilmente, se deixando em meus braços. Passo minha mão por sua blusa, e levo minha boca até seu pescoço para mordê-la, fazendo com que ela solte um gemido baixo.
Percebo que Juvia nos encara, indignada. Confesso que isso me alegra, então apenas solto Laki, que me olhou mordendo os lábios. Pisco para ela e saio dali.
Vou até o bar, peço qualquer bebida forte e logo alguém senta-se ao meu lado. Juvia pede uma bebida também e depois me olha curiosa. Ficamos nos encaramos, enquanto pegamos nossas bebidas no balcão e bebemos. Seu cabelo está solto, ela está com um belo decote, uma saia preta e botas até o joelho. Sedutora. Mas mesmo assim, algo nela me irrita.
— O que foi? — pergunto seco.
— O que? — replica, se fazendo de inocente.
Solto uma risada baixa.
— Para você se sentar do meu lado, só pode haver uma razão, certo? — digo, inclinando meu corpo em sua direção.
Juvia sorri de maneira irônica e depois olha para seu pulso.
— Engraçado dizer isso — fala, apontando para sua pulseira — Mas acho que essa pulseira indica que posso sentar onde eu quiser — termina com outro de seus sorrisos.
Não consigo deixar de gargalhar com sua ousadia.
— Bem — começo suavemente — Talvez eu te dê motivos para se sentar ao meu lado, então — aproximo-me mais, quando sinto meu ombro ser empurrado.
— Dá para ficar longe da minha namorada? — Lyon aparece com uma expressão de poucos amigos.
Suspiro vencido e frustrado por ser cortado. Volto a tomar minha bebida e vejo Juvia sair dali, dando lugar para Lyon sentar. Fala sério, que irritante. Só queria ficar aqui na minha e eles aparecem para me atormentar. Por que não se agarram em qualquer canto escuro como os outros casais?
— Cara, qual o seu problema? Ficando com qualquer garota que apareça na sua frente. Você não é assim.
Dou risada de sua afirmação sem sentido.
— E o que você sabe sobre mim? — pergunto de maneira fria.
— Eu cresci com você! — rebate rapidamente — Apesar de não te suportar, me preocupa. Juvia está preocupada também.
— Tsc — replico com desdém — Vão cuidar de suas vidas melosas e me deixem em paz.
Lyon me olha como se avaliasse minha ação. É o que todos tem feito ultimamente. Julgamentos. Não importa o que digam, não quero mudar e nem tenho razões para isso. Se eu quiser ir lá e pegar alguma garota, farei isso. Fim.
— Você não é o mesmo — diz como se estivesse decepcionado e sai.
Não queria me incomodar com seu olhar. Mesmo assim pensei: O que estou fazendo?
Lucy
Levanto-me já recuperada e com o coração inteiro. Claro, com minha dignidade intacta também. Ando pela multidão até ver Gray com uma expressão estranha no bar. Isso não é de seu feitio. Ando até lá e sento ao seu lado, pedindo outra caipirinha para mim.
— O que houve? — pergunto sem pestanejar, em tom preocupado.
Ele passa a mão pela cara.
— Será que todo mundo vai ficar me perguntando isso hoje? — responde com um sorriso sarcástico.
— Tudo bem — dou-me por vencida — Não posso dizer muita coisa — admito, olhando para frente e mexendo no canudinho de minha bebida.
Ficamos em silêncio por um tempo, com Gray olhando para baixo com as mãos na cabeça. Algo com certeza está acontecendo com ele. Mas Gray sempre foi assim fechado, sem querer ajuda de ninguém, sem querer desabafar. Eu sou completamente diferente, apesar de estar querendo mudar isso.
— Desculpe — ele fala depois de um tempo — Tem uma garota que está me tirando do sério.
Olho para ele, mas vejo que continua olhando para baixo.
— Parece que estamos na mesma então, mas no meu caso é um garoto — digo com um sorriso meio deprimente.
Garoto? Nem ao menos posso chama-lo assim mais.
— Eu errei feio — sussurra e parece rir de si mesmo — Então tento apagar isso com mulheres, mas estou começando a pensar que talvez não seja uma boa ideia.
Rio de sua sinceridade.
— Com certeza não é uma boa ideia — respondo, lhe fazendo rir também. Então vejo ele encarar uma garota bonita no meio de todas aquelas pessoas e volto a olhar para ele — Nem por isso parece que você irá parar.
Ele me olha com aquele seu sorriso cafajeste.
— Só hoje? — faz uma cara de pidão e eu dou de ombros.
Gray sorri e logo se levanta para ir em direção a sua próxima vítima. Ele realmente não presta. Os rumores são verdadeiros.
Novamente me vejo sozinha. Natsu ainda não apareceu. Não que eu o esteja procurando ou algo do tipo. Realmente não me importa o que ele faz. Termino meu terceiro, talvez quarto copo de caipirinha e volto para a pista de dança, pretendendo soltar toda a energia ruim presa em mim. Vou para o meio do local, onde todas as luzes e fumaça parece me fazer sumir. Soltei-me, balancei no ritmo da música e até mais, me libertei.
Alguns garotos se aproximaram e comecei a dançar com eles sem ligar. Não sou de fazer coisas assim, mas não estou matando alguém, estou apenas dançando. Não estou traindo, não estou machucando outra pessoa. Quero apenas me divertir. As garotas não costumam dançar e eu adoro.
Meus pés começam a doer depois de algum tempo, então começo a procurar algum canto para parar. Ando em direção a escada novamente para encontrar o pessoal, quando sinto todo meu corpo ser puxado para baixo da escada. O que...? Meu coração quase sai de mim no momento em que vejo Natsu na minha frente, segurando meus pulsos naquele lugar escuro.
— O que está fazendo? — pergunto assustada por seu ato tão repentino.
— O que eu estou fazendo? — replica com um olhar rígido — O que você está fazendo dançando daquele jeito para aqueles caras?
Seus olhos fixam os meus com tanta intensidade que perco o ar. Sua raiva parece passar por suas veias e percorrer meu corpo com sua aproximação. Primeiramente fico pasma por seu ciúme sem sentido, depois fico irritada por ser tão idiota. Ele se agarra com uma garota e quer me dar sermão?
Solto-me de suas mãos, olhando de forma furiosa para ele.
— O que você tem a ver com isso? — questiono.
Nossos olhares de raiva continuam a se encarar. Natsu dá um passo para frente, colando seu corpo no meu e desce até meu pescoço, fazendo todo meu corpo arrepiar. Ele me morde e sussurra:
— Me diz Lucy... o que eu tenho a ver com isso? Também preciso da resposta.
Sua voz rouca e sussurrada mesmo dentro daquele lugar com um som tom alto, pareceu penetrar minha mente e fazer minhas pernas fraquejarem. Seu tom sedutor fez cócegas em mim e me fez fechar os olhos por um momento, pensando em coisas bem piores.
Ele volta a me olhar, eu o olho. Sabíamos que isso era um erro, porque quando nossos olhos se cruzam, eles mostraram quanto estávamos desesperados um pelo outro. Mesmo sem mais nenhuma palavra, demorou um segundo até que eu me atirasse em seus braços e ele tomasse minha boca com a sua.
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