Destino

6 Casa de Aquário - Hyoga


Notas iniciais
Bom, chegamos ao fim dessa fic, com a casa de aquário. Nada mais é o epi narrando por Hyoga. Agradeço de coração ao comentários, a quem favoritou e acompanhou essa história. Essa fic foi muito importante para mim, pois a escrevi em um momento legal de minha vida, mas tudo que tem um começo, também tem um fim. Quem puder, leia esse cap com a música tema da morte de Camus e também com a música Iris - Goo Dolls: https://www.youtube.com/watch?v=ZiraXxlwG8A

“Os desafios que você venceu. As lições que aprendeu. Você hoje é o melhor. E o seu prêmio, foi o maior...”

Após eu sair da Casa de Escorpião, fiquei pensando nas palavras de Milo a respeito dos sentimentos de Camus. Na hora senti raiva e mandei meu mestre não se meter nas minhas coisas, mas agora que passou a luta, é difícil não pensar nessas palavras. Fico repassando tudo o que Milo de Escorpião me disse. Camus se preocupa tanto assim comigo? Ele queria me poupar para que não me machucasse. Eu o odiei tanto quando ele afundou o navio de minha mãe. E tudo o que ele fez foi intencionalmente para eu despertar o sétimo sentido e o decepcionei. Tudo o que ele fez foi por mim.

Milo toda hora pedia permissão a Camus ou falava diretamente com ele. Queria poder saber o que meu mestre respondeu. Será que você escutou tudo o que falei na casa de escorpião? Queria saber se você sentiu orgulho de mim.

Quando me aproximo da Casa de Aquário e o vejo em pé, próximo a porta, todo imponente, quando seus olhos se encontram com os meus, um calafrio percorre meu corpo. Era como se estivéssemos no tempo que treinava com você. Eu sempre te admirando de longe, até o momento que pude tê-lo perto de mim.

Peço para meus amigos passarem por Camus e se encaminharem para casa de peixes. Os vejo passar com receio perto de meu mestre, mas não é para menos, ele exala respeito e poder. Peço também para eles não se meterem em minha luta com Camus de Aquário, pois estava na hora de eu mostrar para ele o quanto eu aprendi e evolui. Engraçado que quando meus amigos passam por você, são ignorados, tenho seus olhos somente encarando a mim.

Tenho certeza que deve pensar o por que sai daquele esquife de gelo. Você mesmo me disse, que um sábio sabe a hora de avançar e recuar. Quando meus amigos arriscaram a vida para me tirar do esquife, vi que estava sendo egoísta em me permitir morrer. Tenho uma missão a cumprir, você mestre, me ensinou isso. Tenho que ajudar meus amigos a proteger Athena. Tenho que fazer valer a armadura que visto e toda a dedicação que você, mestre Camus, teve em me treinar.

Subo as escadas e o vejo se afastar de mim, indo embora. O chamo para ter sua atenção.

– Camus, meu mestre. Eu gostaria de demonstrar minha a gratidão por você. Eu aprendi as suas técnicas e aprendi muitas coisas ao lutar com você na Casa de Libra. Agora quero demonstrar minha gratidão Camus de Aquário. Não com palavra e sim com ação, como um cavaleiro. Isso quer dizer que vou vence-lo usando todas as técnicas que aprendi com você.

– Eu entendi. – você para e se volta para mim — Aceitarei seu desafio e lutarei como nunca e dessa vez irei enterra-lo definitivamente. Vamos Hyoga!

Te vejo tirar a capa que veste e o brilho de seu cosmo e por alguns momentos permito-me ficar impressionado. Não posso me desconcentrar, tenho que provar para ti o meu valor.

– Pó de diamante, ataque!

Te ataco e facilmente você se desfaz do meu ataque. Pelo seu olhar vejo que foi fraco o que fiz, mas calma mestre, eu vou te impressionar ainda, não sei como, mas vou.

– Eu lhe falei na Casa de Libra, fui eu quem ensinou o que é pó de diamante, além disso você não pode me vencer com esse ar, ele não é frio o bastante. Ar frio você vai ver agora Hyoga.

Você me ataca e não consigo desviar, mas ainda você não está dando seu melhor Camus. O que será que se passa em sua cabeça?

– A minha perna esquerda está congelada – como conseguiu congelar minha perna com esse ataque? Mesmo depois de tanto tempo de convivência não consigo te entender.

– Qual é o zero absoluto Hyoga? Vamos, responda-me.

– Zero absoluto...

