Destino
1 Prólogo
Notas iniciais

Meu corpo estava dolorido, latejando em cada músculo e osso, pelo menos eu havia parado de sangrar! Bom, ao menos era essa a sensação que eu tinha, meu braço parecia não sangrar mais, mas a dor ainda era intensa, como se estivesse sendo esmagado por uma prensa invisível. A chuva caía sobre mim como uma maldição, gelada e implacável, e eu me sentia tão fraca que não sabia se conseguiria sobreviver àquela noite sombria e cruel. Mas então, ouvi uma voz. Uma voz que eu não queria ouvir. Uma voz que me fazia tremer de medo, que me fazia querer me encolher e desaparecer. Eu estava apavorada, meu coração batia descontroladamente como se quisesse escapar do peito.
— Lynn! LYNN! — gritou ele, sua voz ecoando pela floresta como um trovão, fazendo os galhos das árvores tremerem e os animais silenciaram com medo.
Eu tentei me levantar, mas minhas pernas não respondiam, como se estivessem paralisadas pelo terror. Eu estava presa, presa naquela árvore, presa naquele pesadelo do qual eu não conseguia acordar. E então, ele me encontrou. Seus olhos me encararam com uma intensidade que me fez sentir como se estivesse olhando para a minha própria morte, como se ele pudesse ver a minha alma saindo do meu corpo.
— Por favor, me deixe ir — sussurrei, pois minha voz tremia de medo e era quase inaudível, mas eu sabia que ele podia ouvir o desespero em minhas palavras.
Droga eu nunca senti tanto medo como agora. Mas ele apenas sorriu, um sorriso cruel e sádico que me fez sentir como se estivesse condenada, condenada a pior das condenações, a uma eternidade de sofrimento.
— Você sabe que não posso deixar — disse ele, com sua voz baixa e ameaçadora, como um sussurro do próprio diabo. — Precisamos terminar o que começamos.
Eu tentei me soltar, mas ele era forte demais, como se fosse feito de pedra. Eu estava presa em suas mãos, e eu sabia que não havia escapatória, que o destino estava selado. Mas então, ele se distraiu ao pegar seu punhal, um brilho de metal na escuridão, e eu aproveitei a chance para escapar. Eu corri com todas as minhas forças, meu coração parecia bater na minha garganta, como se estivesse tentando escapar do meu corpo. Eu não olhei para trás, eu apenas corri, através da floresta escura e traiçoeira. Eu vi a luz de um fogo. A cabana. Eu estava quase lá, quase a salvo.
— Haaa!
Eu senti o gelo se partir sob meus pés, e eu caí na água gelada, como se tivesse sido lançada em um abismo de dor. Eu senti como se estivesse sendo perfurada por milhares de agulhas, como se cada molécula do meu corpo estivesse gritando de dor. Eu estava perdendo a consciência, e eu sabia que não ia sobreviver, não acredito que esse vai ser o meu fim depois de tudo, depois de tanta luta até aqui. Eu estava completamente entregue ao meu destino quando eu senti uma mão me puxar para fora da água, como se fosse um anjo me salvando do inferno. Eu fui colocada deitada no gelo, e eu vi um rosto turvo. Um rosto que eu não queria ver de jeito nenhum, todos menos ele.
— Quase escapou de mim — disse ele com uma voz cheia de raiva, como um rugido de um animal selvagem. — Vou garantir que você não escape mais.
Eu senti uma dor intensa no peito, ele havia me golpeado e ali e eu sabia que era o fim, que tudo estava acabado. Eu vi o rosto dele se afastando de mim com um sorriso largo de satisfação nos lábios,desaparecendo na escuridão. Eu pensei em como eu o amava, em como eu me enganei quanto a ele, em como eu havia confiado nele. Eu fechei meus olhos lentamente, me rendendo ao sono eterno, mas então, eu ouvi uma voz. Uma voz que eu não consegui distinguir, mas que me fazia me sentir segura.
— Lynn! Por favor, não me deixe — disse a voz, com um tom de desespero, como eu nunca havia ouvido antes, como se ele estivesse se despedaçando por dentro.
Eu senti um abraço apertado me envolver, e eu sabia que eu estava segura embora eu não estivesse conseguindo distinguir de quem era aquela voz, de quem era aquele abraço, mas eu tinha certeza absoluta que ali eu estava segura, que nada mais poderia me machucar.
— Quem... — sussurrei com minha voz quase inaudível me esforçando ao máximo que podia.
— Sou eu, Lynn. Sou eu. — respondeu a voz, com um tom de alívio, como se ele tivesse encontrado algo precioso que pensava ter perdido para sempre. — Eu te encontrei e tudo vai ficar bem.
Eu tentei abrir os olhos, os firmei e vi o rosto dele. O rosto que eu amava. O rosto que me fazia sentir viva, que me fazia sentir que havia esperança mesmo naquela situação desesperadora. Ele estava chorando, lágrimas escorriam pelo seu rosto, e eu pude ver a angústia em seus olhos, como se ele estivesse sentindo toda a dor do mundo acho que foi a primeira vez que eu o vi chorar e era por mim, seria lindo se fosse em outro momento e não nesse tão trágico.
— Que bom… que bom poder te ver antes de morrer. — balbuciei com minha voz trêmula, como se aquelas fossem as últimas palavras que eu conseguiria dizer.
Ele me abraçou mais forte, e eu senti o calor de seu corpo se espalhar pelo meu corpo, como era bom estar em seus braços, como se ali fosse o único lugar seguro no mundo.
— Eu não vou deixar você morrer Lynn! Não vou! — disse ele com uma voz cheia de angústia e emoção, pude ouvir ele soluçar, entre o choro, como se estivesse quebrando por dentro.
Eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, e eu sabia que eu ia morrer. Ao menos eu estava nos braços da pessoa que eu amava ou achava que amava, que droga eu estou com esse dilema até aqui! E ali eu ouvi as palavras que eu mais queria ouvir naquele momento.
— Eu estou aqui Lynn. Eu não vou deixar você morrer!
Ele me apertou contra o peito, e eu senti seu coração batendo forte contra o meu corpo, como se estivesse tentando transmitir toda a sua vida para mim. Eu fechei os olhos novamente, sentindo a escuridão se aproximar, mas agora com uma sensação de paz, sabendo que ele estava ali comigo. E então, tudo ficou preto.
Mas…
Eu senti algo. Um movimento. Uma luz. Eu… eu estava sendo carregada. Ele estava me carregando nos braços, correndo pela floresta escura. Eu ouvi sons distantes, como se estivessem perseguindo a gente. Ele não parava, não diminuía o passo. Ele estava me levando para algum lugar, para um lugar seguro. Eu tentei abrir os olhos novamente, mas a dor era muita, e eu não consegui. Eu apenas me deixei levar, confiando nele completamente.
— Lynn… aguenta — sussurrou ele com sua voz rouca de esforço e emoção. — Eu vou te levar para um lugar seguro. Você vai ficar bem.
Eu não sei quanto tempo passou. Eu estava perdida na dor e na escuridão. Mas eu senti quando ele parou. Ele me colocou em algo macio, como uma cama. Eu ouvi sons de movimentação, de alguém cuidando de mim. Ele estava ali, ao meu lado. Eu senti suas mãos tocando meu rosto, meus braços… meu ferimento… era uma chance ? Ou só só um conforto nos momentos finais da vida ? Não sei! Mas ele estava ali.
— Lynn — me chamou com uma voz suave agora. — Eu estou aqui. Você está segura só aguenta por favor!
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