Lembro-me quando estávamos treinamento e você me falou sobre o zero absoluto. Disse-me que é a menor temperatura que qualquer coisa do universo pode atingir e que ela é -273°C. Disse-me que, todos os corpos possuem energia e quanto menor a temperatura, menos energia o corpo possui. O zero absoluto seria a temperatura que, em tese, os átomos não possuiriam mais energia para se movimentar e por isso ficariam parados. Lembro-me que falou que todos os cavaleiros, em uma luta, eram treinamentos para destruir, mas nós, os de gelo, deveríamos congelar e parar os movimentos. Meus pensamentos são quebrados por mais um ataque seu.

– A minha perna direita também está congelada, não, não consigo mexe-la, não consigo mexer o meu próprio corpo.

– Como você bem sabe Hyoga, o zero absoluto é a temperatura mais baixa que se pode alcançar neste universo. Mas mesmo para mim é impossível alcançar tal temperatura. No combate dos Cavaleiros que controlam o gelo, aquele que conseguir se aproximar ao máximo possível do zero absoluto, será o vencedor.

– E tudo isso depende do cosmo na luta, é isso Camus?

– É claro, por isso que mais que tente, jamais alcançara uma temperatura mais baixa, você jamais atingira o zero absoluto. É essa a diferença que me permite ganhar.

Você está me treinamento mestre? Camus, você não me dá tempo de pensar, droga, o que está fazendo?

– Essa posição de combate é da...

– Execução Aurora.

Mais uma vez sou atingido pelo Execução Aurora, mas dessa vez na casa de meu mestre.

– Aceite sua derrota e morra com esse ar frio Hyoga – o escuto dizer.

Não posso perder, não posso! Me levanto vagarosamente, te surpreendendo Camus. Eu cresci mestre, você vai ver!

– Hã? Você foi atingido pelo Execução Aurora. Como pode se levantar?

– Mestre, você mesmo me disse que nenhuma técnica funcionaria duas vezes com um Cavaleiro. Lembra-se disso? Talvez eu jamais consiga alcançar o zero absoluto, mas farei de tudo para esfriar o ar tanto quanto você e assim o vencerei mestre. Trovão aurora ataque.

Novamente te ataco e não atinjo nenhum resultado! Qual é seu ponto fraco Camus de Aquário?

– Eu disse que não adiantava – você me diz e novamente me ataca — Hyoga, espero que tenha realmente compreendido que nenhum dos seus ataques dá resultado comigo. Não pode fazer nada contra mim. Não quero continuar lutando, por que a luta terminou com a minha vitória. Não quero machuca-lo mais ainda. Darei a você uma sepultura de gelo outra vez. É isso o que posso fazer por você Hyoga.

Estou meio tonto depois do ataque, mas vejo que você quer me congelar novamente. Quero impedir isso, mas não tenho forças nesse momento.

– É um esquife congelado. Como você bem sabe Hyoga, esse caixão jamais se derreterá, mesmo que vários Cavaleiros de Ouro tentem quebra-lo, não terão êxito. Aquele que poderia liberta-lo com a espada de Libra não está mais aqui. Durma em paz Hyoga e desta vez para todo o sempre. Não há nada mais o que possa fazer para se libertar. Acalme-se e espere a morte.

Não! Camus, vou lhe dizer uma coisa, não sou o mesmo Hyoga que foi vencido em Libra. Jurei aos meus amigos que continuaria lutando por Athena. Shiryu cortou esse caixão de gelo com a espada de Libra, morreu acreditando que nós protegeríamos Athena. Eu não posso morrer aqui. Eu preciso salva-la. Shiryu continua me observando. Shiryu! Começo a fazer força, buscando a inspiração em meus amigos e em Athena, mas não só eles. Não vou perder de você mestre, não posso te decepcionar de novo! Eu evoluí, cresci e não vou admitir que me julgue. Não vou admitir que me trate como uma pessoa fraca.

– Hã? Eu não posso acreditar. Ele está tentando quebrar o esquife pelo lado de dentro. Isso é incrível! Hã?

Isso mesmo Camus de Aquário! Consigo me libertar do esquife e as sobras dele te atingem, o jogando para longe. Acho que está pensando alto, mas mal consigo escutar suas palavras.

– Não pode ser! Ele destruiu o esquife de gelo e isso nem mesmo os cavaleiros de ouro conseguiriam fazer. Que diabos aconteceu? Não pode esmagar o esquife de gelo, a não ser que ele consiga fazer com que a temperatura do ar fique mais baixa do que a do caixão. Tão baixa quanto a -273°C. Esse é o zero absoluto. Não, não pode ser. Hyoga pode ter inconscientemente... Não, não é possível. As suas duas pernas estão congeladas e o resto de seu corpo está prestes a congelar. Como é que pode ter tanta energia? Eu não entendo!

Como pode não entender meu mestre? Foi você que me ensinou a lutar e a perseverar.

– Camus, como eu disse antes, mesmo que eu não consiga alcançar o zero absoluto vou deixar o meu ar tão frio quanto o seu e vou liquida-lo. Vou acabar com você!

– Não Hyoga, pare!

Nos atacamos e entro em um estado de semiconsciência. Quando treinava contigo, cansei de escutar que a raiva era uma faca de dois gumes. Ela poderia ser uma poderosa aliada ou te destruir. Você, ao lutar, falava comigo, muitas vezes me provocando. Depois, quando acabávamos o treino, me dizia que tentava me induzir a sentir muita raiva, pois ela poderia servir de força de vontade para atingir determinado objetivo. Que a raiva quando é bem utilizada, pode te dar a força e fazer a diferença entre seu inimigo e você. Também disse que, esse sentimento usado de forma cega, pode te fazer perder o foco e te levar a derrota. Estou com raiva mestre! Raiva de você, por sempre me fazer parecer uma criança, perto de um adulto. Raiva de mim, por sempre falhar na hora que deveria fazer a diferença. Percebo que está dizendo alguma coisa, mas não consigo entender, não consigo sequer prestar a atenção. Estou perdido em meus pensamentos.

– Mas que diabos está acontecendo aqui? O ar frio está paralisado entre mim e Hyoga, como isso é possível? Será que Hyoga emite um ar tão frio quanto o meu? Impressionante Hyoga! Estou orgulhoso de você por tornar o ar tão frio quanto o meu. No entanto, eu lamento que não possa me vencer. Assim como a água congela a 0°C e o álcool congela a -14,5°C, as armaduras congelam a certa temperatura. A armadura de bronze congela a -150°C, não existe nenhuma exceção, mesmo a sua armadura que foi criada nas paredes de gelo eternas. As de prata congela a -200°C, mas para congelar a armadura de ouro, você precisa abaixar a -273°C, em outras palavras, você precisa fazer baixar a temperatura até o zero absoluto, entendeu Hyoga? Enquanto eu estiver usando a armadura de ouro, você jamais poderá me vencer, por mais que tente. Está me ouvindo? Ele está inconsciente, mas ainda sim mantém o ar tão frio quanto o meu. O ar frio está avançando até Hyoga. O ar frio que eu e Hyoga descarregamos vai esmaga-lo. Esse é seu destino.

Você está orgulhoso de mim, mestre Camus de Aquário? No fundo de meu coração escuto meus amigos pedindo para não desistir e não morrer. Não vou morrer mestre, não quando prometi não desistir. Não quando, pela primeira vez, escutei que está com orgulho de mim. Não quando foi também você que me deu forças para continuar.

– O seu destino é esse, adeus!

Saiu do meu estado de semiconsciência e percebo o ar frio vindo em minha direção e não sei como, o seguro. Não me importo mais em como faço as coisas, mas percebo sua surpresa ao ver isso. Viu mestre, eu também aprendo rápido. Eu vou repelir todo o ar frio e em cima de você. O vejo ser atingido e jogado longe, caindo até parte de sua armadura, revelando seus cabelos longos e seu rosto com maior clareza. Acho sua armadura linda, mas prefiro vê-lo sem. Seus olhos ficam mais visíveis e sua expressão mais sincera. Mais uma vez escuto sua voz se pronunciar ao ver minha evolução.

– Mas o que é isso? Vejo que a armadura de ouro está congelada. Então, eu estava certo a respeito do zero absoluto. Hyoga chegou ao zero absoluto, justamente quando está prestes a perder a vida. Mas Hyoga, agora já não lhe resta mais nada. Você não conhece nenhuma técnica que aproveite este zero absoluto. Você perderá de qualquer jeito Hyoga e desta vez vou sepulta-lo com a Execução Aurora. Mas o que é isso? O que está tentando fazer? Eu não posso acreditar! Essa é a posição do Execução Aurora, mas que bobagem! Agora que ele não tem mais nada com o que me atacar, vai usar o meu golpe como último recurso? Isso não vai adiantar! A Execução Aurora é a técnica capaz de utilizar o ar frio ao máximo. É impossível imita-la depois de ser atingido por ela uma ou duas vezes. Sentirá os efeitos de sua tolice. Olhe para isso Hyoga, a essência da Execução Aurora.

Ambos somos atingidos pelo Execução Aurora e ficamos congelados. Eu estava preparado para tudo, até mesmo perder a vida, menos o que ouvi te dizer.

– Muito bem Hyoga, você enfrentou momentos difíceis sendo atingido pelo Execução Aurora, mas conseguiu aprender a técnica. Você aprendeu tudo! Ah Hyoga, mesmo estando entre a vida e a morte, perdendo todos os sentidos e prestes a morrer congelado, alcançou o zero absoluto e superou a mim, o seu mestre. Você finalmente despertou o sétimo sentido. Você cresceu tanto por que aquilo em que acreditava realmente estava certo. Eu gostaria de poder deixa-lo viver para usar esse poder que adquiriu, mas eu não tenho mais força para lhe ajuda-lo. Perdoe-me!

O vejo cair no chão, sem vida. O que foi isso mestre? Suas palavras me atingem, mas estou fraco e não consigo raciocinar direito, mas antes que eu caia na inconsciência, devo te agradecer!

– Camus, você me guiou até o zero absoluto renunciando a sua vida. Jamais esquecerei todas as coisas que me ensinou. Obrigado Camus, meu mestre!

Não sei por quanto tempo fiquei desacordado, mas quando me levanto, ainda estou na Casa de Aquário. O cosmo de Athena me deu novamente a vida. Flashes da nossa luta passam em minha mente, ao mesmo tempo que meus olhos encontram seu corpo sem vida no chão. Me aproximo de ti, sento no chão, não me importando mais com nada e te coloco em meu colo, em uma espécie de abraço. Sinto as lágrimas percorrerem meu rosto e não ligo.

Meu mestre Camus de Aquário, lembro-me que um dia me disse que tudo o que me ensinou faria sentido e acredito que esse momento chegou. Na luta estava tão cego e querendo vencer, que só no final percebi o que fez por mim. Você morreu para que eu evoluísse e atingisse o sétimo sentido. O tempo todo me provocava e me atacava para que eu crescesse.

Camus, você sempre soube que isso iria acontecer, não foi? É por isso que falava sobre não se apegar e que sentimentos só iriam me prejudicar! Agora entendo todas as vezes que brigou comigo, recusou minhas demonstrações de carinho e até mesmo afundou mais o navio de minha mãe. Quando me poupou e me congelou na Casa de Libra, foi para evitar que eu sofresse, certo? Te odiei naquele momento! Mas quando fui na Casa de Escorpião e Milo me falou aquelas coisas, fiquei confuso, mas agora entendo tudo!

Entendo sim como fui cego, orgulhoso e como te decepcionei. Hoje vejo com clareza todas as coisas que fez por mim. Você nunca disse que me amava, nem que gostava de mim, mas cada ato seu foi movido por carinho, escondido pela sua máscara de frieza e não vi. Não vi que você nunca precisou de palavras para demonstrar todos os seus sentimentos. Eu fui tão estupido mestre, me perdoe! Todos os fatos estavam em minha frente e os deixei passar, sendo consumido, muitas vezes, por raiva, ódio e mágoa de ti.

Por que precisou você doar sua vida a mim para que eu percebesse tudo? Queria poder te dizer tudo isso pessoalmente, mas não posso mais. Eu te abraço mais forte e ao me desfazer do aperto, te beijo, sentindo o gosto amargo de minhas lágrimas misturado a sua pele congelada. Passo a mão em seus cabelos e me permito suspirar.

Eu te amo, meu mestre Camus! Aonde estiver, me proteja e guie meus passos. Sei que sua constelação de Aquário sempre vai estar comigo. Me perdoe por toda decepção que lhe causei. Te dou a minha palavra que jamais terá motivos para se decepcionar comigo de novo. Vou honrar minha armadura e dar minha vida por Athena e meus amigos se for preciso. Vou honrar o mestre que tive. Camus de Aquário, obrigado por tudo! Por ter sido meu mestre, meu amigo, minha referência de pessoa e homem.

Agora entendo que eu fui sua fraqueza... Prometo meu mestre, que jamais permitirei que alguém novamente use minha fraqueza, afinal elas são mamãe e você, e ambos deram suas vidas por mim.

Me desfaço do contato físico, o deixando no chão de sua casa e saiu para encontrar meus amigos. Mais uma etapa da minha vida começa agora, sem você mestre. Não vou esquecer tudo o que me ensinou e principalmente quem me ensinou a ser. Adeus mestre, obrigado!

Notas finais
Espero que tenham gostado do conto e aguardo vocês no outro que estou escrevendo e que logo irei postar. Só vou deixa-lo mais adiantado antes de posta-lo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!